Arquivo de Braga - Fair Play

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Bruno Costa JesuínoJaneiro 26, 20206min0

É óptima aquela sensação de ‘amor à primeira vista’. Mas como todas as histórias, até chegar a um final feliz, há uma sem número de ‘vistas’ que vão mensurado esse ‘amor’, que passa de bestial a besta num piscar de olho. E falamos de Rúben Amorim. Que nestes primeiros jogos tem sido um caso amor(im) à primeira, segunda e terceira vista.

O pleno de vitórias em todas as ‘vistas’

Na realidade já 5 vistas. Leia-se 5 jogos. E em todos eles fez o pleno de vitórias. Destacam-se três delas porque foram contra dois dos dos ‘grandes’ do futebol português. Duas com o Porto e uma com o Sporting. Mas vamos ao antes disso. Rúben Amorim pega na equipa de Sá Pinto, que com um brilhante percurso europeu, estava a desiludir a nível interno. Muitos pontos perdidos e a claudicar nos jogos com os grandes. Mais que os resultados, sentia-se que nesses duelos o Braga não se impunha com equipa ‘grande’ que quer vir a sair. Aliás, isto não só com Sá Pinto, pois salvo raras excepções, o saldo e as exibições com os grande deixaram algo a desejar para a nação bracarense.

A estreia não podia ser melhor. Na deslocação ao Jamor uma goleada das antigas por 7-1. Mas, como se costuma dizer, “o futebol é o momento” e na recepção ao Tondela foram muitas as dificuldades para vencer. Nesse jogo chegou-se a ouvir assobios na bancada. Depois, mostrou-se uma equipa mais consistente (com e sem bola) no Dragão, e com a sorte do jogo venceu onde não ganhava há muitos, muitos anos.

Chegado o momento da ‘final four’ da Taça da Liga, onde uma vez mais foi anfitrião, o Braga superiorizou-se ao Sporting na meia final. No cômputo geral demonstrou ser mais equipa, tanto a jogar contra 11, como depois contra 10. Mais pressionante e com muita dinâmica acabou por marcar perto do fim e dar justiça ao resultado, onde tinha sofrido o golo do empate num momento de distracção numa reposição de bola de Bruno Fernandes. Na final, um jogo mais equilibrado, onde a defesa se superiorizou o ataque. Mas o resultado aceita-se, o Braga mostrou-se quase sempre mais confiante e compacto, acabando o jogo a pressionar o Porto. Pressão essa que acabou por dar frutos com o golo de Ricardo Horta aos 95 minutos, o penúltimo dos descontos.

A história de um golo que esteve longe de ser só sorte

Ah e tal foi uma carambola que acabou por ir parar aos pés do Ricardo Horta. E foi. Mas o que antecedeu a jogada do golo esteve longe de ser só sorte. No lançamento lateral longo de Sequeira para a área do Porto, de destacar a forma como a equipa bracarense se posicionou (e bem) ainda com bola. Preparando a transição defensiva, marcou Soares em cima, o jogador seria o ponto de partida para  ligar um possível transição ofensiva dos ‘dragões’. Assim foi. O central do Braga ganha no duelo com o avançado, e depois a classe de Paulinho a colocar a bola entre linhas e o instinto de Ricardo Horta fizeram o resto. Ah, claro. E a sorte também.

O Rúben por detrás do  treinador

Rúben, dividiu a formação de jogador entre Benfica e Belenenses. Como jogador, não sendo um daqueles considerado fora de série, destacou-se acima de tudo pela sua polivalência. E para desempenhar várias funções com sucesso, muito se devia à sua inteligência. Sempre se entendeu que percebia o jogo como poucos. Saber sempre onde devia estar com e sem bola, fosse a jogar na “posição 8”, a mais natural face às suas características, num duplo pivô, a falso ala e até a defesa direito.

O factor mais negativo da carreira foi o facto de ter sido sempre muito propenso as lesões, muitas vezes, em fases em que estava a crescer. Como por exemplo aquela lesão grave (mais uma) joelho no sintético do Bessa. A sua personalidade forte fazia dele um dos líderes em campo, tanto para puxar pela equipa como para ajudar a corrigir posicionamentos dos colegas.

Quando se assumiu como treinador…

Como treinador, pegou no Casa Pia e deixou a sua marca, nos jogadores, no clube e na comunicação social. Devido a alguns problemas disciplinares, foi afastado, e depois do convite para assumir a equipa de sub23 do Benfica (que rejeito) assumiu o Braga B.

Quando o contratou, António Salvador já deveria ter na ideia um dia ‘dar-lhe o lugar’ o treinador principal, até porque também já o conhecia bem pela sua passagem pelo Braga. Assumiu a posição mais cedo do que era esperado (por todos), mas até tem deixado a sua marca, tendo em conta os grandes resultados, as boas exibições, as ideias positivas e, por agora. a sorte… que protege os audazes.

O fato de campeão de inverno serve-lhes bem

Rúben pegou na equipa e foi logo criticado por não ter o curso de treinador. Mas isso é uma outra história que agora não será esmiuçada. Com uma forma de perceber o futebol muito própria, implementou rapidamente as ideais que já lhe reconhecia nas passagens pelo Casa Pia e pelo Braga B.

Um sistema assente em três centrais, mas com muitas dinâmicas, que consoante as nuances do jogo, tanto defende numa linha com três, quatro ou cinco. Mas mais que o sistema, é a nova ideia que o treinador trouxe para a equipa. Um modelo que tem apresentado mais soluções ofensivas, algo que a equipa vinha sentido dificuldades diante de adversário que se fecham mais.

Se calhar, mais até que os resultados e exibições é a postura e a personalidade da equipa que tem surpreendido. Todos sabemos que são resultados que mandam, e uma fase má pode quase apagar o que de bom Rúben Amorim trouxe para Braga, mas que o início é prometedor, lá isso é.

Um bom arsenal de armas

Muito já se elogiou o plantel do Braga por ser muito homogéneo, com duas opções de valor semelhante para cada posição. Basta pensar que no duplo pivot do meio campo, tem sido usados Palhinha e Fransérgio, estando no banco André Horta e João Novais! Jogadores que poderiam caber no plantel dos três grandes. Na frente Ricardo Horta e Francisco Trincão têm feito companhia a Paulinho. Mas a concorrência é forte, com Wilson Eduardo, Galeno, Rui Fonte. E ainda há Bruno Xadas.

O dinamismo e toda aquela basculação que a equipa vai fazendo, permite entre outras coisas, dar maior liberdade aos principais desequilibradores (por norma os extremos Horta e Trincão) que lhes permite, por exemplo, recuperar mais tarde na transição defensiva.

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Bruno Costa JesuínoJaneiro 20, 20207min0

Rivalidade. Rivalidade não é guerra. Embora pareça que no futebol há uma linha, demasiado ténue, que as separa. Felizmente, os protagonistas, ou pelo menos aqueles que o deviam ser, ainda nos dão muitos bons exemplos. Um desses casos é o badalado “Bruno Fernandes”, que nos últimos tempos tem dado bons exemplos de fair play fora de campo. Além disso, vamos falar no futebol. Mas daquela parte que interessa.

Bom exemplo, um que está sempre a reclamar durante os 90 minutos?

É um facto. O seu perfil em campo faz com que passe muito tempo a reclamar com árbitros e adversários durante os 90 minutos. Mas não é essa parte que o artigo quer destacar. É a capacidade de Bruno Fernandes não ter receio em falar sem tabus de assuntos que muitos não têm coragem de o fazer. Os elogios públicos aos “inimigos”. Ah, espera, isso é a forma como muitos pensam. Vou reformular. O capitão dos ‘leões’ elogiou publicamente a qualidade de vários rivais. No final da época passada, em declarações à RTP, no final da época passada, elogiou a capacidade um jogador portista.

Não vou dizer que sou eu. Não é uma questão de humildade a mais, mas não me consigo ver dessa maneira. Há um jogador que este ano até pode não ter sido tão preponderante, mas que gosto muito: o Brahimi. Para mim, quando quer, é o melhor jogador do campeonato.

As palavras estenderam-se ainda a outros destaques do rival da segunda circular, pelas excelentes época que fizeram.

Dos portugueses… Temos a surpresa João Félix, que fez um grande campeonato, mas pela influência que tem diria o Pizzi. Talvez até o possa colocar no mesmo patamar que o Brahimi.

Mas não se ficou por aqui, ainda esta época, o capitão do Sporting, fez um comentário nas redes sociais a elogiar a excelente prestação do benfiquista diante do Zenit.

Adivinhem o que aconteceu?

Se calhar não é preciso muito para se adivinhar o que aconteceu. Pois bem, no futebol, o elogio a rivais tem sempre o reverso da medal. Para grande parte dos adeptos ser simpático para um adversário é algo proibido, e quem o faz é considerado pelos mais radicais, como ‘traidor’. Inclusive por aqueles adeptos ‘famosos’ que vão à televisão. Lembro-me quando o Benfica ganhou ao Porto, um desses em adeptos, no Prolongamento, ter criticado por no fim do jogo Ricardo Quaresma ter dado um abraço a Jorge Jesus. Para ele, é inconcebível depois de uma derrota ser ‘simpático’ com um adversário. Óbvio que anos depois, também apoiou o ‘não cumprimentar’ que Sérgio Conceição fez a João Félix no mesmo estádio, e também após um desaire.

It’s  footbal, not war

O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes das nossas vidas.

Esta famosa frase é da autoria do ex-jogador e treinador italiano Arrigo Sacchi, e devia ser lembrada todos os dias. Lembrada e levada à letra. E após o apito final não eternizar guerras sem sentido e com base num clubismo exacerbado, que mais se aproxima de ódio. E tudo começar quando se odeia mais um rival do que se gosta do seu clube.

It’s football, not war. E sigam o exemplo, dos jogadores. Que por vezes não demonstram mais devido às más reacções de parte significativa dos adeptos. Por isso, parabéns Bruno. E que o teu ‘grande’ futebol continue a acompanhar a tua ‘grande’ postura. Seja onde for.

Nélson Semedo e Bruno Fernandes:

João Félix responde a Bruno Fernandes:

O nosso futebol: ponto de situação

Acabou a primeira volta do campeonato e em pouco mais de quatro meses muitas coisas há destacar. Vamos pegar em dois pontos positivos e um negativo.

A ‘dança’ dos treinadores ja dava (quase) para fazer um ‘onze’

Começar por um menos positivo. Desde o início houve dez mudanças de treinador. Quer dizer onze, com  saída de Folha do Portimonense durante o fim de semana. O Sporting, contando com o interino Leonel Pontes, e o Belenenses, já vão na terceira escolha. Não será por acaso as épocas conturbadas e abaixo das expectativas que ambas as equipas têm tido. Aliás, curiosamente, Silas, actual treinador do Sporting, começou a época no Belenenses (ou será que deverei B Sad ou Code City!).

Mas mais que a mudança de treinadores é a mudança de estratégia em poucos meses. O Marítimo começou a época com Nuno Manta Santos (agora no Aves), um treinador de transição, e ao fim de alguns meses mudou para José Gomes, um treinador que aposta num jogo de posse. O mesmo com Vitória Futebol Clube, que depois de Sandro, que montava a equipa centrada na segurança defensiva, apostou no espanhol Júlio Velasquez.

Em sentido oposto, o Belenenses que depois de Silas e Pedro Ribeiro, apostou em Petit. Treinador que se tem especializado em assumir salvar da descida equipas que assume a meio da época, mas que ao contrário dos antecessores, apresenta uma forma de jogar antagónica.

O grande Fama, o Gil de Oliveira e os recordes de Lage

A grande sensação da época tem sido o Famalicão, ainda por cima neste regresso à primeira liga depois de algumas décadas de ausência. Um projecto que está a ser criado há alguns anos e que está a dar frutos. Uma aposta em jogadores jovens, que têm tudo ainda para mostrar. Reforçou-se tanto no verão como agora no mercado do inverno. Até ver ainda não deixou sair nenhum dos principais jogadores, e está no sensacional terceiro lugar. Será que vai continuar a surpreender?

Quase tão surpreendente, o também regressado Gil Vicente. Com um plantel por montar a partir do zero, escolheu o experiente Vitor Oliveira, o mestre das subidas de divisão. Uma missão difícil nas mãos certas. Destaca-se a vitória sobre o Porto e Sporting, e mesmo depois de alguma séries negativas, encontra-se no 8º lugar, seis pontos acima da linha de água.

Mesmo com algumas fases negativas, principalmente após a derrota com o Porto, o Benfica de Bruno Lage teve a força de ir ganhando quando jogou mal. Com o regresso Gabriel e depois de Chiquinho, e a explosão de Vinícius a equipa estabilizou, mesmo quando perdeu o jogador que em melhor forma: Rafa. Em 51 pontos, conquistou 48, apresentando o melhor ataque e a melhor defesa (+7 golos e -5 que o Porto, respectivamente).

Uma palavra para a qualidade de jogo do Vitória Sport Clube, apesar de alguns resultados menos positivos do que as exibições adivinhavam.

Do trio benfiquista ao incontornável Bruno Fernandes

A prova quase imaculado do Benfica tem tido em Pizzi, desde o início, e melhoria exibicional com a entrada de Chiquinho e Vinícius. O primeiro porque é aquele que mais aproximou o Benfica das dinâmicas da época passada (quando tinha João Félix) e o brasileiro pelas novas soluções que deu à equipa, além da excelente média de golos.

No Porto o maior destaque tem sido Corona. O mexicano, jogue em que posição jogar é actualmente o mais imprescindível. Os reforços Marchesin, entrou muito bem na equipa, e Luis Diaz, embora a espaços, tem oferecido à equipa aquilo que Brahimi tinha de melhor.

No Braga, Ricardo Horta tem sido o mais influente na frente, enquanto Palhinha tem crescido muito. A capacidade de equilíbrio de dá a equipa faz lembrar a influência que Fejsa já teve no Benfica.

Na cidade de Guimarães, com um plantel bem recheado, Ivo Vieira tem rodado muito a equipa de jogo para o jogo. No entanto, o jogador mais utilizado, tem sido Tapsoba, um dos melhores centrais do nosso campeonato. No Sporting, Bruno Fernandes. Sempre, Bruno Fernandes.

Outros destaques: Kraev (Gil Vicente), Davidson (Vitória SC), Nehuén Perez, Pedro Gonçalves, Fábio Martins (Famalicão), Taremi (Rio Ave), Pepelu (Tondela), Filipe Soares (Moreirense) e Mehrdad Mohammadi (Aves).

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Bruno Costa JesuínoOutubro 25, 20198min0

Jogar bem não garante vitórias mas… deixa-nos sempre mais perto de ganhar. Ainda nestes últimos dias, entre Taça de Portugal e competições europeias tivemos alguns exemplos disso. Se por um lado as vitórias na taça de Alverca, Sintra FC, Beira Mar sobre clubes de primeira liga, são exemplos da primeira premissa, a prestação do Vitória SC, diante do Arsenal, testemunha a segunda.

As surpresas (ou nem tanto assim) na Taça de Portugal

Cinco equipas da primeira liga eliminadas na Taça de Portugal na primeira na primeira ronda (em que estas entram) já era considerado um recorde. Até que no dia seguinte, caíram mais duas. Foram dados três exemplos acima – Alverca, Sintra e Beira Mar –  que foram jogos que consegui ver com mais cuidado. O que impressionou mais, além da qualidade colectiva, foi a atitude dessas equipas, que nunca se atemorizaram pelo poderio adversário e jogaram o jogo pelo jogo, sem ‘autocarros’, e na procura constante do golo, mesmo na forma como os jogadores se posicionavam no momento defensivo. Por isso, para quem viu os jogos, as surpresas na Taça de Portugal não o foram tanto assim.

Campeonato de Portugal mais forte ou Primeira Liga mais fraca? Eis a questão.

Esta é um questão que muito tem sido debatida. Já todos lemos, vimos e ouvimos defensores das duas opiniões. Talvez com mais interlocutores a acentuar que são as principais equipas que estão mais fracas. No entanto, antes de mais, o que importa destacar, é a forma como todas as equipas profissionais, semi-profissionais e até amadoras, trabalham cada vez melhor. Ao que se deve? Acima de tudo à qualidade do treinador português e ao nascimento de bons projectos apoiados em boas estruturas que não se limitam a pensar nos resultados a curto-prazo. Em termos gerais, a qualidade do treinador português é muito superior ao que era há 10 anos. E ainda mais do que há 20 anos. Se antigamente ser treinador era quase um (con)sequência da carreira de um ex-jogador, hoje em dia é o sonho de muitos jovens. Mais até do que ser jogador. E estudam e trabalham para ser reais mais valias, Óbvio que a isso não é alheio ao sucesso dos treinadores portugueses no estrangeiro, que são hoje em dia dos melhores entre os melhores do mundo. Campeonato de Portugal está mais forte? Sim. A Primeira Liga está mais fraca? Não. A diferença entre elas, isso sim, em alguns confrontos directos terá alguma tendência a ser diluída, pois existem menos diferenças na qualidade do trabalho.

Europa: nem todos os que jogaram bem ganharam e houve vitórias de quem não jogou bem

No que respeita às prestações portuguesas na jornada europeia, acabou por ser globalmente positiva: 3 vitórias, 1 empate e uma derrota. Mas mais que os resultados vamos fazer a relação entre qualidade exibicional e resultados.

Os que jogaram bem…

Quem jogou melhor? Sem qualquer dúvida, Sporting de Braga e Vitória Sport Clube. Um ganhou na sempre complicada deslocação à Turquia, o outro perdeu diante do tubarão e super-favorito Arsenal. Os vimaranenses entraram no Emirates Stadium, mantiveram a sua identidade e jogaram o jogo pelo jogo sem duvidar do potencial que têm demonstrado sob o comando de Ivo Vieira. Estiveram duas vezes em vantagem, não tremeram quando sofreram golos, e só a qualidade individual superlativa dos ‘gunners’, neste caso com dois golos. Yohann Pele, que custou 80 milhões, entrou e marcou dois grandes golos de livre directo. Nos três jogos o Vitória jogou e bem e merecia ter (pelo menos) pontuado em qualquer jogo desta fase de grupo. No entanto, a qualidade de jogo não resultou qualquer ponto. No caso do Braga, a equipa tem tido um registo quase imaculado na Europa, encontra-se no primeiro lugar no grupo, com sete pontos. Uma equipa personalizada que curiosamente fez seis pontos nos jogos fora (nas duas saídas mais complicadas) e empatou o jogo em casa (diante da equipa teoricamente menos favorita). Mas em qualquer dos três jogos da fase de grupos. a equipa de Sá Pinto demonstrou ser a melhor equipa equipa. Uma palavra de destaque para mais um golo de Ricardo Horta, desta vez ao Beksitas.

Ambas as equipas minhotas jogaram bem, e em qualidade de jogo têm sido, sem dúvida, os melhores representantes portugueses nas competições europeias, embora com resultados práticos diferentes.

Os que não jogaram bem…

Nem Benfica, nem Porto, nem Sporting jogaram bem. Em vários momentos do jogo até mostraram superioridade sobre o adversário, mas globalmente não fizeram assim tanto que justificasse mais que o empate. No caso dos ‘dragões’ acabaram mesmo por empatar, num jogo em casa onde eram super-favoritos diante de um Rangers que tenta recuperar o vigor de outros anos. Além de que, as equipas escocesas, mesmo nos seus melhores anos, sempre demonstram muitas dificuldades nos jogos fora de casa. Steven Gerrard, lenda do Liverpool, construiu uma equipa à sua imagem: competitiva, lutadora, pragmática, vertical… mas sem aquele ‘kick and rush’ característico durante anos em equipas britânicas. Aliás, o Rangers, pela sua forma de jogar, tentar replicar a forma de jogar do Liverpool de Klopp com aquele “gegenpressing*, embora com interpretes de qualidade bastante inferior. O avançado Alfredo Morelos, internacional colombiano, será provavelmente a unidade de maior valor.

*combinação da palavra alemã gegen (contra) com a inglesa pressing (pressionar) – que está alojada a alma das equipas de Jürgen Klopp. Simplificando o conceito, gegenpressing é a capacidade para exercer uma pressão alta sobre o adversário, imediatamente a seguir ao momento da perda de bola, para não o deixar sair a jogar.

O Porto, depois da derrota na Holanda, acreditava-se que iria com tudo para cima do Rangers, mas só nos últimos minutos conseguiu encostar os escoceses lá atrás. Se bem que, mesmo assim, iam conseguindo espreitar algumas situações de contra ataque. A melhor unidade em cada um dos conjuntos foi colombiana, e não só pelos golos, com Luis Diaz, a ser o maior destaque entre os ‘dragões’, mesmo tendo sido substituído aos 63 minutos(!)

Em crise de resultados e exibições, o Rosenborg seria o adversário ideal para o Sporting inverter o ciclo, e voltar a ganhar a confiança com uma vitória e um boa exibição. Cumpriu metade. Faltou jogar bem. Não deixando de ser a equipa que mais procurou o golo, abusou muito em cruzamentos para a área dos noruegueses. Além de estes já serem mais fortes no jogo aéreo, muitos desses cruzamentos eram feitos sem grande critério e com o Sporting em manifesta inferioridade numérica. Ironia (ou não), o golo da vitória acabou por sair através de… um cruzamento.

Por todos os motivos e mais alguns, era fundamental os leões ganharam em casa, na recepção à equipa mais frágil do grupo. Mesmo sem jogar bem, agora com 6 pontos em 2 jogos, o Sporting está bem dentro da luta pela qualificação.

Por fim, o Benfica. Depois de meia época de sonho, Bruno Lage tem tido dificuldade em estabilizar a equipa, seja pela saída de Félix, pelas consecutivas lesões, ou pela incapacidade de reinventar novas solução. A juntar a isso, a aura negativa que se tem abatido sobre os encarnados na maior competição de clubes. Depois de duas derrotas… em dois jogos, no segundo jogo em casa era imperial vencer, porque mesmo o empate iria sempre saber a pouco e comprometer ainda mais o futuro da equipa na Europa. A equipa entrou muito bem, com Rafa ao centro, a dar um grande dinamismo nas transições, inaugurando inclusive o marcador. Pouco depois saiu lesionado e o Benfica ressentiu-se, sendo mesmo assim globalmente superior ao Lyon na primeira parte. No entanto, tudo mudou na etapa complementar, mesmo sem os franceses criarem muitas situações de golo, os encarnados foram recuando e deixando de criar ocasiões de perigo (durante mais de 30 minutos). Após o golo do Lyon, o Benfica lá conseguiu reagir. Pizzi (entrou para o lugar de Rafa), que estava a ter uma exibição apagada, em 3 minutos atirou um poste e aproveitou um erro do guarda redes do Lyon, para marcar um golo do meio do meio campo. No jogo em que o resultado mais justo seria o empate, valeu mais o resultado que a exibição.

Com os resultados desta semana europeia Portugal conseguiu ultrapassar a Rússia no ranking, objectivo fundamental para voltar a poder ter três equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Por isso venha de lá essa qualidade exibicional… pois estaremos sempre mais perto da vitória.

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Bruno Costa JesuínoSetembro 21, 201910min0

Nos últimos anos tem sido um luta constante entre clubes portugueses e russos por um lugar no top 6 entre as ligas com melhor performance nas competições europeias. E o sexto lugar está novamente bem perto… “aquele déjà vu da Rússia ali ao virar da esquina”. Dificilmente poderemos almejar a mais devido ao poderio dos cinco principais campeonatos, mas esta (re)ultrapassagem à Rússia dará novamente o acesso a três equipas na Liga dos Campeões (duas de forma directa). E todos sabemos a importância (financeira e não só) da participação na prova mais importante da Europa. Ao todo voltarão a ser seis equipas lusas nas competições europeias.

A luta “mano a mano” com a Rússia

Tem sido assim o nosso percurso ao longo dos últimos anos. Chegamos ao sexto lugar, e quando devíamos começar a consolidar a posição, os russos começam a aproximar-se e, de quando em vez, passam à frente. Isto durante um período de um ou dois anos. E ao que tudo indica será este ano que vamos recuperar a posição no top 6.

Esta permuta tem sido cíclica ao longo das últimas décadas. E acontece porque a diferença entre “ser sexto, em vez de sétimo” é de seis equipas na Europa em vez de cinco. E sendo os pontos a dividir pelo número de equipas participantes, é normal que essa “sexta equipa” (seja portuguesa ou russa) tendencialmente contribua com menos pontos. Além disso, ter dos melhores clubes do país directamente na Liga Europa ajuda a que pontuação seja superior, pois é mais “fácil” o ponto aqui em relação ao ponto na Liga dos Campeões.

Tendo a Rússia já duas equipas eliminadas das seis iniciais. Portugal continua com as mesmas cinco. Há apenas (menos de) um ponto a separar. Temos tudo para recuperar o “lugar que nos pertence” e na época 2020/21 voltar a ter três equipas na Liga do Campeões. E outras três na Liga Europa.

Fonte: Site da UEFA

Podemos sonhar com o top 5 europeu?

Resposta bem rápida. Sonhar sim, mas dificilmente lá chegaremos. Vamos por partes. Os dois primeiros lugares – Espanha e Inglaterra – estão destacadíssimos e os seus clubes são sempre os principais favoritos à conquistas das provas europeias. Na disputa pelo lugar no pódio, surge a Alemanha e a Itália, agora separadas por menos de um ponto, embora os germânicos ainda tenham a totalidade das equipas, enquanto os transalpinos já perderam uma. Isolados na quinta posição estão os franceses, a um distância idêntica tanto do quarto como do sexto e sétimo. Não se adivinham a curto-médio prazo mudanças no top 5, pelo poderio financeiro (e não só) dessas ligas, no entanto, e não assim há tanto tempo, Portugal aproximou-se dessa posição. De qualquer das formas, em termos práticos, o quinto e o sexto lugar garantem o mesmo número de equipas na Europa: seis.

Horizontes lusos nas competições europeias. Expectativas iniciais.

Será sempre pouco provável que uma equipa fora do top 4 seja considerada mais que outsider na Liga dos Campeões. Talvez com excepção do Paris SG pelo investimento que tem feito, que mesmo assim não tem conseguido mais que os quartos-de-final. Ao longo dos últimos anos tem havido algumas boas excepções, como a meia-final do Mónaco há três anos, e o Ajax, que ficou a um minuto de marcar presença na final da última edição prova.

No entanto, quando falamos em Liga Europa, as principais equipas portuguesas. serão sempre potenciais candidatas a chegar longe e a vencer. Os grandes adversários porventura serão as ‘segundas’ linhas do top 4 que não conseguiram a qualificação para a “prova milionária” ou que caiam na fase de grupos.  Nos último anos, o Porto já venceu, o Braga foi a uma final, o Benfica a duas, e o Sporting já marcou presença na meia-final. Foram algumas dessas campanhas muito positivas na prova que colocaram Portugal bem perto do top 5 no ranking das competições europeias.

Liga Europa

No grupo G, o Porto é o grande favorito, com Feyennord, Young Boys e Rangers a lutar pela segunda vaga para os 1/16 de final. Já o Sporting, tem no PSV o principal adversário adversário pela primeira posição do grupo D. No entanto, as equipas austríacos (13.º do ranking) tem mostrado evolução nos últimos anos, tendo o LASK, uma palavra a dizer, enquanto que o Rosenborg não deverá ter muitas esperanças na qualificação. O Braga, mesmo sendo uma equipa já com pergaminhos europeus será, pelo menos teoria, o terceiro favorito do grupo K, apenas à frente do Slovan Bratislava. Mas na prática, tendo em conta o valor do ‘guerreiros’, sabemos que pode disputar a vitória em qualquer um dos jogos que tem pela frente. Missão mais difícil terá o Vitória SC, que tem como super-favoritos o Arsenal e o Eintracht Frankfurt. A equipa da cidade de Guimarães será um outsider tal como os belgas do Standard Liège.

Liga do Campeões

O Benfica ficou no grupo mais equilibrado da prova. Aqueles grupos que não têm nenhum “tubarão europeu” (do Pote 1 saiu em sorte o Zenit), mas quaisquer das equipas têm aspirações a passar para os oitavos-de-final. Se do pote 1 terá saído adversário menos ‘poderoso’, do pote 3 calhou o experiente Lyon, e do pote 4 saiu a fava: RB Leipzig. Fava porquê? Porque nível de poderio financeiro e de qualidade de jogo, aparenta ser a equipa mais forte do grupo, apesar de ser a menos experiente (equipa tem apenas 10 anos de existência).

Primeira jornada das equipas portuguesas

O saldo das equipas portuguesas nesta primeira jornada europeia acabou por não ser positivo: duas vitórias e três derrotas. No entanto, ao ter feito melhor que a Rússia (apenas uma vitória), ficou mais perto do almejado sexto lugar.

Primeiro as vitórias. Uma já esperada e outra bem mais surpreendente. Vamos começar por esta última.

O Braga esteve irrepreensível nas pré-eliminatórias da Liga Europa afastando o Brondby e o Spartak Moscovo com brilhantismo. No entanto, a nível doméstico tem apenas um vitória e um empate as cinco jornadas realizadas. Na primeira jornada defrontou potencialmente a equipa mais forte do grupo e certamente a equipa-mais-portuguesa-de-terras-de-sua-majestade: o Wolverhampton de Nuno Espírito Santo, Rúben Neves, João Moutinho, Rui Patrício, Diogo Jota, Rúben Vinagre e, mais recentemente, de Pedro Neto e Bruno Jordão. Pois bem, os ‘guerreiros do Minho’ puseram favoritismos de lado, souberam sofrer, e nos 20 minutos finais dar a tacada final por aquele que tem sido o seu ‘soldado’ mais exemplar: Ricardo Horta. Com três pontos naquele que seria (em teoria) o jogo mais difícil desta fase, melhor entrada seria impossível para os bracarenses.

O Porto cumpriu a sua obrigação de favorito vencendo os bi-campeões suíços dos ‘Young Boys‘ por 2-1. Sérgio Conceição apresentou Soares como novidade no onze e foi o brasileiro o protagonista do encontro marcando os dois golos. Na primeira parte os dragões estiveram muito bem, e mesmo com o empate dos helvéticos, conseguiu responder com mais um golo e várias oportunidades. Na etapa complementar, ‘adormeceu’ um pouco, mas foi o suficiente para iniciar a fase de grupos com o pé direito. Será sempre apontada como uma das equipas candidatas à vitória final.

O Vitória Sport Clube, que ainda não tinha sofrido golos na Europa, não conseguiu um resultado que correspondesse à exibição. Dois erros da equipa lusa resultaram em dois golos sem resposta do Standard Liège, orientado pelo ‘nosso’ bem conhecido Michel Preud’Homme. Com este desfecho os vimaranenses tornam a sua missão ainda mais difícil, pois os dois jogos com os belgas são considerados os de menor grau de dificuldade.

Nesta fase de mudanças, o Sporting tinha uma estreia fora de casa e logo diante do adversário mais difícil do grupo. Os holandeses, eliminados da fase de grupo da Liga dos Campeões pelos suíços do Basileia, tem estado muito forte a nível interno. Perdeu dois dos seus melhores jogadores – Lozano e De Jong – mas abriu espaço para dois jovens da casa que tem brilhado – Ihattaren e Malen, com 17 e 20 anos, respectivamente – a juntar à contratação do virtuoso Bruma. Leonel Pontes, fez mudanças na equipa apresentando um novo sistema táctico com um meio campo em losangulo. Doumbia ficou com a missão mais defensiva, Bruno Fernandes no vértice mais ofensivo, e com Wendel e Miguel Luís com interiores. Na frente, Bolasie e Vietto jogaram com avançados soltos. Mesmo com as melhoria exibicional os holandeses conseguiram superiorizar-se e impuseram-se por 3-2. Os próximos dois jogos do Sporting esperam-se a conquista de seis pontos para os leões colocar na rota certa.

A jornada das competições europeias iniciou-se com derrota do Benfica diante do RB Leipzig. Num jogo que já se esperava de grau dificuldade elevado, os alemães foram mais fortes, principalmente no início da segunda parte. Os encarnados bateram-se bem e em oportunidades de golo dividiram encontro, mas os germânicos nesta altura demonstraram ser mais equipa, e justificaram o porquê do recente empate frente ao Bayern Munique que os manteve na liderança da Bundesliga. Nos próximos dois jogos, Zenit fora e recepção ao Lyon, o Benfica terá que conquistar pontos para manter viva a chama do apuramento, num grupo onde todos podem perder pontos com todos.

1X2 do apuramento ou melhor… alguns bitaites

Não passando de uma mera previsão, deixamos aqui algumas opiniões tendo em conta a performance actual e esperada das equipas e adversários. Vale o que vale.

  • O Porto ficará em primeiro lugar no grupo;
  • O Braga irá garantir um dos dois primeiros do grupo;
  • O Vitória ficará pelo menos no terceiro lugar do grupo;
  • O Sporting acabará por garantir um dos dois primeiros lugares do grupo;
  • O Benfica ficará pelo menos em terceiro lugar no grupo.

Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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