Rugby Português “lá fora”: Francisco Fernandes, le roy de Béziers-Herault

Francisco IsaacOutubro 25, 20216min0

Rugby Português “lá fora”: Francisco Fernandes, le roy de Béziers-Herault

Francisco IsaacOutubro 25, 20216min0
O pilar português, Francisco Fernandes, atingiu os 250 jogos na ProD2 e o Fair Play conta como esteve o 1ª linha neste fim-de-semana passado

Num fim-de-semana em que não tivemos nem Division de Honor ou Ereklasse (jogos em atraso apenas), a ProD2, National e Féderal 1 foram os únicos campeonatos a terem presença de atletas nacionais a jogar, e damos conta do papel de todos, a começar por Francisco Fernandes que atingiu um registo histórico assinalável. A “pegada” do rugby português fora do espaço nacional, explicada no Fair Play semanalmente.

O DESTAQUE DA SEMANA: FRANCISCO FERNANDES ATINGE 250 JOGOS

É o grande destaque da semana, não pelo que jogou (e já lá iremos), mas pelo marco assinável conquistado pelo experiente primeira-linha português, tendo atingido os 250 jogos na ProD2, a segunda divisão profissional do rugby gaulês, sendo um dos atletas com maior número de aparições neste campeonato como pelo Béziers-Herault, e este recorde pessoal foi adornado com uma vitória emocionante, que chegou aos 83 minutos.

Um dos atletas portugueses mais devotos aos Lobos – foi dos mais consistentes a vir jogar por Portugal, estando a actuar como profissional a nível de clube -, Francisco Fernandes alinhou a titular e permaneceu em campo até aos 58 minutos, conseguindo manter uma excelente resistência física, impondo uma grande presença na formação-ordenada e uma resposta positiva no apoio ao ataque, sempre disponível para embater contra a muralha defensiva contrária nos arranques curtos, sem deixar de estar no patamar exigido a este patamar.

A positividade com que brinda a cada nova aparição pelos ASBH, demonstra a fiabilidade, força e capacidade de sacrifício que detém, isto quando já ostenta 36 anos e quase duas décadas de serviço ao rugby francês e português, merecendo o claro destaque pelo feito somado e pela excelência de atleta e jogador que é.

NOTÍCIAS DE OUTROS JOGADORES

O Narbonne de Geoffrey Moise (e Manuel Cardoso Pinto, que falhou o jogo por lesão) sofreu nova derrota para a ProD2 (36-33), com o pilar a rubricar uma exibição respeitável, principalmente na formação-ordenada (uma penalidade resgatada com ajuda dos seus colegas da primeira-linha) e umas quantas placagens assinaláveis que ajudaram à missão defensiva do emblema do sul de França.

Samuel Marques e José Lima alinharam os 80 minutos ao serviço do Carcassonne, que concedeu um empate na recepção ao Vannes, num encontro disputado até ao último segundo e que teve vários avanços e recuos no placard. E como se saíram ambos? O formação foi um dos melhores em campo, não só pela assistência que realizou para o único ensaio dos jaunards (uma boa decisão conjugada com um passe rápido para as mãos de Baptiste Mouchous), mas pela capacidade em manter uma linha-de-defensiva organizada que raramente cedeu grande espaço ao adversário, impondo um bom ritmo de condução de jogo, apesar de não ter sido bem aproveitado na maioria das ocasiões. Já José Lima voltou à titularidade, com uma meia dúzia de placagens de bom/grande impacto, tendo merecido a confiança da equipa técnica para permanecer em campo, destacando-se ainda duas acções positivas na vertente ofensiva.

Anthony Alves foi convocado e jogou de início na derrota do ainda líder da ProD2, saindo de campo aos 65 minutos (foi o último da 1ª linha a ser substituído) depois de mais uma prestação de excelência, com grande presença na formação-ordenada, onde foi responsável por conquistar uma penalidade, assumindo-se como um dos principais trabalhadores do pack de avançados do Stade Montois. Ágil na progressão de jogo, forma física de grande nível, o pilar foi um dos melhores em campo deste encontro para a 8ª jornada.

Éric dos Santos, depois de ter sido um dos melhores atletas do Anglet na semana passada com um ensaio marcado, voltou a ser dos principais jogadores do emblema sudoeste francês, com uma dezena de placagens, um turnover e mais uns quantos detalhes de elevada categoria, apesar de ter sido uma tarde amarga já que perderam na visita ao campo do Auch por 31-22.

Diogo Hasse Ferreira regressou à titularidade e somou 56 minutos na vitória “gorda” do Dax Rugby por 41-09 na recepção ao Bourgoin. Prestação bem satisfatória postulada por um domínio geral na formação-ordenada e uma participação sempre competente na operações atacante, notando-se a boa forma do pilar português.

O Bassin D’Aranchon de Lionel Campergue concedeu uma desponante derrota em casa, com o talonador português a entrar em campo logo no início da segunda-parte, tendo sido um jogo difícil e de grande disputa nas fases-estáticas, onde esteve amplamente bem.

Luigi Dias viveu um dia emotivo pelo US Marmande, já que a vitória só foi confirmada na bola de jogo, com o 3ª linha português – entrou do banco à passagem dos 55 minutos – a ter influência directa, já que soube sair da formação-ordenada e fazer um passe decisivo para a oval chegar à ponta e possibilitar o ensaio e conversão. Placagens de grande domínio, agressividade alta e uma presença em campo de respeito, o avançado português continua assim na luta por um lugar no XV inicial.

Jacques Le Roux, ao estilo de outros portugueses desta semana, só pôde celebrar vitória na bola de jogo quando o seu Birmingham Moseley Rugby conseguiu um ensaio de praça-a-praça, pondo fim a uma série negra de desaires. O 3ª linha luso actuou durante 45 minutos, trabalhou afincadamente na defesa (13 placagens) e ainda assistiu para um dos ensaios do emblema da National 1 inglesa.

Poucas informações nos chegaram da prestação de Loic Bournville, que começou de início na derrota do RCS Rumilly da Fedéral 1, com o português a jogar até aos 50 minutos.

Dany Antunes e Thibault Freitas estiveram frente-a-frente, e a vitória acabou para o emblema do ponta/defesa português, conseguindo o Massy mais 4 pontos na luta pela subida de divisão. O nº8 esteve bem a espaços, apesar de ter recebido ordem de saída temporária, devido a um cartão amarelo, enquanto o seu colega de selecção portuguesa foi um dos maiores perigos dentro de campo, com vários arranques e reposições de bola ao pé que deram outro ânimo ao Massy.


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