27 Abr, 2018

Arquivo de Top14 - Fair Play

scrum.jpg?fit=1200%2C638&ssl=1
Rodrigo FigueiredoNovembro 30, 20176min0

Numa altura de balanços, destaques e revelações do ano, o Faiplay mostra os números do Rugby. Os factos e figuras (históricas e não só) que fazem do Rugby um desporto apaixonante. Será que ficou algo ou alguém de fora da lista?

luiscabeloportugal1.jpg?fit=1024%2C683&ssl=1
Francisco IsaacJulho 7, 20178min0

Formado no CR Évora e na AEIS Agronomia, internacional sub-18/20 e sénior por Portugal seja de XV ou 7’s, alinhou por alguns emblemas da 2ª divisão francesa (PROD2) e agora vai jogar no TOP14… falamos de José Lima, o centro dos Lobos, que aceitou conversar com o Fair Play numa entrevista exclusiva

fp. A temporada 2016/2017 mal acabou e já estás na rampa de lançamento para a nova época desportiva… expectante e excitado com o facto de poderes placar no TOP14 em 2017/2018?

JL. Parece-me pouco para qualificar o que estou a sentir com a possibilidade de me estrear no Top14. É algo que não dá para explicar.

fp. Foi um caminho árduo e complicado até aqui? Mudarias algum pormenor do caminho que percorreste ou tudo correu da forma como planeaste?

JL.Sim claro que foi, com altos e baixos, já lá vão uns bons anos de bastante trabalho e dedicação em busca deste objectivo. Talvez mudaria um erro que cometi quando saí do Narbonne.

fp. Placagem mais dura que fizeste na temporada passada? E qual foi o ensaio que te deu mais prazer marcar?

JL. Placagem mais dura talvez contra a Bélgica em Novembro. Ensaio, contra o Bourgoin no derby aqui da região.

fp. Estás totalmente adaptado à forma de viver francesa? Oyonnax é uma cidade acolhedora? E o rugby é importante na região?

JL. Sim completamente também as diferenças não são assim tantas comparativamente falando a Portugal. Sim bastante, o facto de ser uma cidade pequena também ajuda e por isso a loucura dos adeptos pela equipa é incrível.

José Limpa pelo Oyonnax (Foto: JRK)

fp. E em termos de selecção, foi uma época agridoce, que começou com boas vitórias ante a Bélgica e Brasil (amigáveis) e o Grand Slam no Trophy mas que não nos garantiu a subida de divisão. O que é que vão fazer para em 2018 estarmos na divisão “B” do Rugby europeu? Há possibilidades de sonhar mais alto?

JL. Agridoce? Não sei qual foi a parte doce. Acho que as pessoas não têm noção do quão grave é o que se está a passar com a seleção. Se continuarmos assim claramente que não.

fp. O que achas que podia mudar, em Portugal, em termos de espírito e comportamento perante o rugby? Sentes um crescimento exponencial das novas gerações?

JL. Seria mais fácil responder o que não seria preciso mudar. Sabes eu sou jogador e tentar dar sempre o meu melhor é essa a minha função por agora.

fp. Tu vais ser o 2º jogador português a pisar os relvados do TOP14, que tenha começado a carreira em Portugal. Achas que a seguir a ti vamos ter mais “Lobos” a jogar na primeira divisão francesa?

JL. Claro que sim, e espero muito sinceramente que aconteça pois seria muito importante para o rugby português.

fp. Vais continuar a representar a Selecção Nacional? As emoções e sentimento ainda é igual ao que foi na 1ª vez?

JL. Sempre que for possível, nunca deixei de vir jogar por Portugal não era agora nesta fase que ia deixar de acontecer. Para mim continuar a ser e é sempre uma grande emoção jogar pelos Lobos… sonhei com isso tantas vezes quando era miúdo.

fp. Exibição e jogo por Portugal que te recordes com mais orgulho? E trocavas a “Alcateia” para jogar pelos All Blacks?

JL. Talvez Portugal-Italia no mundial. Nem pelos All Blacks nem por outra selecção. Sou português não há nada que tenha mais orgulho que jogar por Portugal.

fp. E o que tens a dizer do CR Évora e a subida à Divisão de Honra? Gostavas de um dia voltar a usar a camisola do CRE?

JL. Acho que é sobretudo exemplo para a visibilidade do clube na cidade e no Alentejo. Claro que gostava, seria um momento de grande emoção.

1º título em França (Foto: Arquivo do Próprio)

fp. Achas que a Divisão de Honra é um campeonato interessante? Que jogadores (se há algum) podiam destacar-se na PROD2 ou em campeonato similares?

JL. Acho que o nível do campeonato reflete bem o estado do rugby português, está a nivelar-se por baixo, que é o pior que pode acontecer. Sim há jogadores com talento para isso mas não sei se há algum que esteja preparado física ou mentalmente para isso.

fp. Qual é a parte mais difícil em ser-se profissional de um desporto tão grande como o rugby? Achas que o tempo de descanso e férias é curto ou gostas de como estão montados os calendários?

JL. Acho que é a exigência a qual estamos sujeitos todos os dias e a competição que existe. Não me vou estar a queixar, faço o que mais gosto.

fp. Ainda sentes um carinho especial pela AIS Agronomia? Gostaste do (pouco) que viste esta época?

JL. Eu sou um apaixonado e o que sinto pela Agro é muito forte. Foram dois anos fantásticos, sem dúvida dos melhores da minha vida até hoje. Grande clube e grandes pessoas!

fp. O que esperas da temporada no Oyonnax a nível pessoal? E colectivo?

JL. Pessoal guardo para mim. Colectivo a manutenção no Top14 seria já algo extraordinário.

fp. Vai ser difícil permanecer no TOP14 ou vocês já têm os olhos postos em lugares mais cimeiros

JL. Somos mais que realistas: o objectivo é a manutenção.

fp. Qual é a impressão que os jogadores franceses têm dos portugueses?

JL. Respeitam a equipa de Sevens.

fp. Perguntas rápidas: falas melhor francês ou português?

JL. Português, se não a minha mãe matava-me.

fp. França, Inglaterra ou Escócia?

JL. Inglaterra.

fp. Camille Lopez ou François Trihn-Duc?

JL. Johny Wilkinson.

fp. Jogador português que melhor placa? E o que gostaste de mais ver jogar.

JL. Aguilar e Bifes.

fp. TOP14 ou Super Rugby?

JL. TOP14.

fp. Alentejo ou os Alpes?

JL. Alentejo.

fp. Uma placagem do Julian Bardy ou placar o Mike Tadjer?

JL. Placar o Mike claro

fp. All Blacks ou Wallabies?

JL. Wallabies.

fp. Se pudesses escolher uma equipa do Hemisfério Sul para jogar qual seria?

JL. Hurricanes para voltar a jogar com o Chris

fp. Com quem discutes mais rugby: o teu pai ou irmão?

JL. Não dá para discutir com eles.

fp. Um mensagem à comunidade portuguesa de rugby ,apoiantes e amigos?

JL. Aproveitem as férias e voltem cheios de vontade de voltar a meter o rugby português onde ele merece estar.

Por Portugal e pelos Lobos (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

Rugby-Top-14-Clermont-champion-de-France-apres-sa-victoire-sur-Toulon-22-16.jpg?fit=1024%2C512&ssl=1
Fair PlayJunho 23, 20174min0

O Rookie Placa é um novo segmento de opinião do Fair Play. Francisco Antão é o rookie do mês, lançando uma placagem à final do TOP14 acabando por conquistar o seu primeiro ensaio na blogoesfera desportiva

O rugby é de todos e para todos… nesse sentido, o Fair Play procura encontrar novos escritores, novos analistas e novos apaixonados por compreender o desporto e todos os seus valores. 

Francisco Antão, jogador sub-18 do CDUP, arriscou, meteu o ombro e placou, conseguindo no processo conquistar a oval “perdida” e correr sozinho para o ensaio, com o Fair Play no apoio directo. Não olhando para idades, Francisco Antão esboça o seu primeiro artigo, tendo escolhido a final do TOP14 como o seu primeiro “hino” ao rugby.

Na procura incessante por novos colaboradores e escritores, esta é a tentativa do Fair Play que não se vê como uma casa de “especialistas” fechados num elitismo (criticando todos os outros que tentam começar este processo) mas sim como uma comunidade de escritores que querem cooperar e desenvolver as suas capacidades.

O Stade de France foi o palco da final do Top14 de 2017, entre o ASM Clermont e o RC Toulon, equipas com muita história, muitos títulos, grandes jogadores, muitas vitórias e também derrotas.

O Clermont ganhou por 22-16, tendo marcado 1 ensaio e 5 pontapés de penalidade, já o Toulon também marcou 1 ensaio e 3 penalidades. No nosso entender, o Clermont foi um justo vencedor, apesar do Toulon ter dado muita luta e uma excelente resposta na segunda parte, mas não foi o suficiente para sair vencedor desta final e ganhar o Campeonato Francês, uma das melhores e mais ricas ligas do mundo de râguebi.

Nesta final, o Clermont entrou melhor, fazendo uma excelente primeira parte. Na segunda parte, os Jaunards abrandaram o seu jogo e o Toulon entrou com tudo, com uma ambição e convicção de que iam ganhar o jogo, colocando muito ritmo e pressão no jogo através dos ¾, fazendo crescer o coração da equipa. Porém acabaria por ser um jogo mal gerido nas fases táticas, faltando a calma muito tanto à falta de calma (principalmente na fase de dar sequência a uma 5ª ou 6ª fase) ou ao cansaço físico.

A equipa vencedora ganhou o jogo devido ao seu jogo tático, conseguiram ler as jogadas dos vice-campeões de 2016 assim como os pontos menos fortes tendo depois atacado com tudo. Especialmente com a entrada do experiente Aurélien Rougerie as suas linhas atrasadas ganharam tranquilidade, calma e profundidade no jogo, subindo bem no terreno, fazendo com que a equipa soubesse defender com corpo e alma.

Em relação aos packs dos avançados, o do Clermont foi superior, ganhando a maioria das formações ordenadas, enquanto que nos alinhamentos foi o Toulon superior, ganhando 23 alinhamentos, podendo assim dizer que ambos o packs de avançados estiveram num excelente nível, com ótimo redimento.

Todavia, temos de destacar o coletivo do Clermont, nos últimos 20 minutos de jogo: a linha defensiva, as placagens duras e fortes, obtendo 208 placagens contra 95 do Toulon, consentidos apenas 33 falhas nas mesmas enquanto que a equipa de Giteau e Ma’a Nonu somou quase tantas falhadas como os Jaunards.

Ambas as equipas “garantiram” bem o “ruck” evitando assim o turnover defendendo, como se diz na gíria, “como cães”, com uma entrega total ao jogo, sem medo de meter ombro, como se cada placagem fosse um ensaio importantíssimo. Com o acumular do cansaço os erros surgiram… não esquecer que foram muitos jogos, muitas vitórias (e algumas derrotas), muitos treinos durante uma época muito cansativa, mas que no final, valeu bem a pena.

Os jogadores que se destacaram mais foram o formação Morgan Parra, o abertura Camille Lopez e o centro Aurélien Rougerie, jogadores chave do Clermont para a conquista do Top14. Do lado do Toulon, destaco o defesa James O`Connor e o centro Mathieu Bastareaud, peças fundamentais que tentaram virar o jogo para seu lado, com uma determinação fantástica de nunca desistir, nunca baixar os braços, mas não conseguiram dar a volta ao resultado.

O jogador que se destacou pela negativa foi o abertura Anthony Belleau, do lado do Toulon, numa noite pouco inspirada, lento a pensar no que devia fazer, muito relaxado, falhando assim vários pontapés de penalidade.

Por último, se tivéssemos que mudar algo, não o faríamos, pois a final do Top14 de 2017 foi um verdadeiro teatro dos sonhos do râguebi, duas grandes equipas, com excelentes jogadores, um grande ambiente, com duas grandes massas adeptas, apoiarem constantemente, desde o primeiro apito até ao último.

Os novos campeões de França: o Clermont! (Foto: L’Equipe)

2048x1536-fit_racing-contre-stade-francais-bientot-feront-plus.jpg?fit=1024%2C656&ssl=1
Fair PlayMarço 15, 201712min0

Quando uma fusão entre clubes “abala” com os valores e princípios de uma modalidade, há que reflectir sobre o futuro da mesma. O Portal do Rugby deu a sua opinião sobre a fusão do Stade Français com o Racing Metró 92′ e as potenciais consequências desta fusão dos gigantes parisienses

Este artigo nasce de uma reflexão de Victor Ramalho (Portal do Rugby) após a polêmica fusão entre Stade Français e Racing na França. E ela se estende ao dia a dia do rugby em qualquer parte do mundo, nas atitudes dos praticantes e dirigentes, torcedores e treinadores.

TL;DR (“na boa, é muito grande, não vou ler”): No texto abaixo vou defender que os valores do rugby são incompatíveis com a ideia de vitória e de crescimento a qualquer custo e que a forma com quem foi anunciada a fusão entre Stade Français e Racing vai contra os preceitos do esporte, sendo desrespeitosa com os torcedores e servindo de alerta de que o rugby possa tomar caminho semelhante ao de outros esportes que se entendem como meros negócios, sem o devido apreço aos valores morais de conduta que pregam.

Como não sou adepto de opinião na forma de cinco minutos de gritaria raivosa num vídeo ou no rádio ou de meia dúzia de memes sarcásticos, optei por um texto longo analisando a questão e garanto que quem ler não se arrependerá, concordando ou não. E, claro, deixem seus comentários. Sem isso, perdemos nossa capacidade de debate sério.

Valores do rugby?

Pois bem, quando se fala em “valores do rugby” e “espírito do rugby” está cada dia mais claro para mim que cada um parece ter a sua própria versão desses conceitos, normalmente ajustados ao que melhor convém. Então, não darei muitas voltas, vou deixar claro como enxergo os tais “valores” da bola oval, que para mim são muito preciosos.

Na visão do World Rugby, o rugby tem 5 pilares em sua ideologia: Integridade; Respeito; Solidariedade; Paixão; Disciplina (no Brasil, você encontra eles em todos os materiais didáticos sobre rugby).

Espera, você falou ideologia? Sim, porque “ideologia” nada mais é que um sistema de ideias e valores sobre o mundo, algo que qualquer ser humano tem, querendo ou não. Direita, esquerda, centro, liberal, conservador, anarquista, niilista, coletivista, individualista ou um pouco de cada. Todo mundo tem uma visão de mundo sobre cada aspecto da vida.

Esportes não têm ideologias sozinhas, eles não são pessoas. Eles podem servir a qualquer propósito, a qualquer ideologia, basta enviesar algum aspecto a seu bel prazer. Na verdade, com tanta informação disponível na vida, chegamos ao cúmulo de que qualquer um “prova” o que quiser.

Coerência, conceito, fundamento, método, espírito crítico no manuseio de dados (ou fatos) são o que definem o quão perto da “verdade” uma ideia está, mas parecem que viraram detalhes incômodos no mundo atual que podem ser escondidos em prol de uma boa retórica, por mais barata que ela seja.

Por isso, eu volto aos pilares do rugby. Quando a federação internacional define que esses aspectos morais (sim, morais, porque todos eles são relativos à conduta pessoal) são centrais ao praticante, ela está enviesando sua forma de enxergar o esporte. Eu, por acaso, concordo com essa visão de que o rugby não seja apenas um jogo, ele é algo a mais, ele exprime uma forma de se relacionar com o mundo.

A revolta de um dos jogadores do Stade Français (Foot: Facebook)

Novamente, esses valores pode ser lidos e entendidos de formas completamente diferentes, de acordo com a visão de mundo do leitor. Para mim, quando juntamos os 3 primeiros pilares, “Integridade; Respeito; Solidariedade”, a ideia mais clara é de que falamos em um esporte coletivo, no qual o respeito ao próximo é aspecto central.

Seja ao amigo(a) de clube, seja ao adversário em campo. Seja ao árbitro, seja ao torcedor. Não é essa a leitura que na prática a maioria de nós no rugby temos dos valores?

Avançando na análise dos valores, o respeito ao próximo somado ao quinto pilar, o da “Disciplina”, me leva a mais uma conclusão dos valores da bola oval: o do jogo limpo.

Isto é, o respeito às regras do jogo, que tem como espírito por trás o bem comum. Certo? E quando se fala no respeito às lideranças, à hierarquia, trata-se de uma via de duas mãos, isto é, quem lidera ou quem arbitra tem igualmente que seguir os mesmos valores de quem respeita a liderança e a arbitragem.

O desdobramento mais lógico desse “jogo limpo”, na minha cabeça, é justamente o de que no rugby a vitória – que é movida pela “Paixão”, o quarto pilar, que gera o esforço e a dedicação em se fazer o melhor – é sempre uma consequência do trabalho e que não deve ser perseguida a qualquer custo. Exatamente. “Vencer de qualquer modo” não faz parte, na minha cabeça, dos valores do rugby.

O ganho pessoal deve ser consequência e compatível com a essência coletiva do jogo. Não é o que falamos sempre, que é o time que ganha junto e perde junto? Não por acaso o rugby foi amador por tanto tempo (de 1845 a 1995), para impedir que a “Paixão” seja trocada pela “Ganância” e que o ganho pessoal seja único fim, obtido por quaisquer meios.

E mais: a palavra “vencer” pode ser trocada por “crescer” também. “Crescer” a qualquer custo não faz parte do rugby do mesmo jeito. E por “crescer” eu volto ao segundo parágrafo deste texto, pois “crescer” com a ideia de “melhorar” é costumeiramente trocado pela ideia de “progresso”.

O “progresso” a qualquer custo, que não significa absolutamente nada se não for devidamente definido: o que é “progresso” nesse caso?  Ou ainda, “progresso” para quem? É preciso definir, colocar na mesa de qual “vitória”, de qual “crescimento” e de qual “progresso” se fala e, mais importante de tudo, qual é o caminho para eles. Justamente porque no rugby vencer a qualquer preço não é compatível com os pilares do esporte.

Mais que isso, a derrota é parte natural da vida, por consequência. Pelos valores do rugby que eu enxergo, a derrota não tem nenhuma desonra. A desonra está em não dar seu melhor, apenas isso.

Uma direcção, dois clubes (Foto: L’Equipe)

Torcedor é só consumidor e clube é só empresa?

No caso dos clubes de Paris citados, a fusão entrou em conflito, na minha visão, com os pilares do rugby. Mais precisamente com os 3 primeiros. Quando falamos de clubes profissionais, falamos de torcidas. Em qualquer esporte. O torcedor pode não ser o dono legal do clube, mas ele fornece os alicerces para o clube existir.

Sem torcida, não há o “negócio esporte”. É claro que essa lógica se aplica a qualquer mercadoria, mas o esporte vai além, pois o torcedor não é mero consumidor, ainda mais no rugby. O torcedor se baseia no exclusivismo, ele sempre torce para apenas um e faz o trabalho voluntário (“marketing” voluntário e incondicional) por paixão, não por mero gosto.

Mais que isso na verdade, o torcedor é também produto do clube. Sim, ter uma torcida e as características da torcida agregam valor ao próprio clube, que usa o torcedor para ganhar justamente o apoio do patrocinador.

O fabricante de sabão em pó não usa seu número de consumidores e a fidelidade deles para que uma montadora de automóveis estampe sua marca na caixa de sabão em pó. E ninguém se prende a um produto se ele passa a ser de má qualidade.

O clube esportivo faz dinheiro também porque tem uma torcida e sua torcida é fiel ao clube independente da qualidade do time. Dinheiro esse que interessa à própria torcida, que quer vê-lo reinvestido na equipe para vê-la campeã ou simplesmente com resultados melhores.

O torcedor não abandona o time quando ele vai mal. O resultado ruim apenas inibe novos torcedores e fãs de aderirem ao time. Já uma mercadoria ruim (como o sabão em pó que citei aleatoriamente) afasta o consumidor, óbvio. Ele não é fiel por amor ao produto.

O título, por sua vez, não tem nenhum valor direto a não ser status para atrair mais torcedores, que gerarão mais patrocinadores e apoiadores, interessados na visibilidade e em agregarem valor às suas marcas (o valor da associação ao vitorioso, ao bem sucedido, à quem tem seriedade).

Diferente do torcedor aficionado, há o fã, que aprecia mais de um time ao mesmo tempo, é claro, e que muitas vezes tem seu carinho a um time movido pelas característica da torcida à qual ele quer momentaneamente se juntar.

Todos somos torcedores de uns e fãs de outros. E rivais de outros. No caso do rugby, a rivalidade se baseia nos pilares também, isto é, paixão com respeito e integridade. O rival é amigo, mas não deixa de ser rival.

É fato também que grandes empresários e empresas possam ser responsáveis pelo crescimento de equipes esportivas, pois o esporte profissional tem valores tão inflacionados hoje que não basta apenas o dinheiro dos torcedores – entendidos como clientes – para um time ser competitivo.

A realidade inflacionada do futebol e dos esportes americanos, movida por toda uma rede de ganhos pessoais que existem dentro da máquina esportiva, chegou ao rugby – para o pesadelo dos rugbiers do século passado e do século retrasado, que tinham horror ao esporte profissional, por razões que não cabem serem esmiuçadas aqui. Isso é uma realidade.

A questão agora é: quais os limites que os pilares do rugby deveriam impor às práticas econômicas (do “esporte como negócio”, que nasceu fora do rugby) dentro do esporte?

Afinal, qual a conclusão e o que os franceses tem a ver com isso?

Na minha opinião, se os pilares do rugby não limitarem certas práticas econômicas, o rugby estaria se transformando em outro esporte. E deveria, portanto, abrir mão de falar em seus valores, caso contrário seria hipocrisia.

Amarrando, todo o valor que a torcida e que os sócios hoje e ontem deram a uma equipe gerará em partes o que essa equipe será amanhã. Isto é, o valor de uma equipe é gerado por quem a construiu.

Quando um empresário compra uma equipe, ele não está montando um negócio dele do zero, ele está assumindo a responsabilidade de gerir algo que foi criado por outras pessoas e que segue em alguma medida preso à forma com que essas pessoas – os torcedores e sócios – se relacionam com a equipe.

Quando Racing e Stade Français, que são clubes rivais na mesma cidade, anunciam a fusão sem que antes tivessem consultado seus torcedores e com a alegação de que a união seria para se construir um clube ainda mais vitorioso, a única coisa que passa pela minha cabeça é que suas direções não tiveram o menor respeito pelo que pensam os torcedores.

Da noite para o dia, o torcedor que foi devoto de uma agremiação passará a ser obrigado a torcer por outra. Ele ou ela que emprestou sua dedicação na construção da instituição não foi consultado sobre isso.

Decidiram por ele ou ela que o mais importante é vencer e que seguindo cegamente a liderança (uma que não conduziu seu clube balizada pelos pilares do esporte, mas que apenas a comprou) a vitória será supostamente obtida.

Mais bizarro ainda vindo de um clube que foi o campeão nacional da França em 2015 (Stade Français) e do clube que foi o campeão nacional de 2016 (Racing), isto é, que já eram vencedores em suas histórias. No ano em que ambos estão indo mal, o risco da derrota levou a pulverização dos pilares do rugby. E de forma incrivelmente imediatista.

Isto é, para eles, tudo vale para vencer, pois apenas crescer é o que importa. Para mim, unir equipes é algo natural no rugby, pois rivais não são inimigos. Porém, as fusões devem, no mínimo, ser reflexo de uma vontade coletiva, não capricho de uma ambição pessoal.

Da forma com que houve a fusão na França, temo que ela vire um marco da viragem de que o rugby profissional estaria disposto a abrir mão de seus ideias em prol da vitória, do espetáculo ilimitado. Ou melhor, que o rugby estaria disposto a trocar de ideias, abrindo mão da quina “Integridade-Respeito-Solidariedade-Paixão-Disciplina” pela ideologia da vitória e do crescimento econômico a qualquer preço. E isso é uma questão de ideologias, passível de ocorrer em qualquer lugar do planeta oval.

A fusão no rugby: possível? (Foto: L’Equipe)

erc-logo.jpg?fit=1024%2C576&ssl=1
Francisco IsaacOutubro 14, 201624min0

Fechamos esta antevisão com a Pool 4 e 5 e uma pequena previsão do Fair Play para a competição da European Champions Cup. Terá o Leinster força para ser “diferente”? Haverá nova surpresa em Exeter? E o Montpellier é a nova força na Europa?

POOL 4 – BETWEEN SAINTS AND SINNERS

Num grupo onde as cores do azul e branco constam em três das equipas que participam, os Saints de Northampton terão uma vida difícil. Os novos “gigantes” desafiadores europeus, Montpellier, vão demonstrar que estão cá para surpreender, enquanto que o Castres Olympique será uma incógnita e o Leinster, uma equipa que gostava de conquistar títulos, procura um novo rumo.

LEINSTER RUGBY

Localização: Dublin, Irlanda
Estádio: AVIVA Stadium (52,000)
Palmarés: 3 títulos europeus; 4x campeão da Pro12
2015/2016: 4º lugar na fase de grupos
Jogador a seguir: Jonathan Sexton (Irlandês)
Contratação a seguir: Robbie Henshaw (Irlandês)
Treinador: Leo Cullen (Irlandês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo

No meio de um “pântano” de ideias, os irlandeses do Leinster têm de regressar às grandes vitórias, de modo a voltar a dar uma alegria às terras do Trevo. Leo Cullen tem uma missão difícil, de tentar chegar à fase a eliminar da European Champions Cup, num plantel recheado de estrelas e lendas do rugby irlandês: Jamie Heaslip, o powerhouse de nº8 da Irlanda, é um autêntico tanque a conquistar metros e um comandante excepcional na avançada; Devin Toner, o 2ª linha que tem algumas parecenças com  Paul O’Connell (algumas…) e que sabe trabalhar bem no alinhamento e na formação ordenada; Dave Kearney, o 3/4 multi-facetado que traz explosão, ritmo e energia ao jogo; a grande contratação da temporada, Robbie Henshaw que é um “monstro” das alturas, um excelente lutador no contacto e um quebra-linhas de ponta; e, claro, o maior astro do rugby da Irlanda (do momento), Jonathan Sexton. O médio de abertura possui um pé fenomenal (da mesma categoria que Dan Carter por exemplo), uma visão de jogo soberba, um impulso para criar espaços e combinações, não ficando de parte na hora de placar e lutar pela oval no ruck. Sexton pode ser a resposta aos problemas, contudo também pode ser ele “o” problema da equipa do Leinster… a dependência que têm do nº10 é demasiado arriscada para quem quer ganhar títulos. Tudo passa por Sexton… se ele não chuta aos postes, outro terá de arriscar, sem grande eficácia… se Sexton não está a ter um dia bom em campo, o jogo ofensivo dos homens de Dublin desvanece-se com velocidade. Por isso, para que o rugby de raça, de algum “perfume” e capacidade técnica ganhe outra “forma” é preciso Sexton estar em forma e com a cabeça que pode transformar o jogo. Uma equipa que gosta de montar investidas a partir das formações ordenadas, que vê nos alinhamentos uma forma de sair rápido para o ataque e que procura criar roturas no meio-campo, pode fazer a diferença nesta Pool da European Champions Cup. Leo Cullen tem uma missão delicada à sua frente, mesmo com um início de época em grande (5 jogos, 4 vitórias e 2º lugar na tabela), o Leinster terá que fazer muito para convencer a Europa que o tempo dos Boys in Blue está de volta e não é só uma ilusão.

The Blue Boys (Foto: Billy Stickland)
The Blue Boys (Foto: Billy Stickland)

CASTRES OLYMPIQUE

Localização: Castres, França
Estádio: Stade Pierre-Antoine (12,500)
Palmarés: 0 títulos europeus; 4x campeão do Top14
2015/2016: Não Participou
Jogador a seguir: Rory Kockott (Francês)
Contratação a seguir: Daniel Kotze (Francês)
Treinador: Christophe Urios (Francês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo

O Castres Olympique é um caso interessante do rugby francês, já que pouco ou nada tem ganho em títulos (conquistou o seu 4º Top14 em 2012/2013), mas apresenta sempre um rugby corajoso, intenso e emotivo. Um 6º lugar na competição francesa, possibilitou este regressar à Champions Cup após ter falhado na última temporada. Christophe Urios tem vindo a somar alguns sucessos na sua carreira, depois de ter guiado do US Oyonnax da PROD2 para o TOP14 e de ter os metido na European Champions Cup no ano a seguir. Depois veio o convite do Castres que tinha ficado em penúltimo e só a um lugar da descida de divisão… foi chegar, ver e vencer. De um triste 12º para um valoroso 6º, a equipa do sul de França, daquela região onde o Toulouse domina, está de volta à competição máxima da Europa e com uma palavra a dizer. E quais são os aperitivos para este Castres? Bem desde Rory Kockott o formação internacional pela França, que traz todo um reportório de jogo vivo, agressividade e qualidade de passe, algo que mexe com o jogo; Daniel Kotze foi uma das transferências que Urios pediu à administração do Castres e assim foi… o pilarão francês é letal na formação ordenada, gosta de trabalhar no ruck e tem uma qualidade acima da média como portador da oval; Horacio Agulla chegou para “revolucionar” a situação nas alas, com uma velocidade imparável, com uma troca de pés quase ao nível de Imhoff e um querer em ajudar a equipa total. Para além destas contratações, há outros nomes fortes do Castres como: Benjamín Urdapilleta, Jody Jenneker, Alex Tulou, Robert Ebersohn, entre outros. O plantel está recheado de talento, raça, garra e fome de “assustar” os supostos gigantes do rugby francês…e não só. Um rugby que está assente no espírito da união, do trabalho dos avançados que têm um skill interessante, com uns 3/4’s que gostam de surpreender com movimentações de recorte e classe europeia. Dificilmente vão conseguir sair do 4º/3º lugar, mas esta é das equipas que temos mais dúvidas – e desejos – em relação ao que realmente vão fazer na prova.

Castres ao ataque (Foto: Getty Images)
Castres ao ataque (Foto: Getty Images)

NORTHAMPTON SAINTS

Localização: Northampton, Inglaterra
Estádio: Franklin’s Gardens (15,500)
Palmarés: 1 título europeus 1x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Quartos-de-final
Jogador a seguir: George North (Inglês)
Contratação a seguir: Louis Picamoles (Francês)
Treinador: Jim Mallinder (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo

Os Saints entraram “frouxos” no Aviva Premiership mas rapidamente podem passar do 8 para o 80… basta que a motivação esteja lá. 5º lugar na temporada passada, eliminados nos playoff da Aviva e depois, também, nos quartos-de-final da European Champions Cup onde quase derrotaram o seu rival, os Saracens. Para a nova temporada, Jim Mallinder foi brindado com a vinda do brutamontes Louis Picamoles, um nº8 clássico com uma versatilidade interessante, assim como Nic Groom um formação de qualidade que jogava nos Stormers da África do Sul e mais 3 ou 4 contratações interessantes. Dentro do plantel já tinham alguns nomes fortes, principalmente na avançada onde mora o capitão da Selecção inglesa, Dylan Hartley, um dos grandes nomes do rugby de Northampton. Para além dele, também constam Courtney Lawes (cuidado gauleses, o 2ª linha tem uma predileção em dar autênticos safanões em jogadores dos Bleus), Tom Wood e Teimana Harrison (o substituto de James Haskell para os jogos de Novembro), uma das novas coqueluches do rugby inglês. Os Saints não conseguiram um arranque bom no campeonato, como prova o 7º lugar com 11 pontos a 12 do 1º, algo preocupante, mas que facilmente poderá ser corrigido. Um rugby de muito trabalho, lento e que gosta de fechar o jogo impossibilitando o adversário de explorar o jogo aberto… foi este tipo de jogo que ia “entalando” os Saracens na temporada passada, porém quando chegaram os últimos 20 minutos os Saints não aguentaram a pressão e foram cedendo espaços e “buracos” em toda a linha. O problema dos Saints é que querem fazer da defesa a sua grande “arma” e acabam por descurar tanto o jogo para o ensaio, o que numa competição europeia vai fazer a diferença. Como é que Mallinder vai resolver este problema? Bem, que tal acreditar nas capacidades do espectacular ponta galês George North? Ou acreditar nas combinações de Luther Burrell com Tuivake?

Can a couple of Saints save England? (Foto: The Guardian)
Can a couple of Saints save England? (Foto: The Guardian)

MONTPELLIER HÉRAULT 

Localização: Montpellier, França
Estádio: Stade Altrad (15,000)
Palmarés: 1 título europeu (Challenge Cup); 0x campeão do Top14
2015/2016: Não Participou
Jogador a seguir: François Steyn (Sul-africano)
Contratação a seguir: Nemani Nadolo (Fijiano)
Treinador: Jake White (Sul-africano)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo

A equipa que entrou na nova era dos “milionários”, o Montpellier Hérault! Desde 2011 que tem vindo a avisar que a sua era poderia estar a chegar e após conquistar a Challenge Cup na temporada passada (frente aos Harlequins), a equipa comandada pelo sul-africano Jake White (está de saída no final de temporada) pode querer ir longe na European Champions Cup. Com um plantel carregado de estrelas e lendas do rugby moderno, White não se pode queixar… recebeu o portento e gigante ponta, Nemani Nadolo, que saiu de uma vida confortável na Nova Zelândia (era dos Crusaders) para tentar a sua sorte em França; Nico Janse van Rensburg, um 2ª linha dos Bulls que tem um futuro enorme pela sua frente, abandonou a SARU (poderia estar na calha, para no futuro fazer parte dos Boks) e investiu numa carreira no Montpellier; e Joe Tomane, o centro/ponta Wallabie foi outra das caras novas da equipa francesa. Para além disto, o plantel tem mais outros “astros”: os irmãos pilares Du Plessis, Pierre Spies, Nic White, Alexandre Dumoulin, Jesse Mogg e, melhor de todos, o temperamental François Steyn. O centro/defesa/abertura faz a diferença quando quer, tem muito rugby na guelra, é um placador exímio e gosta de jogar rugby rápido… agora, depende do feitio e se está com vontade para deixar a sua marca no jogo. Em termos de rugby, o Montpellier gosta de fazer uso da oval q.b., procurando alimentar as suas pontas com boas oportunidades (Nadolo e Tomane juntos vão semear o “terror”) e, sempre que possível, “cavar” uma penalidade para atirar um bom pontapé aos postes. O Montpellier chega a ser cínico na sua forma de jogar, procura o jogo mais eficaz possível e recorre ao pontapé para resolver os jogos mais complicados… no Top14 tem corrido bem e na presente temporada ocupam o 4º lugar a 4 pontos do 1º, com 4 vitórias e 3 derrotas. Apostamos num 2º lugar da equipa dos Les Cistes, uma vez que estão fadados para a glória europeia.Nadolo for the try (Foto: L'Equipe)

POOL 5 – C’EST LA REVOLUTION

O super Ulster de Piutau, vai encontrar uns índios de raça de Inglaterra, uns Jaunards que estão no caminho certo e ainda discutir com as gentes de Bordéus. O último grupo da European Champions Cup ficou com 4 equipas com um rugby muito característico e que dificilmente se encontra pela Europa, já que tanto os Exeter Chiefs (um caso de sucesso), os Bordeaux-Bégles (tomaram o gosto pela competição) e os eternos 2º lugar, o Clermont

UNION BORDEAUX-BÉGLES

Localização: Bordéus, França
Estádio: Stade Chaban-Delmas (35,000)
Palmarés: 0 títulos europeus; 0x campeão do TOP14
2015/2016: 2º lugar na fase de grupos
Jogador a seguir: Adam Ashley-Cooper (Australiano)
Contratação a seguir: Ian Madigan (Irlandês)
Treinador: Raphaël Ibañez (Francês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo

Les Girondins contra a ordem instaurada… o ano passado foram o carrasco do Clermont, ao conseguirem uma surpreendente vitória no último jogo da fase-de-grupos que retirou os Jaunards do caminho da fase a eliminar da European Champions Cup. Uma formação com nenhum título relevante, têm conseguido aguentar-se no Top14 com um 7º lugar pelo segundo ano consecutivo. O apuramento para a maior prova de clubes tem sido uma forma de atrair jogadores de gabarito internacional, caso de Adam Ashley-Cooper, o formidável ponta da Austrália que facilmente consegue descobrir espaços para desatar a fugir e dar pontos aos Girondins. O rugby do Bordéus não é fascinante nem, ao mesmo tempo, mau… um rugby de colectivo, em que a ideia de rugby clássico está bem vincada e que o trabalho de ambas as “secções” tem de ser irrepreensível. No bloco avançado há alguns nomes de relevo como Loann Goujon (internacional pela França), um nº8 com qualidade e capacidade de liderança; Jefferson Poirot, uma das grandes promessas da 1ª linha francesa, domina a 1ª linha tendo impressionado o Mundo durante as Seis Nações de 2015; as duas novas “caras” como Luke Jones(abandonou a Austrália atitude criticada por Michael Cheika) e Tom Palmer; Luke Braid e Peter Saili trazem a agressividade e qualidade técnica do jogo neozelandês para a 3ª linha. Nas linhas atrasadas destacar a contratação de Ian Madigan, o abertura/centro irlandês que precisa de um revival para voltar aos seus melhores tempos, tendo Julien Rey como um dos jogadores lendários do Bordeaux-Bégles já que alinha na equipa desde 2010. O treinador é um dos melhores pilares da França dos últimos 50 anos, Raphaël Ibanez, um senhor do rugby que quer tornar a equipa de Bordéus uma autêntica dor de cabeça para quem ousa desafiá-los. Num grupo altamente disputado, dificilmente irão passar à fase seguinte… todavia, em 2015 surpreenderam tudo e todos quando terminaram em 2º lugar da fase de grupos com os mesmos pontos que o 1º.

Que união em Bordéus? (Foto: Getty Images)
Que união em Bordéus? (Foto: Getty Images)

ULSTER RUGBY

Localização: Belfast, Irlanda do Norte
Estádio: Kingspan Stadium (18,400)
Palmarés: 1 título europeu; 1x campeão da PRO12
2015/2016: 2º lugar na fase de grupos
Jogador a seguir: Paddy Jackson (Irlandês)
Contratação a seguir: Charles Piutau (Neozelandês)
Treinador: Les Kiss (Australiano)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo

The Ulstermen are ready to conquer again! Sem um título europeu desde 1999, a equipa da Irlanda do Norte está motivada para fazer algo diferente nesta nova temporada. Com um plantel rico em criatividade, assim como em força e qualidade de domínio de jogo das fases estáticas, a equipa de Les Kiss só tem de mostrar o seu melhor rugby para ir longe na competição. E quem destacamos desde logo? Charles Piutau, o defesa neozelandês que optou por uma carreira fora de “casa”. O ano passado alinhou pelos Wasps onde a sua classe, força e capacidade de explosão deram vitórias em jogos importantes à equipa de Coventry (lembramos aqueles quartos-de-final da European Champions Cup, em que Piutau levou a equipa até à vitória com um ensaio soberbo em cima dos 80′). Desde que chegou ao Ulster já teve a oportunidade de espalhar o “terror” e tem vindo a assumir o papel de principal protagonista… contudo, não é o único. Paddy Jackson, o médio de abertura que deslumbrou os adeptos do Trevo em Junho quando fez grandes exibições contra a África do Sul, é um dos grandes obreiros da “revolta” Ulsterina onde a sua qualidade excelente como chutador e criador de jogo fazem da equipa norte-irlandesa um autêntico perigo no ataque. Depois há Luke Marshall, Stuart Olding (23 anos e já é olhado como o futuro da camisola 12/13 da Irlanda), Jared Payne (um verdadeiro “obreiro” na hora de trabalhar em prol da equipa, sacrificando o seu “corpo” para dar metros ao Ulster) e Andrew Trimble, para além de terem Ruan Pienaar como formação e um dos capitães da squad de Belfast. Les Kiss não se pode queixar do potencial e “arsenal” que possui, pois ainda tem o capitão da selecção da Irlanda, Rory Best, mais Ian Henderson (24 anos e já com quase 30 jogos como 2ª linha da selecção do Trevo), Rob Herring, Sean Reidy e uns quanto mais. Com um rugby veloz, eléctrico, intenso e dominador, o Ulster não consentiu qualquer derrota, ainda, neste arranque de época, o que demonstra todo a sua eficiência a atacar (101 pontos) e um esplendor defensivo de enorme qualidade (melhor defesa da PRO12 com 53 pontos sofridos). A luta pelo 1º lugar vai ser “quente” com o Clermont, a equipa que apresenta mais argumentos para contrariar a equipa de Jackson, Piutau e Best.

Are you ready Ulster? (Foto: BBC)
Are you ready Ulster? (Foto: BBC)

EXETER CHIEFS

Localização: Exeter, Inglaterra
Estádio: Sandy Park (12,600)
Palmarés: 0 título europeu; 0x campeão da AVIVA Premiership
2015/2016: Quartos-de-final;
Jogador a seguir: Jack Nowell (Inglês)
Contratação a seguir: Lachlan Turner (Australiano)
Treinador: Rob Baxter (Inglês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

Os Chiefs de Exeter, a grande revelação e surpresa da temporada transacta, poderão voltar a fazer uma gracinha? Há algumas questões e problemas a resolver antes que possam repetir o feito do ano passado. A temporada não começou nada bem para a equipa de Baxter, que parece estar menos “alegre” e dinâmica em relação aos dois últimos anos, com três derrotas em cinco jogos para o campeonato inglês. Mas o mais preocupante é a falta de eficiência, o rugby pouco espontâneo e mais “duro”, sem a velocidade de outrora. Não se percebe bem o que Baxter pretende, uma vez que o estilo dos Índios de Inglaterra era único e que deixava as bancadas em “fogo”. Se as novas estratégias entrarem na “cabeça” dos seus jogadores pode ser que tudo se altere e o rugby dos Chiefs volte a tentar ir ao título inglês. Para já, a equipa está assente em alguns jogadores: Gareth Steenson, o quase-veterano nº10 irlandês, continua a bater recordes de pontos, sendo um jogador importante no que toca aos pontapés e ao controlo de jogo; Henry Slade e Ian Whitten fazem uma das duplas mais curiosas do rugby inglês, em que a velocidade, técnica de mãos (handling) e a placagem rápida são algumas das suas qualidades no seu BI; Jack Nowell, o impressionante ponta inglês que tem uma dinâmica diferente e que facilmente conquistou Eddie Jones… para além do sprint e explosão, tem “faro” para o ensaio e sabe defender com perícia; Luke Cowan-Dickie, um dos talonadores da nova geração inglesa, já foi responsável por um hattrick nesta temporada, beneficiando da nova estratégia de jogo de Baxter. O treinador inglês é um dos favoritos a vir a assumir o lugar de Eddie Jones em 2019, mas para já tem de fazer algo acontecer com uma das equipas em ascensão do rugby inglês e que está a “travar” algo esse processo. Neste grupo da European Champions Cup, os Chiefs não gozarão da mesma sorte que no ano passado, já que o Clermont está em alto nível e o Ulster não está para brincadeiras… contudo, com Baxter, Nowell, Lachlan Turner (contratação sonante para os lados de Dover, para além de Ollie Devoto), Cowan-Dickie, Thomas Waldrom (o “monstro” da avançada dos Chiefs, o melhor marcador do campeonato inglês nas duas últimas temporadas) entre outros, os Chiefs podem “acordar” e voltar a fazer o que melhor sabem… ganhar!

A Chiefs Game! (Foto: Exeter Chiefs Community)
A Chiefs Game! (Foto: Exeter Chiefs Community)

ASM CLERMONT AUVERGNE

Localização: Clermont-Ferrand, França
Estádio: Parc des Sports Marcel Michelin (18,000)
Palmarés: 0 título europeu; 1x campeão do TOP14
2015/2016: 3º lugar na fase de grupos;
Jogador a seguir: Morgan Parra (Francês)
Contratação a seguir: Isaia Toeava (Neozelandês)
Treinador: Franck Azéma (Francês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

Les Jaunards parecem estar de volta ao bom rugby que entusiasmaram milhares de adeptos a acompanhá-los em intensas viagens. É um clube dedicado aos seus adeptos, com uma forma de viver à rugby… e, ao fim de uma época desanimadora (quase que atingiram a final do Top14 não fosse aquele último pontapé de Daniel Carter nas meias-finais, já em tempo extra), a equipa do Clermont está com vontade de voltar aos tempos áureos. Têm um Top14 (2010) e já perderam a European Champions Cup por duas vezes, em 2013 e 2015 frente aos seus rivais do Toulon. Em 2015/2016 acabariam por ficar fora da fase final, quando perderam frente aos Bordeaux-Bégles, possibilitando aos Chiefs passar à fase seguinte da competição… ou seja, voltaram os três a comparecer no mesmo grupo, o que vai ser excelente numa óptica de “vingança”. Por isso, para 2016/2017 teremos uma remontada do Clermont para irem em direcção ao título? Um plantel “rico” em “astros” desde Wesley Fofana, Noa Nakaitaci, Camille Lopez, Scott Spedding, Benjamin Kayser, Thomas Domingo, Sitaleki Timani, Flip van der Merwe, Morgan Parra (o luso-descendente é a Lenda viva do Clermont, com um toque de “oval” fora do normal, um incansável formação e um jogador de classe a atacar ou defender) e o “nosso” Julien Bardy, um asa de classe mundial seja pela sua placagem de “raça” e que põe os adversários KO ou pela forma de como se entrega ao jogo em prol do Clermont. A grande contratação cai na pessoa de Isaia Toeava, um All Black que dá outro músculo ao par de centros ou pontas, dependendo de como Franck Azéma opte por o usar. Para já a temporada tem corrido de uma forma excelente, com o 1º lugar no difícil Top14 e um rugby bem lúcido, “limpo” e de categoria. O ano passado foi de “caos” e muita confusão no estilo de jogo, com várias lesões e problemas no plantel (o próprio Bardy passou uma fase conturbada), mas agora tudo, aparentemente, está bem e estão prontos para voltar a ganhar! Num grupo de “velhos” conhecidos, será interessante ver a forma do Clermont fora de “portas”.

Les Jaunards pour la conquête? (Foto: L'Equipe)
Les Jaunards pour la conquête? (Foto: L’Equipe)

AS PREVISÕES DO FAIRPLAY

Posto a observação a cada uma das equipas das 5 Pools/Grupos vamos avançar com as nossas previsões, que poderão ter uma boa margem de erro… até porque nesta competição da European Champions Cup, a fase de grupos é altamente imprevisível. Uma equipa pode ser a campeã mas perante um adversário que não tem nada a perder, é quase sempre tropeção… veja-se o ano passado o Clermont que só precisava de uma vitória em casa frente ao Bordeaux-Bégles e acabou por perder possibilitando aos Exeter Chiefs passar à fase seguinte.

No rugby é mais difícil de prever, a nível de clubes, quem vai ser campeão, quem chega às meias-finais ou até quem vai ficar de fora. Se os italianos do Zebre Rugby estão, à partida, fora logo da luta, podem estragar a “festa” a algum dos do seu grupo… por isso todo o cuidado é pouco.

Campeão: Saracens FC
Vice-campeão: ASM Clermont
Melhor marcador: Morgan Parra (ASM Clermont) / Owen Farrell (Saracens FC)
Melhor Marcador de Ensaios: Charles Piutau (Ulster) / Chris Wade (Wasps RFC) / Juan Imhoff (Racing 92′)
Equipa Surpresa: Ulster Rugby
Equipa Desilusão: Exeter Chiefs

É um gamble autêntico o que estamos aqui a lançar… dizer que os Saracens FC vão ao título pela 2ª vez de forma consecutiva, pode parecer um risco… calculado. Em Inglaterra estão a dominar a competição (uma derrota apenas) ao fim de 6 jornadas, com a liderança isolada com 25 pontos, seguidos pelos Wasps com 23. Pode parecer uma magra vantagem, mas no último fim-de-semana a equipa das vespas foi “varrida” pelos campeões em título, como prova o resultado final: 30-14. Tem todos os argumentos para fazer desta época um ano recheado de sucessos e títulos, muito pela harmonia e equilíbrio do plantel (vem aí Eben Etzebeth, o 2ª linha Springbok), para além que a selecção inglesa faz uso dos vários atletas dos londrinos como Farrell, os irmãos Vunipola, Itoje, Kruis, Goode, entre outros, numa era em que o domínio do Hemisfério Norte pertence à Selecção de Sua Majestade – para já. Estes factos todos, juntos, farão a diferença no final da competição… dificilmente vemos um RC Toulon ou o Racing Metró 92′ a conseguir ir até à final… já o ASM Clermont é outra história. Os Jaunards tiveram dificuldades em ser uma equipa desafiadora na temporada transacta, com vários problemas e questões no plantel… porém, as derrotas e desilusões (ficaram fora da final do Top14 por exemplo) foram observadas, analisadas e esmiuçadas para que os erros do passado não sejam também os do presente. A equipa de Morgan Parra, Julien Bardy, Noa Nakaitaci, Camille Lopez, Benjamin Kayser ou Scott Spedding está numa forma incrível no Top14 (1º lugar com uma derrota em 8 jornadas) e pode fazer “mossa” na European Champions Cup.

Em relação aos marcadores apostamos claramente em dois: Morgan Parra e Owen Farrell. Ambos são pontapeadores de excelência e estão a jogar em equipas que garantem penalidades e/ou ensaios para que eles armem o tal chuto aos postes. Ensaios? Há três nomes a ter em foco. Charles Piutau do Ulster, Chris Wade dos Wasps e Juan Imhoff do Racing 92′. O 1º prima pela força de explosão, capacidade de se libertar no contacto, velocidade e técnica de passe… pode ser que não marque muitos ensaios, mas dará vários a marcar. Wade é uma bomba à ponta, a velocidade e sprint são duas das suas “armas”, para além da agilidade e capacidade em ler a situação de ataque… infelizmente, não é um jogador vocacionado para defender. E Juan Imhoff… tem sido um “deleite” ao ver o Puma (deixou de ser seleccionável para a selecção de Hourcade… parece-nos que perderam um activo fundamental) a deslumbrar os campos em França. Com um toque de génio, tem ensaios que nascem “em cabines de telefone”, com uma troca de pés de sonho… pode ser que o Racing chegue às eliminatórias pelas “mãos” e “pés” de Imhoff.

A desilusão da competição andará pelas equipas galesas e pelos Chiefs de Exeter que em nada nos têm surpreendido na presente temporada. Mas podem calhar aqui surpresas, o ano passado foi claramente o Leinster Rugby, Ospreys ou Clermont.

A competição segue dentro de “momentos”, não percam o “Super Rugby” europeu!

francisco-domingues-selecao-joao-peleteiro.jpg?fit=960%2C639&ssl=1
Francisco IsaacSetembro 6, 201611min0

Francisco Domingues, o jogador formado no CDUL e AIS Agronomia segue viagem para o exterior, pela 3ª vez na sua carreira. O Lobo deseja conquistar um lugar entre os “maiores” do rugby e o caminho fora de Portugal é a forma de consegui-lo. O Fair Play conversou com o jovem pilar português.

fp. Francisco, com apenas 23 anos, já estiveste em França e agora em Espanha, como jogador semi-profissional/profissional. Que tal foram as experiências e em que clubes passaste?

FD. O ano e meio que passei em Aix En Provence foi sem dúvida o melhor da minha vida. Mais uma vez encontrei-me fora da minha zona de conforto, pude descobrir o desporto 100% profissional e deparei-me como muitas e novas responsabilidades que me permitiram crescer não só como desportista, mas também como pessoa. Em relação ao próximo ano em Espanha, ainda não posso falar, pois ainda não começou, mas com muita certeza também vai ser uma experiência excelente nos campos desportivo e pessoal.

fp. Já tinhas estado no Provence antes, em 2013, e agora voltaste em 2015. Qual gostaste mais? E quais foram as tuas maiores dificuldades?

FD. Desportivamente foram anos totalmente diferentes. No primeiro ano ingressei na academia na Federal 1, enquanto na segunda época ingressei na mesma Academia mas na Prod2. Ambos os campeonatos são muito exigentes e equilibrados, mas sem dúvida que o dinheiro investido na Prod2 é três vezes maior. Com isto as infraestruturas, salários, qualidade de jogadores, etc, são superiores. Foram portanto dois anos diferentes. Na Federal 1 fui sempre convocado para a primeira equipa tendo mesmo feito dois jogos a titular. De outra forma, na época passada apenas fiz 2 jogos amigáveis (1 a titular) e duas convocatórias como 24º. O nível era muito superior, e os objectivos eram totalmente diferentes. Na Prod2 as equipas que lutam pela manutenção não correm o risco de jogar com os mais novos de forma regular, tendo assim jogado com alguma frequência no campeonato de esperanças (que é altamente equilibrado e físico). Apesar de muitas diferenças, sem dúvida que gostei de ambas as épocas. Na primeira porque era posto em grande pressão todos os fins-de-semana, na segunda porque treinava e jogava com muito mais qualidade, tendo aprendido e desenvolvido o meu jogo. A maior dificuldade que encontrei foi a formação ordenada. Como se sabe França é a melhor da Europa, e principalmente na Prod2. Não tem nada a ver com a que temos em Portugal. Foi uma guerra ao inicio.

No Aix en Provence (Foto: Geo LA)
No Aix en Provence (Foto: Geo LA)

fp. Foste para França com que intuito? Conseguiste estudar e jogar ao mesmo tempo? Tens algum conselho para jovens jogadores que gostavam de seguir as tuas pisadas?

FD. Da primeira vez que parti, estudei ao mesmo tempo sim. Tive a oportunidade de fazer o programa de intercâmbio entre universidades (“Erasmus”) ao mesmo tempo que jogava como profissional. Apenas fiz “Erasmus” porque me era possível jogar bom nível de Rugby. No segundo ano, em paralelo ao Rugby apenas tirei um curso de língua francesa adaptado à minha disponibilidade. O conselho que dou, é que tudo é possível e que sem dúvida alguma os estudos devem estar em primeiro lugar, mas que quando se quer muito uma coisa, há que fazer sacrifícios, procurar alternativas e lutar até o alcançar. E como podem ver é possível conciliar os estudos com o desporto profissional (principalmente em França onde os apoios são enormes).

fp. Algum momento que guardes com boa memória da tua passagem pelo Provence?

FD. Guardo muitos. Mas ter jogado contra o USAP no ano passado é sem dúvida uma recordação para a vida.

fp. Em relação às tuas origens… sempre foste “agrónomo” (AIS Agronomia)? Tem-te custado a saída de casa? O que foi importante para ti nos anos que passaste em Portugal a jogar?

FD. Em França no início foi difícil adaptar-me a um espírito “rugbistico” totalmente diferente. Estava habituado ao espírito caseiro. No Rugby profissional não é tão assim. Há muita pressão, há muito dinheiro à nossa volta. Não se pode falhar de maneira nenhuma. Com efeito, essa diferença custou-me ao inicio, mas com o tempo habituei-me e comecei a jogar com os nervos a meu favor. Foi na tapada que comecei a jogar ao alto nível. À Agronomia tudo devo enquanto desportista. Todas as apostas que fizeram em mim desde os sub-16 contribuíram para o jogador e pessoa que sou hoje. A Agronomia é o meu clube do coração. E sem dúvida que custa sair de casa e não poder jogar com os meus amigos. Os momentos mais marcantes na minha passagem em Portugal foram a Taça de Portugal que ganhei apenas com 18 anos, as grandes épocas em que pude jogar com os amigos. O Rugby não dura para sempre, mas as amizades duram. E isso sem dúvida que é importante para mim.

fp. Jogo que melhor te recordas como jogador de Agronomia? E melhor e o pior momento lá?

FD. Recordo-me muito bem do jogo em Monsanto em Janeiro de 2015, no qual fui MVP e fiz coisas que achava não poder fazer (risos). Mas recordo-me de quase todos os meus 50 jogos por Agronomia. O melhor momento em França foram todos os momentos, tirando o pior que foi quando me magoei com alguma gravidade no ombro.

À carga pela Agronomia (Foto: Mario Januário Fotografia)
À carga pela Agronomia (Foto: Mario Januário Fotografia)

fp. Qual foi a sensação quando vestiste a pele de Lobo pela 1ª vez? Qual é o teu objectivo na Selecção Nacional?

FD. Desde o momento que comecei a jogar Rugby que esse era um desejo gigante. Sempre quis ser Lobo. Lembro-me de treinar e trabalhar sempre com esse foco. Foi portanto o cumprimento do meu maior objectivo enquanto jogador, uma sensação muito boa. Tive orgulho em mim e estava muito feliz, só queria jogar e viver aquele momento. Os meus objectivos enquanto jogador de selecção passam por uma qualificação e respectiva presença num Mundial.

fp. Como atleta internacional português, quais são as qualidades que temos enquanto jogadores portugueses? Em França elogiaram-te por algum motivo ou técnica individual?

FD. Temos milhões de qualidades e nível técnico. Mas fisicamente ainda não estamos no nível mínimo exigido, mas estamos a trabalhar bem, é um projecto e compromisso de longo prazo. Não nos podemos focar nas coisas boas, mas sim nas más e tentar corrigi-las. Em França era muito elogiado pela minha mobilidade com a bola em campo por exemplo, já que o tradicional pilar francês apenas defende e trabalha bem na formação ordenada.

fp. Quem te impulsionou para praticar Rugby? Como começou?

FD. Tive duas pessoas que me impulsionaram: A minha mãe sempre quis que eu jogasse, tendo-me inscrito no CDUL dos 9 aos 13 anos. Mas foi o João Santa Barbara (um grande amigo e na altura da minha turma no colégio são João de Brito) que fez com que eu fosse para a Agronomia aos 14 e nunca mais saísse.

fp. Porquê o Rugby?

FD. Na verdade porque não era bom em nenhum outro desporto.

fp. Alcobendas de Madrid é a tua nova etapa. Que esperas em terras de “nuestros hermanos”?

FD. Espero um campeonato equilibrado e em pleno crescimento. Com muito bons atletas e boas infraestruturas. Espero a nível pessoal poder mostrar o meu valor como jogador e representar o Rugby português da melhor forma.

fp. É possível conciliar os estudos com o Rugby? Achas que a Universidade e os Estudos Superiores apoiam, da melhor forma, os jogadores internacionais ou sentes que podia existir uma “ponte” mais forte?

FD. É possível, mas não é fácil. Eu tirei licenciatura em Gestão na Nova SBE. Em vez de três anos, fi-la em quatro anos. Fiz muitos sacrifícios durante esses anos, mas em nada me arrependo. Pude sempre continuar a jogar a alto nível. Em Madrid vou também fazer um mestrado em gestão. Sei que não vai ser fácil fazer tudo mas sinto-me capaz. Isto porque, quantas mais coisas possuo na minha vida, mais organizado e disciplinado sou. Em relação à ponte que existe entre universidades e atletas internacionais, acho que é muito pequena. O apoio é quase irrelevante. No meu caso apenas me permitia mudar com facilidade os horários e em caso de falta, mesmo se justificada, a alguma avaliação continua, a percentagem equivalente era automaticamente juntada ao peso do exame final, que como se sabe é muito mais difícil (isto na verdade acontecia com qualquer aluno, o que não é normal). O valor aos atletas não é devidamente dado e acho que as Universidades apenas têm a ganhar ao terem este tipo de alunos, já que se certa forma, representam as universidades. Mas não é só o apoio universitário. O apoio que empresas desportivas dão a atletas de Rugby em Portugal é inexistente, o que de certa forma, desmotiva devido aos sacrifícios que fazemos, tal como os outros atletas de outras modalidades (senão forem talvez maiores, porque a preparação para o Rugby é gigante).

Com as Cores da U. Nova de Lisboa (Foto: Nova)
Com as Cores da U. Nova de Lisboa (Foto: Nova)

fp. Qual é o teu maior sonho no mundo do Rugby? E na tua vida?

FD. Sem dúvida que a participação num campeonato do mundo com Portugal é o meu maior sonho desportivo, mas não escondo objectivos como jogar nas primeiras divisões europeias. Na vida, acima de tudo ser feliz podendo sempre jogar, ter um bom trabalho, ter família, ser saudável, etc. Mas sou uma pessoa que pensa no curto prazo.

fp. Estás feliz com esta vida “às costas”? Porquê é que decidiste este caminho?

FD. Não poderia estar mais feliz. Ganho o meu próprio dinheiro, tenho responsabilidades maiores, aproveito para viajar, conheço milhões de pessoas de nacionalidades diferentes e jogo Rugby de bom nível. Decidi este caminho porque em Portugal, infelizmente, não é possível fazer de Rugby vida.

fp. Queres efectuar um agradecimento a alguém em especial?

FD. Apenas agradecer à minha família e amigos por todo o apoio que me dão.

En Hora Buena! (Foto: Alcobendas Rugby)
En Hora Buena! (Foto: Alcobendas Rugby)

rugby.jpg?fit=1024%2C578&ssl=1
Francisco IsaacAgosto 3, 201616min0

Top14 e o “Mundo” das transferências com várias novidades: Lyon reforça-se com 16 “caras” novas, com Michalak à cabeça, Victor Vito o novo atlante do Stade Rochelais, Trinh-Duc é o game changer do Toulon?

Top14, considerado com um dos melhores campeonatos a nível Mundial, foi “alvo” de várias mexidas que vão abanar com a próxima temporada. Apesar da queda de rendimento da selecção francesa, o campeonato “gaulês” continua a crescer em todas as direcções. Há cada vez um maior número de atletas do Super Rugby, AVIVA ou PRO12 a considerarem mudanças para equipas como o Pau, RC Toulon, Toulouse, Racing 92, Lyon ou Brive, onde os salários atraem.

Mas que novidades aconteceram durante o defeso? Bem veja-se que o Lyon, equipa que subiu em 2015/2016 para o Top14, contratou cerca de 16 jogadores, enquanto que o Castres Olympique, Brive, Montpellier ou RC Toulon deixaram sair cerca de 14 a 15 atletas, numa clara “remodelação” não só de plantel, mas quiçá, também, de direcção. Vamos voltar só a destacar as transferências mais sonantes ou que podem vir a ter um impacto sério no clube ou liga.

top14transf

Mais de 121 transferências  decorreram no Top14, em que escolhemos 68 para observarem. 55 foram entre clubes franceses (55 entre equipas do TOP14), com só apenas um regresso ao Super Rugby (Kepu para os Waratahs), com cinco para a Aviva Premiership e mais duas para o PRO12, com 4 retiradas e duas idas para a PRO12. Como já tínhamos referido, a equipa que me mais mexeu foi a equipa do Lyon. Pierre Mignoni e Bruno Sébastien, treinadores dos lobos de Lyon, decidiram enriquecer o plantel com alguns atletas mais experientes, caso de Frédéric Michalak (na foto) e Delon Armitage (ambos os atletas vieram do RC Toulon), que conheceram o “sabor” de títulos (ambos foram tri-campeões da Champions Cup e uma vez campeões do TOP14 em 2013). Por outro lado, foram em busca de alguns jovens que estão começar a dar a cartas a nível Mundial como Curtis Browning (asa dos Reds, jogou todos os jogos da equipa dos koalas onde marcou 3 ensaios com mais de 70 placagens e só 3 falhadas) ou Franco Mostert dos Lions. A vinda do 2ª linha dos Leões de Joanesburgo é um super reforço no que toca a ter uma “autoridade” nesse sector do jogo, onde os números provam a excelência do Springbok (estreou-se nos amigáveis de Verão frente à Irlanda): 86% de eficácia nas placagens, 40 saltos ganhos em 44 tentativas (5 “roubos” no ar), 1 ensaio (226 metros conquistados) em 15 jogos a titular. Ainda houve uma pequena “guerra” entre a SARU e o Lyon para tentar “forçar” que o sul-africano ficasse, mas os franceses foram irredutíveis no que queriam… ou seja, contar com o 2ª linha para as próximas duas temporadas. Em suma, o Lyon reforçou-se não só em quantidade mas como, e principalmente, em qualidade.

O Aviron Bayonne que também veio da PROD2 foi ao “mercado” de forma interessante com a chegada de Johnnie Beattie (ex-Castres joga a 7 ou 8), Tom Donelly (2ª linha ex-Montpellier) ou Tanerau Latimer (2ª linha ex-Blues). Uma curiosidade, as contratações foram todas para a avançada, numa clara intenção de “muscular” esse “departamento. Fala-se, ainda, na vinda de Romain Martial (Castres) para a posição de 11, porém ainda não há confirmação em absoluto deste dado.

E que tal referir o bom trabalho do Stade Rochelais? Vão ter “direito” a um bicampeão Mundial para a posição de 8… quem é? Victor Vito (na foto infra). Um dos “filhos” preferidos de Wellington (nascido e criado na capital da Nova Zelândia) decidiu aceitar o desafio lançado por Patrice Collazo, assinando contracto com a equipa do Oeste. Um All Black de qualidade fenomenal, Vito poderá dar outra “cor”, com aquele estilo próprio do Hemisfério Sul. Nessa linha, outro jogador da mesma zona do planeta decidiu acompanhar Vito, desta feita da África do Sul. Paul Jordaan, um dos centros que mais nos surpreendeu no Super Rugby (88% de eficácia na placagem), decidiu abandonar o projecto dos Sharks (um projecto que poderá dar frutos na próxima época) para “abraçar” a sua primeira experiência fora de “casa”. O contracto tem duração de uma temporada, com uma segunda de opção no caso de correr bem a ligação do ex-Tubarão com o Stade Rochelais. Brock James foi outra das contratações… terá o abertura, ex-Clermont, capacidade de dar outra “forma” dos atlantes franceses? Para já, e quando chegar, Jordaan deverá saltar logo para titular uma vez que é um dos pontos que o Stade Rochelais necessita de reforçar… já que a grande referência das linhas atrasadas, Benjamin Lapeyre (defesa, 29 anos, ex-Toulon e Racing) partiu para Brive e será um adversário directo.

E agora falemos em campeões seja do Top14 ou da Challenge Cup: Racing 92 e Montpellier. Se efectuarem uma primeira leitura até dá a entender que os reforços dos parisienses ficaram algo aquém das expectativas que temos para um campeão em título… porém, a entrada de Leone Nakarawa (2 metros de altura) que vem dos Glasgow Warriros vem dar força e peso à 2ª linha com um “cheiro” do rugby de Sevens (Nakarawa vai estar nos Jogos Olímpicos) alimentando uma posição que ainda tem Manuel Carizza, (Puma) e François Van der Merwe. Ainda para essa posição, a direcção do Racing conseguiu fazer algo de surpreendente ao tirar da reforma Ali Williams – tinha-se retirado em 2015 -, um All Black que foi considerado dos melhores na sua posição durante alguns anos. Williams conseguiu ser campeão do Top14 e bicampeão europeu tudo pelo RC Toulon. Não bastou ter quatro boas opções para a 2ª linha, a direcção do Racing 92 conseguiu uma 5ª: Gerbrandt Grobler. Sul-africano com 25 anos, esteve banido de todo o desporto durante 2 anos após, em 2014, ter falhado num controlo anti-doping. Na altura era visto como uma das esperanças para a camisola 4 ou 5 dos Springboks, mas o teste positivo e a assumpção de culpa quase que terminou com a carreira do “gigante” com dois metros e 120 kilos… o Racing 92′ abriu as portas de Paris e contratou o jovem formado na Western Province para tentar voltar aos grandes jogos.

Em relação ao campeão da Challenge Cup, que estará em 2016/2017 na Champions, os reforços foram vários e para todos os “gostos”. Dois “monstros” para as pontas, Joe Tomane e Nemani Nadolo (ver foto). São duas supra contratações, não há dúvidas, e vamos explicar porquê: Tomane é internacional pelos Wallabies, com 17 idas à selecção da Austrália (5 ensaios), onde os seus 85 pontos (17 ensaios) pelos Brumbies em 50 jogos ajudaram a chegar a duas meias-finais nos últimos 4 anos. Tomane tem velocidade, técnica de handling apurada e um work rate de topo (os treinadores que tiveram o ponta nas suas mãos, diziam que era o “primeiro a chegar e o último a sair” dos treinos). Em 2016 jogou só 8 jogos pelos Brumbies, uma vez que teve a contas com alguns problemas físicos (nova lesão grave vai obrigar a para 4 a 5 meses, goo.gl/Hv6rz4)… de qualquer forma, 6 ensaios em 50 carries (450 metros conquistados) prova que há qualidade no australiano. Do outro lado está Nemani Nadolo, o “The Big Man” das Fiji que nos impressionou no Mundial 2015 (aquele ensaio contra a Inglaterra que salta mais alto que Anthony Watson para conquistar a oval) e foi uma das figuras dos Crusaders em 2016. Em 14 jogos, conseguiu “invadir” por 6 vezes a área de validação adversária, destacando-se, igualmente, nas assistências com 7… é brilhante no offload, total na conquista de espaço e um “tanque” na colisão com a defesa contrária.  Com estas duas peças nas alas, Jake White (conquistou o Mundial 2007 pela África do Sul como seleccionador) poderá estar a esboçar um “ataque” ao Top14, uma vez que na época passada ficaram-se pelas meias-finais (derrota frente ao RC Toulon por 27-18). É curioso observar que esses dois reforços podem vir a tirar lugar ao melhor marcador do Top14 da temporada passada, o fijiano Timosi Nagusa (16 ensaios). Ben Botica, Nico van Rensburg e Tiaan Liebenberg são outros três “estrangeiros” que também assinaram pelos Cistes. Ao que parece não se deixaram afectar pelo facto de 58% do seu plantel (23) serem jogadores sem nacionalidade francesa, como demonstram a boa lista de novas unidades para 16/17. Todavia, Jake White conseguiu que a direcção do Montpellier conseguisse “arrancar” uma estrela francesa ao Racing 92… Alexandre Dumoulin. O centro de 26 anos, internacional pelos Les Bleus com 8 idas à selecção, vem dos actuais campeões nacionais de França para se juntar a Nadolo, Tomane, Botica, Malzieu, Mogg ou Bismarck du Plessis na luta pelo Top14. Em contrapartida saíram algumas estrelas seja para a reforma como Nicolas Más (um dos maiores 1ªs linhas dos últimos 20 anos), Pat Cilliers ou Ben Mowen, este último para o Pau de Conrad Smith e Cª.

Por fim, o RC Toulon, que em 4 anos conseguiu um Top14 e três Champions Cup e o Stade Toulousain, o maior campeão de sempre de França. Como sempre, a equipa de Mourad Boudjellal (o excêntrico milionário que tem feito uma aposta séria em tornar o rugby o desporto de referência na Europa) a ir ao mercado de forma “agressiva”. Se em 2015 foram buscar Ma’a Nonu, em 2016 apostaram na vinda de François Trinh-Duc (“elegante” médio de abertura que estava no Montpellier, na 1ª foto do artigo), Vincent Clerc (Toulouse) e Pierre Bernard (Bordeaux), demonstrando interesse no mercado nacional. Trinh-Duc vai tentar resolver um problema “antigo” desta formação que é a ausência de um médio de abertura de referência. Em 2015 a grande esperança caiu nas “mãos” de Quade Cooper, o fantasista Wallabie que vive entre um Mundo de show e de horrores (informações mais detalhadas: goo.gl/n2v8Uy). Cooper acabou por ser um fracasso como contratação, obrigando a Michalak a horas-extra, sendo que na final foi Matt Giteau a assumir a camisola nº10. A vinda de Trinh-Duc vai colocar a língua francesa como “rainha” no par de médios, onde Pélissié, Escande e, principalmente, Sébastien Tillous-Borde podem compor consigo uma virtuosa ligação entre 9-10. Se o Toulon conseguir encontrar harmonia aí, com o apoio de Giteau e Ma’a Nonu no par de centros, mais Clerc e Mitchell nas pontas (ou Habana) com Halfpenny a 15 (sem falarmos de Goromaru, o japonês que veio dos Reds), o Toulon terá uma das melhores linhas atrasadas não só de França, mas do Mundo. Para avançada, Marcel Van der Merwe (pilar) e Juandré Kruger, ambos sul-africanos (o primeiro vem dos Bulls e o segundo do Racing 92) mais Liam Gill (outra grande contratação feita em Queensland) vão dar “outra” potência aos 8 homens da frente. Agora será que as contratações vão estar em harmonia desde o princípio até ao fim? A resposta será conhecida em Janeiro, após terem decorrido 4 meses de jogos, incluindo Top14 e Champions Cup.

As saídas mais conhecidas foram dos irmãos Armitage, Michalak, Turner e Saulo, este último para o Stade Toulousain. A formação de Toulouse fez uma “espécie” de reboot após uma temporada decepcionante. Eliminados da Champions Cup na fase de grupos (último lugar) e eliminados nos quartos-de-final do Top14, houve necessidade de contratar alguns jogadores, mantendo a confiança geral no grupo mais “jovem”. Louis Picamoles (um dos nº8 da França) partiu para a Aviva Premiership, enquanto que Corey Flynn apostou numa ida para Glasgow e a PRO12. Perderam Vincent Clerc para o Toulon e David Mélé para o Grenoble, no que toca a transferências internas. Clement Poitrenaud e Imanol Harinordoquy, duas das maiores lendas do Toulouse, disseram adeus aos “relvados” mas manteve-se o core principal. A grande novidade (em todos os sentidos) é Richie Gray (na foto), o 2ª linha da Escócia que terminou o contracto com Castres Olympique em Maio, já tinha dado o “sim” em Novembro para se juntar ao Toulouse (para ver mais: goo.gl/SyeO7i). 55 internacionalizações pela Escócia, é também um Irish&British Lion e um jogador com alta experiência nos alinhamentos, formações ordenadas e uma unidade complicada de defender no jogo curto. Leone Ghiraldini, talonador da Itália (81 internacionalizações) vem preencher a vaga de Flynn, enquanto que Manasa Saulo (internacional pela Samoa de 27 anos) e Maks van Dyk (24 anos, ex-Cheetahs jogou 15 jogos nesta temporada), chegaram para a posição de 1ª linha. O primeiro acrescenta peso e “raça” à avançada, enquanto que o segundo foi um caso sério no que toca a eficácia da formação ordenada da equipa do Free State. E para terminar, a última contratação de interesse do Toulouse, foi a vinda de Samuel Marques, internacional português, do Pau para Toulouse. Como conseguirá o Lobo jogar? Conseguirá tirar o lugar a Bézy ou Doussain?

Este foi o ano de mercado do Top14, que começou bem cedo e está praticamente terminado em Agosto de 2016. Que contratações vão mexer com as equipas? Será que realmente a dupla Tomane e Nadolo farão mossa? E o Toulon com Trinh-Duc irá em busca de algo novo, na forma de jogar? O Racing terá a mesma capacidade para levantar o campeonato de 2016/2017?

Nos gráficos abaixo poderão constatar algumas ideias e factos do Top14 em termos de idas ao mercado. Relembramos que só estamos a tratar de 68 transferências, que poderão espelhar, na generalidade, as “vontades” de mercado. A exemplo disso notem, que contabilizámos 55 transferências internas (entre clubes franceses) em 68 no total, enquanto que no prisma das 120 calculámos 93 transferências intra-França (em que uma fatia de cerca de 40% são para equipas de divisões inferiores ao Top14). A posição mais reforçada foi a 2ª linha, com o Racing a assinar com 4 novos 2ªs, enquanto que há quase um empate técnico entre as idades a contratar, ou seja, para cima de 30 representam 48% das transferências, ficando com os restantes 52% de 29 até aos 19 (Vasil Lobzhanidze, um dos jogadores mais jovens de sempre a jogar em mundiais, foi a contratação mais jovem deste mercado de transferências).

[thb_gap height=”20″]

Ligas para onde saíram Jogadores

  • Top14
  • Aviva
  • PRO12
  • Super Rugby
  • PROD2
  • Retirados

Posições de Jogadores Negociados

  • 1ª Linha
  • 2ª Linha
  • 3ª Linha
  • Formação
  • Abertura
  • Pontas
  • Centro
  • Defesa

Idades de Jogadores Negociados

  • 35
  • 34
  • 30-33
  • 29
  • 25-28
  • 25-28
  • 24
  • 23
  • 19-22

Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS