Arquivo de José Lima - Fair Play

Fair PlayJunho 2, 20181min0

No Rugby Lab desta semana temos connosco Miguel Valente, atleta do CR Évora que findou a sua carreira enquanto jogador no rugby Nacional. Com mais de 20 anos de jogos, ensaios, placagens ao serviço da oval portuguesa, é um dos ícones do clube alentejano.

Uma das maiores lendas do rugby alentejano, Miguel Valente, explicou-nos qual é o real sentimento de jogar por uma equipa como o CR Évora. Desde as selecções jovens, aos vários anos de representação ao serviço dos eborenses, o ponta/defesa tem muitas histórias para contar.

Ouve toda a conversa aqui no Rugby Lab, podcast semanal só sobre rugby!

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Francisco IsaacJulho 7, 20178min0

Formado no CR Évora e na AEIS Agronomia, internacional sub-18/20 e sénior por Portugal seja de XV ou 7’s, alinhou por alguns emblemas da 2ª divisão francesa (PROD2) e agora vai jogar no TOP14… falamos de José Lima, o centro dos Lobos, que aceitou conversar com o Fair Play numa entrevista exclusiva

fp. A temporada 2016/2017 mal acabou e já estás na rampa de lançamento para a nova época desportiva… expectante e excitado com o facto de poderes placar no TOP14 em 2017/2018?

JL. Parece-me pouco para qualificar o que estou a sentir com a possibilidade de me estrear no Top14. É algo que não dá para explicar.

fp. Foi um caminho árduo e complicado até aqui? Mudarias algum pormenor do caminho que percorreste ou tudo correu da forma como planeaste?

JL.Sim claro que foi, com altos e baixos, já lá vão uns bons anos de bastante trabalho e dedicação em busca deste objectivo. Talvez mudaria um erro que cometi quando saí do Narbonne.

fp. Placagem mais dura que fizeste na temporada passada? E qual foi o ensaio que te deu mais prazer marcar?

JL. Placagem mais dura talvez contra a Bélgica em Novembro. Ensaio, contra o Bourgoin no derby aqui da região.

fp. Estás totalmente adaptado à forma de viver francesa? Oyonnax é uma cidade acolhedora? E o rugby é importante na região?

JL. Sim completamente também as diferenças não são assim tantas comparativamente falando a Portugal. Sim bastante, o facto de ser uma cidade pequena também ajuda e por isso a loucura dos adeptos pela equipa é incrível.

José Limpa pelo Oyonnax (Foto: JRK)

fp. E em termos de selecção, foi uma época agridoce, que começou com boas vitórias ante a Bélgica e Brasil (amigáveis) e o Grand Slam no Trophy mas que não nos garantiu a subida de divisão. O que é que vão fazer para em 2018 estarmos na divisão “B” do Rugby europeu? Há possibilidades de sonhar mais alto?

JL. Agridoce? Não sei qual foi a parte doce. Acho que as pessoas não têm noção do quão grave é o que se está a passar com a seleção. Se continuarmos assim claramente que não.

fp. O que achas que podia mudar, em Portugal, em termos de espírito e comportamento perante o rugby? Sentes um crescimento exponencial das novas gerações?

JL. Seria mais fácil responder o que não seria preciso mudar. Sabes eu sou jogador e tentar dar sempre o meu melhor é essa a minha função por agora.

fp. Tu vais ser o 2º jogador português a pisar os relvados do TOP14, que tenha começado a carreira em Portugal. Achas que a seguir a ti vamos ter mais “Lobos” a jogar na primeira divisão francesa?

JL. Claro que sim, e espero muito sinceramente que aconteça pois seria muito importante para o rugby português.

fp. Vais continuar a representar a Selecção Nacional? As emoções e sentimento ainda é igual ao que foi na 1ª vez?

JL. Sempre que for possível, nunca deixei de vir jogar por Portugal não era agora nesta fase que ia deixar de acontecer. Para mim continuar a ser e é sempre uma grande emoção jogar pelos Lobos… sonhei com isso tantas vezes quando era miúdo.

fp. Exibição e jogo por Portugal que te recordes com mais orgulho? E trocavas a “Alcateia” para jogar pelos All Blacks?

JL. Talvez Portugal-Italia no mundial. Nem pelos All Blacks nem por outra selecção. Sou português não há nada que tenha mais orgulho que jogar por Portugal.

fp. E o que tens a dizer do CR Évora e a subida à Divisão de Honra? Gostavas de um dia voltar a usar a camisola do CRE?

JL. Acho que é sobretudo exemplo para a visibilidade do clube na cidade e no Alentejo. Claro que gostava, seria um momento de grande emoção.

1º título em França (Foto: Arquivo do Próprio)

fp. Achas que a Divisão de Honra é um campeonato interessante? Que jogadores (se há algum) podiam destacar-se na PROD2 ou em campeonato similares?

JL. Acho que o nível do campeonato reflete bem o estado do rugby português, está a nivelar-se por baixo, que é o pior que pode acontecer. Sim há jogadores com talento para isso mas não sei se há algum que esteja preparado física ou mentalmente para isso.

fp. Qual é a parte mais difícil em ser-se profissional de um desporto tão grande como o rugby? Achas que o tempo de descanso e férias é curto ou gostas de como estão montados os calendários?

JL. Acho que é a exigência a qual estamos sujeitos todos os dias e a competição que existe. Não me vou estar a queixar, faço o que mais gosto.

fp. Ainda sentes um carinho especial pela AIS Agronomia? Gostaste do (pouco) que viste esta época?

JL. Eu sou um apaixonado e o que sinto pela Agro é muito forte. Foram dois anos fantásticos, sem dúvida dos melhores da minha vida até hoje. Grande clube e grandes pessoas!

fp. O que esperas da temporada no Oyonnax a nível pessoal? E colectivo?

JL. Pessoal guardo para mim. Colectivo a manutenção no Top14 seria já algo extraordinário.

fp. Vai ser difícil permanecer no TOP14 ou vocês já têm os olhos postos em lugares mais cimeiros

JL. Somos mais que realistas: o objectivo é a manutenção.

fp. Qual é a impressão que os jogadores franceses têm dos portugueses?

JL. Respeitam a equipa de Sevens.

fp. Perguntas rápidas: falas melhor francês ou português?

JL. Português, se não a minha mãe matava-me.

fp. França, Inglaterra ou Escócia?

JL. Inglaterra.

fp. Camille Lopez ou François Trihn-Duc?

JL. Johny Wilkinson.

fp. Jogador português que melhor placa? E o que gostaste de mais ver jogar.

JL. Aguilar e Bifes.

fp. TOP14 ou Super Rugby?

JL. TOP14.

fp. Alentejo ou os Alpes?

JL. Alentejo.

fp. Uma placagem do Julian Bardy ou placar o Mike Tadjer?

JL. Placar o Mike claro

fp. All Blacks ou Wallabies?

JL. Wallabies.

fp. Se pudesses escolher uma equipa do Hemisfério Sul para jogar qual seria?

JL. Hurricanes para voltar a jogar com o Chris

fp. Com quem discutes mais rugby: o teu pai ou irmão?

JL. Não dá para discutir com eles.

fp. Um mensagem à comunidade portuguesa de rugby ,apoiantes e amigos?

JL. Aproveitem as férias e voltem cheios de vontade de voltar a meter o rugby português onde ele merece estar.

Por Portugal e pelos Lobos (Foto: Luís Cabelo Fotografia)
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Francisco IsaacMaio 24, 201711min0

O Clube de Rugby de Évora tem proporcionado grandes atletas aos clubes da Divisão de Honra e à Selecção Nacional como José Lima, José da Costa, Diogo Fialho, entre outros e agora, em 2017, conseguiu a subida para a Divisão de Honra. O capitão dos eborenses, Miguel Valente, explicou os processos, objectivos, desenvolvimento da modalidade em Évora e do que se trata o espírito de não desistir do CR Évora.

fpE ao fim de vários anos o Évora está de regresso à Divisão de Honra… qual é a sensação? E como o conseguiram?

MV. É uma sensação bastante especial, eu sou sénior já a 15 anos e ainda não tinha tido esse privilégio de jogar no escalão principal. Conseguimos com muito trabalho ao longo dos anos, já tínhamos ido a 5 finais e perdemos sempre, com a Académica em 2007, contra o CRAV em 2010, contra o Montemor em 2014 (nesta altura no campeonato não havia final, mas entrámos na ultima jornada apenas a 3 pontos do Montemor e se ganhássemos éramos campeões), contra a Lousã em 2015, e o ano passado contra o Montemor outra vez. Esta será a 3ª final seguida, e vem de muito esforço, trabalho e dedicação dos nossos atletas, e da nossa direcção para nos dar todas as condições para poder estar entre os melhores.

fpHá quantos anos jogas rugby e como começaste? Sempre eborense ou já jogaste em outras equipas? E qual é a tua posição em jogo?

MV. Jogo rugby há 24 anos, comecei aos 8 anos aqui no CRÉ, eu jogava à bola num clube aqui da cidade com mais uns amigos, mas raramente tínhamos jogos e cansei-me um pouco. Um dia dois amigos meus disseram-me para ir com eles ao rugby, fui e adorei, a partir dai até ao dia de hoje nunca mais larguei o rugby nem o CRÉ. Já tive algumas posições em campo, como 2º centro, ponta e arrier, normalmente jogo a 15, mas onde mais gosto de jogar é a ponta.

fpConsegues explicar o porquê do CR Évora ser um clube diferente com uma forma de estar muito característica?

MV. Aquilo que diferencia o CRÉ dos outros clubes é a amizade entre as pessoas, a maneira de estar perante o rugby e a vida. Somos todos uma família, sabemos receber toda a gente como não há igual. 

fpAlgum jogador como modelo e exemplo? Nacional e Internacional.

MV. Desde miúdo sempre admirei um jogador aqui de Évora, o Pedro Barradas, mais conhecido por “Gralha”, é uma referência para quase todos os jogadores do CRÉ pelo que ele nos transmitiu e pelo que ele deu ao clube, foi meu treinador nas camadas jovens, cheguei a ser colega de equipa dele nos seniores e também fui treinado por ele nos seniores. A nível internacional sempre gostei do Lomu, O´Driscoll mais recentemente do Dagg, George North, Sonny Bill… por ai´.

Foto: Abaçaí Imagens

fpO que é que gostavas de ter conseguido fazer dentro de campo que até hoje não foi possível acontecer?

MV. A única coisa que me falta conseguir fazer dentro do campo é ser campeão pelos Seniores e levantar esse troféu, esperemos que seja já sábado em Setúbal. De resto, posso dizer que me sinto um jogador realizado, só falta mesmo esse sonho. 

fpMelhor jogador do CR Évora e de Portugal em 2017?

MV. Melhor jogador do CRÉ é difícil escolher, este ano toda a equipa se superou, apesar de termos tido algumas lesões, todos corresponderam positivamente quando entraram na equipa. Em Portugal talvez o José Rodrigues da Agronomia, acho que fez um óptimo campeonato mas não podia deixar de falar também num grande amigo meu, o grande Zé Lima, que este ano finalmente alcançou o sonho de ser campeão e chegar ao top14 paro o ano que vem, realizou uma excelente época no Oyonnax.

fpFaz falta ter um dérbi alentejano na Divisão de Honra? Achas que é uma boa forma de atrair possíveis sponsors e promover o rugby não só localmente mas também a nível Nacional?

MV. Os dérbis alentejanos acho que atraem sempre imensa gente, há vários anos que nos defrontamos e tem sempre bastante público, basta ver a final da 1ª divisão o ano passado em que o Estádio Universitário estava cheio com adeptos do CRÉ, do RCM e não só, mesmo havendo a final do campeonato da Honra depois, acho que a nossa final em termos de publico não ficou nada atrás em relação a da Honra. Em relação aos sponsors este ano com a subida ao principal escalão esperamos atrair mais ajudas claramente, mas isso é um assunto da Direcção. 

fpEstão prontos para “aguentar” com equipas como o campeão CDUL, AIS Agronomia ou GD Direito? Ou ainda não pensaram nesse factor?

MV. Nós estamos sempre prontos para tudo, logicamente que o trabalho físico e técnico vai ter que aumentar, mas se trabalhamos há alguns anos para subir de divisão, esse vai ser um factor de maior motivação, vamos jogar contra os melhores e com os melhores aprendes sempre mais.

Foto: Abaçaí Imagens

fpComo está a vossa formação? Vai dar garantias de um futuro auspicioso? O que falta para o CR Évora conseguir passar de Campeão da 1ª Divisão para habitué da Divisão de Honra?

MV. Desde que inauguramos o nosso campo em Évora, apareceram muitos miúdos nos escalões de formação, e penso que o futuro será bastante risonho, basta ver os vários torneios a nível nacional que os nossos sub-8, sub-10, sub-12 entram, conseguem sempre ter mais vitorias do que derrotas. Se estas gerações se aguentarem como jogadores de rugby e não forem jogar para clubes de Lisboa, penso que o CRÉ tem tudo para se tornar um “habitué” na Honra, vamos torcer para que isso aconteça

fpOs seniores do Évora ajudam nas camadas jovens? Achas que têm um impacto importante neste aspecto?

MV. Sim, eu próprio nos últimos anos ajudei nos escalões mais novos e o ano passado treinei os sub-18, este ano é que não foi possível. Mas existe sempre ajuda da parte dos jogadores seniores em quase todos os escalões de formação. Os miúdos adoram ver os nossos jogos, e se tiverem a presença de alguns seniores para ajudar no seu desenvolvimento penso que os miúdos se entregam de outra maneira, e claro que adoram.

fpHá um grande apoio da Cidade ao Clube? E achas importante que haja uma comunhão entre as duas partes? Em que é que pode melhorar?

MV. Em relação a isso não me quero alongar muito, mas acho que a Câmara Municipal podia dar mais ao clube, porque estamos a representar a cidade no país inteiro. A única contribuição que tenho conhecimento da Câmara é o autocarro para alguns jogos fora, de resto não sei se contribui com mais alguma coisa.

fpO rugby nas escolas e secundárias em Évora é uma realidade ou ainda é um “Oásis”?

MV. Sei que a cerca de 2/3 anos houve essa realidade, fui com mais uns jogadores e treinadores a algumas escolas promover o rugby, e até “angariamos” alguns miúdos que hoje em dia ainda praticam a modalidade, mas penso que esse assunto devia ser mais desenvolvido cá em Évora. Hoje em dia penso que estagnou um pouco e deveria ser melhor aproveitamento

fpA 1ª Divisão correu-vos bastante bem, com um grande domínio durante toda a época. Achas que é uma divisão de rugby com qualidade? Como recomendarias às pessoas para seguirem-na?

MV. É uma divisão com um fosso grande entre 3 ou 4 equipas que lutam para subir e as que lutam para não descer, este ano fomos superiores mas mesmo assim perdemos dois jogos e tivemos algumas dificuldades em outros. Existem jogadores de varias equipas desta divisão que conseguiam entrar em qualquer equipa da divisão de Honra e mesmo até serem convocados para selecções de XV e 7´s, pena não terem a visibilidade como as equipas de Lisboa.

Foto: Arquivo do Atleta

fpMomento da época para o CR Évora? E para ti?

MV. O momento da época do CRÉ penso foi a vitória contra o Benfica em Lisboa, ganhamos por 3-51 ao segundo classificado, a equipa depois desse jogo moralizou e só já parámos na final. Mas para mim foram dois momentos, foi esse jogo contra o Benfica obviamente e o estágio que tivemos uma semana antes da meia-final, senti que no final do estágio estávamos mais unidos do que nunca e cheios de vontade de fazer história pelo nosso clube. 

fpDiz-nos quem é o placador nato da equipa? E quem gosta de ficar só com um braço no ruck invés de pôr o ombro? Existe o jogador “refilão” do Évora?

MV. A nossa equipa até gosta e sabe defender bem, mas destaco dois, o nosso 2º Centro Duarte Leal da Costa e o António Fonseca, o nosso 7, em relação à segunda pergunta existem vários (risos) não os vou enumerar para não se chatearem comigo. O mais refilão pode se dizer que sou eu, sou dos mais velhos e refilo bastante…

fpUma mensagem para as pessoas do rugby nacional e para a população de Évora.

MV. A única coisa que posso dizer é que apostem mais no rugby, transmitam rugby na TV, façam chegar o rugby a toda a gente porque o rugby é o melhor desporto do mundo. Às pessoas de Évora apenas quero pedir para que compareçam este Sábado as 14h em Setúbal e puxem por nós do inicio ao fim do jogo para juntos conseguirmos trazer o campeonato para a nossa cidade e depois fazer uma 3ª parte como mandam as regras e como só nós sabemos fazer.

Foto: Arquivo do Atleta
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Francisco IsaacFevereiro 14, 201734min4

Desde projectos excepcionais e que visam a integração de todos, à revolução digital e informativa passando pelos problemas institucionais e estruturais, o rugby português tem mais razões de orgulho que tristeza em 2016/2017. O Fair Play apresenta dez pontos de reflexão, celebração e discussão

No final da época de 2016 o rugby português tinha, sem dúvida, caído num certo “abismo” seja na qualidade e decisões das/nas selecções seniores, passando por problemas administrativos e institucionais que infligiram as relações inter-clubes.

Porém, o reinício da actividade “rugbística” em Setembro de 2016 marcou, também, o relançamento para uma era que se espera melhor, mais brilhante e que faça jus aos anos de dedicação, esforço e paixão que centenas de jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos colocaram na modalidade.

O Fair Play (que não tem acompanhado a temporada a nível de jogos e campeonato) apresenta dez pontos sobre o rugby português.

POSITIVO

1- Mais Imprensa sobre e para o Rugby Português

Se há algo que é fundamental para que uma modalidade cresça, é estar sempre nas bocas línguas do “Mundo”. O rugby português não se pode queixar do seu megafone uma vez que contamos com diversos projectos que têm dedicado tempo a explorar os detalhes e pormenores do rugby luso.

Veja-se o trabalho intenso e de alto quilate da equipa de comunicação da Federação Portuguesa de rugby. Até 2015 as redes sociais da FPR não tinham estímulo, pouco exploravam as histórias dos protagonistas do quotidiano rugbístico nacional, não passando de um órgão de lançamento de resultados e de mera constatação de números.

Porém, a direcção de Luís Cassiano Neves (que relembramos que entrou em exercício em Novembro/Dezembro de 2015), fez uma reformulação e reestruturação quer no site ou nas redes sociais. Mais “limpo”, esteticamente mais “moderno” e com outra profundidade, o “passe de risco” foi bem captado pela equipa de comunicação da FPR.

Sob batuta e responsabilidade de Tatiana Contreiras, o facebook e site da FPR está diferente com entrevistas curtas, mas sumarentas, a jogadores do agora ou do passado, a treinadores ou dirigentes, arriscando em artigos diferentes (excelente peça sobre a linhagem Zeferino do RC Santarém), com outra linguagem e dinâmica.

Para além da FPR, 2016 marcou o “nascimento” da Rugby Life Magazine, uma revista bilingue dedicada ao rugby em Portugal com uma pluralidade de artigos, entrevistas e dicas para todos os interessados no Mundo da Oval.

Para além disso, a Eurosport voltou a “receber” o rugby em sua morada, com os jogos de Inverno da França (destaque para Bernardo Rosmaninho que fez uma “pressão” a la All Blacks para que assim fosse) o que permitiu que a modalidade voltasse a estar presente em sinal aberto, algo que não acontecia desde 2007.

A Sporttv mantém a sua aposta no rugby (embora de forma muito escassa e cada vez mais “barrada sob uma camada fina), os compêndios desportivos de sempre, como a Abola e o Record, vão falando sobre o campeonato Nacional, assim como outros pontos de interesse. A Bola na Rede também continua a fazer artigos sobre o rugby de de lá fora, com a entrevista a Filipa Jalles a ser uma das notas mais positivas dos últimos meses.

Isto sem falar do Mão de Mestre, talvez o blog sobre rugby português mais antigo em funcionamento e que tem dado conta dos campeonatos nacionais de seniores, selecção Nacional e os nossos atletas lá fora.

Para além destes órgãos de comunicação social, há o facto dos clubes terem realizado um bom trabalho de partilha e promoção dos vários artigos sobre o rugby português- Um destaque para a página do GD Direito que tem feito não só um trabalho de divulgação do clube de Monsanto, mas também tenta mostrar outras realidades, outros artigos e outros “universos”. É o verdadeiro espírito de partilha e companheirismo do rugby. GDS Cascais, RC Montemor, GD Alcochetense Rugby, RC Santarém (e a página dos Fanáticos) entre outros também têm enveredado por esse caminho, no qual o rugby nacional deve sentir-se orgulhoso.

Não esquecer a importância dos fotógrafos do rugby português, que perdem horas a construir o nosso “baú” de memórias com milhares de captações de imagens e momentos. Seja pelo Rugby Photo Store, ou pelas páginas a nível pessoal (Mêrê Fotografia, Luís Cabelo Fotografia, José Vergueiro Fotografia, Filipe Monte Fotografia, Pai Conde, entre outros tantos!) o rugby tem aqui um dos seus “corações” a palpitar.

Estes têm sido os principais veículos de informação geral, mais “sonantes” e dinâmicos do rugby nacional do momento, que o Fair Play agora aqui partilha e vos faz questão de aqui mencionar.

Foto: Rugby Life Magazine

2- ARS e a formação de novos Lobos

Conhecem a Associação Rugby do Sul? A entidade responsável por criar, organizar e “vigiar” os encontros de rugby de formação entre a Grande Lisboa até ao Algarve, tem estado em voga nos últimos anos.

Na verdade, o impacto da ARS já se sente há muitos anos uma vez que vários atletas da selecção sénior de agora passaram pelos  torneios e selecções regionais da ARS, algo que prova a importância e necessidade de existência deste órgão.

Os números são esclarecedores, uma vez que em 2016 tínhamos cerca de 2000 atletas registados nos clubes para torneios de sub-8.10, 12 e 4, para agora, em 2017, termos números muito similares ainda longe do final da temporada. O que isto significa? Que até Maio de 2017 teremos uma subida gradual do números de participantes em encontros apoiados ou “montados” pela Associação de Rugby do Sul.

Há agora um plano de formação específico para raparigas sub-14 e sub-16, já com um 2º estágio marcado para 28 de Fevereiro, o que também ajuda a perceber o crescimento do rugby de formação feminino, um dos pontos nucleares de futuro do rugby nacional.

Com cinco estágios de Carnaval perspectivados para acontecer, a ARS tem todo um plano em marcha como explica o coordenador-técnico Regional Sul, Afonso Bahia Nogueira,

fp: A ARS está num processo de crescimento acentuado. Notas uma diferença nos números, participações nos encontros e estágios da ARS nos últimos 4 anos? E a que se deve a esse factor?

ABN. Depois de uma quebra do número de inscritos na época 2014/2015 assistimos agora ao crescimento sustentado do rugby juvenil na região sul, neste momento já foi atingido o número final de jogadores Sub-14 da época transacta, um indicador que sublinha que este crescimento. Em conjunto com os clubes a ARS tem como objetivo atingir 2500 Sub-8, Sub-10, Sub-12 e Sub-14.

A estratégia de desenvolvimento regional tem como base o trabalho dos clubes, quer nos treinos, quer na ligação clube-escola-autarquia. O programa Tag Rugby na Escola está com uma nova força, sentimos que os professores estão cada vez mais motivados em torno da nossa modalidade.

É muito importante que a comunidade do rugby saiba aproveitar esta forte ligação com a escola, vários clubes já estão diretamente envolvidos no processo. A região nunca teve tantas jornadas e convívios de jovens a decorrer no mesmo fim-de-semana, é comum realizarem-se mais de 15 atividades numa só semana, os campos estão cada vez mais cheios, esse é o resultado do bom trabalho de treinadores, dirigentes e voluntários dos clubes. 330 raparigas e rapazes tiveram a oportunidade de trabalhar no Estágios ARS de Natal.

Está em marcha um plano de formação de jogadores, árbitros, treinadores, diretores de equipa que pretende capacitar e qualificar de forma contínua todos os agentes desportivos para as necessidades de um rugby moderno e dinâmico. Os clubes e as escola da região sul estão cada vez mais fortes!

Para além disto, a ARS está a preparar um novo “futuro” cada vez mais brilhante para o rugby de formação, com a participação nas Olísipiadas e no apoio aos clubes que estão a lançar os seus próprios torneios (desde da International Bulldog Rugby Cup, ao Torneio Internacional Direito, passando pela Tapada CUP ou, o mais conhecido, o Torneio Kiko Rosa) algo que cria um sentimento de responsabilidade e orgulho nos clubes nacionais.

Falamos da ARS, como poderíamos destacar o trabalho árduo do Comité Regional de Rugby do Centro ou Associação de Rugby do Norte que têm tentado (com sucesso) criar eventos e organizações dinâmicas, que possibilitem surgir novos focos de rugby no centro e norte do país.

Foto: ARS

3- Guilherme Custódio: o Rugby é de e para todos

O desporto deve ser para e de todos, sem dúvida alguma nesta constatação. No rugby nacional não pode e, felizmente, não há esta excepção uma vez que temos “aliciado” a jovens atletas com algum tipo de deficiência (cognitiva, auditiva, entre ouras) a participarem e se envolverem no espírito da modalidade.

Há um caso que vale a pena mencionar, uma vez que poderá ser ele o “chamariz” para que se crie toda uma campanha de “convite” para todos aqueles que se sintam excluídos (por alguma razão que não entendemos qual) da vida desportiva: Guilherme Custódio.

Atleta do Sporting Clube de Portugal (apesar de ter findado as equipas séniores, mantêm-se as de formação), Guilherme tem conquistado o seu espaço na modalidade vincando pela paixão pela bola oval e carinho em poder placar com veemência os seus colegas-adversários.

O Fair Play conversou com o Guilherme Custódio para perceber o que é o rugby para ele, aqui fica a entrevista na íntegra:

fp: O que sentes quando vais para os treinos? É o melhor sítio do Mundo para ti?

GC. Eu gosto muito de ir treinar e jogar rugby. Vou ver os meus amigos, e vou-me divertir. Eu também gosto quando há lama, mas tenho que ter cuidado com os meus aparelhos. O melhor sítio do Mundo para mim, é onde estou com os meus amigos e com uma bola de rugby.

fp: O rugby é diferente dos outros desportos? Como explicas isso?

GC. Sim, é um desporto diferente, pois no rugby a bola é passada sempre para trás. E é um desporto onde temos amigos de outros clubes, e jogamos com eles e não contra eles. Às vezes fico chateado por perder, mas depois vou sempre fazer melhor para ganhar. Os amigos que estão no rugby, no Sporting e nas outras equipas todos se ajudam, pois todos querem fazer o melhor mas com desportivismo e respeito. E o Árbitro é muito importante, para nos ajudar a jogar bem.

fp: Se tivesses de convencer pessoas a vir para o rugby o que dizias?

GC. Digo para virem experimentar, que vão jogar rugby, vão divertir-se e o que mais importante vão fazer muitos Amigos. E que venham com muita vontade… que vão gostar muito de jogar rugby.

São palavras simples, humildes que demonstram o que deve ser o real sentimento (especialmente no nosso estilo “amador”) na modalidade em Portugal. Guilherme é um firme convicto que nada o vai parar, nem mesmo aquela placagem no último minuto… uma deficiência não deve ser um édito de proibição e de renegação, mas sim um obstáculo a ser superado não só pelo atleta mas também pelo seu treinador, colegas, dirigentes e adversários.

Para “fechar” este tema, fomos falar com o pai do Guilherme Custódio, Carlos Carta Custódio um firme convicto que o rugby é um desporto único.

Uma paixão imensa pelo Sporting CP, agora transmitiu essa “loucura” para o rugby, que agora tem um colaborador activo com a modalidade e que tem de ser aproveitado. Efectuámos duas perguntas ao pai de Guilherme e aqui ficam para registo,

fp: Desde o dia que o Guilherme entrou no rugby até a este momento, sentes alguma alteração nele?

CC. Sim, o Guilherme, desde que entrou no rugby melhorou imenso em alguns aspectos. Na escola, e até em convívio com outras crianças – pela dificuldade de comunicação – havia sempre problemas, fossem as crianças, ou os seus papás, que não os queriam perto daquele bebé que gesticula muito. Na escola o seu comportamento, apesar de recaídas, melhorou, tornou-se mais responsável. As notas subiram muito, e ainda se mantêm altas. Ganhou auto-estima e auto-confiança, e aprendeu a ver mais que o seu Mundo Surdo, o rugby ajudou-o a sair desse mundo, ao qual pertence, mas deu-lhe ferramentas de comunicação e experiência para sobreviver, tanto na escola, como nos campos de férias, quer com os amigos no relvado de rugby.

fp: Se pudesses pedir algo ao rugby Nacional (FPR, clubes, ARS, etc) o que seria?

CC. O rugby em geral, e o nosso clube em particular, têm tratado muito bem o Guilherme. Mas acho que se devia apostar mais em levar o rugby às escolas, e não aos liceus. O rugby só pode crescer. se sair da zona de conforto, e procurar outro mercado e outro habitat.

Acho que há clubes com centenas de jogadores nas camadas jovens, e depois há outros clubes que para formar uma equipa não têm jogadores… e não é bom nem para quem tem muitos jogadores, nem para quem não os tem para formar uma equipa.

Eu acho que devia haver, pelo menos nos escalões até  sub16, selecções regionais, e não só a A.R.S. e A.R.N., de modo a permitir mais jogadores terem experiência de rugby fora dos clubes, e com outros colegas; Devia haver uma “Central de Serviços”, onde os clubes pudessem contratar desde lavandaria, compra ou substituição de equipamentos, alugueres de autocarros, terem acesso a clínicas desportivas, encomendas de merchandising, etc.

Eu acho que seria benéfico trazer para estágio em Portugal equipas de formação de clubes grandes europeus, e proporcionar aos nossos jogadores a possibilidade de jogar com esses jogadores.

Foto: Guilherme Custódio Facebook

4- Campeonato Nacional e o crescimento sustentado

Muito se questionou o facto de mantermos ou não, o campeonato no estado presente: 10 equipas, duas voltas, os melhores 6 apuram-se para a fase eliminar. Vários “doutores” do rugby nacional, promoveram apoios à reformulação total do campeonato, passando para dois grupo de 4/6 equipas, com um sistema de subidas/descidas algo “restrito” e que iria quase impossibilitar a subida de divisão de uma equipa que estava no 2º grupo.

Um dos argumentos passava pelo facto de existir uma diferença substancial de qualidade entre as equipas de topo (GD Direito, CDUL, CR Técnico, entre outros) e os que estavam no “fundo” (nesta época por exemplo, Académica, CDUP, RC Lousã e RC Montemor). Uma decisão destas poderia, neste momento, deixar o CDUP, Académica, Lousã e Montemor de fora da disputa pelo playoff de acesso ao Campeonato Nacional, deixando só clubes de Lisboa a discutir pelo troféu.

Uma medida destas cria, acima de tudo, um sentimento de divisão no “seio” da família do rugby nacional e um “ódio” entre o resto do país com Lisboa. Para além das questões técnicas e estruturais, isto poderia levar a que num par de anos os clubes de Lisboa enfrentassem uma possível “revolução” dos restantes.

Mas olhando para o campeonato de 2016/2017, já temos tido algumas surpresas de bom tom, com a Académica a conseguir derrota o CDUL em Taveiro por exemplo. Os vice-campeões nacionais têm enfrentado algumas dificuldades esta temporada, contudo tudo parte de um processo de reestruturação que os universitários conseguirão pôr em marcha e os levará no “caminho” dos  títulos.

A AIS Agronomia parece ter voltado aos seus tempos áureos, com um rugby “agressivo” e intenso ocupando o 2º lugar. Logo atrás surge o GDS Cascais que está num momento de forma de impor respeito, onde o “dedo” de Tomaz Morais já se faz sentir.

CDUP e Académica “sonham” com o apuramento para os 6 finalistas. Ambas as formações começam a “colher frutos” do crescimento e evolução das suas gerações jovens, que agora parecem estar com outra capacidade de resposta.

Aguardamos ainda pelo que o Belenenses pode ou não fazer, já que derrotou a AIS Agronomia em Dezembro de 2016 e  tem atributos bem “engraçados” para se meter na luta. A mescla de jovens com “retornados” (Duarte Moreira está a reaparecer a espaços) pode funcionar a favor do clube da Cruz de Cristo.

E, claro, o GD Direito que é o bicampeão nacional, a equipa a “abater” e que tem lutado com uma formação recheada de qualidade. Mas será suficiente para esta época?

Como conclusão, deixamos uma comparação que pode causar alguns comentários, mas veja-se a Premiership de rugby em Inglaterra: os Exeter Chiefs (que foram crescendo com um investimento privado sustentado ano após ano) há 8 anos andavam pela 2ª divisão inglesa… agora disputam o título (conseguiram ir à final da temporada passada). E mais recentemente, o Bristol que estava destinado a descer de divisão, está, neste momento, a ombrear com os Sale Sharks e Worcester Warriors pela manutenção.

A diferença em termos de economias, financiamento e apoio nas bancadas/clubes é “gigante”, mas não deixamos de poder olhar para o nosso “canto” e perceber que criar grupos de elite em prol de manter uma intensidade e qualidade de jogo (nada garante que assim o seja) é o “caminho” para criar cismas dentro de um “grupo” que já está algo fragmentado.

5- São Miguel e Moita Bairrada: projectos de futuro

Na segunda divisão ou, Primeirona como lhe é atribuído o nome pelo Mão de Mestre, habitam dois projectos de elevado interesse e que merecem um destaque em particular aqui no Fair Play.

Falamos dos Bulldogues do CR São Miguel e da Aldeia do Rugby do Moita Bairrada. A equipa de Alvalade tem dado passos muito curiosos no seu caminho para terem um clube com raízes bem definidas, um público fiel e que pode motivar uma ligação forte entre a região de Lisboa (da Pontinha a Marvila até Alvalade e Lumiar) com o rugby.

A época não tem sido “feliz” para os Bulldogues mas tudo faz parte de um processo que visa ter uma base de jogadores sólida, crente e evoluída tecnicamente para atacar os vários campeonatos nacionais (seja de seniores, sub-18 até aos sub-14) de outra forma.

A primeira “pedra” foi lançada no seu novo estádio, no antigo Complexo Desportivo São João de Brito… e assim nasceram as novas instalações do CR São Miguel, com apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia de Alvalade que fica com mais um clube com “fome” de sucesso e que terá como objectivo pôr o rugby no topo de desportos mais praticados na zona.

Para além do mais, a International Bulldog Rugby Cup vai para a sua 6ª edição, prometendo mais divertimento, interacção e padrinhos numa competição de dois dias com mais de 1200 atletas de formação a participarem (em Abril próximo), com a inclusão de alguns jogos de veteranos e de rugby feminino!

 

Por sua vez, mais para centro encontramos o Moita Rugby Clube da Bairrada. Um clube que habita na Aldeia do Rugby, onde os sonhos são objectivos, os impossíveis são situações que facilmente serão ultrapassáveis num par de anos. Melhor que tudo temos outra força de rugby na Região Centro, o que vai dar ainda mais “voz” à região do Mondego no rugby nacional.

Vejam só o campeonato estrondoso que estão a fazer em 2016-2017, tendo chegado já ao 3º lugar da classificativa ameaçando o CR Évora e SL Benfica na luta pela subida de divisão… e recordem que na temporada passada estavam na 2ª divisão (que significa 3ª).

Como isto é possível? Falámos com Diogo Rodrigues, um dos jogadores deste clube que está a “assustar” a 2ª divisão, para percebermos no que consiste a Aldeia do Rugby.

fp: Como se explica o vosso crescimento?

DP. O nosso crescimento não tem propriamente nenhum segredo, sendo o trabalho a receita para que os resultados vão aparecendo naturalmente. A nossa formação tem sempre grande importância e o clube tem desenvolvido diversas parcerias e ações de divulgação nos centros escolares do concelho de Anadia para que cada vez mais se consigam captar novos atletas e as pessoas estejam por dentro do que a modalidade representa. Esse é um dos nossos grandes esforços.

Toda a nossa equipa sénior provêm da formação do clube, não existem quaisquer jogadores estrangeiros, fundos para pagar a outros atletas, staff ou quaisquer outros “reforços” para ajudar. É o trabalho com o produto feito na Moita que tem conseguido e conseguirá no futuro produzir resultados e consolidar ainda mais o clube.

O clube tem agora um conjunto alargado de treinadores credenciados para o efeito com formação e interesse em formar atletas e pessoas. E também penso ser muito importante sentir o apoio dos nossos patrocinadores e o apoio por parte da Câmara de Anadia no crescimento e desenvolvimento do clube.

A porta da CMA tem estado sempre aberta para o Moita Rugby Clube da Bairrada, não propriamente com fundos monetários mas nos diversos apoios tais como deslocações, equipamentos, infra estruturas. A Aldeia do Rugby é já um marco no nosso Concelho e está dado como certo que quem entra na Moita é para ver Rugby.

fp: Objectivo para esta temporada?

DP. O objetivo desta temporada passava sem dúvida por consolidar e aumentar o grupo de trabalho que, com o regresso do Grupo Desportivo Moitense à competição, pretendia dar competição e experiência a todos os atletas. Passava também por conseguir um lugar no Playoff (6 primeiros lugares) do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, sendo por si só, face a ser o 1º ano nesta divisão um objetivo já alto para a nossa experiência, histórico e estrutura desportiva.

Estando esse objetivo praticamente conseguido faltando ainda 6 jogos por terminar a fase regular, entraremos em campo para vencer todos os jogos e conseguir a melhor classificação possível. Neste momento estamos a 4 pontos do 1º lugar e tudo é possível.

fp: O que define o espírito da Bairrada e da Aldeia do Rugby?

DP. Como jogador de rugby, penso que em qualquer parte do mundo a resposta seria idêntica em pelo menos um aspeto: Família. A família da Aldeia do Rugby é sem dúvida o melhor do que o clube tem e pode dar a todos os que nos visitam, vêm ver os nossos jogos ou demonstram curiosidade em nos conhecer melhor. Somos um clube de Aldeia e temos bastante orgulho nisso.

Temos todos os nossos escalões em atividade desde os sub 8 até à nossa secção de Veteranos, que é também um dos baluartes da moita. Um fator que poderia ser olhado como dificuldade é por nós encarado como oportunidade de desenvolver algo único e com raízes fortes. Toda a gente sabe que no concelho de Anadia existe rugby e que rugby é na Moita. A Aldeia do Rugby tem tudo para ser um caso de estudo de sucesso e de como com pouco se pode fazer muito.

E assim ficámos a conhecer o São Miguel e a Moita Bairrada, ambos clubes recheados de ambição, com planos muito próprios (e similares) para o rugby nacional. Prestem atenção, não desviem o olhar e esperem o melhor de ambas as formações.

Foto: Moita Bairrada Facebook

6- Selecções de Portugal: agora é o futuro

Agora é o futuro da nossa selecção Nacional… é agora ou nunca! A Selecção Nacional tem nesta 3ª divisão a hipótese de se revitalizar, crescer e ganhar “garras” que perdeu nos últimos 6 anos. Não será nada fácil, uma vez que equipas como a Polónia, Holanda ou Suíça farão valer o seu peso na formação ordenada ou no contacto.

Martim Aguiar tem tido uma postura séria, procurando garantir as melhores opções possíveis para os jogos da selecção… ainda estão omissos os grandes nomes “franceses” mas foi garantido que dentro de pouco tempo teremos a ajuda de atletas do Top14 e PROD2 (esperar para ver). Para já temos um jogo importante, em casa, frente à poderosa Polónia. Uma vitória será fundamental.

E nas selecções jovens continua o trabalho intenso e exaustivo de homens como Rui Carvoeira, Luís Pissarra, Francisco Branco, João Mirra e João Pedro Varela, todos eles técnicos das selecções jovens de Portugal.

A preparação para os campeonatos da Europa não tem sido fácil, mas todos estão aplicados ao máximo possível para demonstrar que a formação lusa é das mais “brilhantes” a nível europeu.

Os sub-18 e sub-20 têm qualidade acrescida e esse facto prova-se tanto pelos vários jogadores de 17/18/19/20 anos que andam a jogar quer na Divisão de Honra, na Primeira ou na Challenge Cup.

A aposta nos jovens acaba por reflectir uma vantagem enorme, uma vez que a sua preparação para as exigências da Selecção é superior.

Portugal tem estado pouco nas “bocas” do Mundo, é necessário começarmos a demonstrar que existe a Alcateia, que conseguimos resultados e que estamos no caminho da recuperação e estabilidade.

Não merecerão os nossos jogadores mais jovens isso mesmo? Jogadores como Diogo Cabral, António Vidinha, Vasco Ribeiro, Manuel Nunes, João Vital, Vasco Morais, Gonçalo Prazeres, Fábio Conceição, entre tantos outros, têm de ter condições para prosperar e garantir um patamar superior para o rugby português.

É agora ou… caímos no risco de ficarmos de fora da corrida do rugby mundial, europeu e mediterrânico.

Foto: Luís Cabelo Fotografia

7- Os nossos lá fora

José Lima, Francisco Domingues, Diogo Hasse Ferreira, Francisco Vieira, Adérito Esteves e todos os outros que saíram daqui para tentar a sorte têm dado “cartas” por onde passam.

José Lima é o caso mais “gritante”, uma vez que se impôs com veemência no Oyonnax (equipa que está bem lançada para subir ao Top14), somando já alguns ensaios, várias assistências, assumindo um lugar preponderante na equipa dos Rouges et Noir.

O centro poderá estar à beira de conseguir uma ida até ao Top14, elevando, ainda mais, o nome de Portugal em terras gaulesas.

Francisco Domingues tem sido um “monstro” na primeira linha do Alcobendas Rugby (da zona de Madrid), que “cravou” as suas “garras” no 1º lugar da competição ao fim de 14 jornadas (só uma derrota consentida). O antigo pilar de Agronomia já tinha estado em França (Provence Parc Rugby), tendo apostado numa ida para Espanha onde já se provou importante na 1ª linha.

Após uma lesão mais complicada, Francisco Domingues voltou em força e já vai assumindo a titularidade do clube madrileno.

Mais para norte (ou muito mais para norte), em Inglaterra, habita Diogo Ferreira, um primeira-linha de exímia qualidade que o Fair Play já entrevistou anteriormente. Ligado aos Sale Sharks, o pilar já se estreou pela Selecção Nacional. Recordem a entrevista em: goo.gl/dfJzmV

Adérito Esteves, o veloz e “malabarista” ponta português está em França na Federal 1 (equivalente à 3ª divisão) ao serviço de Tarbes e já marcou um par de ensaios de enorme virtuosismo. É a primeira “aventura” do ponta, formado no RC Oeiras e AIS Agronomia, que atingiu o topo no GD Direito. Após vários anos nos World Series, Adérito está em França para conquistar o seu espaço.

São quatro referências de jogadores que saíram de Portugal e partiram em busca de outros sóis, denotando uma clara paixão pela modalidade e uma vontade de ir mais além. Para além deles, notar a ida de Salvador Vassalo para a Austrália (boa sorte ao asa do GDS Cascais) e de Francisco Vieira que foi para Itália.

Neste último caso, o atleta “aterrou” já em Janeiro em terras do Gran Sasso Rugby e deverá conseguir “fugir” aos exímios placadores italianos.

Para além destes, existem os nossos jogadores portugueses que nasceram ou partiram em tenra idade para terras francesas ou sul-africanas, como o caso de Julian Brady (até à lesão estava a ser um dos destaques do Clermont-Auvergne), Francisco Fernandes, Samuel Marques, Maxime Vaz, Mike Tadjer (época enorme no Agen), entre outros tantos que serão “ferramentas” extramente úteis para o futuro do rugby português.

Foto: Oyonnax Rugby

8- Brown’s: a nova casa do rugby?

Sabem onde diversas equipas de rugby internacional têm ido treinar em Portugal? Algarve. Aonde especificamente? No Brown’s Sports and Leisure Club. Uma “casa” de elevadíssima qualidade e que tem sido o “posto de comando” internacional de Eddie Jones por exemplo.

Quem nunca foi ao Brown’s perde uma oportunidade única de apreciar um local que devia ser uma das “casas-forte” do rugby Nacional: ginásio profissional, piscinas, dois campos de rugby de excelente qualidade, postes profissionais e todo o material que precisam para treinar no máximo da exigência técnica, estratégica e física.

Como mencionámos, Eddie Jones e a selecção inglesa decidiram fazer do Brown’s o seu estaleiro para estágios, vincando toda a preparação em uma semana (sempre o mínimo exigido pela RFU) em terras do Algarve.

Já antes do Mundial de 2007, selecções como a Austrália, África do Sul ou Inglaterra também por lá passaram, ou até antes do Mundial 2015 com a visita da Argentina (onde o GD Direito foi convidado a fazer um treino-conjunto) ao resort do Brown’s.

Não seria importante estimular o rugby no Algarve, implementando um plano sério e forte na região do Algarve com uma base de rugby montada em Vilamoura? O Loulé não merecerá ter competição na região algarvia de forma a ter adversários mais perto de si?

O Brown’s, e os seus gestores, merecem esse “apoio” do rugby Nacional uma vez que podem ser eles a nos ajudarem a dar o salto para outros voos… para uma modalidade amadora, temos condições profissionais que podemos aproveitar sem sermos aproveitadores.


NEGATIVO

9- Sevens e o desinvestimento (para já)

2016 marcou a descida aos “infernos” dos Sevens de Portugal, com a relegação para fora dos World Series, algo que nunca nos tinha acontecido. As críticas, controvérsia e mal estar entre vários clubes e Federação, o problema dos jogadores convocados e a “suposta” renovação geracional de 2015/2016 ou a falta de fundos levou a que ficássemos de fora da maior prova de Sevens mundial.

Desde lá para cá não temos tido quaisquer garantias que os Sevens (masculinos) serão uma “bandeira” da Federação actual.

A presença em alguns torneios, não demonstra um desenvolvimento sério e capaz da variante em Portugal. Para Fevereiro foi marcado um treino da selecção de 7, mas sem que fosse divulgado o objectivo da mesma.

Não seria altura de começarmos a planear os 7’s como a nossa “bandeira”? Verdade que em Portugal jogamos o XV de forma “esmagadora”, reservando os 7’s para uns quantos fim-de-semanas, mas sem um impacto social-desportivo-económico que deveria ter, algo que tem de ser contrariado.

Os fundos escasseiam no rugby português nos dias que correm, contudo o trabalho em conjunto de todos, com um planeamento sério e público (seria interessante ouvir quais os planos reais de competição e planeamento da FPR neste facto) para que todos ficássemos a perceber qual será o destino da variante em Portugal.

Neste ponto, deveremos continuar a ajudar e a dar as “ferramentas” necessárias para que as nossas atletas do rugby feminino de 7’s continuem a crescer e evoluir… quem sabe podemos ter uma selecção portuguesa a disputar grandes torneios.

Para isto precisamos de mais jogadoras, treinadores, árbitras e tornar o rugby português num rugby não de homens, mas de todos!

Foto: HSBC World Series

10- Problemas entre clubes e o comportamento de alguns agentes nacionais

Um dos problemas que iríamos apresentar já foi resolvido, com a renovação dos estatutos da ARS e a eleição dos corpos sociais da mesma Associação. As restantes Associações e Comités (Norte e Centro) estão empossadas e a fazer o seu trabalho diário, semanal e mensal da melhor forma possível.

O que aconteceu na ARS foi um simples bloqueio de vontades por razões não descortinadas… no entanto, esta decisão, altamente criticada por todas as partes, poderia ter complicado a “vida” da ARS uma vez que comprometia todos os projectos (incluído as Olisipiadas e pagamento de técnicos da mesma Associação).

Não podemos dizer é que o mesmo tenha acontecido na Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Rugby. A actual presidência tem feito um trabalho de apresentação – da maioria – dos vários projectos e decisões que tem tomado desde da sua entrada em exercício (Novembro de 2015), esperando participação positiva de todos os agentes e dirigentes do rugby nacional.

Infelizmente, na última Assembleia aconteceram duas situações de altíssima gravidade por parte de um agente directivo de um dos clubes de Lisboa, que enveredou não por uma crítica “normal” (construtiva, com apresentação de problemas e soluções) mas por um “desabafo” irracional que visou atacar o rugby feminino (e as suas atletas) e do facto destas serem um “problema económico” para os clubes e federação… ou seja, um despesismo puro e duro sem qualquer retorno.

Esta declaração, como outras que surgiram (sempre pelo mesmo agente) visaram outros temas e assuntos que muito envergonharam quem marcou presença na Assembleia.

Não há espaço para este tipo de atitudes, comportamentos e declarações no desporto e muito menos no rugby. As declarações proferidas deverão ser revistas para perceber o impacto negativo que as mesmas têm e como “limitar” que este tipo de discursos sejam proferidos no âmbito público.

Liberdade de expressão não significa sujar/enlamear/ofender/desnivelar um aspecto da nossa vida desportiva, social ou humana. Não há espaço para misoginia ou homofobia no rugby, desporto ou na vida.

Os clubes nacionais têm de ter a postura que o rugby é para todos e não só para uma elite, para um género, para um estrato social ou económico, sob o risco de perderem a massa humana necessária para crescermos de forma ritmada e dinâmica.

A Federação actual tem desejos de engrandecer o rugby feminino, uma vez que percebeu  pode ser uma dos “veículos” que promoverá o rugby português a médio prazo. Era ideal que todos os clubes efectuassem este trabalho a nível local, nas escolas e colégios, de forma a termos mais atletas, abrindo novos “sonhos” para o rugby português.

Foto: FPR

Existem mais pontos a destacar, para reflectir e mencionar, mas num artigo que já vai extenso, prometemos regressar em Março com 5 projectos de valor social e desportivo que merecem o nosso foco.  Para além disso, lembrar que o Figueira Beach Rugby já deu o pontapé de saída e que tem como grande objectivo continuar em grande crescimento, com mais equipas de outros países, com mais atletas masculinos e femininos. Para além disso, iremos “visitar” os 5 campos mais emblemáticos do rugby português seja o Estádio Universitário ou o novo campo do RC Santarém da Escola de Cavalaria!

O Fair Play fará especial acompanhamento destes e outros projectos nos próximos meses. Fiquem connosco!

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Francisco IsaacNovembro 30, 20169min0

Lobos e Tupís, voltam a estar juntos num campo de rugby, em Taveiro no dia 1 de Dezembro pelas 15h00; A equipa de Martim Aguiar vai ter que demonstrar o seu “uivo” frente à turma de Rodolfo Ambrósio; Portugal versus Brasil, um jogo para a História da Oval

Portugal versus Brasil, Lobos versus Tupís, uma potência em modo “reboot” versus uma potência “prestes a acordar” para o rugby Mundial. Jogos entre portugueses e brasileiros está sempre recheado de um sentimento forte, intenso e de amizade, já que as ligações entre países se estendem há mais de 500 anos.

Portugal e Brasil nunca esqueceram os seus problemas e convívios, as suas similitudes e diferenças ou os seus conflitos e alianças. Sobretudo, nunca deixaram de ter uma relação suportada por bons valores, uma ética equilibrada e um paixão em estarem sempre unidos.

No dia 1 de Dezembro, na celebração da Restauração da Independência, os Tupís (nome associado à equipa principal do Brasil) viajam até Coimbra para a desforra de 2013. Nesse ano foi Portugal a ir a terras de Veracruz para realizar um jogo amigável, que terminou favorável aos portugueses (68-00). De 2013 para 2016 muito mudou em ambas as selecções, com o Brasil em pleno crescimento, procurando afirmar-se no plano internacional, enquanto que Portugal está a “reiniciar” todo o seu “sistema”, na esperança de voltar aos grandes palcos em 2023.

Como nota de curiosidade, da equipa que jogou em 2013 no Brasil (em Barueri), só dois jogadores chegaram à selecção em 2016: Francisco Magalhães e Gonçalo Uva. O 2ª linha do GD Direito conseguiu inclusivé um ensaio no encontro que opôs Tupís e Lobos. Uma segunda curiosidade é que Julian Bardy foi um dos jogadores a alinhar nesta selecção, assim como Éric dos Santos e Pedro Bettencourt, todos jogadores a jogar em França (e desde Agosto, Adérito Esteves). Na equipa brasileira já houve uma transição mais consistente de jogadores com sete a chegarem a 2016: Guilherme Coghetto, Nicholas Smith, João Luiz da Ros, Lucas Piero, Daniel Danielewicz, Jonatas Paulo e Bruno Garcia.  (Para ver mais sigam o seguinte link aos nossos parceiros do Portal do Rugby: goo.gl/yB3va8).

O Brasil conseguiu derrotar os Estados Unidos da América em 2016, um momento icónico e que pode servir de rampa de lançamento para os Tupís. Infelizmente, na Tour europeia, nem tudo correu bem já que em dois jogos, somaram duas derrotas, sempre frente à Alemanha. No primeiro jogo um 24-21, demonstrou que os brasileiros estão praticamente ao nível da Alemanha, selecção que está na European Nations Cup (considerada como a 2ª divisão europeia de rugby, onde está Roménia, Geórgia, Rússia, entre outras).

Bancada da Língua de Camões (Foto: Portal do Rugby)
Bancada da Língua de Camões (Foto: Portal do Rugby)

Já no segundo encontro, os brasileiros deixaram a equipa alemã chegar ao intervalo com uma vantagem “gorda” (o português-alemão-sul-africano Sebastian Ferreira marcou um dos ensaios), 24-03, e só na segunda-parte tiveram uma reacção mais positiva mas que mesmo assim de pouco serviu. 31-16, resultado final, com a selecção dos Tupís a ter sérias dificuldades em alguns parâmetros do jogo como: defesa activa, formações ordenadas, ataque com apoio e pontapé.

O Brasil tem sérias dificuldades em conseguir realizar um acompanhamento do portador de bola de forma consecutiva, aguentando apenas duas a três fases, para depois perderem a oval numa penalidade ou num turnover. As linhas atrasadas do Brasil e a 3ª linha têm algumas responsabilidades neste sector, já que a confiança entre colegas na hora de garantir o ruck não é a melhor, assim como a falta de comunicação nesses momentos. É um ponto onde Portugal pode explorar se for rápido o suficiente para arrancar a bola do ruck.

Noutro sentido, os alinhamentos serão alvo de uma batalha intensa pelo controlo de bola, uma vez que ambas as equipas têm algumas dificuldades em ter uma eficácia preponderante que lhes permita sair a atacar com rapidez e velocidade. Portugal tem Gonçalo Uva que traz sempre experiência na “luta pelos ares”, enquanto que no Brasil Nick Smith é um belo organizador de operações nos avançados.

Em termos de linhas atrasadas e jogo corrido, valerá a pena ter atenção à forma como tanto o Brasil e Portugal jogam: os Tupís têm um jogo mais anárquico, que tanto exige uma concentração de unidades próximo ao ruck  ou como “esticam” e atacam rápido por meio de Daniel ou Felipe Sancery, com Moisés Duque a ser o “mágico” de serviço (o irmão Lucas está de fora das convocatórias por lesão) e a poder causar estragos a partir da posição 12.

Há, também, o bom jogo ao pé de Felipe Sancery, que pode colocar uma pressão alta no três-de-trás de Portugal (possivelmente composto por João Belo, Duarte Moreira/Manuel Vilela e Duarte Marques) na tentativa de garantir uma conquista no ar ou forçar um erro dos jogadores de Portugal.

O Panzer suprimiu o Tupí (Foto: Portal do Rugby)
O Panzer suprimiu o Tupí (Foto: Portal do Rugby)

No lado dos Lobos, a dupla do CDUL, Francisco Magalhães e Nuno Costa, podem conferir estabilidade, capacidade de choque e um bom trabalho de coordenação (não é a dupla que pode dar mais velocidade ou ritmo ao jogo, mas a mais confiável no momento), delegando a criação de jogo ofensivo em José Limpa e Tomás Appleton, uma duo que pode começar a “crivar” o seu nome no rugby português. Os Lobos vão ter que ser “ágeis” na movimentação defensiva, não podem parar de pressionar alto (os brasileiros dão-se bem com defesas que pressionem de forma lenta e, supostamente, mais reservada) e a placagem tem de ser “agressiva”, ao ponto de conseguir parar o adversário no lugar.

O ataque tem de ser sempre dinâmico, rápido e bem apoiado (ou seja, o normal do que se pede às principais selecções do rugby mundial), onde Duarte Moreira pode fazer a diferença na ponta. O ponta do Belenenses é um jogador que faz uma falta tremenda às selecções nacionais, em que a sua velocidade, sprint e poder no contacto conseguem criar quebras de linha fundamentais para quem quer ir ao ensaio. Do outro lado estará a dúvida entre Manuel Vilela ou Pedro Silvério, ambos jogadores do GD Direito e que trazem boas qualidades para a segurança defensiva na camisola 14. A defesa podia estar um dos grandes jogadores do Técnico, Duarte Marques, um 15 que para além de um bom entendimento do jogo, consegue comunicar e organizar a equipa.

Martim Aguiar optou por José Lima, uma escolha sólida e que pode trazer outros argumentos na posição de defesa. Veloz, incisivo e altamente competente, José Lima ainda tem uma qualidade de pontapé muito trabalhada que pode fazer a diferença na altura de “sacudir” a pressão. A ida de Lima para 15, possibilita a titularidade de Vasco Ribeiro que se tinha estreado contra a Bélgica (amigável) e acabou por marcar um ensaio no seu 2º jogo com as Quinas ao peito frente à Suíça.

Olhando para estes pormenores todos (e haveriam muitos mais para falar ou abrir uma discussão) o jogo entre Portugal e Brasil será um bom “tubo de ensaio” para ambos seleccionadores já que ambas as nações procuram adquirir processos e rotinas que permitam lutar por outro patamar no rugby. Portugal está na 3ª divisão da Europa, tendo começado com o melhor “pé”, com uma vitória frente à Suíça, em casa dos helvéticos. O Brasil por sua vez quer “intervir” no Sul-Americano e no Americas Rugby Championship de outra forma, já que seria importante derrotarem o Chile e Paraguai com “força”, fazer outra “frente” ao Uruguai, naquilo que tem de ser o início do processo para lutarem por uma vaga no Mundial 2023.

O jogo terá transmissão da SportTV (2) às 15:00 directo do Estádio Sérgio Conceição em Taveiro, cerca de Coimbra.

Os XV (hipotéticos) do Portugal-Brasil

PORTUGAL
1- Francisco Bruno; 2- Duarte Diniz; 3- Bruno Medeiros; 4- Gonçalo Uva; 5- João Lino; 6 – Maxime Vaz; 7 – Sebastião Villax; 8 – Pedro Rosa; 9 – Francisco Pinto Magalhães; 10 – Nuno Penha e Costa; 11 – Duarte Moreira; 12 – Vasco Ribeiro; 13 – Tomás Appleton; 14 – Pedro Silvério; 15 – José Lima

16 – João Côrte-Real; 17 – Duarte Foro; 18 – José Conde; 19 – Miguel Macedo; 20 – José Fino; 21 – João Belo; 22 – Duarte Marques; 23 – Manuel Pereira.

BRASIL
1 – Alexandre Alves; 2 – Yan Rosetti; 3 – Wilton Rebolo; 4 – Lucas Piero; 5 – Gabriel Paganini; 6 – Matheus da Cruz Daniel; 7 – Cleber Dias; 8 – Nick Smith; 9 – Beukes Cremer; 10 – Guilherme Coghetto; 11 – Stefano Giantorno; 12 – Moisés Duque; 13 – Felipe Sancery; 14 – Mateus Estrela; 15 – Daniel Sancery

16 – Daniel Danielewicz; 17 – Jonatas Paulo; 18 – Flavio Chuahy; 19 – João Luiz da Ros; 20 – Joabe Souza; 21 – Bruno Garcia; 22 – Luan Smanio; 23 – Robert Tenorio

Em terras Helvéticas (Foto: FPR)
Em terras Helvéticas (Foto: FPR)

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