Arquivo de Toulouse - Fair Play

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Francisco IsaacNovembro 16, 201611min0

Com a primeira volta do Top8 prestes a terminar, Maria Heitor enfrentou novos adversários, jogou em outras posições e viajou por França fora. Este é o Diário do Atleta de Maria Heitor Episódio III, a Loba à conquista de Lille

O mês de Outubro chegou com três grandes desafios e um só objectivo. Subir ao primeiro lugar do campeonato que nos escapava por dois pontos bónus concedidos ao Saint Oraes.

Após dois fins-de-semana de repouso, atacámos três jogos seguidos. O primeiro contra uma equipa aparentemente mais acessível. Aparentemente! Mas que tinha feito uma dupla contratação de luxo. Duas jogadoras da selecção fijiana de sevens que tinham participado nos jogos olímpicos (terceira linha e ponta). O estilo fijiano bem entrosado no estilo de XV francês… bola viva, passes depois da defesa, trocas de pés do «outro mundo» … dando uma nova dinâmica ao Stade Rennais.

Para mim, a estreia da época a titular. Super feliz de voltar à terceira linha titular, só me restava provar aos treinadores que merecia aquela titularidade.

Dia de jogo! Recebemos o Stade Rennais em nossa casa. Grande dia de rugby em Villeneuve D’Ascq. As quatro equipas seniores (duas femininas, duas masculinas, A e B) recebiam 4 equipas. A família do LMRCV estava lá toda!

Titular pela 1ª vez a Asa… para acabar a Pilar!

A minha camisola de jogo foi entregue por uma das minhas melhores amigas da equipa. Acho que nunca falei da entrega das camisolas… para mim é um dos momentos mais marcantes do jogo. Antes do aquecimento, a equipa reúne-se em roda no balneário. A capitã faz o discurso antes do jogo e as camisolas estão no meio da roda. No fim do discurso, uma jogadora toma a iniciativa de dar a primeira camisola. Pega numa camisola à sua escolha e vai dar à jogadora respectiva, diz-lhe duas ou três frases, dão um abraço, um beijinho e a jogadora que recebe a camisola pega na próxima e assim sucessivamente até ao fim. É um dos momentos mais emocionantes do jogo. Emoção, lágrimas e sorrisos estão sempre presentes.

Após a entrega das camisolas, seguimos para concentradas para o aquecimento. Uma primeira parte dada pelo preparador físico e uma ou outra revisão de saída de touche, formação ordenada ou pontapé de saída, orientada pelos nossos treinadores. Estávamos prontas para jogar. Um começo meio duvidoso, em que a bola esteve sempre do lado do nosso adversário. Uns primeiros dez minutos em que percebemos que o jogo não ia ser assim tão fácil e que se queríamos manter o nosso objectivo do ano tínhamos que ligar o «turbo». Assim o fizemos, dominámos o jogo durante os 30 minutos seguintes. Chegámos ao intervalo com um resultado de 13-6. No intervalo fazemos uma substituição e passo da terceira linha para pilar (nº1). Confesso que não é a minha posição preferida… adoro jogar a asa. Mas para mim o mais importante é ter a oportunidade de estar dentro de campo. Na segunda parte o Rennes cresceu e conseguiu marcar duas vezes. Ao mesmo tempo nós respondemos com dois grandes ensaios também. Resultado final 23-18. Vitória curta que permitiu ao nosso adversário acumular um ponto bónus defensivo.

Maria Heitor a partir barreira (Foto: Eric Photos)
Maria Heitor a partir barreira (Foto: Eric Photos)

Consegui, neste jogo, alcançar um dos meus objectivos pessoais. Pela primeira vez, desde que cheguei a França, fiz um jogo completo, 80 minutos. Fiquei super contente! No final do jogo, devido a uma situação atípica tivemos de dar a nossa camisola de jogo à equipa de reserva. Cada jogadora «ofereceu» a sua camisola à jogadora da equipa B que jogava na sua posição. Acabou por ser um momento emotivo para todo o clube que, ao mesmo tempo, mostrou que o desporto feminino está uns passos atrás do masculino. Infelizmente…

Com uma nova semana pela frente e uma responsabilidade acrescida… a procura do primeiro lugar do campeonato que continuava a fugir por dois pontos bónus. O jogo contra o líder do campeonato. O Saint Oraes recebia-nos em casa para a disputa da liderança. Uma semana para afinar os pormenores e adaptar o nosso projecto de jogo à equipa que íamos enfrentar. Evitar mauls e proteger bem as «portas» do ruck eram palavras de ordem. Esta equipa é conhecida por aniquilar todas as equipas na conquista de bola em pé, conquistam metros e metros graças ao seu poderoso pack avançado. De jogo bem estudado atacámos o fim-de-semana. No sábado, dez horas de comboio pela frente… Partida de Lille às 8h30 com uma chegada prevista as 18h30 a Toulouse. Uma viagem exaustiva antes de um grande jogo. Chegadas ao hotel só queríamos jantar e ir descansar. Depois do jantar temos um momento de recuperação muscular com o preparador físico e fisioterapeuta (roll out, alongamentos, massagens de recuperação) e a seguir duas a duas voltamos para os nossos quartos para finalmente podermos dormir.

8h da manhã, a equipa encontra-se na sala de pequeno-almoço do hotel. Após esse momento fazemos uma pequena reunião para tratar dos últimos pormenores, seguindo-se um acordar matinal do corpo com o preparador físico, que se baseia em corrida ligeira, movimentos calmos de todas as articulações, alguns passes, algumas revisões de touches ou jogadas de ¾, etc… Voltámos a reunir para comermos mais qualquer coisa antes do jogo e partimos para o estádio. No autocarro recebo uma pequena mensagem de incentivo de uma colega de equipa escrita num papel. Duas jogadoras da nossa equipa decidiram escrever uma mensagem pessoal a cada jogadora antes deste grande derby. Afinal era um dos jogos mais importantes que tínhamos pela frente e tudo o que nos pudesse motivar era bem-vindo. Além da liderança a disputar.

A forma de atiçar do Blagnac

Ao chegarmos a Blagnac, juntamo-nos no centro do campo em roda, os treinadores dizem as últimas palavras antes do jogo. Voltamos para o balneário e começamos a equipar. Antes da passagem do árbitro no balneário temos a entrega das camisolas e seguimos para o aquecimento. Depois do aquecimento volto para o balneário um pouco depois da equipa e deparo-me com uma situação esquisita… a minha equipa estava toda com as camisolas do clube que íamos enfrentar… olhei para a minha capitã que baixou a cabeça e me disse: pois vamos ter de jogar com elas. Não estava a perceber bem o que se estava a passar, até que me explicaram: tínhamos trazido uma camisola de jogo branca, tal como a equipa da casa. A solução mais prática seria o Blagnac jogar com o alternativo, uma vez que não tínhamos as nossas… mas recusaram tal ideia (o Blagnac) a trocar por causa dos patrocínios estampados, então a solução foi darem-nos a camisola alternativa.15058731_10154552856316368_1430483457_n

A minha equipa estava revoltada com toda a situação… primeiro porque tínhamos pedido um adiamento do jogo por causa dos horários de comboios (podem imaginar que Toulouse-lille é uma viagem com uma logística complicada em comboio) que não nos foi concedido, depois porque nos privaram de jogar com o nosso símbolo ao peito… esta frustração foi transformada em motivação por toda a equipa e entrámos mais focadas que nunca. Dominámos o jogo, touches, formação ordenada eram todas nossas, anulámos a sua supremacia nos mauls e rucks. Levámos apenas 3 faltas durante o jogo (o sonho de qualquer treinador). Tivemos quase sempre a bola na nossa mão. Infelizmente nem sempre conseguimos concretizar. Mas fizemos o suficiente para sair de Blagnac com a liderança do campeonato.

Eu fiz a minha estreia deste ano a pilar titular… não sou uma pilar experiente e mesmo as minhas colegas de equipa «gozam» a dizer que não tenho «gabarito» para jogar na primeira linha….  Estava assustada com as formação ordenada… mas sabia que tinha comigo mais 7 jogadoras. E dominámos! Pela primeira vez desde que o campeonato começou, dominámos as formação ordenada! Segundo as nossas suplentes, os olhos do nosso treinador dos avançados brilhavam em cada formação ordenada. Um dos nossos ensaios é resultado de uma formação ordenada que avança até à área de ensaio. No final do jogo, e mais uma vez 80 minutos feitos, estava como costumamos dizer aqui, «au bout de ma vie», ou seja, morta… imaginem que mesmo depois do banho, as minhas pernas e braços ainda tremiam.

Au Bout de Ma Vie… ou um anúncio de Missão Cumprida!

Os treinadores vieram pessoalmente dar-me os parabéns pelo jogo que tinha feito. Mais uma vez fiquei super feliz. Não é todos os dias que eles dizem estas coisas…

Jogo acabado, ainda nos faltavam 10 horas de viagem pela frente. Enquanto os treinadores faziam as estatísticas do jogo, nós festejávamos no bar do comboio.

Penso que nunca falei das estatísticas. Os treinadores fazem sempre a análise dos jogos: Tempo de jogo, número de placagens tentadas, número de placagens conseguidas/falhadas, formação ordenada contra ganhas, formação ordenada contra perdidas, formação ordenada nossas ganhas, formações ordenadas nossas perdidas, touches contra ganhas, touches contra perdidas, touches nossas ganhas, touches nossas perdidas, bolas perdidas e como, bolas ganhas e como, número de vezes que vamos ao contacto (bem sucedido, mal sucedido mas que não perdemos a posse de bola, mal sucedido e que perdemos a posse de bola), número de vezes que somos o primeiro apoio ao portador da bola no contacto (bem feito, mal feito mas que não perdemos a posse de bola, mal feito e que perdemos a posse de bola). As estatísticas do jogo são divulgadas a toda a equipa durante a reunião e a preparação do jogo seguinte.

Vitórias e mais vitórias (Foto: LMRCV)
Vitórias e mais vitórias (Foto: LMRCV)

Acabada a semana como líder do campeonato, os treinadores deram-nos a segunda-feira de descanso para recuperarmos da viagem e do jogo. Com apenas dois treinos de preparação ainda nos faltava um jogo para acabar o mês. Este com um sabor especial… a visita da minha mãe. Era a primeira vez que ela me ia ver jogar aqui em França, confesso que estava um pouco nervosa mas ao mesmo tempo com um sentimento reconfortante pela sua visita. Depois de dois treinos a acertar os pormenores para enfrentarmos da melhor maneira o jogo, encontrámos-nos no domingo bem cedo. 5 horas antes do jogo. Os treinadores fazem uma última análise do nosso projecto de jogo e partimos para o campo para fazer uma movimentação colectiva muito ligeira de 30 minutos. Partimos para o restaurante onde almoçamos todas juntas antes do jogo e voltamos para o clube. 50 minutos antes do jogo o árbitro vai ao balneário falar com os primeiras linhas e formação e verificar chuteiras e protecções, 45 minutos antes fazemos a entrega de camisolas e 40 minutos antes saímos para o aquecimento.

Só vitórias e mais vitórias!

Infelizmente, no inicio do aquecimento sinto uma picada na coxa o que me limitou durante o jogo e não me permitiu jogar como queria.

Depois de um grande teste na semana anterior, 80 minutos a pilar, tinha outro enorme pela frente… enfrentar cara a cara a pilar principal da selecção francesa de XV. Uma pilar «do outro mundo» que me deu muito trabalho e que me mostrou que em França a formação ordenada não é brincadeira… é incrível como os franceses apostam tanto na formação de pilares no alto nível. Resumidamente, levei um “banho” de técnica de formação ordenada dela! Apesar disso, objectivo cumprido! 34-5! Vitória com ponto bónus o que nos permitiu destacarmos-nos bem no primeiro lugar.

Assim acabou mais um mês do nosso campeonato. Para terminar a primeira fase de apuramento ainda nos falta um jogo contra o Bobigny que será disputado fora, domingo dia 13 de Novembro.

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Francisco IsaacOutubro 20, 201615min0

Primeira jornada e logo algumas surpresas ao jeito da Champions Cup: Warriors “caçam” Tigers, Saracens quebra com o recorde do Toulon, Connacht não verga ante o Stade, Leinster em grande e Clermont, de Bardy, envia uma mensagem aos candidatos. Esta foi a 1ª jornada em 5 pontos

Daqui até ao final da fase de grupos, iremos falar da European Champions Cup em 5 pontos, em alusão a cada uma das Pools da competição mais importante de clubes de rugby da Europa. Em cada ponto abrimos questões, falamos do jogador da jornada do grupo, destacamos um ensaio ou falamos em estratégias.

A Estratégia: NEVER TRY TO TACKLE A WARRIOR IN GLASGOW

O jogo mais “badalado” da competição, uma vez que os Glasgow Warriors tiveram a audácia de derrubar um antigo campeão da competição em casa… 42-13, a favor dos escoceses deixando os Tigers de Leicester num estado catatónico e sem possível contra-reacção. Até foram os ingleses que começaram melhor com uma penalidade, ensaio e conversão entre os 5-20 minutos de jogo, metendo o resultado para um bom 10-03 em casa dos escoceses. Porém, a estratégia de Gregor Townsend entrou em marcha e os Warriors rapidamente foram tirando fôlego à defesa dos Tigers que se viu por largos minutos remetida aos seus 22 metros. A estratégia do treinador escocês (lembramos que em 2017 assumirá a Selecção da Escócia em substituição de Vern Cotter) passava por ter os avançados como as unidades mais móveis, atacando rapidamente a linha de vantagem, onde Pyrgos com os seus passes bala encontraram sempre alguém embalado que escolhiam, de propósito, o sector mais “frágil” da equipa de Leicester que era entre o jogador-poste do ruck e o que seguia ao seu lado… sempre que alguém recebia a bola, batiam o pé para dentro e criavam uma situação de rotura defensiva que dificilmente os ingleses conseguiram “reparar”… as falhas começaram a surgir na linha de defesa, os Warriors cada vez mais embalados, motivados e com alta crença que a estratégia ia resultar… uma, duas e três e os ensaios começaram a surgir.

Sarto aproveitou uma bela entrada de Finn Russell, para “sacar” a bola do ruck e sair disparado para a área de ensaio. Depois Fraser Brown culminou uma estupenda jogada de toda a equipa, com os Warriors a “balançarem” a bola entre si, obrigando os Tigers a desconjuntarem-se e procurarem a defesa individual invés de se manterem um grupo defensivo coeso, abrindo uma “brecha” suficientemente boa que Fraser Brown aproveitou. Daí para a frente foi sempre a somar, com um ataque bem montado, onde o apoio ao portador da bola era de extrema qualidade, a velocidade de pés e vontade de surpreender dos avançados era de se louvar e as linhas atrasadas aproveitaram cada “nesga” para ganhar metros que se foram acumulando no score. A defender foram imperiais, já que montaram um sistema que deixou os Tigers desesperados, obrigando-os a arriscar no passe o que levou a mais dois ensaios da equipa da casa por Mark Bennett (aos 67′) e Sarto (aos 75′). Cinco pontos, vitória categórica e a primeira surpresa na primeira jornada… conseguirão os Warriors repetir a façanha neste fim-de-semana? Para mais ver o seguinte artigo já que se trata de uma análise bem detalhada da estratégia e gameplay dos escoceses: goo.gl/cpHngM

No Warriors left behind (Foto: The Guardian)
No Warriors left behind (Foto: The Guardian)

O Jogador: LIKE A GOOD WINE, BARDY GET’S BETTER WITH AGE

F-E-N-O-M-E-N-A-L… é esta a palavra que melhor descreve a grande exibição de Julien Bardy em Exeter, onde o seu Clermont decidiu limpar os Chiefs por 35-08. O asa português “ceifou corpos”, declarou uma ode à placagem sem descurar a elegância com a oval na mão. O ASM Clermont tem vindo, desde o início de época, a demonstrar um nível soberbo no rugby francês com uma capacidade para derrubar qualquer adversário, já que o seu rugby de excelente pace, visão de jogo acutilante e formas de garantir uma defesa “fresca” têm permitido dominar o Top14. Neste jogo em específico, Bardy somou 25 placagens (falhou mais uma) e ainda “cavou” dois turnovers, numa exibição quase imaculada, já que cometeu duas faltas (no meio-campo do adversário). Melhor que tudo foi o sentido posicional do asa português, que soube atacar bem o ataque algo “monótono” dos Exeter Chiefs, destruindo as várias  tentativas e movimentações (pouco velozes ou sem grande capacidade perfurante) dos ingleses demonstrando uma capacidade de apoio ao portador da bola que parecia ter desaparecido na última temporada.

Bardy tem feito um início de época assombroso com vários destaques e recordes somados na defesa (placagens), sendo uma peça fundamental do XV de Franck Azéma. Para além desses “pontos” na defesa, Bardy foi autor do 1º ensaio da sua equipa (apareceu a apoiar à ponta Noa Nakaitaci) para além de mais 8 carries, 20 metros percorridos e uma quebra de linha. Se o Clermont mantiver o ritmo… dificilmente os vão parar na fase-de-grupos e, quem sabe, não teremos os franceses nas meias-finais/final da competição… mas ainda é cedo para “vendermos sonhos” e promessas. Para Julien Bardy pode ser a época de “regresso” ao que era o grande asa dos Jaunards!

Le noveau Bardy (Foto: The Telegraph)
Le noveau Bardy (Foto: The Telegraph)

O Streak: A CHAMPIONS IS ALWAYS A CHAMPION

Como se esperava a super equipa dos Saracens de Londres entraram a “matar” na competição, abatendo o RC Toulon, que jogava perante o seu público. Acima de tudo um streak foi “desfeito” no Stade Mayol e que já vinha a ser “engordado” há uns bons e belos anos: o RC Toulon nunca tinha perdido em casa para as competições europeias, ou seja, desde 2010/2011 que não registaram qualquer derrota nos 28 jogos que jogaram em França, algo inacreditável para os dias de hoje. Mas, todos os recordes e streaks são para serem quebrados, um desafio que os Saracens meteram na cabeça que iam conseguir. Uma exibição de gala garantiu uma vitória por 31-23 no lançamento da fase-de-grupos. Exibição de gala de Owen Farrell (está com um pontapé bem afinado e um organizador de jogo de alta categoria), que foi um autêntico rei na “casa” que fora de Johnny Wilkinson por três temporadas, com 16 pontos (4 penalidades e 2 conversões) e uma assistência para ensaio, num jogo em que os Saracens chegaram ao intervalo a ganhar por 28-09.

Ensaios de Sean Maitland (grande trabalho do impressionante Maro Itoje na conquista de metros), Wigglesworth (saída de 8 na formação ordenada de Vunipola para depois Jamie George completar um belo offload a assistir o formação) e Chris Wyles (jogada de grande nível entre Farrell e Bosch) nos primeiros 40′ ditaram uma vantagem bem confortável para os londrinos que entraram para a cabine com essa vantagem, para além do RC Toulon ter entrado para a 2ª parte com menos fruto do amarelo a Ma’a Nonu (placagem perigosa do neozelandês). Os “milionários” ainda tentaram “acordar” e fizeram uma recuperação de 14 pontos na 2ª parte, só que os Saracens agarraram-se e lutaram contra todas as investidas “imaginadas” por Trinh-Duc com Vunipola a terminar com 17 placagens e 3 turnovers (MVP), Maro Itoje com 13 e George Kruis com 12. O streak dos franceses foi “desfeito” pela cimitarra dos Saracens que parecem estar aí para manter a Europa sob o seu controlo.

Farrell contra o strak (Foto: David Rogers/Getty Images)
Farrell contra o strak (Foto: David Rogers/Getty Images)

O Jogo: CONNACHT A BOX OF IRISH DELIGHTS

Foi sem dúvida a semana das surpresas, já que para além da vitória dos Glagsow Warriors tivemos o Bordeaux-Bégles (vitória categórica frente ao Ulster) e o Connacht que derrubou outra equipa lendária da competição, o Stade Toulousain aka Toulouse. Pois é, a equipa de Pat Lam que tinha surpreendido meio-Mundo com a conquista da PRO12 em 2015/2016, voltou ao convívio dos “grandes” com uma vitória gloriosa ante o Toulouse. Com as bancadas do SportsGround Galway completamente cheias (8,100 pessoas), a equipa do Connacht viu-se a perder logo a partir dos 6′ com uma penalidade bem convertida por Bézy. Os franceses chegaram aos 19 minutos a ganhar por 09-00, com um rugby muito pragmático, fazendo uso das entradas dos seus avançados em formato curtopick‘ go, o que obrigou os irlandeses a terem profundas dificuldades em virar o domínio territorial e dos avançados franceses… todavia, apareceu o herói da tarde, Bundee Aki, o neozelandês que torna qualquer jogada numa movimentação de alto perigo crítico para quem defende… à passagem dos 19′, Aki recebe uma bola de Jack Carty e mete toda a linha do Toulouse a tentar placá-lo, passando por um, escapando de um segundo e enganando um terceiro, com um offload de requinte que permitiu Caolin Blade seguir a jogar para depois em dois passes chegar às mãos do nº14, Niyi Adeolokun, para o primeiro ensaio da tarde. A partir daqui o equilíbrio foi repartido e entrámos na “sessão de cortar a respiração”. O Toulouse ia espalhando o terror através dos alinhamentos com Richie Gray a saltar bem nas alturas e a sair a correr, para no momento seguinte vermos Yann David a tentar forçar uma quebra de linha, apesar das placagens de Aki ou John Muldoon. A oval começou a cair “redondinha” nas mãos do Connacht que tiveram mais tempo com ela e tentaram criar situações que dessem o tão desejado segundo ensaio. Infelizmente, para os homens de Lamb, na primeira parte só conseguiram converter duas penalidades, enquanto que o ataque mais “mordaz” e eficaz do Toulouse lhes garantiu dois ensaios e uma conversão.

O 2º ensaio dos franceses foi um “mimo” de Houget, com o ponta internacional pela França, a bailar e fazer a equipa de Galway cair ante si, para depois verem Doussain a receber a bola e a cair entre os postes… 21-11 e o jogo parecia assegurado pelos franceses. Depois veio a “montanha” a la Connacht, que decidiram meter o Toulouse a vivenciar aquele rugby ardiloso e que esmaga qualquer “gigante” do rugby europeu: aos 58 O’Halloran recebeu uma bola perto da linha de fora e conseguiu quebrar a linha, perante um Toulouse que ficou na expectativa, permitindo ao veloz nº15 trocar os pés, meter velocidade e aguentar o 1º impacto para depois saltar para dentro da “caixa”. O ensaio até tinha nascido “coxo”, com a oval a andar aos saltos entre o chão e as mãos dos jogadores irlandeses. Mas o ensaio estava feito e aí vinha nova cavalgada, desta feita e mais uma vez, por Aki. À passagem do minuto 67′, as duas formações estavam perto do “arrastar” físico (jogo muito “pesado” para ambas, especialmente entre os 8 avançados de cada equipa), com o jogo a ter já poucas aberturas à ponta ou arrancadas de alta velocidade, o que beneficiou Aki, que recebeu uma bola aparentemente sem grande expressão… o nº13 viu o espaço, meteu uma marcha acelerada e com um handoff e um aguentar de impacto de classe, seguiu para a linha de ensaio… Galway veio abaixo, era uma estocada no Toulouse, aquela equipa que tem 4 estrelas de campeão europeu e que estava perto de ser vergada pelos “pequeninos” do Connacht. A conversão bem sucedida… viveram-se 10 minutos de sofrimento, com as duas formações a querem a mesma coisa, a vitória.

Doussain já não tinha a mesma velocidade nem de pernas nem de mãos e não conseguiu fazer mexer os seus colegas, o que beneficiou o Connacht que é uma equipa unida e que não inventa nestes momentos de maior perigo… aguentaram duas investidas na formação ordenada do Toulouse, não caíram ou cederam à pressão e garantiram a bola… 80′ chegou, a buzina soou e o Connacht despachou a oval para fora do campo. 23-21, a equipa inovadora de Lamb abate o eterno candidato Toulouse de Ugo Mola.

O Regresso: THE MEN IN BLUE LIVE

Leinster, como a Europa tinha saudades do rugby vibrante da equipa que fora, em tempos, de Brian O’Driscoll. Os Men In Blue lá voltaram aos grandes na “orla” europeia e conseguiram conquistar uma vitória bonificada frente ao Castres Olympique. Foi um comeback ao estilo que os irlandeses de Dublin precisavam, já que estão há algum tempo fora das grandes glórias europeias (2013 foi o último ano que conquistaram uma prova na Europa, com a conquista da Challenge Cup) e precisam de voltar a esse “trono” o mais rápido possível. No jogo frente ao Castres, o bloco avançado dominou por completo nas fases estáticas (10 alinhamentos e 7 formações ordenadas 100%, para além de um “roubo” de bola no alinhamento do Castres e forçaram duas penalidades na formação ordenada dos franceses), tendo Sean Cronin (por duas vezes) e Jack McGrath conseguido um ensaio cada, o que prova que foi através do sector dos avançados que o Leinster catapultou para a vitória.

O Castres pouco conseguiu fazer, sentiu grandes dificuldades em aguentar com a enorme pressão dos 5 da frente irlandeses e com a mobilidade da 3ª linha do Leinster, para além da velocidade do capitão, Isa Nacewa, que “tramou” na 2ª parte a equipa francesa, que ainda assim somou 15 pontos em casa dos Men In Blue. Mas isto é um regresso curto ou é mesmo para ficar? Sem Sexton e O’Brien, ainda a “contas” com pequenas lesões, a equipa do Leinster tem estado num revivalismo que pode ser fundamental para atingirem novos desígnios tanto a nível nacional (PRO12) como na Europa (Champions Cup). Rugby prático, inteligente e fortemente inspirador, é este o princípio que Leo Cullen quer que os seus jogadores imponham a cada jogo, a cada metro, a cada segundo desta época. Para os adeptos do Leinster, o 33-15 pode ter sido um anúncio de regresso… mas, para o Fair Play, ainda é muito cedo para acreditarmos no comeback daquela equipa que apaixonou a Europa.

In the Forwards lie the secret (Foto: Irish Times)
In the Forwards lie the secret (Foto: Irish Times)

Menção Especial: GOODBYE BIG ANTHONY

É um sentido adeus a um asa que não era fenomenal no jogo aberto, mas era um senhor no trabalho curto, na entrega e no motivar dos seus colegas. Anthony Foley é, talvez, o maior símbolo do Munster dos últimos 30 anos, província pela qual jogou a carreira toda tendo conquistado títulos na Celtic League/PRO12 assim como na Champions Cup. Um placador exímio, punha sempre o seu corpo on the line sofrendo as consequências que fossem necessárias para carregar a sua província e Selecção ao mais alto pedestal. Em 2014 conseguiu chegar ao cargo de sonho, assumindo o lugar de treinador principal dos Stags e tentou deixar a sua marca no Munster. Não sabemos qual teria sido o desfecho desta época com Foley no “leme”, pois o campeonato está altamente “quente” e na Champions Cup dificilmente conseguirão fazer “mossa”. Porém, em todos os jogos dos irlandeses o espírito e ideais de Foley transpareciam e marcavam, sem dúvida alguma, os jogos do Munster. Seria a 3ª temporada de Anthony Foley ao serviço do Munster e o seu “desaparecimento” vai deixar um vazio na Irlanda, na Europa e no mundo do Rugby. O Munster lutará pelos metros com Foley na memória e os restantes adeptos farão odes ao asa e treinador que marcou o rugby pela sua sagacidade, força e motivação de querer fazer mais e melhor a cada jogo, a cada ano, a cada novo desafio.

Para ver as tabelas classificativas siga o seguinte link: goo.gl/DZ9I2S
Para ver a próxima jornada siga o seguinte link: goo.gl/ORDqbh
Para ver os Highlights dos vários jogos ver: goo.gl/rj1d4P

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Francisco IsaacOutubro 18, 20166min0

Um mês passou desde do Episódio I e muito se passou na vida de Maria Heitor, a loba em terras gaulesas; O reencontro com os maiores rivais da competição, a ida à Selecção de 7’s e o reingresso na vida Académica. Acompanhe o Episódio II

Após o primeiro grande impacto competitivo, passámos os três treinos da semana a afinar os pormenores menos positivos do jogo que fizemos contra o Clermont, para recebermos o Stade de Toulousain em casa. Combate e defesa foram os pontos mais trabalhados. Ao mesmo tempo, lancei-me numa nova aventura. Faculdade! Em francês! O clube fez-me uma proposta para integrar a Universidade de Lille. O curso… Educação e Motricidade, o equivalente a Educação Física no ensino português, para ter mais uma ferramenta na minha mão no fim desta aventura.

Além da faculdade e dos treinos diários, completo o meu dia com o trabalho. Gerir tudo não é pêra doce mas acaba por ser um desafio super interessante e permite-me de aprender o bom francês, escrito e falado. Nos primeiros dias de faculdade, parecia uma barata tonta… entre andar perdida pelos corredores, estar atenta às aulas (em francês!!!), tirar os apontamentos, orientar os primeiros trabalhos, voltar a fazer actividades desportivas como o atletismo, a ginástica e corrida de orientação… a idade já não é a mesma e o corpo já se queixa!!!

Regresso à Faculdade para novos “sonhos”

Após a primeira semana de aulas e depois de uma corrida de orientação matinal, recebemos o Toulouse. Um jogo muito duro! A equipa do Stade Toulousain pode não ser o campeão em título (recordar que somos nós, o Lille) mas é uma das formação mais antigas e lendárias do rugby francês. Sei que o exemplo pode ser algo “infeliz”, mas a equipa feminina do Toulouse tem cerca de 5 mil likes no Facebook enquanto nós só temos 3 mil. Por isso a História contra a Actualidade… O Toulouse vinha com um objectivo, bater as campeãs em título na sua própria casa.

Conseguiram impor o seu jogo nos primeiros 30 minutos, até que acordámos e finalmente impusemos o nosso e conseguimos esclarecer o jogo. Foi complicado entrarmos no nível de combate que o Toulouse exigia. Já vinham com uma boa bagagem de jogos de preparação (tiveram a oportunidade de fazer 5 jogos amigáveis antes de começarem o campeonato). Ao longo do jogo o Toulouse impôs a sua supremacia, especialmente a nível dos avançados, dominando a maioria das formações ordenadas, pondo-nos a correr atrás do prejuízo.

O resultado podia ter sido melhor mas saímos com o objectivo cumprido, a vitória! Individualmente senti que podia ter feito mais, joguei só a 2ª parte e acabei por não estar tão bem como tenho a certeza que devo estar. Errei em algumas situações, perdi a concentração noutras, tenho de gerir melhor a minha intensidade quando saiu do banco de suplentes ou quando começo a titular. Mas como disse, o que interessa é a vitória!

Ao serviço de Portugal (Foto: Neil Kennedy)
Ao serviço de Portugal (Foto: Neil Kennedy)

Não estivemos ao nosso nível no Europeu…

Em 3 semanas 3 jogos afilada. Seguia-se o Montpellier. Não pude estar presente neste jogo porque foi no mesmo fim-de-semana que a 2ª etapa do campeonato europeu de 7s. O Europeu não correu como gostaríamos em termos de resultados desportivos, por outro lado, percebeu-se que há futuro na selecção feminina. Várias sub-18 integraram a selecção sénior de mostraram que têm muito para dar ao rugby feminino.

A equipa chegou na véspera do torneio. A meio da tarde eu parti directamente de Lille e encontrei-me com o grupo nessa tarde. Fizemos um treino ligeiro de movimentação colectiva e descansámos com a cabeça no torneio.

Primeiro jogo, tínhamos um adversário duro, a Grã-Bretanha. Esperava-nos Um jogo físico e agressivo, já que elas fazem parte do Circuito Mundial de 7’s (divididas por Inglaterra, Irlanda e País de Gales). A nossa selecção tem sempre um pequeno problema a nível de acordar para o primeiro jogo… curiosamente, não foi o caso já que não entrámos nada mal e até tivemos uma boa postura. Perdemos 19 a 0 e senti que era um jogo ao nosso alcance, fomos infelizes em certos momentos não conseguindo colocar em “marcha” o nosso sistema de jogo. Segundo jogo Rússia. Depois de ter sido afastada dos Jogos Olímpicos na final de Dublin, as jogadoras russas parece que passaram o Verão todo a treinar e a preparar para este torneio com um objectivo, o título de campeãs europeias. Cilindradas por 59 a zero… não conseguimos aproximar-nos do ritmo de jogo que elas nos impuseram.

No terceiro jogo frente à Ucrânia tivemos pontos positivos: o levantar a cabeça após uma derrota como a da Rússia, uma derrota infeliz contra a Grã-Bretanha e após um primeiro minuto de jogo em que sofremos um ensaio após uma intercepção… mas depois da tempestade lá veio a bonança e ganhámos esse jogo. Segundo dia começámos com um adversário falsamente fácil… Finlândia! Que nos custa uma nova derrota, com uma falha de Placagem… acabou por ditar o nosso destino. A Finlândia aproveitou e impôs-se. Jogámos o último jogo frente à Ucrânia e voltámos a ganhar.

Se por um lado os resultados desportivos não foram os mais agradáveis, foi interessante ver como uma equipa tão heterógena e com falta de rotinas conseguiu levantar a cabeça depois de duas derrotas, especialmente a pesada derrota contra a poderosa Rússia, e ir ganhar o jogo contra a Ucrânia no final do primeiro dia. Infelizmente, no segundo dia não aproveitámos a lufada de vento e caímos frente a uma surpreendente Finlândia. Retiro daqui mais um ponto positivo, a vermos a nossa vida a andar para trás, levantámos de novo a cabeça e terminámos o dia com uma vitória.

Talvez uma característica do povo português, quando tudo parece perdido lá vem uma alegria que nos mostra que somos capazes de mais e melhor.

Há grande futuro nas Lobas 

Quanto ao jogo contra o Monteplier, as vice campeãs, que tinham um nó na garganta desde Maio e que desejavam uma vingança pela final perdida, infelizmente, para elas, não conseguiram levar a melhor. E mesmo com a equipa Villeneuvoise desfalcada (sem todas as suas internacionais septistes e mais duas lesões graves), o Montpellier não conseguiu impor o seu jogo em casa e acabou por perder.

Terminámos assim o primeiro mês. 3 jogos, 3 vitórias. Um segundo lugar no campeonato porque o St Oraes leva dois pontos bónus de vantagem. Em Outubro temos dois fins-de-semana de repouso e depois atacamos três jogos decisivos para o apuramento para a fase final!

Victoire (Foto: Eric Morelle)
Victoire (Foto: Eric Morelle)

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