Arquivo de Guingamp - Fair Play

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Filipe CoelhoNovembro 27, 201610min0

A Alemanha recebeu a competição e a França devorou-a. Para lá do que se jogou (com Portugal a cair nas meias-finais), houve nomes a ficarem na retina e a preencherem a memória. Como se têm saído no regresso aos seus clubes depois de brilharem a todo o nível no Euro Sub-19?

Philipp Ochs

(Alemanha, Hoffenheim)

Foi um dos jogadores que mais se destacou dentro do colectivo germânico que acabou por ter uma prestação com traços de desilusão (logrou apenas o 5º lugar). Ocupando a zona próxima do #9, caído sobre qualquer uma das faixas ou atrás do avançado – a Alemanha mostrou uma interessante versatilidade táctica –, Ochs destacou-se pelos 4 golos em 4 jogos, cotando-se como um dos melhores marcadores. Tornou-se impossível não reparar no pé esquerdo do jovem loiro, com um jogo bastante imprevisível (é de remate fácil), habilidoso e repentista (tremenda a facilidade para recepcionar e girar sobre si mesmo). Pese embora a tendência para assumir o 1×1 ofensivo (de origem, é extremo esquerdo), não aparentou ser demasiado individualista, procurando e combinando com os colegas.

Pertencendo aos quadros do Hoffenheim, Philipp Ochs não é, no entanto, uma promessa aparecida no último Europeu de Sub-19 – com efeito, estreou-se na Bundesliga há mais de um ano, em Agosto de 2015. Todavia, de lá para cá, contou apenas 15 jogos, sendo que esta época somou somente 90 minutos (na 1ª jornada) e como … defesa esquerdo. De facto, o camisola 30 do ‘Hoff’ tem sido testado nessa posição recorrentemente – quer nas breves aparições junto da equipa principal, quanto na equipa secundária, onde tem actuado com regularidade (leva 1 golo e uma assistência em 7 jogos). Não sendo fácil entrar num conjunto que tem rubricado um excelente inicio de época – o Hoffenheim, do prodigioso Nagelsmann, é 5º classificado com os mesmos pontos do 4º –, Ochs precisa de encontrar um espaço competitivo que lhe permita confirmar todas as excitantes indicações que deixou na competição de Julho.

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(Foto: zimbio.com)
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(Foto: bild.de)

Alex Meret

(Itália, Udinese (emprestado ao SPAL 2013))

A carreira italiana apenas terminou na final graças a um nome: Alex Meret. O keeper italiano esteve em grande nível do inicio ao fim da competição, evidenciando uma capacidade de presença (à qual o seu 1.90m não é alheio) e uns reflexos dignos dos maiores elogios. Ficam sobretudo na retina as quatro defesas de grande categoria diante dos alemães na primeira jornada ou a forma como foi evitando e/ou adiando o golo francês na final. Méritos de um guarda-redes que demonstra uma serenidade e uma qualidade no posicionamento positivamente anormais para a sua idade. E que lhe valeram, justamente, o prémio de melhor guarda-redes do torneio.

Com o seu passe sendo pertença da Udinese, Meret encontra-se emprestado, esta época, ao SPAL 2013, da Serie B, onde tem sido titular com regularidade – leva já 9 jogos e 14 golos sofridos. Já foi chamado à selecção U21, não se tendo ainda estreado. Mas com a camisola da squadra azurra esteve presente no estágio de preparação para o Euro 2016, fazendo companhia a Buffon, Sirigu e Marchetti. Com ‘Gigi’ Buffon a caminho do ocaso da carreira e com Donnarumma nas bocas do mundo, Meret merece, no entanto, todos os enfoques de destaque – confirmando o seu tremendo potencial, tem tudo para ser mais uma das estrelas italianas entre os postes, honrando um legado imensamente respeitável.

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(Foto: fgc.it)
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(Foto: spalferrara.it)

Ludovic Blas

(França, Guingamp)

Médio centro de origem, Blas não começou o Europeu como titular. Mas assim que assomou ao terreno de jogo, o impacto no jogo gaulês foi tremendo ao ponto de se tornar numa das mais cintilantes figuras da nação vencedora. Acabou por actuar sempre pela meia direita ofensiva, muitas vezes próximo da ala. No entanto, sendo o esquerdo o seu melhor pé, a sua natural intuição passou por procurar terrenos interiores. Foi evidente a sua tremenda capacidade de desequilíbrio no 1×1, com grande imprevisibilidade, agilidade e velocidade, saindo facilmente do drible para o remate. Perspicácia e capacidade de decisão para fazer o passe mortal/assistência foram também outras das suas trademarks. Tecnicamente soberbo (recepção e drible acima da média), ainda apareceu em zona de finalização, acabando por somar 2 golos e duas assistências no torneio.

Produto das escolas do Guingamp (onde despontaram Drogba ou Malouda), o prodígio francês que fará 19 anos no último dia de 2016 estreou-se na equipa sénior do emblema gaulês em Dezembro de 2015. Mas tem sido esta época que tem visto o seu estatuto solidificar-se – a jogar mais pelos corredores (cujos intérpretes tendem a procurar terrenos interiores) ou deliberadamente pelo meio, é um dos responsáveis pelo tremendo arranque de época do Guingamp (5º lugar, neste momento), levando já 13 jogos (e uma assistência) na sua contabilidade, ora como titular ora como suplente utilizado.

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(Foto: lequipe.fr)
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(Foto: ouest-france.fr)

Benjamin Henrichs

(Alemanha, Bayer Leverkusen)

Se a Alemanha desiludiu, Henrichs tratou de confirmar todas as expectativas que sobre ele recaíam. Um médio de alma cheia, que, a jogar no duplo pivot defensivo, demonstrou uma capacidade notável de se desamarrar desta linha e de facilmente fazer a diferença em condução. E sempre com critério na decisão e com uma capacidade técnica acima do comum – dribla, passa e aparece na frente para rematar (com ambos os pés). Em suma, um box-to-box potente, com grande agilidade e disponibilidade física.

Porém, em Leverkusen, parecem ter planos díspares para este craque de 1.83m. Se já em 2015/16 havia sido aposta pontual para as laterais do Bayer, 2016/17 tem sido a época de confirmação do médio hoje derivado para o lado direito (ou esquerdo, como esta semana em Moscovo) da defesa dos donos da Bay Arena. Henrichs é, hoje, o lateral direito indiscutível da equipa, somando já 17 jogos esta época (e duas assistências). Fruto da sua inteligência, capacidade de entendimento e critério na decisão, a adaptação tem sido um autêntico sucesso. Prova disso? A chamada à Mannschaft promovida por Joachim Low. Se parecia uma promessa no miolo do terreno, encara-se como uma certeza nas bandas laterais.

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(Foto: wdr.de)
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(Foto: dfb.de)

Kylian Mbappé

(França, Mónaco)

O mais jovem elemento desta lista foi um dos maiores destaques da turma francesa que venceu, com categoria, a competição. Técnica apurada, velocidade vertiginosa acompanhada de passada larga (e mudança de velocidade associada), apetência para aparecer na zona de finalização em momento oportuno e faro pelo golo foram os cartões de visita assinados por Mbappé. O jovem de 17 anos surgiu, invariavelmente, a partir da esquerda para o meio, em condução acelerada, e procurando o pé direito para serpentear – movimento característico que já levou a comparações com Thierry Henry. Os 5 golos em 5 jogos (melhor só o seu companheiro de equipa, Augustin, do PSG, que marcou 6) foram tão-só a cereja no topo de uma performance notável.

A estreia a nível sénior pelo Mónaco já havia acontecido em Dezembro de 2015 mas foi o Euro sub-19 que o catapultou como uma das figuras mais interessantes do futebol jovem internacional. Começou 2016/17 de forma tímida (também devido a uma lesão) mas tem ganho preponderância nas últimas semanas no conjunto monegasco. No 442 pensado por Leonardo Jardim, Mbappé ora é utilizado pelo corredor esquerdo ora ocupa o espaço central do ataque, sendo o elemento mais móvel e liberto nas movimentações da dupla atacante. Até ao momento soma 2 golos e 4 assistências em 9 partidas.

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(Foto: uefa.com)
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(Foto: foot01.com)

Amine Harit

(França, Nantes)

O meio-campo ofensivo gaulês não viveu só da capacidade de desequilíbrio e invenção de Blas. Ao seu lado, e pela zona central, Amine Harit emergiu como peça fundamental, (pr)eenchendo o sector intermédio, pedindo e conduzindo. De fino recorte técnico, evidenciou pormenores glamourosos ao nível do passe e demonstrou plena capacidade para gerir e controlar os ritmos de jogo. Em espaços mais curtos, o seu toque de criatividade foi determinante para a França fazer chegar com tanta assiduidade a bola a zonas de finalização.

O Nantes apostou em René Girard para 2016/2017 e o calejado técnico gaulês fez de Harit um dos seus cavalos de batalha – o jovem médio tem sido indiscutível na equipa do histórico clube francês, levando já 14 jogos e mais de 1000 minutos somados! O conjunto de Girard não tem ainda estabelecido um padrão táctico e Harit acaba por ser ‘vitima’ disso mesmo. É que, mais próximo do 433 ou do 442 (com variantes plásticas na dinâmica de jogo), o centro-campista de 19 anos já actuou pela esquerda, pelo centro (mais adiantado ou mais recuado) e pela direita. Tudo somado, o seu carácter versátil tem ajudado a consolidar o seu estatuto de indispensável.

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(Foto: parisfans.fr)
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(Foto: butfootballclub.fr)
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Pedro NunesAgosto 12, 201623min0

Tudo a postos para mais uma edição do futebol francês. Tida de antemão por uma liga de sentido único e de pouca importância, a verdade é que há vários pontos de interesse na Ligue 1. O Fair Play disponibilizará uma antevisão a cada equipa, com as suas mexidas no mercado e possibilidades na competição.

Bastia

2015/2016: 10º lugar
Estrela: Jean-Louis Leca
A seguir: Enzo Crivelli
Treinador: François Ciccolini
Estádio: Stade Armand-Cesari (16480 espectadores)

Ficar na Ligue 1 sem ter de ir à carteira é a palavra de ordem dada pela direção do Bastia. Depois de fazer algum dinheiro com as vendas de Kamano e Ayité, a equipa da Córsega procurou reforçar-se sobretudo com jogadores sem contrato e com jovens passíveis de crescerem no clube num ano de empréstimo como os casos de Crivelli e Saint-Maximin para o ataque. O primeiro, vindo do Bordéus, fez uma última parte da época interessante e pode ser a figura ofensiva dos turchinis perante a saída de Brandão. A venda de dos seus dois melhores jogadores baixou necessariamente o nível de qualidade da equipa, mas o compromisso de jogadores mais experientes como o guardien de but, Leca, o defesa Squillaci e o médio Danic, tentarão emprestar à equipa o seu conhecimento, onde Ciccoloni montará uma equipa em 4-3-3 a usar do factor casa como aliado principal durante a época.

Foto: SC Bastia Twitter
Foto: SC Bastia Twitter

PSG

2015/2016: Campeão
Estrela: Angel Di Maria
A seguir: Serge Aurier
Treinador: Unai Emery
Estádio: Parc des Princes (48428 espectadores)
Títulos: 6

Só se algo de muito contra-natura acontecer esta época na capital, o(s) título(s) fugirão ao PSG. A saída de Zlatan Ibrahimovic foi um golpe que ainda não é possível qualificar pois não se sabe o quão difícil será recuperar desta perda. É sabido que Cavani tem bastantes deficiências no seu jogo e será muito difícil ser o herdeiro natural de Ibra. Fora isso, a equipa melhorou e muito com adições de grande nível. Começando pelo banco, Unai Emery é o senhor que se segue depois de temporadas marcantes no Sevilha vai tentar agora dar continuidade ao trabalho em Paris, sendo o principal objectivo da época levar os parisienses o mais longe possível na Champions – os títulos interinos são os serviços mínimos que se exigem. Para isso, Ben Arfa – um dos melhores da liga na época passada – foi resgatado ao Nice e ainda chegaram nomes como Meunier, Krychowiac, Jesé e Areola, que vêm dar ainda mais qualidade a uma equipa que já estava perfeitamente recheada.

Foto: L'Equipe
Foto: L’Equipe

Mónaco

2015/2016: 3º lugar
Estrela: Fabinho
A seguir: Thomas Lemar
Treinador: Leonardo Jardim
Estádio: Stade Louis II (18523 espectadores)
Títulos: 7

Leonardo Jardim viu o seu plantel ser reforçado talvez com as melhores contratações em todo o panorama francês. Glik chega para dar à defesa um ar mais poderoso e autoritário, algo que falhou bastantes vezes com Carvalho, Raggi e Wallace e a lateral esquerda tem agora dois dos melhores laterais da liga, com Sidibé e Mendy, vindos do Lille e Marselha, respectivamente. Algumas mudanças também na frente de ataque com o regresso de Germain e Correntin Jean, boas surpresas na temporada passada nos seus empréstimos, assim como a segunda vinda de Falcao. Com todas estas mexidas em lugares que eram necessários reforçar, o Mónaco pode agora augurar por algo mais e tentar resgatar o segundo lugar que perdeu com estrondo na época passada. Veremos se Leonardo Jardim tem agora mão nesta equipa para a colocar na ribalta gaulesa.

Foto: Monaco Twitter
Foto: Monaco Twitter

Guingamp

2015/2016: 16º lugar
Estrela: Jimmy Briand
A seguir: Ludovic Blas
Treinador: Antoine Kombouaré
Estádio: Stade du Roudourou (18363 espectadores)

Tentar escapar à descida é novamente o objectivo principal do Guingamp e apesar da mudança no banco o espírito permanece inalterado e, com alguma disciplina, é possível esperar por algo mais acima na tabela. A partida do seu treinador dos últimos 6 anos, Jocelyn Gouvernecc, é uma perda que vai ser difícil de ser sustentada no Stade de Roudourou apesar do seu sucessor ter características de jogo bastante parecidas, apostando num jogo seguro na defesa com jogadores fortes e rápidos a desequilibrar nas alas. A formação tentou manter o seu plantel estável e, sem gastar praticamente dinheiro nenhum, tentar reforçar as opções que já tinha, algo que conseguiu fazer com as aquisições de Ikoko, Didot e Deaux. Dentro do onze-base que a equipa apresentou na época passada, a grande mudança vai para a baliza, de onde saiu o dinamarquês Lossl, que rumou ao Mainz, e entrou Johnson e o nosso conhecido Salin, que representava o Marítimo. Ludovic Blas e Marcus Coco serão dois alas jovens a acompanhar que também terão mais espaço esta temporada, enquanto que Briand, Salibur e Benezet continuarão a ser os responsáveis por fazer a equipa movimentar-se ofensivamente. Se nada de transcendente acontecer, o Guingamp tem tudo para fazer mais uma campanha segura no panorama francês.

Foto: Guingamp Facebook
Foto: Guingamp Facebook

Bordéus

2015/2016: 11º lugar
Estrela: Jeremy Menez
A seguir: Adam Ounas
Treinador: Jocelyn Gouvernecc
Estádio: Malmut-Atlantique (42115 espectadores)
Títulos: 6

A missão dois girondins nesta nova temporada passa por esquecer tudo o que se passou de mau na época anterior e tentar voltar aos lugares de topo da classificação. É esperado um renascimento com as contratações de Toulalan, Kamano e Menez, depois de uma época bastante apática com vários tropeções nada dignos de um clube histórico. Nota ainda para a chegada de Sabaly, que será emprestado pelo PSG e dará um novo alento à lateral direita girondin. No banco também haverá mudanças, com Gouvernecc – ex-treinador do Guingamp, um dos mais consistentes da liga – a ser o que senhor que assumirá o comando. O técnico montará uma equipa num 4-4-2 sólido para dar o impulso que esta equipa necessita. Tal como no clube da Bretanha, Gouvernecc terá também agora à disposição um grupo muito interessante de jovens que é possível evoluir como por exemplo Malcom, Ounas, Arambarri e Guilbert, o que faz deste novo Bordéus uma das equipas a seguir com atenção nesta edição 2016/2017. Os adeptos esta temporada não darão mais benesses à equipa e tudo o que estiver abaixo dum 7º lugar será deprimente para eles.

Foto: Sportune
Foto: Sportune

Saint-Étienne

2015/2016: 6º lugar
Estrela: Stéphane Ruffier
A seguir: Oussama Tannane
Treinador: Cristophe Galtier
Estádio: Stade Geoffroy-Guichard (41500 espectadores)
Títulos: 10

Conhecida por ser a equipa mais musculada da Ligue 1, com autênticos ‘touros’ – jogadores altos e fortes – em praticamente todos os sectores do campo, é nessa tónica que os verts manterão a sua estratégia para atacar novamente os lugares europeus. Christophe Galtier continua à frente duma formação que conhece melhor que ninguém e este ano nem terá tantas perdas para colmatar, algo que vinha acontecendo sistematicamente todas as épocas. Além disso, os responsáveis do Saint-Étienne ainda conseguiram mexer-se bem no mercado e resgataram para o Geoffroy-Guichard jogadores como Dabo e M’bengue para colmatar as saídas de Assou-Ekotto, Tabanou e Cohade. Tendo um Beric a aparecer bem – na temporada passada lesionou-se ainda numa fase embrionária e perdeu quase toda a temporada – e garantindo que a equipa encontra estabilidade técnico-tática o Saint-Étienne tem tudo para melhorar o 6º lugar do ano passado.

Foto: Maillots Foot Actu
Foto: Maillots Foot Actu

Lille

2015/2016: 5º lugar
Estrela: Sofiane Boufal
A seguir: Rony Lopes
Treinador: Frédéric Antonetti
Estádio: Stade Pierre-Mauroy (50157 espectadores)
Títulos: 4

A temporada do Lille já começou e as más notícias também já apareceram. Os dogues acabaram por cair ainda numa fase inicial da Liga Europa após derrota frente ao Qabala e, deste modo, é ainda mais difícil segurar a estrela da companhia, Sofiane Boufal. Em poucos meses, Antonetti levou o Lille à Europa mas acabou por também os fazer sair de lá. O principal desafio do treinador será, então, dar continuidade àquilo que conseguiu internamente assim que assumiu o comando técnico dos dogues e, vendo pela prisma positivo, assim poderão concentrar-se completamente no campeonato e taças – no ano passado foram à final da taça da Liga. Éder é um dos jogadores mais importantes do plantel não só devido ao estado de graça em que se encontro depois do golo mais importante da história portuguesa mas também devido ao que já vinha fazendo nos últimos meses com a camisola do Lille, sendo que passa não só, mas também, pelo avançado português o sucesso para esta época. A equipa conseguiu alguns bons negócios como De Preville, Sankharé e Palmieiri, este último para tentar fazer esquecer a saída mais importante da equipa até ao momento – o lateral esquerdo Djibil Sidibé. Posto isso, o Lille tem um grupo coeso para poder fazer uma temporada consistente e apontar novamente aos lugares Europeus, apesar de que a concorrência este ano será bastante mais feroz.

Foto: NordSports Mag
Foto: NordSports Mag

Metz

2015/2016: 3º lugar na Ligue 2
Estrela: Renauld Cohade
A seguir: Opa Nguette
Treinador: Philippe Honschberger
Estádio: Stade Saint-Symphorien (26700 espectadores)

A principal liga francesa quase todos os anos oferece uma boa surpresa vinda diretamente da segunda divisão. Veja-se o caso do Angers no ano passado e há outros bons exemplos na história da competição. Este ano, tudo indica que o Metz é o mais bem preparado de todas as equipas que subiram. Os grenats apontaram as agulhas para a aquisição de experiência e conseguiram-no com as contratações de Cohade, Jouffre, Signorino e Erding. Ainda à procura de um lateral esquerdo para reforçar o plantel, o Metz conta também com vários jovens de qualidade prontos a despontar. A saída de Ngbakoto foi colmatada com a chegada de Nguette, que dá garantias na continuidade da energia do extremo. Com isto, Hinschberger poderá contar com um misto de experiência e juventude neste regresso à elite futebolística gaulesa.

Foto: Francedbleu
Foto: Francedbleu

Angers

2015/2016: 9º lugar
Estrela: Cheikh N’Doye
A seguir: Gilles Sunu
Treinador: Stéphane Moulin (18000 espectadores)
Estádio: Stade Jean-Bouin

Stéphane Moulin conseguiu montar a única equipa da Ligue 1 capaz de segurar a capacidade ofensiva do PSG na primeira parte da temporada e isso não pode vir do acaso. Depois de um ano surpreendente, o Angers quer agora confirmar que tem categoria para um crescimento sustentado no convívio por entre o nível maior do futebol francês. Com uma equipa que faz da sua coesão disciplina defensiva a sua égide, Moulin tem conseguido tirar o máximo de cada um dos seus jogadores e é isso que se espera desta combativa equipa na nova temporada. Na época passada o plantel pecou por curto numa fase mais adiantada e este ano os responsáveis angevins preveniram isso com a aquisição de mais opções principalmente do segundo escalão francês – onde já tinha a maior quota de mercado e fazia as suas compras. NDoye, Ketkeophomphone e Saiss continuam no clube dando uma garantia de base de estabilidade e a partir daqui será possível construir uma época ainda mais segura que a do ano que passou.

Foto: Maillot Foot Actu
Foto: Maillot Foot Actu

Montpellier

2015/2016: 12º lugar
Estrela: Ryad Boudebouz
A seguir: Morgan Sanson
Treinador: Fréderic Hantz
Estádio: Stade de la Mosson (32939 espectadores)

O Montpellier começará esta época bastante desfalcado devido às saídas de dois elementos importantes da equipa como Dabo e Martin. Anthony Vanden Borre, que já passou por quase todas as equipas da Europa, chega agora a França e é o principal reforço dos bleus. O timoneiro, Frederic Hantz terá algum trabalho pela frente apesar de ter conseguido manter algumas peças importantes para esta temporada, como por exemplo Boudebouz e Martin Sanson, dos quais a qualidade das performances dependerão muito para as aspirações do Montpellier. Boudebouz é o responsável pelos desequilíbrios ofensivos a partir da ala e Sanson aos 22 anos oferece muita qualidade ao meio-campo, sendo esta a derradeira temporada para liderar a equipa e dar o salto qualitativo que procura. O ano transacto foi relativamente doloroso principalmente com as mudanças constantes no banco e o facto de ter andado pela zona de descida numa fase inicial da temporada. Este ano, o la Mosson não admite que este caos se repita. Terminar entre os 10 primeiros seria ouro sobre azul.

Foto: Footyhealines
Foto: Footyheadlines

Lorient

2015/2016: 15º lugar
Estrela: Majeed Waris
A seguir: Didier Ndong
Treinador: Sylvain Ripoll
Estádio: Stade du Moustoir (18970 espectadores)

Com algumas boas exibições na primeira parte temporada, o Lorient conseguiu o objectivo da manutenção, apesar dos momentos de aflição na última parte da época. Ripoll para esta época perdeu o menino Raphael Guerreiro e o capitão Jouffre mas não é isso que tira a ambição a esta equipa de melhorar a marca conseguida. Os merlus continuam com uma base bastante sólida e com qualidade em todos os sectores conseguindo ainda somar ao seu plantel algumas opções que aumentam a sua qualidade e diversidade como é o caso do ex-Vitória de Guimarães, Cafu, que tem tudo para assumir as despesas da linha média merlu a par de Ndong. A manutenção é o primeiro objectivo a cumprir e quanto mais rapidamente for conseguido, mais fácil será lutar por um bónus numa fase mais adiantada da época.

Foto: Soccerkp
Foto: Soccerkp

Caen

2015/2016: 7º lugar
Estrela: Andy Delort
A seguir: Ronny Rodelin
Treinador: Patrice Garande
Estádio: Stade Michel d’Ornano (21500 espectadores)

Nos dias que correm, esta equipa da Normandia é uma das equipas mais respeitadas no panorama francês devido à entrega e união que apareceram em todos os jogos nos últimos dois anos dignos de uns autênticos lutadores. É nesta linha que Garande prepara esta nova época, depois de conquistar um proveitoso 7º lugar no ano que passou. Para isto, o treinador gostaria de manter Andy Delort – um combativo avançado que garante muitos golos – que segue numa novela para uma possível ida para o futebol mexicano. O avançado foi uma das peças fundamentais do sucesso dos normandos nas últimas temporadas, assim como o lateral Appiah, que também saiu do clube. Sem Delort, o futuro pode ser uma incógnita maior apesar dos reforços que chegaram e que conseguirão oferecer outro tipo de opções. Rodelin assinou em definitivo depois de ter estado emprestado pelo Lille e será um dos jogadores com mais importância na manobra ofensiva do Caen.

Foto: Soccerkp
Foto: Soccerkp

Nantes

2015/2016: 14º lugar
Estrela: Kolbeinn Sigthorsson
A seguir: Adrien Thomasson
Treinador: Réne Girard
Estádio: Stade de la Beaujoire (38285 espectadores)
Títulos: 8

Tudo o que não seja melhor do que em 2016 será uma desilusão. O Nantes foi uma equipa muito intermitente na época passada e nesta nova temporada quer recuperar o estatuto de candidato à Europa, pelo menos. Ofensivamente a equipa desiludiu marcando muitos poucos golos mas os adeptos canaries esperam que a campanha da Islândia no Euro 2016 tenha dado um novo alento a Sigthorsson e que os golos comecem a aparecer mais vezes. Foi do campeonato português que a equipa se tentou trazer os seus reforços, com Diego Carlos ex-Estoril e Lucas Lima do Arouca à cabeça. Do banco a equipa terá um novo comandante – Réne Girard chega para assumir as rédeas. Um treinador experiente que sabe o que quer desta equipa e que irá tentar devolver o Nantes à história que se lhes associa.

Foto: Worldfootball
Foto: Worldfootball

Dijon

2015/2016: 2º lugar na Ligue 2
Estrela: Marvin Martin
A seguir: Lois Diony
Treinador: Olivier Dall’Oglio
Estádio: Stade Gaston-Gérard (16098 espectadores)

Depois de estar perto de o fazer em 2014/2015, o Dijon não perdeu a oportunidade de subir na época seguinte e figura agora por entre os maiores do campeonato gaulês. Les bourguignons, como são conhecidos, conseguiram ter o melhor ataque da segunda divisão e será com essas armas que lutará para permanecer na Ligue 1 na segunda vez que estão nesta competição. Para tal, a equipa comandada por Dall’Ogio tentou ir ao mercado buscar experiência barata e empréstimos aos clubes de maior nomeada. Balmont e Martin são os nomes mais sonantes, assim como Moutou que chega do Angers. Martin chegou a ser apontado como sucessor de Zidane mas esse rótulo nunca se chegou a revelar e tenta agora começar a partir de uma equipa mais humilde, onde terá capacidade para voltar a justificar esse apelido de jovem, sem qualquer pressão adjacente.

Foto: Footyheadlines
Foto: Footyheadlines

Marselha

2015/2016: 13º lugar
Estrela: Lassana Diarra
A seguir: George-Kevin Nkoudou
Treinador: Frank Passi
Estádio: Stade Velodrome (67394 espectadores)
Títulos: 9

O desastre esteve perto de acontecer na época passada e os adeptos do Marselha esperam que a situação tenha servido de exemplo para não repetir nunca mais. Os phoceéns tentarão construir uma equipa à volta de Diarra, Thauvin e Gomis e, a partir deste ponto, esperar que se vivia uma viragem por completo. O médio defensivo ficou no clube e tem tudo para ser a estrela da companhia com Thauvin a ficar o responsável pelo jogo ofensivo. O clube sofreu grandes mudanças em toda a sua estrutura, visto que o presidente é novo e do plantel do ano transato restam poucos jogadores mas o espírito phoceén é duro de roer e qualquer coisa pode acontecer esta época. Há ainda muito instabilidade em todo o clube e muitas dúvidas para aquilo que Frank Passi poderá fazer – a actual situação pedirá que seja um verdadeiro mestre de empreitadas – com o clube mais titulado de França. Um lugar no top 10 seria mais que razoável nesta nova vida.

Foto: Pickick
Foto: Pickick

Lyon

2015/2016: 2º lugar
Estrela: Alexandre Lacazette
A seguir: Correntin Tolisso
Treinador: Bruno Genésio
Estádio: Stade des Lumiéres (59186 espectadores)
Títulos: 7

Em Lyon, dar continuidade ao que foi conquistado na primeira metade 2016 é imperial. Bruno Genésio viu sair Umtiti – um dos pilares da defesa dos gones – mas continua com Lacazette e isso é sinónimo de golos garantidos. Para o lugar do central foi resgatado Nkoulou ao Marselha, mas continua a ser uma zona frágil do Lyon, visto que Yanga-Mbiwa não dá garantias de estabilidade para uma época completa. Fekir também está de regresso em pleno depois de praticamente uma temporada no estaleiro. Juntamente com o Mónaco, lutarão para assegurar o segundo lugar e do modo que as equipas se reforçaram será bem interessante de acompanhar. Repetir a qualificação do ano passado e fazer bastante melhor na Champions depois da má prestação de há um ano, é tudo o que os adeptos pedem à sua equipa.

Foto: Footyheadlines
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Nice

2015/2016: 4º lugar
Estrela: Valentin Eysseric
A seguir: Vincent Koziello
Treinador: Lucien Favre
Estádio: Allianz Riviera (35624 espectadores)
Títulos: 4

Muito mudou desde aquela equipa que entusiasmou o panorama francês com o seu jogo ofensivo na época passada. O Nice acabou por ver sair dois dos seus pilares – o treinador Puel e o mago Ben Arfa – e nesta nova era dificilmente poderá ser aquela formação refrescante que deu show em vários jogos. Ao leme estará Lucien Favre, cujas garantias de qualidade chegam depois da campanha vistosa com o Gladbach na Bundesliga, mas o suíço terá muito trabalho pela frente desde logo a capacidade de potenciar a juventude aiglon e levá-la o mais alto possível na tabela classificativa. Germain, Plea e Mandy, três dos mais influentes da equipa também viajaram para novos destinos, o que torna este conjunto do Allianz Riviera uma autentica caixinha de surpresas.

Foto: Youtube
Foto: Youtube

Rennes

2015/2016: 8º lugar
Estrela: Kamil Grosicki
A seguir: Ramy Bansebaini
Treinador: Christian Gourcuff
Estádio: Rohazon Park (31127 espectadores)

Apesar da quantidade absurda de jogadores talentosos o Rennes nunca encontrou, na época transacta, uma consistência digna de espelhar uma bom lugar na tabela. Ousmane Dembele acabou por sair por uma pechincha para aquilo que valia em mais um erro crasso da temporada que passou. Depois da dança de técnicos com Montanier e Courbis a serem os principais actores, o Rennes tenta assegurar agora continuidade com Christian Gourcuff como timoneiro. Apesar da qualidade do plantel da época passada, o Rennes esteve bastante intermitente e falhou o acesso à Europa, algo que será o objectivo principal deste novo ano. Houve várias mexidas no plantel com a entrada de vários novos jogadores com os principais nomes a virem diretamente da liga francesa como Bansebaini, Chantome e Lenjani. Curiosamente, dois deles atuam a defesa-esquerdo e nem era uma posição assim tão necessitada para os rouge et noir, que ainda adicionaram Afonso Figueiredo, vindo do Boavista, às suas fileiras. Há muito trabalho a fazer, mas o Rennes deve atingir a Europa para não viver outra época de fracasso.

Foto: Ouest France
Foto: Ouest France

Nancy

2015/2016: Campeão na Ligue 2
Estrela: Youssouf Hadji
A seguir: Clement Lenglet
Treinador: Pablo Correa
Estádio: Stade Marcel-Picot (20087 espectadores)

Depois de descer à Ligue 2 em 2012/2013, o Nancy planeou voltar rapidamente e garantiu que esse objectivo ficasse cumprido 4 anos depois. Após épocas a rondar os lugares de subida, os pupilos de Pablo Correa venceram a segunda divisão pela quinta vez no seu palmarés e voltaram ao convívio dos grandes. O treinador uruguaio tenta misturar experiência com irreverência e é com estas armas que lutará para permanecer na elite, depois de mostrar um futebol bastante agradável na Ligue 2. Hadji e Benoit Pedretti já levam muitos jogos nas pernas e ainda contam com a qualidade de jovens como Bennasser e Lenglet. Foi com estes argumentos que o Nancy acabou a liga como melhor ataque, a par do Dijon. A formação segue assim praticamente inalterada para esta nova época, mas a exigência será bem maior pois há muitas equipas muito mais duras de bater do que acontecia na divisão secundária. Ainda assim, o Nancy é uma equipa a acompanhar para se perceber do que será capaz nesta nova aventura.

Foto: UK Soccershop
Foto: UK Soccershop

Toulouse

2015/2016: 17º lugar
Estrela: Martin Braithwaite
A seguir: Albant Lafont
Treinador: Pascal Dupraz
Estádio: Stadium Municipal

Depois do milagre que foi conseguir o salvamento na época passada, em Toulouse exige-se que esta época não existam tantos sobressaltos. Pascal Dupraz foi um dos homens em evidencia e é aposta segura da direcção dos pitchouns para dar continuidade à façanha. A estrela da companhia, Ben Yedder, saiu e deixou a equipa bastante mais pobre. Vai ser bastante complicado colmatar esta perda apesar dos jovens de qualidade que a equipa tem e que poderão ser potenciados. O mais talentoso de todos eles e aos 17 anos pegou de estaca na baliza pitchoun sendo uma ajuda preciosa para a manutenção da época passada. – Alban Lafont de seu nome. Do PSG chega Edouard, um avançado de 18 anos com muita qualidade que terá no Toulouse mais espaço para crescer do que na equipa parisiense.

Foto: Sports Orange
Foto: Sports Orange

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