Arquivo de Basquetebol - Página 29 de 44 - Fair Play

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José AndradeAgosto 17, 20226min0

Em Guifões, a Seleção Feminina Sénior realizou mais dois jogos de preparação com vista os jogos importantes que estão por vir na qualificação para o Campeonato da Europa e em dia do primeiro de dois duelos com Bósnia e Herzegovina, olhamos para o que aconteceu nestes dois encontros com a Irlanda em Guifões.

Portugal vs Irlanda – Crescem as expetativas para deixar o “quase” para trás

Dois triunfos categóricos que como se pode já perceber deixaram-nos ainda mais confiantes para os próximos desafios que a nossa seleção tem pela frente. No primeiro encontro, Portugal venceu por 78-63, uma vitória segura fruto do belíssimo jogo que a turma das quinas realizou em Guifões. Nota inicial para as jogadoras que ficaram de fora neste primeiro jogo, Mariana Silva e Sofia da Silva, curiosamente a primeira a ficar de fora tal como tinha acontecido no primeiro jogo do estágio anterior em Rio Maior. A partida até começou favorável às Irlandesas que beneficiando dos duelos interiores ganhos conseguiram conquistar um ligeiro ascendente e com isso uma vantagem inicial que se foi perdendo assim que Ricardo Vasconcelos parou o jogo e corrigiu posicionamentos. Portugal foi crescendo e assim que os duelos interiores passaram a ser favoráveis ao conjunto das Quinas, tudo mudou e prova disso foi o segundo quarto espetacular que a turma lusa realizou, um parcial de 25-7 e onde as irlandesas não conseguiram lidar com a pressão alta portuguesa perdendo muitas bolas, com a defesa a conseguir anular por completo todas as investidas da Irlanda, um período que roçou a perfeição.

A segunda parte embora mais suada, continuou a ser sempre portuguesa, o ascendente foi sempre da turma de Ricardo Vasconcelos que conseguiu rodar e dar tempo a todas as jogadoras, a parte mais preocupante foi o momento em que Joana Soeiro saiu para ser assistida, ela que foi uma das figuras desta partida. Neste duelo destacar a forma como mais uma vez o banco soube ler o jogo, as nossas bases que estiveram muito bem e mencionar as nossas interiores que tiveram um jogo muito duro, mas onde conseguiram sempre mostrar-se sendo muito importantes para a “cambalhota” no resultado e esta vitória da Seleção Feminina Sénior.

No segundo jogo, Portugal voltou a vencer, desta vez por, 72-62. Jogo distinto já que as lusas corrigindo a entrada do dia anterior, o que significou que começaram muito bem entrando com tudo, com as suas adversárias sentirem dificuldades do segundo período do jogo anterior logo a começar esta partida. Realçar que neste dois duelos Ricardo Vasconcelos optou sempre pelo mesmo 5 inicial composto por Maria Kostourkova, Josephine Filipe, Laura Ferreira, Maria João Correia e Inês Viana, sendo que não existe nada a apontar, 5 fortíssimo e que esteve muito bem, com nota de destaque para Inês Viana que em Rio Maior ainda estava ser gerida depois da lesão e que chegou a Guifões e espalhou magia nos dois encontros.

Olhando para esta partida nº 2, a Seleção Feminina Sénior fez uma primeira parte praticamente irrepreensível, dominante, sem erros grosseiros, com uma defesa asfixiante que deixou em muitos momentos as irlandesas em grandes dificuldades e no ataque a habitual troca de bola em beleza que foi sempre deixando em evidência a muita qualidade no ataque luso. A nível ofensivo jogo corrido, troca de bola sempre de muita qualidade, com a defesa a voltar a estar muito bem, as jogadoras interiores sempre em grande e com destaque para Joana Alves que no primeiro encontro tinha cedo ficado tapada por faltas e que neste segundo dia conseguiu mostrar o porquê de ser a poste de alto nível que é.

Duas vitórias incontestáveis onde a turma das quinas foi superior e não deixou margem para dúvidas, mostrando que estão prontas para os desafios seguintes.

Destaques individuais destes duelos

Fica difícil conseguir eleger destaques individuais olhando para as exibições da nossa seleção nestes dois jogos em Guifões, o primeiro ponto em evidência é que o coletivo está cada vez mais forte, e a cada estágio a ideia no final de cada é que o grupo está mais forte e pronto para atingir os palcos que merece. Depois olhando para os jogos temos que começar por falar de Maria João Correia que apareceu em Guifões sendo a MVP inequívoca do segundo jogo, com a base portuguesa surgiu nestes dois duelos muito bem, mostrando todo o trabalho que foi desenvolvendo ao longo das semanas entre o estágio de Rio Maior e este provando que a portuguesa vem para uma temporada de luxo.

Depois, tal como nos duelos do estágio anterior temos que destacar Márcia da Costa Robalo, jogadora que apareceu como é seu apanágio, em grande, nos dois duelos foi sempre protagonista, entrando com tudo em ambos os encontros. Falar ainda de Josephine Filipe que também ela havia sido destaque em Rio Maior e voltou a sê-lo em Guifões com duas excelentes exibições. Em outros destaques, Marcy Gonçalves que não tinha jogado em Rio Maior e que neste estágio voltou a mostrar-se e que saudades já tínhamos de a ver jogar, ainda Inês Viana que esteve irrepreensível nestes dois encontros e Maianca Umabano que como sempre não precisou de muito para se colocar como protagonista nestes duelos.

Saímos de Guifões com a certeza de que não só estas jogadoras e esta equipa técnica merecem estar no próximo Campeonato da Europa, como as expetativas e a confiança também subiram para o que está por vir. Depois destes jogos o que mais se sente é que vamos conseguir, a barreira do “quase” está cada vez mais perto de terminar e de deixar de existir quando se fala desta nossa Seleção Feminina sénior. Portugal joga hoje e amanhã com a Bósnia, dois encontros de um grau de exigência superiores, visto que as lusas vão defrontar uma equipa apurada para o Mundial e por isso serão dois testes bem mais complicados, mas venham eles porque com toda a certeza vamos sair ainda mais confiantes para o que está por vir.

Foto de destaque da FPB

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José AndradeAgosto 14, 20227min0

Carnide foi o palco para os jogos de preparação dentro do 3º estágio de preparação da Seleção Feminina sub-16 que está cada vez mais perto de começar a disputar o Campeonato da Europa em Matosinhos que começa já no próximo dia 19, e por isso mesmo hoje olhamos para esses duelos e alguns dos destaques.

Demonstração de força e da muita qualidade

A Seleção Feminina sub16 disputou quatro jogos em Carnide tendo vencido três deles e perdido o último num duelo muito intenso com a Grécia no penúltimo estágio de preparação, visto que nos próximos dias 15 e 16 vamos defrontar Espanha em Matosinhos. Foram partidas muito importante com vista à preparação do Campeonato da Europa e que nos permitiram ver mais desta equipa das quinas que nos deixou à vista em Carnide que está pronta para o Europeu.

O primeiro jogo foi frente à Grécia o conjunto mais forte presente em Lisboa e Portugal saiu vencedor por 81-61 entrando assim com tudo nestes jogos de preparação. A equipa das quinas entrou muito bem, nunca foi um jogo fácil, mas as lusas conseguiram estar sempre por cima e ter o ascendente da partida. Num jogo onde se viu a eficácia portuguesa e em especial a defesa alta que nos deixou sempre confortáveis conseguindo muitos roubos de bola e ganhar vantagem aproveitando os contra-ataques. Duelo muito intenso frente a um adversário complicado, mas onde permitiu ver a força da nossa defesa, a forma como Maryana Kostourkova, André Janicas e Mariana Guedes têm trabalhado com estas jogadora fazendo com a seleção nacional tenha na defesa um dos seus pontos mais fortes, não só pela capacidade de ganhar nos duelos no garrafão como pela defesa alta muito pressionante que como se viu em Carnide deixou todos os adversários em dificuldades. Este primeiro jogo com a Grécia foi de alta intensidade, muito rápido, a seleção das quinas colocou sempre as gregas em dificuldades através dessa pressão intensa e da muita agressividade.

Com a Suécia, dois jogos bem distintos, foram duas vitórias seguras, no primeiro duelo por 97-40 e no segundo por 71-52. Como esperado, Portugal melhor e sem as dificuldades sentidas com a Grécia. Estes confrontos com as Suecas permitiram ver mais de outras jogadoras, deu para se observar o valor e a profundidade desta seleção feminina sub-16. No segundo jogo, principalmente na segunda parte, o conjunto luso já sentiu mais problemas na defesa, fruto também de um baixar de intensidade que permitiu às suecas chegar mais vezes junto do cesto. Foram dois jogos com a Suécia que serviu para aumentar as expetativas para com esta seleção feminina sub-16. Dois triunfos confortáveis, onde Portugal não deu grandes hipóteses às suecas que nunca conseguiram travar o ataque luso e na defesa as portuguesas ganharam nos duelos interiores uma vez que as suecas procuravam sempre penetrar e não o conseguiram devido à nossa defesa que não concedia espaços com um período de exceção na segunda parte do segundo jogo onde as suecas conseguiram lançar mais de média e longa distância.

No último jogo em Carnide, Portugal não conseguiu vencer, foi o duelo mais complicado e bem diferente do primeiro que tínhamos assistido em Carnide. Se no primeiro jogo a alta intensidade foi o que marcou todo o jogo, neste segundo foi bem diferente uma vez que as gregas conseguiram baixar a velocidade da partida, gerindo muito a posse com ataques longos e com muitas trocas de bola. Gregas por cima, com a seleção portuguesa sempre a dar luta, mas sem conseguir a superioridade que tínhamos visto nos dias anteriores. Menor velocidade, mais duelos principalmente entre as jogadoras interiores, mais vezes as gregas a procurar superioridades que em alguns momentos foram conseguindo e por isso um jogo mais a jeito da seleção helénica.

62-70 foi o resultado final deste confronto final em Carnide, as gregas levaram a melhor e mesmo com mais dificuldades, foi um jogo onde as expetativas com as portuguesas cresceram, pode parecer estranho, mas devido a ter sido o primeiro jogo onde a equipa das quinas foi exposta a maiores problemas e vendo a forma como a Seleção Feminina sub-16 soube contornar, mostrar ainda mais no plano tático procurando sempre mais soluções para dar a volta a este duelo, tudo isso serviu para que as expetativas crescessem mesmo que o resultado final não tenha sido o melhor. Jogo mais físico e mais lento, foi esta a chave para Portugal não vencer, mas nem por isso jogamos mal, muito pelo contrário e é aí que está o ponto para estes duelos que vamos ter com a Espanha nos dias 15 e 16 mesmo antes do Campeonato da Europa começar.

Nos destaques individuais temos várias jogadoras que se foram conseguindo mostrar, mas hoje vamos olhar para três delas.

Clara Silva – melhor poste do Europeu?

Começamos por um dos talentos desta Seleção Feminina sub-16, uma poste que se destaca não pela altura, mas também pela sua qualidade de jogo de pés, além disso tem muita qualidade de passe e está a crescer no lançamento exterior. Clara Silva foi das jogadoras que mais se evidenciou nestes jogos de preparação e se já sabíamos que é um dos maiores talentos desta geração no basquetebol europeu, depois de assistir o nível dos seus jogos podemos mesmo colocar a chance de ser a melhor poste neste próximo Campeonato da Europa.

Gabriela Fernandes – Nome a guardar para destaque no Campeonato da Europa

O nosso segundo nome em evidência é Gabriela Fernandes, jogadora que antes destes estágios foi anunciada como reforço no Galitos e tal como disse nessa altura, estamos perante uma das maiores promessas do nosso basquetebol e depois de vermos o que jogou em todas as partidas em Carnide, podemos ter todas as certezas que a jovem que esteve no GDRAR vai ser uma das candidatas a figura neste Europeu.

Magda Silva – Sempre em alta

No terceiro destaque vamos até Magda Silva, jogadora que foi preponderante em todos os duelos, fosse titular ou lançada no decorrer dos duelos, Magda Silva “mexeu” sempre com o jogo, dando sempre outra dinâmica ao ataque luso. Além da qualidade ofensiva a agressividade defensiva foram sempre outras das armas em maior evidência neste duelos e por isso mesmo sabemos que estamos perante uma das jogadoras que vai ser mais preponderante neste Europeu.

As ilações finais para o Campeonato da Europa em Matosinhos vão ser feitas depois dos duelos com Espanha, mas podemos sonhar, vamos para uma grande competição em casa, num local onde já foi feita muita história para o basquetebol luso e onde vamos poder entrar novamente a pensar em atingir um feito igualmente histórico porque esta geração que está na Seleção Feminina sub-16 é de imensa qualidade e vai chegar mais do que pronta para encantar e conquistar a Europa em Matosinhos.

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José AndradeAgosto 7, 20226min0

O Campeonato do Mundo sub17 decorreu na Hungria e estiveram presentes algumas das futuras melhores jogadoras a nível global e hoje vamos falar de 5 das que mais se destacaram nesta competição.

Ajsa Sivka – Eslovénia

Começamos por um dos maiores jovens talentos na Europa, Ajsa Sivka joga na posição 3 e pode fazer ainda a posição 4, é uma atleta alta, com uns braços enormes e que se destacou na Tony Parker Academy algo que lhe valeu ser aposta das italianas do Schio para a próxima temporada. Ajsa é uma jogadora alta com muitas skills, junta a todos os recursos técnicos a sua capacidade no tiro exterior e a muita evolução que teve em Lyon no aspeto defensivo. Não sendo uma jogadora muito forte fisicamente, sabe usar a altura, os seus braços e principalmente o seu elevado QI para defender atletas mais “possantes” e a sua mobilidade permite-lhe defender jogadoras de estatura mais baixa e com maior velocidade, além disso tem uma técnica de lançamento que se evidência e consegue ainda lançar com facilidade de todas as zonas do campo. Ajsa Sivka foi um dos maiores destaques, é um dos maiores prospects do basquetebol europeu e será alguém a ter em conta já nesta nova época.

Haruka Yagi – Japão

O nosso segundo destaque vem do Japão, falamos de uma extremo que já se havia destacado no Campeonato Asiático sub16, Haruka Yagi que se assumiu neste Mundial como uma das jogadoras em maior destaque surpreendendo até alguns. É uma extremo muito intensa e que se destaca pela defesa, principalmente pela agressividade, mas o que para mim mais saltou à vista foi a forma como ela pensa o jogo e se posiciona em campo, sempre no local certo na defesa e com uma capacidade de antecipação extraordinária. Não é uma jogadora muito alta, mas tem capacidade de ganhar na luta das tabelas pela habilidade de salto. Tem na defesa o seu ponto alto e também nas penetrações, não é uma jogadora que lance de fora, será certamente um dos aspetos que mais vai ter que melhorar, mas a sua agilidade permiti-lhe ser uma seta sempre apontada ao cesto conseguindo desmontar as defesas sempre que acelera.

Annika Soltau – Alemanha

Mudamos para a Alemanha para falar de Annika Soltau, outro dos maiores prospects do basquetebol europeu e que gerava maiores expetativas para este Mundial, todas elas foram cumpridas com Saltou a ser uma das estrelas deste Campeonato do Mundo sub17 mostrando que vai chegar muito longe e que é mesmo uma das melhores desta geração. A alemã vem de uma ótima temporada na 2ª Divisão da Alemanha ao serviço das Towers Speyer, é tida como a futura estrela do conjunto germânico e um dos maiores na Europa. Annika é uma jogadora de posição 3 muito completa, tem nos desarmes de lançamento um dos seus talentos onde mais se evidencia, mas é uma atleta com muita capacidade física, com 1,90, mas nem por isso lenta, na verdade destaca-se pela capacidade de condução e nos contra-ataques. Soltau é uma scorer, consegue marcar de todas as formas, não precisa de muito espaço para pontuar, conseguindo criar os seus lançamentos sendo que tem um ótimo tiro exterior. Jogadora muito completa, que se evidencia nos dois lados do campo e que conjuga a sua estatura com muita técnica, um diamante a ter em conta já nesta temporada e ainda mais para os próximos anos no basquetebol europeu e mundial.

Jana Elalfy – Egipto

De seguida falamos de um dos maiores talentos do continente africano, a egipcia Jana Elalfy. Jogadora de posições interiores, mas muito versátil. Começou a dar nas vistas muito cedo no Al-Ahly, aos 14 anos já era apontada a grandes voos, sendo que neste ano foi a primeira africana a participar a marcar presença na NBA Global Academy na Austrália. Falamos de uma jogadora que pela sua versatilidade e qualidade é usada nas posições 5, 4 e 3, sendo que se tem afirmado como 3 e é ai que parece que é por onde passa o seu futuro. A nível de clubes foi a grande protagonista no Egípcio e uma das maiores em Africa conseguindo uma média de 18 pontos por jogo. É uma jogadora muito móvel com 1,92m, com um QI basquetebolístico muito elevado, que domina na luta das tabelas e é uma scorer de elite. Jana precisa de evoluir no tiro exterior, mas é uma jogadora que no pintado não dá hipóteses, domina e conseguiu solucionar a falta de criatividade no ataque egípcio em muitos momentos partindo de fora para dentro ou mesmo no garrafão. Destaque para o seu mid-range e o footwork. Promessa de muito futuro, um nome a guardar e que tem tudo para ser também ela um dos maiores nomes desta geração.

Awa Fam – Espanha

O nosso último destaque vem de Espanha, não foi o nome que mais se evidenciou nas nuestras hermanas, mas mesmo ofuscada por algumas colegas conseguiu ser uma das maiores protagonistas. Awa Fam viu Iyana Martin Carrion entrar no cinco ideal e Carla Viegas ser outra das jogadoras que mais brilhou neste Campeonato do Mundo sub17, mas a verdade é que Fam confirmou o que já sabíamos, é um dos maiores talentos espanhóis e europeus. Sendo uma das mais novas, é natural que ainda não tenha sido uma jogadora de cinco ideal, mas não esteve longe. É uma das melhores postes com menos de 18 anos a nível mundial que aos 15 anos já aparecia no Valência com ótimos números e com duplo-duplo perante equipas de topo europeu, Awa é mesmo a jogadora mais jovem de sempre a fazer a sua estreia a nível sénior em Valência. Poste completa, que sabe usar a sua estatura e peso, que lê muito bem o jogo, além disso é muito forte na luta das tabelas e uma poste muito difícil de bater no 1×1. A espanhola é um dos talentos mais entusiasmante na Europa, já é apontada à WNBA e o seu teto é muito elevado, poste com muitos recursos técnicos, forte e que se continuar a melhorar o seu tiro pode alcançar um patamar ainda mais elevado.

Ficaram aqui 5 jogadoras que se destacaram muito neste Campeonato do Mundo sub17, algumas das maiores promessas no basquetebol mundial, todos nomes a guardar para os próximos anos.

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José AndradeAgosto 2, 20225min0

Melgaço foi “casa” para a Seleção Feminina sub-15 que estagiou e realizou três jogos de preparação com a Polónia com os resultados a serem o menos importante e neste texto fazemos um balanço deste estágio.

O futuro da seleção nacional esteve em Melgaço no 5º estágio de observação das sub-15 marcado por três duelos com a Polónia. Nota inicial para o muito talento desta geração, a começar pelo facto de terem ficado de fora deste último estágio jogadoras que além da muita qualidade vão também elas complicar as escolhas nos próximos tempos para os selecionadores nacionais. Depois, olhando de forma simplista para os resultados, foram três derrotas e óbvio que não foram os resultados pretendidos, mas tal como já sabíamos antes destes duelos, a seleção polaca era mais forte e a importância destes encontros estava no “confronto” com uma seleção mais rotinada e num outro nível. Os resultados eram o menos importante destas partidas, a grande chave era a aprendizagem que as atletas lusas iam retirar de Melgaço.

Observando o conjunto polaco, um dos primeiros aspetos que saltava à vista era mesmo o facto de algumas jogadoras já possuírem experiência nos campeonatos profissionais da Polónia, somando já bastante tempo de jogo atendendo à idade. Confronto de atletas em fase de evolução diferentes que permitiu retirar muitas ilações, com a primeira ser obviamente a da comprovação do muito talento existente nesta seleção feminina sub-15.
Em relação aos jogos, Portugal foi em crescendo em cada um deles, foi-se notando uma melhoria natural imposta pelo trabalho do selecionador nacional, André Silva e da ótima equipa técnica com que estas atletas puderam trabalhar e aprender. Em outras ilações e olhando para cada um dos jogos, ficou sempre presente as dificuldades iniciais, em todos os duelos Portugal demorou para conseguir mostrar o seu jogo. A pressão polaca foi sempre muita e logo aí esteve um dos pontos que mais problemas criou às lusas neste duelos.

Depois o maior e mais esperado problema foi a questão da luta das tabelas, a altura e maior “andamento” custaram bastante a Portugal com exceção do último duelo onde as melhorias foram evidentes, o crescimento esteve à vista e onde a maior questão foi a eficácia, acabou por ser o ponto fulcral para que os resultados não fossem outros. A seleção feminina sub-15 conseguiu sempre criar, ter uma boa troca de bola no ataque, mas os turnovers resultantes de precipitações no ataque e depois a baixa eficácia em alguns períodos acabaram por criar as diferenças que assistimos e tivemos nos respetivos placares 54-89, 52-84 e 38-72 foram os resultados destas três partidas.

Olhando para o mais importante, é notória a evolução ao longo dos estágios, estas atletas estiveram expostas a uma outra realidade e o acumular de estágios já se fez notar nestes encontros, o crescimento é visível. O trabalho físico, tático e estes duelos com uma seleção que está um pouco mais avançada, todos estes pontos foram de extrema importância para a evolução e crescimento destas atletas que conseguiram trabalhar com os melhores e quem olha para este duelos consegue ver isso mesmo, o quanto evoluíram nestas concentrações do futuro de Portugal.

Esta é uma geração bastante completa e das com maior potencial, existe já um conjunto grande de atletas capaz de estar na seleção, falamos de algumas das maiores promessas em diversas equipas e jogadoras que foram destaques nas fases finais nacionais que tivemos oportunidade de falar no Fair Play e que ao longo da temporada foram conquistado espaço em escalões acima. O talento existente é mesmo muito e estes estágios com encontros como este são oportunidades muito enriquecedoras para estas jovens promessas do nosso basquetebol. Felizmente é algo cada vez mais comum, conseguimos ver isto em todos os escalões, óbvio que outros em preparação para Campeonatos da Europa, mas todas as seleções tiveram ao dispor jogos de preparação com adversárias em fases evolutivas acima e isso foi muito importante para que pudéssemos ter as sub-20, as sub-18 e em seguida as sub-16 preparadas para brilhar nos respetivos europeu.

Aqui o objetivo e o foco era outro, olhar e preparar o futuro e foi isso mesmo que aconteceu, claro que trabalhar em cima de vitórias é melhor, mas o ponto era perceber se existia evolução neste conjunto de atletas e foi isso mesmo que aconteceu e que pudemos constatar no final destes três duelos com a Polónia, por isso mesmo palavra para o grande trabalho do selecionador nacional, André Silva e da sua equipa técnica que ajudou bastante as nossas futuras estrelas.

Na nossa seleção feminina sub-15 tivemos alguns destaques individuais, Mariana Barros foi quem mais brilhou, mas Denise Neves, Laura Silva, Ana Alves, Mercedes Schneider, Rita Chainho, Isabel Azevedo ou Miriam Queta, também se evidenciaram bastante, todas as nossas jogadoras mostraram algo ao longo dos três jogos, reforçando mesmo o que já sabíamos, todas elas têm imensa qualidade. Muitos destaques, Portugal jogou bem, mesmo que por vezes a espaços todas as atletas conseguiram colocar-se em evidência em vários momentos destes duelos e fica ainda mais a certeza que vamos ouvir falar muito destas jogadoras em breve e que todas elas vão chegar bastante longe não só no nosso basquetebol como a nível internacional.

Este texto não serve para relativizar resultados, mas sim para reforçar a importância destes momentos e principalmente o quão importante foi ver como cresceram nas últimas semanas as mais jovens promessas do nosso basquetebol constatando ainda e mesmo perante a qualidade da Polónia e as dificuldades que sentimos, a muita qualidade de jogo da seleção feminina sub-15.

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José AndradeJulho 29, 20225min0

A Jordânia trouxe-nos novamente o Campeonato Asiático sub16 e é sobre as 5 jogadoras que mais se destacaram no torneio que hoje vos vamos falar, apresentando cada uma destas jogadoras em evidência e que são nomes a guardar para o futuro.

Maia Jones – Nova Zelândia

Começamos pela base Maia Jones, um dos maiores talentos desta geração. A neozelandesa tem uma combinação de skills que cedo a colocaram em destaque nesta competição onde acabou mesmo por ser uma das melhores. Maia Jones é uma base muito rápida e que se evidencia pelo seu QI, a forma como pensa o jogo antecipando os movimentos das adversárias e das suas colegas aliando ainda uma qualidade de passe impressionante fazem com que seja sempre uma jogadora que em todos os jogos salta à vista. A base é ainda forte no 1×1, muito intensa na defesa onde pressiona sempre bastante demonstrando agressividade e também por esse motivo é sempre uma jogadora com vários roubos de bola. Outra das características da neozelandesa é a liderança, tem uma voz de comando que se pode ouvir muito ao longo dos jogos. Uma dos propects com maior futuro que esteve presente neste Campeonato Asiático, pela habilidade, mentalidade, liderança e porque ainda é jogadora de momentos decisivos, nunca tem medo de assumir o jogo e já mostrou um talento nato para os últimos segundos de cada jogo. Um grande talento que é para manter debaixo de olho.

Isla Juffermans – Austrália

Mudamos para o outro dos maiores destaques, Isla Juffermans que foi a dona e senhora no que ao jogo interior diz respeito. A poste cedo se destacou, mas foi com 16 anos e a jogar no Campeonato Australiano sub-18 ao serviço de NSW Country que se deu a conhecer afirmando-se como um dos maiores “diamantes” australianos com menos de 18 anos. Nesta altura e com 17 anos a poste chegou a este Campeonato Asiático com muitas expetativas e saiu como a melhor poste da competição. Foi visível a evolução desta jogadora desde o referido Campeonato Australiano sub-18, principalmente no “tiro” que era o ponto mais deficitário do seu jogo e onde já conseguiu mostrar bem mais na Jordânia. Isla é uma poste de 1,93m com bom footwork, dominante nas tabelas, consegue defender jogadoras com menor estatura e com maior velocidade e depois o ponto de destaque mesmo foi a sua evolução no ataque, na forma como trabalha com bola, está uma poste cada vez mais completa, e continuando a evoluir assim pode mesmo chegar bastante no basquetebol internacional.

Kokoro Tanaka – Japão

O nosso terceiro destaque vem do Japão, Kokoro Tanaka uma das várias jogadoras japoneses que se evidenciaram nesta competição. A base foi surgindo em todos os jogos e teve no duelo da final o seu melhor, mesmo não conseguindo que as japoneses vencessem a Austrália na final. Kokoro é uma base muito ágil, com muitos recursos técnicos que sabe usar muito bem para ultrapassar as marcações e abrir espaços para as suas colegas e depois é uma atleta inteligente, evidencia uma leitura de jogo que a colocou sempre à frente de todas as outras nesta competição. Depois o maior destaque do seu jogo é o tiro exterior, foi a melhor atiradora deste Campeonato Asiático ajudando muito o conjunto nipónico em alguns momentos mais delicados em que as coisas não fluíam tão bem. Kokoro Tanaka é uma base que precisa de melhorar na defesa, mas no ataque é bastante completa principalmente pela sua inteligência e pela facilidade de atirar, estamos a falar de uma jogadora que tem tudo para ser uma atiradora de elite.

Inye Yang – Coreia do Sul

Continuando, vamos para o quarto maior destaque deste Campeonato Asiático sub16, desta vez é Inye Yang uma base sul-coreana que brilhou muito em todo este torneio. A Coreia do Sul conseguiu o terceiro lugar e muito pelo que esta base fez. Falamos de uma jogadora criadora, tem uma capacidade de fazer tudo fluir que impressiona. A base é uma scorer, garante sempre muitos pontos, consegue marcar de todas as formas e depois é muito habilidosa, o que lhe proporciona uma capacidade de descobrir e inventar espaços para atacar o cesto ou para atirar, sendo que o tiro é outra das suas armas, não sendo como Kokoro Tanaka, Inye também possui qualidade e capacidade neste parâmetro. A sul-coreana é uma criativa, consegue arranjar sempre linhas de passe ou espaço para ataques ao cesto, uma base que impressiona bastante pela sua intensidade e qualidade, salta muito à vista a forma como parece que é impossível travá-la. Inye Yang foi dos prospects que mais se evidenciou e podemos já dizer que é um dos maiores talentos de 2005 a nível mundial.

Kira-May Filemu -Samoa

O nosso último destaque é da Divisão B, foi a jogadora que mais se evidenciou por lá. Kira-May Filemu é uma extremo de imenso potencial e que estando na Divisão B poderá não ter tido a atenção devida. Falamos de uma jogadora rápida mesmo tendo quase 1,80m, com habilidade e que se destaca em tudo. Uma jogadora versátil, trabalhadora e que tem qualidade. Capaz de jogar em várias posições o que foi acontecendo ao longo deste torneio, cumprindo e brilhando em todas. Filemu defende bem, consegue mesmo ganhar nos duelos com jogadoras de maior estatura e peso, além de travar jogadoras mais rápidas, depois no ataque apresenta vários recursos técnicos e ainda tem um tiro exterior de qualidade. É uma jogadora com habilidade, com capacidade física mesmo não sendo muito possante e depois é muito versátil, compreende muito bem o jogo e sabe usar as suas qualidades como poucas principalmente nestas idades. A samorense foi mesmo uma das revelações para mim neste Campeonato Asiático sub16.

Ficaram aqui 5 jogadoras de muito futuro e que se destacaram bastante neste Campeonato Asiático sub16 que uma vez mais nos deu imensas jogadoras que devemos guardar porque muito em breve vão estar nas bocas do mundo.

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José AndradeJulho 27, 20227min0

Em contagem decrescente para o Campeonato da Europa em Sofia que decorre de 30 de julho a 7 de agosto, falamos dos últimos jogos de preparação da seleção sub-18 feminina e olhamos para o que podemos esperar nesta grande competição.

Portugal vs Irlanda: Vencer sem deixar dúvidas

Em Carnide, a seleção feminina sub-18 começou por defrontar a Irlanda vencendo os dois duelos de forma confortável. No primeiro encontro triunfo por 95-30 e no segundo por 79-36. Foram dois jogos onde Portugal foi superior e não deixou margem para dúvidas, estando sempre na frente e sem dar qualquer tipo de hipótese aos seus adversários. A defesa irlandesa nunca conseguiu suster o ímpeto do ataque luso e a defesa portuguesa anulou sempre as investidas visitantes. Estes dois duelos foram importantes para se ver mais de algumas jogadoras como Fatumata Djaló ou Matilde Pereira e para que ficasse evidente a progressão na qualidade de jogo da seleção nacional. Triunfos esclarecedores, que impressionaram e que estabeleceram já o nível onde a seleção sub-18 feminina está ou seja estas vitórias deixaram bem evidente que as portuguesas são das melhores da Divisão B.

Portugal vs Bélgica: Prontas para ir encantar na Bulgária

Nos duelos com a Bélgica foi tudo diferente, como esperado as dificuldades foram maiores e por isso mesmo os resultados. No primeiro jogo as comandadas de Agostinho Pinto triunfaram por 69-57 e no segundo as belgas levaram a melhor por 70-68. Depois de dois triunfos esclarecedores, Portugal sentiu mais problemas com a seleção Belga, como era previsível, pois foram os detalhes a fazer toda a diferença perante uma das seleções europeias mais fortes. No primeiro jogo e mesmo com muito equilíbrio, as lusas estiveram sempre por cima, conseguiram mostrar a sua qualidade de jogo, a boa circulação de bola e a pressão ajudou a que as belgas nunca conseguissem ter nenhum período ascendente.

No segundo duelo foi bem distinto, o ataque luso já sofreu mais perante a pressão intensa das belgas, além de que no primeiro jogo o tiro exterior tinha aparecido e neste devido à defesa adversária isso não se sucedeu. Foram dois duelos bem importantes para terminar a preparação, permitiram ver que tínhamos que fazer ajustes para defender seleções como as belgas onde as jogadoras tem facilidade de tiro e principalmente no segundo duelo isso fez a diferença. O ataque luso mesmo com mais problemas no segundo duelo mostrou sempre qualidade, mobilidade e muita técnica que criou dificuldades as belgas.

Neste último jogo a grande questão foi o cansaço notório e a defesa, os ajustes não resultaram e não se conseguiu anular o ataque adversário que fosse na procura pelas postes ou na maior circulação na busca por uma linha de passe para uma atiradora conseguiu sempre pontuar, mas as ilações destes jogos em Carnide foram muito boas, o ataque foi mesmo o maior destaque e saímos destes duelos com a certeza que vamos ter uma prestação lusa de alto nível em Sofia.

As escolhas para o Campeonato da Europa

Estas foram as escolhidas para representar Portugal. Vamos com a certeza de que podemos sonhar, é possível conseguir algo deste Europeu, a qualidade desta seleção permite pensar em lugares de topo. Nas escolhas, Inês Bettencourt, Gabriela Falcão, Laura Silva, Ana Pinheiro e Andrea Chiquemba assumem-se como jogadoras que podem vir a estar entre os destaques deste Campeonato da Europa. Mencionar ainda Matilde Pereira, Marta Roseiro e Cristina Freitas que vão ser os “jokers” desta seleção sub18 feminina, jogadoras que vão crescer com a competição e podem ser as sixth women’s do Europeu e também elas grandes destaques em Sofia.

Um olhar para as “rivais” neste Europeu

No Campeonato da Europa, Portugal vai estar no Grupo A da Divisão B onde vai enfrentar as seleções da Croácia, do Luxemburgo, da Macedónia do Norte e da Grã-Bretanha. O primeiro jogo é dia 30 frenta à Macedónia do Norte pelas 14h00, no dia seguinte a equipa das quinas defronta a Croácia pelas 14h15. O terceiro jogo é no dia 2 de agosto pelas 14h15 frente ao Luxemburgo e no dia seguinte o último jogo da fase de grupos frente à Grã-Bretanha pelas 14h00.

Olhando para cada uma das seleções, a Croácia será uma das adversárias mais fortes com a estatura a ser um dos pontos em evidência, mas não só, pois este conjunto possui jogadoras de qualidade e onde muitas delas já jogam ao mais alto nível. Destaque para Lucija Banovic, uma extremo que foi destaque nas sub16 e que vem de ser uma peça fundamental no Tresnjevka, quartas classificadas da fase regular na liga croata. Lucija é um dos maiores talentos de 2004, uma jogadora que domina nas tabelas, muito móvel e que tem facilidade para pontuar, um verdadeiro talento geracional e que vai ser uma dor de cabeça para as portuguesas. Depois destacar ainda Franka Cuklin uma poste e Lana Beslic base, duas jogadoras que também já tem andamento de primeira liga croata. Cuklin é uma poste com bom footwork e Beslic é uma base criadora que se destaca mais pela visão e qualidade de passe, mas a Croácia será um osso duro de roer.

Passando para as luxemburguesas, uma seleção que chega com menos créditos, mas que nem por isso deve ser desvalorizada. A qualidade técnica não é tanta, mas existe, o maior destaque individual desta seleção: Faith Etute, uma extremo muito forte fisicamente e que mesmo sendo muito jovem foi uma das peças mais utilizadas do Dudelange equipa campeã luxemburguesa e que vai defrontar o Benfica na fase de grupos da Eurocup. Etute foi a jogadora em maior evidência no Europeu sub-16 e chega aqui depois de uma ótima temporada onde mostrou evolução, é uma jogadora poderosa fisicamente, que se impõem nas tabelas e que consegue surgir nos dois lados do campo.

Mudando para a Macedónia do Norte, é a seleção com a média de altura mais elevada deste grupo, jogadoras altas e com alta capacidade física, não tem a capacidade técnica de Portugal, mas tem algumas atletas que se destacam tais como, Anastasija Todorova uma base que foi um dos destaques nas sub16 em 2021, será a responsável pelo ataque e pela criatividade. Todorova é uma base muito móvel e com técnica. Depois nas outras atletas que se podem evidenciar: Mihaela Aleksovska uma base versátil, isto porque falamos de uma jogadora muito completa porque tem um naipe de recursos técnicos que a colocam em evidência sempre, mas também porque defende bem, sendo intensa e agressiva, depois é uma jogadora que atira bem e tem facilidade de lançamento. Por fim, Marija Nikolov que foi quem mais se destacou nesta seleção nas sub16 e que vem de uma ótima temporada ao serviço das KAM Basket vice-campeãs na Macedónia do Norte, mas falamos aqui de uma jogadora de posição 4, com bastante mobilidade e que técnica.

Na última seleção, a Grã-Bretanha é um conjunto com muitas soluções, talvez das com mais profundidade na competição, e também com jogadoras de recursos técnicos e com capacidade e estatura para a luta das tabelas. Nos destaques individuais temos, Isobel Bunyan uma extremo com capacidade física e ainda Natalie Charity uma base que esteve em bom plano no Nottingham Wildcats e que garante bastante qualidade de passe, além de ser a jogadora que vai assumir a responsabilidade de “criar” no ataque e que se destaca pelo 1×1. Seleção que não tem uma super estrela, mas que tem profundidade e muitas soluções, podendo mesmo surpreender em vários momentos pelas apostas sendo ainda um conjunto homógeneo e que que tem ai mesmo a sua maior força.

A Seleção sub-18 feminina vai para a Sofia com possibilidades de subir à Divisão A e de ainda conseguir algo mais, esta seleção permite-nos sonhar muito, nada é irrealista porque a nossa seleção joga muito bem, tem algumas das melhores jogadoras que vão estar presentes e é uma dos conjuntos mais fortes, o sonho é real e possível.

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José AndradeJulho 23, 20229min0

Orgulho será a melhor definição para o que a seleção feminina sub-20 fez no Campeonato da Europa onde conseguiu igualar a melhor classificação de sempre na categoria, mas vamos olhar para cada um dos jogos e ainda para os destaques desta prestação de luxo de Portugal em Sopron.

Fase de grupos – Primeiro lugar com muito brilhantismo

Começamos por olhar para a fase de grupos onde a seleção feminina sub-20 conseguiu vencer o Grupo D depois de triunfar perante as seleções da Irlanda e da Letónia. O primeiro duelo colocou a equipa das quinas frente a uma Irlanda muito competente, mas que não conseguiu lidar com a qualidade portuguesa, foi uma entrada de alto nível para as lusas com uma vitória por 68-47. Portugal liderou praticamente o jogo todo, controlando e deixando as irlandesas em dificuldades, foi uma partida que deixou evidente que íamos ter uma prestação lusa de grande nível neste europeu. As comandadas de José Araújo desde cedo mostraram outro “andamento”, a pressão alta portuguesa, a velocidade, técnica e qualidade evidenciada nos ataques trabalhados deixaram sempre as irlandesas com problemas que a juntar a isso no ataque não conseguiam criar e perante a boa defesa lusa que obrigou a seleção visitante a errar muito. Nota para incapacidade irlandesa fora do garrafão, foram apenas 3 lançamentos convertidos sendo que só um deles foi da linha de três pontos.

Depois de uma entrada impressionante de Portugal, a seleção lusa venceu no segundo jogo a Letónia por 74-45, um triunfo ainda mais impressionante. Domínio absoluto português, que evidenciava a muita qualidade que sabíamos que existia nesta seleção perante a Europa, uma exibição que colocava a equipa das quinas entre os grandes destaques desta competição. Destaque para a rotação nacional, se Ana Barreto neste duelo colocou o seu nome entre as potenciais candidatas a MVP deste Campeonato da Europa, o outro ponto de destaque foi a entrada das muitas soluções nacionais, ou seja, todas as jogadoras conseguiram entrar muito bem, nesta altura Mariana Cegonho já se assumia como a Sixth woman deste conjunto luso, mas todas as outras foram sempre entrando muito bem, como no caso de Sara Peres que mesmo sem pontuar foi das que melhor entrou.

O terceiro duelo colocou as portuguesas frente a frente com uma das seleções mais fortes, o jogo foi de muita luta, emoção, mas a Sérvia levou a melhor por 55-50 depois de dois prolongamentos. Jogo muito equilibrado, foi a Sérvia que começou melhor e que conseguiu um ligeiro ascendente na primeira parte, com as portuguesas a reagir muito bem logo no terceiro período. O quarto período acabou por pender para o lado sérvio e isso levou-nos a dois prolongamentos espetaculares. Luta e garra foram as palavras chave deste encontro, luta porque a seleção lusa foi incansável, recordar que neste duelo a equipa das quinas já não contou com Filipa Barros que se havia lesionado no duelo com a Letónia e isso obrigou a que jogadoras como a Leonor Faial ou Beatriz Polici assumissem ainda mais protagonismo na equipa, nada serviu de desculpa e lutar foi mesmo a palavra de ordem mesmo perante as dificuldades impostas pelas Sérvia e garra que nunca faltou em nenhum momento deste encontro. Este duelo foi onde a questão do jogo interior se colocou, aquele que expos mais algumas debilidades lusas nesse ponto, além da quebra no tiro exterior, a agressividade sérvia neste jogo levou o conjunto das quinas tivesse uma eficácia abaixo dos 14% na linha de três pontos, mas tudo isto só levou a que se visse a outra cara da nossa seleção, a de lutar por cada bola e de continuar sempre até ao fim a acreditar e a fazer tudo para consumar a reviravolta no jogo. Não se conseguiu a vitória, mas mesmo assim Portugal ficou com o primeiro lugar do Grupo D avançando para os oitavos de final.

Oitavos de final – Manutenção e sonho cada vez maior

No duelo que garantiu os quartos de fina, Portugal venceu a Bulgária por 90-54, nova exibição de luxo da equipa das quinas. Este jogo marcou ainda mais o aparecimento de Leonor Faial, ela que já tinha estado muito bem no duelo anterior, mas que deu o passo em frente e também ela se colocou em posição de destaque neste Europeu. Este foi o melhor jogo de Portugal, domínio absoluto, sem falhas e sem espaço para desconcentrações. A seleção feminina sub-20 dominou nas tabelas, soube gerir sempre os ritmos de jogo e voltou ao nível habitual na linha de três pontos, nova demonstração da qualidade lusa e de que estávamos a confirmar o que sabíamos de antemão, que esta seleção era uma das melhor no europeu.

Quartos de final – Nada apaga o que esta seleção fez

A vitória anterior deu a Portugal a passagem aos quartos de final e ainda a manutenção na Divisão A, só aqui estava um feito grande deste conjunto de José Araújo. No jogo, a equipa das quinas perdeu perante a seleção gaulesa por 77-35, foi o jogo onde se notou mais o cansaço das nossas atletas, que nunca deixaram de lutar, mas que não conseguiram lidar com o poderio francês. A luta das tabelas voltou a ser um problema, a eficácia foi um dos outros, mas notou-se alguma fadiga em elementos preponderantes para as lusas. Jogo que não demonstrou a qualidade portuguesa ou mesmo o que lutaram nesta partida, as francesas como já se sabia eram favoritas, mas o resultado acabou por ser demasiado desnivelado. Derrota pesada, mas que não apaga ou mancha o que as atletas nacionais fizeram até então.

Quinto e sexto lugar – Acabar com história

Nos dois últimos jogos, Portugal lutou pelo quinto lugar, vencendo a Polónia por 58-51 e depois no jogo decisivo perdendo com a Hungria por 75-50. Igualada a melhor posição da seleção sub20, sexto lugar e uma prestação soberba, o derradeiro duelo não correu como se queria ou como esta seleção merecia, mas tal como a França, as húngaras eram favoritas e conseguiram confirmar isso no jogo. Portugal saí de cabeça mais que erguida, demonstrando na Europa que somos das melhores do continente e que sem lesões e alguns azares podemos atingir ainda mais.

Nota muito importante para a qualidade de jogo da nossa seleção em Sopron, foi sempre um dos destaques a cada jogo e depois mencionar o trabalho da equipa técnica lusa que soube sempre ler muito bem cada momento de jogo, além das correções e da forma como sempre elevou a nossa seleção mesmo com os percalços que foram acontecendo. Sexto lugar para a seleção feminina sub-20, prestação incrível e muito orgulho nestas jogadoras portuguesas, poucos acreditavam na manutenção fora de Portugal e não só conseguimos continuar na Divisão A como vencer algumas das seleções mais fortes, provando que este é o nosso lugar e que somos também nós das melhores seleções da europa.

Destaques individuais – Algumas das melhores da competição

Começamos os nossos destaques por Ana Barreto, fica impossível não iniciar pela jogadora que esteve na luta pelo prêmio de MVP e que podia ter figurado no 5 ideal da competição. Ana Barreto foi a jogadora que mais minutos somou neste Europeu, a quinta melhor no que ao tiro exterior diz respeito e a oitava jogadora com mais pontos. Ana Barreto a deixar ainda mais claro que é uma das melhores jogadoras da sua geração depois de um Campeonato da Europa onde brilhou do principio ao fim. Continuando a falar dos destaques, mudamos para Jéssica Azulay que se assumiu como uma das melhores interiores desta competição, nem sempre foi fácil, foi obrigada a lutar com jogadoras mais experientes e com uma estatura mais elevada, mas isso só fez brilhar a inteligência e qualidade da jovem jogadora do SC Braga. Continuando pelas nossas atletas, mudamos para Inês Vieira que foi uma das melhores da competição e nem sempre tão valorizada como devia, mas Inês Vieira espalhou classe em todos os duelos disputados em Sopron, foi das jogadoras mais regulares deste europeu e acabou ainda como uma das cinco atletas com mais roubos de bola deste Campeonato da Europa.

Em seguida falar de Leonor Paisana, mais uma atleta que não sai devidamente valorizada deste Europeu mesmo perante as suas exibições. Leonor Paisana deu sempre muito a Portugal conseguiu jogar e mais que isso fazer jogar, deixando à vista do mundo uma vez mais a sua qualidade de passe, visão de jogo e técnica, uma demonstração de grande nível da jovem portuguesa. Falar de Mariana Cegonho que na antevisão diria que poderia vir a ser um dos jokers desta seleção e foi isso mesmo que aconteceu, Mariana Cegonho surgiu em grande plano em todos os duelos e foi mesmo uma das melhores. Beatriz Polici, Eva Carregosa e Leonor Faial foram em crescendo neste europeu, terminando também elas como figuras muito importantes da nossa seleção e deixando à vista a imensa qualidade de cada uma delas. Por fim palavra para Sara Peres que mesmo com menos tempo de jogo, entrou sempre muito bem, mesmo com tarefas mais “invisíveis” a jovem do CPN correspondeu e foi importante em vários momentos nos jogos e depois Maria Cruz, a poste que sempre que foi lançada rendeu e ajudou bastante em momentos cruciais.

Ficou aqui um olhar para a campanha da seleção feminina sub-20 no Europeu, um sexto lugar e uma prestação luxuosa das nossa seleção.


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