Arquivo de Rui Costa - Página 2 de 2 - Fair Play

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Davide NevesAgosto 1, 201712min0

Helena Dias é a próxima convidada na nossa mini-série de entrevistas a personalidades do ciclismo, depois dos irmãos Sabido. Com um conhecimento vasto sobre o ciclismo nacional e com uma paixão imensa pela modalidade, Helena Dias realiza um trabalho verdadeiramente notável no acompanhamento das provas nacionais e na participação dos ciclistas portugueses em provas no estrangeiro. No dia de aniversário do Fair Play, Helena Dias antevê a Volta a Portugal.

 

fpHelena, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play, por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples e atual: como nasceu a paixão pelo ciclismo?

HD: A paixão pelo ciclismo surgiu com a Volta a Portugal. Em pequena ficava pregada ao televisor todos os verões a ver a Volta. Tudo me fascinava, desde o colorido do pelotão até à fuga, pela qual torcia diariamente. Para além disso, sempre nutri uma profunda admiração por Marco Chagas, primeiro como ciclista e posteriormente enquanto comentador, com quem aprendi a ouvir os seus comentários televisivos. Bem mais tarde, em 2010 comecei a olhar ao ciclismo internacional e a colaborar profissionalmente com a modalidade.

fpO FC Porto e o Sporting regressaram no ano passado ao ciclismo, depois de terem estado de fora durante vários anos. Existem rumores que o SL Benfica poderá regressar também. Acha que os seus regressos contribuíram para elevar a modalidade?

HD: Não sei se elevar será o melhor termo para descrever os seus regressos. Trouxeram um maior mediatismo, não tanto quanto pessoalmente esperava relativamente ao interesse dos meios de comunicação social. Trouxeram um melhoramento monetário às respectivas equipas, com as quais reentraram no ciclismo, e também um melhoramento nas condições dadas aos ciclistas. Contudo, neste tema tenho uma opinião muito similar à já referida por Marco Chagas. Gostaria que os clubes de futebol tivessem regressado com estruturas próprias e não as já existentes, principalmente no que toca ao caso da equipa Sporting-Tavira, que viu um clube histórico como o Clube de Ciclismo de Tavira ficar à sombra do clube leonino.

fpQual é a principal razão para o sucesso da W52-FC Porto?

HDA resposta a esta pergunta é complicada. Na minha modesta opinião, penso haver um conjunto de factores que conduzem ao sucesso da W52-FC Porto. Primeiramente, o factor Gustavo Veloso, pois foi um dos pilares que fez a estrutura permanecer de pé nos difíceis primeiros anos em que a equipa subiu ao escalão continental. Além de ser um ciclista de qualidade comprovada, não só pelas vitórias na Volta a Portugal como na Volta a Catalunha, Gustavo é visto carinhosamente como o “papá Veloso” por todos os que pedalam a seu lado e penso que isso diz muito do seu carácter, que une e fortifica o grupo. O factor monetário conjugado com a qualidade do plantel é também fundamental, pois esta equipa consegue contratar um conjunto de ciclistas de grande qualidade. Podemos vê-lo no ranking nacional da APCP “Ciclista do Ano”, onde tem actualmente cinco ciclistas no Top 20, liderando com Amaro Antunes e estando no comando do ranking “Equipa do Ano”. O factor Nuno Ribeiro, ex-ciclista profissional e vencedor da Volta, que exerce a função de director desportivo, sublinhando-se a forma como integra cada elemento da equipa e dá oportunidade a todos de competirem por igual nas diversas provas ao longo da temporada. Por último o factor união, pois ao interagir com o grupo percebemos que são muito mais do que uma equipa, mostrando respeito e lealdade entre todos.

fpA Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua opinião, o grande problema?

HD: O escalão em que a Volta a Portugal está actualmente inserida não pode receber equipas WorldTour no seu pelotão. Têm-se feito esforços para que suba de escalão, como aconteceu esta temporada com a Volta ao Algarve, que já anteriormente podia receber equipas WorldTour, e a Volta ao Alentejo, que passou a poder integrar estas equipas. A meu ver, um dos principais problemas da Volta a Portugal passa pelo descurar do calendário por parte da UCI, que ao longo dos anos deixou proliferar inúmeras corridas para os mesmos dias da nossa Volta, que já tem de lidar com a proximidade da Vuelta a España. Fala-se sobre mudar a Volta para outro mês do ano, pessoalmente não vejo que essa seja a melhor solução.

fpComo é comentar ocasionalmente, em televisão, provas como o Giro d’ Italia ou o Tour de France, na Eurosport Portugal?

HD: É o coroar de um sonho e de anos de estudo. Licenciei-me em Comunicação Social e Cultural e sempre sonhei trabalhar em televisão, mas tomei outro rumo profissional. O primeiro convite para comentar uma etapa do Giro surgiu em 2014, sem estar à espera, e este ano o Eurosport renovou o convite no Giro e no Tour. Acaba por ser a junção de duas paixões, a televisão e o ciclismo, com o acréscimo de se tratar de duas das maiores provas do ciclismo mundial.

Helena Dias faz o acompanhamento das provas nacionais ao detalhe. (Foto: Facebook Helena Dias)

fpQuem parte com favoritismo para esta edição da Volta a Portugal?

HD: Sem dúvida alguma, a W52-FC Porto e Gustavo Veloso. Esta temporada, tem mostrado ser a equipa mais forte nas provas disputas até ao momento e é a defensora do título da Volta a Portugal, que vem conquistando consecutivamente desde 2013. O Gustavo é o líder assumido e tem duas Voltas no seu palmarés, mas a equipa tem outros nomes capazes de vencer a Volta, como demonstrou na edição transacta o vice-campeão nacional Rui Vinhas.

fpPortugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

HD: Tenho quase 100% de certeza. Não só com os nomes referidos, não esquecendo o talento em maturação Nuno Bico, como também um ou outro rosto que poderá subir ao WorldTour num futuro próximo.

fp: A nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que têm ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa?

HDO Campeonato do Mundo é uma corrida muito particular, talvez das provas de um dia mais difíceis de vencer pelo seu significado e consequente entorno psicológico que envolve o ciclista. Ser campeão do mundo, seja qual for o desporto em causa, é de uma grandeza sem igual para qualquer atleta. O feito alcançado por Rui Costa, da forma lutadora e sábia como foi conseguido, tem um valor incomensurável para o ciclismo português. A vitória nesta prova depende muito do percurso em causa se adequar ou não às características de cada um dos ciclistas portugueses. O potencial de Rui Costa continua lá para envergar novamente a camisola arco-íris, mas não seria surpresa para mim ver no futuro essa camisola no corpo de Rúben Guerreiro.

fpA Helena faz a cobertura detalhada da participação nacional em provas lá fora, bem como a cobertura de todas as provas de ciclismo nacionais, algo que é notável… O seu trabalho já começa a ser reconhecido, nomeadamente através do seu blog?

HD: O meu trabalho começou por ter reconhecimento internacional, visto eu ter começado a colaborar no ciclismo com uma empresa espanhola, a Pedaleo, que me ligou aos meios de comunicação estrangeiros, ciclistas e equipas internacionais. Posteriormente, quando iniciei a colaboração com a Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, chegou o maior dos reconhecimentos que poderia ter… o pelotão nacional e os ciclistas portugueses, a quem sempre agradeço a disponibilidade imediata na colaboração com o meu blog Cycling & Thoughts. Embora tenha em conta que este é um nicho de mercado em Portugal, estou satisfeita com o crescimento do blog e a receptividade dos fãs de ciclismo, com quem tento ter uma proximidade e troca de ideias através das redes sociais, pois é para eles que escrevo.

fpEm jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

HD: Eu não tenho opinião quanto ao melhor ciclista de sempre. Penso que é sempre redutor dizer apenas um nome, quando não podemos comparar ciclistas de características diferentes. Há ciclistas que marcam as minhas memórias em diferentes momentos. No que toca aos portugueses, Marco Chagas por ser o português com maior número ganho de Voltas a Portugal, passando pela força da natureza que foi Joaquim Agostinho, o campeão do mundo Rui Costa e o nosso ciclista mais internacional dos recentes anos Sérgio Paulinho, que construiu uma carreira singular ao serviço das melhores equipas do pelotão internacional. Relativamente aos estrangeiros, Alberto Contador surge no topo da lista por ser um exemplo de superação pelo grave problema de saúde que passou em 2004, regressando à competição quando pouca probabilidade tinha de conseguir fazê-lo, por tudo o que conquistou até hoje e por ser dono de uma garra, classe, impetuosidade e querer quase inabalável, como referi há dias. Numa escala diferente, o vencedor de cinco Voltas a Portugal David Blanco, o galego mais luso de todos os tempos no coração dos portugueses.

fpQual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

HD: A Volta a Espanha já esteve em Portugal, se não me engano em 1997 quando partiu de Lisboa. Nos mais recentes anos tem-se falado sobre a possibilidade de voltar a começar em território luso, nomeadamente no norte. Pelo que tenho tido conhecimento, o factor monetário tem sido o principal entrave para que tal suceda, pois como é do conhecimento de todos Portugal e consequentemente os municípios têm passado por restrições orçamentais. Mas é claramente benéfico para o ciclismo nacional voltar a ter Portugal no mapa da Vuelta.

fpA Volta a Portugal pretende inovar, mas a não inclusão de uma chegada na Torre causa alguma indignação. Acha que a Torre deveria ser quase obrigatória com final da etapa-rainha?

HD: Para a maioria do público, retirar o final de etapa na Torre é como retirar o ex-líbris da Volta a Portugal. Trata-se de um símbolo da Volta, que prende os aficionados ao ecrã da televisão para descobrir quem será o rei da Torre e retirar esse símbolo é um facto que causa a referida indignação. Para equipas e ciclistas, retirar a subida final ao ponto mais alto de Portugal Continental é negar a possibilidade de produzir maiores diferenças de tempo entre os candidatos à vitória final da camisola amarela.

 

fpPor fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

HD: Penso que é dos desportos onde há maior fair play entre os atletas e isso pode comprovar-se no final das etapas, quando ciclistas de diferentes equipas cumprimentam o rival pela vitória acabada de alcançar.

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Davide NevesJulho 29, 20178min0

Nuno Sabido é um nome conhecido dos adeptos do ciclismo. O português, de 46 anos, destacou-se sobretudo na vertente técnica da modalidade, sendo também comentador desportivo. Esta entrevista abre uma mini-série onde mais personalidades ligadas à modalidade serão entrevistados, com antevisão á Volta a Portugal 2017.

fpNuno, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play, por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples: o que achou da Volta a França?

NS: A 104.ª Edição da Volta a França em Bicicleta, não deixou de ser e de ter o espetáculo pelo qual ansiava. Porém, creio que por influência dos percursos escolhidos, as duas primeiras semanas não satisfizeram as minhas expectativas.

O melhor contudo, esteve de facto guardado para o final, com a 3.ª semana de Corrida, a compensar as anteriores.

O Ciclismo moderno é muito valioso, tendo-se tornado muito estratégico. A ousadia faz cada vez mais parte do passado e raramente vence Corridas.

fp: Em Portugal, o FC Porto e o Sporting regressaram no ano passado ao ciclismo, depois de terem estado de fora durante vários anos. Existem rumores que o SL Benfica poderá regressar também. Acha que os seus regressos contribuíram para elevar a modalidade?

NS: Naturalmente que o aparecimento de novas Equipas em Portugal é absolutamente positivo e necessário.

A velocipedia nacional carece no entanto, de novos Projetos profissionais, com novas mentalidades e com outros valores.

O regresso destas equipas ao Ciclismo profissional, não contribui porém, para alterar o marasmo em que o mesmo está mergulhado á décadas.

fpQual é a principal razão para o sucesso da W52-FC Porto?

NS: Considero não apenas uma razão, mas várias, entre as quais destaco: a noção de responsabilidade e organização existente nos dirigentes, em nunca desiludirem os Atletas, provoca nos mesmos, “um estado” de invencibilidade, fazendo despoletar uma solidariedade interna, que resulta numa união exemplar e extremamente sólida.

“Um Atleta feliz é um Atleta vencedor”.

fp: A Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua opinião, o grande problema?

NS: Não existe nenhum problema, existem sim condicionantes. A data em que a mesma se realiza colide diretamente com os interesses desportivos das equipas WorldTour. É no entanto, a data ideal, para A Volta a Portugal e para tudo o que a mesma faz movimentar e representa.

As características da Volta a Portugal tornam-na numa das Corridas mais exigentes do ponto de vista físico e mental, sendo também por isso, muito difícil derrotar os Atletas das equipas portuguesas. 

fpComo é comentar, em televisão, provas como o Tour de Suisse (na CMTV) ou a Vuelta a España (na TVI24)?

NS: Todas as minhas atividades profissionais estão diretamente ligadas ao desporto e em particular ao Ciclismo, passo literalmente 24h sobre 24h a trabalhar com Aletas e a pensar em Ciclismo.

Comentar Ciclismo é no entanto, o que mais gosto de fazer. Deixa-me em total êxtase.

Nuno Sabido é comentador regular de ciclismo na TVI 24.
(Foto: Jornal Record)

fp: Quem parte com favoritismo para esta edição?

NS: Definitivamente um Atleta do W52 – FC Porto.

fpPortugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

NS: É perfeitamente legítimo e racional que pensemos assim e que acreditemos no valor da maioria dos Atletas referidos. Entre os demais, o Rui Costa é um dos melhores Atletas do mundo e já provou por várias vezes, que tudo é possível.

fpA nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que têm ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa?

NSAbsolutamente.

No Ciclismo moderno, os Atletas portugueses são cada vez mais favoritos.

fpComo viveu a vitória do Rui Costa em Florença, em 2013? Esse dia foi histórico para o desporto português, com a vitória também do tenista João Sousa num torneio ATP…

NS: Vi (como não podia deixar de ser) atentamente toda a Corrida na companhia do meu irmão Hugo Sabido. Na passagem pelos ~3 kms finais, já transpirávamos das palmas das mãos, antevendo efusivamente a sua vitória. Escusado será dizer que entre nós (eu e o meu irmão) foi o êxtase total e a emoção foi de facto ao extremo.  Como em outras ocasiões especiais e memoráveis, uma vez mais (literalmente) choramos de alegria.

Naturalmente que a vitória do Rui Costa, preencheu plenamente o meu estado de espírito, ofuscando o elevado feito do tenista João Sousa.

fpEm jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

NS: Como vivo o presente e no presente, não tenho qualquer dúvida em nomear o Rui Costa como o melhor ciclista português.

No entanto reconheço que num passado mais longínquo existiram Atletas formidáveis como o Joaquim Agostinho e claro, o meu amigo Alves Barbosa, que continua a ser o Atleta mais vencedor em território nacional.

No âmbito mundial, pelas suas façanhas desportivas, o inquestionável Eddy Merckx é impar, mas como a sua última aparição em corrida remonta a 18 de Maio de 1978, não tive o privilégio de conhecer em tempo real as suas proezas. Por este motivo, elejo o Peter Sagan como o melhor Ciclista mundial e de quem o Ciclismo mundial muito necessita.

fpQual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

NS: Seria uma visibilidade muito relativa, que acabaria por ser totalmente absorvida ou ofuscada pelo país vizinho.

A “anexação” da Volta a Portugal pela Volta a Espanha não seria favorável para a primeira.

fpA Volta a Portugal pretende inovar, mas a não inclusão de uma chegada na Torre causa alguma indignação. Acha que a Torre deveria ser quase obrigatória com final da etapa-rainha?

NS: O território nacional é de facto muito acidentado, ainda assim, carece de locais com montanhas exemplares.

Naturalmente no nosso território continental, a Serra da Estrela é única, no que diz respeito às suas características naturais. Obviamente que a inclusão de uma chegada à Torre oferece um espetáculo único e inequívoco, mas se os responsáveis locais não estão sensibilizados, nem motivados para receber a Volta a Portugal, obviamente que a sua estrutura organizadora não pode a troco de nada, proporcionar o espetáculo no local. 

fp: Por fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

NS: Em Portugal não!

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Davide NevesJunho 9, 20173min0

Em ritmo de preparação para mais uma edição do Tour de França, os melhores ciclistas do pelotão mundial dividiram-se entre o Critérium du Dauphiné e esta prova. Rui Costa está aqui para vencer mais uma vez. mas Dumoulin também estará atento.

O calendário World Tour do Ciclismo continua, desta feita para os dias bem duros da Suíça. Num terreno bem complicado, teremos uma enorme luta para ver quem sairá como vencedor. No que diz respeito às etapas, teremos amanhã um prólogo, de apenas 6 quilómetros, onde Tom Dumoulin (Sunweb) ou Rohan Dennis (BMC), bem com Ion Izagirre (Bahrain Merida) poderão vencer. A segunda etapa será em circuito, com uma inclinação no meio, com Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) a ansiar por mais vitórias. A etapa 3 também será de luta para os sprinters, com as etapas seguintes (etapas 4 a 7) a serem passadas em alta-montanha. A etapa 8 será novamente para os sprinters, novamente em circuito, e a etapa 9 é um Contrarrelógio individual de quase 29 quilómetros.

O Favorito

Tom Dumoulin na melhor fase da sua carreira. (Foto: Cycling Week)

Tom Dumoulin (Sunweb) tem de ser apontado como favorito. O percurso deste ano assenta-lhe que nem uma luva, com o prólogo e o contrarrelógio individual final. Depois da grandiosa vitória no Giro d’Italia, o holandês procura mais uma vitória.

Os pretendentes

Rui Costa procura nova vitória. (Foto: Cycling Week)

São bastantes aqueles que  pretendem vencer o Tour da Suíça. Começamos desde já por Rui Costa (Team UAE Emirates). O português não teve um Giro dentro do que pretendia, e vai à Suíça com a ambição de vencer a prova pela quarta vez, de forma igualar Pasquale Fornara, com 4 vitórias.

Miguel Ángel Lopéz (Astana) é o vencedor em prova, e pretende pôr fim a todos os azares que têm acontecido com o ciclista nos últimos meses, numa altura muito tremida para a Astana. A BMC leva um trio de luxo, com Greg van Avermaet, Rohan Dennis e Tejay van Garderen. Domenico Pozzovivo e Mathias Frank serão o rosto da AG2R, e Ion Izagirre (Bahrain Merida) tentará usar os dois contrarrelógios a seu favor. Outros nomes como Reichenbach (FDJ), Simon Spilak (Katusha), Sebástian Henao (Sky), Phillippe Gilbert e Brambilla (Quick-Step) tentarão também figurar no top-10.

Mais uma vez, poderão inscrever-se na Liga Fair Play através da Velogames! Para isso, basta apenas colocar o código: 09205050

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Davide NevesMaio 29, 20177min0

Tom Dumoulin venceu mesmo. O holandês, que andou 10 dias de camisola rosa, mostrou todo o trabalho do último ano e meio: melhorou na montanha e continuou o monstro que é nos contrarrelógios. Resultado? Primeira grande volta da carreira.

A Centésima edição do Giro d’Italia foi também aquela que mais emoção trouxe: já há muitos anos que os três primeiros do pódio não terminavam com apenas 40 segundos a separá-los. Nairo Quintana (Movistar) perdeu o Giro d’Italia por 250 metros. Quase que parece injusto. Mas não o foi. Já Tom Dumoulin (Sunweb), mesmo com paragens forçadas por forças “gástricas”, acabou por levar o primeiro Giro para a Holanda, que ontem sorriu por duas vezes. O Fair Play já tinha dado conta, nos dois anteriores pontos de situação (o primeiro, referente aos primeiros dias, o segundo, referente às duas semanas seguintes), que Bob Jungels (Quick-Step), primeiro, e Dumoulin, depois, estavam fortes, e com capacidade para mostrar a sua valia para com as suas equipas. Já sabemos o que o holandês venceu, mas o luxemburguês levou, pelo segundo ano consecutivo, a camisola branca, da juventude, para casa. Mas isso fica para mais tarde neste balanço. Vamos primeiro ao que aconteceu na última semana do Giro d’ Italia.

Passo dello Stelvio… no WC

Tom Dumoulin teve uma chamada da natureza. Perdeu mais de dois minutos neste dia.
Foto: The Sun

Na etapa-rainha do Giro, tivemos também um momento insólito: o líder Dumoulin parou… para evacuar. Algo que não acontece todos os dias numa prova destas dimensões. Esta paragem relançou o Giro, e Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) mostrou todos a sua técnica na descida, para vencer, dando a primeira (e única) vitória à Itália.

Na etapa seguinte, a fuga levou a melhor, com Pierre Rolland (Cannondale-Drapac) a vencer, quebrando um longo jejum de vitórias em grandes voltas. O segundo lugar coube ao português Rui Costa (UAE Team Emirates), que repetia o segundo posto pela segunda vez na prova. Uma etapa que não causou calafrios aos homens da geral, com a exceção de Jan Polanc (UAE Team Emirates), que subia ao top-10.

A etapa 18 viu Tejay van Garderen (BMC) a celebrar. O norte-americano, que desistiu de lutar pela geral, conseguiu pelo menos a vitória numa etapa, e começa a perceber que poderá não ter pernas para ser líder de equipa para três semanas. Quanto à Geral, Thibaut Pinot (FDJ), Domenico Pozzovivo (AG2R La Mondiale) e Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) mostravam que estavam na luta pelo pódio.

A camisola rosa muda de dono

A etapa 19 coincide com a recuperação de Quintana. O colombiano, apoiado por outros candidatos, ganharam tempo a Dumoulin e começava-se a acreditar que a vitória não iria para a Sunweb. Nairo Quintana recuperava assim a camisola rosa. Quanto à etapa, Mikel Landa venceu, deixando Rui Costa (novamente) no segundo lugar.

A etapa 20 era a mais importante até à altura. Se Quintana ganhasse qualquer coisa como um minuto a Dumoulin, venceria o Giro pela segunda vez. Ganhou-lhe apenas 15 segundos, e deixava a “maglia rosa” nas mãos (ou nos pedais) daquele que é, muito provavelmente, o melhor contrarrelogista do mundo. E a última etapa assentava muito bem no holandês.

Última etapa do Giro. Dumoulin partia como provável vencedor, e confirmou todo o favoritismo, mas não sem levar com a luta de Nairo Quintana, que fez, provavelmente, o melhor contrarrelógio da sua carreira. Mas não foi suficiente para derrotar o xerife. A vitória de etapa coube ao também holandês Jos van Emden (Lotto Jumbo). Dupla vitória para a Holanda, num domingo recheado de dobradinhas.

As classificações

Na geral, o pódio ficou fechado com os três favoritos, com Thibaut Pinot relegado para o quarto lugar, e Ilnur Zakarin a fechar o top-5. O resto do top-10 traduziu-se em Pozzovivo, Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Bob Jungels, Adam Yates (Orica-Scott) e Davide Formolo (Cannondale-Drapac). Destaque também para os surpreendentes Jan Polanc (11º lugar) e a sensação Jan Hirt (CCC), que arrebatou o 12º lugar. Menções honrosas para Maxime Monfort (Lotto Soudal) e Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe), 13º e 16º da geral, respetivamente.

A classificação geral
(Foto: ProCyclingStats)

No que diz respeito à camisola de montanha e à camisola de pontos, Mikel Landa (Sky) levou um pouco de justiça para a equipa, ao ser o rei da montanha e a terminar na 17ª posição da geral. Já Fernando Gavíria confirmou todo o seu potencial, e a juntar às múltiplas vitórias de etapa, levou também a camisola de pontos.

As classificações de pontos (em baixo) e de montanha (em cima).
(Foto: ProCyclingStats)

A camisola da juventude ficou com Bob Jungels, ao bater Yates no contrarrelógio. Formolo fechou o pódio. A camisola de equipas ficou com a Movistar, a melhor equipa da prova.

As classificações de equipas e da juventude.
(Foto: ProCyclingStats)

Os portugueses

José Mendes, a envergar a camisola de campeão nacional.
(Foto: Jornal Record)

Num Giro d’Italia com 3 portugueses, nenhum fez má figura, com os três segundos lugares de Rui Costa e com o excelente trabalho de José Mendes (Bora-Hansgrohe) e de José Gonçalves (Katusha-Alpecin), no apoio aos seus líderes.

No caso do ex-campeão do mundo, notou-se que poderia ter feito melhor, nomeadamente na etapa 17, depois do excelente trabalho da sua equipa.

Num Giro recheado de emoções, o Fair Play fez o resumo de todas as etapas, levando uma informação atualizada aos seus leitores. Assim, elevámos a fasquia e vamos lançar, esta quarta-feira, uma entrevista com um ciclista português, de World Tour. De Vila Nova de Famalicão para o mundo do ciclismo. Conseguem adivinhar quem é? Nós damos uma pista: correu ao lado do grande Fabian Cancellara.

O mês de Junho está cheio de ciclismo e o Fair Play irá acompanhar o Critérium du Dauphiné e o Tour de Suisse, bem como a antevisão do Tour de France, no fim do mês.

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Davide NevesMaio 3, 20176min0

Começa, esta sexta-feira, a centésima edição da Volta a Itália, uma das maiores competições que o calendário do ciclismo oferece. Maiores, não só pela sua duração, mas também pela sua qualidade, fazendo parte do lote restrito de grandes voltas (juntamente com a Vuelta a España e o Tour de France).

Findada a temporada de clássicas, todos os fãs de ciclismo viram as suas atenções para Itália, para o Giro. É aquela altura da época em que os melhores lutam para envergar a camisola rosa (que é entregue ao vencedor da classificação geral) na chegada à grandiosa cidade de Milão. Este ano, na 100ª Edição, a organização procurou tentar levar o Giro a todos os pontos do país. Assim, as primeiras etapas serão nas duas ilhas que rodeiam Itália: a Sardenha e a Sicília (com passagem pelo famoso vulcão Etna). Outra novidade é o contrarrelógio final, de 29,3 km, em Milão. Pelo meio, sete etapas de alta montanha, com o ponto mais alto da edição deste ano a acontecer no Passo dello Stelvio, situado a 2758 metros de altitude. Será na 16ª etapa.

Com mais de 3500 quilómetros, divididos em 21 etapas, e com três dias de descanso pelo meio, esta edição é esperada, por parte dos seus fiéis fãs, com grande entusiasmo.

A edição passada viu Vincenzo Nibali (agora na Bahrain-Merida) levar, pela segunda vez, la maglia rosa para casa, ao bater o colombiano Johan Esteban Chavez (Orica-Scott) e Alejandro Valverde (Movistar).

Nibali, Chavez e Valverde fizeram o pódio no ano passado.
(Foto: Radio Corsa)

No que diz respeito à representação portuguesa, Rui Costa (Team UAE Emirates), José Mendes (Bora-Hansgrohe) e José Gonçalves (Team Katusha-Alpecin) levam a bandeira portuguesa até Itália.

Etapas que não pode perder

Sendo uma grande volta, muitas etapas não atraem a atenção como outras. Assim, o Fair Play preparou um breve resumo das etapas que poderão mexer nas classificações finais, bem como as mais entusiásticas.

As duas primeiras etapas são traiçoeiras. Apesar de terminarem em terreno plano, têm pelo meio algumas subidas que poderão partir o pelotão e estragar os planos aos sprinters de serviço. Depois dessas, as etapas 4 e 9 serão definidoras da classificação geral. Depois, na etapa 10, um contrarrelógio de 39,8 km irá testar os candidatos, com os especialistas a agradecerem (Dumoulin que o diga!).

A última semana é toda para ser vista. Serão cinco dias de montanha, seguidos do contrarrelógio final, no dia 28 de maio. Muita montanha, muito espetáculo, muitos ataques.

Nairo Quintana: a ambição da vitória ou a fuga a Froome?

Quintana procura a segunda vitória. E não tem Froome para lutar pelo primeiro lugar.
(Foto: Tim de Waele | TDWsport.com)

O principal candidato nesta edição centenária do Giro é, sem dúvida, Nairo Quintana (Movistar). O colombiano anunciou a sua presença nesta edição e, desde logo, um sem número de teorias começaram a circular: estaria Quintana no Giro para vencer, afastando desde logo a hipótese de vencer o Tour? Ou Quintana procura algo cada vez mais difícil, ao vencer Giro e Tour? São perguntas com argumentos bastantes razoáveis, mas a maioria aponta para a razão nuclear: Quintana, tal como Pinot, por exemplo, estão no Giro para ganhar, e para ‘fugir’ a Chris Froome (Sky), que parece, a cada ano, cada vez mais imbatível quando chega a França.

Assim sendo, Nairo Quintana parte para Itália com a ambição de vencer o Giro pela segunda vez na sua jovem carreira, depois da vitória em 2014.

Os candidatos

Para além do colombiano, Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) e o estreante Thibaut Pinot (FDJ) fecham o pódio dos principais favoritos. Não há duelo entre Nibali e Fabio Aru (o segundo falha por lesão, no ano onde o Giro começa na região dele), e podemos ver o primeiro vencedor francês da Volta a Itália desde Laurent Fignon, em 1989. Allez!

A Sky leva, como sempre, plano A, B e C. É como diz o provérbio popular: mais vale prevenir do que remediar! Geraint Thomas será o líder, e vai tentar provar que tem estatuto de líder nas Grandes Voltas, sendo acompanhado por Mikel Landa (terceiro classificado em 2015) e pelo jovem italiano Diego Rosa.

A BMC, em grande forma esta época, leva dois ‘rivais’: Tejay van Garderen e Rohan Dennis. O primeiro já mostrou o que vale em grandes voltas; já o australiano está cada vez melhor, a aprender na sombra do americano e do seu compatriota Richie Porte.

Para além destes, um sem número de ciclistas tentarão fechar top-10 na geral e/ou levar para casa o máximo de etapas possível. Dado a lista ser ainda extensa, serão enunciados em baixo, ordenados por equipa:

Orica-Scott: Adam Yates;

Team Sunweb: Tom Dumoulin e Wilco Kelderman;

LottoNL-Jumbo: Steven Kruijswijk;

Trek-Segafredo: Bauke Mollema;

Quick-Step Floors: Bob Jungels;

Team Katusha-Alpecin: Ilnur Zakarin;

AG2R- La Mondiale: Domenico Pozzovivo;

Movistar: Andrey Amador;

Team UAE Emirates: RUI COSTA;

Cannondale-Drapac: Davide Formolo, Joe Dombrowski e Pierre Rolland.

É um pelotão bem grande, e recheado de estrelas.
(Foto: Yuzuru Sunada)

Para as etapas de sprint, Caleb Ewan (Orica-Scott), Fernando Gaviria (Quick-Step Floors), André Greipel (Lotto Soudal), Giacomo Nizzolo (Trek-Segafredo) ou Sacha Modolo (Team UAE Emirates) serão os principais nomes.

O Giro de Itália terá cobertura diária na nossa página do Facebook, bem como análises, que ocorrerão nos três dias de descanso da prova. Uma análise extensiva, no fim da prova, será também feita, no Fair Play.

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Davide NevesAbril 22, 20173min0

Decorre, este domingo, a última das “Clássicas das Ardenas”, a Liège-Bastogne-Liège, aquela que também é a clássica mais antiga do mundo, com a primeira edição a remontar ao ano de 1892. Este ano, a tristeza irá ser o ambiente da prova, devido aos acontecimentos deste sábado.

O ciclismo está de luto. Michele Scarponi, da Astana, faleceu hoje, enquanto treinava na sua terra natal. O italiano descansava, depois de ter terminado em quarto lugar no Tour dos Alpes (ou Giro del Trentino, como toda a gente o conhece). O mundo do ciclismo perdeu assim uma das suas figuras mais emblemáticas e mais divertidas.

Michele Scarponi, um grande atleta.
(Fonte: Facebook da Astana Cycling Team)

Passando para a clássica, a Liège-Bastogne-Liège é considera uma das provas mais exigentes do mundo, no que toca à dureza e, muitas vezes, às condições adversas que os ciclistas enfrentam. Começa na cidade de Liège, passa em Bastogne (na fronteira com o Luxemburgo) e regressa a Liège, tendo pelo meio 10 subidas curtas mais muito difíceis, com o destaque para o “Côte de Saint-Nicolas”. Em todas as 102 edições, o lendário Eddy Merckx lidera em vitórias, com 5, seguido de Moreno Argentin, com 4, e de Alejandro Valverde, com 3 vitórias (e mais três pódios). Na edição do ano passado, Wout Poels (Sky) venceu, à frente de Michael Albasini e do português Rui Costa, o primeiro português a subir ao pódia da “La Doyenne”.

Os favoritos

Michal Kwiatkowski é um dos favoritos na prova. Na fotografia, está acompanhado de Phillipe Gilbert, que falha o dia de amanhã por lesão.
(Fonte: Bettini Photo)

A edição deste ano conta com algumas ausências, mas continua um pelotão bem recheado com estrelas e especialistas na prova.

Michal Kwiatkowski é um dos principais favoritos. O polaco da Sky quer dar continuidade ao bom momento em que está neste ano, depois da vitória na Milano-San Remo e do segundo lugar na Amstel Gold Race.

Alejandro Valverde (Movistar) volta, novamente, a figurar nos favoritos. Depois da quinta vitória na Flèche Wallonne, e a quarta seguida, procura igualmente vencer esta prova pela quarta vez, depois das vitórias em 2006, 2008 e 2015.

Igualmente favorito é, também, o Deus do Olimpo, Greg van Avermaet (BMC). A prova encaixa bem nas suas características, e se estiver em boas condições, tem tudo para figurar no top-5, com a sua aceleração e explosão.

Rui Costa entra também neste lote. O português é, a par do campeão nacional José Mendes, a presença lusa em terras belgas. Esta clássica encaixa quase na perfeição nas características do ex-campeão do mundo.

Outros favoritos são Sergio Henao (Sky), Dan Martin (Quick-Step), Michael Albasini (ORICA), Warren Barguil (Sunweb) ou Romain Bardet (AG2R La Mondiale).

A previsão Fair Play para esta clássica é arriscada e, muitos dirão, completamente descabida, mas nós apostamos em Rui Costa para vencer a Liège-Bastogne-Liège e ser o primeiro português a vencer um monumento.

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Davide NevesAbril 15, 20174min0

Este domingo marca o início da semana em que todos os olhos estão virados para a região das Ardenas. Acontece apenas uma semana depois do tão emocionante Paris-Roubaix – onde um Deus subiu ao Olimpo (Greg van Avermaet, campeão olímpico, venceu de forma categórica) e outro pendurou o capacete (Tom Boonen despediu-se no domingo do ciclismo profissional).

Enquanto nos aproximamos de forma veloz da primeira ‘grande volta’ do ano – o Giro de Itália -, esta semana abre o apetite para todas aquelas etapas com subidas constantes e descidas vertiginosas. A Amstel Gold Race tem, no dia de amanhã, a sua 52º edição e, nos últimos anos, tem assumido alguma importância na preparação para o monumento que irá ter lugar precisamente uma semana depois: a Liège-Bastogne-Liège. No entanto, e apenas como curiosidade, é notável dizer que, apesar de fazer parte da tão famosa Semana das Ardenas, esta clássica, com 261 quilómetros de extensão, não faz realmente uma incursão pela região. Curioso, não é? Com as suas 35 subidas existem algumas que deixam sempre mais expectativa, como as três subidas ao Cauberg. As subidas, curtas mas extremamente difíceis, chegam a atingir os dois dígitos, em percentagem de inclinação.

Os ex-vencedores procuram nova glória

Gilbert procura vencer novamente. (Foto: veloclassic.com)

Todos os anteriores vencedores, desde 2010, estão presentes. Phillipe Gilbert tem alguma importância no pelotão: venceu em 2010, 2011 e 2014, o que aliado ao excelente início de época, faz dele um crónico candidato à vitória. Outro nome que causa expetativa é o de Enrico Gasparotto. O italiano, agora a defender as cores da equipa Bahrain-Merida (colega de Vincenzo Nibali), procura a terceira vitória na prova, depois das vitórias em 2012 e na anterior edição, em 2016. Este ano, Gasparotto tem a ajuda de Sonny Colbrelli, que fechou o pódio no ano passado. Também o ex-campeão do mundo Michal Kwiatkowski procura nova vitória (venceu em 2015), e lidera a Team Sky para esse efeito, bem como Roman Kreuziger (venceu em 2013), que assume o lugar de chefe de fila da ORICA-Scott.

Estes também têm uma palavra a dizer…

Alejandro Valverde (Movistar) procura a primeira vitória na prova. (Foto: skysports.com)

Para além dos anteriores vencedores, outros assumem-se como candidatos a vencer amanhã. Começamos com Alejandro Valverde (Movistar). O espanhol não tem na Amstel a sua corrida de eleição (prefere as outras duas – La Flèche Wallonne e a Liège-Bastogne-Liège, já que as venceu por quatro e três vezes, respetivamente), mas o seu momento e a forma que apresenta (Alberto Contador que o diga!) coloca-o no topo dos favoritos. As suas vitórias na Volta à Andaluzia, à Catalunha e ao País Basco mostram que Valverde, com os seus 36 anos, vem bem preparado para levar, finalmente, a Amstel no seu palmarés.

Michael Matthews (Team Sunweb) vai tentar aproveitar uma chegada com o pelotão mais compacto e sem grandes fugas, de forma a tentar a chegada ao sprint, assim como Bryan Couquard (Direct Énergie).

Outros como Tim Wellens e Tiesj Benooit (Lotto Soudal), Greg van Avermaet (BMC), Jakob Fulgsang e o segundo classificado do ano passado Michael Valgren (Astana), apresentam-se como favoritos a fechar, pelo menos no top 10.

Para o fim, fica a equipa de Rui Costa, a UAE Team Emirates. O português, ex-campeão do mundo, leva uma equipa que está preparada para qualquer desfecho possível: seja através de Rui Costa junto dos melhores trepadores, de Diego Ulissi em ataques calculados e de longe, ou de Ben Swift, para a chegada rápida e em pelotão compacto.

Espera-nos a emoção de sempre, com os melhores especialistas da modalidade presentes. Já para o vencedor, a previsão, por aqui, recai em Alejandro Valverde, para finalmente vencer esta prova.


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