Arquivo de River Plate - Página 2 de 2 - Fair Play

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Fair PlayAbril 2, 201716min0

O que é o mundo do futebol? Esta é uma questão que espelha bem a realidade que nos rodeia, em termos absolutos, e que podemos transpor para o fenómeno futebolístico. A realidade que conhecemos é uma ínfima, maior ou menor, parte do todo real e aquilo a que tantos apelidam de mundo do futebol retrata habitualmente uma fatia pequena daquilo que é, do que envolve, da verdadeira dimensão do ‘mundo do futebol’.

Esta pode ser uma viagem pelo meu mundo, de mente e braços abertos, sem preconceitos, procurando abrir horizontes, como tento fazer a cada dia – e já antes da sua criação – no Observatório das Ligas Europeias de Futebol, que começou como uma página de suporte a uma ideia de investigação científica, não concretizada por falta de apoios, mas que se transformou numa referência para quem gosta do alternativo, de se aprofundar nas várias temáticas envolventes do ‘Belo Jogo’, de tirar dúvidas, de seguir a Diáspora portuguesa menos mediatizada, de olhar para todas as ligas europeias, mundiais, secundárias, terciárias, distritais, seguido por diversos profissionais de medias desportivos portugueses e internacionais.

Respondendo ao desafio do Ricardo Lestre em escrevinhar algo para o Fair Play, com liberdade temática, optei por uma crónica de índole mais intimista e pessoal, para fugir realmente ao que se lê, seja na análise de um encontro ou de um atleta, seja nas imensas temáticas que envolvem o futebol e o desporto e que muito me fascinam, a psicologia, o marketing, a comunicação, a promoção.

Portugal sempre viveu confundido, somos uma sociedade confusa e com imensas dificuldades em se olhar ao espelho. Pela minha experiência in loco por toda a Europa, Ocidental, Central, Nórdica, Balcânica, Mediterrânica, pelo Médio Oriente, somos o povo com maior dificuldade em assumir culpas, em se enfrentar ao espelho e isso reflecte-se em todas as áreas, na justiça, na saúde, na educação e, claro, no desporto.

O meu gosto pelo desporto nasceu cedo, talvez por razões genéticas, sem grandes influências directas, mas crescendo rodeado de alguns jovens que seriam futuras estrelas do(s) desporto(s) português(es), e logo tido, respeitado e procurado como ‘enciclopédia desportiva’, na verdadeira essência da expressão, ao contrário do utilizado em Portugal para tantos outros. A confusão que se faz entre se saber um pouco, ou bastante, de futebol – desde tenra idade – e realmente ter-se conhecimento multidesportivo é uma das notas fáceis de conotar com a falta de cultura desportiva portuguesa e como se toma o futebol por todo o desporto.

Foto: Getty Images

Desde os 12 anos, talvez, ainda os jornais desportivos lusos eram editados três vezes por semana, que chegava à escola com o periódico debaixo do braço, pernas arqueadas e dar ‘postulados’, de quando em vez, para receber os ‘cognomes’ de ‘Mister’ ou ‘Almirante’ (sim, gostava do David Robinson, é verdade, entre outras estrelas da NBA). Eram tempos em que nos intervalos de aulas não se falava apenas de futebol, discutia-se andebol, o basquetebol da NBA, que acabava de chegar à RTP2, hóquei em patins (em escola de ‘campeões’ como Reinaldo Ventura – ainda me lembro quando calçou patins as primeiras vezes no café do seu padrinho, deveria ter ele 2/3 anos), voleibol, Fórmula 1, Rali, Moto GP, entre os amantes de Kevin Schwantz, de Wayne Rayney, de Wayne Gardner, de Eddie Lawson, de Mick Doohan e eu, um confesso admirador do espectáculo que Randy Mamola trazia a cada corrida, em interessantíssimas e ricas conversas (não, não se pense que apenas se discutia desporto).

Mais tarde, já adolescente, no café matinal cruzava-me por vezes com as ‘estrelas’ jovens do Salgueiros, Pedrosa e Sá Pinto, um bar chamado ‘Help’ onde as manhãs (pelas 8h00) tinham grandes ‘serões’ futebolísticos, entre N conversas paralelas, as dicotomias entre secundária e colégio, que ali partilhavam espaço, o fumo, a confusão, por vezes ânimos exaltados, mas sem nunca ir além de encontrões, o futebol ganhava dimensão e a minha voz era solicitada, afinal já tinha experiência passada de rádio (ainda eram piratas quando o fiz) e apresentava argumentos bem justificados e ponderados, qual século das luzes, eram mesmo o final dos anos 80 e anos 90.

A vantagem de cedo e facilmente aprender e conhecer outras línguas, das viagens quando ainda nem tinha a maioridade completa, de ter acesso a parabólica, deram-me imensos utensílios, ferramentas para me aprofundar neste meu amor, o desporto.

 

Foto: sjpf.pt

Amor!

Eis mais um tema onde o português se confunde, os significados e significâncias das palavras amor, paixão, tesão, obsessão fundem-se e baralham-se nas mentes, seja em termos latos, seja no sentido estrito que aqui se relaciona – o futebol. Existe uma enorme obsessão por clubes em Portugal, não é amor, pode ser paixão, mas é muitas vezes obsessão pura, ali encontrando uma fuga, uma relação para substituir problemas na ‘vida real’.

É engraçado como tanto se diz e escreve que os portugueses amam ou adoram o futebol… mentira. Nota-se que não existe tanto interesse assim pelo futebol no seu conceito mais puro, há gostos relativos, entreténs, mas não uma adoração, essa existe – como acima notado, a extravasar para a obsessão – por equipas de futebol. Essa é uma parte, importante, dos problemas constantes, crónicos e estruturais do futebol português. Não havendo um amor pelo jogo, uma capacidade de compreender para além do próprio umbigo, onde se incluem profundamente vários dos responsáveis de clubes, de pensar micro e macro, de raciocinar e não agir meramente por emoções, aceitando – após esfriar a mente – as derrotas como parte da vida.

Percebe-se – ou intui-se, pelo menos – que o ‘Belo Jogo’ na visão portuguesa apenas existe na medida da vitória do clube desse indivíduo, basta ouvir comentários do género “bom mesmo é ganhar nos descontos com penálti inventado” para se ter essa noção bem presente. Isto tem muito a ver com a falta de cultura desportiva, uma ausência de respeito mútuo, uma sensação de impunidade e o gosto pela trapaça, pelo ‘chico-espertismo’, que tanto caracterizam a sociedade portuguesa.

Foto: Fotos da Curva

Media

A obsessão mediatizou-se, assumiram gestão dos media portugueses pessoas com estas visões redutoras, que entendem o fenómeno futebol como a soma de três partes, acrescentando-lhes outras duas ou três, como sejam a selecção sénior masculina e os mediáticos Mourinho e Cristiano Ronaldo, deixando de valorizar aquilo que faz cada clube existir, a competição.

Se não existissem competições a sério essas forças tão sobrevalorizadas pelos media portugueses não seriam nada além dos Harlem Globetrotters do futebol ou, se preferirem, o Hungaria, aquela famosa equipa de desertores magiares liderada por Daucik e onde estavam Fuzesi, Liska, Gyula Toth, Hrotko, Zsengeller, Ferenc Mészáros (o que alinhou no Sporting Braga nos anos 50), Janos Kiss, Andrej Nagy, Imre Danko, Turbeky, Bela Sarosi, Monsider, Rakoczi, Magay, Marik e, claro, a lenda Kubala, que brilharam em amigáveis na Europa Ocidental enquanto a FIFA não permitiu que alinhassem por clubes do lado de cá da ‘Muralha de Ferro’, geniais, mas uma equipa de amigáveis, que seria aplicável a estas mesmas equipas caso não existissem ligas, taças e outras competições.

As televisões contratam especialistas a peso de ouro, muitos deles pelo menos, mas sem o necessário conhecimento, são indivíduos que se guiam por uma avaliação de campeonatos e equipas assente em visões enviesadas dos mesmos, desconstroem uma liga por três ou quatro equipas que vêem ou, ainda pior, assentes em pressupostos definidos alguns anos antes, já desactualizados e descontextualizados, como se vem notando desde 2015, por exemplo, com a Série A italiana.

Foto: imortaisdofutebol.com

Exemplos

Como nas outras áreas da sociedade e onde os media intervêm, as comparações cingem-se quase sempre a nações/liga de comparação quase impossível, seja pelos distintos estágios de desenvolvimento/capacidade económico-financeira, população, desenvolvimento industrial, mas a falta de capacidade para ir além do óbvio traz este recalque cíclico.

Ainda sou do tempo em que os estádios portugueses – como os pavilhões – estavam bem compostos. Por um lado, os clubes não souberam acompanhar a evolução dos tempos, o surgimento de tantas novidades ao nível do entretenimento, o afastamento dos mais jovens, a vertente virtual-social, a comunicação, todas estas áreas continuam com exploração desajustada e pouco potenciada, acordando-se tarde para todos estes fenómenos, a nível de clubes e estruturas federativas nacionais e regionais.

Por outro lado, o serviço público de televisão tem muito que se lhe aponte. Ainda hoje tenho conversas onde me lembram dos tempos do domingo desportivo e das tardes de sábado e domingo com desporto na RTP2, com os directos das várias modalidades. Esse serviço era essencial. Apesar de hoje ser mais fácil encontrar toda a informação, o ser humano é preguiçoso, é como deixar de se raciocinar para fazer um cálculo ou lembrar uma informação quando se tem uma ligação à internet disponível e dois cliques ou três dão a resposta – ou não. Ter o ‘cartaz’ dos jogos, dos horários, fazer abordagens com o devido distanciamento e sem a obsessão acima identificada, levava o adepto mais facilmente ao estádio, estava motivado por toda aquela informação que lhe entrava pelo televisor adentro.

A RTP subtraiu-se por completo do seu dever enquanto serviço público, no que ao desporto diz respeito, não só deixou de garantir os directos das várias modalidades (excepção aos grandes campeonatos de atletismo e à Volta a França, além de uma ou outra adenda mais) como também se abstraiu de passar quaisquer informações sobre o desporto português, optando pela estratégia de ‘seguidismo’, que nunca deveria guiar um serviço público de televisão. Sim, transmitiu os Jogos Olímpicos, sim, vai assegurando uma ou outra, como os mundiais de hóquei em patins, mas sem o devido enquadramento e acompanhamento que permita ao telespectador melhor compreender e querer se aprofundar, querer ir ver ao vivo, ganhar interesse. Ao invés, perde horas de discussões vazias sobre tácticas e tacticismos em torno de três equipas de futebol, traz comentadores às manhãs, tardes e noites informativas, bem pagos, para se debruçarem apenas sobre isso, continuamente.

Foto: RTP

Escolas

Uma das temáticas que mais me fascina dentro do universo futebol relaciona-se com as escolas de futebol. Como na música, na filosofia, na literatura, no cinema e noutras áreas, o futebol também tem escolas bem vincadas e cada uma delas com características muito próprias. É interessante notar como os italianos são os classicamente associados ao tacticismo, ainda que sejam mais cínicos do que tacticistas, não têm a obsessão absurda que lhes é conotada por tal, sabem é tirar o melhor partido das tácticas para o sucesso (ou sabiam), contudo os técnicos franceses são realmente absurdamente obcecados pelo tacticismo, uma das razões do seu insucesso europeu, o frenesim pela gestão do golo marcado impede-os de serem mais ambiciosos e chegarem mais longe. A inteligência de Leonardo Jardim percebeu isso, notando-se o sucesso da ousadia – que nunca se lhe tinha visto antes – no Mónaco 16/17.

As escolas de futebol são-no de treinadores, mas também de futebolistas, de formação de futebolistas, onde Portugal também necessita de melhorar. O exemplo alemão, de trabalhar os jovens nas várias posições dentro da sua zona de intervenção, de experimentarem as outras zonas de intervenção, no seu processo de aprendizagem, faz seniores capazes de desempenhar funções muito mais amplas no terreno, dão uma versatilidade obrigatória num desporto sempre em movimento e em evolução.

Seria fastidioso viajar pelas várias escolas, mas um dos casos mais contagiantes pela sua inesperada idiossincrasia é o servo-croata. Mesmo tendo-se desenvolvido para o futebol moderno dentro de um mesmo país, a Jugoslávia, dispondo de armas técnicas desportivas de topo, o que facilmente se comprova com quase todos os países resultantes do fim da Jugoslávia se terem tornado referências nas várias modalidades, no basquetebol, no andebol, no voleibol, no pólo aquático, nas vertentes masculina e feminina de todas, a verdade é que a Sérvia apresenta-se com jogadores tecnicamente dotados mas uma vertente de jogo muito anglófona, como que bebida do antigo modelo inglês de futebol, física, menos burilada colectivamente, enquanto a Croácia ganhou o epíteto de ‘Brasil da Europa’, o perfume dos seus futebolistas parece ser ainda maior dado o rendilhar futebolístico que boa parte das suas equipas apresenta, tantas vezes abdicando mesmo de um médio defensivo (quando o fazem é comum avançarem um central para posição), para terem unidades de criação no miolo.

É fascinante, como o é a forma tão única da Eslovénia jogar andebol, um ‘andebol total’ que pode não dar títulos mas chega a dar ‘ouras’ de ver, os seis em constante movimento. Escolas tão distintas que evoluírem até 1990 em comum, dentro de um mesmo país, mas que ainda assim criaram identidades nacionais (para quem não sabe, um país pode ser ou ter um conjunto de nações).

Foto: Record

Mundo do Futebol

Já vi jogos de todas as camadas jovens, desde os benjamins até aos veteranos, já mirei partidas de mais de 100 países, em mais de metade destes olhei para diversos escalões, sempre procurando enquadrar o meu próprio visionamento no contexto de cada faixa etária ou escalão. Claro que se pode comparar um encontro do quinto escalão sueco com a Allsvenskan, mas de forma vazia, em sentido lato apenas, um desafio de uma quinta divisão deve ser enquadrado dentro do contexto desse escalão e, mesmo ao estabelecer pontes comparativas com quintas ou quartas divisões de outros países, deve-se ter bastante cuidado, para compreender os estágios evolutivos, o nível de preparação, de treino, a escola.

É curioso como várias vezes leio, ouço comentários depreciativos sobre ligas, outras ligas, outros futebolistas, habitualmente por desconhecedores, que se limitam a ler ou ver algo sobre essa situação, que porventura nem uma partida viram, mas apresenta logo um juízo de valor, assente na sua própria realidade, curta, ou em visões distorcidas que são alimentadas, bebidas dessas estéreis horas de televisão dedicadas a partes mínimas do futebol e com as mesmas ideologias desconhecedoras das realidades.

Só assim se compreende a crítica da liga mexicana, a piada à liga japonesa, o desrespeito pelos feitos na liga polaca, o riso perante as ligas do Médio Oriente e a incompreensão (europeia) do porquê talentos daquelas regiões não rumarem à Europa, o achincalhamento da liga chinesa, como se alguém que rotula as escolhas de futebolistas pela CSL iria abdicar de se mudar para o mesmo local se lhe oferecessem três, quatro, dez vezes o salário que aufere, além de tudo o resto pago, habitação de luxo e restante enquadramento.

Foto: essentiallysports.com

Eu gosto de ir à Islândia virtualmente ver jogos, já adorava antes do Europeu 2016, de ver os pitorescos sintéticos das Ilhas Faroé, de me imaginar a atravessar uma vinha georgiana para chegar a três degraus cheios de erva e assistir a uma partida local, de ver o comboio a passar o estádio na Eslováquia, de ir até ao reino do Butão e ver a liga local ou sentir o frenesim vibrante das ligas nipónicas, sempre a acelerar, de atravessar o antigo relvado do Platanias e ver o Mediterrâneo atrás da baliza, de sair do Riazor e ir tomar um banho gélido nas águas do Atlântico, de sentir o Adriático a entrar pelo Kantrida de Rijeka ou de passear pela Riviera francesa e me perder nos vários campos e relvados locais, entre as vilas e os areais, tenho saudades de chegar a Turim e escandalizar os locais como adepto ‘Granata’ e ‘Bianconero’, gosto do Torino e da Juventus, é verdade, ou deixar em choque os escoceses por ser um católico de 12 ou 13 anos e preferir o Rangers ao Celtic, de passear pelas margens do Reno à espera de ver o Fortuna no Rheinstadion, de virtualmente ver as ligas secundárias australianas, do Território do Norte à Tasmânia, as ligas indonésia, filipina, de me fascinar com os estádios a rebentar pelas costuras na República Democrática do Congo, do ‘Todo Poderoso’ Mazembe, de ver os perigos que rodeiam os ‘derbies dos derbies’, do Al Ahly x Zamalek em Cairo, dos Boca x River e Nacional x Peñarol, separados por dois países mas apenas uma baía, de ver o sucesso ‘luso’ dos ‘Ferroviários da Transilvânia’, o Ce-Fe-Re de Cluj-Napoca, de imaginar-me a viajar interminavelmente de Kaliningrado até Vladivostok para observar os ‘Tigres’ do Luch receberam o Baltika, ou ir até à ilha de Sacalina ver o Sakhalin, em pleno Pacífico, a passear pelo Shopping de Belgrado antes de subir ao seu topo para observar o Vozdovac, gosto, adoro tudo isto e tanto mais, pois o mundo do futebol é enorme, sem fim.

O dérbi do Cairo. (Foto: footyfair.com)

Artigo da autoria de António Valente Cardoso – Observatório Ligas Europeias de Futebol e autor do livro “Globall – Do Foot-Ball ao Futebol”

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Diogo AlvesJaneiro 31, 201711min0

O Campeonato Argentino por esta altura está em pausa devido ao verão no hemisfério sul. Já passaram catorze jornadas desde o pontapé de saída na Primera Divisón da Argentina, e, o balanço a fazer deste campeonato é bastante positivo. Fique a saber quem é o líder. Quem são os destaques. As surpresas. As desilusões. E os jovens «promessa» para a segunda metade do campeonato.

O Campeonato Argentino voltou ao molde de há duas épocas atrás, o de 30 equipas em 30 jornadas e apenas uma volta, não há o “casa e fora”. Com este molde de mais equipas teme-se sempre que o campeonato perca qualidade e equilíbrio, mas, esta época tem provado o contrário e ao olharmos para a tabela constatamos isso mesmo.

Boca Juniors, o líder da “primeira volta”

Carlitos no último clássico com o River [Fonte: saquelateral.com]

O Boca chegou à pausa de verão em total crescimento e isso valeu-lhes a liderança do campeonato à 14ª jornada, com mais três pontos que o Newell’s Old Boys e o San Lorenzo, segundo e terceiro classificado, respectivamente. Barros Schelotto apesar do início de época inconsequente e com muitas dificuldades nos jogos fora de casa, sobretudo, conseguiu colocar o Boca a praticar um bom futebol e com os melhores intérpretes disponíveis no onze. Passaram no grande teste antes da pausa de verão, a ida a casa do eterno rival: o River Plate. Venceram por 4-2 no Monumental de Nuñez num jogo marcado pela despedida de Carlitos Tévez dos grandes clássicos argentinos, ele que foi uma das grandes figuras do jogo e até marcou.

O grande desafio agora para o recomeço de época será o de fazer esquecer a partida de Tévez para a China, ele que a par de Gago eram os “motores” deste Boca Juniors. Com o campeonato bastante equilibrado não haverá muito tempo para procurar grandes invenções. Barros Schelotto terá aqui um grande desafio e terá de agir em contra relógio para conseguir manter a regularidade e não ver escapar a liderança do campeonato que tanto custou a conquistar.

Reina o equilíbrio

Apenas três pontos separam o líder Boca Juniors (31 pontos) do segundo e terceiro classificado, o Newell’s Old Boys e o San Lorenzo (28 pontos). Mas se formos mais para baixo vemos que a diferença entre o décimo classificado – o Racing – e o líder é de somente dez pontos. Se pensarmos na Premier League, a diferença entre o primeiro classificado e o segundo classificado é de oito pontos.

A luta pela manutenção também terá uma luta até final, e, mais uma vez a diferença entre o último e o meio da tabela é de apenas doze pontos de diferença. Faltando ainda dezasseis jornadas vê-se que não é muito e ainda há imensos pontos para disputar.

Promete ser uma luta equilibrada e competitiva esta segunda fase do campeonato, tanto na luta pelo título como pela qualificação para a Taça dos Libertadores da América. Uma sequência má de resultados pode atirar uma equipa que esteja no topo da tabela para o meio da tabela num piscar de olhos.

Muitas mudanças nos bancos

Gabriel Milito não foi capaz de ter sucesso no Independiente [Fonte: tn.com.ar]

Esta época fica marcada por um número bastante grande de despedimentos de treinadores, ao todo foram catorze o número de treinadores que já não estão a comandar o clube pelo qual começaram a época. Em trinta equipas, praticamente metade dos clubes já mudaram de treinador e ainda estamos a meio da época.

Um dos mais mediáticos a ser demitido acabou por ser Gabriel Milito, que começou a época no “seu” Independiente, mas não durou mais que as catorze jornadas feitas até o momento. Acabou substituído por Ariel Holan, treinador que havia sido demitido semanas antes do Defensa Y Justicia por maus resultados. Um treinador que até reúne críticas positivas em relação à forma como coloca as suas equipas a jogar, por isso a expectativa é muita alta para o ver ao serviço do Independiente.

Eduardo Coudet, treinador muito cobiçado na Argentina, também não resistiu aos maus resultados ao serviço do Rosário Central e terminou assim a sua ligação ao clube rosarino. Assim como Zielinski acabou por cessar funções no Racing Club, sendo substituído por Dario Concca, último treinador a vencer um campeonato por La  Academia.

As surpresas Unión e Banfield, e a desilusão Rosário Central

O Unión de Santa Fé vai na sua segunda época na Primera Divisón e tem assinado uma época de grande categoria para o que é o clube. Clube humilde e sem “estrelas” no seu plantel. Ocupam a oitava posição e fazem parte do leque de equipas que não está longe do topo da tabela. Se mantiveram a qualidade na segunda fase da época poderão almejar um lugar numa competição continental.

O Banfield regressou recentemente à Primera Divisón, há dois anos, e esta época também está a ter uma época de grande qualidade. Em quinto lugar na tabela classificativa e apenas a quatro pontos do líder Boca Juniors. Uma das equipas mais constantes esta época desde o seu começo. Um plantel com alguns nomes mais conhecidos e com uma mescla de juventude e experiência. A maior figura era Santiago “Tanque” Silva, o avançado uruguaio – que já passou pelo Beira-Mar – apontou sete golos em catorze partidas. Rumou agora ao Universidade Católica do Chile. Um desafio para Julio Falcioni substituir o seu avançado goleador.

O Rosário Central, a maior desilusão desta época, passa por momentos de grande aperto e apenas está a seis pontos do último classificado. Um plantel recheado de talento e com uma das formas de jogar mais divertidas e apaixonantes da Argentina, porém neste momento são uma equipa completamente de rastos e sem ideias. Eduardo Coudet já foi demitido e o plantel começa a ficar desmembrado. Primeiro foi Cervi para o Benfica, agora em Janeiro partiu Lo Celso para o PSG e Walter Montoya estará muito perto do Sevilla. Quem se seguirá no banco da equipa rosarina terá um grande desafio, o desafio de voltar a colocar o Rosário entre os grandes da Argentina.

Os «portugueses»

O campeonato argentino inevitavelmente conta com alguns jogadores que já passaram por clubes portugueses, uns com mais sucesso que outros. Há também alguns que passaram pelo nosso campeonato quase como despercebidos como o caso de José Luís Fernández que assinou pelo SL Benfica, mas acabou emprestado ao Olhanense e não teve grande notoriedade.

O supracitado Santiago “Tanque” Silva que fez uma belíssima época no Beira-Mar em 2003/04 e esta época é um dos melhores artilheiros do campeonato argentino. Conta já com 36 primaveras, mas ainda assim assinou sete golos em catorze partidas, está agora de partida para a Universidade Católica do Chile.

No San Lorenzo actua Fernando Belluschi, ex-FC Porto. Foi considerado um dos melhores médios da actual época. Titular no meio-campo do San Lorenzo, o antigo camisola 7 do FC Porto ainda mostra dotes de “mágico” e mantém afinação na cobrança de bolas paradas. Tem feito uma bela época e é o “patrão” do meio-campo do San Lorenzo.

No Racing Club joga Lisandro López, um dos avançados mais “raçudos” e trabalhadores que passaram pelo campeonato português. Actualmente é capitão do Racing e conta com 33 anos, mas com uma frescura física invejável. A sua valentia em campo ainda se nota e a capacidade goleadora está intacta. Seis golos em dozes jogos. Terá a partir de agora Marcelo Meli como companheiro de equipa, reforço vindo do Sporting.

O sportinguista Jonathan Silva está no Boca Juniors emprestado pelo Sporting, mas não tem tido grande utilização por Barro Schelotto. Apenas fez até o momento cinco partidas e continua a demonstrar alguma impetuosidade na forma como encara os lances defensivos, talvez por isso não seja utilizado mais vezes.

Rodrigo Mora passou quase despercebido pelo Benfica, só ganhou maior expressão pelas notícias que iam saindo dos seus empréstimos ao Peñarol e posteriormente ao River Plate. Não tem tido uma grande época e vai sendo mais vezes relegado para o banco, o que antes não acontecia tanto. Esteve com um pé no futebol árabe mas preferiu manter-se no River Plate.

O último jogador a vir de Portugal para o campeonato argentino foi o avançado Hernan Barcos. Assinou pelo Vélez Sarsfield emprestado pelo Sporting, mas tal como em Portugal, também na Argentina não teve grande impacto a sua chegada. Em onze partidas apontou somente dois golos e já partiu para o Liga de Quito do Equador.

As «promessas» para 2017

Ezequei Barco, o menino que nasceu na cidade de Messi [Fonte: lanacion.com.ar]

O campeonato argentino tem uma panóplia de jovens jogadores a espontar e prontos para jogarem ao mais alto nível. Este ano de 2017 não será excepção e para a segunda metade da época já há alguns jovens jogadores na voga para afirmarem-se no futebol sénior.

Ezequiel Barco do Inependiente é um dos jogadores que mais expectativa vai gerando, o médio de apenas 17 anos, nascido em Rosário (cidade que viu nascer Messi) é uma das revelações desta época e paulatinamente vai ganhando o seu lugar no meio-campo do Independiente. É um médio-ofensivo tipicamente argentino, rápido com bola, bom tecnicamente e bastante inteligente. É destro, mas faz lembrar os esquerdinos que “colam” a bola o pé. Para seguir.

No Racing Club vai espontando dois jovens jogadores de somente 19 anos. Brian Mansilla e Lautaro Martínez. Ambos estão por estes dias a representar a selecção da Argentina na Copa Sul-Americana de Sub-20 e têm sido destaque. Brian Mansilla é um extremo vertiginoso e tecnicamente bastante bom, esta época já leva seis partidas na equipa principal de La Academia. Lautaro Martínez é um avançado bastante trabalhador e já leva onze partidas na equipa principal, apontou já um golo.

O River Plate, uma vez mais, prepara-se para lançar mais uma fornada de jogadores formados na sua cantera. Luis Olivera, lateral-esquerdo de 18 anos já é presença assídua na equipa principal do River Plate. Matías Moya é um dos nomes que vão aparecendo na equipa principal, médio-ofensivo de apenas 18 anos. Foi titular na deslocação ao terreno do Independiente e deixou boas notas. É um dos jovens a seguir em 2017.

No San Lorenzo começa a espontar o defesa-central Nicólas Zalazar de 20 anos, e o avançado Tomas Conechny. No Vélez espera-se muito que este seja o ano da afirmação de Maximiliano Romero, avançado de 18 anos e de Nicólas Delgadillo de somente 19 anos.

[Fonte: soccerway]
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Fair PlayDezembro 29, 20168min1

SL Benfica, FC Porto e Sporting CP chegam ao mercado de Inverno com algumas dúvidas nos seus plantéis. Com necessidades diferentes e sectores a afinar, os ditos Três Grandes procuram reforços nesta “janela” de Mercado. Uma análise e proposta do Fair Play. O FC Porto é, hoje, o nosso foco de análise.

Nota: o artigo em questão foi escrito por cinco autores diferentes que têm seguido a época de cada um dos clubes aqui destacados. Sporting CP com José Duarte e Bruno Dias; FC Porto pela “mão” de Francisco da Silva e Francisco Isaac, com conselhos de Diogo Alves; e SL Benfica por Pedro Afonso.

FC Porto

(por Francisco da Silva, Francisco Isaac e Diogo Alves)

O FC Porto chega ao final do mês de Dezembro com só uma derrota na Liga NOS e outra na Liga dos Campeões, tendo fechado o ano só com vitórias para a Liga e Liga dos Campeões. Um FC Porto algo diferente do que aquele que se viu nos primeiros dois meses, que andou entre os picos de forma e de elegância exibicional e a inaptidão apática de criar golos. Nuno Espírito Santo idealizou o seu Porto, transformou-o conforme as suas necessidades e desígnios. Porém, algumas dúvidas “assombram” a restante temporada do FC Porto:

  • Há necessidade, da parte dos dragões, de ir ao mercado de Inverno?
  • O plantel actual conseguirá aguentar a “carga” de jogos até ao final?
  • Brahimi e João C. Teixeira são “reforços”? E a situação de Herrera e Depoitre?

Perante estas questões, o que dizer? Em relação à primeira, aos “olhos” do Fair Play, os dragões precisam de reforçar a equipa em dois sectores, curiosamente ambos do mesmo terço do campo: avançados.

Entre os primeiros cinco meses da temporada, o FC Porto virou-se, em absoluto, para a juventude (por necessidade ou vontade própria?), como prova a inclusão de André Silva, Diogo Jota, Jesús Corona, Otávio e Óliver no onze titular nos últimos meses.

Estes cinco jogadores juntos perfazem uma média de idades de 21 anos, algo que nunca foi vislumbrado durante o período de presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa. Como soluções para estes jovens, o FC Porto tem Silvestre Varela (ainda não é perceptível o papel do internacional português no plantel), André André, Hector Herrera, João Carlos Teixeira (os primeiros minutos oficiais só chegaram em Dezembro) e Laurent Depoitre.

Em boa hora, o treinador do FC Porto conseguiu “ressuscitar” um dos grandes activos do plantel: Yacine Brahimi. O extremo conquistou o seu espaço no onze (a lesão de Otávio “forçou” o FC Porto a procurar um novo fantasista na ala), com excelentes exibições em Dezembro. Desde os golos “mágicos”, às movimentações rápidas e ágeis e o trabalho de equipa (nota-se que o argelino já percebeu que tem de jogar com os seus restantes colegas), Brahimi pode estar perto de ser o jogador que o Porto necessita. A grande questão prende-se com a ida para a CAN, que o tirará dos relvados portugueses durante um mês (no máximo).

(Foto: Lusa)

Perante estes problemas, o FC Porto poderia reforçar-se em duas posições:

  • Extremo com qualidades idênticas às de Brahimi, que procure movimentações da ala para o centro, com bom poder de fogo e enorme capacidade de desequilíbrio;
  • Ponta de lança que consiga fazer “sombra”, de facto, a André Silva, com um sentido de “agressividade” posicional, faro para o golo e capacidade de movimentação na área.

Na opinião de Francisco da Silva, o reforço para o ataque poderia passar por:

  • Fernandão (29 anos, Fenerbahce SK, Internacional pelo Brasil, avaliado em 7M€);

Ao longo da 1ª metade da temporada, se há marca visível de Nuno Espírito Santo no estilo de jogo do FC Porto é a capacidade de sair rapidamente em transição ofensiva. Assim, tendo em conta esta característica, a mobilidade dos homens da frente (Jota-Silva-Corona/Brahimi) tem sido o fator-chave para o relativo “sucesso” da atual época portista. Contudo, para fazer frente a encontros mais fechados e eventuais “autocarros”, NES apostou pessoalmente em Laurent Depoitre, um “pinheiro” à moda antiga.

Ora, até ao momento, o belga tem desiludido em diversos capítulos como a finalização, técnica e velocidade. Apesar de ter desbloqueado o jogo frente ao Chaves, ainda está bem presente na memória dos adeptos portistas o lance frente ao Belenenses, por exemplo, onde Depoitre desperdiçou uma oportunidade flagrante quando seguia sozinho para a baliza e com todas as condições para desbloquear o jogo.

Esse lance é sintomático das limitações do belga, tendo em conta as características do jogo portista. O FC Porto pode até necessitar de um “pinheiro”, contudo, este tem que ser capaz de galgar metros, com ou sem bola, quando a equipa parte em transição. Assim, com este perfil em mente, fazia todo o sentido o conjunto azul e branco apostar em alguém como Fernandão.

Aos 29 anos, o brasileiro de 1,92m é um dos avançados mais letais e possantes do futebol turco, não precisando de muitos minutos para fazer balançar as redes. Regressado recentemente de uma lesão prolongada, Fernandão seria uma adição muito interessante para os portistas, uma vez que é um avançado veloz, forte no jogo aéreo, de remate fácil e potente, isto é, tudo ingredientes que podiam torná-lo num desbloqueador nato de encontros ou num bom parceiro regular de André Silva.

Se há algo que parece faltar a este novo FC Porto é um “toque de samba” na frente de ataque, nomeadamente ao nível da versatilidade e espontaneidade de fazer o golo. Para além das suas qualidades futebolísticas, o brasileiro aufere anualmente entre 1,5M€-2M€ de salário líquido, ou seja, um prémio salarial bem inferior aquele que teria de ser despendido pelo reforço atacante mais cogitado para os dragões, Luiz Adriano.

Para a posição de extremo, ao jeito do que vem sendo a política de transferências do FC Porto, o mercado sul-americano tem alguns atletas que podem rechear os dragões de “magia”:

  • Luan (Grêmio, 23 anos, internacional pelo Brasil, avaliado em 18M€);
  • Cazares (Atlético MG, 24 anos, internacional pelo Equador, avaliado em 10M€);
  • Christian Cueva (São Paulo, 25 anos, internacional pelo Peru, avaliado em 15M€);
  • Gonzalo Martínez (River Plate 23 anos, Argentino, 9M€);

Do Brasileirão, Luan, Cazares, Cueva são os alvos mais apetecíveis, uma vez que trazem todo aquele “fogo” e malabarismo que os extremos/avançados dessa competição gostam de produzir. Luan é o jogador mais em voga, com uma interessante visão de jogo, para além do drible categórico que o complementa. O problema é o preço final pedido pelo Grêmio, que nunca será abaixo dos 15M€.

Cueva, o virtuoso extremo do Peru, pode ser o jogador mais alcançável, já que as boas relações com a equipa do São Paulo podem possibilitar um negócio interessante para ambas as partes. O peruano destacou-se, sobretudo, na Copa América de 2015 onde se exibiu a grande nível, cotando-se como uma das boas revelações da prova.

Se o mercado de terras de Vera Cruz não for de bom agrado para os “cofres” do Dragão, uma ida até à Argentina pode ser uma solução de recurso. Gonzalo “Pity” Martínez é descrito, por Diogo Alves (responsável pela Liga Argentina no Fair Play), como “intenso, dotado de finta curta, com boa velocidade e maturidade interessante”, o que o torna um alvo apetecível para os dragões.

Posto isto, o FC Porto tem boas possibilidades no mercado de Janeiro, sendo que os reforços têm de chegar para dar outras soluções a Nuno Espírito Santo no período mais crítico da época. Não acreditamos que aconteçam saídas precipitadas na reabertura de mercado; contudo, a “fome” dos clubes da Chinese Super League por Hector Herrera aumenta de dia para dia.

Pinto da Costa não negará uma transferência por “bons cifrões” pelo internacional mexicano que é também o actual capitão de equipa. Mas estará o plantel do FC Porto pronto para perder um dos seus líderes? Questões a responder perante a actuação do FC Porto no mercado de Janeiro.

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Diogo AlvesDezembro 16, 20164min0

Na Argentina já há quem ache que Sebastián Driussi será o próximo grande êxito do futebol ‘albiceleste’ e mais um talento formado nas escolas do River Plate, que pode atravessar o Atlântico, e ser uma estrela no futebol europeu. Conheça melhor o perfil de Sebastián Driussi que actua no River Plate, através do ‘FP Scouting’, rubrica desenvolvida em colaboração com a Talent Spy.

Sebastián Driussi faz parte de um lote gigante de jogadores que se estreiam na Primeira Divisão da Argentina ainda em idade menor. No caso de Driussi foi com 17 anos, não batendo assim o recorde de Aguero que com 15 anos estreou-se pelo Independiente. Com a chegada de Marcelo Gallardo ao River Plate, a aposta na formação foi notória e Driussi é um de muitos que Gallardo subiu à equipa A do River Plate.

Apesar da idade ainda muito jovem, apenas 20 anos, Driussi já esteve em duas finais de competições continentais, a Taça Sul-Americana, em 2014, e a final da Copa dos Libertadores, em 2015. A juntar a estas duas finais continentais, ainda conta no seu curto currículo uma final de Mundial de Clubes, em 2015 contra o Barcelona e por duas ocasiões foi vencedor da Copa Sul-Americana de Sub-20 (prova de selecções). Portanto, um jogador que nasceu dentro do futebol sénior a jogar grandes finais e a vencer títulos de muita importância no continente sul-americano.

A sua carreira no River Plate tem sido numa trajectória ascendente desde que se estreou em 2013. Gallardo foi dando as oportunidades necessárias para que o jovem Driussi ganha-se experiência e ‘calo’ entre os maiores. Pouco a pouco foi ganhando o seu espaço dentro do plantel, revelando-se sempre como um jogador muito útil a partir do banco.

Soccerway

Esta temporada, 2016/17, finalmente Driussi agarrou o seu lugar na equipa e tem sido titular quase sempre. Já apontou 9 golos na presente temporada, a sua melhor marca desde que se fixou no plantel principal, além de ser o melhor marcador do River, está também entre os melhores marcadores da Primeira Divisão.

Jogador com características mais de segundo avançado, ou até médio-ofensivo, e menos de um ponta de lança “clássico”. Joga bem de costas para a baliza e gosta de partir de uma posição mais recuada (espaço entre sectores do adversário) para em condução de bola driblar sobre os adversários e romper em velocidade e drible pela área a dentro. Portador de um remate potente, aproveita muito bem as “segundas-bolas” que são despejadas para a entrada da área para dar uso ao remate potente que possui.

Driussi terá ainda assim de refinar melhor o seu remate exterior e o jogo aéreo. Sobretudo o jogo aéreo que é onde evidencia mais dificuldades, tendo em conta a sua posição no terreno terá de ser mais eficaz nesse aspecto. Os duelos físicos também ainda são um handicap para o jogador de apenas 20 anos.

BOA OPÇÃO PARA…

Sporting CP – Driussi poderia ser o apoio que falta a Bas Dost na frente de ataque, iria dar mais doses de criatividade e transporte de bola no último terço do campo. Olhando para as dificuldades que tem tido Jorge Jesus em encontrar um “segundo-avançado” esta época, Driussi poderia ser o seu “mini-Saviola” que teve no Benfica em 2009/10. Com Jorge Jesus, Driussi ganharia imenso conhecimento táctico sobre a posição e sobre o jogo. Seria um bom clube para entrar na Europa.

Sevilla; Valência – Tendo em conta aposta mais sul-americana do Sevilla para o seu plantel, Driussi seria uma boa aquisição para somar mais opções de qualidade para a frente de ataque do Sevilla. A sua mobilidade e qualidade técnica seriam uma mais-valia às ordens de Sampaoli. No Valência colocaria em causa a titularidade de Rodrigo que não tem feito uma boa época e traria mais qualidade ao plantel de Prandelli que tem escassez de homens para a posição 9.

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Diogo AlvesDezembro 3, 20165min0

Marcelo Gallardo está há cerca de dois anos e meio como treinador principal do River Plate, e as conquistas continentais têm sido a sua grande obra ao serviço dos “Millionarios” de Buenos Aires. Uma Copa Sul-Americana, uma Libertadores e duas Recopas Sul-Americana. Já jogou sete finais e apenas perdeu duas, esta semana garantiu a oitava. A da final da Copa da Argentina.

Marcelo Gallardo chegou em 2014 ao River Plate, numa altura em que o clube já se tinha levantado após a descida de divisão em 2011 para a Divisão B (II Liga) da Argentina. Ramón Díaz era o treinador e o River acabava de vencer o Torneio Clausura. Ramón Díaz após a conquista do título abandonou o River e decidiu aventurar-se ao serviço da selecção do Paraguai.

Roberto D’Onofrio – carismático presidente do River Plate – decidiu então chamar por um dos meninos queridos dos hinchas do River, Marcelo Gallardo. Os adeptos ficaram apreensivos e gerou-se a dúvida e a incerteza quanto à qualidade de Muñeco Gallardo como treinador principal. Que ele foi um óptimo jogador ninguém duvidava, mas como treinador era uma incógnita. Apenas tinha tido uma experiência como treinador no Nacional de Montevideo.

Foto: AFP
Foto: AFP

Gallardo chegou e pegou numa equipa campeã e recheada de talentos individuais, mas era preciso agora transformar as individualidades num colectivo forte, coeso e capaz de continuar a vencer pelo River Plate. O 4-4-2 foi o sistema escolhido, ora com mais gente por dentro, em losango, ora mais clássico com dois homens sobre as faixas para dar largura ao seu jogo. Uma equipa forte em ataque rápido e a pressionar forte sobre o adversário. Nunca mostraram ser uma equipa com um futebol muito elaborado, mas eficaz.

As dúvidas e incertezas dos adeptos aos poucos foram dissipando-se sobre Gallardo, e nem o adepto mais optimista poderia imaginar o que Gallardo iria conseguir fazer em dois anos e meio. Apesar de ainda não ter vencido o campeonato, o River Plate com Gallardo já disputou sete finais, venceu cinco e perdeu apenas duas. Saldo positivo para Muñeco Gallardo.

Mais positivo fica quando falamos em finais continentais e as consegue vencer. Assim foi em 2014 – ano de chegada ao clube – quando conseguiu vencer a Copa Sul-Americana num trajecto imaculado que culminou com a vitória sobre o Atlético Nacional. 1-1 em Medellín e 2-0 em Buenos Aires. Foi inclusive a primeira vez que o River venceu tal competição.

Se o final do ano de 2014 tinha sido positivo, o verão de 2015 guardava o título maior do continente Sul-Americano: a Libertadores. Uma fase de grupos muito inconstante – e aqui estão os sinais da irregularidade do River – mas uma fase a eliminar muito boa – é a praia de Gallardo. O Tigres do México foi o rival na final e acabou goleado no Monumental de Nuñez por 3-0 no segundo jogo. Gallardo mostrava mestria nos jogos a eliminar, um estratega neste tipo de eliminatória.

Foto: Taringa.net
Foto: Taringa.net

Já a nível interno o desempenho não tem sido assim tão bom ao longo destes dois anos e meio, se na primeira época de Gallardo o título foi possível tendo terminado a época em 2º lugar a apenas dois pontos do campeão Racing, de lá para cá nunca mais foi exequível ver o River nas grandes decisões da Primera Divisón.

Gallardo não tem conseguido mostrar-se um estratega nas provas longas como o campeonato argentino que tem ao todo trinta jornadas e para ser campeão é preciso manter um bom nível de regularidade. E cada vez mais as grandes equipas da Argentina mostram uma boa evolução do seu jogar, o que torna o campeonato muito mais atractivo e difícil ao mesmo tempo. Se tivesse de apontar o grande defeito a Gallardo seria este, a falta de regularidade no campeonato.

Ainda assim esta época parece estar a ser a mais constante dos últimos tempos e apesar do 6º lugar, a diferença para o Estudiantes é de apenas seis pontos. Seis pontos hoje em dia na Primera Divisón não é nada dado o bom nível competitivo que a Primera Divisón tem mostrado esta época com muitas equipas próximas do líder Estudiantes. E a recente passagem à final da Copa da Argentina pode dar à equipa um ânimo extra para afrontar os desafios que terá pela frente nos próximos tempos.

Cabe agora a Gallardo conseguir manter a regularidade na sua equipa, uma equipa jovem e recheada de bons talentos como Driussi ou “Pity” Martínez. Mas que conta também com a experiência de D’Alessandro, Ponzio e Maidana. Uma mescla de juventude e experiência que Gallardo trouxe ao River e que lhes dá doses de criatividade, irreverência mas também maturidade. Assim como Gallardo que ainda é um jovem treinador de apenas 40 anos, tanto esta equipa como o seu treinador podem conseguir feitos históricos para o River, e quem sabe, se nos próximos anos não teremos Marcelo Gallardo de volta à Europa para mostrar o seu trabalho, mas agora como treinador principal.


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