Caderneta dos Cromos ao som do Tango do River Plate

Pedro PereiraNovembro 27, 20183min0

Caderneta dos Cromos ao som do Tango do River Plate

Pedro PereiraNovembro 27, 20183min0
Nos anos 80 e 90 o River Plate deslumbrou o público tanto na tv, rádio ou cadernetas de cromos com dois jogadores: Ariel Ortega e Enzo Francescoli. Sabes quem são?

O River Plate é um clube único no Mundo, com uma marca tão forte que não há forma de apaga-la. Formou campeões do Mundo, conquistou todos os títulos possíveis e é uma da partes de um dos dérbis mais fenomenais do Mundo. Descobre a nossa página dedicada ao River Plate da Caderneta dos Cromos!

FRANCESCOLI: O PRÍNCIPE QUE INSPIROU O MUNDO DOS MILIONÁRIOS… E ZIDANE

Enzo Francescoli, também chamado de “O Principe”, tamanho charme e requinte com que cavalgava no rectângulo de jogo. Nascido em Montevideo, rapidamente percebeu que o futebol era o seu caminho. Chega ao River Plate como incógnita e rapidamente se revelou. As fintas, a passada, a energia e aquela bicicleta contra a Polónia. Delícias que garantiam ao mundo do futebol que Enzo seria um astro do futebol uruguaio e um astro dos Millionarios do River.

Ao todo, foram 7 títulos pelo River e 3 pelo Uruguay. Encheu as medidas a todos, inclusive Zinedine Zidane. Ouvir o grande “Zizou” falar sobre Francescoli é relembrar as memórias de um menino francês e que viu no astro uruguaio, enquanto ele jogava pelo Olympique de Marselha, o exemplo a seguir, o tipo de jogo a copiar. Zizou é de tal forma fã dele que colocou Enzo no nome do filho, em honra ao uruguaio.

Francescoli conta que lhe ofereceu uma camisola chilena e que, durante o Mundial de 98, veio a saber que Zidane a usava como pijama. Encarou como elogio, ainda bem. Se Zizou tem Francescoli como referência, fui pesquisar sobre referências de Francescoli. Encheu-me o coração a resposta dele quando lhe perguntaram quem tinha sido o seu melhor treinador: nada mais nada menos do que Artur Jorge, na altura quando se cruzaram no Racing Paris.

ORTEGA: O “NOVO MARADONA” QUE PASSOU A EL BURRITO

Conhecem aquele título “O novo Maradona”? Ortega foi o primeiro desta classe. Jogador de cabelo rebelde com uma fita estilosa a tentar controlá-lo. Um pé direito único que tinha preferência para assinar as suas obras de arte com um chapéu ao guarda redes. Os guarda redes que o perdoem, ele não os queria humilhar, era só a sua forma de se expressar. Nascido numa zona paupérrima, junto à fronteira com a Bolívia, encontrou no futebol a forma de fintar a pobreza. Foi fazer testes ao River Plate com 16 anos e o pai avisou-o: “não tentes fintar todos; passa a bola aos colegas”. No derradeiro teste na escola do maior clube argentino, Ortega atento ao que o seu pai lhe disse, fintou cinco meninos da outra equipa e fez golo.

O seu espírito rebelde e o seu génio eram mais fortes que as imposições de um pai. Com 17 anos estreou-se na Primeira divisão Argentina e logo se percebeu que tinha nascido um génio futebolístico. El Burrito, como lhe chamam os argentinos, tem a particularidade de ser amado por todos os compatriotas independentemente do clube.

Ele desenhava as suas jogadas como uma criança no pico da sua criatividade com um papel e uma gama de tintas à sua frente: livre, caótico, único… e belo. Quem olhava para o seu jogo não imaginava as suas lutas internas, aquelas que se jogam fora do relvado. Vive preso ao álcool desde os seus 20 anos. Presumo eu que tenha jogado até aos 38 anos porque no futebol se sentia amparado neste mundo. Sem a bola nos pés, ele é mais triste e propício a viver de copo na mão.

Em 2012, em entrevista para jornal nacional, disse ele “quando estou só, eu choro”. A Caderneta dos Cromos tem a certeza que ele encontrará forma de se desenvencilhar desta adição, muito mais dura do que qualquer defesa com que ele se tenha deparado.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter