Arquivo de Leinster - Fair Play

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Francisco IsaacAgosto 1, 201713min0

Um dos capitães da Irlanda, vencedor de três Seis Nações, participou em dois mundiais e fez parte por duas vezes dos British and Irish Lions, Jamie Heaslip falou com o Fair Play numa entrevista em que nos fala da carreira, estudos e vida


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Jamie… preparado para outro grande ano de rugby? Neste momento o que te faz continuar a jogar?

J.H. Há já algum tempo que o que me motiva para continuar a jogar todos os dias é o desejo de deixar a ‘camisola’ num lugar melhor. Quero poder dizer, quando finalmente deixar de jogar, que deixei a camisola num lugar melhor do que quando a recebi pela primeira vez. Quero fazer parte do legado de Leinster e da Irlanda. 

É a tua 13ª temporada com o Leinster, certo? Qual foi o teu melhor momento? E o pior?

J.H. O Leinster é um dos clubes mais ambiciosos e modernos que existe. Pergunta a qualquer pessoa sobre o clube e  irão falar-te sobre o seu legado e sobre como consegue sempre competir ao mais alto nível. Como profissional essa é uma das razões para ainda cá estar. Mas a razão principal é que sou um homem de Leinster. Vivi na província toda a minha vida e sinto-me muito honrado por representá-la a nível global. 

Tens algumas memórias em especial? Qual foi o teu melhor e pior momento?
J.H. Tem sido uma montanha russa de emoções. Todas as temporadas têm altos e baixos.  É porque todos (jogadores, treinadores, famílias e fãs)  investem tanto, emocionalmente, espiritualmente, fisicamente e financeiramente. Mas os momentos baixos tornam os momentos bons ainda melhores!
Depois de todos estes anos com quem gostavas mais de jogar: Brian O’Driscoll, Shane Horgan, Gordon D’Arcy ou outros?

J.H. Vou tomar outra opções.. como Brad Thorne, Jimmy Gopperth ou Nathan Hines. 

Estás quase a chegar ao jogo 250… ainda tens os guts para chegar ao 300?

J.H. Se ainda tenho os guts… olha é algo que nem sequer penso, nem entra no meu dicionário!

Foto: Getty Images
Como começaste a jogar rugby, já que nasceste em Israel? Quem te deu o empurrão final, a tua família, amigos ou foste mesmo tu?

J.H. O meu pai estava a servir no exército e a minha família estava lá colocada quando nasci. O meu pai e irmãos jogavam por isso foi natural para mim começar a jogar. 

Licenciaste-te na DCU como engenheiro… como foi isso possível? Que conselhos tens para jovens jogadores que querem ser profissionais mas também ter um plano b?

J.H. Recusei dois contractos profissionais para jogar de maneira a acabar a minha educação primeiro. Achei que era importante fazê-lo para depois poder investir totalmente na minha carreira como jogador. Enquanto jogava terminei o meu mestrado. Acho que é importante conseguir um equilíbrio na vida, por isso investi em mim. Pode-se conseguir tudo se estruturarmos bem o nosso tempo. 

Uma pergunta difícil: que vais fazer quando deixares de jogar?

J.H. Não faço ideia. 

E a Irlanda… estás a 5 jogos de completar 100 jogos com a camisola irlandesa. Lembras-te da primeira vez e o que sentiste nessa altura?

J.H. A primeira vez foi nos sub19 e tem sido muito especial desde essa altura.

Em 2009 a Irlanda conquistou a Six Nations Grand Slam e tu tiveste um papel importante. Lembras-te daquele ensaio contra a França?

J.H. Sim recordo-me que foi um grande esforço de equipa. 

Trabalhaste no duro para chegar ao topo no rugby irlandês? Tens alguns segredos ou conselhos especiais?

J.H. Não foi fácil chegar onde estou agora. Desde os meus 15 anos disseram-me coisas muito diferentes sobre o meu tamanho, força e habilidade. Fui recusado em várias equipas e academias. O que acredito é que se tens objectivos claros e trabalhas para isso podes chegar lá. 

A melhor exibição de equipa da Irlanda? Ainda tens sonhos por cumprir antes de dizeres adeus ao Shamrock?

J.H. Gosto de pensar que o melhor ainda está por vir.

Foto: Getty Images
Estarás no próximo campeonato do mundo?

J.H. Não sou eu que escolho os jogadores por isso não sei.

És um número 8 mas tens algum desejo escondido por realizar?

J.H. Gostava de fazer um drop goal, penalty kick ou conversão. 

Que preferes, uma grande placagem ou um line-break?

J.H. Prefiro ganhar.

Perguntas rápidas: o jogador irlandês mais engraçado, Simon Zebo ou Connor Murray?

J.H. Nem estás perto… (risos).

O melhor jogador dos últimos 20 anos: Brian O’Driscoll, John Smith ou Richie McCaw?

J.H. Desses três provavelmente o Richie. 

O opositor mais duro nas equipas irlandesas: Rory Best, Ronan O’Gara, Robbie Henshaw ou Paul O’Connel?

J.H. O Paulie.

Que jogo repetirias: All Blacks em 2016 ou Gales em 2009?

J.H. Não gosto de olhar para trás.

O melhor treinador irlandês e estrangeiro nos últimos 10 anos?

J.H. Joe Schmidt e Stuart Lancaster são os melhores treinadores com quem já trabalhei. 

Quem levarias numa viagem a Portugal: Sean O’Brien ou Robbie Henshaw?

J.H. O Robbie.

O pior pesadelo: ser placado por Paul O’Connell ou tentar parar o Brian O’Driscoll?

J.H. Nenhum é um pesadelo. 

Porque gostas de vir a Portugal? Viverias e jogarias cá?

J.H. Jogar…talvez. Já estive na Quinta do Lago várias vezes. É fácil vir directamente de Dublin e as infraestruturas de treino são fantásticas. Para além do tempo ser espectacular. 

Queres deixar uma mensagem especial para os teus fãs e para os fãs de rugby portugueses?

J.H. Fiquei espantado com o apoio ao Leinster e à Irlanda em Portugal. Talvez posso vir cá ver algumas das equipas quando tiver uma paragem! Até lá obrigado pelo apoio!

Foto: The Guardian

ENGLISH VERSION | VERSÃO INGLESA

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Jamie… ready for another massive year of rugby? At this point what drives you to continue playing the game?

J.H. For a long time now, what drive me to continue to try and get better everyday in my craft is the drive to leave the jersey in a better place. I want to be able to say when I finally hang up the jersey that I’ve left in a better place than when I picked it up. To add to the legacy of the Leinster and Ireland jersey.

Your 13th season with Leinster, yes? What made you stay there all these years?

J.H. Leinster is one of the most ambitious, forward thinking clubs that is steeped in history. You ask anyone around the world about the club, and they’ll go on about the legacy of the club, how it is always able to compete at the top. As a professional, thats one of the reasons why I’m still here. However, the main reason is that I’m a proud Leinster man. I’ve lived all my life here in the province and so humbled to be able to represent the province on that global scale.

Do you have any special memories? What was your best moment playing for Leinster? And worst?

J.H. Playing for Leinster has lead to a rollercoaster ride of emotions. Every season there are massive highs and the darkest of lows. It’s because we all (players, coaches, back room staff, families and fans) invest so much emotionally, spiritually, physically and financially into it. In one season you can go from one to the next. But the lows make the highs all the sweeter!

After all these years who did you like to play more with: Brian O’Driscoll, Shane Horgan, Gordon D’Arcy or any other?

J.H. I’ll take the any other option. Someone like Brad Thorne, Jimmy Gopperth or Nathan Hines

You are reaching your 250th game … do you still have the guts to go until the 300th?

J.H. Do I have the guts…that is never something that come into my world.

How did you start playing rugby as you were born in Israel? Was it your family, friends or yourself who gave the starting push?

J.H. My Dad was on military duty for the Irish Army and my family were based there when I was born. My father and brothers played so it was only natural for me to follow.

Foto: Getty Images
You graduated at DCU as an engineer… how was that possible? What kind of advice can you offer to young players who dream of becoming professional but want to have a plan b on the side?

J.H. I turned down two professional contracts to finish my education before playing. I thought it was import to do so, so I could invest fully in my craft as a player. While playing, I completed a masters. I always think its important to have a balanced and well rounded life, this is why I made sure to invest in myself away from the field. You can accomplish it by structuring your time right

A hard question: what do you have planned after you stop playing rugby?

J.H. No idea

And Ireland… you are just 5 games away from completing one hundred games.  Do you remember the first time you heard Irelands Call and can you explain what you felt back then?

J.H. First time I heard it was with Ireland under 19’s and it’s being special overtime since.

In 2009, Ireland conquered the Six Nations Grand Slam, and you played a pivotal role. Do you remember that try against France?

J.H. A great team effort

How hard did you work to reach the top of Irish Rugby? Any secrets or special advice to upcoming Irish stars?

J.H. I’ve never had it easy to get to where I am. Along my journey since I was 15 I was told different things about my size, strength and ability. Getting passed up on selections for different squads and academies. My belief though is that if you have clear goals and actions to get there, then hard work and discipline are what people ned to realise their dreams.

Best team exhibition in your time for Ireland?  And  is there still a dream that you wish to complete before saying goodbye to the Shamrock?

J.H. I would like tho think that the best is yet to come from Ireland

Will you be in the next World Cup?

J.H. I don’t pick the squad so I don’t know.

Foto: Getty Images
You play as number 8, but  was/is there any guilty pleasure that you didn’t fulfill?

J.H. Would love to take a drop goal, penalty kick or conversion in a game.

What do you prefer: a crushing tackle or a monster line-break?

J.H. Winning.

Flash questions: funniest teammate in the Ireland squad: Simon Zebo or Connor Murray?

J.H. You’re off the mark there.

Best player in the last 20 years: Brian O’Driscoll, John Smith or Richie McCaw?

J.H. Out of those 3 probably Richie.

Toughest opponent in the Irish teams: Rory Best, Ronan O’Gara, Robbie Henshaw (before he signed with Leinster) or Paul O’Connell?

J.H. Paulie

What game would you repeat: All Blacks in 2016 or Wales in 2009?

J.H. I don’t look back.

Best Irish and foreign coach in the last ten years?

J.H. Joe Schmidt and Stuart Lancaster are the best coaches I’ve ever worked with.

Who would you take on a trip to Portugal: Sean O’Brien or Robbie Henshaw?

J.H. Robbie.

Worst nightmare: getting tackled by Paul O’Connell or trying to stop Brian O’Driscoll on 1on1?

J.H. Neither is a nightmare.

Why do you like coming to Portugal? Would you come to live here…and play?

J.H. Play…maybe. I’ve being to Quinta do Lago a little over the last few years. So easy to get to from Dublin, amazing training facilities for me and also great activities and amenities in general. Plus the weather is always amazing.

Do you wish to leave a special message to your fans and Portuguese rugby fans?

J.H. I’ve being amazed by the support and following for rugby, especially Leinster and Ireland throughout Portugal. Maybe I can over and check out some of the teams in the off season. Until then, thanks for all the support.

Foto: The Guardian

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Francisco IsaacAbril 26, 20177min0

Os Saracens vão voltar a marcar presença no maior palco europeu de Rugby, onde encontrarão o ASM Clermont que terá mais oportunidade para “agarrar” um título que já deu grandes “pesadelos”, isto tudo à custa de Munster e Leinster. 4 pontos sobre as meias-finais da European Champions Cup

O CAMPEÃO: SARACENS COM O SONHO DA DUPLA DOBRADINHA

Um jogo extremamente físico, fechado e “apertado” entre Munster e Saracens não deu grandes ensaios, mas não deixou de ser vivido com um ritmo altíssimo de jogo.

A equipa londrina sabia que para sair da casa dos Stags com a vitória tinha de trazer o seu melhor jogo a nível defensivo, sem erros, sem brechas, sem quedas de intensidade ou de concentração.

Para além disso, o ataque tinha de ser, a todos os pontos, “venenoso”, obtendo pontos sempre que conseguissem explorar os últimos 40 metros dos irlandeses.

A estratégia de Mike McCall funcionou, já que o Munster teve vários problemas em conseguir penetrar na defesa inglesa, especialmente nos primeiros 35 minutos. Até a esse momento tinham o dobro dos carries, tinham conquistado mais metros, mas sem tirar grande proveito desses números.

Os sarries estiveram “perfeitos” no que toca à defesa, seja individual ou colectiva, combinando bem a 3ª linha (Michael Rhodes volta a realizar um jogo “gigante” com 17 placagens) com as restantes unidades.

Destacar o papel de Mako Vunipola, Vincent Koch e Jamie George, com os  três a completarem 40 placagens e dois turnovers. O primeiro está numa forma assombrosa, ocupando com “agressividade” o seu espaço, assim como soube ajudar na pressão externa ao Munster que nunca conseguiu meter a oval em condições em Zebo ou Earls.

80 minutos sem quebras de linha para o Munster prova que os Saracens são, neste momento, a melhor defesa a nível da Europa e do Hemisfério Norte.

O ataque apareceu quando tinha de “picar o ponto”, com ensaios de Mako Vunipola (através de um bom maul) e Chris Wyles (o norte-americano saiu do banco para “tremer” o jogo), para além dos 16 pontos a partir do pé de Farrell.

O Munster e a sua forma de viver o jogo, com uma paixão imensa que depois é transmitida numa intensidade única, foram bem paradas por aquela que poderá ser a nova formação dominante a nível do Hemisfério Norte nos próximos anos.

O MVP: LOPEZ REMÉDIO PARA TODOS OS MALES

Durante 2015 e 2016, os franceses choravam pelo facto de não possuírem um nº10 que enchesse as medidas e respeitasse o champagne que os Les Bleus gostam tanto de praticar (já nem tanto).

Bem, a temporada de Camille Lopez poderá servir de demonstração que o abertura do Clermont é, sem dúvida alguma, o homem que tanto precisam e sonham. Já nas Seis Nações 2017 (findadas em Abril), Lopez tinha dado provas que estava diferente, mais confiante, mais participativo com vontade de mexer o jogo sempre que possível.

Frente ao Leinster não teve vida fácil, uma vez que um dos planos de jogo dos irlandeses passava por atacar o canal interior e exterior do 10, impossibilitando-o de se “mexer” ou de criar soluções ofensivas mais “profundas”.

Veja-se que os dois ensaios do Clermont aconteceram após um trabalho exigente na saída do ruck, em picks e depois num lançamento sempre rápido do 9 para as unidades que estavam montadas mais cercas dessa fase dinâmica. Lopez estava mais longe e profundo, à espera de um aglomerar irlandês para receber a oval e meter a bola na outra ponta… mas nunca foi preciso.

O Leinster, por Isa Nacewa ou Sexton, tentaram explorar o canal do 10, a nível ofensivo, só que Lopez esteve resiliente e aguentou todas as investidas que passaram ao seu lado, como provam as 8 placagens.

Para finalizar, Lopez coroou uma boa exibição com dois drops de alto nível, sendo que o primeiro é de difícil execução metendo uma pressão e efeito na bola de grande qualidade e mestria. Numa altura em que é raro vermos este tipo de pontapé, Lopez avisou os seus adversários que o Clermont tem capacidade para marcar de todas as formas e feitios.

Um nº10 que merece uma ovação pela qualidade, raça e entrega que traz ao jogo, para além de todo um “perfume” com a bola nas mãos.

A DECEPÇÃO: METROS TÊM DE SIGNIFICAR ENSAIOS LEINSTER

Dois factos que nos precipitam para afirmar que o Leinster realizou uma exibição abaixo do expectável: 650 metros conquistados deram só um ensaio e os primeiros 40 minutos oferecidos ao Clermont.

Se uma equipa consegue fazer mais de meio km de metros com a oval na mão e não consegue fazer ensaios, então há algo de errado nos processos e na forma como atacam a linha de defesa no último quarto de terreno.

Não foi por insistência de Sexton (jogo mediano do nº10 irlandês) ou do trabalho do par de centros que não tiveram mais pontos, mas foi essencialmente pela falta de capacidade de ler a defesa e de explorar as (poucas) falhas que o Clermont demonstrava na sua linha defensiva.

Sem capacidade de penetração tudo fica mais difícil, pois não há pontos e sem pontos não há vitória. Jamie Heaslip é um jogador fundamental na criação de roturas defensivas, já que o seu físico e mobilidade permite ao Leinster sair a jogar mais rápido e encontrar outros pontos de ataque.

O segundo ponto foi algo que trouxe a “sombra” da derrota à equipa do Leinster: os 40 minutos de avanço concedidos ao Clermont. A primeira parte terminou num 15-03, onde um dos ensaios dos franceses era evitável (desatenção à ponta e sem placagens efectivas) e a concentração dos irlandeses esteve em “baixa”.

As linhas atrasadas do Leinster efectuaram 9 erros forçados de ataque, separados do 9 ao 15, alguns deles de alguma gravidade já que lhes tiraram boas oportunidades para chegarem à área de validação.

Por isso, com uma defesa mais “branda” na 1ª parte (Sean O’Brien foi outro jogador que fez falta) e um ataque soft, o Clermont aproveitou para ganhar uma boa margem que seria inultrapassável para o Leinster e o sonho de tentar conquistar uma 4ª Champions Cup.

A REVELAÇÃO: GARRY RINGROSE VAI MARCAR UMA NOVA ERA?

Voltamos a revisitar e escolher um detalhe do jogo do Clermont-Leinster para fechar os 4 pontos das meias-finais da Champions Cup: Garry Ringrose.

O centro está a passar por uma fase de momentum espectacular com uma série de pormenores que podem levá-lo a atingir um patamar do mais alto possível… fazer jus ao nome e lenda de Brian O’Driscoll.

O centro, de 22 anos, já realizou 8 jogos pela Irlanda e tem sido uma das coqueluches da selecção de Joe Schmidt. No Leinster assumiu um papel preponderante na defesa e ainda mais no ataque… o ensaio contra o Clermont prova toda essa “sofisticação” que o centro possui e que pode mudar, radicalmente, a forma de atacar do Leinster.

Essa jogada mirabolante, carregada de toda uma excentricidade e noção de como aproveitar o espaço e os erros de placagem do adversário. O explorar dos “buracos” e a forma como acelerou neles, tornaram-no impossível de segurar.

Ringrose fez 134 metros em 15 carries, bateu 14 defesas e acabou com duas quebras de linha… sem qualquer erro de controlo de bola (foi o único dos 3/4’s nesse aspecto). Tem tudo para ser um dos novos mastros do rugby irlandês.

Referência muito breve a Niall Scannell, o talonador do Munster. Jogo de alta qualidade do nº2, que teve excelente nas fases estáticas (15 alinhamentos conquistados mais a 5 formações ordenadas) para além de ser um excelente apoio a quem carrega a oval ou na forma como disputa os rucks.

Garry Ringrose e Niall Scannell são o futuro do rugby irlandês, que precisa rapidamente de uma mudança para aproveitar esta “bolsa” de crescimento que foi conquistada na Champions Cup, na Pro12 ou nas Seis Nações 2017.

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Francisco IsaacAbril 4, 20176min0

Munster, Leinster, Saracens e Toulouse estes são os vossos finalistas para a European Champions Cup. Chris Ashton bate o recorde, o Leinster arma um “show” em Dublin, a Red Army continua no caminho certo e o Clermont é o resistente francês. 4 pontos sobre os quartos da Champions Cup

A EQUIPA: RED ARMY NÃO É SÓ UM MOVIMENTO, É UMA FORMA DE SER

O Munster está qualificado para as meias-finais numa época que foi marcada pelo falecimento do seu treinador, Anthony Foley.

É fenomenal o que 30 jogadores têm feito em 2016/2017, motivados em surpreender a Europa e repor o Munster no mapa europeu.

Com um estádio cheio (algo que foi norma nos dois jogos das equipas irlandesas), a equipa, agora treinada por Rassie Erasmus, liquidou o super campeão europeu, Stade Toulousain, por 41-16.

Uma atmosfera incrível, um apoio de sonho e uma crença na equipa sem igual, estes foram três factores evidentes deste encontro, em que Tyler Bleyendaal foi a grande figura com 21 pontos em todo o encontro.

A capacidade de trabalho da avançada, onde CJ Stander (marcou mais um ensaio) desponta como a unidade mais dinâmica em campo, foi fulcral para “quebrar” fisicamente com a equipa “pesada” do Toulouse que só teve argumentos nos primeiros 30 minutos.

O Munster capitalizou sempre que pôde, imprimiu outra velocidade no jogo e foi sempre de encontro ao seu “sonho” de chegar à meia-final da European Champions Cup.

Foley estaria orgulhoso do que os seus jogadores, colegas e adeptos estão a fazer… pois a Red Army deixou de ser um simples “movimento” ou “alcunha”, é uma forma de ser e sentir o rugby.

O JOGADOR: O BRITISH BAD BOY, CHRIS ASHTON

Chris Ashton tem tudo para ser um típico Bad Boy ou vilão de um filme de James Bond. Com o seu arrogante, a sua forma de ser que vive no limiar do “ultraje” e as várias “cenas” estranhas que já foi responsável, o ponta merece esse alcunha.

Todavia, Ashton representa para os Saracens muito mais que isso, já que é neste momento o jogador com mais ensaios da European Champions Cup, a par de Vincent Clerc… 36 ensaios no total.

O 1º ensaio do jogo frente aos Glasgow Warriors, Ashton bateu o pé, procurou o espaço e depois já no chão, não deixou de rebolar até conseguir meter a bola dentro da caixa… êxtase nas bancadas e os Saracens a dominarem.

Num jogo que foi “relativamente” pacífico para os campeões em título, Ashton foi sempre um “quebra-cabeças” assumindo o papel de catalisador de jogadas de perigo, com boas trocas de pés, uma boa presença na linha de vantagem e uma clara vontade de deixar a sua marca no jogo.

O 2º ensaio chegou na altura mais oportuna, pondo fim ao sonho dos Warriors em seguir em frente… recepção à bola na ponta, aceleração no máximo para depois meter o pé para dentro e cravar mais um ensaio na sua – longa – lista.

Ashton tem mais um jogo para se afirmar como o melhor marcador de ensaios da Europa, demonstrando que os Saracens estão no topo da hierarquia europeia e serão o principal alvo (a par do Leinster) a abater na competição.

Em jeito de brincadeira, Ashton admitiu que “a minha mulher tem mais hipóteses de ir aos British&Irish Lions do que eu”, numa clara demonstração que o Bad Boy tem um sentido de comédia muito cativante.

O CANDIDATO: LEINSTER É A HORA DE DAR O 4º A DUBLIN

Vingança servida… foi assim que o Leinster sentiu no final dos 80 minutos frente aos ingleses dos Wasps no jogo de apuramento para as meias-finais da competição.

O Leinster em 2015/2016 tinha sofrido “humilhantes” derrotas às mãos da equipa de Coventry, por 06-33 e 10-51, algo que nunca foi esquecido pela formação de Dublin.

Mas as derrotas são lições de aprendizagem e erros do passado serão transformados em forças do presente… o Leinster seguiu essa “directiva” e na recepção aos irriquietos Wasps brindaram os seus adeptos com uma valente vitória.

Um jogo absolutamente irrepreensível, de uma classe tal que meteram os 50 mil adeptos do Aviva Stadium em euforia. 32-17 no final do encontro (estiveram a ganhar por 22-03 ao intervalo), em que nomes como Johnny Sexton, Sean O’Brien ou Robbie Henshaw fizeram a diferença durante os 80 minutos.

Os Wasps bem que tentaram alterar o rumo dos acontecimentos, mas nada lhes valeu a boa segunda parte (14 pontos) que fizeram… as meias-finais eram do Leinster.

A equipa de Dublin soma três títulos europeus no seu palmarés e sonha, neste momento, em atingir o 4º, rivalizando com o Stade Toulousain (que já está fora da corrida) pelo topo da hierarquia europeia.

O grande destaque da partida vai para o defesa Joey Carbery, que correu mais de 165 metros, completou duas assistências e tem umas série de rasgos que tiraram a capacidade de “ferrar” dos Wasps.

A QUEDA: RC TOULON: UM ATÉ JÁ OU ATÉ NUNCA

O Toulon foi eliminado, mais uma vez, nos quartos-de-final da European Champions Cup. Verdade que o adversário era o Clermont, o que lhes tirava o favoritismo e uma boa parte das possibilidades de seguir em frente, mas há sempre reparos a fazer.

No jogo frente ao seu grande rival dos últimos anos, o Toulon nunca foi uma equipa que conseguisse “danificar” as pretensões dos Jaunards em chegar às meias-finais.

O melhor que a equipa de Mike Ford (pai de George Ford) conseguiu fazer, foi chegar ao intervalo com um 06-06, apesar do domínio da equipa da casa.

Na 2ª parte a quebra física, a apatia geral e a falta de conexão entre jogadores, levou a que surgissem erros graves na linha de ataque e em alguns sectores da defesa. As penalidades transformaram-se em inícios de ensaio do Clermont e assim acabou a campanha do RC Toulonnais na Europa.

Nem com uma linha de 3/4’s admirável, onde está Ma’a Nonu, Basteraud, Leigh Halfpenny, François Trihn-Duc, entre outros, conseguiram fazer um ensaio sequer neste jogo dos quartos-de-final.

O que se passa com a suposta super equipa do TOP14? O excesso de estrelas está a “minar” a coesão de equipa? Ou isto é uma fase mais “negra” antes de voltarem ao domínio na Europa e em França?

São boas questões para o futuro e, decerto, haverão outras mais… o Toulon já foi tricampeão de forma consecutiva e nada nos diz que em 2018 não o venha a ser… mas, é necessário que se criem laços entre a equipa, onde o equilíbrio mental seja respeitado e não hajam pressões externas ou da direcção.

As meias-finais ficaram assim agendadas

Foto EPCR
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Francisco IsaacDezembro 31, 20169min0

A última jornada antes da paragem para Natal, trouxe várias “prendas” de última hora tanto para o Munster como para os Wasps. Mas, foi em terras escocesas que se fez ouvir o mair estrondo da semana: os Glasgow Warriors “abateram” os vice-campeões europeus e campeões do TOP14, o Racing 92. Este jogo e outros 3 pontos na nossa análise da 4ª jornada

Será a temporada 2016/2017 o “grito” das equipas da PRO12? Munster, Ulster, Leinster, Connacht e Glasgow Warriors são todos candidatos a passar à fase a eliminar da Champions Cup, algo que seria inédito para o rugby europeu. Mas no horizonte estão os Saracens que são, para já, a única equipa que não consentiu derrota nesta fase-de-grupos. Fiquem com as nossas ideias, opiniões e questões da 4ª jornada da ERCC

Para os que não leram a 1ª, 2ª e 3ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8kgoo.gl/7yO3Qd e goo.gl/yQqzop

A Equipa: NEVER PLAY GAMES WITH A SCOTTISH WARRIOR!

Bem-vindos a Scotstun, reino dos Glasgow Warriors, reino onde tudo é possível para as gentes que vivem nas Highlands. Em 2015/2016 a equipa de Gregor Towsend terminou em 3º lugar com 14 pontos, muito devido às duas vitórias ante os Scarlets que se ficaram pelo último lugar com 0. Coincidência ou golpe do destino, a equipa escocesa voltou a encontrar o Racing 92 nesta nova temporada na fase-de-grupos.

Na altura, tinha conseguido uma vitória e uma derrota – frente aos parisienses -, insuficientes para seguir em frente na competição máxima de clubes da Europa. Porém, esta temporada já foi diferente… a 1ª vitória aconteceu em Paris (23-14) e “impulsionou” os escoceses para o 2º lugar do grupo. Para poderem continuar a sonhar com um apuramento quase histórico (a última vez que foram à fase a eliminar foi exactamente há dez anos), tinham de garantir quatro pontos em casa.

Perante a sua massa adepta, as cores do azul escuro brilharam com grande fulgor naquela que foi uma das melhores prestações de sempre da equipa escocesa em provas europeias. Com Finn Russell a “deslumbrar”, a equipa dos Warriors “varreu” os vice-campeões europeus com facilidade. 18-00 no final da 1ª parte, com ensaios de Josh Strauss (100 jogos com a camisola de Glasgow ao peito) e Fraser Brown (o 1ª linha pode ser uma das revelações da Vern Cotter para as Seis Nações), permitiram um segundo tempo ainda mais “calmo”, sem necessidade de acelerar o jogo (excelente Russell, Hogg e Price nesse aspecto), aproveitando da falta de capacidade em transformar posse de bola e metros (550 metros conquistados).

Foram 20 os erros ofensivos da equipa de Paris, com 11 avants, 8 turnovers e um pontapé interceptado, algo incomum para uma equipa do TOP14. A somar isto tudo, Dan Carter acabou o jogo sem qualquer metro conquistado, quebra-de-linha, defesa batido e com meros 15 passes, ao contrário que o seu adversário escocês, Russell, completou 81 metros, 1 assistência para ensaio, 4 quebras de linha e 5 defesas batidos.

Feita as contas, a equipa de Glasgow está com a “passagem” nas mãos, para isso basta só ganhar ao Leicester ou Munster que garantirão um lugar na fase a eliminar. Conseguirá Gregor Towsend quebrar com a malapata que dura há dez anos? Será interessante ver como Towsend vai voltar a montar o “cerco” às equipas do Munster e Leicester Tigers. A receita para ganhar o jogo frente ao Racing, passou pela construção de fases curtas e “pesadas”, com a avançada escocesa a não perder o controlo da oval.

Depois de “amontoar” a defesa parisiense, Russel/Hogg/Dunbar pediam a bola para colocar uma jogada de alta rotação (com a participação mínima de um avançado na linha da frente de ataque), abrindo espaço entre os defesas. Depois foi só explorar os “buracos”, encontrar o caminho e garantir uma linha de corrida com grande apoio. É o jogo que a Escócia gosta de jogar, mas com um pouco mais de velocidade e mais disponibilidade mental para assegurar boas transições de jogo.

Fiquem com a exibição de Finn Russell:

O “David” da Jornada: CONNACHT ALERT!

Tínhamos alertado que o Connacht podia ser uma “caixinha de surpresas” durante esta prova… os campeões da PRO12 em título, receberam a equipa dos London Wasps, que esperava um jogo controlado e que a vitória não fugiria, mesmo que fosse por um ponto.

Bem, a surpresa caiu encima dos 82 minutos (dois minutos para lá do tempo regulamentar), quando a equipa irlandesa Galway marca um ensaio para Jack Carty converter… o olhar atento do médio de abertura a fitar os postes… silêncio profundo, pontapé enviado e bola a voar… passou! 20-18 e o Connacht está na disputa para seguir em frente na competição.

Mas vamos recuar no tempo de jogo para percebermos como é que isto pode ter acontecido a uma das grandes equipas da actualidade da Europa. Os Wasps começaram com a “guerra” de ensaios, com o primeiro a surgir aos 13′ pelo formação Joe Simpson. Excelente insistência de Thomas Young e Nathan Hughes, para depois o nº9 captar e “afundar” na área adversária.

O domínio de jogo inverteu-se a partir deste momento, com o Connacht a duplicar esforços e a tentar ir ao ensaio. Porém, uma boa defesa dos ingleses (Thomas Young estava irrepreensível na hora de parar os seus oponentes, com 16 placagens no final do encontro, para além do “monstro” Joe Launchbury), impediu a equipa de Pat Lam de chegar ao ensaio… até ao 39′.

Nesse momento, após 5 fases de ataque e em cima dos últimos 5 metros, Carty (MVP deste encontro) “arma” um crosskick que Danie Poolman consegue apanhar do ar, passando a linha da área de validação, deixando a oval pelo caminho.

Uma entrega completa, uma vontade de apostarem no virtuosismo e um acreditar, motivou ainda mais os homens do Connacht que iam atrás das investidas de Bundee Aki (novamente foi um dos jogadores com mais metros percorridos, com 94 em 19 carries, o que prova que é a peça principal deste esquema de Lam).

Só que o “balde de água fria” (o primeiro daquela noite gelada) veio por parte dos Wasps, quando Simpson sai rápido de um ruck e atira um passe para Bassett marcar o seu 3º ensaio na competição à ponta. Gopperth não converte e deixa o resultado num 18-13 com 5 minutos para jogar. Os Wasps nunca pensaram no que se iria suceder a seguir… primeiro uma sequência de faltas que os recuou até à sua área de 22, com os irlandeses a terem noção que uma penalidade não lhe servia de nada.

Os ingleses de Coventry defenderam, defenderam e defenderam, atirando as intenções de ensaio para trás… não havia jogada que passasse pela linha de defesa, bem montada, com uma pressão alta. Chegámos aos 80′, nova penalidade… alinhamento e ensaio… 18-18. E pronto, voltamos ao primeiro parágrafo deste 2º ponto. A força de provar que até os mais “pequenos” têm uma palavra a dizer na maior competição europeia de rugby.

O Jogador: MY NAME IS FARRELL… OWEN FARRELL! 

2016 marca um ano formidável para vários atletas: Israel Dagg, Beauden Barrett, Samu Kerevi, Stuart Hogg, Maro Itoje, James Haskell, Brice Dulin, entre outros… mas Owen Farrell é outro dos nomes a incluir.

A sua importância no desenho táctico e estratégia de jogo dos Saracens demonstra o seu peso a todos os níveis. Nos 24 pontos da vitória no fim-de-semana passado frente aos Sale Sharks (24-19), Owen Farrell foi responsável por 19, tantos como os seus adversários (pouco importa este dado, mas sempre importante de observar o “peso” da pontuação final de um jogador).

Farrell é um jogador moderno, rápido, com uma visão de jogo soberba, para além de reunir todas as competências e valências que gostamos de ver num abertura/centro. No jogo frente aos Sale Sharks, Owen Farrell completou duas quebras-de-linha, 40 metros conquistados, um ensaio (excelente a captar um offload de Bosch) e oito placagens (mais que qualquer outro colega dos 3/4’s), num jogo muito intenso e duro.

Farrell foi sempre uma peça fundamental para que o jogo estivesse – quase – sempre sob domínio dos campeões em título. No final dos 80′ nova vitória sorria aos londrinos que agora são a única equipa que não perdeu na European Champions Cup e devem isso, em muito, a Owen Farrell. 67 pontos em quatro jogos, dá uma média de 17 pontos (aproximadamente) por jogo.

O Caso: NOT SO SAINT(S) AS WE THOUGHT

Um pouco de polémica? Os Northampton Saints estão sob alçada disciplinar porque possivelmente não levar a sua melhor equipa até Dublin, naquela que foi uma das maiores vitórias de uma equipa irlandesa ante uma formação inglesa. 60-13 a favor do Leinster, com um atropelamento dos Saints a ficar bem  vincado.

Os irlandeses foram imperiais em todos os sectores do jogo, como provam os 60 pontos finais. A equipa de Northampton ainda começou com o “pé direito” com um ensaio espectacular de Pisi aos 20’… só que depois começou tudo a tremer e, com facilidade, a equipa liderada por Jamie Heaslip somou uma vitória em grande. Passado um dia de ter terminado o jogo, começaram a sair as grandes questões… terão os Saints jogado com a sua melhor equipa? Houve alterações deliberadas para poupar jogadores para o campeonato?

Até este momento, a EPCR (organização que rege as competições europeias de rugby de clubes) afirmou que está a analisar a situação uma vez que destaca que o rugby é um desporto que faz valer o espírito do fairplay, da honestidade e integridade. Há dúvidas se os Saints assim o fizeram, uma vez que já tinham poucas oportunidades por passar à fase seguinte.

É possível que tenha existido um problema desta magnitude? Ou será simplesmente excesso de zelo da EPCR? Dúvidas por esclarecer nas próximas semanas.

Seguem-se duas jornadas de grandes decisões com muito por decidir, em que só há uma equipa invicta (Saracens), dois candidatos em queda (Wasps e Ulster) e uma reafirmação da PRO12. Quem serão os finalistas?

 


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