Arquivo de Chapecoense - Fair Play

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Victor AbussafiDezembro 28, 201610min0

Palmeiras campeão depois de 22 anos. Robinho e Diego destaques do campeonato depois de 14 anos. Internacional rebaixado pela primeira vez. Muito equilíbrio, como previsto. Algumas surpresas. Foi assim o Brasileirão 2016.

O Fair Play conta as principais histórias do Brasileirão 2016, desde a promessa de Cuca de que daria o título ao Palmeiras até ao triste grupo de salvamento do Internacional, chamado de “Swat” pelos dirigentes, e seu fracasso retumbante.

Palmeiras, 22 anos depois

Bicampeão brasileiro em 1993 e 1994, o Palmeiras era um esquadrão imparável. Nos tempos em que os craques do Brasil ficavam no país, o Verdão reunia Rivaldo, Edmundo, Zinho, Evair, Roberto Carlos, Antonio Carlos Zago, Mazinho, César Sampaio… todos multi-campeões pelo clube e por onde passaram nos anos que se seguiram.

Vinte e dois anos depois, não há nenhum craque. Talvez Gabriel Jesus se consagre como tal, mas hoje a “cara” do Palmeiras é um elenco voluntarioso, equilibrado e muito bem armado taticamente, como são os últimos campeões nacionais num Brasil fornecedor de artistas para o futebol europeu.

Gabriel Jesus foi um dos principais jogadores do Palmeiras (Foto: SEP)

Este Palmeiras campeão foi forjado pela obsessão de seu presidente. Paulo Nobre resgatou o clube de dois rebaixamentos em 10 anos, para revitalizar as finanças, entregar uma arena de primeiro nível e um grupo campeão. Foram 76 contratações em 4 temporadas e 3 títulos (A Série B de 2013, Copa do Brasil de 2015 e Brasileirão de 2016).

O time de 2016 fez um primeiro turno excepcional e um segundo turno eficiente. Com apenas 6 derrotas, viu as pretensões dos concorrentes caírem pelo caminho. Só esteve perto de perder a liderança, conquistada na nona rodada e recuperada pela última  vez na décima nona, perto do clássico contra o Corinhtians, mas a vitória afastou o Flamengo da briga e apontou o caminho para o título alviverde.

Muito bem armado por Cuca, que previu o título no início do campeonato, o melhor Palmeiras, mesmo oscilando durante o ano, mostrava muita agressividade na recuperação de bola e intensidade em campo, teve o segundo melhor ataque e a defesa menos vazada.

Teve Gabriel Jesus que desequilibrou no primeiro turno e foi muito participativo no segundo. Dudu em grande nível. Zé Roberto aos 42 anos. Jaílson, o herói improvável. Prass, mesmo lesionado, Mina, Moisés, Tchê Tchê e grande elenco.

Pressão na saída de bola, jogo direto e vertical. Assim foi o Palmeiras campeão. (Fonte: ESPN Brasil)

Viúvas de Tite

Campeão em 2015, o Corinthians sofreu um desmanche ao perder seus principais jogadores para a China. Mas estava tudo controlado, por que o seu maior nome permanecia: Tite. Com peças de reposição inferiores aos que deixaram o clube, a inteligência tática do treinador fazia o time manter o padrão e continuar a sonhar com o título.

Mas a saída do treinador para a Seleção Brasileira, na virada do turno, fez o time sair dos eixos. Nem Cristóvão Borges, nem Oswaldo de Oliveira, mostraram-se a altura do campeão brasileiro e o desempenho do time despencou. Para piorar, o clube vive uma das piores crises financeiras de sua história recente e não parece conseguir vencer a espiral negativa.

Oswaldo foi chamado para classificar o Corinthians para a Libertadores e falhou. No fim, ficou apenas 60 dias. (Foto: Twitter Corinthians)

No fim, ficou fora da Libertadores, mesmo com o aumento no número de vagas de 4 para 6, e terminou o ano sem o apoio do seu torcedor. Para 2017, aposta em Fabio Carrile, ex-auxiliar de Tite, depois de uma debandada geral da comissão técnica e de uma crise política intensa. No começo do ano, ninguém previa esse final trágico para o time campeão de 2015.

Vergonha internacional

Este campeonato marcou negativamente uma das maiores torcidas do país. Pela primeira vez, em 107 anos, o Internacional foi rebaixado à Segunda Divisão. Num ano que começou com a aposta nos jovens talentos e o empréstimo do ídolo D’Alessandro ao River Plate, os primeiros meses animaram a torcida Colorada.

Com o hexacampeonato e uma arrancada histórica nas primeiras rodadas do Brasileirão (Em 8 jogos, foram 6 vitórias e 1 empate, a melhor campanha da história do clube gaúcho), o Internacional parecia querer ser um dos destaques do campeonato. Argel, treinador com feitio defensivo, colocava em campo um time duro de ser batido.

Uma sequência de 14 jogos sem vitórias seguiu ao bom desempenho inicial e o time entrou numa espiral negativa sem fim. Foram 4 treinadores, sem padrão pré definido de jogo (do retranqueiro Argel, para o técnico Falcão, de volta para um treinador defensivo Celso Roth e terminando com o “maluco” Lisca).

Torcedoreas do Inter choram com o rebaixamento. (Foto: Marcos Nagelstein/Vipcomm)

Reforços, como Nico Lopez, que não vingaram, uma péssima campanha como visitante e uma fracassada tentativa de salvação ao recorrer a “velhos conhecidos”. Foram chamados ao serviço dirigentes ilustres e o treinador Celso Roth, campeão da Libertadores com o clube, mas a “Swat”, nome como se auto denominava esta força-tarefa, fracassou após cerca de 100 dias. No fim, o Inter meteu os pés pelas mãos durante a tragédia com a Chapecoense e viu os torcedores de todos os outros clubes pedirem o seu rebaixamento.

Cheirinho de hepta e Peixe em ascensão: os concorrentes ao título

Os principais concorrentes ao título foram o Flamengo e o Santos, cada um num determinado momento do campeonato. Primeiro foi a vez do rubro-negro carioca, que ouvia sua torcida cantar que já sentia um “cheirinho” de hepta. O Flamengo, embalado após o início do trabalho de Zé Ricardo, treinador que assumiu como interino após a saída de Muricy Ramalho e que terminou valorizado como um dos melhores treinadores do campeonato.

Com Guerrero, Diego e companhia, o Flamengo foi um dos destaques do campeonato (Foto: Gilvan de Souza/ CRF)

Zé Ricardo montou um time inteligente taticamente e soube aproveitar o melhor das peças do elenco. Engatou uma sequência de vitórias e esteve a uma rodada de assumir a liderança, mas viu o Palmeiras derrotar o Corinthians e nunca mais assustou o time alviverde. No fim das contas, foi um bom ano, com destaques para a chegada de Diego, o crescimento de Zé Ricardo e a promessa de um bom 2017. Pena que o “cheirinho” de hepta apenas alimentou os memes dos rivais.

Do outro lado, o Santos, que já havia disputado com o Palmeiras o título da Copa do Brasil do ano passado, foi quem brigou nas últimas rodadas. Dorival Júnior preparou uma equipe marcada pelas variações táticas e movimentos pouco usuais de seus jogadores, como nos laterais que constantemente fechavam para marcar e começar as jogadas pelo meio.

O Peixe teve grande desempenho jogando dentro da Vila Belmiro, mas perdeu pontos importantes para times da parte de baixo da tabela, como o Internacional e o América-MG. No fim do campeonato, foram esses os pontos que fizeram falta para ameaçar de verdade a tranquilidade do Palmeiras.

Botafogo bipolar

Outra surpresa do campeonato foi a brilhante campanha do Botafogo. Apontado por 99% dos especialistas como candidato ao rebaixamento, o clube de General Severiano viu, em 4 meses, sua vida mudar da água para o vinho.

Quando Ricardo Gomes, treinador que trouxe o time de volta à Série A, aceitou proposta do São Paulo, o Botafogo tinha apenas 20 pontos. Comandado pelo treinador Jair Ventura, ex-treinador do sub-20 do clube e filho do ídolo, campeão da Copa de 70, Jairzinho, o Fogão arrancou rumo à Libertadores e conquistou a vaga, na última rodada.

Ao lado de Zé Ricardo, do Flamengo, Jair Ventura foi uma das revelações do campeonato (Foto: Divulgação/Botafogo FR)

Com apenas 37 anos, fã de estatística e de contrato renovado, Jair Ventura fez o Botafogo render acima do esperado, acumulou vitórias e terminou o campeonato na quinta colocação. Com elenco limitado, o mérito do treinador foi encaixar uma tática equilibrada, que permitiu o crescimento de jogadores como Sassá e Camilo.

Domingo de homenagens

Este campeonato também foi marcado por um fato triste. O acidente com o avião da Chapecoense, rumo à Medellin para a final da Copa Sul-Americana, que vitimou 71 pessoas. Uma tragédia que chocou o mundo.

A última rodada do Brasileirão foi adiada por uma semana. O jogo Chapecoense e Atlético-MG nunca aconteceu. E nas demais 9 partidas desta rodada, os clubes fizeram questão de homenagear o clube catarinense. Minutos de silêncio, camisas especiais e muita emoção. Uma despedida melancólica do maior campeonato do Brasil.

Homenagem no jogo Vitória e Palmeiras pela última rodada do Brasileirão. (Foto: Varela Notícias)

Distinções Fair Play

Jogador do Ano: Gabriel Jesus (Palmeiras)

Treinador do Ano: Cuca (Palmeiras)

Avançado do Ano: Gabriel Jesus (Palmeiras)

Médio do Ano: Renato (Santos)

Defesa do Ano: Geromel (Grêmio)

Guarda-Redes do Ano: Vanderlei (Santos)

Golo do Ano:

Veja também: Galeria com os melhores jogadores do Brasileirão

Classificação final do Brasileirão 2016 (Fonte: CBF)
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Victor AbussafiDezembro 8, 201610min0

Ronaldinho, Riquelme, Gudjohnsen, dinheiro do PSG… nos dias que sucederam a tragédia, entre a tristeza das noticias reais, uma série de boatos ganharam espaço na imprensa e redes sociais. O que será da amada Chape? Como reconstruir um clube destruído por uma tragédia?

A maior tragédia da história do futebol brasileiro chocou o mundo e nos fez chorar. A Chapecoense era um dos clubes mais simpáticos do país antes do acidente e, agora, é uma equipe querida pelo mundo. No céu, abrirão uma filial do clube para enfrentar as lendas do futebol que já nos acompanham de lá. E, por aqui, despertaram o melhor do ser humano e nos encheram de sentimentos. Para além da tristeza por sua partida, fica a esperança de ter visto, nos últimos dias, uma enormidade de exemplos de compaixão, solidariedade e humanidade.

Triste tragédia com avião que levava a Chapecoense à Medellin chocou o mundo (Foto: Gazeta Press)

Para quem ficou por aqui, a melhor forma de aliviar a tristeza é pensar no futuro. Em Chapecó, dirigentes começam a planejar a Chapecoense de 2017 e o mundo do futebol olha com atenção para o futuro do clube, como a cuidar de um filho. O que acontecerá com a Chape à partir de agora?

Finanças

Declarada campeã da Sul-Americana, a Chape vai receber um reforço nos caixas. Pelo título da segunda competição continental mais importante vai receber uma premiação de US$ 2 milhões (R$ 6,86 milhões). Pela vaga na Recopa (disputada entre os campeões da Libertadores e da Sul-Americana), mais US$ 1 milhão (R$ 3,43 milhões). A participação na Libertadores renderá ainda mais US$ 600 mil (pouco mais de R$ 2 milhões) por jogo como mandante. Como fará ao menos três partidas na fase de grupos, o time catarinense já garantiu US$ 1,8 milhão (R$ 6,17 milhões). Só dessa decisão, portanto, são US$ 5,4 milhões (cerca de R$ 18 milhões), fora a bilheteria.

Dinheiro muito bem vindo para um clube com uma das melhores gestões do país. Em seu blog no Lance!, Amir Somoggi, especialista em gestão no esporte, elogia o equilibrio das contas do clube catarinense e essa qualidade é uma das características mais importantes para o futuro do clube – “O clube é organizado, não tem dívidas. Tem um custo anual de R$ 41 milhões, e acredito num aumento de faturamento, que deve chegar a uns R$ 50 milhões, R$ 60 milhões nesta temporada de 2016. Para se ter uma ideia, o Corinthians tem um custo de R$ 250 milhões ao ano”.

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Fonte: Marketing e economia da bola, Amir Somoggi

Segundo a direção do clube, uma reunião aconteceria entre as finais da competição sulamericana para  tratar da ampliação da Arena Condá para 40 mil pessoas. Apesar do encontro não ter sido realizado pela tragédia em Medellín, o projeto deve acontecer, desde que siga com o apoio público. Neste momento, há a garantia apenas de investimento na iluminação do estádio.

O futuro do clube passa por não contrariar sua história de gestão. O desafio de reconstruir uma equipe praticamente do zero, contratar jogadores e comissão técnica é grande, mas por outro lado a marca do clube é, agora, conhecida mundialmente e isso trará novas receitas como, por exemplo, convites para amistosos internacionais. Outro exemplo é o programa de sócios, que sofreu um impacto imediato, com mais de 7 mil sócios em um dia. O impacto do acidente na notoriedade do clube foi visível nas redes sociais:

Últimos dados divulgados por Ibope do impacto nas mídias sociais após tragédia da Chape (Foto: Reprodução Twitter)

Uma coisa é certa. Não é hora de loucuras e é preciso manter-se coerente com a estratégia seguida até aqui. Uma gestão séria e controlada é a única maneira do clube continuar ascendente após esta tragédia. O Torino, que passou por acidente semelhante na Itália, quando era força dominante no país, nunca mais voltou a ser o que era. É hora de manter os valores do plano original, sabendo que será o que aconteceu mudará muito o caminho do clube.

Jogadores

A história do “Furacão do Oeste” é recente. Fundada há apenas 43 anos, a Chape ficou famosa pela ascensão meteórica que levou o clube da Série D à A em apenas 6 anos. Até 2004, o clube vivia a trágica história dos times do interior brasileiro, com dívidas e dificuldades para se manter aberto. Mas, em 2005, comandado por um grupo de empresários do munícipio viu a reestruturação da sua dívida e o retorno às vitórias estaduais em 2007, pela terceira vez (as outras duas foram 1977 e 1996).

De lá para cá, foram mais 2 títulos estaduais e os acessos nas Série D (2009), C (2012) e B (2013). Desde 2014 na principal divisão do Brasil a Chapecoense chamou sempre a atenção por ser um clube de pés no chão. Com custos controlados e apostando em jovens e jogadores baratos, em sua maioria, sempre foi um adversário muito difícil de ser batido, principalmente jogando em casa.

Este time que fez a melhor campanha da história do clube, com um nono lugar no Campeonato Brasileiro e finalista da Sul-Americana, era composto dessa forma. Cléber Santana, o capitão, era um jogador experiente com passagens pela Europa e grandes do Brasil, mas o restante do time era composto por jovens talentos e jogadores esforçados, alguns com passagens em grandes, mas nenhum craque. A grande virtude era a luta e o conjunto, bem conduzidos pelo treinador Caio Júnior.

Perfil do time era de luta e organização (Foto: Paulo Whitaker / Reuters)

Apesar de se especular nomes conhecidos no cenário mundial (até Gudjohnsen se ofereceu), o futuro do plantel verde deve manter suas raízes. Não faz sentido apostar, agora, em veteranos pouco compromissados, como Ronaldinho e Riquelme e o presidente interino, Ivan Tozzo, sabe disso:

– Temos uma categoria de base bem formada, temos muitos bons meninos no sub-20. Passando o Estadual, vamos ver as pessoas que necessitados dentro das nossas condições financeiras. Aí vamos contratar atletas para as posições certas. Temos que agradecer aos clubes que estão oferecendo jogadores, mas nosso planejamento é outro. Queremos jogadores comprometidos com o clube. Precisamos disso, não vamos mudar – afirmou Tozzo.

Na base, o defesa central Ramiro Simon, filho do conhecido árbitro brasileiro Carlos Simon, e o meia Canhoto são os maiores destaques e já vinham treinando com os profissionais nesta temporada.

Com Libertadores, Estadual, Primeira Liga, Campeonato Brasileiro, Copa Suruga e Recopa, serão, no mínimo, 73 jogos em 2017, o que reforça a necessidade de um elenco extenso. A oferta de jogadores emprestados dos outros clubes deve ser considerada como fonte de recursos, mas apenas se for para contar com jogadores com a ambição e vontade dignas da história da Chapecoense. A base do grupo, pelo menos para o Estadual, será compostas por jogadores da base e os que não viajaram para a Colômbia.

Comissão Técnica

A comissão técnica, dizimada no acidente, precisa ser reconstruída. É nessa área que o apoio de grandes nomes do futebol se faz mais necessário. Muricy e Cuca, treinadores vencedores no país, se dispuseram a ajudar a atrair e indicar nomes para jogadores e comissão. Mas também há espaços para boatos na formação desta equipe:

– O técnico que virá já tem títulos brasileiros, tem experiência internacional e é conhecido da casa. Esse é o técnico que vamos procurar trazer – afirmou Plínio David de Nes Filho, presidente do Conselho Deliberativo.

Levir Culpi, livre após deixar o Fluminense e amigo da diretoria, se ofereceu para assumir o clube de graça durante o Estadual. Opção que não agrada ao clube, que quer um projeto de, no mínimo, 12 meses. Leonel Álvarez, três vezes campeão colombiano, teria se oferecido, também, para comandar o time de graça por seis meses. Não há declarações oficiais do treinador confirmando o gesto de solidariedade, bancado por jornalistas colombianos, mas não se passa de boatos que se aproveitam da situação trágica.

Na preparação física, uma bonita história pode acontecer. Anderson Paixão, filho do lendário Paulo Paixão, multicampeão com a Seleção Brasileira, era o comandante da preparação da Chapeterror e já havia sido chamado para compor o grupo de Tite, na Seleção. Com a sua morte, há a possibilidade de o lugar ser assumido pelo pai, Paulo, o que seria mais uma bela história surgida da tristeza deste acidente.

Nivaldo, ex-goleiro da Chape, de 42 anos, será convidado para um cargo de destaque na nova diretoria. Ele chegou ao clube em 2007 e tinha planos de disputar seu jogo de número 300 pelo clube na última rodada, contra o Atlético-MG – a partida não irá acontecer em função da tragédia da última semana.

Sentimento

A Chape passou a ocupar um lugar no coração de todos que gostam de futebol. Foram homenagens por todo o mundo e seguirão neste próximo fim de semana, na última rodada do Campeonato Brasileiro. A CBF vai doar R$ 5 milhões para o clube pagar as despesas do funeral e vai realizar um amistoso entre as seleções do Brasil e da Colômbia no início de 2017 para repassar a arrecadação para a Chapecoense.

Estádio Atanasio Girardot, em Medellín, lotou nesta quarta-feira (30) para prestar homenagem às vítimas do acidente do avião da Chapecoense (Foto: AP Photo/Luis Benavides)

O Atlético Nacional emocionou a todos com as homenagens na Colômbia. Os clubes do Brasil prometem ajudar as famílias das vítimas. Mas, é do sentimento nascido no povo, por todo o mundo, torcedores da Chape ou não, fãs de futebol ou não, que é o que de mais bonito surge disso tudo. A Chapecoense será, para sempre, o clube mais querido do Brasil. Por sua simpatia (representada nesta brincadeira com o Leicester), pela garra demonstrada em campo, pela festa da torcida na Arena Condá e por nos lembrar o que é realmente importante no futebol.

André Kfouri, jornalista brasileiro, foi brilhante em seu blog: “Se o futebol é espelho da sociedade, os últimos dias nos mostraram sua face mais honrada, mais respeitável, mais digna. Há tempos o jogo está nas mãos de quem não se importa com seus valores, apenas com seu valor.” Que a Chape incorpore para sempre esses valores e seja um exemplo, também, de gestão e profissionalismo.

Atualização (09/12) – Vagner Mancini foi anunciado como treinador da Chapecoense. Treinador com perfil do clube e com bons trabalhos em clubes médios. Seu último clube foi o Vitória, tendo conseguido o acesso para a Série A em 2015, mas sendo demitido no meio do Brasileirão deste ano.


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