Acidente Aéreo da Chapecoense – 5 anos de saudades

Thiago MacielDezembro 19, 20217min0

Acidente Aéreo da Chapecoense – 5 anos de saudades

Thiago MacielDezembro 19, 20217min0
No último dia 29/11 se completou cinco anos da maior tragédia do futebol brasileiro. Caia o avião que levava os jogadores da Chapecoense.

Há cinco anos a Chapecoense empatava em 0x0 com o San Lorenzo-ARG, na Arena Condá, e se classificava para a grande decisão da Copa Sul-Americana de 2016. A partida foi marcada por grande emoção, já que os catarinenses haviam empatado em 1×1 no jogo de ida e sofreram uma grande pressão no final do confronto. Como não podiam sofrer gols, o goleiro Danilo foi o grande destaque da partida, operando vários milagres, como uma defesa em cima da linha nos acréscimos.

Dias depois, a alegria da final inédita daria lugar a um dos maiores lutos que o futebol brasileiro e mundial já presenciou, quando o avião da Chapecoense acabou caindo à caminho da Colômbia, onde os brasileiros enfrentariam o Atlético Nacional na disputa do título. 71 pessoas morreram, sendo 19 jogadores.

Acidente
Grande destaque daquele ano, o goleiro Danilo fez uma grande defesa no fim do jogo (Foto: IOL)

O acidente

O voo que transportava a equipe da Chapecoense partiu à noite de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em direção a Medellín, onde o time enfrentaria o Atlético Nacional. A Aeronáutica Civil boliviana disse que o avião decolou em “perfeitas condições”.

Por volta de 1h15 da madrugada, a aeronave perdeu contato com a torre de controle e caiu ao se aproximar do Aeroporto José Maria Córdova, em Rionegro, perto de Medellín.

Os mortos

Entre os 71 mortos, vinte eram jornalistas brasileiros, nove dirigentes do clube, incluindo o seu presidente, dois convidados, quatorze da comissão técnica, incluindo o treinador Caio Junior e o médico da equipe, sete tripulantes e dezenove jogadores. Os jogadores foram:

Goleiro: Danilo
Laterais: Gimenez, Dener e Caramelo
Zagueiros: Marcelo, Filipe Machado e Thiego
Volantes: Josimar, Gil, Sérgio Manoel e Matheus Biteco
Meias: Cleber Santana e Arthur Maia
Atacantes: Kempes, Ananias, Lucas Gomes, Tiaguinho, Bruno Rangel e Canela.

Em 2016, a Chape era o segundo time de muitos brasileiros

Os sobreviventes

Seis pessoas foram resgatadas com vida e foram levadas ao hospital: os jogadores Alan Ruschel, Neto e Follmann, o jornalista Rafael Henzel, o técnico da aeronave Erwin Tumiri e a comissária de bordo Ximena Suarez. Já o goleiro Danilo tinha sido resgatado com vida, mas morreu no hospital.

Follmann,, Neto e Alan Ruschel. Sobreviventes do desastre aéreo (Foto: IOL)

Causas da Tragédia

A pane, de acordo com as investigações, começou 40 minutos antes de o avião cair. Os pilotos sabiam disso. O contrato do voo previa escala entre São Paulo e o aeroporto de Medellín, mas a empresa planejou viagem direto, o que não foi permitido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Então, a delegação do time catarinense pegou um voo de São Paulo até Santa Cruz de la Sierra e, da cidade boliviana, embarcou no voo da LaMia em direção a Medellín. As normas internacionais de aviação exigem que um voo deve ter combustível acima do necessário para fazer o trajeto programado, com sobra para alcançar um aeroporto mais próximo e ter ainda condições de manter o voo por ao menos 30 minutos.

Desta forma, o avião da LaMia deveria contar com pelo menos 11.603 quilos de combustível. Mas, de acordo com o relatório final, havia apenas 9.300 quilos. “O avião caiu por falta de combustível”, informou os representantes da aeronáutica civil da Colômbia, sem meias palavras. “Os quatro motores da aeronave pararam de funcionar, o que provocou a queda. Pararam de funcionar por falta de combustível”.

Além de apontar a causa que levou a queda do avião, os representantes colombianos listaram algumas recomendações aos agentes e operadores aéreos para que acidentes por esse motivo nunca mais aconteçam.

Citaram a necessidade de aumentar e divulgar as recomendações de segurança e tornar público planos e condições de voos para viagens internacionais.

Outra recomendação dada após as investigações foi revisar as operações de voos e de segurança internacionais, assim como fortalecer os padrões e a documentação de trânsito aéreo entre países, de modo a fazer com que as instituições responsáveis se sintam no direito de autorizar ou recusar planos de voos.

As investigações apontaram ainda algumas conclusões sobre a queda: a apesar de o plano de voo prever escala entre São Paulo e o aeroporto de Medellín, a empresa planejou voo direto; antes de cair, cerca de 40 minutos, o avião já voava em situação de emergência e tripulação manteve os padrões de voo normal; houve indicação, luz vermelha e avisos sonoros na cabine dos pilotos; o controle de tráfego aéreo desconhecia a situação de risco do avião e sua possibilidade de queda por falta de combustível; a tripulação era experiente e tinha toda a documentação necessária de voo e trabalho em dia; a LaMia estava em situação financeira precária, atrasava salários e tinha má organização de voo; a empresa não cumpria determinações das autoridades da aviação civil em relação ao abastecimento de combustível.

Os coordenadores da investigação concluíram que a empresa se valia com frequência dessa “péssima prática” de voo, sem se preparar adequadamente para voos mais longos e internacionais, voando com combustível na conta.

O relatório, assim, concluiu que o acidente poderia ter sido evitado.

 

Consagração como campeão

A maior homenagem prestada à Chapecoense se deu por parte do Atlético Nacional-COL, adversário que os brasileiros enfrentariam na final da Sul-Americana. Os colombianos se recusaram a aceitar o título da competição e cederam aos catarinenses.

Na hora em que a partida iria acontecer, os colombianos lotaram o estádio Atanasio Girardot, em Medellin. Vestidos de branco e carregando flores, os torcedores entoavam cânticos de apoio à Chapecoense.

Foto: IOL

Luta por justiça

Nenhuma família conseguiu receber ainda a indenização da seguradora da LaMia, empresa responsável pelo voo. Uma decisão da Justiça da Flórida, nos Estados Unidos, deu em primeira instância a vitória a 40 famílias das vítimas um valor somado em indenizações de cerca de R$ 4,5 bilhões. No entanto, a condenação é de primeira instância e asseguradoras da empresa recorreram da decisão. Assim, o dinheiro destinado às famílias segue inviabilizado. Segundo o advogado Marcel Camilo, responsável pela representação, é necessário que as agências reguladoras de Brasil e Colômbia reconheçam os erros que culminaram na tragédia.

Por fim, deixo vocês com o vídeo dos jogadores cantando o cântico “VAMO VAMO CHAPE”, após a classificação para a final.


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