Arquivo de Brahimi - Fair Play

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Diogo AlvesAbril 27, 20176min0

A crise dos golos parece ter regressado ao Reino do Dragão, um filme já visto há cinco meses atrás, e, que, aqui já o tínhamos avisado. A culpa é da “eficácia” ou do “processo”? Questionávamos na altura. Cinco meses volvidos e os problemas do FC Porto continuam bem visíveis a todos.

Faltam 4 “finais” para o final da época e os dragões continuam atrás do Benfica, agora a 3 pontos de distância, já foi de apenas 1 ponto, e, em determinado momento houve a oportunidade para realizar uma ultrapassagem ao actual campeão nacional. Os pupilos de Nuno falharam os dois rounds que tiveram para serem líderes da Liga NOS e ainda permitiram que o tri-campeão nacional aumentasse a distância pontual. Fica no ar a ideia de que falta estofo de campeão ao grupo azul e branco. A idade jovem não pode ser usada como desculpa para tudo, quem chega à casa do Dragão sabe que vem para lutar por títulos e jogar debaixo de uma enorme pressão.

O timoneiro azul e branco tem culpas no cartório, o antigo guardião de Deportivo da Corunha e FC Porto continua a acumular erros na forma como monta o onze inicial de jogo para jogo, e, apesar de continuar a falar num processo em evolução, a verdade é que vemos um Porto com um modelo de jogo descontextualizado para a sua realidade, sem evolução e sem ferramentas que ajudem a potencializar jogadores como Óliver, André Silva, Corona e até Brahimi.

O FC Porto vai vivendo imenso das acções individuais para sustentar o seu jogar. Em todos os momentos os dragões vivem muito da qualidade dos executantes e não da qualidade colectiva.

Defensivamente foi montada uma fortaleza e é um dos momentos de jogo – a organização defensiva – que mais vezes foi elogiada pela crítica. Numa análise quantitativa vemos que o Porto melhorou de uma forma superlativa de uma época para a outra, nem há comparação possível com os 39 golos encaixados na época passada por Casillas.

Esta época os dragões são a melhor defesa da Liga NOS – apenas 14 golos sofridos – e uma das melhores dos principais campeonatos. Numa análise mais qualitativa já vemos que, muito do mérito defensivo parte de um conjunto de individualidades que estão ao dispor do clube. Neste caso, Felipe, Marcano e Danilo. Este trio tem sido fundamental. Também Casillas com as suas magníficas defesas tem ajudado – e de que maneira – a manter as balizas da Invicta invioláveis. Assim como na organização ofensiva também na fase defensiva os azuis e brancos apoiam o seu processo num conjunto de acções individualizadas e não em mecanismos e dinâmicas colectivas.

Sem ideias e sem critério…

[Foto: www.fcportonosjornais.blogspot.pt] Com Brahimi o rendimento de todos melhorou bastante.

Sem Brahimi o FC Porto empobrece bastante na fase mais decisiva do terreno, a magia do astro argelino é fundamental para rasgar as defesas contrárias, inventar, procurar espaços e servir em condições os avançados residentes. A expulsão diante do Braga fez disparar os alarmes do Dragão, ainda por cima com Corona – de novo – lesionado os portistas diante do Feirense viram-se privados dos dois maiores artistas.

Com o Feirense notou-se todas as dificuldades que a equipa tem mostrado nos últimos tempos. Sem criatividade, ideias e critério. Basearam o seu jogo na procura incessante dos corredores laterais – sobretudo Alex Telles – e apostaram em chegar ao golo através de cruzamentos para a área. Caótica e aleatória a forma como iam chegando à baliza do Feirense. Confiavam no lado mais imprevisível do jogo, uma bola pelo ar, um canto ou um livre.

A dupla que não é dupla

[Foto: www.11tegen11.net]

Com ajuda deste mapa de redes-sociais que vão acontecendo ao longo do jogo, é possível ver que André Silva e Soares não comunicam (através de passes) entre si. Uma dupla de avançados tem de viver em sintonia, criar as suas dinâmicas (sem fugir ao padrão colectivo) e ajudar-se entre si.

Os dois avançados jogam longe um do outro, quase não convivem dentro da área do adversário. André Silva desloca-se para o corredor direito e Soares cai muitas vezes no corredor esquerdo. Ambos vivem melhor dentro da área, mas por algum motivo, que só Nuno saberá, os dois têm jogado em zonas exteriores.

Em contra-relógio até ao fim

Um dos passos que terá de ser dado para os quatro jogos que faltam é voltar a associar os dois avançados. Voltar a criar mini sociedades entre jogadores para conseguirem resolver os problemas que irão encontrar em Chaves, na Madeira, com o Paços de Ferreira em casa e com o Moreirense.

Esteticamente já não veremos nada demais nestes próximos jogos, o tempo é pouco para grandes inovações e agora o que realmente importa são os três pontos. O técnico azul e branco e o seu staff terão de tentar pelo menos criar alguns mecanismos e dinâmicas simples para que os criativos como Óliver, Corona e Brahimi consigam impor a sua magia em campo. Deixar de lado a nuance de André Silva no corredor, exterminar com os movimentos exteriores de Soares e focá-lo para estar no seu habitat que é a grande área do adversário. Permitir que haja mais corredor central e um jogo mais metódico em busca do golo e não querer chegar ao golo através da garra, da aleatoriedade e do lado mais caótico do jogo.

O tempo corre contra Nuno e os seus pupilos, mas já vimos um pouco de tudo ao longo dos últimos anos no campeonato português. Achar que isto está decidido é um erro.

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Fair PlayDezembro 29, 20168min1

SL Benfica, FC Porto e Sporting CP chegam ao mercado de Inverno com algumas dúvidas nos seus plantéis. Com necessidades diferentes e sectores a afinar, os ditos Três Grandes procuram reforços nesta “janela” de Mercado. Uma análise e proposta do Fair Play. O FC Porto é, hoje, o nosso foco de análise.

Nota: o artigo em questão foi escrito por cinco autores diferentes que têm seguido a época de cada um dos clubes aqui destacados. Sporting CP com José Duarte e Bruno Dias; FC Porto pela “mão” de Francisco da Silva e Francisco Isaac, com conselhos de Diogo Alves; e SL Benfica por Pedro Afonso.

FC Porto

(por Francisco da Silva, Francisco Isaac e Diogo Alves)

O FC Porto chega ao final do mês de Dezembro com só uma derrota na Liga NOS e outra na Liga dos Campeões, tendo fechado o ano só com vitórias para a Liga e Liga dos Campeões. Um FC Porto algo diferente do que aquele que se viu nos primeiros dois meses, que andou entre os picos de forma e de elegância exibicional e a inaptidão apática de criar golos. Nuno Espírito Santo idealizou o seu Porto, transformou-o conforme as suas necessidades e desígnios. Porém, algumas dúvidas “assombram” a restante temporada do FC Porto:

  • Há necessidade, da parte dos dragões, de ir ao mercado de Inverno?
  • O plantel actual conseguirá aguentar a “carga” de jogos até ao final?
  • Brahimi e João C. Teixeira são “reforços”? E a situação de Herrera e Depoitre?

Perante estas questões, o que dizer? Em relação à primeira, aos “olhos” do Fair Play, os dragões precisam de reforçar a equipa em dois sectores, curiosamente ambos do mesmo terço do campo: avançados.

Entre os primeiros cinco meses da temporada, o FC Porto virou-se, em absoluto, para a juventude (por necessidade ou vontade própria?), como prova a inclusão de André Silva, Diogo Jota, Jesús Corona, Otávio e Óliver no onze titular nos últimos meses.

Estes cinco jogadores juntos perfazem uma média de idades de 21 anos, algo que nunca foi vislumbrado durante o período de presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa. Como soluções para estes jovens, o FC Porto tem Silvestre Varela (ainda não é perceptível o papel do internacional português no plantel), André André, Hector Herrera, João Carlos Teixeira (os primeiros minutos oficiais só chegaram em Dezembro) e Laurent Depoitre.

Em boa hora, o treinador do FC Porto conseguiu “ressuscitar” um dos grandes activos do plantel: Yacine Brahimi. O extremo conquistou o seu espaço no onze (a lesão de Otávio “forçou” o FC Porto a procurar um novo fantasista na ala), com excelentes exibições em Dezembro. Desde os golos “mágicos”, às movimentações rápidas e ágeis e o trabalho de equipa (nota-se que o argelino já percebeu que tem de jogar com os seus restantes colegas), Brahimi pode estar perto de ser o jogador que o Porto necessita. A grande questão prende-se com a ida para a CAN, que o tirará dos relvados portugueses durante um mês (no máximo).

(Foto: Lusa)

Perante estes problemas, o FC Porto poderia reforçar-se em duas posições:

  • Extremo com qualidades idênticas às de Brahimi, que procure movimentações da ala para o centro, com bom poder de fogo e enorme capacidade de desequilíbrio;
  • Ponta de lança que consiga fazer “sombra”, de facto, a André Silva, com um sentido de “agressividade” posicional, faro para o golo e capacidade de movimentação na área.

Na opinião de Francisco da Silva, o reforço para o ataque poderia passar por:

  • Fernandão (29 anos, Fenerbahce SK, Internacional pelo Brasil, avaliado em 7M€);

Ao longo da 1ª metade da temporada, se há marca visível de Nuno Espírito Santo no estilo de jogo do FC Porto é a capacidade de sair rapidamente em transição ofensiva. Assim, tendo em conta esta característica, a mobilidade dos homens da frente (Jota-Silva-Corona/Brahimi) tem sido o fator-chave para o relativo “sucesso” da atual época portista. Contudo, para fazer frente a encontros mais fechados e eventuais “autocarros”, NES apostou pessoalmente em Laurent Depoitre, um “pinheiro” à moda antiga.

Ora, até ao momento, o belga tem desiludido em diversos capítulos como a finalização, técnica e velocidade. Apesar de ter desbloqueado o jogo frente ao Chaves, ainda está bem presente na memória dos adeptos portistas o lance frente ao Belenenses, por exemplo, onde Depoitre desperdiçou uma oportunidade flagrante quando seguia sozinho para a baliza e com todas as condições para desbloquear o jogo.

Esse lance é sintomático das limitações do belga, tendo em conta as características do jogo portista. O FC Porto pode até necessitar de um “pinheiro”, contudo, este tem que ser capaz de galgar metros, com ou sem bola, quando a equipa parte em transição. Assim, com este perfil em mente, fazia todo o sentido o conjunto azul e branco apostar em alguém como Fernandão.

Aos 29 anos, o brasileiro de 1,92m é um dos avançados mais letais e possantes do futebol turco, não precisando de muitos minutos para fazer balançar as redes. Regressado recentemente de uma lesão prolongada, Fernandão seria uma adição muito interessante para os portistas, uma vez que é um avançado veloz, forte no jogo aéreo, de remate fácil e potente, isto é, tudo ingredientes que podiam torná-lo num desbloqueador nato de encontros ou num bom parceiro regular de André Silva.

Se há algo que parece faltar a este novo FC Porto é um “toque de samba” na frente de ataque, nomeadamente ao nível da versatilidade e espontaneidade de fazer o golo. Para além das suas qualidades futebolísticas, o brasileiro aufere anualmente entre 1,5M€-2M€ de salário líquido, ou seja, um prémio salarial bem inferior aquele que teria de ser despendido pelo reforço atacante mais cogitado para os dragões, Luiz Adriano.

Para a posição de extremo, ao jeito do que vem sendo a política de transferências do FC Porto, o mercado sul-americano tem alguns atletas que podem rechear os dragões de “magia”:

  • Luan (Grêmio, 23 anos, internacional pelo Brasil, avaliado em 18M€);
  • Cazares (Atlético MG, 24 anos, internacional pelo Equador, avaliado em 10M€);
  • Christian Cueva (São Paulo, 25 anos, internacional pelo Peru, avaliado em 15M€);
  • Gonzalo Martínez (River Plate 23 anos, Argentino, 9M€);

Do Brasileirão, Luan, Cazares, Cueva são os alvos mais apetecíveis, uma vez que trazem todo aquele “fogo” e malabarismo que os extremos/avançados dessa competição gostam de produzir. Luan é o jogador mais em voga, com uma interessante visão de jogo, para além do drible categórico que o complementa. O problema é o preço final pedido pelo Grêmio, que nunca será abaixo dos 15M€.

Cueva, o virtuoso extremo do Peru, pode ser o jogador mais alcançável, já que as boas relações com a equipa do São Paulo podem possibilitar um negócio interessante para ambas as partes. O peruano destacou-se, sobretudo, na Copa América de 2015 onde se exibiu a grande nível, cotando-se como uma das boas revelações da prova.

Se o mercado de terras de Vera Cruz não for de bom agrado para os “cofres” do Dragão, uma ida até à Argentina pode ser uma solução de recurso. Gonzalo “Pity” Martínez é descrito, por Diogo Alves (responsável pela Liga Argentina no Fair Play), como “intenso, dotado de finta curta, com boa velocidade e maturidade interessante”, o que o torna um alvo apetecível para os dragões.

Posto isto, o FC Porto tem boas possibilidades no mercado de Janeiro, sendo que os reforços têm de chegar para dar outras soluções a Nuno Espírito Santo no período mais crítico da época. Não acreditamos que aconteçam saídas precipitadas na reabertura de mercado; contudo, a “fome” dos clubes da Chinese Super League por Hector Herrera aumenta de dia para dia.

Pinto da Costa não negará uma transferência por “bons cifrões” pelo internacional mexicano que é também o actual capitão de equipa. Mas estará o plantel do FC Porto pronto para perder um dos seus líderes? Questões a responder perante a actuação do FC Porto no mercado de Janeiro.


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