23 Mai, 2018

BAM! A nova força por detrás do Dragão de Sérgio Conceição

Francisco IsaacJaneiro 10, 20188min0

BAM! A nova força por detrás do Dragão de Sérgio Conceição

Francisco IsaacJaneiro 10, 20188min0
O FC Porto tem demonstrado uma veia goleadora incomum e o segredo pode estar no trio BAM... quem? A frente unida africana ao serviço do Dragão

Lançamos uma pergunta ao leitor… quais são os melhores trios da Europa neste momento? Em Espanha tanto o Real Madrid (BBC) como o Barcelona (MSN) estão algo “coxos” devido às constantes lesões de Bale/Benzema e a grave lesão sofrida pelo jovem Dembélé. Nos Culés tem sido Lionel Messi a funcionar a 200% para um Suárez a 80%… ao todo produziram 31 golos marcados e 15 assistências até a este momento.

Os campeões espanhóis em título estão bem piores, com Ronaldo a comandar as tropas com 16 golos, mas Gareth Bale e Karim Benzema estão a meio gás (12 golos e 8 assistências no total…). O francês então está completamente fora de sincronia, com vários erros, más exibições e outros pormenores negativos que têm contribuído para uma época muito abaixo do pretendido para um avançado de estaleca mundial.

Bem, não sendo nem em Barcelona ou em Madrid que temos o super-trio, viajamos até Paris, onde na cidade eterna habita um super-trio… MCN! Mbappé, Cavani e Neymar já vão com 58 golos marcados e 31 assistências (os números estão actualizados com a última jornada da liga), o que significa que tiveram directamente ligados a 100% dos golos dos parisienses na Liga dos Campeões e Ligue1 (se incluirmos Coupe de France ou Coupe de Ligue são mais 13 golos).

São, para já, o trio dominador a nível europeu… está encontrado o 1º lugar. Mas e então o segundo? Não pode ser o Lyon em França, mas não está nada mau o cenário para os heptacampeões, já que Depay, Diaz e Fekir já atingiram a meta dos 34 GM e 12 assistências. Emigremos para Inglaterra onde está o Liverpool de Klopp com o trio MFS a compor cerca de 47+21, com Salah a ser, quase sem dúvida, o melhor reforço nas Big-5 com 23 golos marcados e 8 passes para golo. Este é o melhor trio na Premier League… mas vai empatar com outro trio.

Em Itália nem o Nápoles (Insigne, Mertens e Callejon estão em alta, mas conseguirão levar os napolitanos à Serie A?) ou Juventus entram no top-3 europeu dos Trios. Por isso, depois desta introdução de que trio estamos nós a falar? Bem é um trio só composto por jogadores africanos? Já chegou lá? Não? Então, mais uma ajuda… dois desse trio estiverem emprestados e quase que saíram do clube ao qual pertenciam?

Sem mais demoras, é o BAM! ou seja, Brahimi, Aboubakar e Marega. Pode ser incrível, pode ser prepotente, pode ser “idiótico” mas é a verdade. Yacine Brahimi vai com 8 golos e 9 assistências, seguindo-se Marega com 15+6 e o striker Aboubakar com 25+6, o que perfaz um total de 48 bolas no fundo da rede mais 21 passes para alguém festejar.

Alguns Trios Europeus

As circunstâncias actuais do FC Porto forçaram a direcção a limitar as opções de Sérgio Conceição em relação ao mercado e a possíveis reforços. O treinador fez então uma espécie de recuperação e trabalho mental, abrindo a possibilidade aos dois jogadores voltarem a vestir a camisola azul-e-branca. Brahimi passou de mal-amado para foco de interesse do treinador, algo que mudou a forma de jogar do argelino.

O Fair Play já analisou o trabalho do treinador neste “departamento”, do papel de Marega como jogador-catalisador pelo qual ninguém esperava, faltando assim perceber o papel de Aboubakar na frente de ataque ou como o “vagabundo” da ala esquerda, Brahimi, tem mexido com os jogos com bolas corridas, passes inacreditáveis e lances com um toque especial.

Mas neste artigo vamos tentar perceber o impacto do trio, porque é que resultam tão bem e se isto é “sol de pouca dura”. O trio nasceu de duas coincidências engraçadas e que acabaram por levar à formação deste triunvirato portista. Primeiro a situação de Marega quando chegou ao FC Porto no Verão passado, estando com um pé e meio de fora do clube, não fosse Sérgio Conceição ter tido uma conversa com o avançado maliano.

O treinador lançou logo a ideia que o avançado tinha de trabalhar com afinco ou fazia-se à “estrada”… ao contrário do que muitos previram na altura, Marega deu o tudo por tudo e conseguiu um lugar na equipa. Aboubakar ficou no Dragão apesar dos sucessivos interesses exteriores na sua contratação e Brahimi idem. Soares despontava ao lado do camaronês e chegado ao primeiro jogo da Liga NOS, surgiu a segunda coincidência… Soares dá um esticão e a coxa “salta”. Substituição e entra Marega para o lugar do brasileiro.

Logo nesse encontro Marega atira dois remates para o fundo das redes e Brahimi outro, iniciando-se o percurso do trio nesta temporada. Na Liga dos Campeões, prova que mete os jogadores em alta pressão, Brahimi, Aboubakar e Marega portaram-se à altura do evento com 6 golos e 5 assistências em 6 jogos, algo que foi fulcral para o FC Porto ultrapassar a fase-de-grupos e garantir o apuramento para os oitavos-de-final da prova.

Mas o que há mais para além disso? Há o impacto que o trio tem em campo, na forma como “ataca” o eixo defensivo opositor e a pressão que emerge os seus marcadores mais directos. Contra o Mónaco ou Leipzig, o FC Porto conseguiu superiorizar-se graças à pressão ofensiva que o trio submeteu os defesas opositores. Marega com a velocidade ritmada e com aquele “estrangulamento” físico que pode forçar erros complicados aos eixos defensivos.

O funcionamento do BAM ao serviço do FC Porto

Brahimi tem a capacidade para desbloquear jogos com dribles e acelerações que costumam começar na ala e que terminam, na maioria das vezes, dentro da grande área. O argelino não é tanto um extremo “tradicional”, que gosta de bombear e centrar mas sim de arriscar num fuga e procurar o espaço entre adversários. Esta “mania” também tem os seus problemas, pois complica situações que inicialmente parecem fáceis.

Aboubakar, por sua vez, é um jogador polido, determinado e com um bom poder de remate, para além de ter um físico que é quase inquebrável. Na temporada de retorno ao clube, o camaronês parece estar mais “calmo”, menos nervoso e ingénuo, algo que garante outra presença dentro do ataque do FC Porto. Faltou aparecer no jogo com o SL Benfica, o que significa que na falta de espaço, pode desaparecer no meio das marcações.

Pode um trio definir uma época? E um estilo de jogo? Possível sim. Em Barcelona e Madrid a construção dos trios foi sempre na óptica de elevar essas formações ao máximo esplendor, com a dos culés a nascer a partir do estilo de jogo optado já por Frank Rijkaard, mas ultimado e polido por Pep Guardiola. Em Madrid, o aparecimento do BBC foi mais na necessidade de ter um falange de ataque decisiva, que assume o protagonismo, já que o estilo de jogo não é tão latente com os rivais de Barcelona.

No FC Porto é uma mistura de situações… é por necessidade, pelo trabalho do treinador (Sérgio Conceição merece vários elogios pela forma como estabeleceu e equilibrou o trio) e pelo modelo de jogo, que, por vezes, adapta-se mais aos ritmos e intensidades do BAM! do que o trio se adaptar ao jogo da equipa.

A disposição táctica dos Dragões é, de forma inicial, vista como um típico 442, com Brahimi e Corona nas las, com Herrera e Danilo a surgirem como os médios mais interiores. Porém, depois em prática o FC Porto altera-se dentro das dinâmicas e momentos de jogo… a atacar Brahimi assume muitas vezes o lugar de extremo-avançado, levando a Marega a ocupar a outra ala, com os dois a serem subsidiados por Herrera e Corona, com Danilo a servir de médio mais defensivo.

O objectivo é criar mais situações de ataque, outras linhas de passe e possíveis mudanças de aceleração que podem criar perigo. A defender já a situação muda, com Brahimi a ocupar o eixo do meio-campo, apresentando o tal 442 ou 41311, com Marega a recuar para as costas de Aboubakar, Danilo a assumir-se como o trinco de recuperação de bola e Herrera/Sérgio Oliveira a tomarem as rédeas do controlo do meio-campo.

Na prática isto pode traduzir-se em bons resultados, uma vez que os comandados de Sérgio Conceição já se aproveitaram desta estratégia defensiva em contra-ataque… recuperação de bola rápida, entrega a Brahimi ou Corona, lançamento de bola em profundidade com Marega ou Aboubakar a surgirem nas costas da defesa contrária.

Os azuis-e-brancos de Sérgio Conceição já levam 73 golos marcados na temporada actual… o BAM foi responsável por 48 golos e 21 assistências, o que significa que tiveram uma taxa de incidência de 95% nas concretizações (ou criação das mesmas) de golo do FC Porto.

Um bom exemplo desse estratagema e seu resultado foi o 2º golo contra o AS Monaco, no 3-0 no Stade Louis II.

 


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