Arquivo de AS Roma - Fair Play

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Pedro CouñagoJunho 3, 201912min0

Terminou mais uma época no futebol transalpino, e foi uma pródiga em surpresas, tanto do lado positivo como do lado menos apetecível. Vejamos os principais destaques da Série A 18/19.

Fantástico ano da Atalanta

Não há palavras para o trabalho que Gian Piero Gasperini está a fazer na equipa de Bérgamo. Este é o culminar de várias temporadas a progredir, com um projeto sustentado, assente numa tática que gosta de promover a melhor qualidade dos seus jogadores e que levou, nesta época, a que a equipa fosse o melhor ataque da Série A!

É um feito verdadeiramente notável conseguir o terceiro lugar do campeonato, acima de equipas como Inter, Milan, AS Roma e Lazio. Não vale a pena dizer muito mais do que esta ter sido a melhor época de sempre do clube e que Gasperini merecia uma estátua à porta do seu estádio.

O técnico potenciou um Duván Zapata verdadeiramente letal, que fez 23 golos na Série A, praticamente um terço dos golos da equipa, em conjunto com outros jogadores tecnicistas e desequilibradores como Alejandro Gómez e Josip Ilicic (o primeiro até esteve perto de sair em janeiro). O baixinho Gómez fez 7 golos e protagonizou 12 assistências, enquanto o alto esloveno fez o inverso (12 golos e 7 assistências). Uma complementaridade e amplitude de movimentos que deixou as defesas adversárias verdadeiramente destroçadas, e, no caso de Ilicic, é impensável a forma como a Fiorentina o dispensou há dois anos, já o dando como acabado para os grandes palcos, e certamente que agora se arrepende.

Há várias temporadas que Alejandro “Papu” Gómez tem vindo a ser o principal destaque da Atalanta, mas esta época foi muito bem secundado o baixinho argentino (Foto: TheBL)

Outros destaques terão de ir para Marten de Roon e Remo Freuler, dupla de meio campo que não só destrói e pressiona como constrói muito bem e ainda para os laterais Timothy Castagne e Hans Hateboer, que subiram e muito o seu nível face a 17/18 e deram uma profundidade à equipa que estava a faltar em anos anteriores.

Será muito interessante acompanhar o que a Atalanta poderá fazer na Liga dos Campeões, sendo desde já uma experiência inesquecível para os adeptos que enchem o Estádio Atleti Azzurri d’Italia, que, pela primeira vez, ouvirá o hino mais famoso do futebol mundial. 

Fabio Quagliarella e Krzysztof Piatek, duas boas surpresas

Esta foi mesmo a liga dos avançados e da demonstração das suas veias goleadoras. Já falámos de Duván Zapata, mas e que tal falar do veterano Quagliarella e da explosão do jovem polaco Piatek? São impressionantes os números que um e outro alcançaram, um já nos seus 36 anos de idade e outro que fez a sua primeira época num campeonato de alto nível.

Quagliarella é já um senhor, não precisando de correr muito tem um posicionamento tremendo que o leva a estar sempre mais perto do golo. Já Piatek joga muito bem em transição, tem passada larga e muita frieza na hora de finalizar.

O italiano fez 26 golos, foi o melhor marcador do campeonato e fez, possivelmente, a sua melhor temporada da carreira, surpreendendo tudo e todos com o seu registo e fazendo até alguns golos memoráveis pelo meio. Além disto juntou ainda 8 assistências, combinando muito bem com Gregoire Defrel, principalmente. Já tinha feito 12 em 16/17 e 19 em 17/18, sendo esta passagem pela Sampdoria uma que o revitalizou e lhe está a oferecer o melhor período a todos os níveis. Fazer 57 golos em três temporadas no campeonato italiano é obra, uma média de 19 em cada um deles, e veremos quantos anos ainda tem ao mais alto nível. Mais um ou dois bons anos poderemos esperar do veterano italiano.

Já Piatek começou a temporada a todo o gás no Génova, onde chegou este verão e começou a época com 9 golos marcados entre a 2ª e a 8ª jornada, marcando em todos os jogos. Até janeiro, marcou mais 4 golos, com o AC Milan a não perder tempo e a garantir desde logo a sua contratação. Até ao fim da temporada, o ponta de lança fez mais 9 golos em 18 jogos, um registo muito bom para um avançado que apenas esta temporada se deu a conhecer ao mundo do futebol ao mais alto nível. Higuain foi um flop e, desde logo, Piatek pegou de estaca na equipa.

O polaco terminou com o registo de 22 golos, sendo este bem promissor para os próximos anos que aí vêm. Se continuar a marcar golos em catadupa na próxima temporada, talvez o Milan esteja mais perto de voltar à Champions.

De total desconhecido para prodígio em apenas uma época. 22 golos, escala em Génova e estação terminal em Milão. Que podemos esperar para 19/20? (Foto: International Champions Cup)

Época de despedidas para a AS Roma

Esta foi uma época complicada para os romanos, com muitos altos e baixos e que, na verdade, terminou em desilusão, pois a equipa estará fora da Liga dos Campeões na próxima temporada.

Recordemos que há cerca de um ano esteve a equipa a disputar as meias da Champions perante o Liverpool e que, nesta temporada, disputou a passagem aos quartos com o FC Porto, desiludindo e sendo essa a gota de água para a saída de Eusebio di Francesco do comando técnico do clube.

Claudio Ranieri ainda conseguiu estabilizar um pouco o barco e tornar a equipa mais sólida, sobretudo a nível defensivo, mas não foi suficiente. O último jogo perante o Parma, que terminou com vitória romana por 2-1, terminou portanto com sabor agridoce.

Ainda assim, sobraram momentos bonitos de se ver no futebol. Este foi o último jogo de Daniele De Rossi como jogador da AS Roma, sendo imensas as homenagens protagonizadas a um verdadeiro guerreiro da loba. Também Ranieri, um homem da casa, fez o seu último jogo no comando técnico da equipa.

Será necessário sangue novo e a próxima época poderá ser uma de recomeço depois do investimento feito na última temporada. Vejamos até que ponto o clube consegue segurar nomes como Kostas Manolas, Cengiz Ünder e Lorenzo Pellegrini para conseguir voltar à melhor competição de clubes no mundo, tudo isto com Alessandro Florenzi a ser o novo líder romano e a querer certamente chegar aos números que Daniele de Rossi chegou.

Mais um domínio avassalador da Juventus, resta perceber quem é o timoneiro no próximo ano

Esta foi mais uma temporada sem história no que toca à disputa pelo título. A Juventus ganhou o campeonato ainda com várias jornadas por disputar e selou assim o heptacampeonato. Desde 2012 que é sempre a vencer para o conjunto bianconeri, com maior ou menos dificuldade, e tal não parece estar para terminar nos próximos tempos, tal é a diferença da Juve para os restantes conjuntos.

No entanto, não se pode afirmar que tenha sido uma época particularmente positiva para o conjunto de Turim. Verdade que venceram mais um troféu (Supertaça, ao AC Milan), mas foram eliminados nos quartos de final tanto da Taça de Itália (pela Atalanta) como da Champions (Ajax). A contratação muito badalada de Cristiano Ronaldo tinha como missão imediata o troféu mais importante de clubes na Europa, e a eliminação aos pés de uma equipa jovem como o Ajax deixou marcas. Depois desse jogo, apenas venceu por uma vez nos últimos seis jogos da temporada e, ainda que tenha rodado a equipa e jogado sem a pressão de ganhar, notou-se apatia decorrente da surpresa que havia acontecido na Liga dos Campeões.

A conquista da Série A e da Supertaça de Itália, com golo seu, fazem desta uma época normal, mas não ao nível que se esperava em termos de títulos para CR7 (Foto: GettyImages)

Massimiliano Allegri está de saída do comando técnico do clube e entrará um novo técnico. Poderemos certamente esperar mudanças profundas no plantel, com a falada saída de jogadores como Pjanic, Cuadrado ou a reforma de Barzagli. Resta esperar para ver quem chegará ao clube além do já confirmado Aaron Ramsey. A Juventus é, desde já, totalmente favorita para a vitória na próxima edição da Série A, resta ver o que mais fará com as armas à sua disposição.

Bolonha e Udinese acabam bem, Génova e Fiorentina com o credo na boca

Foi uma época bastante complicada para muitos dos históricos da Série A, mas alguns conseguiram reerguer-se na ponta final do campeonato e deixar boa impressão para o ano que aí vem.

O Bolonha esteve praticamente metade do campeonato nos lugares de descida, arrastando-se sem conseguir implementar o seu futebol até que chegou Siniša Mihajlović, o técnico sérvio que até esteve para treinar em Portugal mas nem o chegou a fazer, rescindindo meros dias depois de assinar pelo Sporting. A equipa conquistou 30 pontos em 17 jogos desde a chegada do sérvio, fazendo assim uma segunda volta espetacular que a levou ao décimo lugar final, apostando sobretudo num futebol de ataque e melhorando os erros individuais defensivos da primeira volta.

Também a Udinese conseguiu acabar melhor o ano do que se previa, não ficando a lutar até à última jornada pela manutenção. Muito o pode agradecer a Rodrigo de Paul, um dos principais destaques das equipas menos poderosas da Série A esta temporada, que participou em 17 dos 39 golos marcados pela equipa (9 golos e 8 assistências). Se não permanecer em Udine este verão, tem de ser rapidamente encontrado um substituto à altura do tecnicista argentino.

Já a época da Fiorentina foi verdadeiramente um desastre e, quando há pouco tempo escrevemos sobre a Fiore, a equipa estava meio caminho entre o Top 8 da liga e a zona de descida, sem muito a ganhar nem muito a perder, isto por volta do passar das 30 rondas da Série A. A verdade é que acabou apenas a 3 pontos dos lugares de descida e a 18 do referido Top 8, foi uma segunda volta verdadeiramente inacreditável para a equipa viola, que termina a Série A numa série histórica de 14 jogos sem vencer. São números calamitosos e, na próxima temporada, há muito a fazer para recuperar o estatuto e, essencialmente, o orgulho dos adeptos. A grande questão passa é pelas possíveis saídas de Federico Chiesa e Jordan Veretout, que seriam duas perdas enormes para a equipa viola, dois dos principais motores de uma equipa que está em desespero por contratações de qualidade. Vincenzo Montella pode dar a volta à questão na próxima temporada e tem a obrigação de fazer melhor, veremos é se o consegue.

Chiesa é um dos que deve abandonar o barco de Florença para voos mais altos, ele que já merece jogar a um nível mais exigente, ainda para mais depois da derrocada de 18/19 para a Fiorentina (Foto: sportsmole.co.uk)

Já o Génova sofreu claramente do síndrome pós-Piatek e foi por mesmo muito pouco que não desceu de divisão, tudo graças a um Empoli muito aguerrido que renasceu nas últimas jornadas mas não conseguiu garantir a manutenção em casa do Inter na última jornada. Em dezembro os sinais começaram a surgir após a eliminação da Taça de Itália perante o Virtus Entella, da terceira divisão. Depois saiu o seu abono de golos e a equipa nunca mais foi a mesma, sendo capaz do melhor (vitória por 2-0 à Juventus) e do pior, terminando com uma série de 10 jogos sem ganhar e apenas 14 golos marcados para o campeonato depois da saída do atacante, que tinha marcado 13 sozinho na primeira volta. Acabou por, ainda assim, ser uma pequena consolação para os adeptos apaixonados da equipa de Miguel Veloso, Iuri Medeiros e Pedro Pereira, que sofreram com a tragédia da queda da Ponte Morandi e a sua equipa tentou jogar para os orgulhar.

Uma descida anunciada do Chievo, veremos o futuro deste histórico

O Chievo estava condenado logo desde o início do campeonato e, simplesmente, este foi um ano que não teve história para a equipa Gialloblu. Talvez seja pelo melhor esta descida de divisão, que permite ao clube reorganizar-se e repensar a estratégia para o seu futuro. Desde problemas económicos a problemas na justiça italiana, a vida não estava fácil e terminou com a conquista de apenas 20 pontos nesta temporada (na verdade 17 pois a equipa iniciou 18/19 com -3 pontos). 25 golos marcados e 75 sofridos não deixam margem para dúvidas e esperemos que, depois de 11 anos consecutivos na Série A, o Chievo possa rapidamente voltar ao lugar que merece, não caindo no esquecimento.

Ficam aqui os principais destaques desta época, em próximos artigos exploraremos aquilo que será a próxima, já com movimentações interessantes principalmente em Milão.

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Pedro CouñagoAgosto 15, 201724min0

Em Itália, mora um dos campeonatos mais notáveis em toda a Europa, com grandes equipas a comporem-no. Nos últimos anos, no que toca à luta pelo título, a equipa da Juventus tem tido sempre vantagem sobre os adversários, não lhes dando a mínima hipótese, partindo, portanto, como favorita para a época 17/18. No entanto, existem duas ou três equipas que pretendem subir o seu nível. Ao mesmo tempo, a luta pelas competições será longa e dura, não havendo espaço para muitos erros, existindo algumas hipóteses plausíveis sobre quem poderá ocupar essas posições. Como poderá ser a próxima época?

Juventus

Não existe maior candidato a liderar a Série A e a conquistar o campeonato de Itália do que a Vecchia Signora. Nos últimos seis anos, foram seis campeonatos ganhos pela Juventus, sem qualquer tipo de oposição minimamente tangível. Clubes como Roma e Nápoles ainda têm tentado ombrear com a Juventus, mas simplesmente não conseguem porque não têm os mesmos argumentos, principalmente financeiros.

Os adeptos da Juve estão mais que habituados a festejar, já vão no hexacampeonato (Foto: Jornal de Noticias)

A época de 2017/2018 será, ainda assim, certamente bastante interessante de seguir para os lados do clube de Turim, principalmente depois da saída de um dos ídolos do clube, como era Bonucci. A sua saída para o rival Milan foi uma surpresa para todos os tiffosi da Juve, resta ver se tem algum impacto dentro de campo na mística que a equipa apresentará. Deste lado, tal não se espera, pois a restante espinha dorsal do clube (Buffon, Chiellini, Marchisio, Barzagli) continua aí para as curvas. No entanto, tal não durará muito mais tempo, começando por Buffon, que fará o último ano da carreira de jogador esta temporada, e em 2018/2019 será, em princípio, substituído na titularidade por Sczeszny, chegado neste defeso ao clube.

Dani Alves saiu também do clube após uma época realizada, mas uma em que foi uma das estrelas da equipa e uma das melhores da sua carreira. Certamente fará falta, e será uma das poucas posições para as quais faria falta uma solução. Fala-se no português João Cancelo, que poderia ser uma boa solução para a equipa, mas já chegou De Sciglio, que certamente é também uma boa solução.

Pelo restante poderio individual (Higuain, Dybala, Mandzukic, Pjanic, Cuadrado, por exemplo), a Juventus acaba por se sobrepor às restantes equipas da Série A, ainda por cima quando tão bem estes jogadores jogam juntos. A estes cinco principais juntaram-se agora Douglas Costa e Federico Bernardeschi, duas “bombas” de mercado que prometem dar uma vasta panóplia de soluções ao ataque bianconeri. Só estes talentos já chegam para continuar a levar a Juventus aos títulos, não existe nenhuma equipa em Itália com esta profundidade no seu ataque.

A Juventus pode chegar a um histórico heptacampeonato, mas deve ter cuidado para não se desleixar com as restantes conquistas. Na passada época, chegou à final da Liga dos Campeões catorze anos depois da última, mas acabou por perder por 4-1 para o Real Madrid. Veremos se esse não poderá ter sido um momento de viragem para aquilo que será o futuro. A época não começou da melhor forma, depois de uma derrota por 3-2 diante da Lazio, que deixa algumas reticências sobre aquilo que pode ser o início da campanha, ainda por cima depois de uma má exibição da equipa, em que realmente se notaram as falhas defensivas. No entanto, foi o primeiro jogo da época, e a Juventus certamente consolidará melhor os seus processos e conseguirá recuperar.

O campeonato vem ficando cada vez mais competitivo, não só devido a Roma e Nápoles, já destacados, mas também graças ao possível renascimento dos clubes de Milão, que têm investido muito forte para a próxima temporada. Como tal, a Juventus deve-se precaver, dar sempre tudo dentro de campo e utilizar a sua mestria e inteligência a si associadas. Se tal acontecer, muito dificilmente não chegará ao sétimo campeonato consecutivo.

Possíveis candidatos a lutar com a Juventus

O Nápoles será, em teoria, a equipa mais capaz de poder lutar abertamente com a Juventus, ainda que a tarefa seja bem difícil. A nível individual, a equipa do Sul de Itália será, talvez, aquela que mais se aproxima dos valores individuais da Vecchia Signora (o Milan parece querer reduzir a distância). Com jogadores como Insigne, Hamsik, Callejón e, principalmente, Mertens, o espetáculo a nível técnico é garantido, tanto que a equipa napolitana tem sido recorrentemente considerada como aquela que melhor joga em Itália. Nos últimos anos, tem conseguido crescer de forma sustentável, com bons resultados todos os anos, mas não tem conseguido chegar ao nível da Juve.

É uma equipa muitíssimo bem orientada por Maurizio Sarri, técnico elogiado principalmente por causa do futebol rendilhado e bonito que as suas equipas praticam, algo que se reflete no estilo de jogo implementado no San Paolo. A equipa pouco mudou em relação ao ano passado, destacando-se a chegada de Adam Ounas, mais uma excelente opção para os corredores, jovem e com grande margem de progressão. Também o lateral esquerdo português Mário Rui chegou ao clube, que é uma excelente alternativa a Ghoulam, que é muito pretendido mas que parece que irá ficar no San Paolo. Além disso, a equipa manteve Nikola Maksimovic e Marko Rog, dois jogadores que estavam emprestados ao clube na temporada passada e que ficam agora em definitivo.

Nenhum jogador relevante do plantel principal saiu do clube, algo que abona a favor da equipa, que assim ganha estabilidade e, com os novos reforços, ganha uma maior profundidade no plantel. Por aqui se verifica o maior poder poder que o clube tem nos dias de hoje. Veremos se Arek Milik consegue justificar a sua contratação feita no passado Verão e se faz esquecer Higuain, visto que esteve meia época lesionado na passada temporada. Talvez o que possa faltar ao clube seja um guarda-redes de maior valia, visto que Reina já não vai para novo.

De resto, se a equipa, até ao final de Agosto, resistir ao assédio que vem sido feito aos seus principais jogadores, como Insigne, Koulibaly e Ghoulam, parece-nos que o Nápoles tem tudo para não só se qualificar para a Liga dos Campeões, como também dar mais luta à Juventus na corrida pelo título. A segundo classificado, pelo menos, o Nápoles é forte candidato.

Quem também tem esperanças de poder subir um pouco mais é a Roma. O clube romano vem crescendo de rendimento nos últimos anos, mas nunca o suficiente para realmente perturbar a Juventus na corrida pelo título. Aliás, o seu último Scudetto chegou há já longínquos dezasseis anos, em 2000/2001. O clube romano tem poucos campeonatos para a sua real valia: apenas três.

Há muito tempo que o clube pretende dar o próximo passo, chegar finalmente ao cume da montanha, mas tem sido sistematicamente relegada, nos últimos anos, para uma luta com o Nápoles pelo segundo lugar. Face à descida de rendimento dos clubes de Milão, esta tarefa tem estado mais facilitada, e tem feito com que o clube esteja presente com frequência na Liga dos Campeões. O clube tem-se cimentado no pódio das equipas mais poderosas da Série A, mas tal não será tão fácil este ano, o campeonato está cada vez mais competitivo.

Vamos por partes. Esta época será a primeira da era Pós-Totti. O craque italiano representa um legado de vinte e cinco anos de uma das histórias mais bonitas de real amor a uma camisola. É certo que o jogador foi perdendo importância nas últimas temporadas, a idade não perdoa, mas continuava a ser o grande comandante no balneário romano. Será que a equipa conseguirá reagir à perda do seu comandante? Parece-nos que sim, principalmente através de Daniele De Rossi, outro dos jogadores mais carismáticos do clube.

O clube ficou ainda órfão de quatro dos seus principais pilares da passada temporada: Szczesny, Rudiger, Paredes e Salah. O último, principalmente, representa uma enorme perda para o conjunto romano, pois o egípcio era o principal motor do ataque da equipa, era sinónimo de golo ou assistência em quase qualquer jogo. Para o seu lugar, tem-se falado com frequência em Riyad Mahrez, que seria certamente uma boa alternativa, ainda que com menos capacidade de aceleração que Salah. Essa era uma das principais características do jogo da Roma, também muito por culpa de Luciano Spalletti, que é conhecido por privilegiar o ataque rápido.

No entanto, Spalletti saiu para o Inter, chegando para o seu lugar Eusebio di Francesco. Este será mais um dos motivos que gera curiosidade para a próxima época. Será interessante perceber se o jovem treinador consegue ter o mesmo sucesso que teve no Sassuolo e que estilo de jogo implementa na equipa. Tem todo o potencial para o conseguir, e, no que toca a reforços, até não se pode queixar. Do seu anterior clube, trouxe dois: Lorenzo Pellegrini e Grégoire Defrel. Além destes, alguns outros chegaram, muito por culpa de um homem.

Monchi, o emblemático diretor desportivo espanhol, chegou ao clube para esta nova época, e consigo chegaram os negócios “pechincha”. Assim, o clube contratou jogadores como Hector Moreno, Gonalons, Fazio (após empréstimo ao clube) e Kolarov por cerca de 19 milhões de euros. São quatro elementos que garantem qualidade e experiência à equipa. Monchi é ainda conhecido pela sua capacidade de scouting e de encontrar jogadores apetecíveis em territórios menos esperados. É nesse sentido que chegam Rick Karsdorp, Cengiz Under e também Rezan Corlu, provenientes de Feyenoord, Istambul Basaksehir e Brondby, respetivamente, sendo estes elementos mais wildcards face àquilo que podem oferecer à equipa, mas, se vêm com o selo de Monchi, só podem ter qualidade assegurada.

Monchi pode vir a ser o melhor reforço da Roma para as próximas temporadas, garantindo os melhores negócios (Foto: asroma.com)

De resto, todos os jogadores destacados, na companhia das estrelas como Manolas, Strootman, Nainggolan, Florenzi e Dzeko, podem dar cartas. O plantel é bastante completo, com excelentes soluções, estando preparado para, mais uma vez, chegar à Liga dos Campeões de forma direta. Será, no entanto, que o clube conseguirá alcançar o próximo nível e realmente lutar até ao fim pelo Scudetto? Sem Totti nem Salah e com Di Francesco, veremos o que nos reserva a próxima temporada.

Candidatos ao quarto lugar, se possível algo mais

Como quarto maior candidato, surge o Milan. O clube milanês será o grande wild-card da próxima edição da Série A. Tanto pode tudo correr tudo muito bem como muito mal, mas uma coisa é certa: há muito tempo que não se esperava tanto dos rossoneri e agora a equipa está sob real pressão de alcançar resultados no imediato.

Tem sido uma chuva de contratações por parte do clube, algo que se deve à compra do clube por Lin Yonghong em abril deste ano. O poderio financeiro da equipa subiu drasticamente, e com ele foi possível contratar os defesas Bonucci, Musacchio, Ricardo Rodriguez e Andrea Conti, os médios Biglia, Késsie e Çalhanoglu e os avançados André Silva e Fabio Borini. De todas as contratações, é obrigatório destacar a aquisição de Leonardo Bonucci à rival Juve, algo que se pensava impensável e que apenas foi possível não só devido ao maior poderio financeiro mas também ao projeto ambicioso que o clube tem para implementar no imediato. Outro dos “reforços” é Gianluigi Donnarumma, que pareceu com um pé fora do clube mas que viu a sua situação devidamente resolvida. Além disso, poderá estar ainda para chegar um ponta de lança, que ocupará a vaga de Carlos Bacca, que parece de saída.

É estranho ver Bonucci com a camisola dos rossoneri. Que impacto poderá ter o central no Milan? (Foto: Goal.com)

Todas estas contratações têm de levar o clube a resultados, não só na Série A como a nível europeu. O clube está de volta às competições europeias, participando na Liga Europa. Sendo apenas a segunda competição mais importante de clubes, a equipa tem obrigação de chegar longe na competição. Certamente menos que os quartos de final, no mínimo, será um fracasso.

Mais que isso, o clube tem de lutar pela qualificação para a Liga dos Campeões. Será algo ilusório poder afirmar que o clube lutará pelo título, existem muitos mecanismos táticos em fase de implementação, e o clube não pode ter ambições desmedidas depois das más épocas que tem feito. Demorará o seu tempo até tudo carburar a cem por cento, portanto a luta pela qualificação para a Liga dos Campeões parece um objetivo realista. Um quarto lugar, no mínimo, é a obrigação do Milan depois das contratações efetuadas. 

Foram dadas as melhores condições possíveis a Vincenzo Montella, que, se tudo correr bem, pode levar o clube a um nível que não alcançou nos últimos cinco anos. Tem feito um razoável trabalho, pode fazer bem melhor agora. Com as contratações efetuadas, mais a base de jogadores italianos como Donnarumma, Bonaventura, Abate, Calabria, Locatelli ou Montolivo e a permanência de jogadores decisivos como Suso, tudo parece poder correr bem para os pupilos do antigo avançado.

Quem não quer que tal aconteça é o rival do Milan, o Internazionale. A equipa nerazzurri, bem como o seu rival de Milão, tem feito investimentos significativos com vista a melhorar a performance da época 16/17, em que tudo correu mal, desde a eliminação da Liga Europa logo na fase de grupos, a chegada apenas aos quartos de final da Taça de Itália e o mau sétimo lugar no campeonato.

Afinal de contas, o Inter não joga nenhuma competição europeia esta temporada, algo que se pode revelar uma vantagem, na medida em que os jogadores estarão exclusivamente focados no campeonato e, assim, podem lutar pelos lugares de Champions, pelo menos o quarto lugar, portanto. Com uma Roma que poderá ser imprevisível este ano, veremos se o Inter, juntamente com Milan também, não poderá dar mais trabalho na luta pelo terceiro lugar, inclusivamente.

O Verão foi marcado pela contratação de Vecino e Borja Valero, excelentes opções para o meio campo da equipa, além das aquisições de Milan Skriniar e Dalbert, o lateral que, no Verão passado, saía de Portugal para França por 2 milhões de euros e agora sai por um valor dez vezes mais alto. Foram contratações sonantes para lugares certamente necessitados, em que se aumenta a quantidade e qualidade das opções da equipa. A lateral esquerda tem estado debilitada nos últimos anos e o meio campo teve performances bem abaixo do esperado no ano passado, com Kondogbia, principalmente, a ser candidato à saída, sendo assim contratações bastante cirúrgicas as feitas pelo clube. Com a contratação dos dois médios mencionados, João Mário pode ganhar mais preponderância como médio mais avançado. Skriniar vem substituir Gary Medel, que foi vendido de forma duvidosa (apenas 3 milhões de euros) para a Turquia.

É mais importante mencionar a chegada de Luciano Spalletti ao comando técnico do clube. É um treinador com muita pedalada nestas andanças, que tem capacidade de liderança e um mestre tático, com bastante sucesso ao longo da carreira. Certamente será um upgrade àquilo que vinha sendo uma “dança das cadeiras” na liderança da turma nerazurri. Com Spalletti, os primeiros resultados foram animadores, tendo a equipa feito uma boa pré-época. Se conseguir iniciar bem a liga, fazendo um bom trajeto até dezembro, em que a taça, aí, se intrometerá, o Inter pode estar destinado a uma grande melhoria face à temporada passada.

Com a manutenção de jogadores como Perisic, Candreva e o próprio João Mário, acrescentando-se a segurança que Handanovic e Miranda dão à defensiva, em conjunto com a juventude de Skriniar, a mestria no meio campo de Vecino, Borja Valero e outros como Brozovic e o nosso português João Mário, acrescentando-se o faro de golo de Icardi, bem secundado por Éder, a equipa tem tudo para fazer um bom desempenho na próxima edição da Série A.

A luta pela Liga Europa

Num patamar mais abaixo, candidata a uma presença na Liga Europa, chega a Atalanta. Será muito curioso ver o que pode fazer a equipa de Bérgamo na ressaca de uma das suas melhores épocas de sempre. A equipa conseguiu um brilhante quarto lugar, catapultando-se para um tão aguardado regresso às competições quase 30 anos depois, mas esse mesmo quarto lugar parece difícil este ano.

Muito se pode agradecer a Gian Piero Gasperini, que fez um fantástico trabalho na época passada, lançando jogadores como Kessié, Mattia Caldara, Andrea Conti ou Gagliardini, todos vendidos por valores acima dos 15 milhões de euros, depois de uma primeira época num nível mais elevado na Série A.

Gasperini, o grande obreiro da Atalanta que agora conhecemos (Foto: Goal.com)

No caso de Caldara, o negócio foi especialmente apetecível porque contará com o jogador até ao final da próxima temporada, rumando depois à Juventus com uma outra bagagem e experiência competitiva. A equipa perdeu também um dos pontas de lança, Alberto Paloschi, este emprestado com cláusula de compra obrigatória à SPAL. A equipa perdeu alguns elementos de extrema importância, algo que se aceita tendo em conta a salvaguarda financeira do clube para os próximos anos.

No entanto, o clube tem uma academia reconhecida tanto a nível nacional como internacional que lhe permite sempre gerar novos craques de qualidade inegável que podem jogar futuramente na primeira equipa. Além disso, desengane-se se pensa que a equipa não tem estado ativa no mercado.

Com efeito, a equipa tem feito movimentos magníficos no presente defeso. Além de segurar em definitivo o guarda-redes Berisha, a equipa já foi buscar João Schmidt a custo zero, Timothy Castagne, um potencial grande lateral direito, por 6 milhões de euros, Andreas Cornelius por 3.5 milhões, garantiu a jovem estrela Riccardo Orsolini por empréstimo, conseguiu o regresso de Marten de Roon por 13 milhões e, por último, garantiu o craque esloveno Josip Ilicic pela modesta quantia de 5.5 milhões de euros. Não parece que a equipa fique a perder, bem pelo contrário. Não só consegue estabilidade financeira, como vai buscar elementos que não garantem imensa qualidade no imediato e no futuro. A contratação de Ilicic não vem nessa filosofia mas sim numa de oferecer magia ao meio campo ofensivo da equipa.

Não será fácil a equipa repetir o quarto lugar da passada temporada quando as principais equipas do campeonato estão a fazer uma forte aposta. Além disso, o clube jogará a Liga Europa, algo que gerará mais cansaço nos jogadores. Ainda assim, com a chegada dos reforços e a manutenção dos restantes esteios da equipa, como Alejandro Gómez, Andrea Petagna, Leonardo Spinnazola, Jasmin Kurtic e Rafael Tolói, pode-se esperar mais uma boa época dos pupilos de Gasperini, possivelmente a lutar novamente pelas competições europeias. Talvez um sexto, sétimo lugar esteja mais ao alcance do clube.

A Lazio entra com vontade de passar à frente da Atalanta em 2017/2018. A equipa romana fez uma boa época em 16/17, conseguindo chegar ao quinto lugar da Série A e garantindo a Liga Europa. Era difícil exigir mais ao clube depois de tamanha boa época da Atalanta e a diferença de qualidade para Nápoles, Roma e Juventus. Foi uma época estável, com a equipa a chegar também aos oitavos de final na Liga Europa e chegando à final da Taça de Itália, perdendo para a Juventus. No entanto, já conseguiu a sua vingança, começando muito bem a época e conquistando a Supertaça italiana, vencendo por 3-2 frente à Vecchia Signora.

O clube contratou alguns jogadores importantes para a próxima temporada, com principal destaque para Adam Marusic e Lucas Leiva, dois jogadores que parecem ter garantida a entrada direta no onze da equipa. Lucas Leiva vem compensar a grande perda do clube neste defeso: Lucas Biglia, que saiu para o AC Milan.

Começou bem esta nova etapa de Lucas Leiva, com a conquista da Supertaça de Itália. Veremos que pujança traz o brasileiro ao meio-campo dos romanos (Foto: 101 Great Goals)

De resto, entraram ainda Davide de Gennaro a custo zero e Filipe Caicedo, que vai servir de cobertura à estrela Ciro Immobile. Destaque ainda para o regresso de empréstimo de Ricardo Kishna, que pode ser o substituto de Keita Baldé caso o jogador saia, ou poderá ser inclusivamente contratado outro jogador, como Brahimi.

Assim, o plantel não mexeu muito, sendo garantidas alternativas que podem dar mais profundidade a um plantel de qualidade, em que existem ainda jogadores como Marco Parolo e Felipe Anderson que fazem a diferença. Prevê-se mais uma época a lutar, pelo menos, pelo sexto lugar para a equipa romana. Simone Inzaghi tem condições para continuar o seu bom trabalho ao leme do clube.

Por fim, surge uma equipa que poderá tentar fazer uma gracinha na próxima edição da Série A: o Torino. Tem vindo sempre a fazer campeonatos estáveis, figurando na primeira metade da tabela. É um clube que tem vindo a recuperar, aos poucos, um pouco da mística daquilo que era o grande Torino de há 5 décadas atrás, tendo disputado a Liga Europa na passada temporada. Com essa experiência adquirida e sem a ter de jogar este ano, parece-nos possível que o Torino melhore o seu nono lugar e possa andar a disputar lugares superiores, intrometendo-se numa possível luta pela Liga Europa, dependendo também da possível vaga aberta ao sétimo lugar, dependendo dos finalistas da taça.

É certo que não será fácil, tendo em conta a cada vez maior competitividade do campeonato. Da equipa que acabou a temporada, saíram quatro jogadores mais importantes: os guarda-redes Joe Hart e Daniele Padelli, o defesa Gastón Silva e o médio Marco Benassi. O médio será, certamente, a saída mais notável, devido à sua preponderância no meio campo. Para as saídas, a equipa encontrou soluções, e bastante boas até.

Os centrais Lyanco e N´Koulou, este principalmente, são excelentes contratações da parte do Torino, traduzindo-se num claro upgrade no centro da defesa com a experiência competitiva do camaronês e o “sangue na guelra” de Lyanco. Para a saída de Benassi, o clube foi buscar Tomás Rincón à Juventus, não ficando, neste aspeto, a perder muito no imediato, a não ser num potencial encaixe futuro, porque Benassi ainda não está num nível acima de Rincón. E, para a baliza, chegaram Vanja Milinkovic-Savic, uma aposta de futuro, e Salvatore Sirigu, um excelente guardião que andou nos últimos dois anos perdido e que chega agora a custo zero a Torino, podendo voltar à seleção italiana e tendo hipótese de relançar a carreira.

O clube foi ainda buscar Álex Berenguer ao Osasuna, que pode ser um excelente backup de Adem Ljajic. O esloveno, em conjunto com Iago Falqué e, principalmente, Andrea Belotti, formam uma tripla de ataque possivelmente mortífera, que, com o upgrade da linha defensiva, pode significar a melhoria da equipa. Se Belotti permanecer no clube, será também uma grande vitória para Sinisa Mihajlovic, que não sendo um fantástico técnico, tem muito conhecimento do futebol italiano enquanto jogador e parece estar a assentar bem no clube de Turim. Ainda que não seja o candidato mais forte aos lugares europeus, o Torino tem uma boa hipótese de se tentar intrometer na luta, ainda para mais com uma Fiorentina que não parece destinada a tais voos.

Assim, ficam os dados lançados no que toca às equipas mais poderosas da Série A. Veremos se as previsões quanto à luta pelo título, Champions e Liga Europa se confirmam. Está lançada a luta pelos lugares cimeiros do campeonato italiano. 

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Tomás da CunhaMarço 12, 20175min0

Um clube que contrata um jogador como Edin Džeko espera certamente que tenha impacto imediato na equipa, sobretudo no que toca aos golos. Pela qualidade e pelo percurso que tem realizado ao longo da carreira, as expectativas sobre o bósnio são naturais e reveladoras de um estatuto importante que foi construindo. Apesar disso, o avançado da AS Roma não tem sido capaz de deixar uma primeira impressão fantástica por onde passa. Fazendo uma retrospectiva, nota-se uma tendência bastante curiosa: o ano de estreia de Džeko nunca é famoso, mas a segunda época é simplesmente extraordinária. Com paciência, os golos lá aparecem.

Em Roma não tem sido excepção. Depois de uma época aquém do esperado, que até pode ser considerada um fracasso, o bósnio disparou para uma segunda temporada de luxo, mais de acordo com as suas reais capacidades. Os números não mentem e colocam-no como um dos avançados em evidência no futebol europeu, com 29 golos em 39 jogos e um papel decisivo em várias competições. Quando está bem, torna-se uma referência ofensiva temível.

A fase auspiciosa do ex-Man City durava desde o início da época, mas o melhor momento de forma surgiu recentemente, quando conseguiu deixar a sua marca em 8 jogos consecutivos – o destaque vai para o hat-trick no El Madrigal, num jogo em que lhe saiu tudo bem. Esse período foi também o ponto alto da temporada da AS Roma, com vitórias sobre adversários de respeito (Fiorentina, Villarreal e Inter, sobretudo) e exibições bastante convincentes.

Džeko parou de marcar e os giallorossi pararam de ganhar. A quebra de rendimento do bósnio está longe de ser a única causa para o mau momento da AS Roma, mas a dependência excessiva que a equipa sente do seu ponta-de-lança tem sido prejudicial nos últimos encontros. Ofensivamente, o modelo de jogo de Spalletti está bastante condicionado pelas características do seu ‘9’, dando a ideia de ter poucas soluções e tornando-se previsível e fácil de anular.

A AS Roma tenta explorar de forma constante o poderio físico de Džeko através do jogo directo (muitas vezes a partir dos centrais), diminuindo drasticamente as probabilidades de os lances de ataque serem bem sucedidos. Por muito forte que o bósnio seja no jogo aéreo, terá sempre dificuldades para garantir a posse de bola e dar a melhor sequência à jogada. Sabendo que uma das mais valias do avançado de 30 anos é a capacidade de dar apoio frontal e soltar com um ou dois toques apenas, permitindo a progressão da equipa, explorar esse aspecto será sempre melhor solução.

O guião errado de Spalletti

Spalletti não tem tirado o melhor proveito da qualidade de Strootman [Foto: Voetbal International]

Chegámos à fase decisiva da temporada e todas as expectativas que a AS Roma criou foram defraudadas. Spalletti, apesar de ter estabilizado a equipa a nível de resultados, está a demonstrar-se incapaz de tirar o melhor partido de um plantel recheado de bons intérpretes. O guião que o técnico italiano passa aos seus jogadores é frágil, mas acima de tudo desadequado. Tendo médios que se relacionam muito bem com a bola, é pouco inteligente pedir-lhes que se livrem dela tão facilmente. A obsessão pela vertigem, neste caso, está longe de aproximar a equipa do sucesso continuado.

Quem mais beneficia com o jogo de correrias é Salah, que vive das mudanças de velocidade. O egípcio tem sido o jogador mais próximo de Džeko desde a mudança para o 3-4-2-1 (Nainggolan é habitualmente o médio mais adiantado), que tão bons resultados trouxe inicialmente. Desde então, a AS Roma tem privilegiado cada vez mais a largura através dos laterais Bruno Peres e Emerson, ambos muito acutilantes, em detrimento das combinações pelo corredor central, não aproveitando convenientemente os espaços que conquista entre as linhas do adversário.

Neste momento, Rüdiger e Strootman são praticamente dois “lançadores”, bem ao estilo de um quarterback de futebol americano. É um desperdício ter jogadores com tanta qualidade a desempenhar este papel, ora procurando Džeko, ora tentando encontrar Salah nas costas da defesa contrária. A equipa divide-se, ataca com menos elementos e oferece inúmeras vezes a bola ao adversário.

Aumentar o tempo e a qualidade do ataque deveria ser uma prioridade para Spalletti nesta altura. O problema está na falta de ideias do treinador romano, que já terá chegado ao limite do que pode oferecer à AS Roma. Para poder pensar em ombrear com a Juventus nos próximos anos, é necessário que existam outros estímulos e é fundamental que os jogadores estejam no seu potencial máximo. Imagine-se se esta equipa procurasse construir mais pacientemente, aproveitando a qualidade dos seus médios, e se passasse mais tempo em organização ofensiva, jogando com maior critério. Daria certamente um salto que, assim, dificilmente irá dar.


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