“Cromos” com toque italiano: Di Natale, Paolo Rossi e Cassano

Pedro PereiraDezembro 4, 20195min0

“Cromos” com toque italiano: Di Natale, Paolo Rossi e Cassano

Pedro PereiraDezembro 4, 20195min0
Di Natale foi responsável por uma jogada inesquecível fora da quatro-de-linhas, enquanto Cassano será lembrado pelo génio amaldiçoado e Paolo Rossi pelos golos inesquecíveis. Um recordar da Caderneta dos Cromos!

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PAOLO ROSSI… GOLOS COM UM TOQUE DE POLÉMICA

“A” figura do Mundial de 1982. Foi o melhor marcador do Mundial 1982 e foi a figura principal daquele mundial que ofereceu o título do Mundo à seleção italiana. O Bambino d’Oro como lhe chamam, fez seis golos no torneio, mas o caminho até àquele Mundial foi tudo menos dourado.

Tudo começa em 1980 quando rebenta o escândalo “Totonero”, um sistema de viciação de resultados para apostas desportivas que envolvia jogadores da Série A italiana. Paolo era um deles. Naquele ano, Rossi era jogador do AC Perugia, um jovem talento ainda a ganhar terreno no panorama nacional. Foi condenado a três anos fora de competições federadas, tendo assim falhado o campeonato da Europa de 1980.

A Federação Italiana, que ficou em 4º lugar no Euro80, não se podia dar ao luxo de deixar o seu menino prodígio fora do Mundial de 82, tendo diminuído a pena de 3 para 2 anos, permitindo assim a convocatória de Paolo. Por estar tanto tempo parado das competições, Paolo começou o Mundial no banco, em baixa de forma. Mas nas fases seguintes, Paolo mostrou todo o seu valor e foi a figura central de Itália.

Depois do Mundial, transferiu-se para a Juventus onde venceu a Champions League frente ao Liverpool FC. Aos 29 anos assinou pelo AC Milan e terminou a carreira aos 31 anos quando representava o Hellas Verona.

DI NATALE E UMA JOGADA ESPECIAL

Piermario Morosini morreu em campo no ano de 2012. Morosini representava o Livorno na altura e estava a jogar contra o Pescara. Todas as mortes são uma merda, mas esta dói particularmente a quem está habituado a ver o campo de futebol como um palco sagrado para olharmos a vida com a leveza e a despreocupação suficiente para tolerarmos os outros minutos corridos e stressantes da nossa vida.

Era precisamente isso que se passava com Morosini. Dentro de campo, brilhava, suava e festejava como os outros. Quando ia para casa, lutava por uma vida um pouco mais sorridente do que havia sido até então. Tinha a seu encargo Carla Maria, sua irmã que necessitava de cuidados e apoio diários por ter nascido com uma deficiência não especificada. Morosini e Carla Maria foram obrigados desde muito novos a cuidarem um do outro.

A mãe morreu quando tinham 15 anos. O pai morreu quanto tinham 16. O terceiro irmão suicidou-se, tinham os dois 20 anos. Piermario faleceu em 2012 e Carla Maria ficou totalmente sozinha. E aqui entra Di Natale nesta trágica historia. Di Natale jogou com Morosini na Udinese e tornaram-se grandes amigos. Di Natale tem o coração e a bravura dos melhores do mundo. Não foi capitão durante anos só porque sim, é preciso ter perfil para isso. Di Natale  jurou amores à Udinese, mesmo quando foi bombardeado com propostas de grandes clubes italianos: para se ser fiel é preciso auto conhecimento e certeza nas nossas convicções.

Di Natale cumpriu com o desejo que o seu pai tinha, que consistia em ultrapassar a marca de golos da Serie A de Roberto Baggio. Di Natale nunca venceu um scudetto mas tem o título de cromo mais respeitado em todos os domínios humanos. Conhecedor da situação de Carla Maria, ofereceu-se para adoptá-la e responsabilizar-se legalmente pela desafortunada Carla Maria. É uma jogada de craque, sem fintas, sem efeitos, sem  espinhas. Obrigado por este futebol, Di Natale.

CASSANO… O REI DOS PROBLEMAS

Antonio Cassano, um simples cromo que se deixou engolir pela complexidade da fama. Nascido e criado em Bari Vecchia, na zona mais pobre da cidade. O pai abandonou a família ainda Cassano era bebé. A mãe, como tantas, fez papel de pai e mãe, empresária e adepta, juíza e pedagoga. Por tanto lhe ter dado, Cassano sempre quis retribuir. Por exemplo, na última época, enquanto jogador do Bari, era cobiçado por todos os grandes clubes de Itália.

Escolheu a Roma porque era próximo do mar e a mãe tinha-lhe pedido para continuarem a viver na costa. Era este o nível de filhice da mamã. Totalmente compreensível. Cassano detestava aulas.

Passava a maior parte do seu tempo na rua. Na sua autobiografia, disse que, enquanto miúdo, a única coisa que sabia fazer era correr e fintar. E assim, eram as suas tardes com os seus amigos. A driblarem-se uns aos outros e quando a policia chegava para proibir de jogarem naquele local, corriam enquanto atiravam ovos e tomates aos carros da polícia e a quem os denunciou. Cassano fez amizades com todos os rufias da cidade. Miúdos de rua que viam no crime uma alternativa à custosa vida de pobre. Muitos continuaram nessa vida, outros morreram, alguns foram presos e poucos saíram sem feridas. A verdade é que a amizade se manteve.

Na pobreza e na riqueza de Cassano. Em 2001, já numa fase em que Cassano era considerado o novo menino de ouro do futebol italiano, o seu Porsche foi roubado na sua cidade, em Bari. Alguém se tinha esquecido que Cassano era filho daquelas ruas. Menos de um dia depois, o Porsche voltou intacto à garagem onde Cassano vivia com a sua mãe com um bouquet de flores e um cartão com um pedido de desculpas.


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