Pedro Couñago, Author at Fair Play

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Pedro CouñagoAbril 15, 20194min0

Na passada quinta feira, tivemos um duelo bem interessante no Estádio da Luz, que terminou com uma vitória importante do Benfica por 4-2. Importante, mas com certeza não decisiva, pois deixa todas as hipóteses ao Eintracht Frankfurt de conseguir ainda ter a esperança de discutir a eliminatória depois de um jogo em que os encarnados poderiam ter deixado a questão praticamente resolvida.

Foi um jogo entretido, com golos, e em que se percebeu que o Eintracht disputa sempre os jogos da mesma forma independentemente das atenuantes existentes, como por exemplo a expulsão. Percebemos que é uma equipa bastante vertical, que joga olhos nos olhos e que não abdica de uma postura de procura pelo golo. Sendo assim, o que podemos esperar dos alemães na segunda mão?

Equipa a entrar bastante forte na partida

Para o Frankfurt poder ter esperança frente ao Benfica, certamente irá começar a partida pressionante, bem como demonstrou em Lisboa. Seria importante aos encarnados controlar desde logo o ímpeto inicial que a equipa de Frankfurt terá, visto que os alemães procurarão um golo cedo na partida que lhes trará a confiança necessária para o que restar do jogo e colocará o Benfica numa posição mais receosa.

O jogo da Luz revelou duas equipas em busca da vitória, não menos do que aquilo que teremos na Commerzbank-Arena (Foto: Sportingpedia)

Sendo o jogo na Alemanha, como o apoio dos fervorosos adeptos do Eintracht, que, de resto, se fizeram sentir também em Lisboa, a pressão de um golo inicial poderá afetar o Benfica e levar os jogadores de Lage a cometer erros. Será também interessante acompanhar quais os atletas que o treinador português coloca em campo, num sentido de perceber se continua a rotação de equipa, promovida na primeira mão, ou se, por segurança, coloca a sua equipa mais rodada.

Exploração das costas da defesa e das alas

O Eintracht atua num 3-4-3 bastante ofensivo, com dois jogadores que apostam na profundidade nas alas e três atacantes que funcionam muito bem em conjunto. Na primeira mão, a equipa alemã causou alguns dissabores ao Benfica jogando desta forma, marcando um golo e tendo mais algumas ocasiões que foram desperdiçadas. É certo que o Eintracht irá assumir uma postura um pouco diferente, mais controladora da bola, mas podemos esperar uma aposta em colocar a bola em Danny da Costa e, principalmente, Filip Kostić, que podem causar bastantes desiquilíbrios junto dos laterais benfiquistas.

Depois, os três atacantes são bastante fortes a aguentar a posse de bola. O português Gonçalo Paciência parece começar a engrenar nas dinâmicas da equipa, tendo também marcado na Luz e no passado jogo para o campeonato. Luka Jović e Ante Rebić estão já estudados e é sabida a sua enorme qualidade na definição e leitura de jogo. Assim, a defesa benfiquista terá de se cuidar caso não queira ter dissabores.

Frankfurt quer vingar os últimos dois desaires e estará certamente motivado

Antes da visita a Lisboa, o Eintracht estava numa senda de quinze jogos sem perder, estando bem por dentro da luta por um lugar de Champions. Esta está a ser uma época muito boa para o clube alemão, um pouco na senda daquilo que vêm sendo os últimos anos.

A derrota com o Benfica veio quebrar essa senda, ainda que a equipa tenha deixado boa imagem no Estádio da Luz. No entanto, a derrota frente ao Augsburgo no domingo é uma que não era particularmente esperada pelos seus adeptos, até porque a equipa começou a ganhar o jogo, além de ter sido no seu reduto. É, assim, a segunda derrota consecutiva do Eintracht, algo que poderá causar alguma desconfiança na equipa.

O último jogo do Eintracht traduziu-se numa derrota comprometedora para as aspirações do clube na Bundesliga, jogo marcado por mais uma expulsão (Foto: SGE)

Por outro lado, levar a equipa a estar ainda mais motivada para suceder frente ao Benfica, visto que nunca havia chegado tão longe nesta competição europeia (entenda-se Liga Europa) e que está à beira de um desempenho europeu histórico.

Em suma, a eliminatória está a favor do Benfica, mas longe de acabada. O Eintracht Frankfurt tem muita qualidade nos diferentes setores, principalmente no setor atacante, algo que poderá causar problemas ao reduto mais defensivo dos encarnados, mas o seu balanço atacante poderá dar espaços ao Benfica para marcar e, aí sim, deixar a eliminatória bem encaminhada.

Teremos, assim, um jogo bastante interessante na quinta feira, um jogo de parada e resposta de duas equipas que estão a fazer épocas positivas e que querem acrescentar um troféu europeu que lhes escapa há várias décadas.

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Pedro CouñagoMarço 30, 20193min0

Já é sabido pelos adeptos mais atentos que Moise Kean é um jovem de muito talento que poderá dar numa estrela do futebol italiano e europeu. Os adeptos portugueses até se poderão lembrar da promessa depois do jogo que fez no Europeu sub-19 do passado ano, em que fez dois golos contra a seleção portuguesa e baralhou toda a defesa nacional.

Esta temporada tem dado a oportunidade de Kean fazer alguns jogos no ataque da Juventus e de se estrear no escalão principal de seleções, resultado do crescimento que o jovem tem vindo a fazer. Nas oportunidades que o jovem tem tido, não tem propriamente desiludido, correspondendo com golos e momentos de encher o olho. Oito jogos, cerca de 200 minutos em tempo de jogo pela Juventus e quatro golos. Registo bastante apreciável para um jogador que já nasceu neste milénio.

Não são todos os jogadores que têm a oportunidade de ser internacionais pela seleção principal aos 19 anos de idade, ainda por cima numa seleção conceituada como a italiana. É o reflexo dos tempos, uma era em que a seleção transalpina está à procura de uma renovação que a leve aos grandes palcos e às grandes decisões, algo que não tem acontecido nos últimos tempos.

As últimas semanas têm sido de glória para o jovem prodígio, sendo já aposta séria na Squadra Azzurra (Foto: Sapo Desporto)

Kean está no meio de consagrados

A verdade é que Moise Kean consegue, neste momento, ter talvez o melhor mentor possível para a sua posição nesta altura: Cristiano Ronaldo. Moise Kean é um atacante com boa capacidade física e alguma velocidade, tendo capacidade de remate fácil, algo que o torna muito perigoso para as defesas contrárias. Ronaldo pode mostrar a Kean o que melhor pode fazer com as suas faculdades, que o podem tornar num jogador a ter em atenção para a próxima década.

Será interessante perceber até que ponto a Juventus lhe dará o tempo de jogo que necessita para o seu crescimento. Estando o campeonato no bolso, podemos esperar alguma rotatividade, que permitirá ao jovem somar mais minutos, que bem precisa. Ronaldo precisa de ser gerido com pinças e Mandzukic também já não vai para novo, pelo que as perspetivas, para já, parecem boas para Kean.

Que seja uma relação para durar e que a aposta seja séria

No entanto, para o futuro, o jovem poderá não se contentar com o banco de suplentes, e será um erro tremendo por parte da Juventus se pensar em vendê-lo, como já fez com jovens como Kingsley Coman. O tradicional empréstimo também já foi solução e, neste momento, já não parece viável, pelo que o que se pretende é que a Juve ponha mesmo as fichas em Kean, que merece por aquilo que tem mostrado.

Por enquanto, o atacante está a mostrar que merece que confiem nele. Mais que isso, Kean traz à Juve imprevisibilidade e irreverência, traz diferentes soluções a um ataque com jogadores consagrados. É aquela injeção de juventude num plantel com muita experiência e uma constante necessidade de ganhar, com esta mentalidade a poder beneficiar muito o avançado no seu crescimento.

Esperemos que a Juventus aproveite da melhor forma a pérola que tem em casa por lapidar. Seria fantástico para o clube, para o jogador, para a seleção e para o futebol em geral, pois o jogador está num dos melhores clubes do mundo e é craque. 

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Pedro CouñagoMarço 19, 20195min0

Leon Bailey tem apenas 21 anos, é ainda um jovem jogador, mas que já mostrou muito daquilo que é capaz. No entanto, a época 2018/2019 não tem sido uma à altura daquilo que se esperava do prodigioso jamaicano. Há um ano atrás, falava-se de uma possível ida do jogador para um Bayern Munique ou para um Chelsea por valores estratosféricos, mas tal não parece ser possível de acontecer no próximo verão, porque esta época simplesmente não está a ser uma que o justifique.

Muito rápido, com golo, um pé esquerdo repleto de técnica e um drible bastante apurado, Bailey é daqueles jogadores que parece predestinado a ter um lugar num grande clube mais cedo ou mais tarde, até pelo que demonstrou já em temporadas passadas, mas 2018/2019 tem sido uma viagem atribulada.

Leon Bailey ganhou destaque no futebol belga, ao serviço do Genk, rapidamente captando a atenção de outros quadrantes (Foto: Sportsnet)

Até à saída de Heiko Herrlich, a temporada estava a ser sofrível

O extremo, na primeira metade da temporada, esteve muitos furos abaixo daquilo que seria exigível, sendo públicas algumas divergências do jogador com o técnico, o seu tempo de jogo algo limitado, sendo muitas vezes apenas suplente utilizado.

Tal também certamente deriva da fraca campanha que a equipa fez na primeira metade da temporada, em que a equipa ocupava apenas o nono lugar da classificação, com 24 pontos e sete vitórias em dezassete jogos.

Em termos estatísticos, Bailey tinha apenas participação em três golos da equipa (um golo e duas assistências), números sofríveis para aquilo que o jamaicano é capaz de demonstrar. Mais do que isso, Bailey parecia um jogador descontente a jogar futebol, parecia que tinha perdido a alegria a jogar o desporto rei, algo bastante preocupante para um jovem de apenas 21 anos com o mundo pela frente.

Com Peter Bosz, a situação mudou, tanto para o Leverkusen como para Bailey

Com a chegada de Peter Bosz, técnico que esteve em Dortmund na passada temporada mas onde falhou redondamente, a situação melhorou significativamente tanto para o clube como para Bailey. A equipa apresenta um futebol mais condizente com aquele que os seus adeptos pretendem (futebol de ataque, com muitos golos), e Bailey está a beneficiar de uma segunda metade da temporada mais condizente com o seu valor. Dezoito pontos em vinte e sete colocam a equipa na luta pelos lugares europeus, da qual o clube nunca deve estar fora.

Em nove jogos, o jamaicano já faturou em quatro ocasiões, estando também, de forma consistente, a começar a regressar à sua melhor forma, e quando o jamaicano está nesse ponto, fica no “ponto de rebuçado”. Jogador conhecido por grandes golos e por ser aterrorizador no “um contra um”, nada menos de uma carreira ao mais alto nível se espera de Bailey.

Leon Bailey, aqui sem o seu cabelo característico, e Peter Bosz num cumprimento que é sinal da sintonia entre técnico e prodígio, importante para as pretensões do clube (Foto: GettyImages)

Por aqui se pode esperar que Leon queira acabar em grande esta temporada, para fazer definitivamente os seus críticos esquecer aquela que foi uma primeira parte da temporada bastante penosa. A dinâmica do 4-3-3 é uma que o beneficia, na medida em que tem quem o cubra um pouco na questão defensiva do jogo, pode fazer combinações com os médios em aproximação à área e, principalmente com Kevin Volland, pode ganhar muitas vezes as costas dos adversários em tabelinhas.

Plantel competitivo leva a que Bailey tenha de elevar o nível, isto se quiser também mostrar-se ao mundo

O plantel do Bayer é rico em soluções de qualidade, principalmente a nível ofensivo, mas não em número, o que impacta a equipa quando existem lesões ou suspensões. No eixo ofensivo, figuram jogadores como Kevin Volland e Lucas Alario, atrás de si figura a pérola Kai Havertz e, para as alas, temos jogadores como Bellarabi, Julian Brandt (que até tem jogado a médio centro) e o designado Bailey.

Na teoria, a equipa mais forte do Leverkusen tem condições para lutar pela presença na Liga dos Campeões, mas não tem sido propriamente fácil face a campanhas nas quais a equipa não passa da Liga Europa. Com equipas como o Leipzig e o Borussia Mönchengladbach mais consistentes, o desafio é grande. Com um Bailey ao seu nível, fica mais fácil ao Leverkusen subir um pouco a sua produção.

Será interessante acompanhar os desenvolvimentos dos próximos meses, para perceber até que ponto o Leverkusen concretiza os seus objetivos e em que medida segura todas as suas pérolas para a próxima temporada, algo bastante difícil mediante o poderio financeiro proveniente de outros destinos. No caso de Bailey, tendo em conta esta temporada que vai do 8 ao 80, seria importante ficar em Leverkusen para poder assumir-se definitivamente como um grande jogador e não como uma definitiva promessa que nunca vai conseguir dar o salto que dele se espera.

Uma coisa é certa, Leon Bailey pode ter um grande futuro se assim o quiser. Talvez o maior crescimento que tenha mesmo de fazer seja a nível mental, porque nos grandes clubes só jogam os melhores tanto a nível qualitativo como a nível humano, de concentração.

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Pedro CouñagoFevereiro 15, 20198min0

A Udinese tem sido dos clubes italianos que têm permanecido algo “debaixo dos radares”, mantendo-se na Série A há 24 anos consecutivos, mas a verdade é que o perigo de tal acabar num futuro a curto-médio prazo é real, e não é pelos sinais de alerta já não terem sido dados.

Desde 2013 que a equipa não faz melhor que o décimo terceiro lugar, e isto depois de duas épocas (2011/2012 e 2012/2013) em que a equipa fez um terceiro e um quinto lugar na Série A italiana. O clube de Udine, na primeira década do século, foi um dos mais regulares no campeonato, talvez sinónimo dos melhores anos de Antonio Di Natale, eterno capitão do clube, melhor marcador e jogador com mais jogos. No entanto, nos últimos 6 anos, a situação tem vindo a piorar de época para época.

A quantidade alucinante de trocas de treinadores nos últimos anos

Dentro do campo, os resultados não são consistentes, e talvez a principal razão seja, cada vez mais, a impaciência da direção face aos treinadores. Só nos últimos 3 anos e meio, Davide Nicola, o atual técnico da Udinese, é o 9º (!!) treinador da Udinese, sendo este um registo impensável para uma equipa que pretende recuperar o estatuto que já teve e que pretende consolidar-se como um valor seguro da Série A.

É completamente impossível a qualquer técnico conseguir conseguir potenciar totalmente os seus jogadores e os seus processos quando a média de tempo no banco de suplentes tem sido de 4/5 meses. Não há equipa que resista a trocas assim, e este é um problema bem real que se tem agravado pois os jogadores sentem falta de confiança nas suas capacidades de “segurar” qualquer que seja o treinador que esteja a comandá-los. A pressão que os técnicos têm ao comandar a equipa é muito maior e os resultados acabam por não aparecer.

Davide Nicola é mais um treinador em dificuldades numa longa lista que se vai avolumando nos últimos anos, vejamos se está seguro até ao fim de época (Fonte: La Repubblica)

Quase que se pode dizer que a Udinese acabou por virar um autêntico cemitério de treinadores, e quem sabe estes despedimentos consecutivos não levarão a um definitivo afundar do clube, visto que não existe uma identidade forte imposta por um líder na equipa.

Proprietário despreocupado, dizem os adeptos

O clube é propriedade de Giampaolo Pozzo, conhecido homem de negócios italiano, que é também o proprietário do Watford, clube da Premier League. Como tal, até têm sido bastantes os intercâmbios de jogadores entre os dois clubes, mas tal não é suficiente face ao plantel desequilibrado que a equipa vem apresentando nas últimas temporadas

Têm sido bastante recorrentes os relatos de um dono despreocupado com a situação do clube, relatos esses dados por adeptos do clube de Udine. Do lado destes adeptos, tem-se a perceção de que Pozzo está com mais atenção ao Watford e não à Udinese, muito por culpa da maior rentabilidade do clube inglês e pela maior sustentabilidade do projeto.

Já alguns diretores vieram desmentir esta visão dos adeptos, ao dizer que Pozzo tem toda uma equipa ao seu dispor para guiar os destinos da Udinese a bom porto, mas a divisão dentro das diferentes fações do clube, tanto a nível externo como interno, é bem real, e se o clube aspira a ter um futuro promissor, tem de conseguir mitigar estes problemas que acabam por afetar o clube depois nas competições em que se insere.

Plantel até tem algumas soluções, mas que têm estado aquém do exigível, tirando De Paul

O plantel não serve para mais do que lutar por um lugar a meio da tabela na Série A, algo que seria sempre o mínimo imposto à Udinese face ao seu histórico e face ao que representa em Itália, mas a verdade é que começam a faltar palavras para os fracos desempenhos da equipa e para a sua incapacidade de dar a volta ao texto, acontecendo isto talvez devido à falta de confiança, visto que a equipa perde muitos jogos pela margem mínima.

Essencialmente, nos dias de hoje, a equipa baseia-se em Rodrigo de Paul + 10, sendo este o elemento que poderá dar uma importante almofada financeira no futuro ao clube, falando-se do interesse do Inter e do Nápoles no criativo argentino. Em Udine, num local de menos exigência, encontrou o conforto de poder pegar na “batuta” da equipa, servindo Ignacio Pussetto e Kevin Lasagna, sendo que estes três jogadores representam 12 golos dos 18 (apenas 18!) marcados pela equipa em toda a Série A em 23 jogos, sendo o segundo pior ataque da prova. Só Rodrigo de Paul tem mão sua em metade dos golos da equipa, com 6 marcados e 3 assistidos. Mesmo assim, o argentino já esteve também em melhor forma, começando a ter algumas dificuldades face ao terrível momento da equipa, desde o fim de novembro que assim é, e isto a fazer quase sempre os 90 minutos.

Rodrigo de Paul é a principal figura da Udinese, mas tem estado em baixo de forma nos últimos meses, talvez seja hora de mirar outros voos (Fonte: Mundo Albiceleste)

A nível defensivo, a equipa até nem sofre uma quantidade anormal de golos (31), sendo apenas a nona pior defesa da Série A, algo que se pode justificar devido à imponência física no seu meio campo, com Mandragora e Fofana a serem jogadores que são fortes na proteção à sua defesa e que lhe conferem alguma confiança. Ainda assim, estes dois jogadores do centro do meio campo têm estado num nível aquém do exigível nos restantes momentos de jogo, sendo também por aí que a Udinese muito se ressente.

Este plantel é também uma autêntica sociedade das nações, com apenas 5 italianos em 26 jogadores, existindo uma falta de liderança evidente que jogadores como Antonio Di Natale e Giampiero Pinzi, por exemplo, traziam até há alguns anos. Pode-se afirmar que este tipo de jogadores seguravam os “arames” do plantel e, após a sua saída definitiva e a sua menor influência dentro de campo devido à idade, a Udinese ressentiu-se.

Os resultados e o percurso até maio indicam que deve haver alertas ligados em Udine

Esta foi uma equipa que até começou bem esta temporada, com 8 pontos ganhos nos primeiros 5 jogos, algo que fazia indiciar que poderíamos ter uma “temporada 0” no clube, uma espécie de reboot face àquilo que vem acontecido de forma sucessiva nos últimos anos.

Desde aí, apenas 11 pontos em 18 jogos, um registo absolutamente medonho para um clube como a Udinese. Em quase meia volta de campeonato, fazer apenas 11 pontos é simplesmente insuficiente para uma equipa com quaisquer objetivos reais.

É certo que muitas derrotas foram pela margem mínima (8 das 13 derrotas), mas mesmo assim não chega afirmar que “estivemos quase a conseguir, com outro treinador é que vai resultar”. O quase não chega e, num campeonato competitivo como o da Série A, a falta de ação e de luta por inverter os acontecimentos paga-se caro.

A equipa ainda não venceu este ano, vindo mal da paragem de inverno, este período que poderia trazer melhorias ao clube mas que parece que não foi bem aproveitado pelos jogadores e toda a restante estrutura para recarregar baterias e focar naquilo que é uma tarefa que se pensaria impensável há alguns anos.

O único ponto positivo dos últimos tempos

A única real melhoria nestes últimos anos terá sido o estádio, que é agora muito mais moderno face às necessidades do clube e que tem agora uma capacidade a rondar os 25 mil lugares. O Friuli é um estádio histórico que dura já desde 1976, tendo sido reestruturado para o Mundial de 1990 e, agora, melhorado, durante 2013 e 2015.

Este era um estádio que já estava a ser afetado pela passagem do tempo e, agora, é uma arena mais moderna, servindo agora os diferentes propósitos. Em média, a Udinese leva mais de 16 mil adeptos ao estádio, que não estarão, certamente, agradados com os desempenhos que a equipa lhes tem proporcionado, com apenas 12 pontos ganhos em 12 jogos nesta temporada em pleno Friuli.

Um Friuli cheio para receber a Squadra Azzurra. O estádio está agora no mapa dos estádios a usar pela seleção, esperemos que não sejam os únicos jogos internacionais a acontecer nos próximos anos (Fonte: GettyImages)

Vejamos se em maio não teremos uma confirmação do momento complicado que o clube atravessa. Esperemos que tal não aconteça, pois a Udinese é um clube de tradição que merece mais.


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