Pedro Couñago, Author at Fair Play

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Pedro CouñagoAgosto 12, 20197min0

No próximo fim de semana teremos o início da Bundesliga 19/20. No passado fim de semana tivemos já uma pequena previsão daquilo que as equipas poderão oferecer nesta temporada, devido à eliminatória da Taça da Alemanha.

Um dos campeonatos mais competitivos no mundo do futebol, algumas curiosidades surgem desde já para este início de temporada.

Borussia a todo o gás depois da vitória na Supertaça, conseguirá levar o ímpeto para um início à altura?

O Borussia de Dortmund é, de longe, a equipa que pode representar uma oposição feroz ao Bayern de Munique, que perdeu alguns jogadores e não contratou os suficientes para fazer face às necessidades, pelo menos por enquanto. Há uma semana, tivemos uma vitória do Borussia sobre o Bayern, que denotou o maior talento individual e capacidade de desiquilíbrio que os jogadores que vestem de amarelo e preto apresentam, com Jadon Sancho e Marco Reus à cabeça. Assim, o Borussia surge em boa posição para este início de campeonato.

Na transata temporada, a equipa do Westfalenstadion esteve perto de conseguir roubar o ceptro ao Bayern mas uma derrota por 5-0 frente ao rival deitou tudo a perder. É esperar que exista mais consistência e maior capacidade de responder adequadamente sob pressão. O primeiro jogo reserva um duelo com o Augsburgo, equipa que está com o orgulho ferido depois de uma derrota surpreendente para a primeira eliminatória da Taça da Alemanha frente ao SC Verl, da quarta divisão germânica. Em teoria, é um início à medida dos comandados de Lucien Favre.

Kai Havertz, um craque que permanece em Leverkusen e que é candidato a melhor jogador desta temporada

As comparações com João Félix têm sido bastante recorrentes, não só pelo talento como pelo seu valor de mercado, sendo os dois jovens alguns dos candidatos à sucessão dos extraterrestres no que toca à Bola de Ouro para os próximos largos anos. Havertz é um jogador que, pura e simplesmente, sabe fazer tudo em campo. A sua permanência em Leverkusen é, por si só, uma grande vitória para os comandados de Peter Bosz, visto que a saída para o Bayern de Munique esteve iminente (e que reforço ele seria para o Bayern).

Incrível potencial, incrível talento, incrível futuro lhe espera: a sentença dada a Kai Havertz (Foto: GiveMeSport)

A temporada passada foi uma de afirmação para o jovem germânico, a próxima pode ser uma de imposição da sua lei, uma em que ele se afirma de pedra e cal como o líder da equipa, uma que pretende voltar aos grandes palcos da Champions League. A pré-época não foi brilhante para os farmacêuticos, mas a primeira eliminatória da Taça da Alemanha deixou melhores indicações de um clube que terá Havertz a comandar todo o seu jogo ofensivo e que, a continuar a sua forma da passada temporada e com mais experiência, poderá ser um caso sério nas individualidades em destaque aquando do final da temporada.

Até onde pode ir o Leipzig de Nagelsmann?

Finalmente Julian Nagelsmann chegou a um dos projetos mais ambiciosos da Bundesliga. Não é um dos clubes mais amados na Alemanha, seja pelo dinheiro injetado pela Red Bull ou por não ter a mesma história de outros, mas a verdade é que se tem vindo a afirmar no topo do pelotão a seguir a Bayern e Borussia de Dortmund e será interessante acompanhar até que ponto poderá almejar a algo mais.

Já era conhecido há um ano que Nagelsmann seria treinador do Leipzig, com o treinador a garantir entretanto mais um campeonato seguro ao Hoffenheim, ainda que não tão positivo como em 17/18. Já o clube que Nagelsmann treina conseguiu um terceiro lugar que garante a fase de grupos da Champions.

Nagelsmann surgiu de rompante no panorama da alta roda do futebol alemão, há a curiosidade para perceber a sua capacidade num projeto mais ambicioso (Foto: Sportbuzzer)

Com as adições de Christopher Nkunku e Hannes Wolf para o meio campo ofensivo e a contratação em definitivo de Ademola Lookman para as alas, esta que suprime a transferência de Bruma para o PSV Eindhoven, as mexidas no plantel foram bastante residuais e com as ideias inovadoras do jovem treinador, as expectativas são bastante altas para a temporada 19/20. Timo Werner permaneceu por Leipzig, algo que parecia impensável, e liderará o ataque da equipa. Será, mais uma vez, interessante acompanhar até que ponto o Leipzig poderá incomodar os da frente, e as primeiras jornadas poderão ser uma boa oportunidade de a equipa se destacar desde logo, visto o profundo conhecimento que existe entre os jogadores da equipa, “apenas” se adiciona uma nova mentalidade, uma que gosta de ter a bola e de jogar de forma rendilhada.

Pela primeira vez, a rivalidade amistosa entre Hertha e Union Berlin trava-se na Bundesliga

O Hertha Berliner Sport-Club é já um habitué nestas andanças, ainda que esteja hoje longe de ter a mesma categoria que já teve no passado. As diferenças entre este clube e o 1. FC Union Berlin são evidentes em quase todos os aspetos.

O Hertha é um clube com estatuto de Bundesliga, enquanto o Union faz esta temporada a sua estreia na principal liga alemã. O Hertha joga no estádio olímpico alemão, um dos maiores do país e o mais imponente, enquanto o Union Berlin jogará num dos estádios com menor lotação do campeonato, que se destaca por receber os mais variados eventos, principalmente um na altura natalícia que junta os mais fiéis adeptos do seu clube. O Hertha foi fundado em 1892, enquanto o Union foi fundado em 1966.

As diferenças são imensas, e por isso mesmo é que será bastante interessante acompanhar o progresso de ambas as equipas nesta temporada na Bundesliga, até porque os dois clubes têm uma relação amistosa, quando tal não é muito comum entre equipas da mesma cidade. Será a primeira vez que uma equipa do lado oriental de Berlim (antiga Berlim Oriental, antes da queda do Muro) disputará a Bundesliga, visto que o Hertha sempre disputou competições do lado ocidental alemão, fazendo parte da antiga Berlim Ocidental. As diferenças expandem-se a quase toda a linha.

As ambições serão, portanto, distintas. O Hertha quererá fazer um campeonato tranquilo, lutando pela primeira metade da tabela da Bundesliga. Já o Union lutará com aquilo que tiver e não tiver para conseguir uma manutenção que seria um enorme motivo de orgulho para os seus apaixonados adeptos que, depois de muitas lutas sociais e depois de apoiarem um clube à beira da falência no passado, finalmente poderão vê-lo a jogar entre os grandes.

É a reedição de um duelo de dois clubes da capital com armas diferentes mas uma paixão inabalável pelo desporto rei (Foto: Tag24)

Existem outras questões que mereceriam análise, como o facto de o Bayern começar esta Bundesliga de forma algo imprevisível ou a curiosidade para perceber de que forma reagirá o Schalke 04 depois de uma temporada desastrosa, que o Fair Play previu atempadamente. No entanto, estes são os destaques que deixamos e esperemos que acompanhem e desfrutem de uma temporada emocionante do espetacular futebol germânico, como nós desfrutaremos!

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Pedro CouñagoJulho 25, 201910min0

O FairPlay analisa um mercado proveitoso para o Sassuolo, desde a contratação de bons jogadores para o meio campo, o reforço do ataque, boas movimentações para proveito financeiro e, quem sabe, tal dará um prémio merecido em maio de 2020.

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Pedro CouñagoJulho 17, 20196min0

Um dos clubes mais reconhecidos/apaixonantes na história do futebol alemão está de volta ao convívio entre os grandes, isto depois de apenas uma temporada na 2.Bundesliga, competição que venceu.

Uma vitória merecida e que é merecida por alguns atletas em específico

Desta forma, o Colónia conseguiu convencer os críticos, que apontavam a equipa como uma que tinha a obrigação de lutar pelo regresso imediato à Bundesliga, ao contrário do que, por exemplo, fez o Hamburgo, que terá de ficar, pelo menos, mais uma época a “penar” num campeonato que não equivale ao seu estatuto mas que se assemelha à sua capacidade atual.

A vitória do Colónia na 2.Bundesliga foi concretizada antes da última jornada e marcou o regresso imediato do histórico ao convívio entre os grandes (Foto: Bleacher Report)

Dois jogadores que mereceram, de sobremaneira, este regresso à elite são Timo Horn e Jonas Hector, dois históricos do clube que, mesmo bastante pretendidos por clubes de patamar superior, permaneceram junto da equipa quando ela mais precisava, renovando os seus contratos. No caso de Jonas Hector, até é algo mais raro na medida em que o jogador era dono e senhor da lateral esquerda da seleção germânica e, tendo clubes de maior patamar interessados em si, optou por ficar em Colónia.

Ataque bem apetrechado, defesa a precisar de reparos

Destaquemos o ataque mortífero da equipa na passada temporada, que marcou 84 golos em 34 jogos, um registo muito bom num campeonato tão competitivo. Para tal, muito contribuíram Simon Terodde, que fez balançar as balizas adversárias por 29 vezes, e Jhon Córdoba, que marcou por 20 vezes. Portanto, até pelo entrosamento entre os atacantes, este não é um setor que precise de ser reforçado. Além destes dois, há ainda Anthony Modeste, que foi uma das figuras do Colónia em 16/17, fazendo 34 golos nessa temporada de destaque em que o clube ficou no quinto lugar da Bundesliga. Assim, o ataque esteve bem em 18/19, deverá aterrorizar as defesas contrárias em 19/20, tem é de conseguir saber adaptar-se às maiores dificuldades impostas na primeira liga.

Já a nível defensivo, a história é outra. Se é verdade que o Colónia foi campeão da 2.Bundesliga, tal não aconteceu sem as suas dificuldades, visto que a equipa sofreu 47 golos e perdeu por 9 vezes. É sabido que a segunda liga alemã é, possivelmente, um dos mais competitivos dos campeonatos secundários europeus, mas este histórico terá de fazer melhor neste campo se quer ter garantias de permanecer entre os grandes na próxima temporada.

Já referimos Hector e Horn, que certamente são elementos valiosos, mas, no caso de Horn, este nada pode fazer se não tiver quem lhe possa dar a mínima segurança à sua frente. Jorge Meré é um central de grande potencial que se está a fazer jogador, mas faria falta um central de classe, que dê maior presença e liderança defensiva e que intimide os avançados contrários.

Hector e Horn permaneceram em Colónia, acentuando os sentimentos dos mais românticos sobre a modalidade (Foto: VAVEL.com)

É certo que há Frederik Sorensen, Rafael Czichos e Lasse Sobiech, mas faria falta um central com as características descritas. No lado direito, a chegada de Kingsley Ehizibue, proveniente da Eredivisie (PEC Zwolle) pode ser visto como uma boa aquisição, sobretudo por se tratar de um jogador alto, polivalente e que é muito bom a atacar, vejamos se consegue consolidar as suas qualidades a nível defensivo.

A contratação mais esperada

Este mercado tem sido algo calmo para o Colónia, que pretende essencialmente manter o núcleo duro que teve uma época dura, num campeonato competitivo, para fazer um “reset” daquilo que foi 17/18 e chegar a 19/20 mais forte para a Bundesliga.

A equipa tem optado por fazer negócios de baixo risco, que complementem o seu plantel, mas Birger Verstraete chega para ser titular e impor a sua lei à frente da defesa. Jogador que tem um percurso interessante na liga belga, já passando por Club Brugge, Mouscron, Kortrijk e Gent, de onde agora provém, e de onde dá agora o salto para uma das principais ligas europeias. Já internacional belga, é um jogador que, quando em forma, preenche o meio campo a toda a sua largura. O detalhe a corrigir será, possivelmente, a necessidade de corrigir alguma indisciplina, pois vê alguns cartões desnecessários.

Birger Verstraete chega como o reforço mais aguardado para esta época, aquele que pode pegar de estaca na equipa. Vejamos se mantém a consistência e se desenvolve as suas características que o levam a ser uma carraça para os adversários dentro de campo (Foto: Transfermarkt)

Não sendo particularmente alto ou forte, faz-se valer da sua resistência e é agressivo na pressão, tendo ainda boa capacidade de realizar tackles, algo que pode ajudar o meio campo do Colónia na sua missão de sofrer menos golos. Por 3 milhões e meio de euros, poderá ser uma das revelações da equipa na próxima época e, aos 25 anos, está no auge das suas capacidades. Poderá ser um bom complemento a Marco Höger, jogador mais experiente e cerebral. Há ainda um outro elemento que esperemos que consiga provar aquilo que vale, que é Vincent Koziello, jogador francês que vai já com 23 anos e, depois da saída do Nice, não tem conseguido mostrar o porquê de já ter sido considerado uma das maiores esperanças da Ligue 1.

Em maio de 2020, como veremos a situação do Colónia? 

A previsão é de que o clube conseguirá manter-se na principal liga alemã, pois parece ter aprendido com os erros, tem uma equipa consolidada, que vem de uma época motivadora e que não tem perdido grandes figuras. Com o apoio dos seus apaixonados adeptos, poderá até fazer boa figura e lutar por mais que apenas a manutenção. Certamente que os outros promovidos (Paderborn e Union Berlin), teoricamente, terão mais dificuldades nesse objetivo, visto terem muito menor experiência nestas andanças e terem também um elenco consideravelmente inferior.

Quem sabe não consegue o Colónia uma época como a que fez o Fortuna Düsseldorf na passada temporada, em que surpreendeu, dificultou a vida aos grandes e fez um campeonato tranquilo.

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Pedro CouñagoJunho 30, 20197min0

Este verão será um bastante movimentado para os lados de Milão, com mudanças previstas tanto para AC Milan como para o Inter de Milão. Nenhuma das equipas está no auge daquilo que pode e deve fazer, com maior destaque para o AC Milan, que não fez melhor que o quinto lugar na passada temporada, que previsivelmente daria lugar à disputa da Liga Europa, participação essa que o clube pediu para não se realizar por forma a conseguir investir sem a sombra do Fair Play Financeiro a pairar. Já o Inter vai à Liga dos Campeões após conseguir o quarto lugar na última jornada do campeonato, mas assumidamente o clube pode fazer mais.

Falando em Inter, já temos conhecimento de quem será o novo técnico, de nome Antonio Conte, que já venceu 3 Scudettos com a Juventus, isto numa altura em que a Juventus se reconstruía depois do Calciocaos, sendo ainda vencedor da Premier League com o Chelsea, fora as taças conquistadas em ambos os clubes. Portanto, melhor opção, com um conhecimento da liga como poucos, era difícil.

O que será o Inter de Conte?

O Inter, desde logo, fez uma mudança profunda na ideologia que pretende ver para o seu futebol: saiu Luciano Spalletti e entrou Antonio Conte, técnico que não aceitará menos do que estar na luta por troféus e, para tal, será preciso um considerável reforço da equipa.

O Inter de Conte vai ser um que dá destaque ao jogo pelas alas, à profundidade e que apostará na segurança defensiva no centro, razão pela qual deverá chegar Diego Godín, central uruguaio que vem dar imediata qualidade e experiência ao centro da defesa do Inter e formar um trio imponente com Stefan de Vrij e Milan Škriniar. Neste ponto, o Inter, com Samir Handanovič na baliza, revelar-se-á difícil de bater.

O capitão do Uruguai sai do Atlético de Madrid passados nove anos e estará a um passo de se juntar a este novo Inter (Foto: Elcomercio)

Falta ainda conseguir um lateral de qualidade que possa fazer esquecer nomes como Danilo D’Ambrosio ou Dalbert, nomes que claramente não chegam para um Inter que se pretende afirmar. De preferência, seria preciso um lateral que faça os dois corredores, como faz D’Ambrosio, só que com mais qualidade, e Danilo estará perto de assinar pela equipa nerazurri. Esta seria mais uma contratação acertada e mais uma que viria dar um boost instantâneo à equipa.

No meio campo, há excesso de opções para poucas posições, não existindo, no entanto, um verdadeiro criativo que venha dar perfume ao jogo do Inter, devendo essa ser uma das lacunas identificadas pelo novo técnico. Para o meio campo defensivo, há Marcelo Brozović, há Matias Vecino e há Roberto Gagliardini, jogadores de boa estampa física, com boa capacidade de destruir jogo e de passe. Para maior aproximação à área, há Radja Nainggolan, jogador belga que pode ser explosivo e um autêntico trator dentro de campo, mas que não tem estado a um nível excelente. Tem sido algo intermitente e será interessante perceber se pode chegar àquilo que já lhe conhecemos de Roma.

Há ainda jogadores para um vértice mais ofensivo, como Borja Valero e João Mário, que parecem ser excedentes. Borja Valero dá experiência e toque de bola, mas é um elemento que já não está na total posse das suas faculdades físicas, já não é também alguém capaz de desequilibrar defesas contrárias com os seus passes. Já João Mário precisa claramente de mudar de ares, pois não vai ter tempo de jogo, está a perder o comboio da seleção e não tem tido a intensidade que se pretende para um campeonato cada vez mais competitivo e para uma equipa que se pretende de topo. Portanto, deverá chegar um médio que tenha as características descritas, que venha dar o tal perfume refinado ao futebol dos nerazurri. 

No ataque, será depois interessante perceber se existirá a aposta em dois avançados ou apenas um, sendo que se for apenas um, com uma formação em 3-4-3, será preciso ir contratar um extremo de renome, que proporcione mais um boost de qualidade, de números em golos e assistências e que possa oferecer alguma explosão/capacidade no um contra um. Há qualidade em elementos como Matteo Politano e Ivan Perišić, sendo o primeiro uma das boas surpresas da última temporada e o segundo um consagrado que teve uma temporada de menor fulgor em 18/19 e que poderá estar na porta de saída do Giuseppe Meazza, mas é insuficiente face a uma longa temporada. Antonio Candreva não pode ser mais do que uma alternativa nesta fase da sua carreira e Keita Baldé não resultou.

Se a formação utilizada for o 3-5-2, é preciso ter em conta que será preciso, o mais rápido possível, resolver a situação de Mauro Icardi. Não tem sido fácil a relação entre jogador, clube e, mais importante, a agente (também a mulher) do jogador. Este problema afeta não só o rendimento desportivo do atleta, como ainda a capacidade do Inter poder ir ao mercado em busca de outras opções (Icardi é o ativo mais valioso do clube) e o ambiente do balneário, visto que o argentino é uma das referências do clube nos últimos seis anos. É preciso resolver, de vez, este problema, sendo que, com Conte, até pode existir forma de reativar a paixão do avançado em jogar pelo clube.

Mauro Icardi tem estado em destaque mais por maus motivos, estando o futuro do avançado num “vai/não vai” que não é benéfico para nenhuma das partes (Foto: Sky Sports)

Se Icardi estiver mesmo de saída, Lautaro Martínez estará à espreita, ele que foi uma espécie de arma secreta esta temporada, mas será preciso a contratação de um avançado, com Romelu Lukaku a ser referenciado como o principal alvo e a ser uma excelente opção caso se concretize, na medida em que tem provas mais do que dadas num dos melhores campeonatos do mundo, é um monstro em termos físicos e complementa muito bem com outro elemento mais tecnicista. É um avançado, sem dúvida, à medida do futebol de Conte.

As lacunas existem e estão bem identificadas. Este será um verão de aposta real em chegar mais perto de Nápoles e Juventus, por forma a mostrar o real valor do Inter em Itália, uma equipa que deve sempre lutar por títulos. Depois, o Inter é uma equipa histórica que deve fazer melhor figura nas competições europeias. Nas últimas participações, entre Liga Europa e Liga dos Campeões, têm sido mais as vezes que a equipa fica pelo caminho do que as que avança para as fases mais adiantadas. Este será outro campo no qual Conte poderá dar aquele conhecimento que é tão preciso nestas principais competições, sendo que Conte tem mais alegrias ao mais alto nível do que Spalletti alguma vez teve. 

19/20 é uma temporada decisiva para a possível reafirmação do Inter como uma das principais potências italianas. Agora vejamos o que o Inter consegue fazer com alguém que os adeptos não podem afirmar como incapaz para estar na frente do leme de um clube exigente como o Internazionale Milano.

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Pedro CouñagoJunho 3, 201912min0

Terminou mais uma época no futebol transalpino, e foi uma pródiga em surpresas, tanto do lado positivo como do lado menos apetecível. Vejamos os principais destaques da Série A 18/19.

Fantástico ano da Atalanta

Não há palavras para o trabalho que Gian Piero Gasperini está a fazer na equipa de Bérgamo. Este é o culminar de várias temporadas a progredir, com um projeto sustentado, assente numa tática que gosta de promover a melhor qualidade dos seus jogadores e que levou, nesta época, a que a equipa fosse o melhor ataque da Série A!

É um feito verdadeiramente notável conseguir o terceiro lugar do campeonato, acima de equipas como Inter, Milan, AS Roma e Lazio. Não vale a pena dizer muito mais do que esta ter sido a melhor época de sempre do clube e que Gasperini merecia uma estátua à porta do seu estádio.

O técnico potenciou um Duván Zapata verdadeiramente letal, que fez 23 golos na Série A, praticamente um terço dos golos da equipa, em conjunto com outros jogadores tecnicistas e desequilibradores como Alejandro Gómez e Josip Ilicic (o primeiro até esteve perto de sair em janeiro). O baixinho Gómez fez 7 golos e protagonizou 12 assistências, enquanto o alto esloveno fez o inverso (12 golos e 7 assistências). Uma complementaridade e amplitude de movimentos que deixou as defesas adversárias verdadeiramente destroçadas, e, no caso de Ilicic, é impensável a forma como a Fiorentina o dispensou há dois anos, já o dando como acabado para os grandes palcos, e certamente que agora se arrepende.

Há várias temporadas que Alejandro “Papu” Gómez tem vindo a ser o principal destaque da Atalanta, mas esta época foi muito bem secundado o baixinho argentino (Foto: TheBL)

Outros destaques terão de ir para Marten de Roon e Remo Freuler, dupla de meio campo que não só destrói e pressiona como constrói muito bem e ainda para os laterais Timothy Castagne e Hans Hateboer, que subiram e muito o seu nível face a 17/18 e deram uma profundidade à equipa que estava a faltar em anos anteriores.

Será muito interessante acompanhar o que a Atalanta poderá fazer na Liga dos Campeões, sendo desde já uma experiência inesquecível para os adeptos que enchem o Estádio Atleti Azzurri d’Italia, que, pela primeira vez, ouvirá o hino mais famoso do futebol mundial. 

Fabio Quagliarella e Krzysztof Piatek, duas boas surpresas

Esta foi mesmo a liga dos avançados e da demonstração das suas veias goleadoras. Já falámos de Duván Zapata, mas e que tal falar do veterano Quagliarella e da explosão do jovem polaco Piatek? São impressionantes os números que um e outro alcançaram, um já nos seus 36 anos de idade e outro que fez a sua primeira época num campeonato de alto nível.

Quagliarella é já um senhor, não precisando de correr muito tem um posicionamento tremendo que o leva a estar sempre mais perto do golo. Já Piatek joga muito bem em transição, tem passada larga e muita frieza na hora de finalizar.

O italiano fez 26 golos, foi o melhor marcador do campeonato e fez, possivelmente, a sua melhor temporada da carreira, surpreendendo tudo e todos com o seu registo e fazendo até alguns golos memoráveis pelo meio. Além disto juntou ainda 8 assistências, combinando muito bem com Gregoire Defrel, principalmente. Já tinha feito 12 em 16/17 e 19 em 17/18, sendo esta passagem pela Sampdoria uma que o revitalizou e lhe está a oferecer o melhor período a todos os níveis. Fazer 57 golos em três temporadas no campeonato italiano é obra, uma média de 19 em cada um deles, e veremos quantos anos ainda tem ao mais alto nível. Mais um ou dois bons anos poderemos esperar do veterano italiano.

Já Piatek começou a temporada a todo o gás no Génova, onde chegou este verão e começou a época com 9 golos marcados entre a 2ª e a 8ª jornada, marcando em todos os jogos. Até janeiro, marcou mais 4 golos, com o AC Milan a não perder tempo e a garantir desde logo a sua contratação. Até ao fim da temporada, o ponta de lança fez mais 9 golos em 18 jogos, um registo muito bom para um avançado que apenas esta temporada se deu a conhecer ao mundo do futebol ao mais alto nível. Higuain foi um flop e, desde logo, Piatek pegou de estaca na equipa.

O polaco terminou com o registo de 22 golos, sendo este bem promissor para os próximos anos que aí vêm. Se continuar a marcar golos em catadupa na próxima temporada, talvez o Milan esteja mais perto de voltar à Champions.

De total desconhecido para prodígio em apenas uma época. 22 golos, escala em Génova e estação terminal em Milão. Que podemos esperar para 19/20? (Foto: International Champions Cup)

Época de despedidas para a AS Roma

Esta foi uma época complicada para os romanos, com muitos altos e baixos e que, na verdade, terminou em desilusão, pois a equipa estará fora da Liga dos Campeões na próxima temporada.

Recordemos que há cerca de um ano esteve a equipa a disputar as meias da Champions perante o Liverpool e que, nesta temporada, disputou a passagem aos quartos com o FC Porto, desiludindo e sendo essa a gota de água para a saída de Eusebio di Francesco do comando técnico do clube.

Claudio Ranieri ainda conseguiu estabilizar um pouco o barco e tornar a equipa mais sólida, sobretudo a nível defensivo, mas não foi suficiente. O último jogo perante o Parma, que terminou com vitória romana por 2-1, terminou portanto com sabor agridoce.

Ainda assim, sobraram momentos bonitos de se ver no futebol. Este foi o último jogo de Daniele De Rossi como jogador da AS Roma, sendo imensas as homenagens protagonizadas a um verdadeiro guerreiro da loba. Também Ranieri, um homem da casa, fez o seu último jogo no comando técnico da equipa.

Será necessário sangue novo e a próxima época poderá ser uma de recomeço depois do investimento feito na última temporada. Vejamos até que ponto o clube consegue segurar nomes como Kostas Manolas, Cengiz Ünder e Lorenzo Pellegrini para conseguir voltar à melhor competição de clubes no mundo, tudo isto com Alessandro Florenzi a ser o novo líder romano e a querer certamente chegar aos números que Daniele de Rossi chegou.

Mais um domínio avassalador da Juventus, resta perceber quem é o timoneiro no próximo ano

Esta foi mais uma temporada sem história no que toca à disputa pelo título. A Juventus ganhou o campeonato ainda com várias jornadas por disputar e selou assim o heptacampeonato. Desde 2012 que é sempre a vencer para o conjunto bianconeri, com maior ou menos dificuldade, e tal não parece estar para terminar nos próximos tempos, tal é a diferença da Juve para os restantes conjuntos.

No entanto, não se pode afirmar que tenha sido uma época particularmente positiva para o conjunto de Turim. Verdade que venceram mais um troféu (Supertaça, ao AC Milan), mas foram eliminados nos quartos de final tanto da Taça de Itália (pela Atalanta) como da Champions (Ajax). A contratação muito badalada de Cristiano Ronaldo tinha como missão imediata o troféu mais importante de clubes na Europa, e a eliminação aos pés de uma equipa jovem como o Ajax deixou marcas. Depois desse jogo, apenas venceu por uma vez nos últimos seis jogos da temporada e, ainda que tenha rodado a equipa e jogado sem a pressão de ganhar, notou-se apatia decorrente da surpresa que havia acontecido na Liga dos Campeões.

A conquista da Série A e da Supertaça de Itália, com golo seu, fazem desta uma época normal, mas não ao nível que se esperava em termos de títulos para CR7 (Foto: GettyImages)

Massimiliano Allegri está de saída do comando técnico do clube e entrará um novo técnico. Poderemos certamente esperar mudanças profundas no plantel, com a falada saída de jogadores como Pjanic, Cuadrado ou a reforma de Barzagli. Resta esperar para ver quem chegará ao clube além do já confirmado Aaron Ramsey. A Juventus é, desde já, totalmente favorita para a vitória na próxima edição da Série A, resta ver o que mais fará com as armas à sua disposição.

Bolonha e Udinese acabam bem, Génova e Fiorentina com o credo na boca

Foi uma época bastante complicada para muitos dos históricos da Série A, mas alguns conseguiram reerguer-se na ponta final do campeonato e deixar boa impressão para o ano que aí vem.

O Bolonha esteve praticamente metade do campeonato nos lugares de descida, arrastando-se sem conseguir implementar o seu futebol até que chegou Siniša Mihajlović, o técnico sérvio que até esteve para treinar em Portugal mas nem o chegou a fazer, rescindindo meros dias depois de assinar pelo Sporting. A equipa conquistou 30 pontos em 17 jogos desde a chegada do sérvio, fazendo assim uma segunda volta espetacular que a levou ao décimo lugar final, apostando sobretudo num futebol de ataque e melhorando os erros individuais defensivos da primeira volta.

Também a Udinese conseguiu acabar melhor o ano do que se previa, não ficando a lutar até à última jornada pela manutenção. Muito o pode agradecer a Rodrigo de Paul, um dos principais destaques das equipas menos poderosas da Série A esta temporada, que participou em 17 dos 39 golos marcados pela equipa (9 golos e 8 assistências). Se não permanecer em Udine este verão, tem de ser rapidamente encontrado um substituto à altura do tecnicista argentino.

Já a época da Fiorentina foi verdadeiramente um desastre e, quando há pouco tempo escrevemos sobre a Fiore, a equipa estava meio caminho entre o Top 8 da liga e a zona de descida, sem muito a ganhar nem muito a perder, isto por volta do passar das 30 rondas da Série A. A verdade é que acabou apenas a 3 pontos dos lugares de descida e a 18 do referido Top 8, foi uma segunda volta verdadeiramente inacreditável para a equipa viola, que termina a Série A numa série histórica de 14 jogos sem vencer. São números calamitosos e, na próxima temporada, há muito a fazer para recuperar o estatuto e, essencialmente, o orgulho dos adeptos. A grande questão passa é pelas possíveis saídas de Federico Chiesa e Jordan Veretout, que seriam duas perdas enormes para a equipa viola, dois dos principais motores de uma equipa que está em desespero por contratações de qualidade. Vincenzo Montella pode dar a volta à questão na próxima temporada e tem a obrigação de fazer melhor, veremos é se o consegue.

Chiesa é um dos que deve abandonar o barco de Florença para voos mais altos, ele que já merece jogar a um nível mais exigente, ainda para mais depois da derrocada de 18/19 para a Fiorentina (Foto: sportsmole.co.uk)

Já o Génova sofreu claramente do síndrome pós-Piatek e foi por mesmo muito pouco que não desceu de divisão, tudo graças a um Empoli muito aguerrido que renasceu nas últimas jornadas mas não conseguiu garantir a manutenção em casa do Inter na última jornada. Em dezembro os sinais começaram a surgir após a eliminação da Taça de Itália perante o Virtus Entella, da terceira divisão. Depois saiu o seu abono de golos e a equipa nunca mais foi a mesma, sendo capaz do melhor (vitória por 2-0 à Juventus) e do pior, terminando com uma série de 10 jogos sem ganhar e apenas 14 golos marcados para o campeonato depois da saída do atacante, que tinha marcado 13 sozinho na primeira volta. Acabou por, ainda assim, ser uma pequena consolação para os adeptos apaixonados da equipa de Miguel Veloso, Iuri Medeiros e Pedro Pereira, que sofreram com a tragédia da queda da Ponte Morandi e a sua equipa tentou jogar para os orgulhar.

Uma descida anunciada do Chievo, veremos o futuro deste histórico

O Chievo estava condenado logo desde o início do campeonato e, simplesmente, este foi um ano que não teve história para a equipa Gialloblu. Talvez seja pelo melhor esta descida de divisão, que permite ao clube reorganizar-se e repensar a estratégia para o seu futuro. Desde problemas económicos a problemas na justiça italiana, a vida não estava fácil e terminou com a conquista de apenas 20 pontos nesta temporada (na verdade 17 pois a equipa iniciou 18/19 com -3 pontos). 25 golos marcados e 75 sofridos não deixam margem para dúvidas e esperemos que, depois de 11 anos consecutivos na Série A, o Chievo possa rapidamente voltar ao lugar que merece, não caindo no esquecimento.

Ficam aqui os principais destaques desta época, em próximos artigos exploraremos aquilo que será a próxima, já com movimentações interessantes principalmente em Milão.

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Pedro CouñagoMaio 13, 20199min0

Normalmente quando as equipas sobem de divisão na Alemanha, não é particularmente fácil a adaptação à Bundesliga e ter logo resultados positivos à partida, isto tirando alguns exemplos como o do RB Leipzig, por motivos sobejamente conhecidos. Neste caso, o Fortuna Düsseldorf é uma equipa que tem passado mais anos nas divisões secundárias que na Bundesliga neste século, tendo esta temporada regressado ao convívio dos grandes, e a verdade é que conseguiu fazer uma época bem tranquila, sem sobressaltos e conseguindo alguns resultados bastante animadores para o futuro.

Deixamos aqui os nossos destaques.

Dupla de extremos prolífica

Dois dos elementos mais avançados da equipa, Dodi Lukebakio e Benito Raman, levam 10 golos cada, com os reais pontas de lança da equipa a levarem mais 10 todos juntos. O congolês e o belga complementam-se bem, um mais corpulento e outro mais franzino, um mais fixo e outro mais multidimensional, com maior amplitude de movimentos.

Para uma equipa da dimensão do Düsseldorf, 20 golos dos 44 foram marcados por estes dois jogadores, um impacto de quase 50% para uma equipa que não é tremendamente concretizadora. Assim se vê a importância absoluta de ambos. A partirem da ala para o meio, desconcertando as defensivas adversárias, parece que encontraram uma mina de ouro que foi muito bem explorada.

Raman acaba por ser mais versátil porque, além de conseguir jogar nas alas e no eixo atacante, tem um sprint acima da média e é muito perigoso no contra-ataque, modo preferido de atuar do Fortuna. Já tendo sido o destaque do clube na temporada passada, estando ainda emprestado, Raman foi contratado a título definitivo e as comparações a Timo Werner, com as devidas diferenças, têm sido bastantes. Tem-se falado numa mudança para Inglaterra, com clubes como o Burnley, Southampton, Everton e até o Arsenal à espreita. Vejamos como decorre este verão.

Raman tem estado em destaque, estando envolvido em praticamente um terço dos golos do Fortuna no campeonato (Foto: firstorderhistorians.com)

Kaan Ayhan é o líder da defesa, fazendo uso da sua escola de Bundesliga

O turco era uma grande promessa na altura em que saiu da formação do Schalke 04, sendo visto como um possível substituto do eterno Naldo a longo prazo. Para lhe dar ritmo, o jogador foi até emprestado ao Eintracht Frankfurt, mas sem sucesso, e em 2016 saía a preço de saldo para o Fortuna Düsseldorf. Desde aí, tem sido dono e senhor do lugar no centro da defesa, sendo também um dos titulares no centro da defesa da sua seleção.

Pode fazer várias posições na zona defensiva da equipa, é bastante ágil e de boa capacidade física, ainda que por vezes impetuoso, como mostram as suas três expulsões em 17/18. Ainda assim, o seu registo melhorou esta época, sem nenhuma expulsão, mas com nove amarelos, não tendo o medo de recorrer a faltas táticas/inteligentes que, por vezes, são feitas com a intenção de melhorar as chances de uma equipa ganhar um jogo.

Além dos atributos físicos, tem boa capacidade de passe para sair a jogar e é um central goleador, tendo já quatro golos marcados na Bundesliga esta temporada, graças ao seu bom jogo de cabeça e a um forte remate. O turco é um jogador à medida deste Düsseldorf, e veremos se continua por este histórico alemão para o guiar a mais uma temporada segura.

A mescla de trabalho e qualidade no meio campo

No centro do campo, é essencialmente a capacidade de trabalho que é valorizada, conjuntamente com capacidade de leitura de jogo. É isso que trazem Adam Bodzek e Oliver Fink, com muitos anos de futebol nas pernas, este último capitão de equipa. Marcel Sobottka era talvez o principal destaque deste meio campo mas lesionou-se gravemente, dando lugar a um Bodzek que cumpriu com o que lhe era pedido.

Depois, as adições de Kevin Stöger e Alfredo Morales trouxeram uma qualidade com bola e de marcar o ritmo de jogo que a equipa precisava para disputar um campeonato como a Bundesliga, que não pode ser apenas à base de capacidade física, sendo também precisa qualidade de jogo.

É só através de uma equipa ligada em todos os setores do campo que é possível ter sucesso e a verdade é que o meio campo faz bem a ligação entre os dois extremos do campo, deixando depois a quem está mais à frente e livre nas desmarcações/diagonais para decidir.

Friedhelm Funkel coloca a equipa onde merece

Tem sido notória a subida de nível da Bundesliga, com equipas mais competitivas e equilibradas entre si, existindo mais dificuldades para garantirem os seus objetivos. Fica, assim, bem patente o enorme trabalho que Funkel está a fazer ao serviço do Düsseldorf.

Há já três anos no comando técnico, Friedhelm Funkel chegou ao clube numa altura em que o mesmo lutava para não descer à terceira divisão mais uma vez, conseguindo esse objetivo em 2015/2016 e fazendo um campeonato mais tranquilo em 16/17, estabilizando assim um barco que estava a passar por demasiadas tormentas. O que se seguiu foi uma caminhada imparável para a conquista da 2.Bundesliga, algo absolutamente improvável face a equipas como o Nuremberga, o Bochum, Ingolstadt ou Darmstadt, entre outras.

Façamos um ponto de comparação com o Eintracht Braunchweig, por exemplo, que terminou 16/17 na terceira posição da 2.Bundesliga, não subindo à principal divisão após derrota no playoff. Essa mesma equipa desceu à terceira divisão em 17/18, um trajeto quase oposto ao do Fortuna, revelando-se aqui a imprevisibilidade de uma segunda divisão onde se joga bom futebol.

Graças à experiência de Funkel, que está a conseguir possivelmente os seus melhores resultados da carreira de treinador aos 65 anos, o Fortuna vai de vento em popa, com os jogadores a adquirirem excelentes níveis de confiança. Variando entre um 4-4-2 com duplo pivot, que, na verdade, é mais um 4-2-4, e um 4-1-4-1 que resguarda mais a equipa em jogos de alto risco, os jogadores adaptam-se bem ao estilo que o treinador pede e dão resultados, notando-se também a vontade de dar o seu melhor a uma massa associativa apaixonada.

Friedhelm Funkel é uma figura bastante querida da massa adepta do Fortuna, veja-se como foi festejado o título do ano passado na 2.Bundesliga (Foto: Tagesspiegel)

Mérito para o treinador alemão que ficará responsável por conseguir continuar a levar este projeto avante e, quem sabe, depois sair rumo ao paraíso da reforma.

Primeira vez em 20 anos que o Fortuna fica dois anos consecutivos na Bundesliga

A vida não tem sido fácil para a equipa de uma das principais cidades alemãs, já tendo estado na quarta divisão e, agora, desfrutando dos frutos de uma época bem conseguida, conseguirá disputar uma temporada com maiores recursos e maior segurança, até maiores expectativas de, pelo menos, repetir a classificação tranquila desta edição do campeonato alemão.

Em 12/13, o Fortuna não resistiu à pressão de voltar à principal liga, ficando no penúltimo lugar. Esta época, consegue melhorar (e de que maneira) o seu registo, não tendo dificuldades nem sobressaltos para garantir a manutenção mesmo depois de um início mau de campeonato. Tal como o Fair Play analisou em tempo oportuno, Nuremberga e Hannover não iam ter grandes chances de sobreviver face às adversidades e estão já confirmados na 2.Bundesliga, falta ver o que irá fazer o Estugarda no playoff, outro histórico alemão.

Uma coisa é certa: 19/20 já é uma espécie de época bónus para o Fortuna. Vejamos se consegue manter as principais pérolas e se consegue consolidar-se na Bundesliga, algo que seria verdadeiramente fantástico face a um clube que há 15 anos tinha dificuldades financeiras para se inscrever na terceira divisão.

Equipa de altos e baixos que consegue sempre voltar às vitórias

A equipa tem uma capacidade de luta acima do normal. Afinal de contas, foram já nove os jogos que a equipa perdeu, sofrendo três ou mais golos, conseguindo, ainda assim, ter a confiança de voltar aos resultados pretendidos nos jogos seguintes. Destaque-se, por outro lado, o empate que a equipa conseguiu fora de casa frente ao todo poderoso Bayern (3-3), talvez um dos seus melhores resultados da história recente.

Esta foi uma equipa que, ao fim de 10 jornadas, tinha apenas 5 pontos conquistados, registando uma série de 6 derrotas consecutivas, perdendo 3 dos jogos por 3-0 e um deles por 7-1. Nas restantes 23 jornadas, conquistou 36 pontos, resultado de 11 vitórias, ganhando assim praticamente metade dos jogos desde a décima jornada. Registo absolutamente notável, tornando uma equipa que se pensava condenada ao retorno à 2.Bundesliga em uma bastante competitiva e capaz de dar alegrias aos adeptos.

Entre a décima quinta e a vigésima quarta jornada, foi o grande período do conjunto de Düsseldorf, com 7 vitórias em 10 jogos, incluindo uma série de 4 vitórias consecutivas, incluindo uma frente ao Borussia Dortmund. Outro grande resultado foi a goleada por 4-0 fora de casa frente a um Schalke 04 aterrador (a principal desilusão desta Bundesliga).

Um dos jogos mais marcantes da época e que apenas mostram o que o Fortuna conseguiu fazer esta temporada (Foto: Schalke 04)

A temporada que termina no próximo domingo para os comandados de Finkel foi uma que deixa os seus adeptos orgulhosos. Já havíamos destacado esta como uma das principais equipas em destaque na época de 18/19 na Bundesliga, mas é de salientar e explorar o êxito alcançado por uma equipa com o orçamento mais baixo do campeonato e a quem se apontaria como favoritos à descida de divisão.

Que lhes reserva 19/20? Com muitos jogadores com contratos a curto prazo, mas maior capacidade de investimento, teremos um Fortuna forte na próxima época?

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Pedro CouñagoAbril 15, 20194min0

Na passada quinta feira, tivemos um duelo bem interessante no Estádio da Luz, que terminou com uma vitória importante do Benfica por 4-2. Importante, mas com certeza não decisiva, pois deixa todas as hipóteses ao Eintracht Frankfurt de conseguir ainda ter a esperança de discutir a eliminatória depois de um jogo em que os encarnados poderiam ter deixado a questão praticamente resolvida.

Foi um jogo entretido, com golos, e em que se percebeu que o Eintracht disputa sempre os jogos da mesma forma independentemente das atenuantes existentes, como por exemplo a expulsão. Percebemos que é uma equipa bastante vertical, que joga olhos nos olhos e que não abdica de uma postura de procura pelo golo. Sendo assim, o que podemos esperar dos alemães na segunda mão?

Equipa a entrar bastante forte na partida

Para o Frankfurt poder ter esperança frente ao Benfica, certamente irá começar a partida pressionante, bem como demonstrou em Lisboa. Seria importante aos encarnados controlar desde logo o ímpeto inicial que a equipa de Frankfurt terá, visto que os alemães procurarão um golo cedo na partida que lhes trará a confiança necessária para o que restar do jogo e colocará o Benfica numa posição mais receosa.

O jogo da Luz revelou duas equipas em busca da vitória, não menos do que aquilo que teremos na Commerzbank-Arena (Foto: Sportingpedia)

Sendo o jogo na Alemanha, como o apoio dos fervorosos adeptos do Eintracht, que, de resto, se fizeram sentir também em Lisboa, a pressão de um golo inicial poderá afetar o Benfica e levar os jogadores de Lage a cometer erros. Será também interessante acompanhar quais os atletas que o treinador português coloca em campo, num sentido de perceber se continua a rotação de equipa, promovida na primeira mão, ou se, por segurança, coloca a sua equipa mais rodada.

Exploração das costas da defesa e das alas

O Eintracht atua num 3-4-3 bastante ofensivo, com dois jogadores que apostam na profundidade nas alas e três atacantes que funcionam muito bem em conjunto. Na primeira mão, a equipa alemã causou alguns dissabores ao Benfica jogando desta forma, marcando um golo e tendo mais algumas ocasiões que foram desperdiçadas. É certo que o Eintracht irá assumir uma postura um pouco diferente, mais controladora da bola, mas podemos esperar uma aposta em colocar a bola em Danny da Costa e, principalmente, Filip Kostić, que podem causar bastantes desiquilíbrios junto dos laterais benfiquistas.

Depois, os três atacantes são bastante fortes a aguentar a posse de bola. O português Gonçalo Paciência parece começar a engrenar nas dinâmicas da equipa, tendo também marcado na Luz e no passado jogo para o campeonato. Luka Jović e Ante Rebić estão já estudados e é sabida a sua enorme qualidade na definição e leitura de jogo. Assim, a defesa benfiquista terá de se cuidar caso não queira ter dissabores.

Frankfurt quer vingar os últimos dois desaires e estará certamente motivado

Antes da visita a Lisboa, o Eintracht estava numa senda de quinze jogos sem perder, estando bem por dentro da luta por um lugar de Champions. Esta está a ser uma época muito boa para o clube alemão, um pouco na senda daquilo que vêm sendo os últimos anos.

A derrota com o Benfica veio quebrar essa senda, ainda que a equipa tenha deixado boa imagem no Estádio da Luz. No entanto, a derrota frente ao Augsburgo no domingo é uma que não era particularmente esperada pelos seus adeptos, até porque a equipa começou a ganhar o jogo, além de ter sido no seu reduto. É, assim, a segunda derrota consecutiva do Eintracht, algo que poderá causar alguma desconfiança na equipa.

O último jogo do Eintracht traduziu-se numa derrota comprometedora para as aspirações do clube na Bundesliga, jogo marcado por mais uma expulsão (Foto: SGE)

Por outro lado, levar a equipa a estar ainda mais motivada para suceder frente ao Benfica, visto que nunca havia chegado tão longe nesta competição europeia (entenda-se Liga Europa) e que está à beira de um desempenho europeu histórico.

Em suma, a eliminatória está a favor do Benfica, mas longe de acabada. O Eintracht Frankfurt tem muita qualidade nos diferentes setores, principalmente no setor atacante, algo que poderá causar problemas ao reduto mais defensivo dos encarnados, mas o seu balanço atacante poderá dar espaços ao Benfica para marcar e, aí sim, deixar a eliminatória bem encaminhada.

Teremos, assim, um jogo bastante interessante na quinta feira, um jogo de parada e resposta de duas equipas que estão a fazer épocas positivas e que querem acrescentar um troféu europeu que lhes escapa há várias décadas.

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Pedro CouñagoMarço 30, 20193min0

Já é sabido pelos adeptos mais atentos que Moise Kean é um jovem de muito talento que poderá dar numa estrela do futebol italiano e europeu. Os adeptos portugueses até se poderão lembrar da promessa depois do jogo que fez no Europeu sub-19 do passado ano, em que fez dois golos contra a seleção portuguesa e baralhou toda a defesa nacional.

Esta temporada tem dado a oportunidade de Kean fazer alguns jogos no ataque da Juventus e de se estrear no escalão principal de seleções, resultado do crescimento que o jovem tem vindo a fazer. Nas oportunidades que o jovem tem tido, não tem propriamente desiludido, correspondendo com golos e momentos de encher o olho. Oito jogos, cerca de 200 minutos em tempo de jogo pela Juventus e quatro golos. Registo bastante apreciável para um jogador que já nasceu neste milénio.

Não são todos os jogadores que têm a oportunidade de ser internacionais pela seleção principal aos 19 anos de idade, ainda por cima numa seleção conceituada como a italiana. É o reflexo dos tempos, uma era em que a seleção transalpina está à procura de uma renovação que a leve aos grandes palcos e às grandes decisões, algo que não tem acontecido nos últimos tempos.

As últimas semanas têm sido de glória para o jovem prodígio, sendo já aposta séria na Squadra Azzurra (Foto: Sapo Desporto)

Kean está no meio de consagrados

A verdade é que Moise Kean consegue, neste momento, ter talvez o melhor mentor possível para a sua posição nesta altura: Cristiano Ronaldo. Moise Kean é um atacante com boa capacidade física e alguma velocidade, tendo capacidade de remate fácil, algo que o torna muito perigoso para as defesas contrárias. Ronaldo pode mostrar a Kean o que melhor pode fazer com as suas faculdades, que o podem tornar num jogador a ter em atenção para a próxima década.

Será interessante perceber até que ponto a Juventus lhe dará o tempo de jogo que necessita para o seu crescimento. Estando o campeonato no bolso, podemos esperar alguma rotatividade, que permitirá ao jovem somar mais minutos, que bem precisa. Ronaldo precisa de ser gerido com pinças e Mandzukic também já não vai para novo, pelo que as perspetivas, para já, parecem boas para Kean.

Que seja uma relação para durar e que a aposta seja séria

No entanto, para o futuro, o jovem poderá não se contentar com o banco de suplentes, e será um erro tremendo por parte da Juventus se pensar em vendê-lo, como já fez com jovens como Kingsley Coman. O tradicional empréstimo também já foi solução e, neste momento, já não parece viável, pelo que o que se pretende é que a Juve ponha mesmo as fichas em Kean, que merece por aquilo que tem mostrado.

Por enquanto, o atacante está a mostrar que merece que confiem nele. Mais que isso, Kean traz à Juve imprevisibilidade e irreverência, traz diferentes soluções a um ataque com jogadores consagrados. É aquela injeção de juventude num plantel com muita experiência e uma constante necessidade de ganhar, com esta mentalidade a poder beneficiar muito o avançado no seu crescimento.

Esperemos que a Juventus aproveite da melhor forma a pérola que tem em casa por lapidar. Seria fantástico para o clube, para o jogador, para a seleção e para o futebol em geral, pois o jogador está num dos melhores clubes do mundo e é craque. 


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