Pedro Couñago, Author at Fair Play

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Pedro CouñagoFevereiro 15, 20198min0

A Udinese tem sido dos clubes italianos que têm permanecido algo “debaixo dos radares”, mantendo-se na Série A há 24 anos consecutivos, mas a verdade é que o perigo de tal acabar num futuro a curto-médio prazo é real, e não é pelos sinais de alerta já não terem sido dados.

Desde 2013 que a equipa não faz melhor que o décimo terceiro lugar, e isto depois de duas épocas (2011/2012 e 2012/2013) em que a equipa fez um terceiro e um quinto lugar na Série A italiana. O clube de Udine, na primeira década do século, foi um dos mais regulares no campeonato, talvez sinónimo dos melhores anos de Antonio Di Natale, eterno capitão do clube, melhor marcador e jogador com mais jogos. No entanto, nos últimos 6 anos, a situação tem vindo a piorar de época para época.

A quantidade alucinante de trocas de treinadores nos últimos anos

Dentro do campo, os resultados não são consistentes, e talvez a principal razão seja, cada vez mais, a impaciência da direção face aos treinadores. Só nos últimos 3 anos e meio, Davide Nicola, o atual técnico da Udinese, é o 9º (!!) treinador da Udinese, sendo este um registo impensável para uma equipa que pretende recuperar o estatuto que já teve e que pretende consolidar-se como um valor seguro da Série A.

É completamente impossível a qualquer técnico conseguir conseguir potenciar totalmente os seus jogadores e os seus processos quando a média de tempo no banco de suplentes tem sido de 4/5 meses. Não há equipa que resista a trocas assim, e este é um problema bem real que se tem agravado pois os jogadores sentem falta de confiança nas suas capacidades de “segurar” qualquer que seja o treinador que esteja a comandá-los. A pressão que os técnicos têm ao comandar a equipa é muito maior e os resultados acabam por não aparecer.

Davide Nicola é mais um treinador em dificuldades numa longa lista que se vai avolumando nos últimos anos, vejamos se está seguro até ao fim de época (Fonte: La Repubblica)

Quase que se pode dizer que a Udinese acabou por virar um autêntico cemitério de treinadores, e quem sabe estes despedimentos consecutivos não levarão a um definitivo afundar do clube, visto que não existe uma identidade forte imposta por um líder na equipa.

Proprietário despreocupado, dizem os adeptos

O clube é propriedade de Giampaolo Pozzo, conhecido homem de negócios italiano, que é também o proprietário do Watford, clube da Premier League. Como tal, até têm sido bastantes os intercâmbios de jogadores entre os dois clubes, mas tal não é suficiente face ao plantel desequilibrado que a equipa vem apresentando nas últimas temporadas

Têm sido bastante recorrentes os relatos de um dono despreocupado com a situação do clube, relatos esses dados por adeptos do clube de Udine. Do lado destes adeptos, tem-se a perceção de que Pozzo está com mais atenção ao Watford e não à Udinese, muito por culpa da maior rentabilidade do clube inglês e pela maior sustentabilidade do projeto.

Já alguns diretores vieram desmentir esta visão dos adeptos, ao dizer que Pozzo tem toda uma equipa ao seu dispor para guiar os destinos da Udinese a bom porto, mas a divisão dentro das diferentes fações do clube, tanto a nível externo como interno, é bem real, e se o clube aspira a ter um futuro promissor, tem de conseguir mitigar estes problemas que acabam por afetar o clube depois nas competições em que se insere.

Plantel até tem algumas soluções, mas que têm estado aquém do exigível, tirando De Paul

O plantel não serve para mais do que lutar por um lugar a meio da tabela na Série A, algo que seria sempre o mínimo imposto à Udinese face ao seu histórico e face ao que representa em Itália, mas a verdade é que começam a faltar palavras para os fracos desempenhos da equipa e para a sua incapacidade de dar a volta ao texto, acontecendo isto talvez devido à falta de confiança, visto que a equipa perde muitos jogos pela margem mínima.

Essencialmente, nos dias de hoje, a equipa baseia-se em Rodrigo de Paul + 10, sendo este o elemento que poderá dar uma importante almofada financeira no futuro ao clube, falando-se do interesse do Inter e do Nápoles no criativo argentino. Em Udine, num local de menos exigência, encontrou o conforto de poder pegar na “batuta” da equipa, servindo Ignacio Pussetto e Kevin Lasagna, sendo que estes três jogadores representam 12 golos dos 18 (apenas 18!) marcados pela equipa em toda a Série A em 23 jogos, sendo o segundo pior ataque da prova. Só Rodrigo de Paul tem mão sua em metade dos golos da equipa, com 6 marcados e 3 assistidos. Mesmo assim, o argentino já esteve também em melhor forma, começando a ter algumas dificuldades face ao terrível momento da equipa, desde o fim de novembro que assim é, e isto a fazer quase sempre os 90 minutos.

Rodrigo de Paul é a principal figura da Udinese, mas tem estado em baixo de forma nos últimos meses, talvez seja hora de mirar outros voos (Fonte: Mundo Albiceleste)

A nível defensivo, a equipa até nem sofre uma quantidade anormal de golos (31), sendo apenas a nona pior defesa da Série A, algo que se pode justificar devido à imponência física no seu meio campo, com Mandragora e Fofana a serem jogadores que são fortes na proteção à sua defesa e que lhe conferem alguma confiança. Ainda assim, estes dois jogadores do centro do meio campo têm estado num nível aquém do exigível nos restantes momentos de jogo, sendo também por aí que a Udinese muito se ressente.

Este plantel é também uma autêntica sociedade das nações, com apenas 5 italianos em 26 jogadores, existindo uma falta de liderança evidente que jogadores como Antonio Di Natale e Giampiero Pinzi, por exemplo, traziam até há alguns anos. Pode-se afirmar que este tipo de jogadores seguravam os “arames” do plantel e, após a sua saída definitiva e a sua menor influência dentro de campo devido à idade, a Udinese ressentiu-se.

Os resultados e o percurso até maio indicam que deve haver alertas ligados em Udine

Esta foi uma equipa que até começou bem esta temporada, com 8 pontos ganhos nos primeiros 5 jogos, algo que fazia indiciar que poderíamos ter uma “temporada 0” no clube, uma espécie de reboot face àquilo que vem acontecido de forma sucessiva nos últimos anos.

Desde aí, apenas 11 pontos em 18 jogos, um registo absolutamente medonho para um clube como a Udinese. Em quase meia volta de campeonato, fazer apenas 11 pontos é simplesmente insuficiente para uma equipa com quaisquer objetivos reais.

É certo que muitas derrotas foram pela margem mínima (8 das 13 derrotas), mas mesmo assim não chega afirmar que “estivemos quase a conseguir, com outro treinador é que vai resultar”. O quase não chega e, num campeonato competitivo como o da Série A, a falta de ação e de luta por inverter os acontecimentos paga-se caro.

A equipa ainda não venceu este ano, vindo mal da paragem de inverno, este período que poderia trazer melhorias ao clube mas que parece que não foi bem aproveitado pelos jogadores e toda a restante estrutura para recarregar baterias e focar naquilo que é uma tarefa que se pensaria impensável há alguns anos.

O único ponto positivo dos últimos tempos

A única real melhoria nestes últimos anos terá sido o estádio, que é agora muito mais moderno face às necessidades do clube e que tem agora uma capacidade a rondar os 25 mil lugares. O Friuli é um estádio histórico que dura já desde 1976, tendo sido reestruturado para o Mundial de 1990 e, agora, melhorado, durante 2013 e 2015.

Este era um estádio que já estava a ser afetado pela passagem do tempo e, agora, é uma arena mais moderna, servindo agora os diferentes propósitos. Em média, a Udinese leva mais de 16 mil adeptos ao estádio, que não estarão, certamente, agradados com os desempenhos que a equipa lhes tem proporcionado, com apenas 12 pontos ganhos em 12 jogos nesta temporada em pleno Friuli.

Um Friuli cheio para receber a Squadra Azzurra. O estádio está agora no mapa dos estádios a usar pela seleção, esperemos que não sejam os únicos jogos internacionais a acontecer nos próximos anos (Fonte: GettyImages)

Vejamos se em maio não teremos uma confirmação do momento complicado que o clube atravessa. Esperemos que tal não aconteça, pois a Udinese é um clube de tradição que merece mais.

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Pedro CouñagoSetembro 20, 20188min0

Sendo uma das principais ligas europeias, a Bundesliga marca-se por ser um poço de descobertas, reveleções e afirmações de jogadores.

Neste caso, o artigo foca-se em quatro jogadores, que têm dois pontos em comum: são atacantes e são de nacionalidade francesa. Numa seleção francesa que está em “estado de graça” e que tem um Olivier Giroud que tem a total confiança de Didier Deschamps, mesmo não sendo o jogador mais regular ou com melhores condições físicas, convém, no entanto, perceber que opções poderá o selecionador ter num futuro próximo ou a longo prazo, e a verdade é que quatro delas estão no campeonato alemão. A sua observação, pelo menos, é bastante relevante.

Além disto, todos são jogadores de importância para as suas equipas, em diferentes escalas de grandeza, e é isto que pretendemos expor.

Alassane Pléa

Este atacante é, possivelmente, o mais conhecido dos adeptos do futebol. O jogador de 25 anos já vinha, há algumas épocas, sendo uma das principais figuras de um Nice que ganhou alguma projeção europeia, protagonizando uma transferência milionária para o Borussia Monchengladbach neste verão.

É um avançado rápido, móvel e que dá sempre muitas dores de cabeça às defesas contrárias. Entrou bem em território alemão, com um hattrick na primeira eliminatória da Taça da Alemanha e com um golo decisivo a evitar a derrota frente ao Augsburgo na segunda jornada. Este é daqueles jogadores que, quando ganha confiança, pode realmente endiabrar-se e aprimorar ainda mais o seu futebol, portanto será um jogador a que as defesas contrárias devem ter uma atenção especial a anular e não dar muito espaço.

Pléa tem agora a oportunidade de mostrar que tudo aquilo que fez em Nice não foi por acaso (Fonte: Getty Images)

Tem todas as potencialidades de ganhar o seu espaço e ser uma das principais figuras da equipa, face a uma dupla de avançados Stindl/Raffael que vai já perdendo o fulgor de outros tempos, graças ao avançar da idade, e ainda graças a lesões mais recentes.

Pléa será o avançado em melhor posição para ganhar um maior destaque e será um sério caso a visionar num campeonato à sua medida.

Sébastien Haller

Haller, neste momento, representa a bóia de salvação num Eintracht de Frankfurt à deriva. O início de época da equipa de Frankfurt foi desastroso, muito longe do que fez em tempos recentes, como o Fair Play previu, com uma derrota por 5-0 para a Supertaça com o Bayern de Munique, a eliminação precoce da Taça da Alemanha, na primeira ronda, e apenas três pontos conquistados em nove possíveis no campeonato. O único ponto positivo tem mesmo sido o ponta de lança.

Sébastien lidera a tabela de marcadores com três golos marcados e tem sido o abono de família do Eintracht, revelando-se como o seu líder dentro de campo. Com 24 anos, já não se fazem muitos avançados como este, que, sendo alto e possante, é mortífero, de passada larga e arrasta consigo muitas movimentações, sendo rápido a consegui-lo.

Haller tem feito o seu trabalho, mas a sua equipa está longe do que consegue fazer (Fonte: Eintracht Frankfurt)

É verdade que a sua equipa piorou face à transata época, mas Haller tem mantido a cadência de marcação de golos, indo até tendencialmente aumentá-la (fez 13 em todas as competições em 17/18). É um jogador, neste momento, que parece ter capacidade de brilhar noutros voos, precisando, antes disso, de conseguir levar um barco instável a um porto seguro.

Se o conseguir fazer, poderá dar, mais um exemplo, de que nem todos os avançados que saem da Eredivisie (liga tendencialmente ofensiva) são flops e pouco adaptáveis ao estilo de jogo das diferentes ligas. A médio prazo, poderá ser uma opção interessante para a seleção, pois tem características que fazem falta a qualquer equipa e que podem decidir jogos.

Jean-Kévin Augustin

O atacante de vinte e um anos será, talvez, o nome mais excitante desta lista. Sair do PSG, no verão de 2017, foi talvez a melhor decisão que o atacante poderia ter tomado, pois nunca conseguiria ganhar a projeção que desejaria nem o tempo de jogo o favoreceria.

Além disso, o polivalente atacante foi parar a uma equipa que, claramente, fomenta a introdução de jovens nos seus quadros e que os molda à sua forma de jogar e de pensar. Tem-se notado uma clara evolução em termos de maturidade de Augustin, dando mais de si à equipa e revelando-se como um dos principais desequilibradores da frente de ataque do Leipzig.

O atleta marca, assiste, oferece situações de rotura e, não sendo um tradicional ponta de lança, funciona muito bem como um. Tem uma capacidade de aceleração e de drible acima da média, algo que lhe permite ter vantagem sobre os defesas e que se insere no futebol moderno.

Augustin sempre foi uma das principais figuras das seleções jovens francesas, através do seu talento e da sua irreverência, parece cada vez mais possível que possa confirmar o seu estatuto e, quem sabe, chegar à seleção principal mais cedo do que pensaria.

Augustin tem feito um percurso de bom nível em Leipzig (Fonte: Bancada)

Até lá, precisa de continuar a trabalhar no duro e de continuar a lutar por um lugar numa equipa onde ninguém tem lugar absolutamente garantido. O Leipzig, não estando com a mesma força do transato campeonato, é uma equipa forte, que impõe respeito, muito competitiva, pelo que os seus jogadores, se querem jogar, têm de ter uma atitude condizente.

O futuro parece ser risonho para Augustin, que começa a provar que o seu talento é real e que o seu potencial poderá ser alcançado. Um dia, o seu legado nas seleções jovens poderá ser retomado com uma estreia na seleção principal francesa. No entanto, terá de ter atenção aos atritos, visto que ainda recentemente teve uma atitude irrefletida, quando recusou ir à seleção de sub 21 por se encontrar cansado, algo que o fez ficar mal visto junto dos responsáveis desse escalão, nomeadamente o selecionador Sylvain Ripoll.

Jean-Phillipe Mateta

O último atacante da lista é aquele que mais representa uma incógnita, em parte por se ter transferido neste verão, por ser o nome menos conhecido dos quatro e por ser o que menos provou até agora na sua carreira. Aos 21 anos, e não tendo conseguido afirmar-se no Lyon, transferiu-se para o Mainz, uma equipa que lhe permitirá ter mais oportunidades e que lhe permitirá progredir.

Mateta pode ser o matador que o Mainz já procurava há algum tempo (Fonte: Bundesliga)

Mateta é o jogador que parece ter a via mais dificultada para uma subida substancial na carreira, faltando-lhe ainda adquirir um pouco mais atitude e ter mais entrega ao jogo. Na linha de Sébastien Haller, é um jogador bastante possante, que consegue segurar bem a bola, mas falta-lhe melhorar o seu tempo de decisão.

Mateta, dos quatro atletas, é também aquele que praticamente não tem nenhum currículo a nível de seleção francesa, além de 3 internacionalizações nos sub 19. Tem ainda um longo caminho a percorrer, veremos o que consegue alcançar nesta temporada, numa equipa que lhe dá a oportunidade de ser o líder do ataque e que precisa de golos para não ter o “credo” na boca como na passada temporada, com o fantasma da descida de divisão a ser bem real.

Quatro atacantes franceses têm diferentes objetivos e diferentes perspetivas. Vejamos qual (quais) dele(s) consegue(m) corresponder às expectativas em si depositadas, com a certeza de que estão num campeonato que se marca pela aquisição de valores e competitividade, algo que apenas os pode ajudar a progredir enquanto elementos decisores das suas equipas.


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