Espanha é a nova campeã da Europa – o “offload” do Europeu de sub-20

Francisco IsaacNovembro 13, 20216min0

Espanha é a nova campeã da Europa – o “offload” do Europeu de sub-20

Francisco IsaacNovembro 13, 20216min0
Há novo campeão da Europa de sub-20, e é a Espanha, que marcou um ensaio no último minuto para levantar o toféu de campeão. A análise do Fair Play à final

O fim de três anos invictos como campeões da Europa veio da forma mais amarga possível, com um ensaio da Espanha já praticamente na bola de jogo, pondo fim à invencibilidade lusa num jogo extremamaente emotivo, físico e onde não imperou o melhor juízo de ambas as selecções. A análise do Fair Play à final do Campeonato da Europa de sub-20 da Rugby Europe.

O DESTAQUE: JOÃO VIEIRA

O 3/4’s do CDUL passou neste encontro de centro para ponta, numa decisão táctica da equipa técnica de Portugal, procurando garantir segurança nos pontapés adversários, com garantias de que nos contra-ataques pudesse não só conquistar metros, como segurar a bola em caso de que o apoio não estivesse no local. No fim dos 80 minutos, João Vieira demonstrou total competência nestes pontos, o que ofereceu outra paz de espírito aos Lobos sub-20 quando assolados pelo jogo ao pé espanhol, mantendo uma segurança total em cada novo bombardeamento sofrido, sem consentir erros, conseguindo ainda ser um dos veículos de transporte de bola mais auspiciosos e dinâmicos de todo o encontro, que, infelizmente, não teve o espaço suficiente para chegar ao tão desejado ensaio.

Se do pondo de vista táctico a reposição do centro para a ala pode ter sido interessante e competente, a verdade é que a sua ausência do par de centros desconjuntou um dos melhores pontos de ataque de Portugal neste Campeonato da Europa, impondo outro papel a José Paiva dos Santos, com este a ter de se concentrar em fechar o canal a Arnau Andrés Comes, um dos melhores jogadores da Espanha. Não era uma decisão fácil quer para Nuno Aguiar ou Frederico Caetano Nunes, não há dúvidas disso, e a exibição de excelência de João Vieira é prova disso mesmo, com 7 pontapés captados do ar, 8 placagens (uma delas pôs o fim naquilo que parecia ser um ensaio certo dos Leones) e uma série de pormenores importantes para dar outra calma e força mental ao colectivo luso, mas no cômputo geral, talvez se tenha perdido mais na expressão de desequilibrar nos centros do que no garantir de segurar a bola no três-de-trás.

O MELHOR PONTO: REACÇÃO AO TURNOVER E PONTAPÉ

Dificilmente podemos considerar a defesa de Portugal como totalmente sólida nesta final do Campeonato da Europa de sub-20, pois sofreram dois ensaios, sendo que o último ocorreu já num momento completamente frenético e em que as emoções já estavam para lá do exequível, obrigando a ir em busca de outros dois pontos globalmente mais positivos, como foi o caso da reacção à perda de bola e na recepção dos pontapés contrários.

Destacar, no primeiro elemento, o papel de António Cerejo, João Vieira, Francisco Silva e Simon Burke no terem reagiado com total rapidez quando a Espanha parecia ter descoberto uma brecha na primeira cortina defensiva nacional ou num turnover improvável, com estes jogadores a terem tido a noção imediata que era necessário dar uma força extra ao não só s reporem na linha-de-defesa como intervirem, dando uma ajuda tremenda ao esforço dos comandados de Nuno Aguiar e Frederico Caetano Nunes.

Os dois ensaios de Espanha foram, praticamente, de primeira fase, com o 2º a ser de uma recuperação de bola tornada rapidamente num sprint genial de Juan Richardis (offload depois para Juan Fonseca), e o primeiro a sair de um alinhamento rápido nos 5 metros, o que prova, se quisermos, que não foi na defesa após a 1ª fase onde esteve a queda de Portugal. Já na reacção ao jogo ao pé da Espanha, Domingos Cabral, Diogo Rodrigues, João Vieira e Duarte Morais não cederam, captando bem a oval em 13 das 14 dos up&unders ou crosskicks do adversário, fechando assim espaço e oportunidade de contra-ataque para os agora campeões da Europa de sub-20.

PONTO A MELHORAR: INDISCIPLINA TIRA ALEGRIA DE JOGAR

Sem falar do cartãovermelho nos 78 minutos (o relógio do streaming e o cronómetro do estádio não pararam em dois momentos, o que causou a onda de dúvida em todos, em relação ao tempo já estar aos 80 minutos na última penalidade não convertida por Domingos Cabral), que deve servir de exemplo de como não reagir quando foi o adversário a iniciar uma escaramuça, o facto é que os jovens Lobos sub-20 caíram num “poço” de indisciplina na 2ª parte, entrando precisamente para o tipo de jogo procurado pela Espanha, de constante conflito, luta “leal” em cada ruck, de estimular escaramuças e de fisicalidade pura, afastando Portugal do seu tipo de estratégia mais alegre.

Para quem assistiu a esta final desde o primeiro minuto, é comparar com o que se passou na primeira meia-hora, altura de total domínio das cores nacionais, impondo uma profunda pressão aos seus adversários, que não foi aproveitada da forma ideal, pois das duas situações claras de ensaio, nenhuma realmente recebeu o passe final decisivo que poderia ter feito o primeiro ensaio para os antigos campeões da Europa, enquanto a 2ª parte foi constantemente marcada por erros, penalidades, má execução do jogo ao pé e uma queda anímica quase incompreensível na condução de bola e na movimentação da mesma.

Ou seja, Portugal podia e devia ter fugido do embate de ganas promovido pelos Leones sub-20, mantendo assim calma, bom senso e uma neutralidade mental que iria acabar render “frutos”, punindo logicamente os seus adversários com penalidades, pontos e, subsequentemente, vitória. Poderíamos falar dos pontapés aos postes que passaram ao lado, os passes decisivos mal esboçados ou a intermitência do jogo de apoio luso, mas o ponto que quebrou com toda a capacidade ofensiva e contra-ataque da equipa nacional, foi, sem dúvida alguma, a indisciplina e o querer medir agressividades.

PLACARD

Penalidades: Domingos Cabral (3)


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