Uma longa espera – Rebekah Gardner na WNBA
Artigo escrito por Lucas Pacheco
A temporada 2022 da WNBA começou. Uma semana de ação foi suficiente para levantar algumas questões e intrigar os torcedores. A versão Becky Hammon do Las Vegas Aces está tão diferente assim dos anos anteriores – para melhor ou pior? Que diabos está se passando com o Minnesota Lynx? Podemos enfim confiar na reconstrução do Indiana Fever?
Algumas dessas questões já estavam anunciadas no nosso guia, ótima porta de entrada para a atual temporada; outras, surgiram nesse curtíssimo tempo de sete dias. Porém, como é muito cedo para prognósticos e análises, aqui vai uma história de vitória, independente do resultados final de seu time e de seu desempenho individual.
Um tópico recorrente (e necessário) sobre a WNBA é seu tamanho: uma liga profissional de basquete nos Estados Unidos com apenas 12 franquias, que geram míseras 144 vagas nos elencos. Muito pouco para um esporte tão popular, tão praticado no país; se em outras ligas o funil do universitário para o profissional é estreito, o que dizer da WNBA? Os pedidos por expansão passam muito por esse obstáculo. Do ponto de vista das atletas, a principal via de entrada é o Draft. Não a única.
Rebekah Gardner, carreira na Europa e regresso aos EUA
Rebekah Gardner fez sua estreia na liga no última dia 11, na tranquila vitória de sua equipe, o Chicago Sky, sobre o New York Liberty, por 83 x 50. A novata (rookie) teve bastante tempo de quadra e boa produção – em 27 min, anotou 14 pontos, 4 rebotes, 1 assistência e 2 roubos. Nervosismo? Não para a caloura de 31 anos.
Tendo estudado e jogado na tradicional UCLA, Gardner não foi draftada em 2012, classe da qual apenas 5 jogadoras permanecem na liga (com destaque absoluto para Nneka Ogwumike, escolha número 1). Como (praticamente única) alternativa para as jogadoras não-draftadas, resta pegar um avião e buscar a carreira profissional em outros países. Em alguns casos, o ostracismo e a invisibilidade são tão grandes, que sequer a ‘enciclopédia do nosso tempo’ sabe informar: o verbete da Gardner na Wikipedia tem um lapso entre 2012 e 2016, quando se menciona que ela jogou na Turquia.

Nem tão coincidentemente assim, Gardner foi contratada na temporada seguinte pelo Girona, estreando na Euroliga e disputando a forte liga espanhola, onde sagrou-se MVP da fase regular. Foi em razão dos compromissos com o Girona que Gardner chegou atrasada ao training camp do Chicago Sky – ela permaneceu na lista final do elenco e, com 31 anos, finalmente realizou o sonho de toda atleta saída da universidade.
Uma trajetória compartilhada por muitas outras jogadoras; na temporada 2020, por exemplo, muito se comentou da armadora Shey Peddy (escolha 23 no draft de 2012), com trajetória similar. Neste ano mesmo, o Connecticut Sun manteve em seu elenco a armadora Yvonne Anderson, não draftada em 2012, e que deve estrear nas próximas partidas. Em reportagem recente, Anderson definiu com estas palavras sua jornada: “Eu acho que meu jogo simplesmente sobreviveu”.
O jogo de Rebekah Gardner também sobreviveu, muito bem, diga-se de passagem.
REBEKAH GARDNER had 14 points, 4 rebounds and the win with the @chicagosky over the @nyliberty (83-50) in her WNBA debut! pic.twitter.com/wbXPyf2zMD
— Regeneracom Sports (@regeneracom) May 12, 2022
PS: Rebekah Gardner, MVP da fase regular da liga espanhola, ocupou na sua estreia na WNBA a vaga da Kahleah Copper, MVP das Finais da liga espanhola. Gardner será mais uma opção ao profundo e diversificado elenco do James Wade em Chicago.



