21 Mai, 2018

Benfica: balanço de 2017, o ano do tetra

Rui MesquitaDezembro 31, 20176min0

Benfica: balanço de 2017, o ano do tetra

Rui MesquitaDezembro 31, 20176min0
O ano de 2017 termina hoje e mostramos aqui o que de melhor e de pior se passou no futebol encarnado.

O Sport Lisboa e Benfica chegou a 2017 com um tricampeonato e o sonho do tetra. O ano de 2017 trouxe esse desejado tetra e um sonho ainda maior: o penta. O ano não está a terminar da melhor maneira, mas 2017 foi definitivamente um ano vermelho e branco. Ora veja!

Os festejos do tetracampeonato no Marquês. O ponto alto do ano (Foto: RTP)

Mercado e mais mercado

Depois da conquista do tetracampeonato, o Benfica foi alvo de muita atenção no mercado. Todos os colossos europeus queriam os craques encarnados e levaram-nos quase todos. Os pilares defensivos do campeão saíram para alguns dos melhores clubes do mundo. Ederson (40M€) para o Manchester City, Lindelof (35M€) para o rival United e Nélson Semedo (30M€) para o Barcelona. Três perdas importantes, mas 105M€ em receitas. Juntando as vendas de Marçal, Mukhtar etc., o Benfica encaixou um total de 131,40M€ em transferências.

Se as receitas foram gigantes, as despesas foram mínimas. Nesse mesmo mercado de verão o Benfica gastou 9,35M€ em jogadores como Krovinovic e Svilar. Financeiramente 2017 foi um ano fantástico para as águias, como vem sendo hábito. O único problema é o rendimento da equipa. Mas a esse já lá vamos.

Em transferências o Benfica lucrou 122M€ só no verão. Um ano de ouro para os cofres encarnados.

Um dos pilares do Benfica, vendido por muitos milhões ao City de Guardiola (Foto: MaisFutebol)

O início da nova época

Como já referimos, o problema de vender muito é o rendimento da equipa. Com uma defesa sem 3 peças basilares do ano transato e com decisões francamente desastrosas, o fim de ano foi complicado. Eliminado da Liga dos Campeões só com derrotas e das duas Taças em Portugal, a equipa de Rui Vitória não foi capaz de se reinventar e isso traduz-se em maus resultados. No campeonato a diferença é de apenas 3 pontos para Porto e Sporting, apesar do fraco futebol praticado.

Futebol pouco trabalho e muito cansado, e uma desunião aparente do grupo. Rui Vitória perdeu, num verão, toda a base do seu sucesso. Perdeu os seus melhores jogadores e a vontade de vencer de todo o plantel, que mantinha a equipa vencedora.

28 jogos, 14 vitórias, 6 empates e 8 derrotas. Um registo atípico para os campeões nacionais comprometendo a época atual. Não havia pior maneira de terminar o ano e deixar uma marca negativa em 2017. Mas o ano não foi de todo mau para o Benfica, muito pelo contrário.

O técnico encarnado é o espelho da desilusão deste fim de ano (Foto: MaisFutebol)

Desilusões e surpresas

Se há desilusões claras neste ano (como a apresentada nas categorias finais), outras foram mais subtis. Filipe Augusto desiludiu pela falta de qualidade e pela falta de respeito com os adeptos. Varela e Svilar desiludiram ao não agarrar o lugar na baliza encarnada. Mas sobretudo, desiludiu Luís Filipe Vieira. Com uma oportunidade de ouro para cimentar uma hegemonia em Portugal e atacar a Europa, o presidente encarnado fez tudo mal. Vendeu as peças fulcrais do plantel e não renovou a equipa convenientemente.

Se houve desilusões, houve também boas surpresas. Ederson e Nélson Semedo exibiram-se a um nível tremendo na Luz até à sua saída. Jonas (apesar de não ser uma surpresa) foi constante e imperial na frente de ataque, quer a jogar sozinho quer com outro avançado. Krovinovic foi outra surpresa no final deste ano. O croata pegou de estaca na equipa e tem sido um dos melhores esta época.

E em 2017 podemos apontar ainda surpresas que desiludiram. Rui Vitória foi magnífico na conquista do tetra mas desiludiu ao deixar a equipa ir abaixo no início da nova época. Luisão foi um espelho de altos e baixos durante o ano, sendo crucial como capitão mas facilitando dentro de campo. E, por fim, Pizzi. O médio português foi o maestro da conquista do campeonato. Mas esta época, Pizzi chegou cansado e sem o condão da época passada. Uma desilusão depois da surpresa agradável do início do ano.

E temos os casos de Diogo Gonçalves e Seferovic. Ambos apareceram na equipa principal, o primeiro como uma nova promessa do Seixal e o segundo como uma fonte de golos. Mas desapareceram tão depressa como apareceram. Seferovic deixou de marcar e Diogo Gonçalves mostrou ainda não estar preparado para o salto.

A grande surpresa do ano foi Rúben Dias, mostrando ser um central de futuro na Luz (Foto: Renascença)

Títulos: o coroar de um ano mágico

É fácil olhar para 2017 e ver o ano manchado por este inicio de época desastroso dos encarnados. Mas os encarnados foram campeões nacionais e venceram a Taça de Portugal. Juntaram ainda a meia-final da Taça CTT e os oitavos de final da Champions. Um registo interno impressionante e mediano na Europa.

O Benfica jogou um futebol perfumado e envolvente, com Pizzi a brilhar ao comandar a equipa e Jonas a fazer a diferença na frente. A defesa foi incrivelmente versátil e a primeira linha de ataque. Fosse com lançamentos longos e precisos de Ederson ou arrancadas imparáveis de Nélson Semedo, os encarnados foram um poço de opções.

Mas acima de tudo, o inédito tetra da história do clube. Rui Vitória e os seus jogadores conseguiram completar aquilo que nunca tinha sido feito. 2017 é e será sempre um ano histórico para os encarnados. Será lembrado como o ano do tetra, o ano da lambreta.

O tetra inédito vivido por Eliseu ao volante de uma lambreta (Foto: Sapo)

O melhor e o pior

  • Melhor momento: conquista do tetra.
  • Pior momento: eliminação da Liga dos Campeões com 6 derrotas em 6 jogos.
  • Melhor jogador: Pizzi (pelo papel na conquista do tetracampeonato).
  • Maior desilusão: Rafa (mais um ano sem a afirmação do português).
  • Maior revelação: Rúben Dias (um futuro capitão do Benfica).
  • Personalidade do ano: Eliseu (no seu “momento lambreta”).

O extremo português continua a desiludir e não justificar os milhões investidos (Foto: MaisFutebol)


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