Arquivo de Lindelof - Fair Play

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Rui MesquitaNovembro 19, 20176min0

O experiente capitão encarnado conta com 36 anos e 15 anos de Benfica. É pouco menos de metade da sua vida dedicada ao clube da Luz. Partilhou o eixo da defesa com mais de 15 centrais diferentes. Mas agora, longe da forma física de outrora, Luisão tornou-se mais um problema do que uma solução? É o que tentamos perceber ao longo deste artigo.

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Rui MesquitaJulho 15, 20175min0

Depois da conquista do tetracampeonato, Rui Vitória prometeu mudanças. Mudanças táticas e na forma de jogar. O mister encarnado anunciou surpresas para atacar o Penta, mas o que podemos esperar do Benfica? Uma revolução total ou apenas alguns ajustes no que vimos na época transata?

Manobra defensiva

Na última época o clue da Luz foi a defesa menos batida da Liga NOS mas, apesar disso, na Champions o registo defensivo foi assustador. 14 golos sofridos em 8 jogos demonstraram algumas das fragilidades dos encarnados na hora de defender.

Com a saída de Lindelof, Rui Vitória será forçado a mexer na forma como a equipa defende. Perdendo o central mais móvel do plantel, o confronto com avançados rápidos será ainda mais complicado. Com uma dupla Luisão-Jardel espera-se uma linha mais recuada, não permitindo muitas bolas nas costas destes trintões. A saída de Ederson, capaz de defender impecavelmente a profundidade, aponta, também ela, para essa adaptação.

Lindelof foi um dos esteios da defesa encarnada (Foto: The Sun)

A pressão ofensiva do tetracampeão foi uma das armas da época passada. Nesta época, com Jimenez a ganhar mais minutos, esta pressão à saída da construção adversária será ainda mais acutilante. Essa abordagem não será, apesar dos seus bons resultados, usada contra adversários mais fortes. Aí, principalmente na Liga dos Campeões, Rui Vitória não deverá arriscar nesse sufoco ao oponente, mas sim num posicionamento de expetativa, evitando surpresas.

No que ao meio-campo diz respeito, a história complica-se. O sistema do Benfica sempre evidenciou deficiências contra equipas fortes neste setor. Apenas com dois médios, os encarnados perdem demasiados duelos na zona crítica do jogo. Para solucionar este problema, Vitória pode acrescentar um médio ou tornar um dos extremos num apoio defensivo no “miolo” do terreno. Não acreditamos, porém, que as mudanças cheguem tão longe. E, com isso, as limitações manter-se-ão.

A construção

A construção será outro dos momentos em que se sentirá a falta de Lindelof. O sueco era o central com melhor qualidade de passe, essencial para a saída a 3 de Rui Vitória.

O mister encarnado explorou, na época passada, sair com Pizzi no meio dos centrais mas acabou com mais problemas do que soluções. Baixar Pizzi deixa muito espaço entre essa linha e a linha da decisão. Por seu turno, abdicar de Fejsa para ganhar um médio mais criativo não será opção. E, por fim, encostar Pizzi na ala para ele construir com outro “número 8” também não (já que dos 8 reforços anunciados nenhum serve esse intuito).

Pizzi foi e será o motor dos encarnados (Foto: Jornal I)

A solução mais provável para Rui Vitória passa por Jonas. O brasileiro pode baixar para ser o terceiro médio que o treinador e Pizzi precisam. As “tabelas” entre Jonas e o transmontano podem, também elas, baixar para construir com critério e perigo. Quando faltar Jonas (na gestão de esforço que o próprio Rui Vitória já falou), Krovinovic parece encaixar perfeitamente neste modelo. O croata é um “número 10” talentoso, ideal para a construção encarnada, trabalhando com Pizzi.

O ataque

As diferenças no ataque serão, forçosamente, decorrentes das mudanças na construção. Porém, se Rui Vitória falou em alterações, também falou na diversidade do ataque encarnado. 72 golos na Liga NOS espelham a facilidade do clube da Luz em fazer golos.

As alterações que Rui Vitória pode introduzir são naturais com a maior presença dos habituais titulares. Mais Jonas a aparecer em todo o lado, mais Fesja para libertar Pizzi e os laterais, etc.

Nas laterais surgem, ainda assim, as maiores mudanças. A saída de Nelson Semedo, anunciada esta semana, mudará a forma de atacar do Benfica. O novo lateral do Barcelona foi uma arma importante no ataque à baliza adversária. Com cruzamentos, entendimentos com Pizzi ou Salvio e incursões pela área rival, Nelson Semedo jogou e fez jogar. A alternativa será André Almeida, menos aventureiro e menos capaz ofensivamente.

Porém, na outra lateral prevê-se o regresso de Grimaldo a todo o gás. O espanhol será mais uma solução, compensando a saída de Nelson Semedo. Grimaldo cruza bem e é um perigo no carrossel encarnado comandado por Pizzi.

Grimaldo será uma arma importante do ataque da Luz (Foto: Mundo Desportivo)

Por mais adições ao “livro” do ataque da Luz, a maior de todas elas não depende de Rui Vitória. Depende sim do departamento médico do Benfica: manter Jonas sem problemas físicos. Ter o brasileiro a tempo inteiro é a grande mudança ofensiva que o tetracampeão precisa.

O sistema

No que ao sistema base com que o Benfica irá atacar o Penta diz respeito, Rui Vitória não deve mexer muito. O mister não abdicará de ter Jonas perto do ponta-de-lança mesmo que com diferentes funções. Não faltarão dois extremos a abrir nos corredores nem a dupla de médios caraterísticas do sistema encarnado.

O 4-4-2 de Rui Vitória será a regra e um 4-3-3 mais conservador a exceção em jogos que o exijam.

Na mente de Rui Vitória não está uma revolução no futebol ganhador do Benfica. Mas com as saídas que já se verificam, deixar tudo na mesma é impossível. Por isso, ao Benfica e a Rui Vitória, aplica-se uma nova máxima do desporto-rei: em equipa que ganha… mexe-se!

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Nélson SilvaMaio 31, 20176min0

O tetracampeonato conquistado pelo Benfica intensificou o interesse dos grandes tubarões europeus e é agora tempo de avançar na caça às melhores presas. Sem grandes surpresas, vários foram os jogadores a confirmar o seu valor. Afastadas as lesões, com a forma recuperada, os atletas mais promissores que foram o rosto desta conquista estão na iminência da saída. Entre muitos milhões de euros e muita cobiça, chegou a hora de apontar os principais alvos à saída.

Ederson

A contagem é já decrescente, calcula-se apenas quando se fechará o negócio. Ederson teve “só” mais uma época para se afirmar como um dos melhores e mais promissores guarda-redes da atualidade. Implacável dentro dos postes, mostra também um à vontade fora do comum no momento de sair aos cruzamentos. No “1 para 0” defensivo, o guardião brasileiro já conseguiu também, por várias vezes, salvar o Benfica. Quem não se lembra da defesa aos pés de Arnold (V. Setúbal) na época passada e a saída aos pés de Soares (FC Porto) no último clássico?

Como se estas qualidades não fossem suficientes, Ederson tem ainda uma arma secreta, talvez aquela que mais tem impressionado: o seu pontapé é tão forte que consegue bater um pontapé de baliza com a bola a cair na área contrária. Um “dom” que até valeu uma assistência decisiva no jogo de confirmação do título, bem como obrigou várias defesas a desorganizarem e reajustarem-se para não serem apanhadas de surpresa.

Manchester City deve ser o clube a seguir, uma vez que a equipa de Guardiola superou a concorrência pela contratação do brasileiro e o Benfica já confirmou as negociações à CMVM.

Foto: Globoesporte

Nélson Semedo

Do adeus às lesões à confirmação do que era também expectável. Uma técnica invulgar, aliada a uma velocidade impressionante, que muitas vezes permite ao lateral ganhar vários lances em que faz questão de “dar o corredor” aos extremos contrários. Ninguém estranha que o jogador atuava como “10” quando chegou para jogar na equipa B dos encarnados. A falta de laterais levou a Hélder Cristóvão adaptar Nélson à direita e a escolha não podia ser mais acertada. Quis o destino que as portas da equipa A se abrissem para o português, por força da saída do dono do lugar durante várias épocas – Maxi Pereira. Semedo teve a capacidade de dissipar quaisquer saudades que o uruguaio podia ter deixado aos adeptos encarnados e não fosse a lesão que contraiu na primeira chamada à seleção​.

Sondado pelo Bayern de Munique, surge agora o forte interesse por parte do Barcelona, que pretende reforçar uma posição onde os catalães se encontram debilitados, ao ponto que até André Gomes foi forçado a atuar a lateral direito na final da Taça do Rei. Nélson Semedo é um dos laterais mais cotados do mercado e certamente trará aos cofres da luz uma quantia bem avultada pelo seu passe.

Foto: Rádio Renascença
Foto: Taiwan News

Victor Lindelof

Provavelmente o elemento menos regular dos até agora falados. Ainda assim, em pouco ou nada esse aspeto retira valor às qualidades apresentadas pelo central sueco, que foi melhorando com o regresso do “velho patrão” Luisão. Aprendiz, Lindelof adquiriu competências táticas e complementou as debilidades do seu “professor”. Com velocidade e  grande capacidade na saída de bola/  primeira fase de construção ofensiva, não se privou de fazer passes e dribles entre-linhas.

A época não podia terminar de melhor forma para Lindelof, que na fase decisiva e em pleno Estadio de Alvalade, teve nos pés a oportunidade de garantir um precioso ponto na luta pelo título, executando de forma exemplar um livre direto. O “Iceman” tratou de fazer jus à sua alcunha e foi um dos maiores responsáveis por proteger a curta vantagem com que o Benfica seguia na frente do campeonato.

A versatilidade do sueco não fica por aqui. Quem o segue há algum tempo não estranhou a facilidade com que joga com a bola nos pés, uma vez que este até se destacou na conquista do ultimo título europeu de sub-21 como lateral direito.

O interesse do Manchester United é já de longa data e este será, provavelmente, o único jogador que a equipa de Mourinho conseguirá desviar do rival City, que parece já ter ganho o concurso por Ederson.

Foto: Rádio Renascença
Foto: Red Devil Armada

Dos demais culpados pelo tetracampeonato encarnado, existem vários nomes sondados para seguirem a outras paragens. Será o caso de, por exemplo, Pizzi e Mitroglou, mas numa perspectiva de negócio diferente. Estes são jogadores já mais experientes, cuja margem de progressão é mais curta em relação aos três nomes mais sonantes já falados, em que os clubes estão mais reticentes a pagar valores muito altos. Jonas não escondeu que o “tetra” abriu portas para muitos atletas serem agora sondados por clubes com outro poderio financeiro, das ligas mais competitivas da Europa. Não excluindo qualquer interveniente desta caminhada gloriosa dos encarnados, onde caberia Grimaldo não fosse a sua lesão que o fez parar grande parte da época, parece certo que os maiores negócios terão como grandes protagonistas os 3 jovens promissores: Ederson (Man. City), Nélson Semedo (Barcelona/ Bayern de Munique) e Victor Lindelof (Man. United/ Man. City).


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