Arquivo de Portugal - Página 2 de 4 - Fair Play

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Pedro AfonsoJulho 26, 20176min0

Desde a queda do Boavista para as divisões distritais, que o SC Braga se encarregou de colmatar a lacuna do 4º lugar na Liga Portuguesa. Não obstante o maior poderio financeiro dos adversários candidatos ao título, o clube dos Gverreiros foi capaz de se intrometer na luta pelo mesmo, tendo acumulado nos últimos 10 anos sucessivos 3º lugares, um 2º lugar e uma Final da Liga Europa perdida diante do Super-Porto de Villas-Boas. E agora? Qual o próximo passo?

A época passada não correu de feição ao clube de Braga. Três treinadores, uma vaga de lesões, futebol pouco atractivo e o 5º lugar atrás do eterno rival minhoto, o Vitória SC. A época menos bem-conseguida mostrou alguns dos obstáculos inerentes ao processo de crescimento de um clube, desde a tentativa de conciliação da opinião e do apoio dos adeptos aos treinadores escolhidos pela SAD, até à afirmação de um discurso de vitória e de vontade de crescimento.

Começando por José Peseiro, o “pé-frio” português, o escolhido por António Salvador para a época de 2016/2017. Capaz de demonstrar uma dinâmica ofensiva brilhante, descurando os aspetos defensivos, o técnico acumulou resultados interessantes ao longo da sua curta 2ª passagem pelo Estádio AXA. Contudo, a falange adepta bracarense nunca apoiou verdadeiramente o treinador, tendo os resultados da Supertaça e a eliminação do SC Braga às mãos do Sporting da Covilhã para a Taça de Portugal ditado o divórcio entre adeptos e equipa técnica. Curiosamente, Salvador cedeu a esta pressão das bancadas e despediu Peseiro, que tinha levado o Braga a fazer uma campanha interessante na Liga NOS.

Falhanço inesperado [Fonte: Lateral Esquerdo]

Seguiu-se Jorge Simão, o treinador revelação/maravilha da primeira volta da Liga Portuguesa, liderando um Chaves recém-promovido e que vinha adquirindo, aos poucos, um estatuto de clube respeitado até pelos grandes, que passaram grandes dificuldades no estádio transmontano. Com um discurso ambicioso, de vitória, fazendo crer que o Braga se poderia intrometer até na luta por posições mais cimeiras, o técnico deliciou os ouvidos de Presidente e adeptos. Mas terá sido na sua gestão de balneário que Simão falhou redondamente. Trazendo consigo jogadores já seus conhecidos de Chaves (Battaglia, Paulinho e Assis) e tendo colocado em cheque alguns dos pesos pesados do balneário bracarense (André Pinto, Alan, Hassan e até Stojilikovic), Jorge Simão pareceu servir de “testa-de-ferro” para uma limpeza de balneário, que terminou com o despedimento do técnico. Para além dessa má gestão de um plantel complexo e com muitas opções, o futebol paupérrimo que levou à perda da Taça da Liga diante do Moreirense e a uma série de outros resultados menos bons demonstraram que a “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecê-lo”.

Pelo meio, surgiu Abel, um profissional com muitos anos de Liga NOS, uma postura irrepreensível, que abordou sempre o seu papel transitório com dignidade e acabou premiado com a subida a treinador do plantel principal.

E o que poderemos esperar este ano?

A limpeza de balneário levou à saída de jogadores com muitos anos de casa, como Alan (agora no papel de dirigente), André Pinto (saído em desgraça para o Sporting CP) e Baiano, por exemplo. Paralelamente, numa espécie de “raid” pelos clubes da Liga NOS que, normalmente, ficam abaixo do SC Braga, António Salvador foi capaz de resgatar vários talentos da 1ª Liga, contratando Sequeira, Raúl Silva (um dos melhores centrais da época passada), Fransérgio, Dyego Sousa, Paulinho (que havia feito uma enorme temporada na 2ª Liga ao serviço do Gil Vicente) e Fábio Martins. Para além disso, foi ainda capaz de ser reforçar com André Moreira, Danilo Silva e Ricardo Horta, jogadores jovens com talento, Jefferson e Esgaio (num negócio incrível com o Sporting CP por Battaglia) e ainda fez subir ao plantel principal jogadores como  Xadas e Pedro Neto, ambos grandes esperanças do futebol português.

A manutenção da estrutura base do final da época passada e a aposta num técnico jovem e carismático como Abel poderão ser enormes mais-valias para a época que se avizinha. O SC Braga parece mais bem preparado que os seus rivais na luta pelo 4º lugar.

Ainda muito a provar, apesar do potencial [Fonte: SC Braga]

Mas então, lutar pelo 4º lugar ou avançar para o título?

Antes de mais, os adeptos bracarenses e a SAD bracarense não podem cair na tentação de recordar com um saudosismo inebriante os sucessos de há 7 anos atrás. A final da Liga Europa já passou e o 2º lugar não voltou a ser repetido. Deverá ser analisado o percurso que levou a esses mesmos resultados, passando pela escolha criteriosa de treinadores de António Salvador, com Jesualdo Ferreira, Paulo Fonseca, Leonardo Jardim, Jorge Jesus, entre outros, a assumirem as rédeas do clube, bem como a contratação de jogadores que mais tarde vieram a ser contratados pelos três Grandes e se tornaram mais-valias para estes.

Anos áureos [Fonte: SC Braga]

Será lírico pensar que este SC Braga é o Braga desses tempos: nem os adversários se encontram tão desorganizados nem os jogadores têm tanta qualidade como os de essa altura (Eduardo, João Pereira, Mossoró, Vandinho, Hugo Viana, só para dizer alguns). Para além disso, o plantel deste ano parece curto para fazer frente a tantas competições, começando a qualificação tão cedo para a Liga Europa (ainda em Julho).

Assim, creio que o SC Braga se encontra agora mais próximo de lutar pelo 4º lugar do que pelo 3º e a sua distância para os rivais candidatos ao título tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. Uma reflexão profunda precisa-se, para que um clube com uma massa adepta tão fervorosa, uma cidade tão jovem e em franco crescimento e jogadores talentosos possam ter a oportunidade de quebrar o marasmo criado pelos 3 grandes do futebol português. Pelo bem da Liga NOS, o Braga tem de se reencontrar.

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Marcelo BritoJunho 21, 20176min0

A queda da União Desportiva Oliveirense da Ledman LigaPro, na época 2015/16, suscitou o interesse dos verdadeiros adeptos do desporto rei no que aconteceria, nos seguintes anos ao gigante de Oliveira de Azeméis. Houve quem projectasse uma queda, a pique, para os distritais, mas houve também quem guardasse no silêncio a esperança de ver os unionistas regressarem aos campeonatos profissionais. Pois bem, bastou uma época para a Oliveirense dar um murro na mesa e voltar ao segundo principal escalão do futebol nacional.

Iniciado o Campeonato de Portugal Prio, o percurso da União Desportiva Oliveirense mostrou-se aquém do espectado. Na primeira metade da fase regular, Série C, o clube apenas venceu três jogos – Sousense, Moimenta da Beira e Salgueiros – tendo empatado por duas vezes e perdido por quatro. Até então, a esperança dos mais fiéis seguidores fraquejava. Iniciada a segunda volta, o clube de Oliveira de Azeméis acordou e arrasou toda a concorrência.

Nos restantes nove encontros, empatou duas vezes e somou sete triunfos – seis consecutivos. Garantiu o primeiro lugar da Série em igualdade pontual com o Salgueiros e, assim, a título de curiosidade, atirou o eterno rival Sanjoanense para fora na luta pela ascensão à Segunda Liga.

Como consequência de um apuramento ‘tremido’, nem todos colocavam a Oliveirense como principal candidato à subida, tendo em conta as equipas presentes na fase de promoção da Zona Norte. Clubes com igual e forte capacidade financeira como Merelinense, Salgueiros, Gafanha ou até o próprio Marítimo ‘B’, não conseguiram destronar uma caminhada sólida, concisa e objectiva dos pupilos de Luís Miguel.

Oito vitórias em 14 partidas, mais três empates e outros tantos desaires garantiram à Oliveirense o regresso à Ledman LigaPro. Aqui, destaque para a última jornada. A União perdeu com o Salgueiros e, mas o Merelinense não aproveitou, tendo empatado a dois em Viseu frente ao Lusitano.

Na luta pelo título de campeão do CPP, a Oliveirense não conseguiu colocar a cereja no topo do bolo ao perder frente à formação que mais consistência apresentou durante a temporada, Real, tendo perdido por 2-0.

O homem por trás do sucesso

Até aqui, apenas dados estatísticos que abrilhantaram, mais, a história oliveirense. Mas afinal, a quem devemos atirar as culpas pelo sucesso do clube? Pessoalmente, e tudo bem que os treinadores não jogam, mas arriscaria no timoneiro Pedro Miguel.

Um ‘velho’ conhecido de um emblema que orientou durante oito épocas consecutivas – entre 2004 e 2012 – e que não teve receio de assumir e unir, com sucesso, uma equipa psicologicamente abalada pelos problemas causados pela ‘Operação Jogo Duplo’, investigação sobre resultados combinados e apostas ilegais na Segunda Liga, proveniente de uma denúncia da Federação Portuguesa de Futebol. É público que Hélder Godinho, Luís Martins, Ansumané e Pedro Oliveira, ex-jogadores do plantel unionista, chegaram a ser detidos para interrogatório.

O plantel levou uma ‘lavagem’ e Pedro Miguel contou apenas com um leque de atletas que disponibilizaram-se em trabalhar única e exclusivamente em prol do emblema que carregaram ao peito. Salienta-se a lealdade do central formado no clube, Sérgio Silva, a quem propostas, de divisões com maior dimensão, não faltaram.

A este, juntou-se a experiência dos defensores Zé Pedro e Raúl, da dupla de médios da ‘casa’ Oliveira e Godinho e ainda de Gabi, proveniente do Estarreja. Na frente, nota para a irreverência dos estrangeiros Edivândio, Cuero e Alemão e ainda da jovem promessa do futebol nacional Serginho, também ele formado localmente. Estes quatro jogadores contribuíram, no total, com 24 golos. A Oliveirense marcou, em toda a época, 44…

Como reforços do clube para a temporada transacta, Ricardo Tavares (Sanjoanense), João Mendes (Operário Lagoa), Clayton (Académico de Viseu), Leozão (Madureira, Brasil) e Kiki (Mafra) mostraram-se cruciais para completar o puzzle de Pedro Miguel.

A Oliveirense está de volta aos campeonatos profissionais, mas volta a pairar a dúvida da consistência do emblema. Voltará a integrar o lote de candidatos à ascensão ao principal escalão nacional de futebol? O futebol aveirense está exclusivamente representado por Feirense, sendo que Beira-Mar não consegue sair dos distritais e Arouca desceu ao segundo escalão na última temporada, na… última jornada.

O clube não deve sonhar demasiado alto para a realidade financeira. Urge cimentar-se na Ledman LigaPro e, diria, com os apoios e estrutura necessária e imprescindível, almejar a subida à elite do futebol nacional num prazo de dez anos. O passo não deve ser maior do que a perna.

Foto: Orgulho Oliveirense

Nova casa para a nova temporada

Certo é que passos estão a ser dados para contrariar as já conhecidas adversidades da Oliveirense. As condições do Estádio Carlos Osório, ou melhor, a falta delas originaram uma decisão da direcção. A União competirá, em 2016/17, no Estádio Municipal de Aveiro, antiga casa do Beira-Mar que, devido a problemas financeiros, actua no ‘velhinho’ Mário Duarte.

Esperam-se ainda conclusões da ‘Operação Ajuste Secreto’, realizada esta semana em Oliveira de Azeméis, na qual Hermínio Loureiro e Isidro Figueiredo – antigo e actual presidente da Câmara local, respectivamente – são encarados como principais arguidos pela Polícia Judiciária.

Em causa está a adjudicação de obras relacionadas com clubes do concelho, entre os quais a União Desportiva Oliveirense. Ainda não são conhecidos detalhes da investigação e, assim não é possível afirmar se o clube sairá ou não prejudicado.

Problemas que não parecem afectar a direcção do clube que, apesar de estarmos numa fase embrionária da época de contratações, já prepara a próxima temporada desportiva a todo o gás. Depois da derrota frente ao Real, o clube não perdeu tempo em anunciar as saídas de Raphael Mello, Tiago Melo, Fazenda, Diogo Silva, Leozão, Zé Pedro Sousa, Kiki e Edivândio. Certas estão as renovações de Oliveira, Gabi, Cuero, Raúl, Rafa e Serginho. Até à publicação deste artigo, o único reforço oficializado é Júlio Coelho, antigo guarda-redes do Penafiel.

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Marcelo BritoJunho 21, 20176min0

A queda da União Desportiva Oliveirense da Ledman LigaPro, na época 2015/16, suscitou o interesse dos verdadeiros adeptos do desporto rei no que aconteceria, nos seguintes anos ao gigante de Oliveira de Azeméis. Houve quem projectasse uma queda, a pique, para os distritais, mas houve também quem guardasse no silêncio a esperança de ver os unionistas regressarem aos campeonatos profissionais. Pois bem, bastou uma época para a Oliveirense dar um murro na mesa e voltar ao segundo principal escalão do futebol nacional.

Iniciado o Campeonato de Portugal Prio, o percurso da União Desportiva Oliveirense mostrou-se aquém do espectado. Na primeira metade da fase regular, Série C, o clube apenas venceu três jogos – Sousense, Moimenta da Beira e Salgueiros – tendo empatado por duas vezes e perdido por quatro. Até então, a esperança dos mais fiéis seguidores fraquejava. Iniciada a segunda volta, o clube de Oliveira de Azeméis acordou e arrasou toda a concorrência.

Nos restantes nove encontros, empatou duas vezes e somou sete triunfos – seis consecutivos. Garantiu o primeiro lugar da Série em igualdade pontual com o Salgueiros e, assim, a título de curiosidade, atirou o eterno rival Sanjoanense para fora na luta pela ascensão à Segunda Liga.

Como consequência de um apuramento ‘tremido’, nem todos colocavam a Oliveirense como principal candidato à subida, tendo em conta as equipas presentes na fase de promoção da Zona Norte. Clubes com igual e forte capacidade financeira como Merelinense, Salgueiros, Gafanha ou até o próprio Marítimo ‘B’, não conseguiram destronar uma caminhada sólida, concisa e objectiva dos pupilos de Pedro Miguel.

Oito vitórias em 14 partidas, mais três empates e outros tantos desaires garantiram à Oliveirense o regresso à Ledman LigaPro. Aqui, destaque para a última jornada. A União perdeu com o Salgueiros e, mas o Merelinense não aproveitou, tendo empatado a dois em Viseu frente ao Lusitano.

Na luta pelo título de campeão do CPP, a Oliveirense não conseguiu colocar a cereja no topo do bolo ao perder frente à formação que mais consistência apresentou durante a temporada, Real, tendo perdido por 2-0.

O homem por trás do sucesso

Até aqui, apenas dados estatísticos que abrilhantaram, mais, a história oliveirense. Mas afinal, a quem devemos atirar as culpas pelo sucesso do clube? Pessoalmente, e tudo bem que os treinadores não jogam, mas arriscaria no timoneiro Pedro Miguel.

Um ‘velho’ conhecido de um emblema que orientou durante oito épocas consecutivas – entre 2004 e 2012 – e que não teve receio de assumir e unir, com sucesso, uma equipa psicologicamente abalada pelos problemas causados pela ‘Operação Jogo Duplo’, investigação sobre resultados combinados e apostas ilegais na Segunda Liga, proveniente de uma denúncia da Federação Portuguesa de Futebol. É público que Hélder Godinho, Luís Martins, Ansumané e Pedro Oliveira, ex-jogadores do plantel unionista, chegaram a ser detidos para interrogatório.

O plantel levou uma ‘lavagem’ e Pedro Miguel contou apenas com um leque de atletas que disponibilizaram-se em trabalhar única e exclusivamente em prol do emblema que carregaram ao peito. Salienta-se a lealdade do central formado no clube, Sérgio Silva, a quem propostas, de divisões com maior dimensão, não faltaram.

A este, juntou-se a experiência dos defensores Zé Pedro e Raúl, da dupla de médios da ‘casa’ Oliveira e Godinho e ainda de Gabi, proveniente do Estarreja. Na frente, nota para a irreverência dos estrangeiros Edivândio, Cuero e Alemão e ainda da jovem promessa do futebol nacional Serginho, também ele formado localmente. Estes quatro jogadores contribuíram, no total, com 24 golos. A Oliveirense marcou, em toda a época, 44…

Como reforços do clube para a temporada transacta, Ricardo Tavares (Sanjoanense), João Mendes (Operário Lagoa), Clayton (Académico de Viseu), Leozão (Madureira, Brasil) e Kiki (Mafra) mostraram-se cruciais para completar o puzzle de Pedro Miguel.

A Oliveirense está de volta aos campeonatos profissionais, mas volta a pairar a dúvida da consistência do emblema. Voltará a integrar o lote de candidatos à ascensão ao principal escalão nacional de futebol? O futebol aveirense está exclusivamente representado por Feirense, sendo que Beira-Mar não consegue sair dos distritais e Arouca desceu ao segundo escalão na última temporada, na… última jornada.

O clube não deve sonhar demasiado alto para a realidade financeira. Urge cimentar-se na Ledman LigaPro e, diria, com os apoios e estrutura necessária e imprescindível, almejar a subida à elite do futebol nacional num prazo de dez anos. O passo não deve ser maior do que a perna.

Foto: Orgulho Oliveirense

Nova casa para a nova temporada

Certo é que passos estão a ser dados para contrariar as já conhecidas adversidades da Oliveirense. As condições do Estádio Carlos Osório, ou melhor, a falta delas originaram uma decisão da direcção. A União competirá, em 2016/17, no Estádio Municipal de Aveiro, antiga casa do Beira-Mar que, devido a problemas financeiros, actua no ‘velhinho’ Mário Duarte.

Esperam-se ainda conclusões da ‘Operação Ajuste Secreto’, realizada esta semana em Oliveira de Azeméis, na qual Hermínio Loureiro e Isidro Figueiredo – antigo e actual presidente da Câmara local, respectivamente – são encarados como principais arguidos pela Polícia Judiciária.

Em causa está a adjudicação de obras relacionadas com clubes do concelho, entre os quais a União Desportiva Oliveirense. Ainda não são conhecidos detalhes da investigação e, assim não é possível afirmar se o clube sairá ou não prejudicado.

Problemas que não parecem afectar a direcção do clube que, apesar de estarmos numa fase embrionária da época de contratações, já prepara a próxima temporada desportiva a todo o gás. Depois da derrota frente ao Real, o clube não perdeu tempo em anunciar as saídas de Raphael Mello, Tiago Melo, Fazenda, Diogo Silva, Leozão, Zé Pedro Sousa, Kiki e Edivândio. Certas estão as renovações de Oliveira, Gabi, Cuero, Raúl, Rafa e Serginho. Até à publicação deste artigo, o único reforço oficializado é Júlio Coelho, antigo guarda-redes do Penafiel.

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Pedro CouñagoJunho 18, 201712min0

Explorar o Tondela é explorar uma história de sonho, que implica a ultrapassagem de diversos obstáculos e contém múltiplos acontecimentos emocionantes ao longo dos últimos anos. Nos últimos três anos, as emoções no clube têm estado num máximo histórico, com este artigo a contar tudo sobre o que tem sido uma viagem atribulada, mas bem-sucedida.

A subida

24/05/2015. Esta foi a data do acontecimento que mudou a vida do CD Tondela e da cidade de Tondela. Há muitos anos que não havia um clube na Primeira Liga proveniente da Beira Alta. O maior clube da região sempre foi o Académico de Viseu por estar sediado na capital de distrito, o que sempre lhe conferiu maior notoriedade. Contudo, o Tondela, desde 2005 até 2015, foi subindo de forma meteórica de divisão, desde as Distritais, até que, em abril de 2015, o sonho estava muito próximo.

Faltava um mês para o término da época e a equipa auriverde tinha a possibilidade de subir de divisão.  A verdade é que o Tondela acusou a pressão e ficou a sofrer até ao último jogo, sofrendo inclusivamente uma pesada derrota por 3-0 em casa com o Desportivo das Aves, algo que colocou em causa a subida. O duelo com o Freamunde, na última jornada da época, era decisivo. Três equipas disputavam os dois lugares de subida: Desportivo de Chaves, Tondela e União da Madeira.

Com a vitória do União da Madeira, ficava a subida do Tondela garantida, mas o União não subia, algo que se alterou radicalmente com um golo ao cair do pano, passados já quase 4 minutos dos 90 regulamentares, que não só garantiu a subida de União e Tondela, como ainda deu o título da Segunda Liga ao conjunto beirão. Aquele momento foi muito ansiado ao longo de largos anos, e ainda teve o condão de acabar com o sonho do Chaves em regressar à Primeira Liga (sonho concretizado no ano seguinte, e, curiosamente, mais um caso de sucesso ao longo dos últimos anos).

Cedo se anteciparam vários cenários e vários desafios. Era uma equipa desconhecida, que muitos consideravam não ter estofo para uma primeira divisão, devido a nunca ter passado pela experiência. E a verdade é que o fantasma da primeira época na Primeira Liga e o cenário de descida imediata pairou durante bastante tempo na equipa. 

O primeiro milagre

Os dois primeiros grandes desafios passaram pela construção de um plantel competitivo e pela renovação do estádio. Ambos se refletiram diretamente no desempenho dos beirões na primeira volta da temporada 2015/2016. Apenas na 13ª jornada pôde o Tondela jogar no seu estádio, já a meio de dezembro, e jogar tantos desafios longe do seu reduto traduziu-se em derrotas, muitas derrotas. A equipa apenas conquistou 5 pontos em 12 jornadas, resultando em duas chicotadas psicológicas: Vítor Paneira, à 5ª jornada, e Rui Bento, ao fim de mais sete.

O plantel era mediano para aquilo que eram as pretensões da equipa, comparado com as restantes equipas em luta direta. O onze tipo continha poucos elementos de real destaque, tirando Jhon Murillo (prodígio emprestado pelo Benfica), Nathan Júnior (melhor marcador da equipa com 13 golos, o autêntico salvador da equipa), Wagner (experiente extremo direito) e os capitães Pica e Kaká, dois centrais de rijos rins, mas de uma entrega inigualável no clube. A contratação de Zubikarai, ex-guardião da Real Sociedad, por exemplo, prometia alguma segurança à necessitada baliza tondelense, mas a verdade é que fracassou e teve de ser Cláudio Ramos, já há muitos anos na equipa, a defender as redes da equipa na segunda volta, e a verdade é que acabou por ser um dos grandes heróis. Podia ser-lhe feita uma estátua dada a monstruosidade das suas exibições, tanto em 2015/2016, como em 2016/2017. 

A grande transformação do Tondela passou pela entrada para o comando técnico de Petit. É inegável reconhecer este fator, já que o técnico conseguiu incutir na equipa uma raça e determinação na equipa que até aí não eram vistos. Após a viragem do ano, com a entrada de Petit, deu-se uma transformação quase milagrosa nos resultados do clube, que resultou na conquista de 22 pontos na segunda volta, e de uns incríveis 17 nas últimas 8 jornadas.

Tal como no ano da subida, o Tondela necessitava de um bom resultado no último jogo para alcançar os seus objetivos, e a verdade é que o conseguiu, vencendo um histórico do futebol português que acabou por descer de divisão, a Académica. Em conjunto com a derrota do União da Madeira, as estrelas alinharam-se e o milagre aconteceu: o Tondela havia sobrevivido a uma intensa batalha pela manutenção e estava na Primeira Liga para contar a história.

O primeiro salvador do Tondela (Foto: Lusa)

Uma época salva por Petit e com alguns resultados de destaque, como a vitória no Dragão por 1-0 ou o empate nos últimos minutos frente ao Sporting por 2-2, em pleno Estádio de Alvalade, que colocou muita pressão nos leões e, de certa forma, os arredou do título. Muito se especulou sobre se havia sido um golpe de sorte, se alguma vez o Tondela teria a mesma sorte no ano seguinte. O que acontece no ano seguinte é ainda mais incrível.

O milagre a dobrar!

A época 2016/2017, para o Tondela, pode ser descrita por uma palavra: destino. É verdade, teve de ser o destino a ditar um desfecho incrivelmente semelhante àquele da época anterior. A verdade é que os dois primeiros jogos (frente a Benfica, em casa, e Desportivo de Chaves, fora) pareciam indicar uma maior consistência de jogo, uma equipa mais predisposta a lutar pelo resultado e com mais possibilidades de lutar firmemente pelos seus objetivos. Mas depois tudo voltou ao panorama anterior, da primeira volta da época anterior, com apenas 2 vitórias nas primeiras 12 jornadas. Os resultados vinham a conta gotas, algo que, mais uma vez, se pensou não ser suficiente para uma equipa da dimensão do Tondela.

Mais uma vez também, o plantel era insuficiente. Convém notar que existiram algumas boas adições ao mesmo, pelo menos à primeira vista, como os laterais David Bruno e Jailson, os médios Claude Gonçalves e Pité (que desiludiu), e o atacante Miguel Cardoso, que, com a permanência de jogadores como Murillo e Wagner, permitiam alguma esperança. Mas a verdade é que o centro da defesa e o ataque ressentiam-se da construção desequilibrada do plantel, pois Kaká e Pica não chegavam para todas as batalhas e saiu Nathan Júnior, o principal abono de família na época anterior, sem que algum outro jogador o substituísse convenientemente. Apenas Murillo chegou à marca dos 5 golos durante toda a época.

Murillo, um dos elementos mais importantes nas últimas duas épocas (Foto: Maisfutebol)

Quem sofreu as consequências? Petit. A 9 de janeiro, 13 meses depois de chegar ao comando técnico da equipa, o treinador pediu a demissão devido ao mau momento da equipa, que permanecia no último lugar do campeonato. Pediu a demissão depois de uma derrota caseira por 2-1 com o Arouca, derrota irrelevante no final do campeonato, mas excelente do ponto de vista da necessidade de mudança. O mais curioso? O jogo com o mesmo Arouca, em casa deste, revelou-se capital na história da época do Tondela.

Não seria fácil para qualquer treinador assumir o cargo numa altura tão delicada. A direção apostou em Pepa, uma opção arriscada tendo em conta que o treinador havia sido anteriormente despedido do Moreirense devido a maus resultados. Petit, o anterior técnico do Tondela, foi, dois meses depois, treinar o Moreirense, algo que reflete a dança das cadeiras existente no futebol português no que a treinadores diz respeito.

A adaptação de Pepa não foi nada fácil. O técnico começou por fazer uma boa leitura e trazer alguns reforços necessitados, como o caso de Osorio (central), Pedro Nuno (médio atacante, emprestado pelo Benfica) e Heliardo (ponta de lança), que, entre eles, marcaram 7 golos importantíssimos na segunda volta. Mas a verdade é que o poderio das novas aquisições demorou a traduzir-se em pontos.

É reconhecido a Pepa um estilo de jogo positivo, com bastante apetência pela posse de bola, mas a verdade é que os erros individuais dos seus jogadores se sucediam, transformavam-se em derrotas e o Tondela parecia não conseguir reagir. A primeira vitória de Pepa surgiu a 28 de janeiro, frente ao Desportivo de Chaves, por 2-0, mas a segunda apenas surgiu a meio de abril, frente ao Rio Ave. Pelo meio, 9 jogos em que a equipa conquistou apenas 4 pontos, estando assim cada vez mais condenada à descida. A equipa chegava à 29ª jornada, ao jogo com o Rio Ave, com apenas 17 pontos, um registo claramente insuficiente para a salvação e o cenário da despromoção adensava-se.

O jogo com o Rio Ave mudou tudo. Essa vitória caseira, sofrida, por 2-1, pareceu dar o clique de que a equipa precisava para, pelo menos, continuar ligada às máquinas e sonhar com a permanência. E a verdade é que o Tondela conseguiu mais uma vitória, frente ao Nacional, mantendo a esperança viva. Depois, surgiu um percalço no Bessa, com uma derrota inglória, corrigida com uma vitória caseira frente ao Vitória de Setúbal. Do nada, 3 vitórias em 4 jogos davam alento e esperança ao grupo auriverde para a real final, que podia (e, na realidade, iria) decidir tudo: Arouca-Tondela.

O Arouca, se vencesse, garantia a manutenção e atirava o Tondela para a Segunda Liga. Se o Tondela ganhasse, adiava tudo para a última jornada. Este jogo pode-se considerar como um dos mais importantes e históricos do clube tondelense, e principalmente para Pedro Nuno, já que o jovem médio apontou dois excelentes golos que deram a volta ao jogo e garantiram a única vitória fora de portas da equipa, por 2-1. E que altura para vencer!

Chegava a última jornada, e 3 equipas estavam em disputa por dois lugares na Primeira Liga: Arouca, Moreirense e Tondela. Aquele que poderia parecer ter o jogo mais acessível, frente ao Estoril, perdeu, com as duas outras a vencerem Porto e Braga, respetivamente. Ou seja, o Tondela, mais uma vez, na derradeira jornada, conseguiu evitar a descida de divisão na última jornada, ganhando a uma das mais fortes equipas do campeonato por 2-0.

A massa adepta do Tondela a festejar com os seus heróis (Foto: Maisfutebol)

Esta recuperação teve um sabor ainda mais especial que a da época transata, com a conquista de 15 pontos nas últimas 6 jornadas. O destino sorriu ao Tondela dois anos seguidos, e acabou por atirar o Arouca (lembram-se da saída de Petit?) para a Segunda Liga, quinto classificado em 2015/2016 e que, durante a época, disputou uma eliminatória bastante renhida com o heptacampeão grego Olympiacos. Naturalmente, a festa foi rija na Beira Alta, e ninguém pode discutir que os jogadores auriverdes mereceram tudo aquilo que alcançaram.

À terceira é de vez, a vez da consolidação ou “Não há duas sem três”?

Já se percebeu que o Tondela é uma equipa imprevisível, que nunca se pode nem deve descartar em qualquer ocasião. Tal faz com que não seja fácil prever como se comportará o Tondela versão 2017/2018.

Levantam-se três cenários: a possibilidade do ditado “À terceira é de vez” se concretizar e, depois de dois milagres, a equipa acabar por descer à Segunda Liga; a equipa se consolidar no panorama da Primeira Liga e conseguir realizar um campeonato tranquilo; ou, por fim, a equipa acabar por operar um terceiro milagre e fazer uma má primeira metade de campeonato, acabando-a de forma espetacular e a evitar a descida no último suspiro. As respostas ficam todas para a próxima edição da Liga NOS, sendo que, daqui, fica um desejo de que a equipa continue a fazer história em termos internos, de clube, e em termos regionais, já que a Beira Alta merece ter um clube na Primeira Liga.

Já começaram a ser dados alguns bons passos na consolidação, com a garantia da manutenção de David Bruno e Pité (de quem se espera mais) a nível definitivo, e as contratações de Joãozinho e Ricardo Costa, dois defesas bastante experientes e boas aquisições para a realidade do clube. Mais importante ainda, a renovação de Pepa, que sugere uma confiança da direção no seu trabalho e vem trazer um maior grau de segurança ao técnico e à sua equipa.

O segundo salvador do Tondela. Que fará ele a seguir? (Foto: Maisfutebol)

Por outro lado, nota-se também uma espécie de renovação de almas em Tondela, com as saídas de Pica e Kaká, que muito deram ao clube, mas que agora saem para rumar a outras paragens, deixando assim um espaço aberto ao que necessita de ser um reforço do centro da defesa, além de Ricardo Costa.

Existe muita curiosidade para ver o que faz o Tondela na sua terceira época consecutiva na Primeira Liga e espera-se que o clube continue a dar cartas no panorama nacional, de forma a honrar todo o esforço e dedicação que tem sido posto em campo nas últimas três temporadas.

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Ao constatar que o número de rondas da Ledman LigaPro equivale ao número de quilómetros de uma maratona, percebemos de imediato que estamos perante uma analogia perfeita. A meta foi cortada este fim-de-semana, e está na hora de contar o que aconteceu ao longo deste percurso espinhoso.

PORTIMONENSE E DESP. AVES: NÃO DEIXES PARA A SEGUNDA VOLTA O QUE PODES FAZER NA PRIMEIRA

A partir do momento em que Vítor Oliveira foi anunciado oficialmente em Portimão, a probabilidade de voltarmos a ter um emblema algarvio no escalão principal do futebol português aumentou drasticamente. Aqui inclusive, chegámos a escrever o prólogo desta bela narrativa. A possibilidade acabou por se confirmar, e Vítor Oliveira garantiu o título e a sua nona subida ao primeiro escalão. Em 2016/17, conseguiu a promoção mais folgada de sempre do currículo, com quatro partidas por disputar, batendo a anterior marca alcançada no Paços de Ferreira (três jornadas), em 1990/91.

Tudo começou a ficar bastante encaminhado por via de um outro recorde, o de mais pontos somados na primeira metade da competição (52 em 63 possíveis), feito que deixou os perseguidores a 17. Esta vantagem confortável foi importante para manter os adversários à distância no decurso de uma segunda volta menos extasiante. Lumor Agbenyenu e Amilton Silva, dois dos melhores jogadores da competição, mudaram-se para o 1860 Munich no Mercado de Inverno, ao mesmo tempo que as lesões se alastraram pelo plantel, sobretudo no quarteto defensivo. Os resultados da segunda volta espelharam um pouco estes obstáculos inesperados, enfatizados pela dureza do calendário, com oito derrotas em 21 encontros. Ainda assim mantiveram-se no topo até final, e puderam celebrar a conquista do campeonato. Entre os protagonistas da subida, é imperioso destacar Paulinho, médio criativo cujo talento surge cada vez mais como um dado adquirido, e Pires, o homem com mais golos da história da prova, que voltou a sagrar-se melhor marcador da época.

Também o Desp. Aves se esmerou na primeira metade, só que a quantidade de tropeções que seguiu, colocou os corações dos adeptos avenses em estado de sítio, e motivou a saída de Ivo Vieira do comando técnico, substituído por José Mota. Tudo parecia estar a correr pelo melhor, e o veterano guarda-redes Quim até bateu o seu recorde pessoal de minutos sem sofrer golos (568), mas o período entre a 24ª e a 31ª jornada ameaçou seriamente uma queda ao terceiro posto. Foram cinco derrotas em oito jogos, responsáveis por esbater a vantagem de 15 pontos para 4 num ápice. Felizmente para os avenses, José Mota revelou engenho suficiente para recuperar animicamente o grupo, e devolvê-lo à Primeira Liga, dez anos mais tarde.

UM PELOTÃO RECHEADO MAS DEMASIADO DISTANTE

Apesar das vicissitudes acima referidas que afectaram os conjuntos promovidos, tanto o Portimonense como o Desp. Aves acabaram por ser demasiado fortes para os restantes competidores. Os perseguidores formaram na tabela classificativa um pelotão bastante alargado que se estendeu ao décimo lugar, mas cuja distância pontual era impeditiva. O União da Madeira, que arrebatou discretamente o terceiro posto, fixou-se a 17 (!) pontos do Desp. Aves.

Durante a temporada, houve alguns elementos deste grupo que conseguiram colocar os agora primodivisionários em alerta. O Santa Clara (10º), por exemplo, protagonizou um excelente arranque, sendo posteriormente vítima da instabilidade no comando técnico que se verificou após a saída de Daniel Ramos. Já na segunda volta, Académica (6º) e Varzim (9º) pareciam capazes de aproveitar os deslizes inesperados do Desp. Aves, só que isso não passou de uma miragem. Penafiel (5º) e Sp. Covilhã (8º), as boas surpresas deste campeonato, completaram o grupo do pelotão, juntamente com algumas equipas B.

O CASO PREOCUPANTE DO OLHANENSE

Os rubro-negros afundaram-se rapidamente na classificação, enquanto direcção e SAD continuaram a trocar publicamente acusações de ingerência. Isidoro Sousa, presidente do clube, começou por escrever uma carta aberta aos sócios, onde denunciava a dimensão do passivo criado pela SAD em apenas 36 meses. Em resposta, o presidente da SAD Luigi Agnolin assumiu alguns dos erros ‘na escolha da estratégia desportiva’, sem deixar de atacar a direcção, acusando-a de populismo e de incitamento dos sócios contra a SAD. Anunciou também um investimento de 300 mil euros já para a próxima época, com o objectivo de regressar ao segundo escalão de imediato. Será o Olhanense capaz de o conseguir, tendo como pano de fundo esta guerra aberta entre clube e SAD?

AS JOVENS ESPERANÇAS DAS EQUIPAS ‘BÊS’

Pese embora alguns sustos passageiros, a generalidade das equipas B denotou qualidade no decurso da temporada, e várias individualidades estão prontas para dar o salto. Os casos mais evidentes são os de Dénis Duarte (V. Guimarães B), central possante com auspiciosa margem de progressão, e de Diogo Gonçalves (Benfica B), extremo que se encontra a representar a selecção nacional Sub-20 no Campeonato do Mundo. Outra figura do conjunto encarnado que também está presente na competição, e que deverá ficar às ordens de Rui Vitória é o centrocampista Pedro Rodrigues. Mais a Norte, o lateral belga Anthony D’Alberto (Sp. Braga B) liderou o campeonato das assistências (9), e merece igualmente um olhar atento. Ficam a faltar as reservas de Porto e Sporting, onde o eixo defensivo despertou curiosidade. O já conhecido Chidozie reclama por uma segunda oportunidade, ao passo que nos ‘leões’, o central Ivanildo Fernandes chama pela equipa principal.

Ac. Viseu e Leixões (15º e 16º) ainda não têm o seu destino decidido, e vão lutar pela permanência na Ledman LigaPro no Playoff, frente aos pretendentes do Campeonato Nacional, Merelinense e Praiense. Os encontros estão agendados para os próximos dias 27 de Maio (1ª Mão) e 3 de Junho (2ª Mão).

A EQUIPA IDEAL

CLASSIFICAÇÃO

Fonte: Soccerway
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Chegou ao fim mais uma temporada no segundo escalão, pelo que está na hora de homenagear os melhores futebolistas dos relvados da Ledman LigaPro. Em 2016/17 tivemos triângulos centrocampistas quase perfeitos, parcerias frutíferas nos corredores, e muita solidez defensiva, sem esquecer os fantasiosos. Eis os escolhidos do Fair Play.

Não concorda com o nosso XI do ano? Deixe a sua sugestão nos comentários!

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Nas costas de uma das balizas do relvado do Complexo Desportivo da Abóboda, em Cascais, vislumbra-se um vasto mural, onde figuram os diversos patrocinadores do clube anfitrião, o Abóboda. Entre os mais proeminentes está o cartaz da Next Level Sports, que nos convida a jogar futebol e a estudar numa universidade norte-americana. Ao olharmos para o cartaz com a devida atenção, rapidamente percebemos que o local onde nos encontramos não é apenas o palco de confrontos entre equipas da 2ª Divisão da Associação de Futebol de Lisboa, mas também uma antecâmara para algo ainda maior.

A presente temporada marcou a estreia oficial da equipa de futebol sénior do Abóboda, muito por via da parceria estabelecida com a Next Level Sports, empresa de consultoria que se define enquanto “especialista na localização de Bolsas de Estudo em Universidades norte-americanas para atletas/estudantes das modalidades de Futebol e Ténis”. José Justo, responsável pela Central 32, organização que orienta todo o futebol do Grupo de Instrução Musical e Desportivo da Abóboda, reconhece a importância desse contributo. “Não tínhamos capacidade para ter os seniores sozinhos, e com a Next Level conseguimos. A ideia é continuarmos a crescer juntos, e a trabalhar para construirmos um clube cada vez mais forte”, adianta.

Por enquanto, o emblema de São Domingos de Rana ocupa a sétima posição do escalão de entrada da AFL, ainda com uma mão-cheia de jogos por disputar, mas já sem perspectivas de almejar uma subida no seu ano inaugural. O representante da Next Level Sports em Portugal, Tasslim Sualehe, explica-nos que a promoção estava nos planos, todavia, a jovem média de idades da equipa, a difícil adaptação ao estilo de jogo físico que se pratica neste escalão, e o aparecimento em simultâneo de vários clubes com sérias pretensões à subida, acabaram por embargar o objectivo. Ainda assim, o balanço é claramente positivo. “Tem sido óptimo para o clube, que inscreveu uma equipa sénior, e tem sido óptimo para nós, porque podemos oferecer competição aos nossos jogadores sem clube, enquanto se preparam para viajar até aos Estados Unidos. Vamos enviar entre 20 a 25 atletas este ano, nunca tínhamos enviado tanto, e tem muito a ver com o clube”, revela Tasslim Sualehe.

Nem só de futebolistas da Next Level Sports se compõe o plantel do Abóboda, embora representem uma fatia substancial do grupo, com tendência para aumentar nas próximas temporadas, tal como esclareceu Tasslim Sualehe. “Neste primeiro ano, eu tive de colocar um bocado de experiência na equipa, e fui buscar mais jogadores fora, pelo que a percentagem de jogadores da Next Level rondará os 30%. Para o ano, projectamos cerca de 70%”.

E será que a coexistência destes dois perfis distintos de jogadores no mesmo balneário pode comprometer o espírito colectivo? O actual treinador do Abóboda, Daniel Simões, garante-nos que não. “Os atletas que não pertencem ao projecto Next Level, assim que vieram ao primeiro treino, já sabiam ao que vinham. Antes de assinarmos com cada um dos atletas, tivemos uma conversa, explicando o projecto, e que seria diferente de um clube dito ‘normal’ […] Se colocarmos tudo em cima da mesa, logo desde o início, não existe qualquer problema na gestão do grupo”.

Alguns dos jogadores inscritos na Next Level Sports ultimam os detalhes para atravessar o Oceano Atlântico já em Agosto. É o caso de Hugo Martins, que irá frequentar a Licenciatura em Robótica e Automação na University of Ohio. O guarda-redes do Abóboda ressalva a utilidade da equipa, pela oportunidade de somar minutos antes de ingressar numa aventura desportiva e académica além-fronteiras. “É muito importante, especialmente para um guarda-redes, ter minutos de jogo, para estar pronto, e chegar lá com o ritmo que preciso. Foi uma das coisas que me ajudou a escolher o Abóboda”.

Nuno Sousa, outro dos atletas que está prestes a pisar solo norte-americano, tem aproveitado os treinos regulares e a competição para colmatar o défice físico resultante de quatro anos de paragem. “O grande foco do futebol nos Estados Unidos é o físico, e mesmo tendo muita técnica, se não nos apresentarmos bem fisicamente, não jogamos. Por isso, o facto de estar aqui a treinar é bastante bom para melhorarmos a nossa condição física e chegarmos lá em forma”. O centrocampista do Abóboda prepara-se para tirar uma pós-graduação em Business Leadership, na Ohio Valley University.

A marca da Next Level Sports e do jogador português está cada vez mais latente no ensino superior norte-americano, e não tardará muito até podermos ver os primeiros resultados desse trabalho, que ganha uma nova força com a edificação de uma equipa própria. Da Abóboda para os Estados Unidos, e daí logo veremos.

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Fair PlayMaio 10, 20175min0

Luís Cristóvão, comentador do Eurosport Portugal e sócio do Sport Clube União Torreense, aproveita o centenário do emblema de Torres Vedras para revisitar o passado, e apontar caminhos para o futuro.

O movimento desportivo popular em Portugal, no início do Século XX, gerou por cidades e vilas uma série de associações, clubes e agremiações que estariam longe de imaginar que, cem anos depois, se configurariam em embaixadores locais, tornando o desporto, como tantas vezes é repetido, a mais impactante forma de tornar esses locais mencionados na comunicação social nacional. O poder, obviamente, associa-se a essa tendência, tal como se pode comprovar com a recente visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Torres Vedras. A razão? Os cem anos do Sport Clube União Torreense.

Quem festeja um aniversário fá-lo, sobretudo, para relembrar as glórias e os feitos de uma instituição. No entanto, aquilo que hoje se marca é, acima de tudo, a sobrevivência. Porque dos muitos e variados clubes nascidos nesses longínquos anos, poucos ficaram para contar a história. No caso do nascido como Sport União Torreense, conforme registo de 1917, essa sobrevivência foi-se fazendo dos simbolismos criados em seu redor. Olhando para a história dos presidentes do clube ao longo destes cem anos, conforme pode ser confirmado no mural instalado na Exposição do Centenário, percebe-se que o clube é uma espécie de “Quem é quem” de nomes incontornáveis da história do Concelho de Torres Vedras.

CURRÍCULO EM DIFERENTES MODALIDADES

O clube foi fundamental para o desenvolvimento de um sem-número de modalidades na vila de Torres Vedras, tendo sido uma das equipas que fundou a Associação de Basquetebol de Torres Vedras em 1933. Mas foi o futebol, em conjunto com o Atletismo e o Ciclismo, aquele que lhe terá permitido mais conquistas. O Atletismo ainda hoje perdura no clube, enquanto o Ciclismo permitiu vitórias na Volta a Portugal e até a participação na Volta a Espanha, nos anos 80, como Sicasal-Torreense.

Ao futebol ficam reservadas as glórias de uma presença na final da Taça de Portugal em 1956, um título da 2ª Divisão Nacional em 1955 e seis presenças na 1ª Divisão, a última das quais em 1991/92. A história mais recente terá, como ponto alto, a vitória no Estádio das Antas, em Fevereiro de 1999, em jogo da Taça de Portugal, numa temporada em que a equipa atingiu os quartos-de-final. Actualmente, a equipa sénior encontra-se a disputar o Campeonato de Portugal, na Fase de Subida, apesar de, matematicamente, já não lhe ser possível sonhar com a Segunda Liga.

CEM ANOS E DEPOIS?

Aos clubes centenários, a principal questão que se coloca é a do seu futuro. O Sport Clube União Torreense é, hoje em dia, uma associação sem dívidas fiscais, situação ultrapassada na presente temporada, depois de anos a gerir uma dívida que lhe fez, inclusive, perder os terrenos onde se encontra o seu estádio, actualmente propriedade da Câmara Municipal. Tem, no entanto, uma dívida bancária que exige, ainda assim, muitos cuidados, como tem relembrado o Presidente António Vicente, também conhecido como Toinha, dos tempos em que foi jogador do clube. Esta tomada do poder por um antigo atleta é, sem dúvida, um dos maiores sinais de esperança, entrando em clara dissonância com a história das últimas décadas. O clube nas mãos daqueles que são o clube é uma novidade que se saúda.

Ainda que a equipa sénior seja gerida por uma SAD de maioria chinesa, os jogos do Torreense na presente temporada impõem essa visão de um regresso ao movimento popular que terá estado na génese de tantos clubes por todo o país. Novas gerações de adeptos retomaram o hábito de marcar presença no Estádio, vivendo-se em muitos jogos um autêntico ambiente de festa que sempre caracterizou o clube nos seus melhores momentos. O reconhecimento entre adeptos, jogadores e equipa técnica é outra das riquezas da situação actual do Torreense, que será tanto mais positiva se se verificar que se trata, realmente, de um novo começo.

A perspectiva de crescimento do parque desportivo municipal, com a construção de novos campos onde as camadas jovens do clube possam evoluir, junto ao Estádio, é outro dos pontos positivos da actualidade do clube. O passo mais seguro para esta retomada do clube pelas pessoas do clube passará, sem dúvida, por alargar a proximidade às equipas de formação, um costume do passado (“ir ver os miúdos do Torreense”) que se perdeu com a passagem dessas equipas para outras localidades do concelho.

Mas o futuro do Sport Clube União Torreense não pode ficar por aqui, porque a sua missão de unir e desenvolver o desporto no concelho de Torres Vedras exige um rasgo de quem o dirige para que se possa concretizar em pleno. A um modo de jogar futebol “à Torreense” que sempre se reconheceu na forma exigente como as bancadas do Manuel Marques apoiaram o seu clube, é preciso associar o desenvolvimento da modalidade num caminho que aproveite todas as potencialidades da região.

O Sport Clube União Torreense continua a ser o clube com mais história e maior potencial na Região Oeste. Afirmá-lo, não apenas em termos de passado, mas sobretudo através de uma marca distintiva na formação de jogadores, com capacidade de influenciar os clubes em seu redor e apresentando-se como símbolo de um projecto desportivo global é o passo que se exige.

No fundo, ver o clube como um marco regional fundamental pela sua capacidade transformadora e não pela sua capacidade mediática. Existirão sempre Presidentes da República prontos a visitar a cidade em dias de festa. Aquilo que se exige e espera é que o Sport Clube União Torreense possa ser um transmissor de evolução pessoal e comunitária no seu quotidiano. Haverão mais cem anos para o conseguir.


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