Arquivo de Utah Jazz - Fair Play

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Nuno CanossaAbril 18, 20227min0

Poupar-vos-ei de detalhadas apresentações. Os playoffs da NBA iniciaram-se no passado sábado e, à data, já se realizaram todos os 1ºs jogos de cada uma das séries. E se é verdade que 1 só jogo é uma amostra demasiado pequena para que se possam fazer precisas conclusões, também é importante notar que a tarefa se torna mais prática do que antes de a série se iniciar. Assim sendo, proponho-vos uma viagem cronológica ao primeiro fim-de-semana de postseason desta temporada.

UTAH JAZZ 99-93 DALLAS MAVERICKS

No momento em que a ausência de Luka Doncic foi dada como inevitável para o Jogo 1 e quase certa para o 2º, uma vasta comunidade de adeptos e analistas sentiu-se suficientemente confortável para entrar no comboio da equipa de Salt Lake City – que ainda assim parece ter como estação final a 2ª ronda dos playoffs da NBA. É que, por mais que se tenha notado uma desconexão entre as principais figuras dos Jazz, os pupilos de Quin Snyder têm talento individual para se distanciarem destes Mavericks, que sem Luka não conseguiram demonstrar o seu caudal ofensivo.

Rudy Gobert brilhou – sim, mesmo só com um lançamento de campo que nem concretizou -, dominando as tabelas e relembrando aos seus pares o porquê de ter 3 DPOY na estante de casa (e com um 4º provavelmente a caminho). Royce O’Neale deu o beijo da morte depois de um 3º período inspirado de Donovan Mitchell e, sem sequer impressionarem os próprios fãs, os Jazz partirão para Utah com vantagem em casa e com a possibilidade de a fecharem no primeiro regresso, se triunfarem novamente em Dallas. Só depois virá Luka e com provas dadas por parte dos Mavs a nível defensivo e, em momentos, também ofensivamente, a série poderá ir tão longe quanto o seu gémeo permitir. Por enquanto, Utah Jazz em 6.

MINNESOTA TIMBERWOLVES 130-117 MEMPHIS GRIZZLIES

E foi no 2º jogo do 1º dia de playoffs da NBA que surgiu a 1ª surpresa que, ainda assim, não surpreendeu muito. Isto porque, os Timberwolves demonstraram na sua única partida do play-in (frente aos Clippers) que não só mereciam ter conseguido o acesso direto, como que seriam um adversário difícil de encarar na 1ª ronda. E a realidade, é que não poderiam ter um emparelhamento mais interessante, já que neste 1º jogo e no resto da série teremos pela frente as duas equipas que jogam mais rápido (mais posses por 48 minutos) das 16 presentes.

Prova disso são os 27 pontos marcados em situações de ataque rápido (fastbreaks), que em termos percentuais significariam 10% da pontuação final. Ainda assim, os Wolves conseguiram impedir que os Grizzlies dominassem no pintado, zona onde se sentem mais confortáveis, com Towns, Vanderbilt e McDaniels a dominarem em ambas as tabelas e a permitirem apenas 8 ressaltos ofensivos – praticamente metade da média da temporada regular. Assim sendo, com o esperado maior acerto e volume de triplos por parte da equipa visitante, a vitória dos Wolves surgiu de forma natural ficando no ar uma questão: será que a equipa de Minneapollis conseguirá continuar a superiorizar-se aos Grizzlies no garrafão? Porque se sim, consigo visualizar um cenário onde a série é decidida em 7 jogos, atribuindo, no entanto, o favoritismo à equipa de Memphis.

TORONTO RAPTORS 111-131 PHILADELPHIA 76ERS

Ao que tudo indicava, os 76ers já estavam eliminados ainda antes sequer de entrarem em campo pela primeira vez frente à equipa canadiana. E, no entanto, o domínio foi claro da equipa da casa, sem sequer contarem com uma performance propriamente inspirada do candidato a MVP da NBA, Joel Embiid. Quem assumiu o jogo foram mesmo as duas peças às quais mais se vai exigir que estejam no seu melhor momento na altura de fechar jogos e/ou séries. De forma eficaz e agressiva, Harris e Maxey fizeram metade dos pontos da equipa com destaque claro para os 36 do também-ele-candidato-mas-a-MIP.

Quem também deu uma brilhante resposta foi James Harden, agressivo no ataque ao cesto e a encontrar de forma rigorosa o parceiro em melhor posição para encestar (14 assistências/1 turnover). Quanto aos Raptors, que parecem ainda estar na época regular, ficam obrigados a vencer este jogo 2 se quiserem verdadeiramente aproveitar o facto de Mathisee Thybulle não poder jogar em Toronto. Isto, tendo em conta que Maxey, Harris e Harden deverão ter rendimentos inferiores, algo que me continua a levar a escolher os Raptors em 7, ainda que muito menos confiante.

DENVER NUGGETS 107-123 GOLDEN STATE WARRIORS

A melhor versão dos Warriors está mesmo de volta e nem foi preciso mais de 21 minutos de Curry, que veio do banco, para vencer confortavelmente uns Nuggets que durante toda a temporada revelou escassez e profundidade no plantel. Jordan Poole e Andrew Wiggins encaixam que nem uma luva no Big Three e com apenas um jogo nos relembramos o porquê de a equipa californiana ter sido considerada a favorita no início da temporada.

Já sabemos o que podemos contar com o melhor de Curry, Thompson e Green e embora haja equipas com argumentos para os ‘parar’, não será Jokic que, apesar de toda a qualidade ofensiva e defensiva, não deverá conseguir estender esta série além dos 6 jogos. Muito menos se Aaron Gordon não aparecer nos dois lados do campo, algo que se sucedeu neste primeiro encontro. Por esta primeira partida, Warriors em 6 parece uma aposta segura.

HAWKS 91-115 HEAT & PELICANS 99-110 SUNS

Saltei a ordem temporal e agrupei dois jogos, é verdade. Mas, não só porque me entusiasmei nas restantes, como faz sentido que assim seja. Aqui está o único senão do play-in: o clássico rust vs rhythm. E deixem-me como vos diga, é preferível o descanso. Porque o vir em ritmo também significa cansaço e não é só o dos constantes vaivéns dentro do campo. Em ambos os casos, as equipas jogaram em casa na quarta-feira, deslocando-se a Cleveland e LA na sexta e só depois partiram para os destinos onde realizaram os primeiros jogos dos playoffs da NBA. São viagens longas, com fusos horários diferentes e com as partidas a começarem em momentos diferentes do dia.

No caso dos Hawks, foram menos de 36 horas entre a chegada a Miami e o 1º jogo onde o cansaço físico e mental era efectivamente perceptível. Seriam os resultados diferentes se também Hawks e Pelicans tivessem tido uma semana para descansar, estudar o adversário e viajar com antecedência? Provavelmente não, mas assim ficamos com a certeza de que se tornará ainda mais complicado o 8º classificado não entrar na 1ª ronda da NBAa perder por 1-0. Posto isto, masterclass de CP3 no 4º período e um colectivo dos Heat eficaz na defesa e no lançamento, inclinam-me para Heat e Suns em 5.

BROOKLYN NETS 114 – 115 BOSTON CELTICS

Perdoem-me, mas aqui só vos digo isto: vejam porque isto vão ser sete jogos frenéticos desta parelha na NBA.

CHICAGO BULLS 86 – 93 MILWAUKEE BUCKS

Estávamos todos à espera do mesmo: 4 jogos fáceis dos Bucks nesta 1ª ronda dos playoff da NBA. É verdade que 1 vitória já está conseguida, mas foi tudo mas simples de se conquistar. Curiosamente, os Bulls mantiveram-se no jogo graças à sua defesa, já que o ataque teve de passar por Nikola Vucevic. Derozan e Lavine concretizaram apenas 12 dos 44 lançamentos, recorrendo demasiado ao conhecido hero ball e a forçarem demasiado as suas zonas de (des)conforto. Quanto aos Bucks jogaram o quanto baste e não perdendo este, não os vejo a perder mais nenhum. 4-0 para Milwaukee.

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João FerreiraMaio 20, 20182min0

Se o Most Valuable Player of The Year ou o Rookie of the Year são prémios que o público espera afincadamente, este ano o  prémio do Coach of the Year (o COY) tem um certo encanto pelas circunstâncias em que está a ser cogitado.

Por um lado, Brad Stevens, (na opinião do Fair Play, o melhor treinador da NBA) é o mais jovem dos 3 candidatos mas é um treinador que só pode ser comparado a Gregg Popovich. Conseguiu levar os Boston Celtics à final da Conferência Este, sem Kyrie Irving e Gordon Hayward e tem jogado com jogadores como Ojeleye e Yabosele e mesmo assim é uma das equipas mais consistentes da NBA. A revelação de Terry Rozier e a grande forma de Jayson Tatum e Jayden Brown, fazem desta equipa uma das melhores.

Por outro, Dwane Casey, o treinador despedido da equipa dos Toronto Raptors. Não deixa de ser irónico que o treinador que levou os Raptors ao primeiro lugar da Conferência Este, à frente dos Celtics e dos Cavaliers. Fez com que DeMar DeRozan desse o salto de qualidade no que diz respeito ao jogo e tornou os Raptor uma equipa temível, com o seu jogo interior de excelência, com Valenciunas em destaque, e o jogo exterior com OG Anuoby e Kyle Lowry em destaque. No entanto, a época fica marcada pela vassourada que levaram contra os Cavaliers.

Por fim, Quin Snyder, o treinador que transformou os Utah Jazz numa das equipas mais temíveis da NBA. Se é verdade que o trabalho foi muito bem feito pelo seu GM, quando foi buscar Donovan Mitchell, no Draft do ano passado, a troca de Ricky Rubio de Minnesota para Utah por uma pick deste ano também foi muito boa. Para além disso, Crowder, Gobert, e o próprio Jerebko deram um salto qualitativo que permitiram a Utah ganhar um jogo na série contra Houston.

Para nós, Brad Stevens é o melhor treinador do ano.  Para os nossos fairplayianos quem é?

 

 

 


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