Arquivo de Sporting Kansas City - Fair Play

Ian-Semar-2-13.2-e1498405479576.jpg?fit=1050%2C399&ssl=1
António Pereira RibeiroJunho 25, 20174min0

Nos meandros incógnitos do segundo escalão do futebol colombiano, os olheiros do Sporting Kansas City conseguiram encontrar um jovem Jimmy Medranda. Anos mais tarde, converteram o lateral em extremo, e estão agora a colher os frutos sumarentos da sua aposta certeira. Conhece melhor este ala colombiano que se tem destacado na MLS, num artigo desenvolvido em parceria com a Talent Spy.

Os primeiros passos de Jimmy Medranda no futebol foram dados no Deportivo Pereira, emblema que milita na segunda divisão da Colômbia. Por lá manteve-se até completar 19 anos. O seu estatuto de desconhecido iria provavelmente prolongar-se por mais algum tempo, só que um acaso chamado Octavio Zambrano concedeu-lhe uma oportunidade inesperada. O técnico equatoriano tinha concluído uma ligação de três anos como assistente no Sporting KC quando chegou ao Deportivo Pereira, e, ao testemunhar o potencial de Medranda, decidiu referenciá-lo aos seus ex-patrões. Este networking deu a origem a um empréstimo em 2013, que convenceu os responsáveis norte-americanos a assegurarem o jogador em definitivo um ano mais tarde.

Os minutos não apareceram de imediato, e foi preciso esperar até 2016, para vermos Jimmy Medranda de forma regular no lado canhoto da defesa do Sporting KC. A sua vocação ofensiva deu tanto nas vistas ao longo da época, que o técnico Peter Vermes achou por bem adiantar o seu posicionamento no corredor. O rendimento e a influência de Medranda cresceram substancialmente no 4x3x3 da equipa, contribuindo de forma decisiva para o sucesso colectivo evidenciado na primeira metade de 2017.

Soccerway

O colombiano também chegou a ser testado no meio-campo, onde deu uso à sua leitura de jogo acima da média, mas é mesmo na ala que exprime melhor o seu futebol. Apesar da sua posição mais avançada no terreno, Medranda não convence pelas estatísticas ofensivas. Medranda assume-se como um extremo combativo, capaz de proteger todo o corredor, como poucos o fazem na MLS. Combina a velocidade com a resistência e a agressividade, tornando-se um obstáculo difícil de ultrapassar, mesmo para os laterais mais afoitos. Sabe fazer incursões rápidas e soltar colegas quando é necessário, da mesma forma que recua e bloqueia as investidas dos adversários com bravura.

Nos aspectos a melhorar, devemos apontar o seu jogo aéreo deficitário, e o pouco esclarecimento que demonstra muitas vezes na hora de rematar à baliza. Outra questão que se tem colocado prende-se com a condição física do jovem lateral, sempre um assunto sensível desde a sua chegada aos Estados Unidos. Contudo, a partir do momento em que começou a jogar regularmente, as maleitas físicas dissiparam-se. Veremos até quando.

BOA OPÇÃO PARA…

Grêmio Porto AlegrenseApesar de apresentar o melhor futebol do Brasileirão neste arranque de temporada, a Máquina Tricolor ainda não conseguiu dar o salto até à liderança da tabela classificativa. A contratação de um polivalente como Medranda, capaz de ocupar qualquer espaço na faixa esquerda, e até no centro do terreno, poderia ser a peça que faltava.

GD Estoril Praia – O técnico Pedro Emanuel está a acertar agulhas no seu plantel para a época que se avizinha, e Medranda seria, sem dúvida, uma opção interessantíssima, não só para 2016/17, mas sobretudo considerando uma perspectiva a longo-prazo. Acessível ao bolso dos canarinhos, o jovem colombiano tem um potencial desportivo e financeiro que não pode ser descurado.

dom-dywer.jpg?fit=1024%2C577&ssl=1
António Pereira RibeiroOutubro 26, 20164min0

Aos 18 anos, os médicos britânicos disseram-lhe que nunca poderia jogar futebol profissional, em resultado de sucessivas fracturas no pé. Hoje, Dom Dwyer é um dos avançados mais prolíferos da Major League Soccer. Conheça melhor o perfil deste goleador nato, através do ‘FP Scouting’, rubrica desenvolvida em colaboração com a Talent Spy.

Dwyer iniciou a sua história como futebolista nas camadas jovens do Norwich City, e foi aí que partiu o pé três vezes. O departamento médico de então desaconselhou fortemente uma carreira profissional, veredicto que levou o avançado britânico a apostar na formação universitária nos EUA. Curiosamente, as lesões crónicas desapareceram em terras norte-americanas, e em 2012, acabou por ser escolhido pelo Sporting Kansas City, no SuperDraft.

Completamente tapado por Teal Bunbury, CJ Sapong e Kei Kamara no ano de estreia, Dwyer apenas começou a ter algum reconhecimento na segunda temporada, altura em que conseguiu ser campeão da MLS e da USL Pro (terceiro escalão) em simultâneo. Titular indiscutível na frente de ataque desde 2014, totaliza 57 golos no conjunto das últimas três épocas disputadas. Ora matematicamente falando, estes números representam uma média de 19 golos por época, registo invejável para qualquer liga do mundo.

Soccerway
Soccerway

Podemos definir o avançado britânico como uma autêntica ‘carraça’, daquelas que não larga nem por nada. A margem de erro das defensivas contrárias reduz drasticamente quando o portentoso Dwyer está em campo, devido às suas acções de pressão constantes, que só terminam com o ruído do apito final. Rápido e com efectiva capacidade de sacrifício, revela-se uma unidade extremamente útil nos momentos de recuperação colectivos.

Dom Dwyer peca somente por não ser um avançado completo. Tem um pé esquerdo fortíssimo e apurado, que ajuda a explicar a sua média de golos.  No entanto, o seu pé direito é apenas razoável, e mesmo a sua arte no cabeceamento pouco impressionante. A fraca qualidade da distribuição no último terço do terreno perfila-se também como um dos seus pontos fracos mais evidentes.

O futebolista do Sporting KC sempre demonstrou interesse em obter dupla-nacionalidade, e a conclusão do seu processo de naturalização está por semanas. Foi esse desejo que levou Dwyer a recusar a proposta apresentada pelo Olympiakos no último Verão. Assim que se tornar elegível para representar a selecção dos Estados Unidos, integrará rapidamente o lote de opções de Jürgen Klinsmann. Campeonato do Mundo de 2018 à vista?

BOA OPÇÃO PARA…

Valerenga IF; Aberdeen FC – A Noruega em geral e o Valerenga IF em particular já tiveram boas experiências com jogadores provenientes da MLS. O conjunto sediado em Oslo procura revitalizar-se, de forma a regressar aos lugares europeus, e Dwyer seria uma óptima opção para render o internacional Mohammed Abdellaoue a partir de 2017. Como o calendário competitivo norte-americano e norueguês coincidem, não existe o risco de se verificar um jet-lag competitivo. Quanto ao Aberdeen, necessita de armas suplementares para se tentar intrometer na luta pelo título que o Celtic tem vindo a conquistar de forma crónica. O avançado irlandês Adam Rooney precisa de séria concorrência no plantel.

CD Nacional – O arranque do emblema madeirense em 2016/17 está longe de ser famoso, e caso o cenário não mude drasticamente nas próximas semanas, o recurso ao mercado de Inverno será uma medida inevitável. A eventual contratação de Dwyer representaria um upgrade de qualidade, dada a sua superioridade qualitativa sobre Nelson Bonilla ou Ricardo Gomes.

dwyer1dwyer2dwyer3dwyer4


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS