Arquivo de Futebol - Página 2 de 9 - Fair Play

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Renato SalgadoAbril 9, 202011min0

Sem sucesso na negociação coletiva, os clubes da elite do Brasil iniciaram abril em situações distintas em relação aos salários de jogadores e funcionários durante a paralisação do futebol. Há quem não mexerá na remuneração, quem ainda tenta acordo e outros que já acertaram uma redução.

As férias coletivas já estão em curso, mas Atlético-MG e Fortaleza foram os que anunciaram um corte mais profundo na própria carne, chegando a até 25%. O time mineiro manteve um piso de R$ 5 mil. Ou seja, quem ganha menos que isso não sofre perdas: 77% dos funcionários, segundo estimativa do presidente Sérgio Sette Câmara. Além disso, o desconto percentual é escalonado. Os 25% atingem o topo da pirâmide.

No Rio, o Flamengo mantém o salário integral de abril e já informou no balanço que, caso a interrupção de jogos dure até três meses, o impacto será “absorvível”, sem representar riscos para as finanças do clube.

O Botafogo, que do exercício de 2020 pagou só janeiro, decidiu que não mexerá no salário dos jogadores.

— Não vamos tomar a decisão de salário agora. Não é algo tão simples, traz desgaste junto ao elenco. Queremos evitar ao máximo. É uma decisão extrema. Não tem sentido se precipitar — explicou Luiz Felipe Novis, vice de finanças alvinegro.

O Vasco conseguiu nesta semana finalmente encerrar os compromissos relativos a 2019. Em relação aos salários, o clube apostava inicialmente no acordo coletivo com a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf). Apesar do fim das conversas entre a entidade e a comissão de clubes, cuja recomendação é negociar individualmente, o cruz-maltino ainda não avançou. O presidente Alexandre Campello mantém diálogo com o capitão Leandro Castan, mas não há números fechados.

O presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, foi quem capitaneou a negociação com o sindicato dos jogadores. Mas ele também tem as questões internas para resolver. Diretores, gerentes e prestadores de serviços toparam 15% de redução salarial enquanto durar a pandemia. Nesta quarta-feira, o tricolor pagou 25% da folha de fevereiro, que venceu no quinto dia útil de março.

Na Série A, há clubes que fecharam acordo com os jogadores, mas evitam revelar o percentual. É o caso de Ceará e Grêmio. O Bahia também costura acordo:

— Estamos conversando com os atletas para definirmos até o início da próxima semana. Só vamos falar em números após o acordo. Estamos fazendo internamente primeiro — explicou Guilherme Bellintani, presidente do clube baiano.

No futebol paulista, há um cenário de incerteza em relação ao São Paulo. A primeira proposta do clube — redução de 50% dos salários — foi rejeitada pelos jogadores. O Palmeiras quer honrar os compromissos por inteiro. O Santos segue essa linha, enquanto o Corinthians analisa o cenário de crise antes de formalizar qualquer movimentação.

O Atlético-GO vive um certo aperto. Decidiu pagar março integralmente, mas abril é uma incógnita, até porque precisa lidar com a saída de patrocinadores.

— Esperamos que haja alguma medida do governo e da CBF. Nosso segmento emprega muita gente — disse o presidente Adson Batista.

Situação nos clubes da Série A

Athletico: Jogadores liberados por tempo indeterminado.

Atlético-GO: Além de férias, pagará março integralmente. Não definiu os meses seguintes.

Atlético-MG: Redução de 25% sobre o salário de funcionários, incluindo diretoria, jogadores e comissão técnica, pelo período em que durar a pandemia do coronavírus.

Bahia: Férias de 1º a 20 de abril. Conversa com atletas para definir questão salarial até o início da próxima semana.

Botafogo: Férias entre 1º e 20 de abril. Decidiu não reduzir salários dos jogadores agora.

Red Bull Bragantino: Pagará salário integral dos atletas. Férias de 1º a 20 de abril.

Ceará: Fez acordo para redução percentual do salário dos jogadores em março e abril. Não revela o número. Deu férias de 20 dias.

Corinthians: Férias de 20 dias. Não definiu a questão salarial.

Coritiba: Pagará salários de forma integral.

Flamengo: Férias de 20 dias. Pagará os salários integralmente.

Fluminense: Férias de 1º a 20 de abril. Diretores, gerentes e prestadores de serviços propuseram redução de 15% dos salários durante paralisação.

Fortaleza: O salário do elenco de março, pago em abril, terá abatimento de 25%, a ser quitado depois. Do salário de abril, jogadores renunciaram 10% em definitivo. Mais 15% será pago depois. Executivos do clube toparam 15% de renúncia definitiva enquanto durar o problema.

Goiás: Férias até o dia 20 de abril. Jogadores e clube negociam redução salarial.

Grêmio: Deu férias de 1º a 20 de abril. Anunciou redução salarial dos jogadores, mas não informou percentual.

Internacional: Concedeu férias de 1º a 20 de abril. Ainda avalia números antes de decidir negociar redução salarial com os jogadores.

Palmeiras: Férias de 1º a 20 de abril. Pretende manter os salários dos jogadores.

Santos: Férias de 1º a 20 de abril. Não pretende reduzir salários.

São Paulo: Determinou férias de 2 a 21 de abril. Propôs aos jogadores corte de 50% no salário pago em carteira e suspensão dos direitos de imagem a partir deste mês (com pagamento previsto para o início de maio). O acordo não foi fechado.

Sport: Tenta negociação individual. Férias de 20 dias.

Vasco: Deu férias de 20 dias. Aguarda negociação coletiva com os jogadores.

 

CBF anuncia medidas de apoio financeiro aos clubes e Federações

Entidade repassará às equipes que disputam as Séries C e D valores equivalentes à média de duas folhas salariais dos atletas de cada competição. O mesmo apoio será dado aos participantes das Séries A1 e A2 do Campeonato Brasileiro Feminino.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai destinar R$ 19 milhões, a título de doação, para a base da pirâmide do futebol coordenado pela entidade em competições de nível nacional, em função das dificuldades causadas pela pandemia do novo coronavírus. Cada clube que disputa as séries C e D do Campeonato Brasileiro vai receber um auxílio financeiro direto no valor equivalente a duas vezes a folha salarial média dos atletas de cada uma dessas divisões, segundo dados apurados no sistema de registro de contratos da CBF. A mesma medida será aplicada ao futebol feminino e destinada aos clubes que disputam as Séries A1 e A2 do Campeonato Brasileiro.

Serão beneficiados 140 clubes, em uma ação realizada pela CBF com o apoio das Federações Estaduais. O objetivo é colaborar para que esses clubes possam cumprir seus compromissos com os jogadores e jogadoras durante o período de paralisação do futebol. Além disso, a CBF decidiu doar para cada uma das Federações Estaduais o valor de R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais).

“Vivemos um momento inédito, de crise mundial, cuja extensão e consequências ainda não podem ser calculadas. É necessário, portanto, agir com critério e responsabilidade. O nosso objetivo, com essas novas medidas, é fornecer um auxílio direto imediato. Mas, além disso, temos que seguir trabalhando para assegurar a retomada do futebol brasileiro no menor prazo possível, quando as atividades puderem ser normalizadas”, afirma o presidente da CBF, Rogério Caboclo.

Os recursos de R$ 19.120.000,00 serão destinados da seguinte forma:

– Para os 68 clubes da Série D, o auxílio individual será de R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais), num total de R$ 8.160.000,00 (Oito milhões, cento e sessenta mil reais).

– Para os 20 clubes da Série C, o auxílio individual será de R$ 200.000,00 (Duzentos mil reais), num total de R$ 4.000.000,00 (Quatro milhões de reais).

– Para os 16 clubes da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino, o auxílio individual será de R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais), somando R$ 1.920.000,00 (Um milhão, novecentos e vinte mil reais).

– Para os 36 clubes da Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino, o auxílio por clube será de 50.000,00 (Cinquenta mil reais), com o desembolso total, pela CBF, de R$ 1.800.000,00 (Um milhão e oitocentos mil reais).

– Para as Federações Estaduais, são R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais) por entidade, num total de R$ 3.240.000,00 (Três milhões, duzentos e quarenta mil reais).

O pagamento dos valores destinados aos clubes será realizado a partir desta terça-feira, 7. Essas ações se somam a outras medidas tomadas anteriormente pela CBF, também com impacto financeiro direto para o sistema do futebol:

– Isenção por tempo indeterminado aos clubes das taxas de registro e transferência de atletas. A medida deve gerar aos clubes uma economia em torno de R$ 4.000.000,00 (Quatro milhões de reais) nos primeiros três meses de aplicação.

– Adiantamento de uma parcela de R$ 600.000,00 (Seiscentos mil reais) para os clubes da Série B do Campeonato Brasileiro referentes aos direitos de TV da competição, feito com recursos próprios da CBF, no valor total de R$ 12.000.000 (Doze milhões de reais).

– Adiantamento aos árbitros do quadro nacional do pagamento de uma taxa de arbitragem, calculada a partir da maior taxa paga pela CBF em 2019 para sua categoria, no valor total de R$ 900.000,00 (Novecentos mil reais).

Com isso, as doações e isenções da CBF aos clubes e Federações alcançam R$ 23.120.000,00 (Vinte e três milhões, cento e vinte mil reais). Somadas aos R$ 12.900.000,00 (Doze milhões e novecentos mil reais) em adiantamentos, as ações da CBF representam um total de R$ 36.020.000,00 (Trinta e seis milhões e vinte mil reais).

Além dessas medidas emergenciais, a CBF mantém seu compromisso com o investimento no futebol. Em 2019, a entidade aplicou R$ 535 milhões no futebol brasileiro, em suas diversas áreas. A CBF arca com os custos, no todo ou em parte, de 20 competições, que garantem milhares de empregos na indústria do futebol. Por exemplo, somente na realização das Séries C e D do Campeonato Brasileiro, há um investimento de cerca de R$ 80 milhões.

“Vamos manter os investimentos para permitir a realização das competições previstas para 2020”, diz Rogério Caboclo. “O nosso maior compromisso para preservar clubes e empregos é fazer a indústria do futebol voltar a funcionar quando a retomada for possível”, completa Caboclo.

Desde que suspendeu todas as competições nacionais e articulou com as Federações Estaduais para que fizessem o mesmo, a CBF trabalha em quatro eixos de ações:

1 – Preservação dos contratos e receitas dos clubes: a manutenção dos contratos existentes, em especial os contratos de direitos de televisão, que são a base da sustentação dos clubes, além dos patrocínios. Em relação à receita advinda da bilheteria, a CBF vem construindo diferentes alternativas de adequação do calendário, a partir da primeira data em que seja possível retomar as competições. Além disso, a CBF terá total flexibilidade para adotar medidas que viabilizem a conclusão de todas competições previstas para 2020.

2 – Acordos trabalhistas: através da Comissão Nacional de Clubes, a CBF apóia um processo de diálogo que permita acordos trabalhistas justos e equilibrados para clubes, atletas e funcionários. O primeiro fruto foi a decisão por consenso dos clubes de concessão de férias coletivas no mês de abril.

3 – Governo Federal: a Entidade está levando propostas juridicamente sustentáveis para que o futebol seja preservado. A CBF defende que sejam estendidas aos clubes as medidas que o governo federal vem oferecendo para as empresas, no sentido de resguardar empregos e os compromissos financeiros de curto prazo. No caso do PROFUT, uma lei específica para o futebol, a proposta é que os clubes recebam um prazo para readequar o pagamento de suas obrigações tributárias.

4 – Crédito: A CBF tem dialogado com o mercado financeiro para permitir o acesso dos clubes a linhas de crédito com juros baixos, que viabilizem atravessar o momento de paralisação dos campeonatos.

A CBF continua trabalhando intensamente, em conjunto com clubes e Federações, para que o futebol brasileiro supere esse enorme desafio.

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Gonçalo FariaMarço 26, 20205min0

O Futebol é um movimento que transporta Cultura, Alegria e Festa e desta forma, é uma modalidade cujo o contexto desportivo desenvolve-se através de várias modificações quer a nível emocional, bem como, informacional. Deste modo, e devido ao aumento exponencial das academias de futebol e escolas de formação, o tema designado por "Futebol de Formação" tornou-se cada vez mais popular e familiarizado no mundo desportivo.

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Bruno Costa JesuínoMarço 20, 20206min0

Em três décadas de vida nunca eu vi falar-se tão pouco de futebol. Muitas vezes parece ser um desporto que funciona num mundo à parte mas é jogado e gerido por humanos. E o ser humano tem a capacidade tanto de nos surpreender como de nos desiludir de um minuto para o outro. Mas depois de muita hesitação o futebol entrou em quarentena num mundo de oito e oitentas.

Pára. Não Pára. Pára um bocadinho. Até que pára de vez.

Houve quem tentasse manter o futebol activo mesmo numa altura em que já era o que menos interessava, mas felizmente houve consciências que o pararam. Aos poucos, mas pararam. O mundo começou a parar. O desporto parou. O futebol tinha de parar.

Várias actividades desportivas já deveriam ter parado há mais tempo. Sendo um problema transversal a todo a toda a humanidade, não fez qualquer sentido realizarem-se jogos num determinado local, enquanto outros jogavam à porta fechada ou iam sendo adiados.

Felizmente houve quem teve a ‘coragem’ de parar mais cedo. Num mundo global e com poucas fronteiras não serve a desculpa: “ah e tal mas aqui não tínhamos casos”. Com a constante circulação de pessoas de um lado para outro, um vírus de transmissão fácil como este viaja de um lado ao outro do mundo num ápice. Bons exemplos como de Macau, que ali ao lado da origem do vírus, fechou as suas fronteiras desde as primeiras notícias de casos.

O vírus que está a virar tudo de ‘pernas para o ar’

Ligamos a televisão, olhamos para as notícias. Fazemos zapping. Passamos pelos canais de informação. Nada. Nada de futebol. Vá quase nada. Nem para segundo, nem para terceiro plano, passou para décimo plano. Sendo que os outros nove se referem, por motivos tão óbvios quanto sérios, ao vírus que está a virar tudo de pernas para o ar.

O mais importante agora não é saber quem vai ser campeão ou a forma mais justa de o decidir, quando vai ser o Europeu, como os jogadores podem treinar… Como diria o grande JJ – que felizmente acusou negativo ao terceiro teste – isso são ‘peaners’. Importa centrar-nos nesta ‘guerra’ contra um inimigo invisível em que a nossa maior arma é o civismo e respeito pela ordem de quarentena, sendo esta voluntária ou não.

“O futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes”

Gostaria muito de dizer que esta frase era da minha autoria, mas infelizmente não é. Adoro frases que em poucas palavras dizem muita coisa e, esta afirmação do treinador italiano Arrigo Sacchi, encaixa que nem uma luva na situação actual. Encaixa tanto, que vou voltar a escrevê-la só para a lerem uma vez mais: “O futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes”,

A paixão sem limites que nos tira os pés do chão

Não será por acaso que é apelidado de desporto rei. O futebol move multidões, emoções, desejos, vontades, desesperos, frustrações e, tantos outros, sentimentos. É um verdadeiro fenómeno social, fortemente ligado à vida cultural em todo o mundo. Desperta a paixão de milhões de pessoas, libertando o lado mais instintivo e competitivo daqueles que acompanham cada jogo, na televisão ou na internet e até viajam para o outro lado do mundo para apoiar as cores do seu clube.

Com base neste comportamento social, o futebol muitas vezes parece a coisa mais importante da vida… pelo menos durante 90 minutos.

Futebol é uma das indústrias importantes

Apesar de não ser o mais importante, não podemos deixar de ver o futebol como uma ‘indústria’ importante. Tanto a nível de clubes como de seleções move milhões e milhões, e tem um impacto significativo no sector da economia e até do turismo. Deve ser tratado com a devida importância mas pondo, pelo menos por agora, a parte mais irracional de lado.

Muitos dos responsáveis do futebol, um pouco por todo o mundo, tentaram adiar as paragens dos campeonatos centrando-se apenas no desastre financeiro que seria. No entanto, como deveria ser sempre, os protagonistas principais foram os jogadores. Aproveitando o popularidade que têm, muitos deles lançaram nas redes sociais apelos para o futebol parar e para as pessoas ficarem em casa. Felizmente funcionou.

Portugal como campeão europeu até 2021?

O Campeonato da Europa vai ser mesmo adiado, ao que tudo indica para 2021. No entanto, também é possível que possa acontecer nos últimos meses de 2020, servindo de adaptação para o Mundial do Qatar de 2022 que se vai realizar de 21 novembro a 18 de dezembro. É uma hipótese que poderá fazer muito sentido, caso esta situação pandémica fique controlada nos próximos 3 ou 4 meses. Até lá, Portugal continua como campeão europeu até 2021.

Mas por enquanto vamos centrar-nos em vencer o campeonato da vida derrotando o Covid-19.

Vamos jogar o verdadeiro derby

Ontem, enquanto escrevia este artigo, tinha feito o apontamento que o queria acabar com o mote  “vamos jogar o verdadeiro derby”. Pouco depois, deparei-me com uma partilha que tinha esta descrição:

“Num momento que nunca foi por nós vivido, pede-se que sejamos os atores principais de um qualquer filme apocalíptico que nos habituámos a ver pela televisão”

“Agora coloquemo-nos todos a centrais e de forma bem clara vamos deixar este vírus fora de jogo!”
Venceremos ❣️🙏🏻 “

Conteúdos de qualidade. Precisam-se.

Numa altura em que a infodemia é maior que a pandemia, é bom dar relevo, partilhar e agradecer os conteúdos de qualidade, sejam eles informativos ou inspiracionais, como este. Bem precisamos. Obrigado ao Guilherme, pela autoria (mais uma), e à Sara, cujo timing de partilha fez com que visse este vídeo e o incluísse no artigo.

 

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Bruno Costa JesuínoJaneiro 20, 20207min0

Rivalidade. Rivalidade não é guerra. Embora pareça que no futebol há uma linha, demasiado ténue, que as separa. Felizmente, os protagonistas, ou pelo menos aqueles que o deviam ser, ainda nos dão muitos bons exemplos. Um desses casos é o badalado “Bruno Fernandes”, que nos últimos tempos tem dado bons exemplos de fair play fora de campo. Além disso, vamos falar no futebol. Mas daquela parte que interessa.

Bom exemplo, um que está sempre a reclamar durante os 90 minutos?

É um facto. O seu perfil em campo faz com que passe muito tempo a reclamar com árbitros e adversários durante os 90 minutos. Mas não é essa parte que o artigo quer destacar. É a capacidade de Bruno Fernandes não ter receio em falar sem tabus de assuntos que muitos não têm coragem de o fazer. Os elogios públicos aos “inimigos”. Ah, espera, isso é a forma como muitos pensam. Vou reformular. O capitão dos ‘leões’ elogiou publicamente a qualidade de vários rivais. No final da época passada, em declarações à RTP, no final da época passada, elogiou a capacidade um jogador portista.

Não vou dizer que sou eu. Não é uma questão de humildade a mais, mas não me consigo ver dessa maneira. Há um jogador que este ano até pode não ter sido tão preponderante, mas que gosto muito: o Brahimi. Para mim, quando quer, é o melhor jogador do campeonato.

As palavras estenderam-se ainda a outros destaques do rival da segunda circular, pelas excelentes época que fizeram.

Dos portugueses… Temos a surpresa João Félix, que fez um grande campeonato, mas pela influência que tem diria o Pizzi. Talvez até o possa colocar no mesmo patamar que o Brahimi.

Mas não se ficou por aqui, ainda esta época, o capitão do Sporting, fez um comentário nas redes sociais a elogiar a excelente prestação do benfiquista diante do Zenit.

Adivinhem o que aconteceu?

Se calhar não é preciso muito para se adivinhar o que aconteceu. Pois bem, no futebol, o elogio a rivais tem sempre o reverso da medal. Para grande parte dos adeptos ser simpático para um adversário é algo proibido, e quem o faz é considerado pelos mais radicais, como ‘traidor’. Inclusive por aqueles adeptos ‘famosos’ que vão à televisão. Lembro-me quando o Benfica ganhou ao Porto, um desses em adeptos, no Prolongamento, ter criticado por no fim do jogo Ricardo Quaresma ter dado um abraço a Jorge Jesus. Para ele, é inconcebível depois de uma derrota ser ‘simpático’ com um adversário. Óbvio que anos depois, também apoiou o ‘não cumprimentar’ que Sérgio Conceição fez a João Félix no mesmo estádio, e também após um desaire.

It’s  footbal, not war

O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes das nossas vidas.

Esta famosa frase é da autoria do ex-jogador e treinador italiano Arrigo Sacchi, e devia ser lembrada todos os dias. Lembrada e levada à letra. E após o apito final não eternizar guerras sem sentido e com base num clubismo exacerbado, que mais se aproxima de ódio. E tudo começar quando se odeia mais um rival do que se gosta do seu clube.

It’s football, not war. E sigam o exemplo, dos jogadores. Que por vezes não demonstram mais devido às más reacções de parte significativa dos adeptos. Por isso, parabéns Bruno. E que o teu ‘grande’ futebol continue a acompanhar a tua ‘grande’ postura. Seja onde for.

Nélson Semedo e Bruno Fernandes:

João Félix responde a Bruno Fernandes:

O nosso futebol: ponto de situação

Acabou a primeira volta do campeonato e em pouco mais de quatro meses muitas coisas há destacar. Vamos pegar em dois pontos positivos e um negativo.

A ‘dança’ dos treinadores ja dava (quase) para fazer um ‘onze’

Começar por um menos positivo. Desde o início houve dez mudanças de treinador. Quer dizer onze, com  saída de Folha do Portimonense durante o fim de semana. O Sporting, contando com o interino Leonel Pontes, e o Belenenses, já vão na terceira escolha. Não será por acaso as épocas conturbadas e abaixo das expectativas que ambas as equipas têm tido. Aliás, curiosamente, Silas, actual treinador do Sporting, começou a época no Belenenses (ou será que deverei B Sad ou Code City!).

Mas mais que a mudança de treinadores é a mudança de estratégia em poucos meses. O Marítimo começou a época com Nuno Manta Santos (agora no Aves), um treinador de transição, e ao fim de alguns meses mudou para José Gomes, um treinador que aposta num jogo de posse. O mesmo com Vitória Futebol Clube, que depois de Sandro, que montava a equipa centrada na segurança defensiva, apostou no espanhol Júlio Velasquez.

Em sentido oposto, o Belenenses que depois de Silas e Pedro Ribeiro, apostou em Petit. Treinador que se tem especializado em assumir salvar da descida equipas que assume a meio da época, mas que ao contrário dos antecessores, apresenta uma forma de jogar antagónica.

O grande Fama, o Gil de Oliveira e os recordes de Lage

A grande sensação da época tem sido o Famalicão, ainda por cima neste regresso à primeira liga depois de algumas décadas de ausência. Um projecto que está a ser criado há alguns anos e que está a dar frutos. Uma aposta em jogadores jovens, que têm tudo ainda para mostrar. Reforçou-se tanto no verão como agora no mercado do inverno. Até ver ainda não deixou sair nenhum dos principais jogadores, e está no sensacional terceiro lugar. Será que vai continuar a surpreender?

Quase tão surpreendente, o também regressado Gil Vicente. Com um plantel por montar a partir do zero, escolheu o experiente Vitor Oliveira, o mestre das subidas de divisão. Uma missão difícil nas mãos certas. Destaca-se a vitória sobre o Porto e Sporting, e mesmo depois de alguma séries negativas, encontra-se no 8º lugar, seis pontos acima da linha de água.

Mesmo com algumas fases negativas, principalmente após a derrota com o Porto, o Benfica de Bruno Lage teve a força de ir ganhando quando jogou mal. Com o regresso Gabriel e depois de Chiquinho, e a explosão de Vinícius a equipa estabilizou, mesmo quando perdeu o jogador que em melhor forma: Rafa. Em 51 pontos, conquistou 48, apresentando o melhor ataque e a melhor defesa (+7 golos e -5 que o Porto, respectivamente).

Uma palavra para a qualidade de jogo do Vitória Sport Clube, apesar de alguns resultados menos positivos do que as exibições adivinhavam.

Do trio benfiquista ao incontornável Bruno Fernandes

A prova quase imaculado do Benfica tem tido em Pizzi, desde o início, e melhoria exibicional com a entrada de Chiquinho e Vinícius. O primeiro porque é aquele que mais aproximou o Benfica das dinâmicas da época passada (quando tinha João Félix) e o brasileiro pelas novas soluções que deu à equipa, além da excelente média de golos.

No Porto o maior destaque tem sido Corona. O mexicano, jogue em que posição jogar é actualmente o mais imprescindível. Os reforços Marchesin, entrou muito bem na equipa, e Luis Diaz, embora a espaços, tem oferecido à equipa aquilo que Brahimi tinha de melhor.

No Braga, Ricardo Horta tem sido o mais influente na frente, enquanto Palhinha tem crescido muito. A capacidade de equilíbrio de dá a equipa faz lembrar a influência que Fejsa já teve no Benfica.

Na cidade de Guimarães, com um plantel bem recheado, Ivo Vieira tem rodado muito a equipa de jogo para o jogo. No entanto, o jogador mais utilizado, tem sido Tapsoba, um dos melhores centrais do nosso campeonato. No Sporting, Bruno Fernandes. Sempre, Bruno Fernandes.

Outros destaques: Kraev (Gil Vicente), Davidson (Vitória SC), Nehuén Perez, Pedro Gonçalves, Fábio Martins (Famalicão), Taremi (Rio Ave), Pepelu (Tondela), Filipe Soares (Moreirense) e Mehrdad Mohammadi (Aves).

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Bruno Costa JesuínoDezembro 25, 20197min0

Não só este Natal, como em todos, “All I want for Christmas is you” é provavelmente a música que mais ouvimos. Reza a história que Mariah Carey já ganhou cerca de 50 milhões só com este êxito. Mas neste artigo a música é outra. Futebol. E fazendo uma tradução livre e adaptada da música cantarolava qualquer coisa como “O que mais quero para o futebol são…” mentalidades renovadas.

E perguntam vocês, mentalidades renovadas, explica lá isso melhor

Ok. Já que perguntam, eu explico. Aliás não só explico como exemplifico. Em termos geral os adeptos portugueses auguram quase sempre o desastre e decepção antes de uma competição, mas depois, em caso de sucesso, esses mesmo adeptos passam da desconfiança à confiança exarcebada, às vezes à primeira vitória. Mas não ganhando o jogo seguinte entram novamente em estado ‘depressivo’. É dessa ambiguidade, de passar do 8 para 80, e do 80 para o 8, num simples estalar de dedos.

Ah Éder é um cone… Golo do Éder…. Ah eu sabia que ele ia marcar

O rapaz que marcou o golo mais importante da história do futebol português foi provavelmente o mais ‘mal amado’ de sempre entre os convocados nacionais numa competição de selecções. Mais consensual que a convocatória de Ronaldo, Rui Patrício, Pepe… só mesmo a não convocatória de Éder. Quase unânime. Talvez 1% do adeptos portugueses, e isto contabilizando família e amigos! Havia razões para isso. Sim havia. Ou poucos golos e as exibições cinzentas iam ao encontro disso. Mas Fernando Santo decidiu levá-lo, não para ser titular ou opção regular, mas porque podia ser útil em ‘determinados’ momento… de ‘determinados’ jogos. E foi mesmo.

Por acaso vi o jogo no Terreiro do Paço, o local onde possivelmente estariam mais portugueses juntos a ver o jogo, a seguir a Saint Denis. Um pouco por todo o lado houve uma espécie de coro de críticas misturada com assobios. Principalmente um grupo que estava ao meu lado.

E eu? Eu fiquei calado pois o meu pensamento voou de imediato para uma reportagem que vi meses antes do início europeu. Pediram a um jornalista para simular um golo de Portugal na final. E que nesse relato ensaiado era um golo de Éder frente à França. E até timidamente, para não mal augurar, comentei com alguém que estava ao meu lado. Atenção que se fosse o seleccionador, naquele momento, mais facilmente punha o (na altura) novato Rafa que o Éder.

Voltando ao grupo de pessoas que estava ao meu lado. Uma dessas pessoas estava mais ‘desbocada’ e descontrolada nas críticas. Tanto que um indivíduo, que não o conhecia, deu-lhe com o capacete na cabeça! (felizmente sem consequências). Sim, deve ter sido o único momento que deixei de olhar para o ecrã gigante. Mais
comedido só voltou a reagir após o golo do Éder e enquanto festejava gritou alto: “Eu sabia! Eu sabia que era o Éder a resolver”. É dessa dissonância de comportamento que falo. Está tudo mal, mas mesmo se quem resolve é quem mais crítica, passa de besta a bestial num instante. Rapidamente passou de ‘cone’ e ‘patinho feio’ para o “gajo que os f… tramou”, cantarolada vezes sem conta.

Futebol como fenómeno social

Essa alteração de opiniões acontece não só no futebol. Mas consegue diferente no futebol. Em que outra actividade de ‘ajuntamento de grandes quantidades de pessoas’ se abraça alguém ao lado que não se conhece após um golo ou uma vitória apenas e só porque torcem pela mesma equipa? A miscelânea de emoções é muita, por vezes até demasiada. Um exemplo: no parágrafo acima falo do indivíduo do capacete que agrediu outro por estar farto de ouvir. Após o golo do Éder abraçaram-se os dois como se fossem os melhores amigos. Ao mesmo tempo que consegue ser mágico tem o reverso da medalha, que leva a comportamentos desviantes.

O desafio para essas mentalidades renovadas seria começar por gostar mais do futebol em si e não apenas e só da equipa pela qual torce e pensar que o resto será só para enfeitar ou (ainda pior) odiar.

Euro2020: “França, Alemanha no nosso grupo, mas vale nem irmos!”

Após o sorteio de há algumas semanas, que não pensou, disse ou ouviu alguém dizer. Meto as minha mãos no fogo que pelo menos uma destas hipóteses aconteceu com qualquer uma das pessoas que se tenha cruzado com este artigo. É típico. Quem se lembrar do Euro 2000, a reacção foi idêntica. Portugal no grupo da morte diante de Alemanha, Inglaterra e uma Roménia, que na altura era uma selecção significativamente mais forte do que a actual. Passámos a fase de grupo com 3 vitórias. No terceiro jogo, já com a passagem assegurada, rodámos a equipa e vencemos a Alemanha por 3-0, com um hattrick de Sérgio Conceição (no primeiro jogo vencemos a Inglaterra por 3-2 depois de estarmos a perder por dois golos – um jogo épico – e com a Roménia marcámos bem perto do fim).

Não fazemos futurologia para saber como vai correr, mas tal como há 20 anos atrás, o ‘velhos do Restelo’ que há dentro de ‘nós’ vem ao de cima. Nem será bem ‘sofrer por antecipação, será mais algo como ‘para evitar sofrer mais valia nem irmos’. Os mesmo que à primeira vitória vão dizer “vamos ser campeões” são os que gritam o famoso “eu sabia que ia ser assim” à primeira derrota.

De qualquer das formas, reza a história que Portugal contra equipas de maior reputação não raras vezes se transcende e, por vezes facilita com equipas em que tem maior responsabilidade. O importante é ter a noção que não é um resultado que faz de nós nem os melhores nem os piores do mundo, evitando a bipolaridade de quem passa do pessimismo deprimente ao optimismo exagerado. E vice-versa.

Por falar em Portugal campeão europeu…

Por falar em Portugal campeão europeu em 2016, lembrei-me de um pequeno texto que escrevi, a 12 de Fevereiro de 2018, após a selecção nacional de futsal se ter sagrado campeã europeia… também pela primeira vez.

Coincidências e felizes acasos

Há coisas que parecem tão destinadas a acontecer que mesmo por linhas tortas os ventos acabam por soprar a favor.

Ricardinho no mês passado revelou: “Cristiano Ronaldo sofreu muito até realizar o sonho de ser campeão europeu, durante a final levou uma pancada e ficou a sofrer até sermos campeões europeus. ESPERO QUE ACONTEÇA O MESMO”. E não é que aconteceu! Literalmente. Mas as coincidências não ficam por aqui.

Ambas as finais foram num dia 10. Ambos os jogadores nasceram no mesmo ano, foram considerados 5 vezes como melhor do mundo, são capitães e, nos últimos anos, semana após semana, fazem os espanhóis renderem-se ao seu talento, e num ano em que foram campeões europeus de clubes, cumpriram o sonho de o ser pela selecção.

(Bruno Costa Jesuíno – Fevereiro 2018)

Concluir o artigo com uma mensagem positiva. Sermos optimistas e não deixar de acreditar que os felizes acasos podem acontecer. Mas que quando não acontecem não é o fim do mundo.

Ah e claro, Bom Natal.

Ver vídeo original AQUI (SIC NOTÍCIAS)

Ver vídeo original em SIC NOTÍCIAS: https://sicnoticias.pt/desporto/2018-02-11-O-sonho-de-Ricardinho-aconteceu

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Bruno Costa JesuínoNovembro 28, 20198min0

Na última semana dois dos nomes mais badalados na imprensa têm vários pontos comuns. Ambos têm um personalidade muito própria. Ambos confiam muito nas suas capacidades. Ambos são dos melhores do mundo na sua função. E ambos fazem sonhar os adeptos de qualquer equipa equipa para a qual trabalhem (salvo uma ou outra excepção). Falamos, claro, da (re)aparição do ‘special one’ durante a consagração de Jorge ‘Alvares Cabral’ Jesus.

“Olé, olé-olé-olé, mister, mister” (Jesus)

Capa do Jornal Record

Jorge Jesus, tal como os (melhores) navegadores portugueses, depois de ‘descobrir’ um novo caminho caminho ‘comercial’ na Ásia, navegou, neste caso voou, rumo à conquista do continente sul americano, fazendo igualmente das terras de Vera Cruz a sua porta de entrada. Destaca-se desde já a primeira grande diferença: a recepção do ano 1500 a Pedro Álvares Cabral foi, pelo menos tendo em conta a documentação história, bem mais simpática do que a Jorge Jesus foi alvo (pela comunicação social, comentadores e treinadores brasileiros). Mas se o(s) primeiro(s) se impuseram pela ‘força’, o segundo foi convertendo os mais cépticos pela qualidade diferenciada do seu trabalho e até pela simpatia. Rapidamente se tornou um ídolo entre a nação rubro-negra, e alguns dos que mais o criticaram começaram a retratar-se.

E depois em 24 horas conquista dois títulos. Se o ‘brasileirão’ já era esperado pelo avanço pontual, a Taça dos Libertadores foi bem emocionante. A perder até perto do fim, aos 88 minutos (Oitchentcha e Otcho, como alguém diria) empatou o jogo. Mas a história mais bonita veio a seguir. Depois de perder duas finais continentais ao (outrora fatídico) minuto 92′ (já sem falar de uma Taça e uma liga portuguesa), Gabriel Barbosa bisa e dá o título ao Flamengo.

Ainda com o campeonato do mundo de clubes por disputar, já há quem peça um estátua de Jesus ao lado de Zico. Será caso para dizer: “Obrigado Jesus…”

‘(re)Special One’ está de volta

Depois de uma saída complicada há um ano do Manchester United, e quando os ‘profetas da desgraça’ já ditavam o seu ‘fim’, eis que José Mourinho regressa em grande para o mesmo campeonato e para um rival do. O ‘(re)Special One’ está de volta. E ‘(re)Special’ sem qualquer conotação negativa, mas sim porque depois de uma pausa sabática certamente que de alguma forma se ‘reciclou’, para mostrar o porquê de (continuar a) ser especial.

Habituado a fazer o que ‘há muito não é feito’ – liga dos campeões pelo Inter e pelo Porto e campeonato pelo Chelsea – Mourinho tem no Tottenham o desafio ideal para trazer os títulos que os adeptos ‘Spurs’ há muito almejam.

Sempre achei que estes 11 meses não seriam uma perda de tempo. Pude reflectir, analisar, preparar-me, antecipar cenários. Nunca perdemos a nossa identidade, somos o que somos, com as coisas boas e más. Não me perguntem quais foram os erros que cometi, mas apercebi-me de que cometi erros e não vou cometer os mesmos erros. Vou cometer erros novos, mas não os mesmos.

Por enquanto dois jogos, duas vitórias. Mas não é disso que vamos falar. Continua igual ao seu estilo e é também, por momentos como este (no vídeo abaixo) todos tínhamos saudades dele. Vá, talvez com excepção dos tais ‘profetas da desgraça’.

‘Muito mais é que os une que aquilo que os separa’?

Adaptando a letra canção de Rui Veloso na história do “Primeiro Beijo”, é ‘muito mais aquilo que os une que aquilo que os separa’.

O que os une…

Tanto Jesus como Mourinho são treinadores de autor. Isto é, ao longo da sua carreira sempre se diferenciaram pela forma como (quase) sempre tentaram trazer coisas novas ao futebol das equipas por onde passam. E devido a isso foram deixando, de certa forma, um legado. O ‘special one‘ foi totalmente disruptivo desde que se assumiu como treinador principal. A forma de ver um futebol como um todo – parte técnica, táctica e mental – e com um forma de liderança que retira o máximo de cada jogador do plantel. Jorge Jesus é de outra ‘escola’. Começou como treinador principal nas divisões inferiores, chegou bem mais tarde a clubes de topo, mas rapidamente impôs o seu futebol: dinâmico, a saber defender bem e com poucos, fazendo da sua transição ofensiva um autêntico ‘rolo compressor’ e, muitas vezes, com ‘nota artística’ (expressões que entraram no léxico do futebol desde a sua passagem pelo Benfica). Além disso, ficaram famosas algumas das adaptações de sucesso que fez com Enzo Pérez, Fábio Coentrão, João Mário e, mais recentemente, Willian Arão e Gerson.

Ambos quebraram também alguns ‘tabus’. Lembro-me, ainda na altura que Mourinho treinava o Porto, muito se falava sobre dois jogadores com características de número 10 jogarem ao mesmo tempo. Mourinho chegou a jogar com três jogadores com essas características ao mesmo tempo: Deco, Alenitchev e Carlos Alberto. Mostrou que com os posicionamentos certos, há sempre espaço para o talento. Jorge Jesus, anos antes de chegar o Benfica, começou a utilizar como sistema primordial o seu 442 muito dinâmico. Após o primeiro ano de muito sucesso nos ‘encarnados’, muitos foram os treinadores em Portugal que começaram a usar o mesmo sistema. Numa altura que em Portugal todos jogavam em 433 ou 4231, de há alguns anos para cá, o 442 é dos sistemas mais usados na nossa liga. Antes era visto como um sistema demasiado ofensivo, mas o ‘mestre da táctica’ provou que com as dinâmicas certas pode ser bastante equilibrado.

A vez número 3. Se para JJ a terceira (final de uma prova continental) foi de vez, para Mourinho é o terceiro clube inglês no seu currículo.

O que os separa… (ou não!?)

Apesar de ambos terem crescido no futebol têm ‘escolas diferentes’. Jorge Jesus, após boa carreira no futebol profissional (chegando a jogar no Sporting), rapidamente se tornou treinador. Aprendeu a criar os seus próprios métodos e foi aprimorando ao longo dos anos. Começou em divisões inferiores e foi subindo até ao topo. Já Mourinho, não tendo o mesmo sucesso como jogador, desde criança que acompanhou sempre de perto um guarda-redes (e depois treinador) de sucesso: Félix Mourinho, o seu pai. Sempre ligado ao futebol, nunca largou os estudos e teve também formação académica. Posteriormente lançou-se em clubes de topo, mas primeiro como treinador adjunto, passando por Porto e Barcelona.

Sendo ambos grandes entendidos no futebol, as competências de comunicação e liderança sempre foram duas grandes características associadas a José Mourinho… e criticadas em Jorge Jesus. Mas enquanto JJ tem sido elogiado na evolução dessas duas valências, principalmente nos últimos dois anos, Mourinho foi muito criticado, especialmente, na passagem pelo Manchester United.

Patrick Vieira, que foi treinado pelo ‘special one’ no Inter, abordou essa situação há dois anos.

Se calhar, os jogadores que tem agora não são tão receptivos à sua mensagem, são mais jovens e a geração mudou completamente. No Inter tínhamos um plantel mais velho e muito experiente e Mourinho soube lidar muito bem com isso. Os jogadores mais jovens talvez tenham medo de dizer aquilo que pensam e isso pode dificultar as coisas.

O próprio Mourinho, nos últimos tempos, também se referiu às diferenças comportamentais e sociais dos ‘jogadores do agora’ em relação aos ‘jogadores da geração anterior’. Dando a entender que a sua forma de gerir o balneário que tantos êxitos lhe trouxe poderá sofrer alterações. Admitindo ainda que durante este tempo de interregno aproveitou para fazer uma “análise profunda”.

Sou humilde o suficiente para analisar a minha carreira e todos os problemas que aconteceram. Fui muito longe na minha análise e percebi que não havia mais ninguém para culpar. Durante a minha carreira cometi vários erros. Não vou cometer os mesmos erros, vou cometer erros novos», atirou aos jornalistas.

O que esperar do futuro de Jorge e de José?

Não se sabe se Jorge chegará algum dia a um clube que lute pela Liga dos Campeões ou se Mourinho voltará a ganhar alguma, no entanto também existem certezas. Ambos foram (são) revolucionários, deixaram (deixam) seguidores, partilham a mesma sede de sucesso e nunca se deixarão adormecer à sombra do sucesso. Aproveitando a confissão de JJ a respeito da música que actualmente mais o inspira, podemos arriscar tanto um como outro não têm dúvidas que: ‘O melhor de mim está para chegar’

É preciso perder para depois se ganhar
E mesmo sem ver, acreditar
É a vida que segue e não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar
Creio que a noite sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar.

 


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