Arquivo de Formação - Página 2 de 2 - Fair Play

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Fernando SantosJulho 30, 20173min0

"Novos" valores estão a ganhar um crescente espaço no desporto profissional e, consequentemente, no desporto amador e de formação. É cada vez mais frequente os jovens praticantes receberem uma mensagem diferente daquela que os seus pais queriam que eles recebessem.

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Marcelo BritoFevereiro 13, 20179min0

O sonho da Associação Desportiva Sanjoanense, clube que milita no Campeonato de Portugal Prio, caiu por terra. Depois da saída com sabor amargo da Taça de Portugal, a esperança em continuar a lutar pela subida à Ledman Liga Pro viu-se extinta. A montra, a formação, está esquecida e não se avizinham anos prósperos. A actual estruturação do CPP beneficia quem investe de meio em meio ano. Algo deve mudar.

Há largos anos que o histórico emblema de São João da Madeira não consegue colocar-se na elite do futebol nacional. A crise financeira, outrora acentuada e que quase cravou o último prego do caixão do clube, atirou a Associação Desportiva Sanjoanense para fora dos nacionais, mas os campeonatos distritais não são o aquário de um emblema que na presente temporada sonhou, e bem, com feitos extraordinários na Taça de Portugal e com a subida à Ledman Liga Pro.

Mas não convém avançar capítulos. Foi neste clube, de uma cidade com pouco mais de 20 mil habitantes, que jogadores como António Sousa, Ricardo Sousa, Vermelhinho, Secretário, Rui Correia, Veloso ou Litos – e outros –, começaram a despontar. O auge do clube alvinegro deu-se na época de 1965/66 quando conquista a segunda divisão nacional conseguido manter-se entre a elite portuguesa.

A nível distrital, é vasto o legado deixado pela Sanjoanense. Três, anteriormente denominados, Campeonatos de Aveiro (1936/37, 1939/40, 1946/47), sete títulos da primeira divisão (1936/37, 1939/40, 1946/47, 1952/53, 1988/89, 2010/11, 2013/14), um da segunda (1987/88), uma Taça (2012/13) e duas Supertaças (2010/11, 2013/14), segundo dados do portal informativo desportivo, zerozero.pt.

Estrangeiros ofuscam formação

Conhecida pela sua consistente formação, a Associação Desportiva Sanjoanense decidiu mudar de rumo e começar a pescar no mercado sul-americano. Recentemente, e como exemplo, de São João da Madeira saíram jogadores como Gil Dias, agradável surpresa da Liga NOS, actualmente titular indiscutível no Rio Ave com passagens por Braga e Varzim, ainda vinculado ao Mónaco de Leonardo Jardim. Esta é apenas uma das muitas provas da qualidade existente (ou que existira) nos escalões não profissionais do emblema nortenho.

Segundo os dados apresentados pelo portal informativo zerozero.pt, o actual plantel sanjoanense é composto por apenas 12 portugueses, tendo nove estrangeiros (sete brasileiros, um colombiano e um nigeriano), mas atenção: em nada esta comparação objectiva retirar valor a qualquer um deles! A qualidade não está em causa. Em causa está uma mudança repentina do paradigma sanjoanense que, consequentemente, arruinou com a formação do clube.

Os juniores, que nem há meia dúzia de anos competiam na primeira divisão nacional, lutam agora pela manutenção na segunda; os Juvenis, que outrora militavam no campeonato nacional, nada fazem além da manutenção na primeira divisão distrital; e os Iniciados, habituadíssimos ao ritmo de uma competição nacional, desceram no ano transacto aos distritais e dificilmente conseguirão, já este ano, a promoção. A Sanjoanense está refém de empresários e isso não está certo quando nunca o foi nem nunca precisou (pelo menos para debater-se na categoria que o faz actualmente).

Mas a Sanjoanense não é caso único. Muitos são os clubes que centram as atenções para a montra do emblema – o plantel sénior – e deixam esquecida aquela que devia ser a sua fonte de alimentação. Muitos desculpam-se da falta de qualidade nos plantéis jovens dos clubes para contratar fora, mas, garantidamente, esse nunca foi o problema da Sanjoanense.

Os adolescentes deixaram de querer representar a Sanjoanense e passaram a escolher outros clubes da região e, diga-se, de menor dimensão. E admire-se… esses detêm agora uma formação próspera, com escalões nos campeonatos nacionais com o objectivo de potenciar os jovens e elevá-los ao plantel sénior. Tudo o que fizeram foi seguir o exemplo utilizado anteriormente pela Sanjoanense. Este, um clube que deixou de investir na formação e onde os jovens deixaram de acreditar. Claro que para apostar numa subida aos escalões profissionais é preciso adquirir valências que só a experiência traz, mas a irreverência e o amor ao clube, esse ninguém o traz de fora.

Um exemplo a não seguir

Não quero com isto dizer que os clubes deviam ser expressamente proibidos em apostar nos mercados estrangeiros, mas que deviam ser impostos limites, começando, desde logo, pelos profissionais. Esses, não o fazem.

As direcções de clubes como a Sanjoanense não devem reger-se por reportagens que vêem ou por histórias que ouvem. Devem analisar a sua realidade desportiva e financeira e traçar um plano a, sejamos sinceros, longo prazo para conseguir adquirir valências competitivas adequadas à sua realidade e não dar o tradicional ‘passo maior que a perna’. A não ser que tenham definitivamente orçamentos irreais. O que não acontece.

Para já, muitos clubes – aqueles que os tenham – vão mantendo os problemas submersos com alguns bons resultados que exaltam a paixão do fiel adepto, mas quando eles emergirem, o descalabro vai ser inquestionável.

Sem capitão (e mais), manutenção compromete-se?

No caso específico da Sanjoanense, e puxando a cassete atrás, o esquecimento pela formação é tal que a direcção continua a fazer chegar jovens jogadores do continente sul-americano para colmatar os – calculo – bons negócios que o clube tem feito.

E falo em bons negócios porque vender o capitão de equipa, Rúben Neves ao Salgueiros, rival directo que inclusive ficou na posição ambicionada pela Sanjoanense, só pode acarretar números compensatórios. Não é só a saída de Rúben Neves que pode comprometer a manutenção do clube alvinegro. Zé Pedro, vinculado ao FC Porto rumou ao Gafanha; Vasco Nogueira ingressou no Maia Lidador; Samuel Teles, ex-Sp. Braga, assinou pelo Lourosa; André Pereira foi contratado pelo FC Porto; Gradíssimo e o argentino Kevin Wolf (que chegou, disputou apenas uma partida) também chegaram a acordo para deixar o clube.

Para colmatar essas vagas? Mais dois estrangeiros, neste caso, brasileiros: Davi Ferrari, ex-Angra dos Reis e Zé Lucas, ex-Corinthians. O investimento em contratar no Sul da América, seja ele muito ou pouco, existe e neste caso particular, torna-se deveras acentuado. A Sanjoanense alvejava voos altos na presente época desportiva, mas tudo virou do avesso. Vai encarar, sem três habituais titulares (Rúben Neves, André Pereira e Zé Pedro) a manutenção.

Analisando o que foi a primeira fase, a manutenção não se avizinha uma tarefa árdua. A qualidade do plantel sanjoanense é melhor e, nas condições normais, não vai ceder.

Foto: Facebook @ADSanjoanense.oficial

O sonho da Taça de Portugal que saiu caro

Qual a melhor competição para surpreender o país? Exacto, a Taça de Portugal. É nessa competição que os clubes com menor poderio financeiro e capacidade de investimento sonha em ‘fazer Taça’ e tombar o maior número de equipas de divisões superiores possível. A Sanjoanense não tombou nenhum Sporting, Benfica ou FC Porto, mas fez das suas.

Eliminou o Salgueiros na primeira eliminatória num jogo com direito a prolongamento (4-2); cilindrou o Pedras Salgadas (6-1); bateu o Lusitano de Vila Real de Santo António (2-1); deixou por terra o Gil Vicente (1-0); e nos oitavos de final caiu, já no prolongamento e após estar a vencer por duas vezes, perante o Estoril (2-4).

Para quem viu o jogo entre o Estoril e a Sanjoanense, facilmente consegue perceber que estávamos a ver duas equipas equilibradas e a jogar de igual para igual, apesar dos argumentos de diferente nível. Claro que fisicamente o clube de São João da Madeira quebrou muito cedo e isso afectou as investidas ofensivas. Defensivamente, alguns erros individuais, potenciados pela falta de maturidade do jovem plantel alvinegro, pesaram nos momentos cruciais.

O Estoril atirou a Sanjoanense para fora da competição com dois golos de Bazelyuk e outros dois de Bruno Gomes e deixou a formação orientada por Flávio das Neves a disputar apenas o CPP e a possibilidade de integrar a fase de apuramento de campeão.

Antes do embate com o Estoril, a Sanjoanense ocupava o primeiro lugar da Série C do CPP. Depois de um jogo que afectou fisica e psicologicamente os jovens atletas alvinegros, os maus resultados apareceram repentinamente. Aí, dá-se conta e percebe-se os custos de querer disputar de igual para igual, com um clube de primeira categoria, uma eliminatória da Taça de Portugal.

Derrota pela margem mínima com o Sousense (1-2); derrota com a UD Oliveirense (0-2); triunfo com o lanterna-vermelha Cesarense (1-0); derrota expressiva no derradeiro jogo com o Salgueiros (0-3); e vitória na última jornada perante o Cinfães (1-0). Leque de resultados que ofuscou a possibilidade da Sanjoanense lutar pela ambicionada subida à Ledman Liga Pro.

Quem beneficia com a estruturação do Campeonato Portugal Prio?

Para todos os clubes que não disputarão a fase de subida ao segundo escalão português, como é o caso da Sanjoanense, os pontos conquistados na primeira fase dividem-se a… 25%. Ou seja, um clube que conquiste, digamos, 20 pontos, inicia a árdua tarefa da manutenção com cinco. Um clube que tenha conquistado 10 pontos, inicia com, arredondando, três.

Relança a competitividade entre clubes que alvejam a manutenção? Sim, mas não há bela sem senão. Uma equipa prepara e investe para uma época desportiva. No mínimo. É assim que as coisas devem ser feitas. Seja o objectivo subir de divisão ou apenas não descer.

Agora surge a teoria que, cada vez mais, existem equipas a prepararem e investirem de meia em meia época. Os critérios matemáticos da fase de manutenção do Campeonato de Portugal Prio deveriam ser repensados. Dividir os pontos em quatro, acção alienada ao mercado de transferências de Inverno que provoca falhas nos plantéis, vai continuar a ser pejorativo para a Federação Portuguesa de Futebol e para o CPP.

Foto: Facebook @ADSanjoanense.oficial
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Pedro AfonsoJaneiro 30, 20175min0

Gonçalo Guedes foi o mais recente triunfo do Mercantilismo que a SAD do SL Benfica entende como sendo essencial para a manutenção da estrutura do clube, de um ponto de vista financeiro. Um modelo de negócios alicerçado na criação de jovens valores que pouco ou nada trazem ao Benfica, de um ponto de vista desportivo. Qual o futuro do plantel encarnado?

Nos últimos 4 anos, a Academia do Seixal trouxe para o Mundo do Futebol alguns dos maiores diamantes, uns mais em bruto do que outros, que o futebol português tem para oferecer. A aliar aos grandes plantéis aos quais a estrutura benfiquista nos tem habituado, que começaram a ser construídos no início do trabalho de Jorge Jesus na Luz, a abundância de opções de futuro nas hostes encarnadas traz uma sensação de confiança no futuro a qualquer adepto benfiquista. Ou pelo menos, trazia. Ao contrário daquilo que Luís Filipe Vieira tem vindo a lançar para a comunicação social, em declarações quase proféticas de uma “nova espinha dorsal da Selecção Nacional”, de apostas em jovens da casa, com a mística benfiquista, parece cada vez mais claro que o intuito da Academia não é criar condições de auto-sustentabilidade para o projeto do futebol do Benfica. Tornou-se, verdadeiramente, uma máquina da produção em série, em busca da próxima estrela para vender pelos maiores valores possíveis, novamente investidos em jogadores das mais variadas proveniências, por razões que, de quando em vez, me ultrapassam.

A “fábrica” de pérolas [Fonte: SLBenfica]

Desengane-se quem pensa que pertenço à nova vaga de afectos à Formação Benfiquista, tratando cada novo jogador como o próximo Eusébio. Penso que é claro que, qualquer clube que pretenda ter sucesso, necessita de se reforçar convenientemente com os jogadores que aparentem ter mais qualidade, que possam assumir-se como apostas de presente e não esperanças de um futuro risonho. As compras de Mitroglou, Rafa, Cervi e Zivkovic demonstram esta necessidade de um plantel se rodear da maior qualidade possível, não obstante a qualidade presente nos plantéis secundários encarnados, com Gonçalo Guedes, João Carvalho, Pedro Rodrigues, entre outros. Contudo, não nego que um plantel deve compor-se de apostas de futuro, da “casa”, que transmitam algo, um espírito, um sentimento, que muitos “estrangeiros” são incapazes de transportar em si.

Olhando para os últimos 20 anos, apenas me consigo recordar de dois jogadores que personifiquem a mística Benfiquista perante os adeptos: Rui Costa e Simão. Dois senhores do futebol, que qualquer adepto não irá esquecer, não só pela sua qualidade, mas por tudo aquilo que representavam para o adepto, pela personificação da Mística Encarnada, pela continuação do adepto no campo, na forma de jogador. E quem personifica esta Mística agora? Curiosamente, a meu ver, parece-me que o expoente máximo de Benfiquismo se concentra em Samaris, um jogador que se fez “Benfica”.

A despedida do “Maestro”, o último dos “nossos” [Fonte: Globo Esportes]

Desportivamente, é-me difícil encontrar explicações para a única afirmação da cantera Benfiquista ser Renato Sanches, que apenas passou meia-época no plantel principal da Luz, tendo sido logo vendido para o colosso Bávaro de Munique. Uma análise cuidada aos “craques” que saíram da Luz nos últimos anos mostra-nos um conjunto de negócios financeiramente discutíveis e desportivamente ruinosos:

  • Bernardo Silva, o príncipe monegasco, que abandonou o Benfica após o seu talento ser ignorado por Jorge Jesus, em 2014. 15M€ justificaram a perda de um talento raríssimo.
  • André Gomes, o pretenso herdeiro de Xavi, que, após duas épocas em Valência foi o escolhido para reforçar o meio-campo blaugrana. 15M€ voltaram a justificar a perda de uma enorme promessa.
  • João Cancelo, lateral atualmente no Valência, com passagem agendada para Barcelona no final da época, vendido por mais 15M€.
Nunca contou para o “Potenciador”, agora espalha magia no Principado [Fonte: Mais Futebol]

E o passado recente não se mostrou bom conselheiro para LFV, que parece continuar nesta senda de enfraquecimento do futuro encarnado, com as saídas confirmadas de Gonçalo Guedes e Hélder Costa, bem como as inúmeras sondagens por Lindelof, Nélson Semedo e Ederson.

Para além do claudicar de um futuro assegurado por uma estrutura que traz novos valores, a preços baixos, com a vantagem de uma formatação para um modelo de um clube, o clube perde referências de benfiquismo, jogadores que carreguem a mística, criando um vazio que as bancadas buscam procurar com craques que, tantas vezes, não compreendem o amor que o adepto sente pelo intérprete, como foi o caso de Enzo Pérez. O futebol é, mais que nunca, um negócio, contudo não podemos negar aos adeptos a oportunidade de ver em campo “um dos seus”, a oportunidade de ver miúdos crescer com a águia ao peito, que irá ser a sua segunda casa. Talvez seja utópico e um pouco romântico, mas fazem falta mais Guedes, mais Bernardos e mais Renatos ao Benfica.

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Pedro AfonsoDezembro 21, 20165min0

Rui Vitória foi o escolhido para iniciar um novo paradigma no SL Benfica: aliar o sucesso desportivo ao sucesso formativo. Não chega ganhar para a atual Direcção do Benfica, é necessário ganhar com a “prata da casa”, com a Formação. Será possível manter o nível de exigência e de sucesso do atual tricampeão, criando bases para uma aposta sustentada em jovens valores?

Em 1994, Alan Hansen proferiu uma das frases mais marcantes do futebol britânico, após uma derrota de 3-1 do Aston Villa contra o Manchester United de Sir Alex Ferguson. Nesse dia, Hansen profetizou que “Miúdos não ganham títulos”. O Villa acabara de perder com um United que contou com nada mais nada menos que 6 (!!) jogadores com menos de 23 anos. No final da época, Hansen percebeu que estava errado.

Há cerca de 4 anos, quando o SL Benfica chegou a duas finais da Liga Europa e praticava um futebol que poucas equipas na Europa podiam almejar, ouvia-se um burburinho de fundo, indignado, inflamatório, clamando que a ausência de jogadores portugueses no 11 titular constituía uma afronta e um duro golpe para a evolução do futebol português. Mas a indignação não se limitava à ausência de jogadores locais, estendia-se à total falta de atenção por parte da equipa técnica do Benfica aos prodígios que iam emergindo da formação do Seixal. E a verdade é que podemos constatar que muito talento foi desperdiçado (desportivamente falando), voltando à memória os casos de Bernardo Silva, André Gomes e João Cancelo.

[Foto: Serbenfiquista.com]

O Benfica foi tendo sucesso, foi criando uma cultura de exigência que perdera há largos anos, mas continuava a faltar algo. A Alma Benfiquista sentia-se vazia de um craque português, de um veículo de propagação, de uma personificação do Benfiquismo. Foram anos de vazio que necessitavam de ser colmatados, exigência do 3º anel que a Direcção ignorou demasiado tempo. E em 2 anos, assistimos uma mudança abrupta do paradigma: são apostas regulares no Benfica agora 4 jogadores da formação, não esquecendo a venda de Renato Sanches e os inúmeros lançamentos de jovens ao longo da época transacta. Mas até que ponto será esta obsessão positiva? Será capaz o Universo Benfiquista de exigir o mesmo que exigia a um Enzo Pérez a um André Horta; a um Gonçalo Guedes o mesmo que a um Lima? Mais importante, serão os jovens capazes de aguentar o peso das ambições de um tetracampeonato inédito?

Voltemos à época passada:

  • Maxi abandona a Luz após 6 anos como dono da lateral direita. O escolhido? Nélson Semedo. O seu início é fulgurante, culminando com a chamada à selecção AA das Quinas e uma lesão que o relegou para o banco até ao final da época.
  • Júlio César lesiona-se. O chamado? Ederson Moraes. Não mais largou o lugar, com o seu excelente jogo de pés e a sua bravura no momento de sair entre os postes.
  • Crise de centrais no Benfica. O escolhido? Lindelof. O “Ice-man” fez com Jardel uma das melhores duplas de centrais da Europa, culminando com a chamada ao Euro 2016 e a putativa transferência para Manchester agora em Janeiro
  • Pizzi não rende, Talisca pouco acrescenta, e a equipa continua orfã de um senhor no meio-campo. A cobaia é o Astana e a solução é Renato Sanches. E o resto da história parece saída de um filme.

Foi de facto uma época brilhante para os jovens da Formação Benfiquista. Mas e este ano? A verdade é que este ano a aposta não tem sido tão diversificada e inclusive alguns dos jogadores mostraram um nível exibicional e uma paragem de crescimento algo assustadora. Se por um lado Nélson Semedo se assume como um elemento preponderante na lateral direita e um jogador com um potencial enorme, Lindelof passa a pior fase da sua curta carreira no Benfica, acumulando erros cruciais em partidas dos últimos 2 meses, dando origem a 4 golos adversários. Horta, um Benfiquista de alma e corpo não pode carregar em si o peso de um meio-campo do tri-campeão e mostrou ser muito curto para voos tão altos nesta fase. Mesmo Gonçalo Guedes, não obstante a sua excelente forma exibicional e não negando o seu enorme potencial, teve inúmeras oportunidades desperdiçadas, mantendo-se no 11 graças à praga de lesões que assolou a equipa da Capital.

[Foto: Record]

O que talvez falte compreender aos benfiquistas, é que estas pérolas não se renovam todos os anos, como se de uma máquina de produção em série se tratasse. Não se pode achar que Yuri Ribeiro, Zé Gomes, Pedro Rodrigues e João Carvalho serão as próximas pérolas e indiscutíveis no 11 do futuro. Rui Vitória tem o difícil trabalho de ensinar os jovens num contexto de máxima exigência.

[Foto: @informglorious (Twitter)]

O United de Ferguson não voltou a repetir a façanha de 1994 e viveu da genialidade de Giggs e Scholes até aos 35/36 anos. A formação deve ser complementada por um balneário forte, com qualidade, que obrigue os jogadores a superar-se em todos os jogos. Se esse balneário não existir e o banco não for opção, teremos jogadores em baixo de forma, titulares, e cujos agentes oferecem o passe a grandes clubes sem ter em consideração o crescimento dos seus clientes. O banco, por vezes, é o melhor dos conselheiros. E a paciência a maior das virtudes.


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