Portugal sonhou, venceu, e agora?

Rafael RaimundoFevereiro 15, 20186min0

Portugal sonhou, venceu, e agora?

Rafael RaimundoFevereiro 15, 20186min0
Portugal sonhou e conseguiu o tão ambicionado título europeu e com a conquista ficou também encarregue de preparar um futuro ainda mais risonho.

No artigo que antecedeu o início da prova, arriscámos dizer que Portugal podia sonhar com a conquista do europeu de futsal. E arriscámos bem.

Portugal conquistou a prova com um percurso imaculado, e que só poderia ser perfeito caso a seleção tivesse ganho a final no tempo regulamentar.

Numa final onde por momento relembrámos a também emblemática conquista do campeonato da Europa de futebol, o capitão português e melhor jogador do mundo saiu também lesionado fazendo prever que o desfecho seria o mesmo que em a 10 de julho de 2016.

O jogo até começou bem para a comitiva portuguesa, logo no primeiro minuto Ricardinho fez o gosto ao pé e colocou o resultado a favor de Portugal. Porém, e como seria de esperar, a Espanha mostrou a razão pela qual era a máxima detentora do troféu e o país onde é disputado um dos melhores campeonato da modalidade a nível mundial. O golo do empate e mais tarde surgia o golo que colocava os espanhóis mais perto do título. Como o Fair Play também analisou antes do jogo decisivo, a seleção espanhola trabalha muito bem os lances de bola parada e foi através de um livre à entrada da área que conseguiu marcar. Toda a defesa portuguesa ficou mal na fotografia, e especialmente Ricardinho, que sendo o homem responsável por defender o jogador junto ao poste, tentou adivinhar um possível passe para outro jogador.

Contudo, Portugal nos últimos anos tem conhecido uma realidade que faz deste um país a temer em diversas modalidades e por isso não baixou as linhas e foi à procura do empate, que acabou por conseguir. Já no último minuto do tempo regulamentar de jogo, Bruno Coelho – que viria a ser para o Fair Play o jogador da final e até da prova – como mandam as “leis” do futsal surge ao segundo poste para finalizar. Previa-se um jogo até ao último segundo.

A primeira parte do prolongamento mostrou duas equipas a não quererem arriscar em demasia para que assim não dessem possibilidade de num contra-ataque a equipa adversária marcar. Se Portugal já vinha desde o tempo regulamentar com o limite de faltas atingido a Espanha depressa também o atingiu. E foi esse o maior erro da equipa do país vizinho.

É que foi num livre de 10 metros fruto da sexta falta cometida que Bruno Coelho, novamente, colocou o marcador naquele que viria a ser o resultado final. Com um remate a seguir as regras de um livre de 10 metros bem batido, Bruno Coelho remata forte junto ao poste, com a bola a subir a cerca de dois, três palmos do chão. O suficiente para apanhar o ângulo morto de Paco Sedano.

Nesta altura o presságio de que Portugal ia ser campeão já estava lançado, uma vez que Ricardinho já tinha saído lesionado. Em jeito de brincadeira dizemos que não houve borboletas mas houve um coelho. E um Coelho com caixa alta.

O cronómetro acabou por soar uma última vez e Portugal vencia. O sonho tornava-se realidade, e se por lá os estudantes de Erasmus fizeram representar uma nação, por cá a multidão no aeroporto não ficou atrás.

Portugal é campeão da Europa de futsal.

UEFA

Sonhou. Venceu. E agora?

Pois é. De imediato o número de apreciadores da modalidade aumentou, mas esse aumento não pode nem deve ser apenas no número de espectadores que todos os fins de semana acompanham a modalidade. Esta conquista foi o mote para aquilo que deve ser a continuação do trabalho realizado até este momento na modalidade, mas também  para aquilo que deve ser o futuro. E o futuro é a formação. A formação de treinadores, de dirigentes da modalidade, mas sobretudo de jogadores.

A formação de jogadores é crucial para a continuação deste bom trabalho, mas sem investimento não é possível. Olhando para o plantel da seleção portuguesa na Eslovénia, muitos são os jogadores que tiveram formação na modalidade. A forte componente defensiva da equipa portuguesa é o reflexo desse trabalho que é realizado desde as camadas jovens.

Actualmente, o futsal é uma modalidade com muitos praticantes, mas chegando aos escalões de seniores poucos são os que conseguem investir numa carreira dentro das quadras. Tirando o Benfica e Sporting, que são equipas profissionais, e duas ou três equipas semi-profissionais, os clubes não têm apoios para garantir a aquisição de jogadores de locais mais distantes e mesmo segurar os que já fazem parte do clube, pelo que muitos deles, e alguns de enorme qualidade, acabam por abdicar da modalidade. Ou porque têm de conjugar o desporto com a vida profissional ou porque por vezes têm de ser os próprios a pagar os custos inerentes à prática.

É sobretudo neste ponto que a Federação Portuguesa de Futebol deve apostar neste momento. Com as infra-estruturas indicadas, este investimento na formação pode ser a garantia de sucesso nas próximas competições como o Mundial.

Já analisando o plantel da seleção portuguesa é altura de perceber as “lacunas” e os pontos fortes. Ainda que Portugal tenha uma equipa muito dinâmica, é necessário ter mais um jogador de características de pivot, Cardinal quando regressar de lesão é o jogador indicado para competir com Tunha. Portugal está muito refém de um determinado tipo de jogo e precisa de ter mais soluções para abordar cada equipa consoante a forma como esta joga. Se agora o sono é o Mundial, é imprescindível ter uma equipa polivalente em termos táticos.

Porém, se por um lado existem falhas, por outro existem coisas muito positivas. Portugal conta com um plantel cheio de excelentes alunos da componente tática do jogo, e foi precisamente isso que fez a diferença contra seleções como a Rússia e a Espanha. Além deste conhecimento conta ainda com uma equipa muito jovem face à média de idade a que um jogador por norma termina a carreira na modalidade.

Portugal tem mais razões para acreditar num futuro entusiasmante do que o contrário, mas para isso há ainda coisas a serem melhoradas: o investimento na formação é a que mais destacamos.

Com uma formação de sucesso, o futuro só pode ser brilhante.


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