Arquivo de Bahamas - Fair Play

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André CoroadoMarço 13, 20218min0

O mundial de futebol de praia vai mesmo acontecer este ano e a qualificação CONCACAF será a primeira a conhecer a luz do dia! Nesta viagem de regresso ao novo mundo, o Fair Play analisa os participantes da prova e as suas aspirações, procurando antecipar o desfecho de uma competição que promete animar os areais da Costa Rica!

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André CoroadoAbril 14, 20197min0

Numa retrospectiva da História da seleccção polaca, o Fair Play lança um olhar sobre o papel determinante de Sagan, fonte de golos monumentais e motor espiritual de uma equipa que por vezes se intromete na mais selecta elite do futebol de praia europeu. Uma reflexão sobre jogadores que constroem equipas a partir de si mesmos.

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André CoroadoAbril 27, 201711min0

A poucos momentos do início do Mundial de Futebol de Praia FIFA Bahamas 2017, o Fair Play finaliza a revisão do percurso das selecções apuradas até Nassau, iniciada aqui. Desta vez, a selecção anfitriã e os restantes representantes da CONCACAF são passados em revista, bem como as selecções da Ásia e da Oceânia que vão dar espectáculo na beach arena do Malcolm Park.

Anfitrião: Bahamas

As Bahamas, enquanto país-sede do mundial, gozam de apuramento directo para o torneio. Tratar-se-á da primeira presença do país na competição, o que por si só torna, na nossa opinião, controversa a atribuição da organização da prova à nação das Caraíbas.

CONCACAF

Equipas apuradas: Panamá, México

Campeão: Panamá

Surpresa: Panamá

Decepção: El Salvador

Visando empreender um ensaio geral para a grande competição global, a capital das Bahamas apressou-se a assegurar a organização do torneio de qualificação da CONCACAF para o mundial. A iniciativa da federação anfitriã da prova constituiu também uma manobra estratégica inteligente na medida em que implicava a participação da formação da casa, que assim poderia integrar um torneio de elevada competitividade na sua preparação para o torneio onde se iria estrear (as Bahamas nunca haviam participado no mundial e tentavam a todo o custo atingir um nível condizente com o dos 15 adversários que iriam receber nas areias de Nassau). Orientados por Alexandre Soares, os locais procuravam contrariar o favoritismo dos históricos da região: El Salvador, México, EUA e Costa Rica. De facto, as previsões que colocavam estas 4 equipas nos lugares cimeiros da prova acabaram por se revelar redondamente enganadas; todavia, não seriam as Bahamas os tomba-gigantes da prova.

Antes da competição, poucos teriam imaginado que o estatuto de campeão da CONCACAF seria ostentado 2 meses mais tarde naquela mesma arena do Malcolm Park por uma nação que nunca passara a fase de grupos do torneio de qualificação. No entanto, assim foi a história escrita pela selecção do Panamá na competição continental: uma selecção que fez das fraquezas forças para se transfigurar jogo após jogo e acabar por derrotar um após outro cada um dos 4 colossos da América do Norte e Central. Com um estilo de jogo muito físico, baseado na condução de bola pelo chão, aqui e ali abrilhantada por um toque de criatividade por parte dos seus jogadores mais dotados tecnicamente (atente-se em Alfonso Maquensi, Pascual Galvez ou Gilberto Rangel), o Panamá demonstrou organização, união e crença na forma imponente como foi assegurou uma qualificação tão merecida quanto inesperada.

A derradeira (e porventura mais injustiçada) vítima dos panamenhos foi a selecção de El Salvador, que caiu aos pés da surpresa do torneio na sequência de uma derrota nas grandes penalidades, numa partida muito fechada em que o Panamá teve o mérito de anular as temíveis armas de Los Cuscatlecos. A eliminação trata-se de um golpe terrível para as aspirações de Agustín Ruiz e demais companheiros, arredados do mundial pela segunda vez consecutiva, mesmo tendo vencido todos os outros jogos da prova (incluindo um triunfo sobre o mesmo Panamá na fase de grupos, também por via do desempate na marcação de grandes penalidades). Para chegar ao jogo decisivo das meias-finais, o Panamá escavou um canal através da CONCACAF, deitando por terra as ambições de EUA (derrotados por 6-4 nos quartos de final e mais uma vez afastados do mundial após uma prestação sem brio) e Costa Rica (Los Ticos caíram precocemente na fase de grupos mercê das derrotas diante de El Salvador e Panamá).

Mais sorte teve a selecção do México, que contou com um calendário mais apetecível na caminhada rumo ao mundial. Apesar de as exibições dos Aztecas não terem sido especialmente convincentes, a turma de Ramón Raya não apresentou dificuldades perante as formações menos experientes do Canadá, de Trindade e Tobago e de Guadeloupe, capitalizando da melhor forma a sua experiência. Ramón Maldonado foi o herói da qualificação mexicana ao apontar 12 golos que lhe valeram o estatuto de melhor marcador da competição, numa equipa que mantém como vozes da experiência Angel Rodríguez e Benjamim Mosco, agora complementados por muitas caras novas. Contudo, também esta nova geração mexicana se submeteu de forma mais ou menos passiva ao jugo totalitário do Panamá, numa final em que a maior consistência dos homens do Canal foi evidenciada (4-2). Restam, por isso, muitas dúvidas sobre as reais chances do México neste campeonato do mundo.

No campo das surpresas pela positiva destaca-se ainda a prestação notável de Guadaloupe, uma selecção que nunca poderia estar presente no mundial por não ser membro FIFA, mas deu provas de grande crescimento ao atingir as meias-finais da prova, num percurso que incluiu a eliminação das Bahamas, após um sólido triunfo por 5-3. Em sentido inverso, a prestação tímida da selecção da casa reforça as dúvidas sobre o que poderá ser alcançado por St. Fleur e demais companheiros nas suas areias natais e levanta sérias questões relativamente à legitimidade da escolha de um país com escassa tradição na modalidade como sede do mundial.

AFC

Equipas apuradas: Irão, EAU, Japão

Campeão: Irão

Surpresa: EAU

Decepção: Omã

Um grande jogo de Ozu Moreira não evitou o triunfo do Irão [Foto: JFA]

Já depois de o sorteio do mundial ter sido efectuado (numa cerimónia que teve lugar em Nassau a 28 de Fevereiro, após a conclusão do torneio de apuramento da CONCACAF), chegou finalmente a vez de as selecções asiáticas entrarem em campo por forma a determinar as vagas em falta nos grupos B, C e D. Desta vez, as praias malaias de Kuala Terengganu substituíram o Qatar como anfitriãs da prova, numa edição marcada pela escassez de participantes (apenas 12, um número que contrasta com as 16 equipas de edições passadas).

No meio de tantas mudanças, a imutabilidade da qualidade exibicional do Irão sobressai, principalmente se atendermos ao registo avassalador dos comandados de Mohammad Mirshamsi: 6 vitórias em outras tantas partidas, todas por pelo menos 2 golos de diferença (a maioria dos quais por resultados bem mais dilatados) e a reconquista do estatuto de reis asiáticos de forma contundente. Apenas a partida decisiva das meias finais frente ao arqui-rival Japão se investiu de maiores dificuldades para os persas, mas a maior intensidade de jogo e consistência táctica do Irão acabaria por estabelecer uma diferença entre as duas selecções traduzida no 8-6 final. A final frente aos Emirados Árabes Unidos constituiu um momento de celebração e júbilo para Ahmadzadeh e companhia, coroando a conquista do ceptro asiático com nova goleada por 7-2. Acima de tudo, o Irão prima pela maturidade técnico-táctica que foi adquirindo ao longo da última década, demonstrando uma coesão defensiva assinalável e sistemas de jogo muito bem trabalhados, que oscilam inteligentemente entre o 3:1 e o 2:2 clássicos e resultam num estilo particularmente rápido e directo. Num plantel equilibrado e coeso, Mohammadali Mokhtari foi, desta vez, o maior destaque, assenhoreando-se dos prémios de melhor marcador e melhor jogador do torneio com 12 golos.

O segundo destaque pela positiva vai para a selecção dos Emirados Árabes Unidos, que se sagrou vice-campeã asiática contra todas as expectativas. É certo que a equipa do golfo apresenta pergaminhos na modalidade, contando com 4 mundiais no currículo, e já com este plantel havia dado provas de qualidade, ao derrotar Rússia e Portugal na Copa Intercontinental de 2015. Todavia, o 8º lugar alcançado na última Copa Intercontinental, na qual o conjunto então comandado por Guga Zlockowick revelara efectiva falta de competitividade, permitiam entrever dificuldades para a formação dos emirados, tornando mais verosímil o apuramento de equipas como Omã ou Líbano. Foi, por isso, uma agradável surpresa verificar que a inépcia táctica evidenciada 4 meses antes no Dubai pelos homens do golfo não deixou vestígios numa equipa que começou a deixar uma excelente imagem desde o primeiro instante, vencendo veementemente o Iraque (6-0) e o Qatar (8-1) nas rondas inaugurais. Sendo necessário vencer o Japão para assegurar a presença nas meias finais, os pupilos de Mohamed Bashir confirmaram o excelente momento de forma que atravessam ao surpreender os nipónicos com um triunfo por 5-4. A qualificação para o mundial ficaria selada com uma vitória nas semi-finais arrancada a ferros sobre o sempre combativo Líbano, após grandes penalidades (empate 4-4 em tempo regulamentar), carimbando o regresso dos Emirados Árabes Unidos aos grandes palcos mundiais.

A lista de apurados asiáticos fica completa com a referência ao Japão – a única equipa a par do Brasil que consegue assim marcar presença em todas as 9 edições da prova. Porém, os discípulos de Marcelo Mendes não contaram com facilidades, atendendo à inesperada derrota com os Emirados Árabes Unidos (que haviam sido treinados por Mendes durante largos anos). O país do sol nascente teve de aguardar os resultados dos outros agrupamentos para no final do dia ser repescada para as meias finais enquanto melhor 2º classificado dos 3 grupos, cabendo-lhe a difícil tarefa de defrontar o Irão nas meias finais. Sendo notória a qualidade técnica do plantel nipónico, tal como a organização táctica rigorosa que actualmente enverga, o Japão parece permanecer neste momento um degrau abaixo do estatuto de superpotência mundial ostentado pelos iranianos, o que acabou por condizer com a derrota nas meias finais. Ainda assim, foi sem margem para dúvidas que o Japão venceu o Líbano (6-3) na partida de apuramento do 3º lugar, assegurando o passaporte para as Bahamas.

Em sentido inverso vale a pena destacar o desempenho desapontante da selecção omanesa, presente no mundial de Espinho. Yahya Al Araimi, Ghaith e Khaled Al Oraimi não foram além da fase de grupos do torneio asiático nesta ocasião, mercê da derrota por 4-3 diante do Líbano na partida decisiva. Os libaneses, por sua vez, repetiram o 4º lugar de 2015, uma vez que o bom momento iniciado com a vitória perante Omã não encontrou eco numa meia final teoricamente acessível frente aos Emirados Árabes Unidos, acabando depois goleado pelo mais experiente Japão. Ainda não foi desta que Haitham, Merhi e restantes companheiros reservam um lugar no mundial, mas vale a pena sublinhar o bom trabalho efectuado, que mais tarde ou mais cedo deverá ser premiado (veja-se o caso do Equador, que após 3 torneios no 4º lugar da CONMEBOL carimbou a presença no mundial das Bahamas).

Por seu turno, outra selecção que deixou uma boa imagem em Kuala Terengganu foi o Bahrain, liderado pelo português João Almeida, que terminou a sua participação na fase de grupos apenas com uma derrota frente ao Irão, mas 3 vitórias meritórias nas outras partidas. Como nota final, cabe-nos destacar a prestação do Afeganistão, também integrante do grupo A, uma selecção oriunda de um país em guerra que mesmo assim demonstrou bons indícios de qualidade desportiva, vencendo as formações da Malásia e da China.

OFC

Equipa nomeada: Taiti

Lamentavelmente, o último torneio de qualificação disputado na Oceânia tendo em vista o mundial de futebol de praia remonta a 2011, quando o Taiti se apurou pela primeira vez para a prova. Desde então, a confederação tem-se limitado a nomear um representante para participar no campeonato do mundo, que inevitavelmente acaba por ser o Taiti, mercê das duas presenças consecutivas no Top 4 do mundial. O actual vice-campeão do mundo irá assim disputar o seu 4º mundial consecutivo, mas poderá ressentir-se da falta de competitividade que enfrenta nos longínquos confins da Polinésia.

As dúvidas sobre o estatuto de favorito do Taiti começam a dissipar-se dentro em breve, após o pontapé de saída da competição no Malcolm Park, em Nassau, cabendo a Irão e México a honra de dar início à competição. Um duelo que promete, aliás como tantos outros a que irmos assistir ao longo de uma semana e meia.

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André CoroadoAbril 14, 20179min0

O momento pelo qual milhares de fãs em todo o mundo esperavam aproxima-se a passos largos! O mundial de futebol de praia está à porta, aguardando a chegada do dia 27 de Abril para o pontapé de saída. A arena já está montada em Nassau, capital das Bahamas, que desta feita acolhem a prova num cenário de festa e compromisso com o desenvolvimento e expansão do futebol de praia ao redor do globo… e o Fair Play também entra em estágio com uma série de antevisões da prova!

Primeiramente, é nosso objectivo revelar a rota que as 16 equipas participantes seguiram rumo a Nassau, contando um pouco da História dos torneios de qualificação disputados nos cinco continentes. Hoje recordamos um pouco da qualificação europeia, desvendado o que aconteceu em África e na América do Sul antes de nos serem dados a conhecer os seus representantes no grande evento à escala global. Na segunda parte prosseguimos o nosso périplo ao redor do planeta lançando um olhar à América do Norte, Central e Caraíbas, à Ásia e à Oceania. Uma vez apresentadas as selecções em prova, passaremos a uma antevisão dos grupos e da competição como um todo, naquela que será a 9ª edição da prova organizada pela FIFA.

UEFA

Equipas Apuradas: Polónia, Suíça, Portugal, Itália

Campeão: Polónia

Surpresa: Polónia

Decepção: Rússia

É um facto aceite pela comunidade do futebol de praia mundial a crescente preponderância da Europa na conjuntura internacional da modalidade, conforme o atestam os bons resultados das equipas provenientes desta confederação nos campeonatos do mundo da FIFA (inclusivamente, as últimas 3 edições foram conquistadas por selecções do velho continente). Todavia, em 2017 o mundial voltará a contar com apenas 4 representantes europeias, o que se reflectiu num ciclo de batalhas duríssimas em Setembro do ano passado tendo em vista a selecção dos apurados.

Não podemos deixar de criticar o sistema vigente, denunciando a tremenda injustiça patente na limitação deste número, que resulta inevitavelmente na exclusão de grandes gigantes do futebol de praia mundial. Ainda assim, vale a pena sublinhar a dimensão do sucesso das 4 equipas qualificadas, entre as quais se encontra a selecção portuguesa. Os lusos estarão acompanhados pela Itália, que apesar de disputar o apuramento em casa não foi além da 4ª posição, da Suíça, vice-campeã do torneio que contou com os 25 golos de Dejan Stankovic, e da Polónia, a grande revelação da prova, que não só logrou ultrapassar o favoritismo de Ucrânia e Rússia na segunda fase de grupos como também se auto-superou ao ponto de conquistar o troféu final. Em sentido inverso, a todo-poderosa Rússia, campeã do mundo em 2011 e 2013, não marcará presença nas Bahamas, tal como a Ucrânia, actual campeã europeia, ou a Espanha, selecção de grande importância histórica que já falhara o mundial de 2011.

A análise detalhada da qualificação europeia para o mundial e o estado da modalidade no continente pode ser encontrada na Parte I e na Parte II do artigo especialmente dedicado ao tópico.

CAF

Equipas Apuradas: Senegal, Nigéria

Campeão: Senegal

Surpresa: Nigéria

Decepção: Madagáscar

A fase final da qualificação africana foi disputada ainda em Dezembro de 2016, na cidade de Lagos, que desde 2011 tem vindo a acolher anualmente uma grande competição de futebol de praia.

Desta vez, a Copa Lagos deu lugar a uma prova ainda mais importante, reflectindo o esforço da federação nigeriana rumo ao desenvolvimento da modalidade no país e ao apuramento da selecção da casa para o mundial das Bahamas. Apesar de ser considerada uma das selecções mais fortes do continente, mercê da sua História na modalidade desde 2006, a Nigéria falhara os dois últimos mundiais, pelo que desta vez a aposta foi grande por forma a conseguir superar todos os obstáculos numa África cada vez mais competitiva. Apesar de uma derrota diante da Costa do Marfim no segundo jogo, os triunfos sobre Egipto e Gana levaram os homens da casa às meias finais, onde uma vitória contundente sobre a selecção marroquina (6-1) levaria os milhares de adeptos presentes no estádio ao rubro com a qualificação das Sand Eagles, que contaram com o melhor jogador da competição na pessoa do número 10 Emeka. Quando muitos poderiam pensar o contrário, a Nigéria deu um claro sinal de que está de regresso à elite mundial e levará muita velocidade e fluidez ofensiva na bagagem para as Bahamas.

Por seu turno, o Senegal conseguiu confirmar o seu favoritismo ao apurar-se para o seu sexto campeonato do mundo (o quarto consecutivo), numa caminhada irrepreensível em que somou 5 vitórias em tempo regulamentar, denotando grande progressão ao longo da prova. Colocando em prática modelos de jogo muito simples, mas pautados por uma organização táctica notável, a equipa mais jovem do mundial manteve a base do grupo que esteve em Espinho em 2015, adicionando-lhe mais alguns jovens talentosos. Fall, melhor goleador da prova com 12 golos, e o mítico guardião Ndiaye, melhor guarda-redes do torneio, continuam a ser peças chave da equipa, que se sagrou campeã africana após derrotar a Nigéria na final por esclarecedores 7-4. O Egipto fora a outra grande vítima dos Leões de Teranga, numa meia final que também terminara com um desnível de 3 golos. A frescura física e facilidade de remate dos guerreiros de Dakar irá portanto marcar presença em Nassau, impondo respeito a toda a concorrência.

De fora das contas do apuramento ficou a selecção de Madagáscar, precocemente eliminada  na fase de grupos, mercê das derrotas diante de Senegal e Marrocos. Os anteriores campeões africanos foram assim drasticamente destronados do seu anterior posto, fruto de uma sucessão de erros defensivos em momentos cruciais de ambas as partidas. Egipto e Marrocos foram as outras decepções da prova: as duas nações do Norte de África continuam sem contabilizar qualquer presença em mundiais, não obstante o crescimento que têm vindo a evidenciar em torneios como a Copa Intercontinental. No final, a objectividade e força física da Nigéria e do Senegal ditou a diferença, carimbando o passaporte dos dois históricos para o Mundial da FIFA.

CONMEBOL

Equipas Apuradas: Brasil, Paraguai, Equador

Campeão: Brasil

Surpresa: Equador

Decepção: Argentina

Se neste artigo tínhamos conferido todo o destaque ao desempenho irrepreensível do Brasil, rei e senhor da América do Sul, não podemos deixar de acentuar igualmente as qualificações de Paraguai e Equador, por motivos diferentes.

[Foto: BSWW]

Os guaranis, movidos pelo apoio do povo que acorreu às bancadas da arena de Assunção, denotaram um crescimento notável no decorrer do evento, evidenciando claramente uma assimilação positiva das ideias do seu novo treinador, o Guga Zloccovick. A vitória difícil frente à tímida Bolívia na partida inaugural poderia deixar algumas dúvidas acerca das reais capacidades da equipa paraguaia, mas as exibições consistentes que se lhe seguiram fizeram dissipar todas as dúvidas, enquanto Chile, Uruguai e Argentina se deparavam com pesadas derrotas. Na partida decisiva das meias finais um jogo aparentemente bem encaminhado para o Paraguai poderia ter-se transformado num pesadelo, dada a recuperação heroica dos equatorianos, mas os homens da casa acabariam por prevalecer nas grandes penalidades e garantir o apuramento para as Bahamas. Na final frente ao Brasil, apesar do resultado adverso, os jogadores guaranis deram nova prova da qualidade do seu jogo, denotando uma interessante versatilidade táctica, consistência defensiva assinalável e técnica fora do comum por parte de jogadores como Pedro Morán, o suspeito do costume, mas também o estreante Carballo, que acabaria por ser eleito melhor jogador da prova.

Por seu turno, o Equador acabaria por concretizar o sonho antigo de conseguir uma qualificação para um mundial, depois de ter alcançado o ingrato 4º lugar por 3 vezes nas últimas 4 edições do torneio de apuramento. Trazendo um estilo de jogo vibrante e rápido, que conjuga a velocidade na condução de bola pela areia com algumas jogadas pelo ar, a comitiva formada por Bailón, Gallegos, Moreira e companhia mostrou maior maturidade e solidez defensiva comparativamente com edições anteriores, vencendo os vizinhos do Perú, da Colômbia e da Venezuela na fase de grupos para alcançar a fase decisiva. O sabor amargo de uma recuperação inconsequente frente ao Paraguai na meia final não demoveu a nação do Pacífico do seu propósito firmemente delineado e foi também nas grandes penalidades que o Equador eliminou a Argentina, no jogo de decisão do 3º lugar na prova. De salientar a grande entreajuda dos jogadores equatorianos, que lhes permitiu fazer um uso inteligente das suas armas para empatar uma partida na qual chegaram a acusar 3 golos de desvantagem.

Em sentido oposto, a selecção Albiceleste acabou por ficar fora do mundial pela primeira vez desde que a FIFA assumiu a organização da competição. Trata-se de um desfecho previsível para uma selecção que, durante 2 anos, atravessou uma crise de resultados estrondosa, mercê das constantes e insustentáveis remodelações de plantel e equipa técnica de que foi alvo. Sendo notória a estabilidade que os regressos do guardião Marcelo Salgueiro e o fixo Lucas Medro trouxeram à equipa, o futebol de praia argentino precisa urgentemente de uma lufada de ar fresco que, simultaneamente, o organize e modernize. O mau nível de jogo praticado pelos argentinos é, no entanto, sintomático do clima que se vive na CONMEBOL, onde equipas com pergaminhos como Uruguai, Chile e Venezuela tardam em encontrar-se e parecem inclusivamente regredir, em face das prestações pobres e falta de ideias evidenciadas pelas equipas em prova, exceptuando as 3 equipas apuradas.

Paraguai e Equador acompanham assim o Brasil no mundial das Bahamas, onde a selecção Canarinha parte como campeã sul-americana sem contestação, pese embora a boa réplica dos paraguaios na final. Resta saber que resposta irão dar as selecções das outras confederações (nomeadamente UEFA, AFC e OFC) ao poderio brasileiro.

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André CoroadoFevereiro 14, 20176min0

Um Brasil demolidor, Paraguai finalista e mundialista e uma nova coqueluche para o Mundial com o apuramento do Equador. Assim se processou o Torneio de Qualificação da CONMEBOL 2017 no Paraguai.

Terminou recentemente o torneio de qualificação da CONMEBOL para o Campeonato do Mundo de Futebol de Praia FIFA 2017, evento que ditou o apuramento das selecções do Brasil, do Paraguai e do Equador para a competição mais importante da modalidade a nível global após uma maratona de 8 dias consecutivos de competição. Foi nas areias do Yacth and Golf Club de Assunção, a capital do Paraguai, que as dez formações da confederação sul-americana se digladiaram na luta pelas almejadas vagas no Mundial das Bahamas.

A prova proporcionou aos adeptos de futebol de praia a oportunidade para observar jogos intensos, nem sempre bem jogados, mas que acabaram por premiar justamente a maior qualidade apresentada dentro do terreno de jogo pelas três equipas que lograram alcançar o pódio. Todavia, acima de tudo, a competição ficou marcada pela manifestação de força da selecção brasileira, que revalidou o título de campeã da América do Sul.

Invencibilidade brasileira

A selecção Canarinha continua sem perder desde que Gilberto Costa assumiu o comando técnico da equipa, em Janeiro de 2016. Numa prestação avassaladora, a armada brasileira não sentiu quaisquer dificuldades na caminhada para o Mundial 2017 e tornou-se, até ao momento, a única selecção do planeta a conseguir o apuramento para todas as edições do campeonato do mundo (um feito que poderá vir a ser igualado pelo Japão, que disputará dentro de semanas a qualificação asiática).

Inserido num grupo relativamente acessível, o Brasil iniciou a competição com vitórias confortáveis sobre as congéneres venezuelana (6-2) e colombiana (9-5), em partidas onde o desnível abismal entre as equipas foi sempre muito evidente.

Ainda assim, as exibições brasileiras nem sempre foram completamente convincentes, fosse pelo excessivo abrandamento de ritmo em alguns momentos fosse pela maior displicência defensiva que acabou por permitir um reaproximar da Colômbia no marcador, com 3 golos no 3º período.

Não obstante, chegando aos jogos contra as equipas teoricamente mais difíceis, o Brasil revelar-se-ia absolutamente implacável, carimbando a qualificação em 3 jogos quase perfeitos diante de Perú, Equador e Argentina: 29 tentos apontados, apenas 2 golos sofridos e uma demonstração clara de força que confirma uma verdade há muito anunciada: à excepção do Paraguai, não existe actualmente nenhuma formação na América do Sul com capacidade para questionar a hegemonia do Brasil.

Gilberto Costa e a receita para o êxito

O segredo para o sucesso Canarinho passa em grande medida pela acção do novo seleccionador nacional, que manteve a base do grupo na era de Júnior Negão, mas provou-se exímio na arte de extrair desse conjunto de jogadores de topo mundial o melhor que eles tinham para oferecer.

Gilberto Costa trouxe de volta a segurança defensiva que constituía uma das imagens de marca do Brasil de outros tempos (recorde-se a geração dos tetra-campeões mundiais de Alexandre Soares), tendo instituído uma autêntica filosofia de solidariedade no processo defensivo e logrando tirar partido das características individuais mais valiosas de cada jogador por forma a fortalecer o ataque.

Efectivamente, o Brasil tem revelado uma organização defensiva colectiva irrepreensível, que começa na pressão alta que exerce sobre os adversários na primeira fase de construção e se intensifica à medida em que a bola se aproxima da sua baliza, sufocando completamente o portador da bola. Por este motivo, torna-se muito complicado criar oportunidades de golo contra o Brasil caso não se verifiquei o envolvimento de pelo menos 3 jogadores no processo ofensivo e se estes não revelarem rapidez e eficácia na tomada de decisões.

Também a nível de bolas paradas foi notório o trabalho de qualidade levado a cabo pela nova equipa técnica, ainda que esporadicamente possam surgir algumas falhas defensivas individuais.

O regresso de Mão, o icónico guarda-redes da Canarinha, à sua melhor forma desempenhou igualmente um papel decisivo na solidez defensiva do conjunto brasileiro, assim como o fortalecimento da figura da posição 2 por via da constância exibicional de Catarino, um dos mais completos jogadores da sua posição a nível mundial, e do experiente Daniel, sobrevivente da selecção da década passada.

Ofensivamente, vale a pena sublinhar a grande versatilidade da formação lusófona, que implementa em campo toda uma panóplia de movimentações e trocas de posição por forma a arrastar as defesas adversárias e criar espaços livres por forma a promover a criação de oportunidades de golo, em que a técnica dos seus jogadores acaba por sobressair.

Tal traduz-se numa alternância constante de sistemas de saída para o ataque, sendo reconhecíveis situações de 1:2:1, 3:1 e 2:2, incluindo por vezes a participação do guarda-redes Mão em cenários de 5×4. As equipas montadas por Gilberto Costa revelam um notável equilíbrio: a primeira, composta por Catarino, Bruno Xavier, Datinha e o pivô Mauricinho, mostra-se exímia na arte de baralhar as defesas adversárias num carrossel de rotações onde todos os jogadores passam pelas diversas posições, podendo surgir em zona de finalização; a segunda consiste numa aposta ganha por Gilberto, que fez descer Rodrigo para a ala (deixando o lugar de pivô que habitualmente desempenhava), aliando a sua velocidade e técnica alucinantes ao faro de golo do pivô Lucão, secundados pela criatividade de Bokinha e tranquilizados pelo pilar defensivo Daniel.

Reacção Guaraní ameaça, mas revela-se insuficiente

Apenas o Paraguai se mostrou capaz de competir com o Brasil, impondo uma resistência heroica aos intentos da selecção Canarinha no jogo da final, já com ambas as equipas apuradas.

Ainda assim, apesar do equilíbrio notório ao longo da partida, que eventualmente poderia ter conhecido um desfecho diferente, ficou também patente a superioridade brasileira durante grande parte do jogo, mostrando-se sempre mais consistente a vários níveis e mais equilibrada colectivamente.

Associado a tudo isto, a maior maturidade emocional da equipa constituiu um factor determinante no sucesso Canarinho, uma vez que os seus jogadores souberam lidar da melhor forma com as adversidades e o nervosismo sentido em fases decisivas do jogo, sabendo gerir da melhor forma os ânimos para retomar o controlo do jogo momentaneamente perdido.

Em face da actual conjuntura, depois de um ano de 2016 invicto e uma qualificação obtida em grande estilo, a questão impõe-se: conseguirá alguém parar este super-Brasil?

Uma coisa é certa: os pupilos de Gilberto Costa viajarão em Abril para as Bahamas com uma ambição renovada no assalto ao ceptro mundial que lhes foge desde 2009. O espectáculo está garantido, numa competição onde Portugal estará presente para defender o título conquistado nas areias de Espinho em 2015.

Brasil demolidor a caminho do título? (Foto: Globo)

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