O que esperar dos Lusitanos na final da Super Cup 2022?

Francisco IsaacMaio 5, 20226min0

O que esperar dos Lusitanos na final da Super Cup 2022?

Francisco IsaacMaio 5, 20226min0
Estamos a horas da final da Super Cup, e Francisco Isaac explica o que esperar dos Lustanos no jogo que vai decidir o campeão

É o último jogo da época para os Lusitanos na Rugby Europe Super Cup 2022, que depois de conquistada a meia-final frente a um Tel-Aviv Heat reforçado com alguns Springboks e Flying Fijians de última hora, enfrenta agora a franquia georgiana do Black Lion, naquele que será um jogo fisicamente agressivo, mas com potencial para ser uma ode à modalidade. Porquê? Bem, porque tanto uma equipa como a outra têm detalhes técnicos similares, recorrendo ao offload com perícia e eficácia, o que possibilita ao fluxo de jogo atingir a uma velocidade assinalável e entusiasmante, impondo um rugby contínuo intenso, dinâmico e elétrico, algo que os homens de Patrice Lagisquet parecem estar só ligeiramente um pouco mais habituados em comparação com a formação do leste europeu.

Contudo, o problema para os Lusitanos pode residir num ponto fracturante, o maul dinâmico, já que os Black Lion marcaram 13 ensaios deste modo dos 24 concretizados em toda a competição, e isto deve servir de aviso para a competência dos georgianos em submeterem os seus adversários sob uma grave pressão quando arrancam uma penalidade e apontam em direcção do alinhamento.

Abrimos o artigo com uma introdução mais extensa, verdade, o que serve de aperitivo para aquilo que será uma final de proporções épicas, talvez da mesma qualidade (ou ainda melhor) daquele empate arrancado pelos “Lobos” em Tbilissi frente aos “Lelos”, com ambas as franquias a apresentarem vários dos internacionais presentes durante a campanha do Rugby Europe Championship 2022. Antes de continuarmos pelos caminhos promissores da grande final, vamos só olhar para a convocatória da equipa técnica dos Lusitanos, que efectuou ligeiras diferenças em relação à equipa apresentada na meia-final.

As novidades vão para a inclusão de Rafael Simões (talvez dos melhores jogadores de toda a competição), David Costa, Duarte Torgal e Manuel Picão no bloco dos avançados, reforçando assim o pack com alguns dos melhores jogadores tanto desta campanha de 2022, como da actualidade do rugby português; já nos 3/4’s, João Belo volta à titularidade, sendo que a notícia mais importante é o retorno de Jerónimo Portela e Nuno Sousa Guedes, com estas inclusões a poderem ser decisivas tanto no dar outra letalidade às movimentações de jogo colectivas, ou no tomar de decisões individuais, aspecto em que o defesa do CDUP pode ser um perigo autêntico para o bloco defensivo dos Black Lion.

Vários regressos, uma equipa apetrechada com os melhores jogadores a actuar no rugby português – Vasco Ribeiro e João Granate são as ausência mais sentidas, estando ambos lesionados -, o que significa isto um reforço da já alta confiança em que os Lusitanos se encontram, tanto pela extraordinária vitória frente aos Tel-Aviv Heat, como da possibilidade de poderem vir a disputar uma última vaga pelo Campeonato do Mundo da modalidade (lembrar que a Espanha submeteu recurso, depois de excluídos por terem colocado um atleta não elegível em campo frente aos Países Baixos), sem esquecer o Test Match frente à Itália a ser jogado em Julho deste ano.

Com os avançados munidos da maioria dos seus principais protagonistas – Rafael Simões e Duarte Torgal garantem outra capacidade para disputar os alinhamentos -, e os 3/4’s perto da sua força máxima, como é que os Lusitanos podem criar sucessivas dificuldades a uma equipa bem trabalhada dos Black Lion? Imposição de fases rápidas, jogo imprevisível, procura incessante de criar erros de leitura no 3 para 3 (ou inferior), e de surpreender o adversário em cada fase-estática, fugindo ao jogo mais “maçador”, uma vez que os Black Lion gostam de desacelearar o ritmo quando defendem, de modo a poderem acelerá-lo na recuperação da bola e dentro dos últimos 30 metros.

Quem são os principais perigos da franquia georgiana treinada por Levan Maisashvili? Lasha Khmaladze, Akaki Tabutsadze (17 ensaios em 19 internacionalizações pela Geórgia, e 5 ensaios na Super Cup desta temporada), Sandro Mamamtavrishvili, Lasha Jaiani e Shalva Mamukashvili, com este último a ser um espectacular trabalhador na formação-ordenada e um comandante genial nos mauls dinâmicos, levando já 8 ensaios nesta nova competição da Rugby Europe.

O três-de-trás georgiano é letal ao nível do português, precisando de poucas oportunidades para fazer sentir o seu peso na manobra de jogo dos Black Lion, circulando bem a oval após a recepção pacifica dos pontapés altos, colocando boa explosão e um sprinto bem coordenado entre as unidades de ataque. Todavia, se notarem no que escrevemos atrás, a parte “pacífica” da recepção dos pontapés pode ser chave. O que isto significa? Frente aos Castilla y León Iberians, a franquia georgiana sofreu constantes dissabores na recepção dos pontapés altos quando pressionados, soltando 6 vezes a bola em 12 situações, com duas até surtirem em ensaios da formação espanhola, o que adiou a decisão desse encontro para os minutos finais. Sim, Lasha Kmaladze é um dos atletas mais experientes dos “Lelos”, e uma lenda viva do rugby georgiano, mas um só jogador não consegue garantir a recepção de todos os up&unders que uma dada equipa poderá arremessar.

Se os Lusitanos conseguirem colocar boa velocidade, intensificando as suas fases-de-jogo como fizeram contra a formação israelita nas meias-finais, e não cometerem penalidades desnecessárias, especialmente do seu meio-campo para trás, evitando assim deixar o encontro descambar para um domínio de maul dinâmicos e de jogadas milimétricas entre piques e passes curtos à ponta, há uma grande possibilidade de no fim termos festa portuguesa no Jamor.

Com o encontro marcado para as 15h00 no CAR Jamor, os Lusitanos entram para a final e último jogo de uma temporada que tem sido até agora adornada pela palavra “invicta”, podendo adicionar o título de campeão a esse registo 100% vitorioso no ano de estreia daquilo que tem sido uma competição inovadora e importante para o rugby europeu dos Tier 2.


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