3 destaques das meias-finais dos Lusitanos na Rugby Europe Super Cup

Francisco IsaacAbril 16, 20225min0

3 destaques das meias-finais dos Lusitanos na Rugby Europe Super Cup

Francisco IsaacAbril 16, 20225min0
Os Lusitanos estão na final da RE Super Cup e Francisco Isaac conta-te o que se passou neste encontro aqui no Fair Play

Os Lusitanos estão na final da Rugby Europe Super Cup, conquistando esse mérito depois de derrotarem expressivamente os Tel-Aviv Heat (reforçados com dois ex-Springboks, e um medalhista olímpico pelas Fiji) por 40-26, disputando o título com os Black Lion ou os Castilla y León Iberians no próximo dia 7 de Maio em Lisboa, e nada melhor que perceber o que se passou nesta meia-final.

MVP: RODRIGO MARTA

Não tirando um pingo de mérito ao esforço colectivo dos Lusitanos, é impossível não destacar Rodrigo Marta como o melhor jogador deste encontro, merecendo esse registo tanto pelos dois ensaios da sua autoria, um deles espectacular em todos os sentidos, assim como pelo impacto que tem no dar velocidade às operações de ataque ou pela imposição defensiva, tendo completamente silenciado Gabriel Ibitoye – as combinações com os pontas foram excecionais e decisivos para o resultado final.

O polivalente 3/4’s d’”Os Belenenses” Rugby apresentou-se como segundo-centro nesta meia-final da Super Cup e, como sempre, não desiludiu ao lado de Tomás Appleton, com a dupla a ser fulcral em diversas situações de jogo, seja naquela defesa aos 70 em cima da área de validação, em que forçaram uma formação-ordenada a favorecer os Lusitanos, impondo um virtuosismo agressivo que acabou por criar sucessivos e constantes problemas ao três-de-trás dos Tel-Aviv Heat, com estes a nunca serem capazes de encontrarem uma solução para controlar ou limitar as acções de Rodrigo Marta durante o encontro.

Com 95 metros conquistados, dois ensaios, cinco quebras-de-linha, oito defesas-batidos (foi o jogador que mais defesas tirou do caminho, seguindo-se Manuel Cardoso Pinto), dez placagens e um turnover, o centro/ponta mostrou novamente o porquê de ser um dos melhores activos dos elencos de Patrice Lagisquet nestas três últimas temporadas.

PONTO ALTO: BOLA EM MOVIMENTO SIGNIFICA HEAT A FRAQUEJAR

Se na primeira-parte existiu um equilíbrio entre as duas equipas, tendo esse factor se dissipado na entrada para a última meia hora do encontro, muito se deveu à velocidade de jogo e virtuosismo técnico dos Lusitanos em manter a oval viva, conseguindo não só fazer bons passes em movimento e a irem atrás do espaço, como o apoio ao portador de bola foi sempre limpo, claro e eficaz, apresentando uma fisicalidade que acabou por danificar o impacto dos jogadores do Tel-Aviv Heat, quebrando o adversário da formação portuguesa a todos os níveis na recta final desta meia-final da Super Cup.

Com Pedro Lucas e Jorge Abecassis (as melhoras para o abertura do CDUL que se lesionou no ombro quando se entrava para os últimos 15 minutos) a criarem uma ligação de boa qualidade entre formação e abertura, e o belo emparelhamento entre os centros, a palavra continuidade ganhou uma força inabalável e que deu frutos na maioria das ocasiões, forçando constantes avanços na linha-de-vantagem – temia-se que os portugueses perdessem este combate devido às inclusões de última hora na franquia israelita -, circulando a bola com eficiência e estrutura, sem nunca duvidarem das suas capacidades mesmo quando o adversário foi capaz de forçar uma penalidade no chão ou um erro no contacto.

Depois de ultrapassado a questão física da primeira-parte e os erros de pormenor (que acabaram por custar dois ensaios dos quatro sofridos), os Lusitanos simplesmente assumiram as rédeas do encontro, impondo aquela fluidez vertiginosa que lhes garantiu a conquista de um lugar na final da primeira edição da Super Cup.

PONTO A MELHORAR: LIMAR ARESTAS NOS PORMENORES

Sem querer individualizar erros dos jogadores do Lusitanos, a verdade é que se não tivessem surgido alguns erros evitáveis durante os 80 minutos, a franquia portuguesa tinha simplesmente saído do Jamor com um resultado ainda mais expressivo, não importando esse detalhe agora após a confirmação de ida à final da competição. A disciplina não foi um problema, já que somaram apenas 9 penalidades no total, a maioria na primeira-parte, enquanto a defesa só fracassou em raras situações, apresentando tanto uma placagem agressiva, extremamente física e imponente com os atletas portugueses a rapidamente saírem do chão para se apresentarem novamente ao serviço.

Ou seja, no geral, os Lusitanos não cometeram nenhum erro constante nesta meia-final da Super Cup, souberam rapidamente analisar e reparar os poucos pormenores negativos que cometeram, e mantiveram uma postura calma, fria e inteligente no decorrer dos 80 minutos, conseguindo mesmo acabar a dominar na formação-ordenada, isto depois de até ter cometido algumas penalidades nos primeiros 15 minutos deste jogo, o que mostra maturidade e qualidade numa franquia largamente composta por atletas abaixo dos 23 anos de idade.

DADOS E NÚMEROS

Maior marcador de pontos: Jorge Abecassis – 15 pontos
Maior marcador de ensaios: Rodrigo Marta – 2 ensaios
Jogador com maior número de metros conquistados: Rodrigo Marta – 95 metros


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter