“Lobos” XV: as 3 notas a reter da Janela Internacional de Julho

Francisco IsaacJulho 18, 20226min0

“Lobos” XV: as 3 notas a reter da Janela Internacional de Julho

Francisco IsaacJulho 18, 20226min0
Derrota para a Geórgia fechou a preparação dos Lobos para a luta na repescagem e há pontos positivos a retirar destes Test Matches

Está concluída a participação da selecção portuguesa de XV neste Janela Internacional de Verão 2022, que apesar de não ter conquistado qualquer vitória, deu sinais promissores e importantes para o torneio de repescagem que tem data marcada para Novembro deste ano, com já Estados Unidos da América e Quénia confirmados como adversários do elenco de Patrice Lagisquet. Que pontos positivos há a tirar? E em que parâmetros podem os “Lobos” melhorar de modo a se blindarem?

O QUE ENTUSIASMA: SHOW OFENSIVO PARA ABRIR OS PORTÕES

No que toca à primeira pergunta, Portugal voltou a fazer valer a genialidade com a bola nas mãos, manipulando a linha-de-defesa contrária com excelentes combinações entre o par de centros (Tomás Appleton é a âncora que dá forma a esta ligação entre as unidades do processo de ataque) e o três-de-trás, que provocam desequilíbrios de excelência, bem aproveitados na sua maioria. Nove ensaios marcados em três jogos, com um total de vinte-e-três quebras-de-linha e mais de duas dezenas de defesas tirados do caminho, em jogos em que os “Lobos” não tiveram domínio da posse de bola, o que significa um excelente uso da oval nas oportunidades que dispôs como formação atacante, com a Itália e a Argentina “A” a serem apanhadas de surpresa, um detalhe de importância para quando chegar o Torneio de Repescagem.

Outro aspecto positivo vai para a fiabilidade das fases-estáticas, com a reintrodução de Mike Tadjer a oferecer uma estabilidade superior à coesão tanto da primeira-linha (não só no encaixe, como também no aguentar da pressão contrária) e no alimentar consistentemente dos alinhamentos, elevando a avançada portuguesa e a plataforma de ataque ou de sustentação defensiva para um patamar de maior equilíbrio.

A conjugação destes factores ofereceu três primeiras-partes de uma excelência que agarraram a atenção internacional, com os “Lobos” a mostrar que o jogar no risco não é algo nascido do nada, mas sim de uma estratégia que estimula os jogadores a procurar fazer valer a sua cultura imaginativa e o de apostar numa fisicalidade disfarçada que pode ser chave para os duelos decisivos em Novembro próximo. Contudo, há algumas questões que podem ser problemáticas para as hostes lusas se os adversários conseguirem descortinar e aproveitar os mesmos erros que os três adversários de Julho foram capazes de explorar.

O QUE HÁ A RESOLVER: DEFESA DE BETÃO TEM DE PASSAR A FERRO

E quais são essas secções possivelmente problemáticas? Sobretudo suster os últimos dez minutos de jogo, período em que Portugal sofreu cinco dos quinze ensaios consentidos nestes três encontros, sendo o período mais crítico para os “Lobos” se olharmos tanto para os dados como para o contexto, tendo isto também sido observado durante o Rugby Europe Championship 2021 e 2022. Ou seja, Portugal tem de colocar um tampão/travão neste parâmetro que já tem mais o seu quê de parte mental do que o aspecto físico. Este elenco luso tem qualidade e capacidade para se impor nesse período tanto frente ao Quénia, como Estados Unidos ou Hong Kong (dificilmente conseguirão derrotar o Tonga), e fechar um dos veículos que trouxe alguns dissabores nos últimos 14 encontros.

Para quem contra-argumentar com os pontos consentidos no decorrer do jogo, por exemplo nos primeiros 25 minutos, e que Portugal pode estar a perder os encontros devido a esse período de jogo, bem, é uma observação de interesse e que merece atenção. Porém, é também nesse período em que os “Lobos” conseguem responder com pontos e ensaios, que em comparação com os dez minutos finais não há grande fluidez ou preponderância ofensiva que faça o placard mexer (um ensaio em três jogos), garantindo o controlo de jogo à equipa adversária.

Alinhado com este pormenor, o factor da defesa e disciplina, que novamente tem uma queda abrupta nos últimos dez/quinze minutos de jogo, seja nas fases-estáticas ou no tentar resgatar algum turnover no breakdown. Portugal tem os elementos necessários para ser extremamente eficaz na defesa contínua, com jogadores ágeis e com uma central de comando (Tadjer, Simões, Marques, Appleton e Guedes) que consegue manter a equipa unida durante a maior parte dos períodos de jogo, sendo isto mais uma questão mental do que de treino ou habilidade individual.

Resolvendo, estes problemas a equação resultará numa selecção portuguesa com outra consistência e que pode mesmo se superiorizar contra adversários de uma competência mais alta, ou, pelo menos, garantir uma taxa de vitórias maior frente à Roménia ou Espanha. Não é preciso dizer que Novembro é um momento crucial para o XV de Portugal masculino, e sem querer atribuir favoritismo aos “Lobos”, até porque os Estados Unidos vão poder contar com o apoio da MLR (quatro atletas foram impedidos de jogar frente ao Chile), os atletas e staff português têm as competências para chegar ao objectivo máximo desta campanha.

Para fechar, três jogadores que merecem um destaque individual pela sua contribuição ao colectivo das Quinas.

OS TRÊS MVPS DE JULHO

Mike Tajder: Mike Tadjer, como é que é possível um jogador voltar nesta forma depois de ter sofrido uma lesão de extrema gravidade e que acarretou um processo de recuperação longo e árduo? Um trabalhador nato, uma força inamovível e que cumpre em todos os papéis, o talonador apresentou uma taxa de sucesso de 94% na introdução nos alinhamentos, impondo ainda uma mobilidade de qualidade na defesa. É um “Lobos” que lidera a Alcateia neste momento, e que puxou pelo melhor dos seus colegas neste Julho.

Tomás Appleton: Entre Tomás Appleton e Rodrigo Marta, não era (e continua a não ser) fácil optar por um ou o outro, até porque ambos estiveram num nível estrondoso e que merece todos os elogios possíveis. Contudo, fomos para o capitão de Portugal devido ao exemplo que é dentro de campo, pela solidez defensiva que coloca ao serviço dos “Lobos” e pela suavidade que aplica na manobra de ataque, assumindo um papel preponderante e de ligação que mantém Portugal num ritmo sempre elevado.

Nuno Sousa Guedes: É decididamente o melhor 15 do rugby português nos últimos cinco anos, principalmente pela coesão na saída a jogar, no criar de situações de perigo de alto quilate e uma leitura de jogo que expõe o bloco contrário uma e outra vez. Sentiu-se a sua falta tanto nos Lusitanos como na campanha lusa no Rugby Europe Championship e o que fez em julho é demonstrativo disso mesmo: quatro assistências, cinco quebras-de-linha e nove pontos ao pé.


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