“Lobos” XV: a importância de uma janela internacional de nível alto

Francisco IsaacJulho 6, 20225min0

“Lobos” XV: a importância de uma janela internacional de nível alto

Francisco IsaacJulho 6, 20225min0
Depois de um grande jogo frente à Itália, os "Lobos" vão disputar o seu 2º Test Match de Julho e explicamos a importância destes jogos

Depois de uma exibição de bom nível frente à Itália no Estádio do Restelo, os “Lobos” de Patrice Lagisquet entram este sábado no mesmo relvado para chocar de frente com a Argentina “A” (seleção B dos Pumas, com alguns dos envolvidos a terem já alinhado pela o patamar principal desta formação sul-americana) e continuar a prestar provas nesta Janela Internacional de Verão 2022, sabendo que o objetivo máximo é de garantir a melhor preparação possível para o Torneio se Repescagem de acesso ao Campeonato do Mundo 2023, a realizar em Novembro deste ano.

Portugal apresenta-se actualmente com um elenco sólido e cada vez mais compacto, mantendo-se praticamente os mesmos atletas nas últimas seis convocatórias, tendo só surgido raras novidades como é o caso de Nicolas Martins, jogador actualmente do Castanet (Nationale 1), que poderá merecer a sua primeira internacionalização neste Julho.

A busca de Patrice Lagisquet, João Mirra e Luís Pissarra passa por conseguir eliminar (ou menorizar) os erros que acabaram por abrir caminho para as derrotas frente à Roménia e Espanha em 2022, e potenciar, por outro lado, aquelas que têm sido as principais características determinantes dos “Lobos” nos últimos três anos, identificando-se aqui a predisposição para sair a jogar em contra-ataque e abraçar o risco ofensivo, o trabalho de excelência na abordagem ao breakdown e no turnover e a capacidade física de iniciar os encontros num ritmo elevado.

Os problemas mais críticos dos “Lobos” passam pelo aguentar a maior fisicalidade e agressividade adversária, especialmente no suster a linha de vantagem a defender ou conseguir ganhá-la consecutivamente quando a oval está em seu poder, para além da alguma precaridade nas formações-ordenadas ou no estabilizar do alinhamento, sectores que já sofreram uma evolução positiva nos últimos 24 meses, necessitando de uns quantos mais apertos para atingir o patamar necessário, ou, melhor, para aguentar o choque contra seleções como a Roménia, Itália, Geórgia ou Espanha.

Por isso a importância de ter uma Janela Internacional de Verão activa e com uma panóplia de adversários de outra dimensão física e táctica (sem falar da técnica), que possam colocar a pressão ideal de modo a meter à prova os “Lobos” que atravessam um momento interessante em termos de qualidade de jogo, com o três-de-trás a revelar-se um constante perigo, enquanto a avançada voltou a ganhar outra vida com a reintrodução de Mike Tadjer (lesionado durante 6 meses, retornou antes do tempo e numa forma impressionante) na 1a linha, onde os elos de ligação do par de médios têm efectivamente dado expressão à estratégia lusa.

De entre este Julho a Novembro, Portugal terá a missão de procurar um substituto à altura de Jean de Sousa, pois o 2a linha retirou-se no fim da temporada terminada há três semanas, precisando de afinar o elemento que fará parelha com José Madeira (um dos melhores atletas lusos em 2021/2022), sem falar da necessidade em garantir um banco de suplentes que consiga dar um impulso extra quando são chamados ao serviço, algo fundamental para conquistar o último bilhete de acesso ao Campeonato do Mundo.

Por outro lado, o conseguir obter três jogos de elevado nível de reconhecimento internacional ajudam a promover a seleção de Portugal como um produto, um factor que esteve ausente nos últimos cinco anos em virtude da descida à segunda divisão das competições da Rugby Europe, com este calendário de Julho a poder ser um catalisador extremamente importante para reerguer a modalidade no contexto nacional, isto se realmente fosse bem trabalhada nesse âmbito pela comunicação da Federação Portuguesa de Rugby.

O conseguir alocar o encontro frente à Argentina “A” (e anterioramente, Itália) em estádios que não os habituais do rugby português garante também outra imagem para consumo interno, podendo favorecer a longo-prazo caso seja possível realizar certas finais de campeonatos ou circuitos nacionais de 7’s nestes recintos “virgens”, ou que raramente receberam jogos, à/da bola oval – o Complexo Desportivo das Caldas-das-Rainhas foi uma vitória importante da administração passada, e espera-se que novos campos entrem na agenda. Contudo, se este esforço ficar todo só no âmbito da selecção de XV, então uma oportunidade terá sido perdida de expansão da imagem do rugby português que viu-se privado de reconhecimento nos últimos anos, tendo agora uma segunda vida para voltar a ganhar algum balanço na corrida por aumentar o número de efectivos (será importante rever os campeonatos juvenis ou como está a funcionar a competição de formação, uma vez que existem preocupações generalizadas de vários clubes e personalidades) e peso dentro do COP ou IPDJ (o programa dos 7’s é aqui fulcral para o futuro, pois é modalidade olímpica e que poderá ser um condutor de financiamento e investimento mais constante do que os XV).

Portugal vai defrontar a Argentina “A” às 19h00 de dia 9 Julho, com os celestes a terem nas suas linhas jogadores como Tomás Lavanini, Gonzalo Betranou, Sebastián Cancelliere, Tomás Lezana, Matías Moroni, Facundo Bosch, entre outros nomes de alto quilate que vêm à procura de conquistar um lugar nos Pumas, sendo o desafio perfeito para os “Lobos” antes de irem em viagem a Tbilisi.


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