3 pontos do SR 2019 Ronda 9: Chiefs-Blues ou o melhor jogo do ano!

Francisco IsaacAbril 13, 20196min0

3 pontos do SR 2019 Ronda 9: Chiefs-Blues ou o melhor jogo do ano!

Francisco IsaacAbril 13, 20196min0
Exaustivo, espectacular e emocionante... foi tudo isto o dérbi entre Chiefs e Blues com uma análise nossa a este super momento da época! Concordas com os nosso 3 pontos da 9ª ronda?

CHIEFS VS BLUES: DÁ PARA REPETIR ESTE JOGO PARA O RESTO DA ÉPOCA?

Inacreditável… Espectacular… Inexplicável… são tudo palavras que não ficam sequer a meio caminho do que realmente foi o encontro entre Chiefs e Blues, num dos dérbis mais esperados da conferência neozelandesa.

A certa altura houve mais de 100 fases jogadas, entre 7 minutos seguidos com a oval a ser carregada de um lado para o outro, com sucessivas quebras-de-linha, placadores tirados do caminho (e outros a acertarem na mouche com uma “violência” tal que fez tremer o campo), side-stepsoffloads, numa magia que só as franquias neozelandesas conseguirem proporcionar ao Super Rugby.

Foi de certa forma exaustivo ver como ambos os blocos se entregaram ao jogo, assumindo uma vontade extraordinária de atacar o espaço e arriscar em mais um passo para a frente ou um offload inesperado ou qualquer outro pormenor formidável. Solomon Alaimalo, Anton Lienert-Brown (não fosse o facto de ter sido abalroado por Nonu e tinha sido MVP do jogo) Damian McKenzie (o defesa saiu lesionado aos 41′ depois de uma primeira-parte de topo), Broadie Retallick (o melhor 2ª linha a nível mundial voltou a dar show) e Nathan Harris foram essenciais para colocar os Chiefs no caminho da 3ª vitória consecutivo.

Mas e o que dizer de Ma’a Nonu? Com a lesão de Sonny Bill Williams (6 semanas), o centro tem se assumido como a grande “cara” dos Blues nas linhas atrasadas, batendo-se cada vez melhor no contacto, agitando e movendo-se com uma velocidade tal que começa a entrar na discussão se deve ou não ir ao Mundial… só correu 15 metros, mas nesse pouco espaço de jogo bateu 10 adversários e furou a linha por duas ocasiões, tendo sido um autêntico “castigo” para a defesa dos Chiefs.

Melani Nanai correu mais de 167 metros, Anton Lienert-Brown e Broadie Retallick placaram juntos 32 adversários, Luke Jacobson fez mais de três turnovers no jogo e Nonu acabou com dois ensaios… querem mais?

No final dos 80 minutos, a bola de jogo deve ter sofrido danos irreparáveis já que viajou um 1km nas mãos dos 46 jogadores que alinharem neste encontro inesquecível do Super Rugby 2019. Vale a pena ver, rever e voltar a ver…

QUADE COOPER: PARA O MELHOR E PIOR..

Rebels foram ao fundo… outra vez, com uma derrota demolidora na recepção aos Stormers que fizeram um jogo impecável, isento de erros e inteligente na forma como tiraram espaço às melhores opções de ataque da formação australiana. Sem espaço para lançarem contra-ataques letais, os Rebels foram forçados a jogar e a criar fases de jogo… todavia, mostraram-se incapazes de “montar” este processo de forma consistente, sendo apanhados no inteligente breakdown dos Stormers, com destaque para Wiese, Kobus van Dyk ou Bongi Mbonambi.

E de Quade Cooper, o que sabemos? O abertura teve um jogo menos bom, capturado constantemente pela pressão alta dos Stormers, que impediam o abertura australiano de tentar criar uma linha de fuga pelo lado fechado, apertando-o ao ponto de cometer erros complicados para os Rebels.

A defender foi um target dos Stormers, que montaram uma estratégia de atacar o canal do 9-10-12, com especial incidência em Cooper, que falhou por quatro ocasiões a placagem, oferecendo uma boa plataforma de ataque aos sul-africanos da Cidade do Cabo.

Erros a atacar, falhas a defender, pontapés que não entraram nos eixos, uma comunicação que quando pressionada foi “silenciada” e uma falta de intensidade total, pôs fim ao que até agora estava a ser um espectacular ano de Quade Cooper que terá de perceber como se adaptar perante este tipo de linhas e estratégia defensiva.

A derrota por 24-41 em casa foi um sinal negativo para os Rebels, que só tiveram em Will Genia uma verdadeira liderança que ainda tentou lutar contra esta inoperância.

SHARKS… MAIS UMA VÍTIMA NA LISTA DOS JAGUARES

E os argentinos dos Jaguares fizeram história ao registarem a sua maior vitória de sempre em terras sul-africanas, com um 51-17 em casa dos Sharks, onde um novo herói ganhou definitivamente asas: Domingo Miotti. O abertura que se estreou na semana passada com dois ensaios, foi responsável por um jogo de excelência na camisola nº10, dando outra expressão ao ataque da franquia argentina que só teve olhos para a linha de ensaio e para a contra-reacção no breakdown.

Os Jaguares são cada vez mais “mestres” na luta no ruck, utilizando bem as suas unidades nesta formação espontânea conquistando não só preciosas penalidades, como garantem uma saída inesperada para o ataque que os Sharks nunca conseguiram parar, muito em virtude da lentidão de movimentos que a formação de Durban se ressente.

Foi de certa forma “fácil” a vitória da franquia das Pampas, misturando aquela “agressividade” por lutar em cada ponto do território, forçando o erro ou o pontapé demasiado precoce do adversário (Robert du Preez realizou uma exibição muito abaixo do expectável, com várias más decisões que complicaram a vida da sua equipa), apresentando-se bem no jogo colectivo, de grande manha e de velocidade total.

Os Jaguares defenderam bem mais e melhor que os Sharks e terminaram o encontro com 140 placagens (em 161 tentativas), para além de 8 turnovers, que foram bem convertidos em acções ofensivas, com Pablo Matera a destacar-se no factor defensivo. Mais ágeis, mais rápidos, mais eficientes e mais “duros” em todos os parâmetros do jogo, onde apareceu Jeronimo de la Fuente com quase 20 placagens, 3 quebras-de-linha, 4 defesas batidos e uma assistência para o hattricker da tarde Matías Orlando.

As contas na conferência sul-africana voltam a ficar baralhadas, com os Lions a caírem para último e os Bulls a ascenderem ao 1º lugar, seguido dos Sharks e Jaguares. Quem vai sobreviver numa conferência caótico, apaixonante e “agressiva”?

OS JOGADORES-PORMENORES DA SEMANA

Melhor Chutador: Domingo Miotti (Jaguares): 16 pontos (5 conversões e 2 penalidades e 80% eficácia)
Melhor Placador: Matt Todd (Crusaders): 22 placagens (96% eficácia)
Melhor Marcador de Ensaios: Matías Orlando (Jaguares): 3
Melhor Marcador de Pontos: 
O Rei das Quebras-de-Linha: Sevu Reece (Crusaders): 5
O Jogador-Segredo: Nada a Apontar
Lesionado preocupante: Damian McKenzie (6 semanas)
Melhor Ensaio: Lachlan Boshier (Chiefs) vs Blues: 2º ensaio do asa que é assistido por um momento mágico de Sean Wainui!


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