3 Destaques da 1ª jornada do Rugby Europe Trophy Feminino 21/22

Francisco IsaacDezembro 5, 20215min0

3 Destaques da 1ª jornada do Rugby Europe Trophy Feminino 21/22

Francisco IsaacDezembro 5, 20215min0
Portugal realizou o seu primeiro jogo no Rugby Europe Trophy 2021/2022 e logrou uma vitória que Francisco Isaac analisa ao pormenor

25 anos depois do primeiro e último encontro oficial da Seleção Nacional feminina de rugby sénior de XV, Portugal voltou a entrar em campo e nada melhor que uma vitória neste retorno, prometendo um futuro auspicioso para a bola oval lusa. Numa prova de enorme sacrifício e acreditar, já que durante a última semana de preparação João Moura viu oito atletas a ficarem de fora por lesão (Catarina Ribeiro, Isabel Ozório ou Inês Spínola, por exemplo), as “lobas” surpreenderam e o Fair Play faz a análise à prestação das atletas lusas frente à Bélgica na discussão do Rugby Europe Trophy 2021/2022.

MVP: MARIANA MARQUES

Quatro quebras-de-linha, dois offloads, três defesas batidos e oito placagens efectivas (duas dominantes), este foi o pecúlio da centro da Agrária, que impressionou neste jogo de estreia da Seleção Nacional feminina no quadro internacional no século XXI. Não olhando só para os números, o importante a focar é como a 3/4’s se assumiu como uma das principais dores de cabeça da Bélgica, tendo o adversário de Portugal sentido sérias dificuldades em limitar o raio da acção de Mariana Marques, que em diferentes situações de ataque foi capaz não só de abrir e explorar um espaço na linha-de-vantagem, como forneceu offloads ou passes no limite que garantiram um avanço substancial no território,  transmitindo toda uma visão de jogo e potencialidade física de grande impacto.

A facilidade como avançou para a oval ou procurou “castigar” a oposição sempre que se envolveu no encontro, ofereceu outra profundidade de opções ao elenco treinado por João Moura, merecendo o destaque de MVP nesta primeira aparição portuguesa no Rugby Europe Trophy, apesar de outras exibições competentes do seleccionado nacional, como Adelina Costa, Vera Simões ou Antónia Martins.

PONTO ALTO: ASSUMIR O RISCO DE JOGAR À MÃO

Poucos terão a noção do quão difícil terá sido para o elenco comandado por João Moura conseguir encontrar harmonia de processos, uma vez que este seria o primeiro jogo de sempre em XV internacional para todas estas atletas, sendo natural surgirem alguns erros e falhas na construção ofensiva ou no equilíbrio defensivo. Contudo, e ao contrário do que muitos poderiam pensar, as atletas lusas mostraram uma fluidez de fases dinâmica, movimentando a oval com vontade e acutilância, sem temer a sua perda ou possibilidade de realizarem erros, querendo arriscar, avançar e apostar mais em acções “imprevisíveis” ou, melhor, de procura em apostar num jogo expansivo e rápido, onde Maria Vásquez e Vera Simões deram, a espaços, bom seguimento nos termos da execução estratégica (a transmissão de bola entre unidades não foi refinada o suficiente para o marcador atingir outra dimensão, apesar da superioridade em certos períodos), que foi bem correspondido por Mariana Marques, Adelina Costa, Arlete Gonçalves, Mariana Santos, entre outros nomes.

A Bélgica sentiu constantes dificuldades quando se deu uma situação coerente de ataque das “lobas” que até podiam ter fechado o jogo com pelo menos mais dois ensaios, caso as arrancadas de Arlete Gonçalves e Antónia Martins tivessem sido concluídas da melhor forma, faltando maior paciência e calma, que também é fruto da inexperiência internacional, sendo normal o algum nervosismo de querer “fechar” uma dada movimentação o mais leste possível quando estão à beira da área de validação. No que toca à prestação defensiva, o elenco luso não só foi eficaz em bloquear ou parar a larga maioria das movimentações ou oportunidades da Bélgica, como surgiram placagens dominantes de alto impacto injetando uma energia decisiva para evitar uma reviravolta, destacando-se Adelina Costa (12 placagens efectivas), Sara Moreira e Mariana Costa, por exemplo.

A vontade de partir para cima do bloco contrário, assumir a iniciativa e não recear o choque contra uma seleção com maior experiência, foram elementos chave para conseguir esta histórica primeira vitória para a Seleção portuguesa feminina, que começa da melhor forma este Rugby Europe Trophy.

PONTO A MELHORAR: JOGO AO PÉ TEM DE APARECER

Dois elementos menos positivos saltaram à vista nesta 1ª jornada do Rugby Europe Trophy: jogo ao pé, ou, se quisermos, a larga ausência dele, já que em diversas ocasiões de boa posição para ir aos postes a opção recaiu em jogar à mão, enquanto os pontapés tácticos em jogo corrido foram quase inexistentes ou colocados deficitariamente, forçando a recorrer a uma estratégia mais de posse de bola, com isto a exigir uma entrega física mais pesada, que acabou por não significar qualquer vantagem para a Bélgica no decurso do tempo; o segundo elemento problemático passou pela pouca eficácia junto à área de validação adversária, pois foram cinco as oportunidades claras de ensaio perdidas depois de excelentes combinações colectivas, como aconteceu aos 70 minutos, altura em que Arlete Gonçalves recebe um excelente offload de Catarina Marques (o cálculo e noção de onde estava o apoio foram acções primorosas), ficando a n°8 a escassos centímetros daquilo que poderia ser a estocada final, seguindo-se algumas fases mais “pesadas” inconclusivas, acabando por terminar num erro próprio forçado (neste caso a oval caiu para adiante).

Ambos pormenores acabaram por conferir maior imprevisibilidade em relação ao desfecho do encontro, especialmente o segundo ponto, que mais uma vez é resultado dos primeiros passos e dores de crescimento de um grupo de jogadores com o compromisso mental necessário para atingir outro patamar internacional a longo-prazo.


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