Arquivo de João Moura - Fair Play

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Francisco IsaacOutubro 22, 20224min0

Que enorme vitória das “Lobas”, somando uma terceira vitória consecutiva desde que a selecção portuguesa feminina sénior voltou à actividade no XV, com um 71-05 frente à Bélgica a mostrar a qualidade imensa que habita dentro deste grupo transgeracional de atletas. Para além de levarem os 5 pontos, Portugal também assume o 1º lugar após esta jornada de arranque do Rugby Europe Trophy, abrindo da melhor forma a temporada!

MVP: NEUZA REIS (PILAR)

Poderíamos ter, justamente, escolhido quer Sara Moreira, Adelina Costa (sempre a trabalhar em cada sector, mostrando uma vontade de estar presente em todo o jogo da selecção lusa), Maria Costa ou Daniela Correia, mas o destaque máxima tem de ir para Neuza Reis, a primeira-linha, que até marcou um dos 11 ensaios desta esmagadora vitória em Bruxelas. Porquê optar pela pilar? Vestalidade e predisposição para se envolver em diversos momentos da construção de fases de ataque, tendo os seus piques e portagens de bola curtos forçado a oposição belga a recuar e a alocar mais defesas em seu redor, o que permitia criar situações de vantagem numérica quando a bola era entregue às linhas-atrasadas.

A resiliência e agressividade imposta na formação-ordenada também foi outro dos aspectos positivos, sendo que esse elemento é partilhado com as suas colegas da avançada portuguesa, contudo, o “pulmão” e a noção de que podia fazer a diferença se participasse na X fase, mostra o quão importante pode ser tanto no presente como futuro.

Dotada de uma energia positiva e uma perseverança inquebrável (sentia-se frustração no bloco contrário), Neuza Reis merece este destaque por tudo aquilo que ofereceu neste jogo de arranque do Rugby Europe Trophy, estando aqui um claro exemplo de como Portugal tem desenvolvido excelentes atletas com um investimento ainda de menor dimensão, e deve ser um chamariz para incentivar uma aposta cada vez mais séria no desenvolvimento de atletas de alto nível.

PONTO ALTO: BÁSICOS BEM EXECUTADOS LEVA A ENSAIOS FÁCEIS

Quando há um compromisso e foco em garantir que os pormenores mais básicos sejam bem trabalhados e executados, o caminho para chegar à área de ensaio contrária é mais fácil, significando isto que Portugal cumpriu no ABC para depois chegar convictamente ao XWZ, para desespero da Bélgica neste jogo do Rugby Europe Trophy. Depois de uns primeiros vinte minutos mais “fechados”, onde a equipa da casa tentou forçar as atletas portuguesas a entrar por um jogo mais físico ou lento, seguiu-se uma mudança repentina no fluir da bola, com as “Lobas” a imporem não só uma aceleração alegre ao fio de ataque, como uma eficácia impressionante na conquista da linha-de-vantagem, obtendo metros e aglutinando defesas fase após fase até realizar a estocada final, ou seja, chegar ao ensaio.

A condução de jogo de Leonor Amaral e Beatriz Oliveira simplificou que o par de centros, composto por Maria Costa e Mariana Marques (é um combo letal para quem lhes dá demasiado espaço para sair a jogar), tivesse uma bola saudável e rápida para fazer uso, imprimindo uma velocidade alta e que comprometeu a estratégia defensiva belga, com esta formação a nunca ter a capacidade para encontrar formas de parar a progressão lusa, e isto se deve totalmente ao mérito das comandadas de João Moura.

Simplicidade de processos, eficiência no garantir um ruck e breakdown limpo, inteligência aprumada no encontrar soluções, e capacidade para tornar um momento defensivo numa situação de ataque perigosa, foram elementos que ajudaram a construir o caminho até ao resultado de 71-05 neste 1º encontro de cinco do Rugby Europe Trophy.

PONTO A MELHORAR: INÍCIO “FRIO”

Normal que no 1º jogo da temporada enquanto colectivo surjam ligeiros erros ou alguns problemas na ligação de unidades, e Portugal “sofreu” isto mas só nos primeiros 15-20 minutos, seguindo-se depois uma prestação exemplar, onde se notaram quase nenhuns problemas nos diferentes departamentos do jogo. Alinhamentos bem trabalhados, formações-ordenadas estáveis, posse de bola segura, vontade assumir o risco, e, acima de tudo, uma alegria imensa de jogar, para além do carácter ultra competitivo de colocar uma pressão avassaladora no adversário do primeiro ao último minuto. Excelente exibição e um foco inquebrável que garantiu a maior vitória de sempre para a equipa portuguesa.


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