Portugal nos Jogos (Dia 11): Fernando Pimenta garante o bronze no K1

Fair PlayAgosto 3, 20217min0

Portugal nos Jogos (Dia 11): Fernando Pimenta garante o bronze no K1

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Bronze para Fernando Pimenta no 11º dia de Jogos Olímpicos que o Fair Play analisa e dá conta do que se passou durante o dia 3 de Agosto

Fernando Pimenta trabalhou nos K1 e acrescentou uma 3ª medalha ao medalheiro português nestes Jogos Olímpicos, reforçando o estatuto da canoagem como uma das principais modalidades do espectro nacional. Recordamos tudo o que se passou neste 11º dia de actividade lusa em Tóquio, com destaque ainda para o triplo-salto, equitação e corrida!

O DESTAQUE DO DIA: PORTUGAL CHEGA À 3ª MEDALHA PELO REMO DE PIMENTA

Bateu o recorde olímpico na meia-final dos K1 1000 metros, e voltaria a fazê-lo na final, só que dois dos adversários de Fernando Pimenta foram capazes de melhorar o feito, oferecendo uma disputa pelas medalhas espectacular e que já era aguardada pelo público afecto a esta classe da canoagem internacional. O português conquista a sua segunda medalha olímpica, depois de ter subido ao pódio com Emanuel Silva em Londres (prata), e volta a demonstrar que é um dos melhores canoístas dos últimos 10 anos, tanto em Portugal como do Mundo, tendo deixado a promessa que em Paris 2023 poderemos ver mais feitos históricos. Mas vamos à prova em si para perceber o quão disputado/dividido foi.

Fernando Pimenta tinha a oposição de dois jovens juggernauts da modalidade, Balint Kopasz (campeão do Mundo em 2019 do K1 1000 metros) e Adam Varga (campeão mundial como junior e 3º em 2020 na Taça do Mundo), para além de outros suspeitos do costume como Jacob Schopf ou Josef Dostel, o que prometia uma disputa auspiciosa e emocionante. O facto de três canoístas terem batido o “antigo” recorde do Mundo/Olímpico (lembrar que o canoísta português tinha o quebrado nas meias-finais) na final, com Balint Kopasz a conseguir um histórico 3:20.643, prova o quão dividido foi a luta pelo medalheiro, calhando a Fernando Pimenta o bronze depois de ter cruzado a meta com uns impressionantes 3:22.478, o seu novo personal best e que lança uma promessa de continuar a estar na luta pelos títulos olímpicos nos próximos anos.

A 3ª medalha para Portugal nestes Jogos Olímpicos advém assim da canoagem, estando agora a uma de atingir os melhores resultados de sempre em Olimpíadas, com Fernando Pimenta a dar uma ajuda substancial para esse efeito.

O QUE ESTÁ EM ABERTO: PEDRO PICHARDO LANÇA SÉRIA CANDIDATURA AO OURO

Entrou a matar, é a melhor expressão que se pode aplicar a como Pedro Pichardo se estreou nos Jogos Olímpicos enquanto atleta português, efectuando um segundo salto de 17,71, deixando a concorrência completamente atónita e a pensar se será possível quebrar com a potência e categoria do triplo-saltista. Pichardo só precisou de duas oportunidades para se apurar para a final do triplo-salto, com o tal registo sensacional (o seu melhor de sempre em Jogos Olímpicos) a valer um bilhete para a disputa pelas medalhas e, ao mesmo tempo, a se afirmar como o grande favorito a chegar ao topo, estando com a marca dos 18 metros debaixo de olho, lembrando que já conseguiu ficar bem perto desse objectivo quando saltou 17,92 no World Athletics Tour de 2021.

O saltador que esteve presente no Rio 2016 por Cuba, tem procurado ser uma das principais referências no contexto internacional como um dos novos “reis” desta disciplina do atletismo, com títulos e medalhas somadas em torneios internacionais, sendo Tóqui o palco perfeito para ascender ao topo como o novo campeão olímpico. Mas será isso possível? Numa final tudo pode acontecer, de lesões a adversários a surpreenderem, contudo, o facto de nenhum dos seus rivais ter feito marcas dignas de registo na qualificação – Zhu Yaming foi o adversário que ficou mais “perto” com uma marca de 17,11-, e Pedro Pichardo ter feito a sua 1ª tentativa sem grande dificuldade, demonstra que está no topo de forma e pronto para elevar a competição a um máximo total.

Devendo o recorde do Mundo ser impossível de ultrapassar (continua nos pés de Jonathan Edwards, que em 1995 saltou uma marca de 18,29), é natural que haja uma grande esperança sem se ouvir o hino de Portugal na madrugada de dia 5 de Agosto, pela qualidade e classe emanada por Pedro Pichardo.

A EXPERIÊNCIA: LUCIANA DINIZ E VERTIGO À PROCURA DE SALTAR PARA O DIPLOMA

Brilhante o 1º dia de prestação da cavaleira, Luciana Diniz, e a sua montada, Vertigo du Desert, que confirmaram o acesso à final dos saltos de obstáculos depois de ter realizado um tempo de 85,26, sem qualquer penalização e que, teoricamente, a coloca em 7º lugar nesta primeira fase de qualificação, começando agora tudo do zero (nem tudo, uma vez que esta primeira eliminatória ajuda a ganhar habituação ao percurso) mas com expectativa redobrada para o dia de amanhã.

Para quem nunca ou pouco tomou atenção à equitação olímpica portuguesa, Luciana Diniz é atleta mais sénior de entre os 92 atletas presentes em Tóquio, tendo já participado em quatro Jogos Olímpicos, 2004, 2012 e 2016, sendo que na última participação chegou ao 9º lugar desta precisa categoria/competição, e é algo que torna todo este processo mais fácil para a cavaleira, uma vez que tem noção de como funciona a prova e como deverá trabalhar/orientar o seu “colega” de equipa durante uma sequência de obstáculos intensa e de cortar à respiração.

E o que se passará na final dos saltos de obstáculo? Passagem por 14 portões diferentes, com uma variedade de alturas, distâncias e sequências diferentes, com o par obrigado a não falhar qualquer salto/entrada de modo a conseguir estar na luta pelo pódio/top-10, sofrendo penalizações por cada erro que consentirem, para além de ter de registar um tempo soberbo. Existem diferentes estratégias para cada cavaleiro, como Luciana Diniz que optou por desacelerar levemente em certos momentos, garantindo um salto limpo e confiante de Vertigo du Desert, e impôs, desta feita, uma boa prova logo no 1º dia de eliminatórias.

A equitação portuguesa tem mostrado saúde nestas Olimpíadas e agora é ver até onde poderá chegar este par português no dia de finais.

OUTROS DESTAQUES

Jorge Lima e José Costa fecharam a sua participação nos 49’ers com um 7º lugar, que valeu mais um Diploma Olímpico para Portugal, isto depois de terem sofrido uma falsa-partida na regata da Medal Race, que os impossibilitou de chegar ao pódio ou, pelo menos, ao top-5 desta classe da vela.

Pedro e Diogo Costa não tiveram um último dia bom, encerrando a sua 1ª participação em Jogos Olímpicos no 15º lugar, e fica como nota, a conquista de uma das regatas na classe dos 470.

Teresa Portela teve o 6º melhor tempo nos K1 200 metros, mas acabou eliminada nas meias-finais, pois foi “parar” ao heat mais delicado/complicado da competição, que a atirou para a final B, terminando aí no 10º lugar da geral e ranking desta classe (volta a entrar em cena já amanhã nos K1 500 metros, a par de Joana Vasconcelos).

Nélson Évora despediu-se dos Jogos Olímpicos sem conseguir o apuramento para a final do triplo-salto, com uma lesão sofrida durante a sua 1ª tentativa a impedir que lutasse por um lugar entre os 12 melhores da categoria em que conquistou o ouro em 2008. Tiago Pereira, na sua estreia numa competição deste patamar, conseguiu um 16º lugar depois de atingir uma marca nos 16,71 e pode vir a ser um atleta de interesse para Paris 2023.


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