20 Jun, 2018

Arquivo de Jogos Olímpicos - Fair Play

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João BastosJunho 1, 20177min0

Faltam 7 anos mas a decisão sobre a cidade sede dos Jogos da XXXIII Olimpíada será tomada nos próximos meses. Em Setembro, o Comité Olímpico Internacional anunciará se o maior certame desportivo a nível planetário acontecerá em Paris ou Los Angeles. O Fair Play faz o seu prognóstico sob a forma de desejo.

A corrida arrancou com seis cidades candidatas, duas americanas e quatro europeias: Boston, Hamburgo, Roma, Paris, Budapeste e Los Angeles manifestaram intenção de se candidatar à organização dos Jogos Olímpicos 2024, mas Boston foi uma candidata que nem chegou a ser, uma vez que se retirou em Julho de 2015, muito antes do COI constituir a sua shortlist de cidades elegíveis à organização do certame.

Hamburgo também durou pouco. Desde logo, os responsáveis pela candidatura anunciaram que só avançariam depois de um referendo dirigido aos habitantes da cidade que responderam com um enfático “Não”.

A candidatura da cidade eterna manteve-se até Outubro do ano passado, quando a Presidente da Câmara de Roma, Virginia Raggi, do partido populista Cinco Estrelas, tomou uma medida pouco popular e retirou a candidatura romana.

Sobrou Budapeste, Paris e Los Angeles. E tudo indicava que seria este triunvirato que iria discutir entre si a organização dos Jogos Olímpicos, mas eis que, já em Fevereiro deste ano, os budapestinos manifestaram-se sob a forma de uma petição que contou com mais de 250 mil assinaturas a exigir que o dinheiro que poderia ser gasto nos Jogos Olímpicos fosse canalizado para modernizar hospitais e equipar escolas.

Viktor Orbán, como bom ditador que é, fez a vontade ao povo e retirou a candidatura. Os hospitais continuam carenciados mas o arame farpado que vai impedindo a entrada de refugiados no território húngaro é material de primeira que vê agora uma grande sobra orçamental para continuar a ser reforçado.

Muros à parte, convenhamos que o vídeo promocional da candidatura era um forte argumento:

Ficaram, então, Paris e Los Angeles e estas já serão irreversíveis, até porque o COI já fez as suas visitas técnicas às cidades para perceber as condições que cada uma oferecerá aos atletas e visitantes, e no que beneficiará a longo prazo a cidade vencedora com a organização do evento.

À distância, fazemos a nossa avaliação:

Paris

A cidade Luz já recebeu por duas vezes os Jogos Olímpicos, a última das quais em 1924, ou seja, a edição de daqui a 7 anos serviria igualmente de pretexto para assinalar o centenário dos sétimos Jogos Olímpicos de Verão da era moderna.

Paris tem uma ligação umbilical ao desporto e far-se-á valer por isso. Nesse contexto, a edição deste ano de Roland Garros está a ser (ainda mais) mediatizada pelos franceses, como será a icónica última etapa da Volta a França, provavelmente a maior promoção da capital francesa pelo mundo inteiro, com passagem pelo Arco do Triunfo e chegada ao sprint aos Campos Elísios.

A cultura desportiva dos franceses, a qual a imprensa se orgulha de alimentar, é outro factor a ter em conta, pois é garantia de ter os recintos desportivos cheios de verdadeiros adeptos das diferentes modalidades. Não é raro encontrar capas de jornais de referência como o “L’équipe” com atletas (entenda-se: praticantes de atletismo), ciclistas, tenistas ou nadadores em grande destaque.

O grande ponto de interrogação está na questão da segurança. França tem sido um país vitimado por vários atentados terroristas e, no actual contexto social, o fantasma de Munique’72 torna-se mais presente, mas também para isso os franceses têm respostas palpáveis como a recente organização do Euro’2016, uma competição de menor dimensão mas com uma logística mais complicada, visto ter-se disputado em várias cidades.

Los Angeles

À semelhança de Paris, a cidade dos anjos também acolheu por duas vezes os Jogos Olímpicos, nas edições de 1932 e 1984, esta última inesquecível para as cores lusas, já que foi em LA que Portugal conquistou o seu primeiro ouro olímpico por intermédio de Carlos Lopes, na maratona.

Los Angeles também tem uma relação próxima com o desporto, promovida pelas equipas da cidade, verdadeiras embaixadoras mundiais do “LA branding”. Nomes como Lakers, Clippers, Dodgers ou Galaxy são mundialmente conhecidas, associadas ao acrónimo da cidade.

Para afirmar essa identidade, do comité organizador da candidatura de Los Angeles fazem parte Magic Johnson e Janet Evans, dois “Hall Of Famers” do desporto olímpico.

Por ventura só haverá um elemento identitário de LA mais forte que o desporto de alta competição: o show business. E esse é um dos pontos mais fortes da candidatura da cidade californiana, sobretudo depois de uns Jogos no Rio de Janeiro abaixo das expectativas no que se refere ao nível de audiências.

Fonte: TV by Numbers

Este dado fez soar os alarmes porque nunca os Jogos Olímpicos tinham sido transmitidos em tantas plataformas e em tantos canais em simultâneo. Muitas competições foram disputadas a horas menos agradáveis para os atletas apenas porque eram mais convenientes aos espectadores, mas mesmo assim, só Sydney teve menos pessoas a ver os JO que o Rio de Janeiro, o que pode significar que os Jogos estão a perder relevância, ao mesmo tempo que perdem referências.

É aí que Los Angeles pretende actuar. A primeira linha programática da candidatura é mesmo “rejuvenescer a marca ‘Jogos Olímpicos’ de forma a torná-la próxima da nova geração” e nada melhor que uma produção hollywoodesca para o conseguir.

Foi já neste mês de Maio que a Comissão de Avaliação do COI visitou as duas cidades e, com certeza, já tirou conclusões bastante…conclusivas.

A Comissão ficou muito satisfeita com o projecto de ambas as cidades, e de facto ter estas duas candidatas é, já à partida, garantia de sucesso, mas há um factor que tem de fazer pender a decisão para Paris, independentemente de tudo o resto.

O Comité Olímpico Internacional sempre esteve na linha da frente da defesa de valores como a igualdade, a integração e a tolerância, preservando os Jogos Olímpicos como um espaço asséptico a diferenças políticas, religiosas ou militares. Ainda no Rio de Janeiro o COI deu mais um excelente exemplo ao mundo ao admitir uma equipa de refugiados.

Nesse sentido, a escolha do COI é muito simples: ou outorga a organização dos Jogos a um país liderado por alguém que representa a antítese dos seus princípios ou um país que recentemente recusou virar costas a eles.

O argumento anti-populista pode parecer populista, mas como será recebida, por exemplo, a delegação mexicana num país que lhe fechou as portas?!

É certo que em 2024 já Trump não será Presidente dos EUA e em França pode bem estar a governar um ou uma Le Pen qualquer, mas a oportunidade do COI reafirmar o espírito olímpico é agora!

E que melhor maneira tem de o fazer do que atribuir a organização dos Jogos à cidade que viu nascer Pierre de Cobertain?

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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João BastosFevereiro 8, 201716min0

O Fair Play entrevistou o Presidente da Federação Portuguesa de Natação. A iniciar o seu segundo ciclo olímpico à frente dos destinos da natação portuguesa, concomitante com a reeleição para o segundo mandato, António José Silva fez o balanço dos últimos 4 anos e prognosticou os próximos 4

fp: Professor António José Silva, ocupa o cargo de Presidente da FPN desde 2013 e foi reeleito o ano passado para levar a natação portuguesa até Tóquio 2020. Qual é o balanço que faz do mandato que passou e que expectativas guarda para o que agora começa?

AJS: Foram quatro anos (2013-2016) onde o objetivo definido no plano de ação de diminuir o fosso da nossa natação relativamente à elite mundial foi alcançado progressivamente. Os resultados são inequívocos. Nas águas abertas com as classificações obtidas nas etapas da taça do mundo FINA pelos nossos nadadores e respetivo apuramento olímpico da Vânia Neves.

Na natação sincronizada a participação assídua nos grandes eventos internacionais, campeonato Mundo Kazan e Europeus de londres, onde pela primeira vez na história da modalidade ultrapassamos a barreira mítica dos 70 pontos atestando a melhoria do índice técnico.

No polo aquático, com a participação na fase final dos campeonatos europa absolutos femininos em Belgrado com a melhor classificação de sempre com o 10.º lugar e a equipa masculina com o melhor ranking de sempre 17º.

Na natação pura, a par do aumento do número de nadadores integrados nas seleções nacionais, as medalhas nos europeus de piscina curta de 2013 e 2015 e mais recentemente a obtenção do lugar de pódio nos recentes campeonatos europa feito alcançado após 31 anos, pelo Alexis Santos, sem resultados de relevo e as classificações de meia-final nos JO Rio 2016 feito que não era alcançado há mais de 30 anos.

Estes resultados devem-se todos ao trabalho dos atletas, treinadores e clubes. Mas é justo reconhecer o papel progressivo que os diferentes programas da FPN têm, ao proporcionar as condições e o contexto de excelência para que eles surjam. Por vezes são pequenas coisas mas que fazem a diferença.

É assim que pretendemos continuar: proporcionar condições aos que querem, merecem e têm características de exceção para trilharem o caminho de excelência.

Continuaremos a aposta entre outros:

  1. Nos projetos de desenvolvimento desportivo, centros de formação desportiva cíclicos e regulares para promoção do talento;
  2. Na convergência, no âmbito da política desportiva nacional, entre clubes, associações e federação no apoio ao rendimento desportivo;
  3. No controlo e avaliação multidisciplinar do processo de treino e competição dos nossos atletas em formação e elite;
  4. Nos programas específicos de suporte aos atletas/seleções de alto rendimento desportivo com critérios de exigência na sua integração.
  5. Nos instrumentos e meios de apoio a treinadores e atletas de eleição para o resultado desportivo.

O objetivo é inequívoco, Tóquio 2020 com melhoria da classificação obtida no Rio 2016.

fp: Assumiu como objectivo deste quadriénio atingir os 100.000 praticantes federados. Segundo os números do IPDJ (actualizados a 2014) vamos nos 21.700. Como pensa quintuplicar o número de filiados em apenas 6 anos?

AJS: São públicos os dados publicados pela tutela, IPDJ, com o resumo de todos os indicadores métricos sobre o desempenho da FPN.

Fonte: IPDJ

A leitura é simples, o quadro é inequívoco e aponta para uma melhoria sustentada de todos os indicadores:

  1. De massificação da prática desportiva, não só do número de praticantes mas também de técnicos, árbitros e clubes;
  2. Democratização do acesso à prática por género (a participação feminina total tem apresentado uma considerável e interessante evolução);
  3. Melhoria gradual do posicionamento da FPN no “ranking” das federações desportivas (Score/Ranking) nos dois parâmetros de análise:
    1. Desenvolvimento da Prática Desportiva onde passamos de 16.º para 2.º lugar em 4 anos, entre 74 federações;
    2. Alto Rendimento e Seleções Nacionais, onde passamos do 13.º lugar para 6.º em 67 Federações, no ano de 2015. Ou seja, nos 4 anos do mandato da atual Direção.

Esta trajetória será para manter como resultado esperado, porque programado, da operacionalização do plano estratégico 2014-2024 alicerçado em dois programas básicos: Portugal a Nadar (crescimento dos indicadores de prática regular) e a “Política desportiva nacional/territorial/regional”.

Com base nestes indicadores que ações prioritárias para o próximo ciclo?

  1. Continuar a alargar o programa “Portugal a Nadar” a mais escolas de natação, com a necessária certificação de qualidade do ensino integrado das diferentes vertentes (Natação Sincronizada; Pólo Aquático; Natação Pura; Natação Adaptada). O objetivo é claro: alcançar a meta simbólica dos 100 000 Praticantes.
  2. Continuar a operacionalizar o programa “política desportiva nacional e territorial”, convergindo as estratégias de clubes, associações e federação em prole do desenvolvimento da atividade;
  3. Aplicação de medidas de prevenção do abandono desportivo e retenção em cada modalidade e a criação de condições para a transição em final de carreira de modalidade para modalidade
  4. Cadastrar nacionalmente e divulgar as instalações e espaços aquáticos, de acordo com as suas potencialidades para a prática, inclusive para os nadadores com deficiência, auxiliando a implementação de programas de desenvolvimento desportivo.

fp: Caso seja bem sucedido, a natação só será superada pelo futebol em número de praticantes. Que benefícios espera obter atingida essa meta?

AJS: A conclusão é incontornável: A Federação Portuguesa de Natação registou, nos últimos quatro anos, um crescimento exponencial em todos os indicadores métricos publicados pelo Instituto Português do Desporto e Juventude.

Os benefícios são decorrentes. 100.000 é um número mais que simbólico pois reflete uma realidade que consideramos fundamental para o incremento de todos os outros parâmetros do desenvolvimento da natação em Portugal: ter mais e melhor natação.

fp: A FPN pretende pôr “Portugal a Nadar”. Fale-nos no que consiste esse projecto.

AJS: O programa “Portugal a nadar” (PAN), é um dos programas que resultam do Plano Estratégico da FPN (2014-2024).

Este programa facilita o acesso a programas de prática, devidamente cadastrados, certificados e inclusivos; promove a massificação da prática que procura garantir, complementarmente à disponibilidade de infraestruturas devidamente registadas e cadastradas, a existência de programas diversificados e técnicos competentes para o ensino, com práticas aquáticas, devidamente certificadas, que visem diferentes públicos-alvo, desde bebés (ligação aos centros de saúde – saúde familiar), crianças em idade pré-escolar (ligação às câmaras municipais); crianças em idade escolar (ligação ao desporto escolar), até aos idosos, olhando também para as diferentes práticas que ocorrem nas piscinas paralelamente à prática das disciplinas.

Integrado no programa PORTUGAL A NADAR e, com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino e de reconhecer a qualidade do ensino já existente em várias Escolas de Natação (EN) portuguesas, a FPN desenvolveu um sistema no qual é implementado, aferido e monitorizado um sistema de ensino com caraterísticas adequadas ao bom e adequado desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem da natação que se pretende que envolva as suas várias vertentes: natação pura, polo aquático, natação sincronizada, natação adaptada.

Ainda neste âmbito da melhoria das condições de prática, implementamos neste processo parcerias com várias empresas para a implementação de serviços integrados de auditoria e proposta de implementação para certificação energética, multitécnica, desportiva, qualidade da água, qualidade do ar, sem custos adicionais no que se refere ao processo de auditoria.

Foto: FPN

fp: Apesar da natação ser um dos desportos mais parcimonioso entre géneros, as senhoras representam apenas 40% dos praticantes de natação e 25% no desporto português. Esta é uma questão sensível à FPN e sobre a qual há algum plano de acção específico?

AJS: A implantação do ‘Portugal a Nadar’ veio a reintroduzir uma variável corretiva destes indicadores na natação. Segundo os últimos números estatísticos, métricas do IPDJ, existem em Portugal um total de 52.354 de praticantes da natação dos quais 53,11% são do sexo feminino. Em competição existem cerca de 12293 praticantes dos quais apenas 42,01% são mulheres, no entanto dos 40061 praticantes das escolas de natação mais de metade são senhoras (56,51%), fazendo com que haja um “domínio” das senhoras no panorama nacional.

fp: E em relação à distribuição geográfica. A prática da natação, como tantas actividades, está circunscrita ao litoral? Ou hoje já existem mais e melhores infraestruturas por todo o país?

AJS: A natação está devidamente implantada a nível nacional. Temos atletas, clubes e associações em todo o território continental e insular. Continuaremos com a política iniciada há 4 anos de descentraliza a organização de competições do norte a sul, este a oeste e ilhas no âmbito do desígnio constitucional de continuidade territorial do País.

fp: Proponho-lhe um exercício. Diga-me a maior prioridade da FPN para: 1. natação pura, 2. águas abertas, 3. Pólo aquático, 4. natação sincronizada, 5. Masters e 6. natação adaptada.

  1. Natação pura: Final Olímpica em Tóquio 2020.
  2. Águas abertas: Apuramento masculino e feminino para a maratona Olímpica em Tóquio 2020.
  3. Pólo aquático: Apuramento da seleção absoluta masculina e feminina para a fase final do campeonato europeu de Pólo aquático de Barcelona 2018.
  4. Natação sincronizada: Aproximar da barreira dos 80 pontos no dueto Olímpico.
  5. Masters: Estabilização do quadro competitivo nacional quer quanto ao formato quer quanto ao conteúdo.
  6. Natação adaptada: Apostar no desenvolvimento desportivo e no desenvolvimento de escolas de natação adaptada em todo o território nacional e ilhas. No Alto Rendimento, presenças em finais dos Jogos Paralímpicos de Tóquio.

fp: Que balanço faz da participação da natação portuguesa nos Jogos Olímpicos do Rio?

AJS: Desde logo um aumento qualitativo na inclusão dos nadadores que participaram. É importante que em termos de balanço se refira o facto de terem obtido mínimos A de participação nos JO 3 nadadores e não apenas 1 como em Londres. Para além disso houve 8 nadadores que cumpriram os mínimos estabelecidos pela FPN embora 4 destes não tenham tido oportunidade de participar, o que não deixa de ser também uma evolução em relação à edição anterior. Depois é óbvio que o destaque fica com as 2 classificações dentro dos 16 primeiros, lugares de meia-final, obtidas pelo Alexis Santos que são um marco que não era atingido há mais de 30 anos pelo mítico nadador Português Alexandre Yokoshi.

Comitiva da natação portuguesa nos jogos olímpicos e paralímpicos | Foto: FPN

fp: E o que espera dos próximos mundiais em Budapeste?

AJS: Obtenção de mais classificações dentro dos 16 primeiros. É aliás o objetivo para todo o ciclo e conseguir nos mundiais é o melhor indicador possível.

fp: O Centro de Alto Rendimento de Rio Maior cumpre a sua 4ª época de desenvolvimento do grupo de elite da natação. Já se pode considerar uma aposta ganha?

AJS: Em termos de condições reunidas a aposta está ganha. Os Nadadores dispõem de tudo o que necessitam num raio de uma centena de metros – ginásio, piscina, escola (até ao 12.º ano), alojamento com condições excecionais, apoio médico, fisioterapia, nutricionista, psicólogo, acompanhamento técnico em todos os treinos com rácio de 1 treinador para cada 6 nadadores. Falta apenas integrar anualmente os melhores nadadores com condições e vontade para abraçarem de forma efetiva o Alto Rendimento desportivo. Como nota, em 9 nadadores referenciados na seleção sénior, elite e jovem, 5 estiveram em Rio Maior nos últimos 2 anos e 4 continuam lá.

fp: Ao longo da História, já tivemos vários nadadores de referência nos escalões de formação que não conseguiram “dar o salto” para o nível absoluto. Nos últimos anos prolongou-se mais um ano a chegada a sénior no escalão feminino e tem havido um enfoque na selecção sénior jovem. Actualmente temos um grupo de elite que continua a evoluir depois da chegada a sénior?

AJS: Os resultados falam por si. Temos nadadores a obterem as suas melhores marcas depois dos 20 anos de uma forma consistente. Veja-se o caso de Ana Monteiro, Miguel Nascimento, Vitoria Kaminskaya, Alexis Santos, Diogo Carvalho, Diana Durães e mais um conjunto significativo de nadadores. É a prova de que o mito de que a carreira dos nadadores termina quando chegam a sénior está cada vez mais próximo de ser esquecido. Para além disto devo realçar o facto de a federação ter apostado na criação de uma tabela de mínimos mais acessíveis para os nadadores dos primeiros anos de sénior o que permitiu alargar a participação nos campeonatos europeus do ano passado, aumentando assim a possibilidade de se afirmarem inequivocamente a nível internacional e serem merecedores do apoio por parte da FPN.

Nadadores da selecção nacional absoluta | Foto: FPN

fp: Acha que a natação precisa urgentemente de uma referência ao nível da Vanessa Fernandes no Triatlo, da Telma Monteiro no Judo ou do Carlos Lopes no atletismo?

AJS: Há algo de comum entre todos os atletas que foram referidos, uma dedicação absolutamente excecional à modalidade em que cada um se destacou. Ter uma referência como essas era com certeza algo que podia ser uma mais-valia em termos do nosso crescimento no alto rendimento. Contudo o máximo que se pode fazer é estar preparados para dar uma resposta efetiva caso essa sorte nos bata à porta. Sorte essa que convém dizer dá muito trabalho a alcançar. 

fp: Sobre a carta aberta do Treinador Miguel Frischknecht, veiculou na Circular 03-17 da FPN que a discussão “se fará nos momentos e locais apropriados, encerrando em absoluto este assunto”. Respeitando os procedimentos institucionais da FPN, permita-nos perguntar se o “local apropriado” é o Conselho de Disciplina?

AJS: Este assunto para a FPN está encerrado. O contraditório foi feito e o clube foi informado. A natação é muito mais importante do que estas questiúnculas que procuram criar.

fp: Por fim, fazemos-lhe a nossa pergunta de marca: Há Fair Play na natação?

AJS: Penso que sim. É uma modalidade na qual o espírito de partilha, solidariedade, amizade e superação são uma constante.

fp: Muito obrigado, Sr. Presidente. Para concluir, deixe uma mensagem aos nossos leitores e particularmente àqueles que estão a pensar iniciar-se na prática da natação.

AJS: Façam natação ou qualquer outro desporto por lazer, ocupação, saúde, competição e acima de tudo boa disposição.

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Eduardo MenezesNovembro 17, 201614min0

Por que determinados desportos pertencem ao programa olímpico e outros não? A resposta a esta questão acaba por ser muito mais complexa e com diversos pontos de vista, desde histórico passando pelo político, chegando ao lado comercial, este último que iremos explorar.

“Eu acho que o surf é uma forma de arte e expressão pessoal. A bandeira olímpica não se encaixa muito bem no nosso desporto”. Owen Wright, surfista professional para a Reuters.

Em destaque temos duas modalidades desportivas radicais, que para muitos é mais do que um desporto ou atividade física, e sim um estilo de vida, um modo de expressão, uma comunidade, algo muito além da prática desportiva. Por isso, o surf e skate oficializados, em agosto/2016, como integrantes do programa olímpico Tokyo 2020, causam expectativas e discussões sobre ser ou não ser olímpico.

“Skateboarding não é um “desporto” e nós não queremos que o skateboarding seja explorado e transformado para se enquadrar no programa Olímpico.” diz uma petição online endereçada a Thomas Bach, presidente do COI. A petição já alcançou 7 mil assinaturas, das 10 mil inicialmente previstas.

O que está em jogo

O Comitê Olímpico Internacional (COI), em seus estudos de mercado e audiência dos eventos olímpicos, constatou que os Jogos Olímpicos (JO) vem perdendo espaço junto ao público mais jovem.  Os levantamentos apontaram que os jovens não tem sido a maior audiência em provas nobres, como o atletismo. Além disso, a média de idade da audiência dos Jogos vem aumentando, de 46,9 anos de idade em Pequim (2008) para 48,2 em Londres (2012). Os números do Rio 2016 ainda não foram divulgados, mas dado a tendência, essa méda não irá se distanciar dos valores das duas últimas edições, podendo até aumentar.

Novo emblema de Tokyo 2020 simboliza unidade na diversidade
Novo emblema de Tokyo 2020 simboliza unidade na diversidade

A perda de apelo junto público jovem, ultrapassa a esfera de disseminação da prática desportiva ou do tão falado legado dos Jogos OlímpicosA ótica comercial deve ser analisada mais profundamente, sendo talvez, esta a razão da busca por um público mais jovem.

Perder público jovem, pode significar uma menor longevidade do sucesso dos JO e perda de patrocínios direta e indiretamente. Pois, de forma sucinta, a lógica do patrocínio é atingir seu público-alvo, aumentar sua notoriedade, disseminar sua mensagem e conseqüentemente elevar suas receitas e valor de marca.

Como uma marca posicionada para um público jovem terá interesse em patrocinar um evento exposto para uma faixa etária acima de 48 anos? Ela não atingirá seu target, logo não irá investir nesse canal e conseqüentemente os Jogos Olímpicos perdem sua força financeira ou seu potencial de venda, dado que restringe-se a um grupo de consumidores com idade mais avançada.

O mesmo se aplica aos direitos televisivos, a grande fatia de faturamento dos JO. Os valores surreais pagos para se ter o direito de transmissão são obtidos através de receitas com venda de publicidade durante o evento, em seus intervalos, pelas emissoras de TV. E novamente, se restringir ao cluster de espectadores, restringe-se as marcas que tencionariam pagar pelo espaço ou tempo de anúncio, ou seja, menos clientes, menos concorrência, preços mais baixos…chegando a desvalorização do produto “Jogos Olímpicos”.

Então, como solucionar esse problema, atingir, conseguir mais público e jovens, leia-se mais receitas diretas e indiretas, e como alargar os “grupos” de espectadores dos JO? Como fazer o produto Jogos Olímpicos mais atraente aos seus consumidores (sponsors e broadcasting), entregando a esses o produto (target de clientes) pretendido? E ao mesmo tempo, não mudar o posicionamento dos JO, de não ser apenas uma competição comercial, com objetivo de lucro acima do desporto. Enfim, não mudar a essência dos Jogos Olímpicos.

Skatista brasileiro, Luan Oliveira, em ação no Street League [Foto: Street League]
Skatista brasileiro, Luan Oliveira, em ação no Street League [Foto: Street League]
 

A inteligente resposta do COI está pautada em tendências de consumo do mercado e alteração de seu produto, os JO em si.

Com a aposta em canais digitais, pela primeira vez, o COI em 2016 investiu e investe mais na Internet do que na transmissão de TV. Redes como a NBC contrataram alguns dos “astros” da web, com seguidores acumulados de 120 milhões de pessoas, para comentar e transmitir os determinados desportos, por exemplo. Os Jogos Olímpicos atingem esses consumidores que estão sempre conectados, que buscam conteúdo e os escolhem. Visualizam quando podem e querem, saindo do formato: clientes buscam o produto onde estão a venda, para produtos buscam clientes onde esses costumam comprar.

Outra estratégia é uma aproximação a cultura do país sede, com inclusão de desportos populares a esta região, no caso de Tokyo 2020 serão Baseball e Karate.

E claro, apostam em desportos mais relacionados ao jovem, tanto em seu conceito, nos seus praticantes e/ou adeptos. Sendo o surf e o skate, os nomeados para esse desenvolvimento e aproximação do público jovem aos JO. Fortalecendo a marca JO junto a esse grupo de cliente e consumidores, consequentemente entregando um produto mais valioso as marcas e sponsors.

Numa lógica de empresa e mercado consumidor, os Jogos Olímpicos são uma enorme empresa com diversos produtos, sendo que o desporto é sua principal gama de produtos, onde cada desporto pertence a uma linha. Alguns mais rentáveis que outros, com targets e objetivos diferentes, dessa forma o departamento de novos produtos do COI desenvolve estratégias para conseguir atingir sua meta e obter sucesso.

O salão de automóveis do COI

Para elucidar, podemos fazer um parelelo com feiras e salões de automóveis.

O COI ou o organizador do salão de Frankfurt necessitam dos melhores expositores, que atraiam públicos diversos, que fortaleçam seu produto (evento) e este possa ser vendido para a media e mais variados sponsors, com um maior valor agregado.

O salão necessita de montadoras de veículos tradicionais e também inovadores, que “falam” com o público que ama carro desportivo, como também aquelas voltados a carros híbridos ou ecologicamente eficientes. Os JO precisam das lutas, do clássico atletismo, do radical BMX, do popular futebol, entre outros desportos com diferentes “tipos” de adeptos e simpatizantes.

Outro paralelo pode ser feito com o futebol, imagine a “empresa” FIFA perder seu principal produto, a disputa de um campeonato das melhores seleções do globo a cada 4 anos, para uma empresa concorrente. Qual “estrago” seria feito em sua receitas, no seu poder de negociação com os patrocinadores e países sedes, é difícil de mensurar porém fácil de perceber o enfraquecimento de seu produto.

Federações

As Federerações de um determinado desporto, ou um empresa e seu produto, apresentam interesse em divulgar, expandir, dar a conhecer àquelas que ainda não o consomem, “alimentar” os atuais consumidores e torná-los fiéis as suas marcas.

Ao analisar por essa perspectiva é muito fácil entender o porquê muitos desportos querem ser Olímpicos. A modalidade desportiva é um produto e os Jogos são a maior feira de exposição, o qual estará por cerca de 25 dias no noticiário mundial. Imagina que ao invés de desporto, estivessemos, novamente, falando sobre carros, todas as montadoras querem apresentar seu produto no salão de automóvel de Frankfurt – ALE, por exemplo.

E de forma cíclica, um evento fortalecido seja esse uma competição desportiva ou uma feira de negócios, atrai e retém os melhores expositores, pois esses sabem que ali estarão no centro do mundo.

As Federações e Organizações de atletas, nesse caso Surf e Skate, querem estar no maior evento desportivo do mundo, apresentar seu produto, expandir sua marca, atingir mais consumidores e praticantes. Estar no foco do mundo mediatico e desportivo, ao invés de ser esquecido durante o período dos JO, quando tudo e todos estão voltados para recordes olímpicos, disputas de finais das mais diversas modalidades olímpicas.

Além disso, sabem que para o evento, seu produto surf e skate é uma mais valia. Porque supre uma necessidade do organizador. Entregam  um público e marcas jovens, radicais e descontraídas. Uma lacuna que o COI gostaria de preencher rapidamente, podemos ver uma negociação em que os dois lados ganham.

Atletas

Ao atleta cabe se expor, vencer e colocar seu nome no ponto mais alto tanto do pódio, quanto nas mentes dos patrocinadores, media e adeptos. E isso faz, de novo, a roda do mercado girar, as marcas a apontar as lentes sobre esses atletas, os procurarem para investimentos e divulgação de suas marcas e produtos. Um evento fortalecido, com os melhores de cada modalidade, transforma uma vitória ainda maior e uma exposição diretamente proporcional ao feito desportivo.

Frederico Morais: possível esperança de medalha Olímpica. {Foto: Carlos Pinto]
Frederico Morais: possível esperança de medalha Olímpica. {Foto: Carlos Pinto]

Essa exposição dos atletas é muito mais válida para aqueles que ainda não contam com expressivas receitas de patrocinadores, que buscam um lugar ao sol. Assim, poderão ser conhecido por um público novo, fora da comunidade de seu desporto e quem sabe, viver daquilo que ama fazer.

Marcas e patrocinadores

Devido a acordos, e muito dinheiro, a utilização e exposição das marcas que não são patrocinadoras dos JO é muito restrita e controlada pelo COI. As marcas e patrocinadores dos atletas, federações ou delegações desses desportos deverão fazer sua lição de casa, explorar a exposição dos JO sem cruzar a linha do ilegal ou transparecer uma forma aproveitadora.

As marcas de skate, surf e empresas apoiantes dessas modalidades ganharão com os Jogos, porém terão que trabalhar muito bem. Trabalhar as redes sociais, eventos próximos, entradas em novos mercados e muito ao entorno dos Jogos poderã ser estratégias de sucesso.  Ou associar-se, de forma sutil, as grandes marcas do desporto, para entrar no negócio JO e tirar um maior provento, sem quebrar as regras.

Desportos radicais e seu porém

Voltando ao Surf e ao Skate, essas modalidades se enquadram no exposto acima, numa lógica de mercado, produto e consumidores. Desportos que atraem um público jovem consumidor, aquilo que o COI busca para fortalecer seu evento. As marcas e sponsors recebem indiretamente um maior público-alvo ou para determinadas empresas o “seu” target de mercado, novamente uma mais valia para COI e sponsors. Já surfistas, skatistas e respectivas Federações ganham maior exposição de seu nome e desporto, tendo maior poder de negociação sobre seus patrocinadores, além de alargar seu público de fãs.

Porém, sim sempre há de existir um porém,  qual o custo de ser olímpico?

Skateboarding mais que um desporto
Skateboarding mais que um desporto

Os desportos radicais são um estilo de vida, que vai muito além da simples prática desportiva. Essa massificação tende para a perda dessa singularidade do surf e skate, nichos e comunidades se alargam e muito do posicionamento da marca (nesse caso o desporto) pode se enfraquecer e até se perder.

Nesse caso, a comunidade deverá se movimentar para zelar por esse estilo e posicionamento, como já o fazem. As marcas deverão criar linhas diferenciadas para os “raízes” e os “modinhas”, adaptar sua comunicação e não deixar que o posicionamento dessas modalidades seja perdido.

As competições deverão se “alinhar” ao padrão olímpico, e claro muito da essência desses desportos se perderão. Como roupas ousadas no skate, a falta de “regras”, o formato aberto das competições e com aspecto “não profissional”, a torcida pela manobra perfeita mais que pela vitória, entre outros detalhes. Mas nada que já não tenha ocorrido, em partes, tanto no surf nas competições organizadas pela World Surf League (WSL) ou no X-Games e Street League, no caso do skate.

A tarefa de manter ambiente desportivo, diferenciado nessas duas modalidades, será dos atletas. Os protagonistas do show, só estes podem mudar uma competição na sua totalidade, se se portarem a jogadores de futebol ou lutadores de boxe, o desporto mudará e a culpa não será dos Jogos Olímpicos.

A vida ou o mundo de negócios são feitos de trade-offs, nunca é possível ter algo, sem abrir mão de outro. Escolhas e decisões são tomadas, se escolhermos viajar a Tóquio em 2020 para assistir ao maior evento desportivo do mundo, não poderemos ao mesmo tempo estar em uma praia no Brasil. Skate e surf ao escolherem a popularização e expansão, não podem ser o nicho ou a comunidade que era anteriormente, se escolheram participar dos JO terão de se enquadrar as “leis” do COI. É outro conceito do mercado, novamente, a avançar sobre ser ou não Olímpico.

Uma evolução necessária

Haters, estilos conservadores e comunidades fechadas existem e sempre existirão, cabe a todos conviverem com a nova lógica de mercado e serem tolerantes aos “modinhas” ou entusiastas das modalidades. Surfistas e skatistas de raíz sabem e vivem seu desporto com muita paixão e com certeza não deixarão que a alma desses desportos seja perdida, sendo essas modalidades olímpicas ou não.

Os JO vêm a agregar ao desporto radical, colocam o surf e skate sob a lupa da indústria, das marcas e patrocinadores. Mais dinheiro, maior desenvolvimento em diversos âmbitos; mais popularidade, maior a chance de revelar novos talentos além do crescente número de eventos no mundo.

A evolução e crescimento de modalidades desportivas demoram tempo a ocorrer. A participação nos JO é um combustível  e acelerador dessa evolução, mesmo que ocorra danos ao “meio-ambiente”. Sendo de resposabilidade de todos COI, Federações, Atletas e comunidade controlar essa poluição, pois a evolução e expansão se faz necessária.

Apesar de parecer uma estratégia acertada do COI e das Federações, o risco é intrínseco ao mercado, e somente o tempo poderá nos mostrar se foi um produto bem sucedido ou não.

O mundo do surf e skate está dividido, com opiniões contra e a favor. Deixe aqui seu comentário e partilhe sua opinião com o Fair Play.

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Victor AbussafiAgosto 21, 20163min0

O ouro não resolve problemas do futebol brasileiro, mas pode ser um recomeço. A Seleção Brasileira começou mal, mas termina mostrando um ótimo futebol, ao mesmo tempo moderno e fiel às origens ofensivas do futebol canarinho. Foi um ouro merecido, esperado após bater na trave algumas vezes e que devolve a auto-estima à camisa amarela. Pelo menos hoje, o Campeão voltou.

A Alemanha pode não ter levado o seu melhor sub-23, mas o estilo era o mesmo da seleção principal. Muito bem postada taticamente, conseguiu se recuperar após o gol brasileiro e fez um ótimo jogo. Destaque para os defensores e para Brandt que acertou o travessão duas vezes. Mas tinha do outro lado um Brasil focado, que não deixaria essa medalha escapar.

Dois 0-0 nos primeiros jogos preocuparam o torcedor, que estava otimista com as chances brasileiras de medalha. Rogério Micale, treinador jovem e desconhecido para muitos, vinha chamando a atenção com treinos modernos e uma proposta de jogo ofensiva, mas que não funcionou quando a bola rolou no primeiro jogo da Olímpiada. No terceiro jogo, contra a Dinamarca, a entrada do quarto atacante como titular, Luan, mudou a cara do time.

À partir daí, apareceu o futebol envolvente que não se via há tempos no Brasil. O quarteto Luan, Gabriel Jesus, Gabriel Barbosa e Neymar se movimentava e alternava posições, construindo à partir do caos. Wallace e Renato Augusto davam solidez ao meio campo e a defesa de Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio, Douglas Santos e Weverton só foi vazada na final.

Micale e os garotos da Seleção Olímpica (Foto: Reuters)
Micale e os garotos da Seleção Olímpica (Foto: Reuters)

Os últimos treinadores do Brasil (Dunga duas vezes, Mano Menezes e Felipão), todos da escola gaúcha, tinham estilo de jogo que priorizava a defesa. Primeiro construíam uma defesa segura, para liberar os jogadores de frente para resolverem na qualidade individual. Micale propôs uma mudança desse paradigma. Criou um time que jogava com suas linhas próximas, compactas, mas abertas, dando amplitude, e priorizava a construção do jogo, o ataque. Eram quatro atacantes que se dedicavam também à marcação, mas a prioridade dos onze era propor o jogo. Assumir a vontade de ganhar o jogo, se movimentar com o propósito de criar e não de destruir. Fazia tempo que não via isso na Seleção. A vitória de hoje veio nos pênaltis, foi sofrida, mas veio acompanhada de bom futebol.

Neymar chora após marcar o pênalti decisivo. (Foto: Rio 2016/Laurence Griffiths)
Neymar chora após marcar o pênalti decisivo. (Foto: Rio 2016/Laurence Griffiths)

Tite, que anuncia amanhã sua primeira convocação, tem um histórico de ser um treinador mais defensivo. Mas é muito inteligente taticamente e pode se reinventar para dar sequência a essa boa nova. Muitos desses jogadores de hoje devem estar na lista de amanhã.

Não eram os adversários mais difíceis, não vinga a Copa do Mundo, não resolve todos os problemas do futebol brasileiro. Amanhã ainda temos que acordar e nos deparar com uma CBF nebulosa, com um campeonato de baixa qualidade técnica, com problemas na nossa formação e tudo mais que conhecemos bem. Mas, hoje, é dia de celebrar e de renovar as esperanças. Essa vitória reconcilia o torcedor e a seleção. Hoje, pelo menos hoje, o campeão voltou.

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André Dias PereiraAgosto 11, 20162min0

Djokovic não disse adeus ao Brasil. Disse até já. O número um mundial caiu com estrondo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro mas soube seduzir e conquistar o público brasileiro. Na hora da despedida, o número um mundial chorou e o Brasil chorou com ele.

Há amores assim. Curtos mas intensos. E o Verão é cheio deles. Djokovic não é exactamente um adolescente, aos 29 anos de idade vive o melhor período da sua carreira desportiva. Mas o grande favorito à conquista do ouro olímpico leva da Cidade Maravilhosa apenas uma história de amor para com o Brasil.

Juan Martin del Potro, que este ano regressou à alta roda do ténis mundial após longa paragem por lesão, fez-nos recordar que os Jogos Olímpicos são, de facto, um torneio à parte em que o espírito olímpico e de superação encurtam distâncias entre os desportistas, mesmo em modalidades altamente profissionais como o é o caso do ténis.

Djokovic, que chegou ao Rio de Janeiro a grangear sorriso e carisma, tirando selfies com os fãs e aproximando-se à comunidade local, saiu de cena lavado em lágrimas após perder para o argentino logo na primeira ronda por 7-6 (7-4) e 7-6 (7-1). O sérvio, que construiu quase toda a sua carreira na sombra da popularidade de Roger Federer e Rafael Nadal e que tantas vezes se queixou da falta de apoio nos courts mundiais, encontrou, no Brasil, o seu público. “Djoko, Djoko”, gritava o sonoro público brasileiro a cada ponto que o sérvio fazia.

Só que a vitória não chegou e Del Potro eliminou, pela segunda vez na sua carreira, Djokovic em olimpíadas. A primeira foi em Londres, em 2012. Ficou o sonho de ouro, sobraram as lágrimas. “É uma das derrotas mais dolorosas da minha carreira. Não foi a primeira vez que perdi nem será a última, mas é uma Olimpíada, o que aumenta a dor”, sintetizou o sérvio, que não se cansou de agradecer ao público, recolhendo aos balneários levando as raquetas num saco verde e amarelo.

Já esta segunda-feira o adeus foi definitivo aos courts dos Jogos Olímpicos. Na competição de duplas Djokovic e Nenad Zimonjic foram afastados pela dupla da casa Bruno Soares e Marcelo Melo. Foi um doce adeus, pela relação construída com o Brasil. “Senti-me em casa. Parecia que eu era brasileiro”, referiu o número um mundial dizendo que o provo brasileiro “é agora irmão”.

Como todos os amores de Verão a passagem de Djokovic pelo Rio de Janeiro foi fugaz mas intensa. E para quem fica, continuará para sempre a esperar outro regresso.

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Francisco IsaacAgosto 11, 20168min0

Japão e Grã-Bretanha marcam encontro com Ilhas Fiji e África do Sul na busca pelas Medalhas. Dia “gordo” de rugby, com momentos de outro Universo, a queda de um “Gigante”, a afirmação da Classe e uma Espanha diferente… este foi o 2º dia do rugby nos JO.

A Confirmação: OURO RIMA COM BLITZBOKKE?

A selecção da África do Sul vai “abrindo” caminho na busca pela final que tanto deseja… será a subida ao pódio de um conjunto de gerações de rugby fenomenais de 7’s que não têm tido a sorte de serem coroados campeões da World Series. O dia até começou mal para os Blitzbokke, com uma derrota frente a uma Austrália diferente, que decidiu “estragar”, em parte, o apuramento imaculado dos sul-africanos. Com Afrika a começar no banco, Senatla teve de assumir o papel de principal “fustigador” da fúria dos sul-africanos, que sempre que chegavam ao último terço eram parados e bloqueados, perdendo a bola. A Austrália fez um jogo a roçar o perfeito, com uma série de turnovers (9) que “dizimaram” a estratégia da equipa de Senatla, Kolbe ou Afrika para o último encontro da fase de grupos. Porém, a derrota serviu de lição para o que viria a seguir, já que nos quartos-de-final se deu a reedição desse jogo. Aí nem a defesa “aguerrida” e bem montada dos Wallabies dos 7’s serviu de algo, uma vez que a equipa sul-africana demonstrou uma tremenda qualidade no pace de jogo, com Senatla a fazer sentir o seu ímpeto (2 ensaios e 2 assistências), onde Snyman e Specman foram dois “cães de guerra”, provocando turnovers ou avants premeditados dos australianos. Segue-se uma meia-final contra a equipa da Grã-Bretanha… será que a “turma” de Sua Majestade tem o que é preciso para parar a estratégia de ataque rápido, das quebras de velocidade despropositadas (para depois entrar a “matar” na linha de vantagem) e da calma/paciência fora do comum?

O Jogador do Dia: LEMEKI INTERROMPE O CANTO DO “GALO”

Desde o 1º dia do rugby nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 que temos estado com atenção a um atleta do Japão: Lomano Lemeki. Nascido em Auckland, o neozelandês viajou em 2009 para o Japão, de onde nunca mais saiu, naturalizando-se. Tem sido um dos raios da equipa do Sol Nascente, com uma versatilidade fora do normal. Transita de um atacante com uma técnica individual “curiosa” (não é tanto um offloader ou um criativo tipo Afrika), onde os desequilíbrios que cria com aquela troca de pés a “afundarem” uma defesa inteira; para um defesa enorme, com uma série de placagens às pernas que obrigam a erros múltiplos dos seus adversários (frente à Grã-Bretanha foi buscar Mark Bennett à ponta). Não é um expoente máximo do que é os 7’s em termos de classe e “magia”, mas é epíteto e sinónimo de um jogador útil, inteligente e que sabe o que a equipa precisa, para além de quando e como. Foi um gosto vê-lo no jogo com a França, a espalhar o “pânico”, perseguindo Vakatawa ou Lakafia durante os momentos que defendia. Estão nas meias-finais de forma merecida e devem muito à forma como Lemeki se entregou à causa japonesa.

Lemeki steals the Show | BBC
Lemeki steals the Show (Foto: BBC)

O momento: O QUE VALE UMA PLACAGEM?

Podíamos destacar aqui alguns episódios do dia nº2 do rugby nos JO: o ensaio de última hora do Japão frente à França (uma “aula” de acreditar sempre no impossível); o pragmatismo inglês e qualidade de defesa de Rodwell que garantiu uma vitória “escaldante” (os hinchas argentinos nem queriam acreditar); ou quando a Espanha “abateu” o Quénia e demonstrou que os 7’s vai muito mais além do que um jogo de corrida e fugida e um par de “brincadeiras” com a oval; Mas não…. o momento do dia vai para os últimos segundos das Ilhas Fiji no jogo contra a Nova Zelândia nos quartos-de-final. Os All Blacks tiveram um 2º dia complicado, com uma derrota pela margem mínima frente à team Great Britain (saíram a perder ao intervalo por 21-00) e um apuramento “às últimas”, muito pelo facto dos EUA terem tido um point average mais baixo (1 ponto só!). A passagem para os quartos punha frente-a-frente neozelandeses e fijianos… um confronto total e bem típico dos World Series. Aqui não havia favoritos, apesar das Fiji terem sido os únicos a passar com 100% de vitórias na fase-de-grupos (a par da Grã-Bretanha) com um flare ao seu jeito. Mas a equipa dos irmãos Ioane, do all-time captain DJ Forbes e do inconformado Sam Dickinson bateram “com o pé” e aguentaram até quase ao fim com um resultado de 7-5. Uma combinação “brutal” entre as linhas dos fijianos, que conseguiram prender 3 defesas All Blacks entre si, permitiu chegar ao 12-07. A Nova Zelândia dispôs de uma última oportunidade para chegar ao empate ou vitória… foram dos seus 10 metros até aos 22 dos fijianos… o público não respirava, a tensão aumentava e os jogadores das Fiji… estavam calmos, como tivessem noção que o caminho tinha sido “pavimentado” para eles. Uma entrada mais desapoiada de Pulu, permitiu a Rawaca placar e Ravouvou meter as mãos à bola de imediato… Akira Iona e Mikkelson ainda foram ao ruck, mas a falta já estava apitada. O momento em que as Fiji defendiam com tudo, sem exagerar no número de jogadores a “entregar” a essa missão e que Rawaca (acabado de entrar… mal jogou nestes dois jogos) aplica uma excelente placagem às pernas que obriga a Pulu a cair no chão em décimos de segundo, garantiu as meias-finais e uma “porta” para a final que tanto “sonham”.

O prémio Fair Play: ESPANHA À BUSCA DOS DESCOBRIMENTOS DO RUGBY

Espanha… que esperavam 99% dos adeptos de uma equipa que nem fará parte dos World Series na próxima temporada? Nada. Talvez, o último lugar de toda a competição. Um erro, em absoluto, diga-se. Nós próprios duvidávamos da capacidade dos Leões até ao início dos JO (com todo o respeito que merecem) mas após o 1º dia vimos o vislumbre de dois pormenores: uma verdadeira equipa e uma fome em acreditar. Sim, houve um bom investimento nesta selecção Olímpica espanhola, que há 2-3 anos vive, praticamente, junta com a ideia de chegarem aos torneios de repescagem mais fortes psicologicamente que os seus adversários. Sim, há um estatuto semi-profissional nestes jogadores. Porém, a Espanha nunca foi de estar em 7’s ou de mostrar um interesse amplo na variante e, por isso, o investimento deverá estar, no máximo, em paridade com o XV. Mas não há dinheiro no Mundo que faça uma equipa de amadores/semi-profissionais demonstrar tanta vontade em aprender, capacidade de luta e de sonhar bem alto. No 2º dia, os Nuestros Hermanos decidiram brindar ao público dos 7’s com uma bela surpresa: vitória por 14-12 frente ao Quénia de Injera, uma das lendas vivas dos 7’s. Com um rugby ousado, de um querer enorme (os espanhóis salvaram 3 ensaios encima da linha da área de validação) e uma “loucura” em provar que eram algo mais que a pior selecção presente, deram o volte-face e agora podem ficar bem entre o 9º ao 10º lugar. No 1º dia tinham feito a vida difícil à Austrália (26-12), obrigaram Afrika a dar 110% (24-00) e “irritaram” os Les Bleus (26-05). Uma lição que mesmo sendo “pequenino” dá para subir e sonhar.

Nota Final: CURTO, RÁPIDO E CONCISO

A nota final pode ser encarado com o Rant do Dia: não poderiam ter ido mais selecções? O rugby dos Olímpicos ficaram reservados para 12 equipas, num Universo muito maior (só nas World Series estão 20) e que poderia ter tido um “fartote” de equipas a competir. Tinha sido “esmagador” para a modalidade ter entre 18 a 30 equipas a competir pelas medalhas e, mais importante, para conquistar um lugar especial entre o céu dos Olímpicos. Ao jeito do que aconteceu no Ténis de Mesa ou em outros desportos, os melhores só entraram numa fase mais adiantada do torneio, dando espaço a eliminatórias aos jogadores de ranking mais inferior. Isto permite conhecer outros jogadores, novas realidades e saber qual a extensão real da modalidade. Estamos contentes com 12, correcto… mas não poderiam ser mais? Não ficaríamos todos a ganhar com a presença de outros jogadores e equipas icónicas dos 7’s (puxando para o lado português, não deveríamos estar nos JO, a melhor equipa de 7’s dos últimos 15 anos a nível do Campeonato da Europa?)? Dia 11 não marca o fim do rugby nos Jogos Olímpicos… marca sim o dia do início da “luta” pelos próximos 4 anos.

At the last moment | BBC
At the last moment (Foto: BBC)

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André Dias PereiraAgosto 2, 20165min0

Pela primeira vez desde o ano 2000 o suíço termina a temporada sem títulos e há quinze anos que não acabava um ano fora do top-10, sem jogar o ATP Finals. As lesões foram o maior adversário do multicampeão suíço, que se recusa, aos 34 anos, a retirar-se. Não é um adeus. É um até já, promete a lenda.

Se há coisa que a carreira de Roger Federer nos ensina é que não há impossíveis. Foi assim quando, em 2009, ganhou Roland Garros e completou finalmente o carreer Grand Slam após ter perdido três finais para Rafael Nadal. E foi assim depois, quando continuou a contrariar o tempo e a manter-se, mesmo aos 34 anos, no top-3 três mundial a disputar finais.

Mas estará a lenda suíça no fim da linha? É cedo para dizer, mas uma coisa é certa. Pelo menos até ao início de 2016 não haverá mais aparições do multicampeão helvético em jogos oficiais.  É o ponto final numa época para esquecer, marcada por lesões, e a garantia que o suíço vai terminar o ano fora do top-10 mundial, o que acontece pela primeira vez nos últimos 14 anos.

E as coisas até nem começaram mal. Em Brisbane, na Autrália, Federer repetiu a final de 2015 mas perdeu para Milos Raonic. Apesar dos 34 anos de idade o helvético mantém-se fiél ao seu estilo e a um nível raramente visto num tenista da sua idade. É certo que não tem condições para discutir a liderança mundial com Novak Djokovic, no auge da sua capacidade física e de jogo, mas tem vindo a manter-se de forma consistente no top-3 a par de Andy Murray.

Desde 2009, quando Federer conseguiu, enfim, quebrar a maldição de Roland Garros e conquistar o 15º Grand Slam, que o suíço respirou fundo e passou a desfrutar mais do jogo. E isso deve-se, acima de tudo, a uma gestão física exemplar e a um planeamento de torneios criterioso.

E este ano, mais do que voltar a vencer mais um Grand Slam, Federer apostou as fichas nos Jogos Olímpicos. Depois de ter conquistado o ouro em Londres ao lado de Stan Wawrinka, o suíço preparava-se para disputar todas as categorias no Rio de Janeiro, incluindo pares mistos ao lado de Martina Hingis.

Mas a verdade é que Federer nunca conseguiu recuperar da intervenção cirúrgica a que foi submetido após ter sido afastado nas meias-finais no Australian Open. O helvético foi obrigado a parar vários meses, falhando os torneios de Roterdão, Dubai e Indian Wells. O regresso deu-se em Miami mas foi efémero. Um vírus no estômago obrigou Roger Federer a desistir após a primeira eliminatória, prolongando o seu calvário.

Depois do ouro por pares em 2012, Federer apostava época nos Jogos do Rio (Foto: Globo)
Depois do ouro por pares em 2012, Federer apostava época nos Jogos do Rio (Foto: Globo)

Lesões e desistências

E foi em França, em Monte Carlo, já no circuito da terra batida que regressou para vencer o primeiro jogo desde Australian Open, acabando por cair nos quartos-de-final perante Jo-Wilfred Tsonga. Seguiram-se mais duas desistências. O torneio de Madrid e o mais doloroso, Roland Garros, para recuperar de uma lesão nas costas.

Uma vez mais, o ex-número um mundial mostrou fibra de campeão e tentou reerguer-se, apontando baterias a Wimbledon. A caminhada começou em Estugarda, onde caiu nas meias-finais perante Dominic Thiem, um dos melhores do ano até ao momento. Depois, em Halle, onde ganhou por oito vezes, voltou a ser afastado às portas da final perante Alexandr Zverev.

O último capítulo teve lugar no All England Club. Em Wimbledon, a sua prova de eleição, conseguiu afastar Guido Pella, o surpreendente Marcus Willis, Daniel Evans e Steve Johnson, até cair, outra vez, na semi-final, para Milos Raonic.

Federer disse depois adeus à temporada, anunciando que vai recuperar até ao final do ano para tentar surgir na melhor forma no próximo Austrian Open. Pela primeira vez, desde 2000, que acaba uma época sem conquistar qualquer título. E será a primeira vez desde 2001 que terminará o ano fora do top-10 mundial e não jogará a ATP Finals.

As reações

O mundo do ténis e do desporto não demorou a reagir à ausência de Federer nos Jogos Olímpicos, US Open e ATP Finals. “Uma decisão triste, mas sábia”, disse Robin Soderling, tenista sueco que perdeu para o suíço, em 2009, a final de Roland Garros. “O ténis já sente a tua falta”, “É depressivo. Nem quero imaginar quando se retirar”, “É triste. Espero que venha ainda mais forte em 2017”. Kevin Anderson, John Isner, Rio Open, Wimbledon, Miami Open. As reações vieram de todos os lados e de todas as organizações

Que Roger Federer teremos em 2017 é a pergunta que está na cabeça de todos, sobretudo do próprio. Mas se há coisa que com que os grandes campeões são feitos é de fibra para renascerem das cinzas e se manterem no topo. Com Federer sempre foi assim e sê-lo-à até acabar a sua carreira, quando a lenda der lugar ao mito.

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Francisco IsaacAgosto 1, 201610min0

Jogos Olímpicos e Rugby voltam a estar de “mãos dadas” após quase um século de ausência. O Fair Play explica os contornos históricos, assim como três jogadores a seguir com atenção

Rugby_union_pictogram.svgDesde 1924 que o Rugby não marcava qualquer tipo de presença nos Jogos Olímpicos… largos anos foi esta separação entre um dos momentos do Ano com um dos maiores desportos de sempre. Após 88 anos sem termos áreas de ensaio, postes ou a bola em formato oval nos Jogos Olímpicos, em 2016, no Rio de Janeiro, voltaremos a ter uma boa dose de placagens, uns offloads de criar “sonhos” e uns ensaios de antologia. 12 equipas vão lutar pelas medalhas de Ouro, Prata e Bronze, naquele que será um reatamento entre a História e o Desporto.

Em 1924, França, Estados Unidos da América e Roménia encontraram-se em Paris para disputar 3 jogos, que acabaram numa troca de agressões, humilhações e tudo aquilo que não é o espírito do rugby. Devido aos desacatos e pouco Fair Play na final entre EUA e França – vitória dos americanos por 17 a 03 -, o Comité Olímpico de então, decidiu remover o Rugby como modalidade oficial dos Jogos Olímpicos. Não foi só por esse motivo que o rugby perdeu o seu lugar entre os Olímpicos, mas também pelo facto de as principais equipas a nível Mundial (Inglaterra, Irlanda, Austrália, África do Sul ou Nova Zelândia) nunca terem demonstrado qualquer interesse em participar nas provas, o que deixava cair em descrédito a própria modalidade (note-se que as equipas dos Estados Unidos e da Roménia não eram da mesma “liga” que a da França, por exemplo). Por isso entre 1924 e 2016 a relação entre o Rugby e os JO, que se tinha iniciado em 1900 (praticamente desde o início dos Jogos Olímpicos “modernos”), entrou em suspensão.

Em 2009, depois de vários anos a batalhar para regressar aos JO, o Rugby foi admitido como modalidade Olímpica, com a sua variante de Sevens. É impossível ter o rugby de XV em JO, por várias razões: duração dos jogos; as selecções do Hemisfério Sul têm a preparação e o início do Rugby Championship; acerto de calendário com a World Rugby; e, mais importante, o facto de os 7’s conseguirem conquistar um público que não está tão ligado à modalidade.

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Os Eagles que conquistaram 1924 | Google

Mais rápido, mais efusivo, mais ensaios, sem deixar cair a placagem ou a hipótese de um bom turnover, com um q.b. de agressividade nos rucks. E quem são as grandes personagens dos Sevens a nível Mundial? De forma curta, os campeões em título dos World Series (o Campeonato Mundial anual do rugby de 7, patrocinado pela HSBC) são as Ilhas Fiji, que aliás, são bicampeões com os títulos de 2014-2015 e 2015-2016. Uma formação recheada de talento, com offloads estonteantes, jogadas que parecem não ter nexo e que acabam em ensaio, tudo o que faz um adepto sentir-se entusiasmado com os flying fijians. A Selecção que deu Serevi (se não conhecem o “fantasista”, considerem ver alguns dos melhores momentos do fijiano) vai encontrar os Estados Unidos da América (Isles e Baker podiam estar inscritos nos 100 metros, a velocidade e agilidade de ambos é fenomenal), Argentina (Imhoff e Moroni, ambos Pumas foram convocados) e Brasil (tenham em atenção os irmãos Sancery e Duque’s) no grupo A.

Mas quem destacar das Ilhas Fiji? Savenaca Rawaca. Terminou no top-5 de melhores marcadores de ensaios (35) em 2015-2016, numa temporada em que os Saracens (campeões ingleses e da Champions) avançaram com um contracto para o ponta ingressar no rugby de XV. Rawaca tem um estilo que vai apaixonar qualquer viewer, onde a força encontra a velocidade (vejam um dos melhores ensaios nesta temporada: goo.gl/SohfUi) ou a técnica de corrida (goo.gl/C5xzdd) que deixa qualquer adversário plantado no “chão”. Para além dos ensaios, as quebras de linha (51), os offloads (59) são outros elementos que o fantástico fijiano traz ao jogo. Com 24 anos o que poderão ver do fijiano? Rawaca não foge ao contacto físico, aliás o 1 metro e 90 de altura que possui, faz a diferença quando aplica um bom handoff para depois apostar na sua velocidade para se escapar por completo da defesa adversária. É natural que as Fiji tenham a oval na maioria do tempo, o que possibilita a acontecerem situações de ataque de forma consecutiva. O jogo mais complicado, da fase de grupos, será frente à Argentina. Os sul-americanos gostam de pressionar alto e têm uma placagem bem “limada”, o que poderá causar problemas a um ataque que, por vezes, não se dá bem com a pressão alta. Como dissemos, as Fiji ostentam o título de campeãs do World Series, com o 2º lugar a caber à África do Sul, tetracampeões do 2º lugar.

Step Aside, aqui vem o bulldozer Rawaca!

Rawaca rhymes with try | HSBC
Rawaca rhymes with try | HSBC

Ora, os Blitzbokke têm ficado a escassos pontos de serem campeões de 7’s, algo que lhes foge desde 2008-2009. Será que se fará “justiça” nos Jogos Olímpicos? Senatla bem o merece. O formidável ponta da Western Province (chegou a alinhar pelos Stormers em 2014) tem dado “cartas” desde que chegou à equipa de 7’s: 157 ensaios desde 2013 (em três épocas, cerca de 165 jogos), conseguindo ser o jogador mais jovem de sempre a atingir 100 ensaios (só com 22 anos), mais de 140 placagens em 2015-2016 e ainda como “Rei” das quebras de linha (71). Isto tudo para um jovem com 23 anos que conseguiu no Mundial de 2013 de sub-20 conquistar o 3º lugar (7 ensaios em 5 jogos), o que demonstra uma facilidade em transitar entre variantes. Senatla é algo diferente de Rawaca, tem um estilo mais vibrante, gosta de procurar e criar espaços onde nada existe, com uma passada de difícil leitura para quem o tenta defender. A África do Sul tem uma capacidade de luta muito alta, mas precisa de ter algo mais do que Senatla, que apesar de ser um “elo” de ligação para a vitória, não consegue carregar a equipa sozinho. Há alguns jogadores do rugby de XV a participarem nos 7’s (Bryan Habana ficou de fora dos convocados no final das “contas”) como Juan de Jongh ou Cheslin Kolbe, figuras que podem dar outro “toque” aos Blitzbokke. Mas Senatla é Senatla… é uma Ópera de classe total, que ainda fica mais completa com o apoio de Snyman ou Speckman.

A África do Sul conquistou o ouro nos World International Games (competição internacional para todas as modalidades que não estão nos Jogos Olímpicos) com Senatla no meio da “confusão”. No grupo dos sul-africanos nos Jogos Olímpicos consta a França (Vakatawa, o poderoso ponta terá de fazer mossa para levar os Les Bleus mais longe), Espanha (será que há mais “fogo” na alma dos Leões da Espanha?) e a Austrália (há mais vida nos Wallabies do que vimos durante o Circuito Mundial). Claro que todos desejamos um duelo nos quartos-de-final frente a um rival de sempre… a Nova Zelândia.

Classe, pura Classe de Senatla

Senatla the Blitz in Blitzbokke | Roger Sanders Photo
Senatla the Blitz in Blitzbokke | Roger Sanders Photo

A maior campeã de sempre dos World Series (12 títulos em 17 possíveis), uma equipa que tem um rugby efusivo, que varia entre a capacidade de atacar o jogador ou de poder defender largos minutos, a ter quebras de linha de outro “universo” com rasgos de genialidade à mistura. Nisto, o melhor jogador que absorve estas capacidades todas é Sonny Bill Williams. Bicampeão mundial na variante de XV pelos All Blacks, SBW quer continuar a construir a sua lenda como um dos melhores jogadores e atletas de sempre. Enquanto jogador de rugby Union, soma dois mundiais (renovou contracto até 2019 com a Nova Zelândia), duas Bledisloe Cup, dois Rugby Championships, 1 Super Rugby (Chiefs em 2012), 1 ITM Cup (pelos Canterbury em 2010) e duas etapas de 7’s em 2016. Depois há o facto de ter ganho vários títulos no Rugby League e no Boxe (campeão da Nova Zelândia como Peso Pesado), o que demonstra a versatilidade de SBW. O fascinante centro neozelandês tem uma “arma” que o destaca acima de todos os outros: o offload. É assustador o que Williams consegue fazer com a oval em sua posse (vejam este offload nos World Series de 2015-2016: goo.gl/pCRqaX), desequilibra defesas inteiras com um simples gesto técnico de alto recorte, tornando-se um verdadeiro “carro de combate” quando a equipa assim o pede.

A Nova Zelândia tem os irmãos Ioane (Rieko conseguiu chegar a 28 ensaios no seu primeiro ano da variante) e Augustine Pulu (do Super Rugby) ou Webber e Mikkelson, que estão acostumados à vida alta dos Sevens. Mas SBW pode e vai fazer a diferença dentro das quatro linhas. Num grupo da “morte” onde se inclui Quénia (Injera um dos melhores jogadores dos Sevens), Grã-Bretanha (sem Dougie Fife, que ficou de fora da escolha final, a equipa composta por ingleses, escoceses e galeses pode fazer a diferença) e Japão (não descurem os nipónicos, pois há uma aposta muito séria na variante), a Nova Zelândia “sonha” em conquistar aquele Ouro que lhes trará a glória absoluta.

SBW, o Rei dos Offloads, o Rei do Momento

The Offload Masterchief | HSBC
The Offload Masterchief | HSBC

Os Jogos têm início a 9 de Agosto, no estádio Deodoro no Rio de Janeiro, com 34 jogos, cada um com 10 minutos e 1 de intervalo (para total tabela de jogos e horários, onde devem acrescentar +4 horas, ver: goo.gl/x382vO). Rawaca, Senatla e Williams, quem sairá vitorioso no final destes Jogos Olímpicos, em que a História, o Rugby e as Olimpíadas voltam a encontrar-se?

Aposta Fair Play para melhor marcador: Senatla (África do Sul)

Aposta Fair Play para medalha de Ouro: Ilhas Fiji

Aposta Fair Play para medalha de Prata: Nova Zelândia

Aposta Fair Play para medalha de Bronze: África do Sul

Aposta Fair Play para surpresa do torneio: Quénia

Aposta Fair Play para melhor jogador: Rieko Ioane (Nova Zelândia)

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João BastosJulho 31, 20169min2

Há dois anos, escrevi para o Planeta Desportivo um artigo intitulado “2014, ou a natação no feminino“. Chegados a 2016 concluímos que não foi apenas uma tendência de 2014. De facto, o nível da natação feminina evoluiu, durante este ciclo olímpico, mais do que o sector masculino, como o comprova o facto de desde Londres’2012 apenas as provas de bruços terem evoluído os seus records mundiais no sector masculino, ao passo que no sector feminino 50% das 16 provas olímpicas têm novos máximos mundiais.

50 metros livres: As provas de livres vão certamente proporcionar aos espectadores grandes espectáculos. Não só porque actualmente há um naipe de crawlistas muito forte, como há nadadoras de outros estilos que vêm aumentar ainda mais o nível. No caso dos 50 metros livres, é crível que o récord do mundo de Britta Steffen seja batido e a mais forte candidata a esse feito é a australiana Cate Campbell, que este ano já ficou a apenas 11 centésimos. Mas tem forte concorrência, a começar pela sua irmã “caçula” Bronte Campbell, mas também pela campeã e recordista olímpica Ranomi Kromowidjojo (Holanda), da britância Francesca Halsall e da mariposista sueca Sarah Sjoström.

Aposta FairPlay: Cate Campbell (Austrália)

100 metros livres: Praticamente o mesmo cenário dos 50 metros, com a diferença que Cate Campbell aqui já chega como recordista mundial quando bateu o tempo de Steffen por um centésimo no mês passado. Nesta prova Halsall não participará, mas no plano das candidatas ao ouro é “substituída” pela holandesa Femke Heemskerk, a juntar às já citadas Bronte (campeã do mundo), Kromowidjojo (campeã olímpica), e Sjoström (campeã europeia) não podendo estas 5 nadadoras se descuidarem com a recordista do mundo dos 200 metros, a italiana Federica Pellegrini.

Aposta FairPlay: Cate Campbell (Austrália)

Irmãs Bronte (à esquerda) e Cate Campbell (à direita) | Fonte: ABC
Irmãs Bronte (à esquerda) e Cate Campbell (à direita) | Fonte: ABC

200 metros livres: Mesmo com tanta qualidade nas provas de 50 e 100 metros, os 200 metros livres femininos poderá ser considerada a prova dos campeonatos. Com a presença da recordista mundial Federica Pellegrini, de Itália, da campeã do mundo e considerada por muitos como a melhor nadadora da actualidade, Katie Ledecky, da nadadora mais medalhada em Londres, Missy Franklin, da mariposista que também é líder mundial do ano nesta prova, Sarah Sjoström da Suécia, da jovem australiana Emma McKeon e da experiente holandesa Femke Heemskerk.

Aposta FairPlay: Katie Ledecky (EUA)

400 metros livres: Katie Ledecky tem apenas 19 anos, mas há dois anos que é a recordista mundial da prova, a única senhora a baixar dos 4 minutos sem fatos de poliuretano. Mas até aos trials o plano de Ledecky para o Rio de Janeiro devia passar por uma luta solitária contra o cronómetro. Até é provável que isso venha a acontecer, mas a sua compatriota Leah Smith foi responsável por uma performance que mete Katie em sentido.

Aposta FairPlay: Katie Ledecky (EUA)

800 metros livres: Se nos 200 metros não será fácil e nos 400 terá de se aplicar, nos 800 deve dar para Ledecky chegar à parede, tirar os óculos, tirar a touca, beber um café e só depois chegar a segunda classificada. Na start list está inscrita com o seu record mundial feito no início deste ano. O segundo melhor tempo é da neozelandesa Lauren Boyle que é pior 11 (!!) segundos que o tempo de Ledecky. Na verdade, atrás de Ledecky a prova deverá ser bastante interessante com Lauren Boyle, Jazzmin Carlin (Grã-Bretanha), Jessica Ashwood (Austrália), Lotte Friis (Dinamarca), Leah Smith (EUA) e Boglarka Kapas (Hungria) a tornarem a luta pela prata muito renhida…pena que por culpa de Ledecky essa luta dificilmente vá ser televisionada. Também nesta prova participará a nossa campeã europeia de juniores Tamila Holub, a portuguesa que cumpre os seus primeiros jogos olímpicos com apenas 17 anos.

Aposta FairPlay: Katie Ledecky (EUA)

Katie Ledecky | Fonte: Sports Illustrated
Katie Ledecky | Fonte: Sports Illustrated

100 metros costas: Com a ausência da campeã olímpica em título, Missy Franklin, o caminho deve estar aberto para a campeã do mundo que tem dominado o estilo de costas nas últimas grandes competições. A australiana Emily Seebohm chega como favorita mas esta promete ser mais uma prova bastante disputada. Com efeito, na start list surgem quatro nadadoras com tempo de inscrição na casa dos 58 segundos: Seebohm, Mie Nielsen (Dinamarca), Katinka Hosszu (Hungria) e Madison Wilson (Austrália).

Aposta FairPlay: Emily Seebohm (Austrália)

200 metros costas: À semelhança dos 100, Seebohm também chega como líder do ano aos 200 metros mas enfrenta a recordista mundial e campeã olímpica Missy Franklin (que não tem estado muito exuberante neste ciclo olímpico) e a “dama de ferro” Katinka Hosszu, que apesar de ser candidata à vitória dos 100, é mais especialista na prova de 200. Para baralhar as contas também teremos Belinda Hocking (Austrália) e Maya DiRado (EUA).

Aposta FairPlay: Emily Seebohm (Austrália)

Emily Seebohm | Fonte: Getty Images
Emily Seebohm | Fonte: Getty Images

100 metros bruços: A lituana Ruta Meilutyte foi a grande revelação de Londres 2012, ao ser campeã olímpica com apenas 15 anos. Nos Mundiais no ano seguinte, em Barcelona, bate o récord do mundo. Em 2016 já surge como a principal favorita ao ouro, posição reforçada com a ausência daquela que tem sido a sua principal rival: a russa Yuliya Efimova, uma das nadadoras suspensa por doping. Mas mesmo sem Efimova, Meilutyte não terá vida fácil. Os trials americanos viram surgir duas fortes candidatas ao ouro: Lilly King, que estabeleceu a melhor marca do ano e Katie Meili, a terceira melhor do ano. Atenção ainda à jamaicana Alia Atkinson, talvez a única nadadora com uma partida ao nível de Meilutyte.

Aposta FairPlay: Ruta Meilutyte (Lituânia)

200 metros bruços: Vários nomes surgem como potenciais candidatas ao ouro. Desde logo as duas japonesas. Kanako Watanabe é campeã do mundo mas Rie Kaneto tem melhor récord pessoal, feito este ano. Rikke Moeller-Pedersen (Dinamarca) é a recordista mundial e este ano já foi campeã europeia, a jovem turca Victoria Gunes, no seu primeiro ano de sénior, surge com o melhor tempo de inscrição.

Aposta FairPlay: Rie Kaneto (Japão)

100 metros mariposa: Tirando as provas de Ledecky, não haverá nadadora mais dominadora do que a sueca Sarah Sjoström nos seus 100 mariposa. Foi a segunda nadadora a nadar abaixo de 56 segundos a seguir a Dana Vollmer, mas já o fez 4 vezes, e todas as essas 4 vezes seriam suficientes para bater o anterior récord mundial. Atrás de Sjoström é mais difícil de antever quem chega à prata. Jeanette Ottesen, da Dinamarca, a crónica segunda classificada, Dana Vollmer, a campeã olímpica que entretanto foi mãe e voltou para estes JO, as jovens Kelsi Worrell (EUA), Penny Oleksiak (Canadá), Emma McKeon (Austrália) e  Chen Xinyi (China).

Aposta FairPlay: Sarah Sjoström (Suécia)

200 metros mariposa: Contrariamente ao que seria de esperar, as provas de 200 metros prevêm-se mais disputadas que as provas mais curtas. Os 200 mariposa não é excepção. Começamos por apontar a campeã do mundo Natsumi Hoshi (Japão) mas a líder mundial do ano é Madeline Groves (Austrália). Também com hipótese de chegar à vitória, a campeã da Europa Franziska Hentke (Alemanha), a vice-campeã do mundo Cammile Adams (EUA) e as polivalentes Mireia Belmonte (Espanha) e Katinka Hosszu (Hungria). Um dado curioso: as últimas duas edições foram ganhas por chinesas e no Rio estarão Zhang Yufei e Zhou Yilin que não devem ser descartadas.

Aposta FairPlay: Katinka Hosszu (Hungria)

200 metros estilos: Esta é uma prova para a qual há imensas expectativas. Não que se espere uma grande disputa pelo ouro, mas por perceber que tempo pode fazer Katinka Hosszu. A húngara bateu o record do mundo da prova nos mundiais do ano passado onde nadou 7 provas. No Rio irá nadar “apenas” 5. Siobhan-Marie O’Connor (Grã-Bretanha), Maya DiRado (EUA), Allicia Coutts (Austrália) e Hannah Miley (Grã-Bretanha) deverão discutir os restantes lugares do pódio. Nesta prova Portugal estará representado por Victoria Kaminskaya.

Aposta FairPlay: Katinka Hosszu (Hungria)

400 metros estilos: Tal como nos 200, também nos 400 metros Katinka deverá nadar contra o relógio, com a vantagem de ser a primeira prova que a húngara nadará no Brasil. As britânicas Aimee Willmott e Hannah Miley, assim como a americana Maya DiRado e a canadiana Emily Overholt deverão disputar a prata. Victoria Kaminskaya também alinhará nesta prova.

Aposta FairPlay: Katinka Hosszu (Hungria)

Conheça também as previsões FairPlay nas provas masculinas e estafetas.

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João BastosJulho 31, 20168min2

Na natação, as provas de estafetas revestem-se de interesse adicional para quem as nada e para quem as assiste porque são mais que a soma das partes. O trabalho de equipa praticado numa modalidade eminentemente individual leva os nadadores a transcenderem-se.

Analisemos as seis provas de estafetas que se disputarão no Rio de Janeiro:

4×100 metros livres masculinos: Esta tem sido uma prova com História. Nas últimas edições assistimos à vitória dos franceses sobre os americanos, em 2012, sustentados num excelente último percurso de Yannick Agnel. Quatro anos antes tinham sido os americanos a levar a melhor sobre os franceses com Jason Lezak a ultrapassar o então recordista mundial Alain Bernard. Em 2004 foram os surpreendentes sul-africanos a dominar de ponta a ponta e em 2000 uma super-equipa da Austrália a superiorizar aos EUA com ambas as equipas a nadar abaixo do récord do mundo

Em 2016 os protagonistas deverão ser repetidos: França tem uma equipa bem capaz de voltar a revalidar o título, como foi mostrado ao saírem vencedores nos Mundiais do ano passado. A equipa da final deverá ser composta por Jeremy Stravius, Clement Mignon, Florent Manaudou e Fabien Gilot. Os EUA parecem ter uma equipa mais em aberto com a certeza que Nathan Adrien fará parte dela. Os restantes três deverão ser Caeleb Dressel, Ryan Held e Jimmy Feigen. O terceiro favorito será a Austrália liderada por Cameron McEvoy e James Magnussen (o vice-campeão olímpico que não conseguiu o apuramento para a prova individual). Kyle Chalmers, de 18 anos e James Roberts completarão a equipa. Brasil, Canadá, Itália e China também terão possibilidades legítimas de alcançar o pódio.

Aposta FairPlay: Austrália

4×100 metros livres femininosDesde 2004 que só três países sobem ao pódio desta prova, alternando entre si os lugares que ocupam. Em Atenas 2004 as australianas superiorizaram-se às americanas com as holandesas no terceiro posto. Em 2008 foi a vez das holandesas baterem as americanas com a Austrália no 3º posto e em 2012 a Austrália venceu, com as holandesas a ficarem com a prata os EUA com o bronze.

Em 2016 é provável que as medalhas se voltem a repartir pelas mesmas três nações. A Austrália que tem nas manas Cate e Bronte Campbell os seus principais trunfos, bem secundadas por Emma McKeon e Brittany Elmslie. A Holanda já este ano foi campeã da Europa com bastante autoridade. A equipa deverá ser composta por Ranomi Kromowidjojo, Femke Heemskerk, Inge Dekker e Maude van der Meer. Os EUA vão tentar o título que tem escapado com Simone Manuel, Abbey Weitzeil, Amanda Weir e Lia Neal. A Suécia, o Canadá e a China têm boas possibilidades de baralhar as contas (especialmente a Suécia).

Aposta FairPlay: Austrália

4×200 metros livres masculinos: Contrariamente aos 4×100, esta prova tem tido um claro dominador. Desde os jogos de Sydney que os EUA não perdem esta prova. Já lá vão 16 anos e 3 edições dos JO, porém em todas elas contou com Michael Phelps e Ryan Lochte, o que não acontecerá desta vez. A Austrália, depois da mítica equipa de Sydney, tem perdido terreno nesta prova, tendência que parece apostada em inverter nesta edição.

Chegados ao Rio de Janeiro, os EUA continuam a partir como favoritos. Conor Dwyer e Townley Haas estão garantidos, Jack Conger também deve assegurar lugar. Ryan Lochte foi o quarto classificado nos trials mas até pode ceder o lugar a Gunnar Bentz. A Austrália tem aqui uma excelente oportunidade para resgatar o título porque volta a ter uma excelente equipa. Thomas Fraser-Holmes e David McKeon fazem a prova individual, mas Cameron McEvoy tem o melhor tempo, apenas não quis fazer a prova individual para se concentrar nos 50 e 100 metros livres. O quarto elemento deverá ser Daniel Smith. A Grã-Bretanha deverá chegar ao bronze, ou talvez algo melhor: James Guy, Cameron Kurle, Robbie Renwick e Scott Duncan compõem um excelente quarteto. França, Japão, Holanda e Bélgica são equipas a seguir. 

Aposta FairPlay: EUA

4×200 metros livres femininos: As senhoras não ficam atrás dos homens e o registo das americanas é igualmente impressionante. Desde Barcelona’92 que só perderam esta prova numa edição. Em 2008, quando ficaram em terceiro.

Equipa campeã olímpica em Londres 2012 - Allison Schmitt, Dana Vollmer, Shannon Vreeland e Missy Franklin
Equipa campeã olímpica em Londres 2012 – Allison Schmitt, Dana Vollmer, Shannon Vreeland e Missy Franklin

Em 2016 seria surpreendente se a sequência se voltasse a quebrar. Aliás, com a qualidade da equipa americana podemos esperar um récord mundial. Katie Ledecky, Missy Franklin, Allison Schmitt e Leah Smith são nadadoras individualmente muito fortes nesta prova. China e Austrália deverão digladiar-se pela prata. As australianas deverão apresentar um quarteto composto por Emma McKeon, Bronte Barratt, Madeline Groves e Leah Neale. As chinesas deverão alinhar com Shen Duo, Ai Yanhan, Dong Jie e Wang Shijia. Itália, Suécia e França têm boas perspectivas.

Aposta FairPlay: EUA

4×100 metros estilos masculinos: Se os 4×200 livres têm tido domínio americano, o que dizer dos 4×100 estilos masculinos? Esta prova existe no calendário olímpico desde 1960 e os americanos só não ganharam uma vez: em 1980…quando boicotaram os jogos na URSS. Mais! Das 13 vitórias, apenas em ’92 e em 2012 não estabeleceram novo máximo mundial!

Os campeões de 2012: Matt Grevers, Brendan Hansen, Michael Phelps e Nathan Adrien
Os campeões de 2012: Matt Grevers, Brendan Hansen, Michael Phelps e Nathan Adrien | Fonte: Zimbio

Considerando o epílogo, só podemos começar por destacar a equipa dos EUA que deverá alinhar com David Plummer (a nossa aposta para os 100 metros costas), Kevin Cordes (que prevemos que chegue ao pódio dos 100 metros bruços), Michael Phelps (a nossa aposta para os 100 mariposa) e Nathan Adrien (a nossa aposta para a prata nos 100 livres). Como se pode constatar, os americanos apresentam mais uma equipa fortíssima que pode bem chegar ao récord do mundo, nesta que será em definitivo a última prova da carreira de Phelps. A Austrália pode dar luta com Mitch Larkin, Jake Packard, David Morgan e Cameron McEvoy, mas os percursos de bruços e mariposa devem comprometer. A Grã-Bretanha também apresentará uma equipa bastante equilibrada com o recordista mundial Adam Peaty no percurso de bruços. Chris Walker-Hebborn (costas), James Guy (mariposa) e Ben Proud (crawl) deverão completar a estafeta. A China e o Japão também têm de ser consideradas.

Aposta FairPlay: EUA

4×100 metros estilos femininos: No sector feminino têm havido maior imprevisibilidade com os EUA e a Austrália a propalarem uma rivalidade de anos. De facto as últimas duas campeãs desta estafeta foram as americanas em 2012 e a Austrália em 2008, mas a China é a campeã do mundo em título, alcançado o ano passado.

Final em Atenas 2004 – Uma das mais renhidas entre AUS e EUA

Com efeito, nestes JO prevê-se um duelo extremamente interessante entre americanas (mais fortes nos percursos de bruços e mariposa) e australianas (mais fortes a costas e crawl). Os EUA deverão alinhar com Olivia Smoliga (costas), Lily King (bruços), Kelsi Worrell (mariposa) e Abbey Weitzeil (crawl). A Austrália deverá alinhar com Emily Seebohm (costas), Georgia Bohl (bruços), Emma McKeon (mariposa) e Cate Campbell (crawl). A Dinamarca pela homogeneidade da sua equipa pode provocar uma meia surpresa e sagrar-se campeã olímpica, com Mie Nielsen, Rikke Moeller-Pedersen, Jeanette Ottesen e Pernille Blume. China, Suécia e Canadá poderão intrometer-se na luta.

Aposta FairPlay: Austrália

Conheça também as previsões FairPlay nas provas femininas e masculinas.


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