FBSWC Asunción 2019: Antevisão

André CoroadoNovembro 17, 20199min0

FBSWC Asunción 2019: Antevisão

André CoroadoNovembro 17, 20199min0
O campeonato do mundo de futebol de praia FIFA Asunción 2019 arranca esta semana, com 32 jogos que prometem animar a arena do parque olímpico "Los Pynandí" na capital paraguaia. No ano mais preenchido de sempre da História do Futebol de Praia Mundial, o que esperar da maior competição mundial de selecções? Que equipas poderão vencer a competição? O que esperar das melhores selecções do mundo?

O 10º mundial FIFA de futebol de praia arranca esta semana na capital paraguaia, prometendo uma boa dose de emoção e competitividade aos adeptos da modalidade em todo o mundo. O complexo olímpico “Los Pynandi” vai assim receber, entre 21 de Novembro e 1 de Dezembro, os 32 jogos da fase final do mundial que ditará o sucessor do Brasil enquanto detentor do troféu.

Potenciais vencedores

O Brasil viaja para o vizinho Paraguai como o grande favorito à revalidação do título de campeão mundial. Os comandados de Gilberto Costa só perderam um jogo nos últimos 4 anos (frente à Rússia, nas grandes penalidades, na meia final da Taça Intercontinental de 2018) e já este ano deram uma prova contundente da sua força aquando da conquista da medalhade ouro nos Jogos Mundiais de Praia. Mantendo a base da selecção campeã mundial nas Bahamas em 2017, a Canarinha tem vindo a apresentar consistentemente um modelo de jogo marcado pela versatilidade táctica dos seus jogadores, talhados para rodar todas as posições no terreno de jogo, surpreendendo as defensivas adversárias com uma eficácia tremenda nos momentos cruciais do jogo. Além disso, o Brasil prima pela organização defensiva coesa que apresenta. Não sendo uma equipa imbatível, coloca-se no entanto a legítima questão: irá alguma equipa ser bem sucedida na difícil missão de bater o actual campeão do mundo? Entre as principais equipas com aspirações ao título de campeão mundial, cumpre-nos destacar três: a nossa selecção portuguesa, o anfitrião Paraguai e a sempre temível Rússia, que regressa ao mundial depois da histórica ausência de 2017.

A primeira equipa a testar a turma brasileira será justamente Portugal, na segunda jornada da fase de grupos. Os lusitanos ocupam neste momento a segunda posição no ranking mundial depois dos rivais lusófonos e chegam à América do Sul com credenciais de alto nível, após a dupla conquista da medalha de ouro nas Olimpíadas Europeias de Minsk e da Liga Europeia, bem como a distinção de Jordan Santos enquanto melhor jogador do mundo da actualidade. O jogador nazareno forma de resto um dos trios mais letais do futebol de praia contemporâneo com os irmãos Bê e Léo Martins, numa selecção portuguesa renovada, cuja mistura de experiência e juventude se traduz num plantel mais equilibrado, capaz de colocar em prática o modelo de jogo do seleccionador Mário Narciso com maior eficácia.

O objectivo assumido de toda a equipa prende-se com a conquista do troféu, mas reina a consciência de que só uma selecãço muito focada e unida poderá superar os numerosos obstáculos que se lhe apresentarão em Assunção. Para já, o duelo clássico entre a equipa das quinas e o Brasil promete apimentar um grupo D que conta ainda com a potência física da NIgéria (equipa mais jovem da competição) e de Omã (que eliminou o bi-campeão intercontinental Irão na caminhada para o mundial).

Do Paraguai não se espera menos do que um candidato aos lugares cimeiros, embora não tanto pelo que tem vindo a fazer em 2019 como pelos feitos que protagonizou em anos anteriores e pela impulsionadora influência de jogar diante do seu público. Os Guaraní, orientados pelo experiente treinador brasileiro Guga Zloccowick, terão a sua quarta aparição consecutiva em campeonatos do mundo, onde irão procurar superar o seu melhor registo, alcançado em 2017 quando foram eliminados pelo Taiti nos quartos de final. Mais madura que em anos anteriores, a única equipa sul-americana que tem realmente desafiado (ainda que esporadicamente) a hegemonia Canarinha na região baseia praticamente todo o seu jogo no sistema 2:2 montado a partir do seu guarda-redes, dispondo de executantes de excelência que prometem deixar qualquer defesa em sentido.

Apesar de uma preparação minuciosa, o Paraguai tem desiludido um pouco no decorrer da temporada, ao não ter ultrapassado a 3ª posição no campeonato da CONMEBOL (perdendo para o também qualificado Uruguai nas meias-finais) e ter vencido apenas uma em três partidas no seu grupo nos Jogos Mundiais de Praia. Ainda assim, os homens da casa surgem como favoritos num grupo A que se prevê equilibrado, dadas as presenças de equipas de topo mundial como o Japão e a Suíça, além dos menos cotados EUA.

Finalmente, também a Rússia procura regressar aos anos dourados em que chegou a ser bi-campeã mundial (os czares foram coroados reis das areias mundiais em 2011 e 2013). Tal como Portugal, Mikhail Likhatchev traz-nos um elenco semi-renovado, com muitos jogadores que realizarão o seu primeiro mundial, embora já contem com um vasto número de internacionalizações. Neste momento, a Rússia utiliza abundantemente a cultura táctica do seu guarda-redes Maxim Chuzkov (eleito melhor guardião do mundo) para montar um sistema 2:2 que prima pela disciplina e persistẽncia, não obstante o abradamento do ritmo de jogo que implica.

Apesar de goleados pelo Brasil na final dos Jogos Mundiais de Praia (9-3), a Rússia já deu provas suficientes esta época do seu poderio inequívoco, sagrando-se campeã da qualificação europeia em grande estilo, com um punhado de resultados avolumados ante algumas das principais potências europeias, e sagrou-se também vice-campeã europeia, perdendo apenas para Portugal. O sorteio não foi amigo da nação do leste europeu, que defrontará no grupo C 3 selecções de quem se esperaria bastante para este mundial: a vizinha BIelo-Rússia, os Emirados Árabes Unidos e o Senegal.

As incógnitas do Mundial

Numa segunda linha de formações que poderão chegar longe neste mundial e eventualmente ter uma palavra a dizer no que respeita à conquista do troféu contamos a Itália, o Taiti e a Suíça. No entanto, na nossa perspectiva, existem razões para não esperar tanto destas selecções como teoricamente seria de prever – ainda que esteja fora de qualquer dúvida a sua aptidão para a maior prova de selecções do mundo.

Se a Itália fez este ano umas das melhroes épocas da sua História recente e parece ter alcançado um equilíbrio interessante ao nível do seu plantel, o certo é que os últimos resultados da equipa treinada por Massimo Agostini deixam algo a desejar. Ao falhar as medalhas nos Jogos Mundiais de Praia e não ir além do 7º lugar na Taça Intercontinental, os transalpinos denotaram uma inconsistência defensiva que já não se via há algum tempo na Squadra Azzurra, lançando dúvidas sobre o que poderá vir a ser a sua prestação no Paraguai. Os italianos estão integrados no grupo B, juntamente com o Taiti, o México e o Uruguai, o que acaba por ser um sorteio feliz.

O favoritismo do grupo acaba por ser assim repartido entre os europeus e a formação do Taiti, cuja única competição nos últimos 12 meses se restringiu à conquista do campeonato da Oceania, perante a oposição quase exclusiva de uma respeitável equipa das Ilhas Salomão. Antes disso, os vice-campeões mundiais das últias duas edições tinham deixado uma pálida imagem na Taça Intercontinental de 2019, na qual se classificaram na última posição. Este ano, porém, a equipa conta com algumas caras novas, que acumularam experiência no campeonato suíço, onde inclusivamente se sagraram vencedores da Taça Suíça pela formação dos Lions Riviera. Poderão os taitianos chegar pela 3ª vez consecutiva à final de um mundial, dpeois dos êxitos de 2015 e 2017?

Por último, a própria Suíça chega ao Paraguai depois de um ano atípico. É claríssima a perda de gás da formação helvética, que perdeu alguma consistência exibicional nos últimos meses, deixando de lutar pelas grandes decisões. Apesar disso, os helvéticos conseguiram o apuramento para as grandes competições (Jogos Mundiais, Superfinal da Liga Europeia e Mundial), graças à qualidade técnica e mentalidade vencedora de virtuosos das areias como Stankovic, Ott, Hodel e Borer. Neste momento, pouco se esperar dos jogos da selecção suíça além de uma incerteza constante no marcador, combatividade extrema, erros elementares e qualidade ofensiva ao nível dos melhores do mundo. Razões por isso para aguardar com expectativa aquilo que será a prestação helvética no Paraguai, num grupo que promete ser muito disputado.

As potenciais surpresas

Finalmente, deixamos uma nota sobre 4 selecções que, no nosso entender, poderão vir a conseguir algo muito interessante no campeonato do mundo, embora nunca tenham chegado ao pódio da competição no passado. Assim, parece-nos que o Japão, caso consiga passar a fase de grupos, poderá perfeitamente lutar de igual para igual com qualquer adversário que se lhe apresente na segunda fase, fazendo uso do seu jogo fluido a partir de um sistema 3:1 no qual o mítico Ozu Moreira desempenha um papel fundamental, com a disponibilidade acrobática dos ninjas Goto, Akaguma e Oba a encaixar na perfeição.

Da mesma forma, qualquer umas das companheiras da Rússia no grupo C, já mencionadas, poderão surpreender caso passem à segunda fase, onde poderão encontrar os gigantes Portugal e Brasil. Não esqueçamos que a Bielo-Rússia, única estreante neste mundial, treinada pelo mítico craque espanhol Nico Alvarado, derrotou Portugal e Itália na caminhada para o mundial, assim como a formação da Rússia na Superfinal Europeia – razões para esperar o melhor possível desta nação do leste europeu. Por outro lado, os Emirados Árabes Unidos apresentam neste momento um dos sistemas 2:2 mais difíceis de contrariar em todo o mundo e vêm da conquista de um brilhante 3º lugar na Taça Intercontinental no Dubai.

Finalmente, o Senegal chega ao Paraguai ultra-motivado após a conquista da Copa Lagos, na Nigéria, e de uma prestação esfuziante nos Jogos Mundiais, em que as vitórias retumbantes sobre Paraguai e Ucrânia não foram suficientes para os levar à luta pelas medalhas devido a uma derrota nas grandes penalidades contra o Irão. Poderá a força física dos senegaleses ter uma palavra a dizer num grupo onde o rigor táctico dos oponentes impera?


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