2021: o regresso do futebol de praia?

André CoroadoDezembro 3, 20204min0

2021: o regresso do futebol de praia?

André CoroadoDezembro 3, 20204min0
Espera-se que o futebol de praia possa voltar à normalidade no ano de 2021, ano de mundial. Que questões se colocam no regresso aos areais?

Num ano marcado pela pandemia, que agora caminha a passos largos para o final deixando pouca saudade, a comunidade do futebol de praia acabou por ainda beneficiar de alguns dias luminosos, em grande medida graças às competições realizadas em solo lusitano, na Nazaré. Da Liga Europeia ao cada vez mais internacional campeonato português (divisões de elite e nacional), passando pelas Euro Winners Cup masculina e feminina, os protagonistas à escala nacional, europeia e mundial tiveram a oportunidade de lutar pela glória em Setembro e inícios de Outubro, dando uma prova de resiliência e paixão pela modalidade enquanto eram respeitadas as normas sanitárias.

Todavia, o ano acaba por ser altamente atípico, marcado por um grande número de competições de clubes e sobretudo de selecções canceladas, encurtadas (veja-se o caso da Liga Europeia) ou adiadas para o próximo ano. 2021 começa agora a surgir no horizonte envolto numa aura de esperança, sustentada pelas notícias alusivas à comercialização da vacina e pelo anúncio dos planos nacionais de vacinação que deverão apressar o fim da pandemia e possibilitar o almejado “regresso à normalidade”. A confirmar-se o cenário positivo de resolução, que desafios se colocam no panorama do futebol de praia internacional?

Antes de mais, 2021 será marcado pela realização do Campeonato do Mundo de Futebol de Praia FIFA, em Moscovo, na Rússia, que entretanto já foi adiado para Agosto. A medida preventiva por parte da FIFA e da BSWW pretende reservar uma janela temporal antes do evento por forma a salvaguardar não tanto o mundial em si, mas os torneios de qualificação a realizar nas seis confederações, que deverão determinar os 15 finalistas que se juntarão aos czares na luta pelo ceptro mais desejado do planeta.

Este será um grande desafio, tendo em conta o elevado número de equipas esperadas em cada torneio continental, que acaba por ser o evento internacional de maior dimensão em cada uma das confederações, dispondo agora de escassos meses para a sua calendarização e organização. Tudo isto num contexto de relativa incerteza motivado pela pandemia, com a qual o mundo ainda se verá a braços durante os primeiros meses do ano, restando muito pouco tempo para a realização dos torneios de apuramento.

É certo que em 2019 os torneios de apuramento foram sendo disputados entre Dezembro de 2018 e Julho de 2019, com relativa margem temporal. No entanto, a situação sanitária global poderá tender a adiar algumas provas ainda em 2021 e, por outro lado, a redução das temperaturas no outono russo inibe um adiamento do mundial para lá de Setembro. Também as próprias equipas poderão ser prejudicadas neste quadro de incerteza, nocivo para a preparação dos respectivos compromissos, além das possíveis restrições de viagem que ainda possam ser levantadas aquando da realização dos torneios de apuramento.

Para além do Mundial, tem sido discutida a realização da Copa Intercontinental no Dubai numa fase prematura da Primavera, por forma a tirar proveito das temperaturas ainda aceitáveis no emirado nessa época do ano, caso a pandemia já mostre sinais de abrandamento. A realização de um torneio com apenas 8 equipas, mas de dimensão global, poderia então constituir um interessante primeiro teste à retoma do futebol de praia a uma escala global, depois do sucesso da Euro Winners Cup na Nazaré em Setembro passado.

O ano também será um interessante teste para entender como se prestarão as equipas no reactamento da competição. Portugal defenderá o seu estatuto de campeão do mundo e campeão europeu, sendo que para tal terá primeiro de superar as eliminatórias de apuramento em ambas as competições. Jordan Santos, melhor jogador do mundo em 2019, que enfrentou uma lesão grave na época de 2020, terá então a oportunidade de liderar a equipa na luta pela revalidação dos objectivos colectivos, existindo uma grande expectativa para ver o que fará o trio Jordan-Bê-Léo na nova época.

Na concorrência encontramos nomes de peso, nomeadamente a Rússia, anfitriã do mundial e eterno rival no panorama europeu nos últimos 12 anos, e o Brasil, equipa que apesar de ter conquistado um único mundial na última década venceu a selecção portuguesa em todas as partidas realizadas entre os dois conjuntos desde Setembro de 2011. Por outro lado, a Itália, vice-campeã mundial em 2019, promete continuar a crescer em 2021, enquanto o campeão intercontinental Irão irá procurar voltar a qualificar-se para o mundial após a inesperada ausência de 2021. Também a Espanha, impulsionada por nomes sonantes como Llorenç e Eduard (campeão nacional pelo Sporting esta época) irá procurar voltar ao grande palco da FIFA, algo que não acontece desde 2015.

Neste final de ano em que a ansiedade para ver o que a temporada de 2021 nos reserva são muitas as questões que se colocam. Acima de tudo, há que aguardar com a serenidade necessária na certeza de que mais cedo ou mais tarde a bola voltará a rolar nas areias dos sete cantos do mundo.


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