Arquivo de FIFA - Fair Play

5c4f54b526880.jpeg?fit=1011%2C575&ssl=1
André CoroadoMaio 23, 20206min0

15 anos depois, voltamos a recordar o primeiro mundial de futebol de praia sob a égide da FIFA, realizado na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, em Maio de 2005. O futebol de praia era bem diferente numa época em que apenas Brasil, Portugal e a eventual campeã França eram verdadeiros candidatos ao título. Nesta viagam ao passado lançamos um olhar sobre os eventos de 2005 e o crescimento avassalador que se seguiria nas edições posteriores.

desporto.sapo_.png?fit=1200%2C627&ssl=1
Gonçalo FariaAbril 18, 20205min0

Nos dias de hoje, e devido à Pandemia do COVID-19 todos os países paralisaram os seus campeonatos desportivos e, por consequência, não só os clubes, como também os jogadores, treinadores e agentes desportivos irão sofrer repercussões graves. Desta forma, as propostas colocadas quer pelos especialistas do Futebol, quer pelos Gestores Desportivos e ainda pela FIFA poderão entrar em vigor nos próximos tempos.

IFAB.jpg?fit=1200%2C675&ssl=1
Marcial CortezAbril 8, 20203min0

Apesar do futebol estar parado em quase todo o planeta, a IFAB (International Football Association Board) continua seu trabalho a todo vapor. Na última terça feira, foram publicadas as novas regras da entidade, definidas no evento 134th Annual General Meeting realizado em Belfast, na Irlanda do Norte, na última semana de fevereiro, e que passarão a valer a partir do dia 01 de junho em todo o mundo. Vamos comentar as principais mudanças:

1. Nas cobranças de penalidades, os cartões amarelos e vermelhos aplicados durante o tempo normal e a prorrogação não serão considerados.

Aqui começa a primeira polêmica: então um jogador que eventualmente tenha sido expulso durante a partida poderá ser relacionado para bater uma cobrança na hora da definição por penalidades? Você considera isto justo? Imagine um jogador que tenha cometido uma agressão grave no decorrer do jogo e tenha sido punido por esta ação. Este jogador poderia se tornar um heroi nesta mesma partida, ao definir um eventual último pênalti decisivo.

2. Num pênalti, caso o guarda redes tenha se adiantado antes da cobrança e a bola bata na trave ou saia pra fora, a cobrança será validada. Somente se repetirá a cobrança se a bola tocar no guarda redes.

Outra polêmica. Sabendo dessa regra, os guarda redes poderão se adiantar à vontade para atrapalhar o batedor. Se eles não tocarem na bola e ela não entrar, isso vai favorecer a defesa. Ora, se o objetivo do futebol é o golo, essa regra tem tudo para não dar certo.

3. Infração por mão: o limite superior do braço coincide com o ponto mais baixo da axila. Ou seja, a região da manga curta da camisola é considerada válida. A IFAB cita como limite ¨o fim da manga da camisola¨.

IFAB considera manga da camisola como limite para validar mão na bola. Foto: Marcio Alves / Agencia O Globo

Essa regra, certamente, é a que mais vai causar problemas. Fabricantes diferentes confeccionam camisolas distintas. O comprimento de uma manga é diferente do comprimento da outra. Ora, como farão a definição do que é mão e o que não é mão? O VAR vai decidir? E se a camisola do fabricante X tiver a manga mais comprida que o fabricante Y? Aquela bola de lançamento longo que normalmente é matada no peito, poderá ter um ¨pequeno auxílio¨ do antebraço para o jogador fazer o domínio? Desde que a parte do antebraço esteja coberta pela camisola, a regra nova diz que isso será válido. Essa alteração poderá mudar radicalmente a forma com que o futebol é jogado atualmente.

 

Além destas regras, outras mudanças estão a ser estudadas pelo IFAB, entre elas a alteração da forma de medição do tempo de jogo, com paralisação do cronômetro em algumas situações, entre outras. Como se vê, o futebol está em constante evolução, mas nem sempre as regras mudam para melhor.

Vamos aguardar a bola rolar na relva para ver como estas mudanças ocorrerão na prática.

 

Niveisqualitativos0.jpg?fit=959%2C540&ssl=1
Gonçalo FariaMarço 26, 20205min0

O Futebol é um movimento que transporta Cultura, Alegria e Festa e desta forma, é uma modalidade cujo o contexto desportivo desenvolve-se através de várias modificações quer a nível emocional, bem como, informacional. Deste modo, e devido ao aumento exponencial das academias de futebol e escolas de formação, o tema designado por "Futebol de Formação" tornou-se cada vez mais popular e familiarizado no mundo desportivo.

fred-e-thiago-neves-cruzeiro.jpg?fit=900%2C506&ssl=1
Renato SalgadoMarço 12, 202011min0

Poucos assuntos são tão maltratados no futebol quanto o fair play financeiro. Quando não são as teorias da conspiração, vêm as conclusões equivocadas pelo desconhecimento de como o mecanismo funciona e para que serve – ainda mais depois que acontece um caso controverso e gigantesco, como o banimento do Manchester City da Liga dos Campeões pela Uefa por dois anos.

Quais são as regras? Haverá um sistema similar no Brasil? Caso tivéssemos as mesmas regras do futebol europeu, nossos clubes passariam pela prova? Baseado no estudo do economista e consultor Cesar Grafietti – que dedicou o último ano ao estudo do fair play financeiro a partir de Milão, na Itália, em contato direto com dirigentes do futebol europeu, o portal tenta esclarecer as principais dúvidas.

Para que serve o fair play financeiro?

Para melhorar a condição financeira dos clubes de futebol e tornar o mercado como um todo mais estável e sólido. Caso você prefira o palavreado oficial, o trecho abaixo consta no documento em que a Uefa explica o sistema de licenciamento e fair play financeiro.

“a) Para melhorar a capacidade econômica e financeira dos clubes, aumentando a transparência e a credibilidade deles;

b) Para colocar a proteção necessária a credores e garantir que clubes cumpram suas obrigações com funcionários, impostos e outros clubes;

c) Para introduzir mais disciplina e racionalidade nas finanças dos clubes de futebol;

d) Para encorajar clubes a operar com base nas receitas deles;

e) Para encorajar o gasto responsável pelo benefício de longo prazo do futebol;

f) Para proteger a viabilidade e a sustentabilidade do futebol europeu no longo prazo.”

O sistema tenta reequilibrar o futebol?

Não. A desigualdade financeira é um problema evidente no futebol europeu, com a concentração de dinheiro em alguns poucos clubes em detrimento da maioria, tendo como consequência mais grave a perda da competitividade e a previsibilidade de campeonatos nacionais. Mas esta não é uma questão endereçada pelas regras do fair play financeiro.

Fair play financeiro é novidade?

Não. A Alemanha adota regras para estimular a boa administração financeira desde 1962, por meio da Bundesliga. Na Itália, o sistema começa a vigorar em 1981 por força de legislação. Na Holanda, o fair play financeiro surge em 2003 pelas mãos da KNVB – a federação nacional.

A Uefa cria seu próprio sistema de licenciamento e fair play financeiro em 2009, a partir daí com regras para todo o continente europeu, num momento em que os clubes passavam por mau momento financeiro. O mundo inteiro passava por uma crise econômica, na verdade.

Quais são as regras ditadas pela Uefa?

  • Prejuízo máximo de 5 milhões de euros por no máximo três anos, podendo chegar a 30 milhões de euros, se houver aporte de recursos por parte do acionista para cobrir a diferença. Custos com infraestrutura, categorias de base e futebol feminino são desconsiderados do cálculo para incentivar esse tipo de investimento
  • Acionistas ou empresas que façam parte do mesmo conglomerado – leia-se: partes relacionadas – podem injetar dinheiro na operação desde que o aporte não seja maior do que 30% sobre a receita bruta
  • A auditoria externa precisa concluir, em seu parecer sobre o balanço financeiro, que não existe risco de descontinuidade operacional
  • O patrimônio líquido deve ser positivo. Ou seja, o clube precisa ter mais ativos (bens) do que passivos (dívidas)
  • O endividamento não pode ser maior do que 30 milhões de euros. A quantia também não pode representar mais do que sete vezes o EBITDA – isto é, a diferença entre receitas e custos operacionais, antes de considerar impostos, depreciações e amortizações
  • O investimento na contratação de jogadores não pode ser maior do que 100 milhões de euros na diferença entre compras e vendas

Por que o Manchester City foi punido?

O Manchester City foi comprado pelo atual proprietário em 2008 e pertence majoritariamente à Abu Dhabi United Group, conglomerado dos Emirados Árabes que tem como controlador o sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, por sua vez membro da família real de Abu Dhabi.

Eis que o clube recebeu patrocínio da Etihad Airways, companhia aérea que pertence ao mesmo conglomerado. A Uefa entendeu que o patrocínio, muito acima do valor praticado no mercado, foi feito para burlar a regra que limita o aporte de recursos por parte de acionistas.

Manchester City — Foto: Reuters

Por que o PSG não foi punido?

O caso é muito parecido com o anterior. O Paris Saint-Germain foi comprado em 2010 e pertence ao Qatar Sports Investiments, um braço esportivo do Qatar Investiment Authority (QIA), que por sua vez representa o governo do Qatar nos negócios que realiza pelo mundo.

O Brasil vai ter fair play financeiro?

A CBF tem planos para implementar seu próprio sistema ainda em 2020, mas o anúncio oficial ainda não foi realizado pela entidade. Cesar Grafietti, inclusive, foi contratado como consultor para estudar os mecanismos europeus e desenhar um modelo para o futebol brasileiro.

Quais clubes poderiam ser punidos?

Enquanto a CBF não anunciar as regras do fair play financeiro para o país, não haverá clareza sobre ajustes necessários e riscos enfrentados pelos clubes brasileiros. Num exercício de lógica, caso as mesmas regras europeias fossem aplicadas aqui, muitos teriam problemas.

  • A maioria dos clubes possui pareceres de auditorias externas que apontam para o risco de descontinuidade operacional
  • A maioria dos clubes possui patrimônio líquido negativo – quando dívidas são maiores do que todos os bens, contratos etc
  • Apesar de ser uma exigência do Profut, muitos clubes registram deficits (prejuízos) superiores ao limite imposto pela legislação
  • No caso do Bragantino, os investimentos feitos pela Red Bull, com dinheiro vindo da Áustria, quebrariam a regra que limita em 30% do faturamento os aportes de partes relacionadas. A empresa precisaria repensar sua estratégia se houvesse esse mecanismo no Brasil

Especificamente no quesito sobre o patrimônio líquido, tendo como base os balanços patrimoniais referentes a 2018, os mais recentes disponíveis, mais da metade dos clubes do Campeonato Brasileiro reprovaria.

O patrimônio líquido do futebol brasileiro

2018 Patrimônio líquido Reprovaria no fair play?
Athletico-PR 424 Não
Atlético-GO -3 Sim
Atlético-MG 133 Não
Bahia -104 Sim
Botafogo -654 Sim
Red Bull Bragantino Não tem balanço Não tem balanço
Ceará 1 Não
Corinthians 263 Não
Coritiba -55 Sim
Flamengo 1 Não
Fluminense -257 Sim
Fortaleza -18 Sim
Goiás -12 Sim
Grêmio -60 Sim
Internacional 337 Não
Palmeiras 60 Não
Santos -302 Sim
São Paulo 107 Não
Sport 20 Não
Vasco -358 Sim
Cruzeiro -46 Sim

Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS