Portugal no Men’s RE Championship 2026: dados e ideias pt.3
Como prometido, nesta 3ª parte vamos olhar e analisar o ataque dos Lobos, que se demonstrou largamente superior a 2024 e 2025. Contudo, só iremos observar as exibições durante o Men’s Rugby Europe Championship e começando por aí, olhemos para os pontos marcados em cada temporada:
– 2024 Portugal marcou 152 com o maior resultado a ter conseguido frente à Polónia por 54-07. Vitória ante a Espanha por 33-30 mas uma das piores derrotas ante a Geórgia desde 2019 (10-36);
– 2025 Portugal registou uma melhoria tendo conseguido 168 pontos marcados, apesar de ter sofrido seis pontos mais do que em 2024. A maior vitória foi ante a Alemanha por 56-14, mas deu-se o pior frente à Espanha desde 2021 (31-42) e Roménia.
– 2026 os Lobos melhoraram em todas as frentes, com 204 pontos marcados (e apenas 60 sofridos), não consentido qualquer derrota, somando as suas melhores vitórias frente à Roménia (44-07) e Espanha (26-07), para além de terem levantado o título no final.
Os dados estatísticos são claros e demonstram que efectivamente houve uma melhor auspiciosa entre 2025 e 2026, com a equipa nacional a ter se apresentado com outra capacidade ofensiva. Mas qual foi a principal diferença? Comecemos pelo facto que Rodrigo Marta estar no par de centros com Tomás Appleton garantiu outra estabilidade no alinhamento dos passes, oferecendo ao médio-de-abertura português, Domingos Cabral, outra panóplia de escolhas, algo que não aconteceu tanto em 2024 ou 2025. Por outro lado, Samuel Marques e Hugo Camacho trouxeram mais paz e calma do que nessas duas temporadas anteriores, com os pontapés desnecessários para as costas do adversário a terem desaparecido por completo. Por outro lado, a posição de abertura na selecção nacional, brilhantemente ocupada por Domingos Cabral em 2026, registou menos actividade em termos de ser decisiva para fazer o jogo de Portugal crescer, o que suscitou dúvidas e problemas de leitura de jogo por parte de adversários como a Espanha ou Geórgia, que não conseguiram se adaptar bem ao papel do jovem nº10 da Agronomia Rugby.
Importa também olhar para a forma como Manuel Vareiro se agigantou no papel de defesa, impondo um jogo aéreo de elevado nível que pôs termo às tentativas da Geórgia ou Espanha de semearem o caos a partir do jogo ao pé, isto sem falar de como o atleta do Provence conseguiu despoletar várias jogadas de contra-ataque que lançaram Portugal no sentido certo de chegar aos 22 adversários. Outro ponto que favoreceu, e muito ao ataque ter crescido em 2026, foi a capacidade de suporte ao portador da bola, com a equipa nacional a mostrar-se mais veloz e intensa nesse sentido, não permitindo que o bloco adversário tivesse vida facilitada em qualquer entrada no contacto. Neste sector há um ponto que importa destacar, que foi o papel de José Monteiro na posição de número 8.
Portugal sentiu graves dificuldades para em 2024 e 2025 conquistar metros após a formação-ordenada ou ter um 3ª linha centro que permitisse libertar Nicolás Martins para outras funções, engradecendo assim o jogo da equipa de Simon Mannix. Sem a necessidade de fazer adaptações, a selecção nacional apresentou-se extremamente mais capaz e estável nesse departamento, com os jogadores a se sentirem confortáveis e mais confiantes nas suas funções. Outro ponto que queremos destacar também é o facto de que os Lobos raramente perderam um ruck próprio, ou seja, sofreram um turnover um pormenor que acabou por resultar em derrotas ante a Roménia e Espanha em 2025. Para fechar, importa falar do alinhamento e formação-ordenada, duas plataformas de jogo que em 2024 e 2025 tiveram uma taxa de sucesso de 80% e 85% respectivamente, enquanto em 2026 subiram para os 95% e 90%, algo que garantiu outro fluidez ao ataque de Portugal, nascendo vários ensaios a partir desses pontos – o ensaio de penalidade ante a Bélgica, por exemplo.
No total, esta combinação de factores garantiu que Portugal subisse para outro patamar de qualidade de jogo, com os tais 204 pontos marcados a terem sido uma afirmação absoluta de uma selecção que parece ainda ter mais espaço para crescer e evoluir, tendo que se congratular a equipa técnica liderada por Simon Mannix, com Anthony Tesquet e Andi Kyriacou a terem de merecer um especial obrigado pelo extraordinário trabalho realizado desde que se juntaram a Portugal. O staff nacional teve a capacidade de rever os princípios do sucesso de 2022 e 2023, adaptando a maior parte do plano de jogo idealizado por Patrice Lagisquet e Luís Pissarra, apesar de Simon Mannix ter adicionado alguns pontos seus à forma de jogar dos Lobos.
Foto de destaque de Luís Cabelo Fotografia.



