O rigor da lei no derby minhoto

Nélson SilvaFevereiro 19, 20183min0

O rigor da lei no derby minhoto

Nélson SilvaFevereiro 19, 20183min0
Bruno Paixão, VAR, Wakaso e Derby Minhoto... o que isto significa? Uma decisão contra a lógica pode mudar um jogo? Deixamos algumas questões para responder

Num dos encontros mais esperados da jornada, o sempre escaldante derby do Minho entre Vitória de Guimarães e Sporting de Braga ditou uma goleada histórica dos bracarenses. Contudo, este jogo fica marcado pelo lance que resulta no 0-2. O verdadeiro ponto de viragem para uma catástrofe vimaranense que, até então, nada se fazia prever.

Não desconsiderando todo o mérito pela prestação dos forasteiros, onde reinou a eficácia, o jogo até começou com um Vitória pressionante e à procura do golo. O erro individual de Rafael Miranda, ao perder a bola em zona proibida para Vukcevic, acabou por tornar mais fácil a tarefa aos visitantes. Apesar da vantagem madrugadora, nada fazia prever os números finais do encontro.

Aos 31′, o lance decisivo da partida. Wakaso trava a corrida de Wilson Eduardo já perto da esquina da área, com o jogador a cair no limite da mesma. O árbitro da partida prontamente expulsou Pedro Henrique (por engano, retificando para Wakaso) e aponta para a marca dos onze metros. É aqui que se inicia o debate sobre o rigor da lei, o cumprimento da mesma em prol do futebol e de uma partida interessante ainda com uma hora para se jogar. Ora vejamos o lance:

Que é falta ninguém duvida. No entanto, embora Wakaso tenha a intenção clara de impedir a progressão de Wilson Eduardo, a infração começa ainda longe da área, terminando exatamente no limite da mesma. As leis ditam que a infração deve ser sancionada onde a mesma termina e não no seu início. Com o árbitro a considerar que foi dentro da área, tendo em conta as novas regras, a punição é ainda mais gravosa. Intenção clara de derrubar o adversário dentro da grande área dá direito a expulsão. Mas será mesmo esta a interpretação mais correta?

Haverá algum lugar ao bom senso mesmo com o recurso ao vídeo-árbitro? É que a esta altura, as decisões deixam de ser espontâneas, passam a ser ponderadas e os árbitros devem privilegiar a introdução dos novos métodos tecnológicos para serem mais consensuais nas suas decisões. Apesar de recorrer ao VAR, Bruno Paixão não voltou atrás com a decisão, o que é preocupante para o futebol português.

Se a sanção de grande penalidade é discutível, a expulsão é claramente exagerada. Como se pode rever no lance, há já um defensor vimaranense pronto a fazer a dobra, pelo que dificilmente Wilson ficaria isolado na cara de Douglas.

Um lance que poderia ser um livre perigoso mas não um penalti, onde a equipa da casa poderia prosseguir com onze elementos e até evitar mais facilmente o golo, acabou por ditar a vantagem confortável e total benefício dos bracarenses para o resto da partida pois seguiram a jogar em vantagem numérica, construindo uma goleada histórica.

A pergunta não é de agora e já vários especialistas a colocaram na mesa: será que os árbitros gostam de futebol? Já não é a primeira nem a segunda situação nesta temporada que, até após revisão com acesso às imagens, os árbitros sancionam com cartão vermelho infrações tremendamente questionáveis para deixar uma equipa em desvantagem para o resto da partida.

Numa altura em que o ambiente relativo às arbitragens segue envolto em polémica, situações como a de ontem não auguram em nada a favor da amenização do caos. Por muito que seja peremptório acabar com a constante pressão aos árbitros, os mesmos devem sentar-se à mesa e rever este tipo de decisões drásticas que muitas vezes estragam o espetáculo do futebol, sem que isso seja assim tão justificável.


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