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Nélson SilvaJulho 24, 20186min0

A batalha de 2017/2018 deixou exposto um exército vitoriano aquém daquele que brilhou há duas épocas atrás com o quarto lugar. O Vitória de Guimarães volta agora com a alma renovada. Uma revolução que incluiu a chegada de um novo treinador e várias caras novas no plantel.

Luís Castro foi o escolhido para reerguer o orgulho de uma equipa que teima em infiltrar-se na luta pelos quatro primeiros lugares da tabela. O técnico não perdeu tempo e recrutou uma série de jogadores que se enquadram naquilo que será a sua proposta de jogo para a temporada que se avizinha. Entre os reforços e a prata da casa, é já possível começar a desenhar uma ideia daquilo que será o onze base dos conquistadores para o arranque do campeonato.

A muralha defensiva

Na baliza tudo indica que a disputa se fará novamente entre Douglas e Miguel Silva. A experiência de Douglas tem vindo a equilibrar com o talento e juventude de Miguel. Pedro Martins foi mostrando alguma preferência pela experiência de Douglas, que vai cumprindo embora nem sempre com a regularidade desejada. Sempre que Miguel Silva é chamado, seja por lesão do brasileiro ou opção técnica, acaba por mostrar qualidade para assumir a titularidade, pecando apenas por alguns momentos de menor concentração próprios da aprendizagem que vai acumulando. Tudo indica que Douglas partirá na frente, mas em nada seria surpreendente se Luís Castro apostasse em Miguel Silva.

Na defesa, perante a saída de Konan e as debilidades evidentes nas restantes posições, o Vitória já se adiantou e apresenta reforços capazes de colmatar algumas lacunas. Com o capitão Pedro Henrique em boa condição física, este terá como principal candidato a seu parceiro o reforço Frederico Venâncio. O ex-Vitória de Setúbal que esteve emprestado ao Sheffield Wednesday deve ganhar a corrida pela posição a Osório (empréstimo do FC Porto) e a João Afonso. Osório esteve longe de impressionar frente ao Santa Clara e João Afonso vem a não convencer há bastante tempo depois de um empréstimo ao Estoril onde se destacou. Na ala esquerda surgem dois reforços: Florent Hanin (ex-Belenenses) e Rafa Soares (ex-Portimonense). O arranque de Florent tem deixado água na boca aos adeptos vitorianos e tudo indica que este será uma das boas surpresas do novo Vitória. Do outro lado, Victor Garcia vai vendo o lugar destinado apenas e só a si, uma vez que Falaye Sacko apresenta limitações insustentáveis para a exigência de um Vitória de Guimarães. Luís Castro continua a dar a entender que podem chegar mais reforços e é na lateral direita que mais se suspeita que haverá novidades.

Foto: SAPO

Onde se ganham os grandes duelos

Chegamos a uma parte cada vez mais apetecível deste novo Vitória. O regresso de André André deve significar que o ex-Porto será a figura mais incontestável do miolo vitoriano. Experiência, agressividade e autoconfiança são pontos fundamentais num médio dotado de uma técnica que Luís Castro certamente não prescindirá. Na retaguarda, há já vários candidatos a assumir o “trinco” da equipa. Apesar da chegada de Pepê Rodrigues para a posição, é Wakaso quem mais se tem chegado à frente para servir de escudo do castelo vitoriano. Trata-se de um recuperador de bolas que Pepê não conseguirá ser. Nesta ótica, Celis pode ser também uma alternativa viável de forma a incluir Pepê no onze. Um pouco à imagem do que acontecera no Sporting com William (jogador semelhante a Pepê pela qualidade de construção, um jogador de posse mas de menor disponibilidade física para recuperar bolas), que foi fazendo parelha ora com Adrien, ora com Battaglia.

Há vários médios de características defensivas, ao passo que será interessante perceber ainda a importância de Francisco Ramos no presente plantel. Como alternativa na zona de criatividade, surge Tozé. O médio português tem tido dificuldade em impor-se em Guimarães e surge agora uma oportunidade de ouro para mostrar aquilo que de melhor pode dar ao jogo. Ainda assim, tarefa difícil e que pode ainda ver o extremo Tyler Boyd a surgir por zonas interiores.

Lanças apontadas

Versatilidade, agilidade, muita técnica. São inúmeras as opções para este ataque do Vitória. Será possivelmente a melhor dor de cabeça para Luís Castro. Tyler Boyd parece finalmente adaptado à realidade do campeonato português e tem deixado excelentes indicações neste arranque de temporada. Para melhorar, chegaram dois nomes de peso. Ola John, extremo holandês ex-Benfica, chega para tentar relançar a carreira, depois de uma temporada praticamente nula em termos de futebol. O holandês criou expectativas elevadas na chegada ao Benfica, chegou a deliciar os adeptos com algumas exibições muito positivas e iniciativas individuais só ao alcance dos melhores. Bem aberto pela esquerda, não se priva de partir para cima do adversário. Ficou conhecido pela capacidade de drible com sucessivas simulações e boa capacidade de cruzamento, mas é tanto ou mais um jogador de procurar o jogo interior entregando entrelinhas. Se se mostrar ambicioso, tem todas as condições para triunfar. A virtuosidade não se fica pelo holandês e para melhorar há um jogador sob o qual recai grande expectativa para colmatar a saída de Raphinha: Davidson. O extremo foi uma das figuras maiores de Luís Castro no Chaves e por isso mesmo segue na lista de exigências do técnico. Forte, ágil, boa técnica e faro de golo de um jogador sobre quem recaem também grandes expectativas.

Uns excelentes apoios nas alas para oferecer golos ao artilheiro escolhido, que provavelmente passará por Alexandre Guedes ou Welthon. Guedes é o homem de quem se fala. O jovem avançado português que se mantinha escondido dos holofotes acabou por ser o rosto da conquista da Taça de Portugal pelo Aves. Veloz, bom tecnicamente e fundamentalmente perspicaz na forma de se posicionar. Pelo que se tem visto neste arranque, Guedes parece partir em vantagem para Welthon. Ainda assim, o avançado brasileiro terá uma palavra a dizer pois regressou de lesão e pretende demonstrar todo o potencial evidenciado ao serviço do Paços de Ferreira. Uma arma que certamente fará muita falta a Luís Castro até a sair do banco se assim entender. Deste leque há ainda que considerar Junior Tallo e Oscar Estupinan, que estiveram na sombra de Rafael Oliveira na temporada passada. Fora das contas está Paolo Hurtado, avançado peruano que está a ser negociado para garantir um encaixe financeiro ao clube da cidade berço.

O Vitória de Luís Castro dá já uma ideia bem clara do modelo de jogo que quer apresentar e as primeiras notas levam a crer que este será certamente um dos principais candidatos aos lugares europeus na presente temporada.


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