Qual é a chave do sucesso do Fluminense na temporada 2021?

Renato SalgadoJulho 9, 20215min0

Qual é a chave do sucesso do Fluminense na temporada 2021?

Renato SalgadoJulho 9, 20215min0
Mescla entre juventude e experiência é o segredo do sucesso do Fluminense. Até aqui, o time faz boa campanha no Brasileirão 2021, além de ter se classificado em primeiro lugar no "grupo da morte" da Copa Libertadores da América

Tetracampeão brasileiro e marcado por formar grandes esquadrões, o Fluminense viveu momentos instáveis nos últimos anos. Desde a saída da parceira Unimed, em 2014, após 15 anos de investimentos pesado, a equipa das Laranjeiras sofreu com dívidas e, consequentemente, com um elenco menos competitivo. Mais do que nunca, a alternativa passou a ser apostar no que tem de melhor: as categorias de base. Os frutos já foram colhidos no último Brasileirão e também na atual Copa Libertadores, garantindo o primeiro lugar no “grupo da morte”.

A receita do sucesso passa por Xerém, distrito de Duque de Caxias que sedia a formação de atletas da equipa. O trabalho com os garotos sempre lapidou bons nomes, como Thiago Silva, Fabinho, Marcelo e Gérson. E, agora, uma nova safra surge para o mundo do futebol e ajuda de maneira direta a recolocação do Tricolor em disputas importantes. O processo de transição, contudo, não costuma ser fácil. Em 2019, a equipa foi ameaçada pelo rebaixamento até a reta final do Brasileirão. Para 2020, a solução caseira passou a dar mais frutos. Em um time treinado por Odair Hellmann em boa parte do ano, com veteranos como Fred, um dos maiores ídolos da história tricolor, e o meia Nenê, artilheiro da equipe na última temporada, e jovens promessas, como Calegari, Luiz Henrique e Evanílson (vendido ao Porto), o Fluminense surpreendeu com boa campanha no Brasileirão, terminando em quinto lugar, cravando vaga na Libertadores deste ano.

Fred em  partida contra o Ceará pelo Brasileirão 2021 (Foto: Lucas Merçon/Fluminense)

Na maior competição do continente, o Fluminense conseguiu manter a base do elenco. Para dar continuidade ao trabalho de Odair Hellmann contratado pelo Al-Wasl, a aposta foi Roger Machado, outro velho conhecido do clube (como lateral, marcou o gol do título da Copa do Brasil de 2007). Reforços pontuais desembarcaram nas Laranjeiras, entre eles o armador equatoriano Juan Cazares, alternativa à Nenê, que faz 40 anos em julho. Segurando o time defensivamente, a manutenção da dupla de zaga Luccas Claro e Nino foi essencial para o funcionamento. No meio de campo, para conter os adversários e dar início às jogadas, há o jovem Martinelli e o “desarmador” Yago Felipe.

Kayky, a joia

O maior ganho para o Tricolor nesta temporada foi Kayky, de 17 anos, formado em Xerém. O ponta canhoto, inclusive, já foi negociado com o Manchester City (onde jogará apenas em 2022) com cifras que podem chegar a 173 milhões de reais. Habilidoso, bom em tomadas de decisão e com personalidade, o atleta foi um dos principais destaques do Fluminense na primeira fase da Libertadores e no Campeonato Carioca, do qual o time foi finalista ao lado do campeão Flamengo.

Kayky ficará no Flu até o final da temporada 2021. Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC

Kayky vem formando uma dupla excepcional com Fred. Aos 37 anos, 20 a mais que o parceiro, o artilheiro retomou a alegria de jogar e a boa fase. A mescla entre juventude e experiência foi responsável por 11 gols para o Fluminense no ano. Fred fez quatro gols em quatro jogos na Libertadores, e conduziu o Tricolor a uma campanha excelente na competição. Apontada por muitos como zebra na chave, o Fluminense garantiu a vaga às oitavas, deixando para trás o multicampeão River Plate e os dois colombianos Junior Barranquilla e Independiente Santa Fé.

Nova geração de Xerém é a mais promissora do Fluminense

Marcelo Pitaluga, Calegari, Luan Freitas, Davi e Marcos Pedro; André, Martinelli e Wallace; Luiz Henrique, João Pedro e Marcos Paulo. Essa é a equipe base da chamada Geração de Ouro de Xerém, que conquistou o Estadual Sub-17 em 2018, em pleno Maracanã. A grande maioria desses nomes já atua pelos profissionais. Uma das mais promissoras do clube, a geração 2001/2002 conquistou os Estaduais sub-13, sub-14 e sub-17. Mais do que os títulos, a qualidade demonstrada levou esperança a dirigentes e torcedores. E tem mostrado o seu valor. Afinal, João Pedro foi grata surpresa em 2019, assim como o meia Marcos Paulo.

Em 2020, o atacante Luiz Henrique, o lateral-direito Calegari, o volante André, e o meia Martinelli, estrearam pelos profissionais e agradaram o técnico Odair Hellmann. Como o goleiro Marcelo Pitaluga já foi vendido ao Liverpool e ajudou a reforçar o caixa com cerca de R$ 12,5 milhões, restam ainda os zagueiros Luan e Davi, o lateral-esquerdo Marcos Pedro e o meia Wallace. Enquanto o primeiro já é relacionado e faz parte da equipe sub-23, os quatro últimos são titulares no sub-20. De toda a Geração de Ouro de Xerém, o meia Marcos Paulo sempre foi considerado o mais promissor. É o único dos 11 titulares que não foi convocado para a Seleção Brasileira. Mas, com dupla cidadania, defende a seleção de Portugal na base.

Situação financeira delicada

O Fluminense, assim como muitas equipas no Brasil, é muito dependente da venda de jogadores e o clube necessita achar um equilíbrio para não depender apenas das negociações.

– A gente olha o Fluminense e fala “não está tão mal”, mas ele não está tão mal porque dentro do mercado onde ele atua tem Botafogo e Vasco, que destoam para baixo, e o Flamengo que destoa para cima, então ele fica ali no meio desses dois blocos e parece que o Fluminense está ok ali, reduz um pouquinho do custo, trabalha dentro das possibilidades, mas é um clube que ainda tem muita dívida, é um clube que depende muito de venda de jogador, então o Fluminense precisa se encontrar, precisa achar um equilíbrio, porque no ano em que não vender jogador, aí vai estourar!

 


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