Onde é que anda o Flop: Giannelli Imbula, o “reforço” dos 20M€

Francisco IsaacAbril 1, 20216min0

Onde é que anda o Flop: Giannelli Imbula, o “reforço” dos 20M€

Francisco IsaacAbril 1, 20216min0
Chegou ao Dragão com um custo alto e promessa de boas exibições, mas acabou por sair... pelo mesmo valor. O relembrar de Imbula aqui no Fair Play

20 milhões de euros, esta foi a soma pela qual o FC Porto contratou Giannelli Imbula, médio-centro nascido na Bélgica, no ano de 2015 para abandonar seis meses depois por 24M€ resultando numa valorização interessante, mas que ficará para sempre carregada de dúvidas pois o jogador pouco ou mesmo quase nada provou ao serviço dos azuis-e-brancos. Repetimos novamente: 20 milhões de euros, sendo o reforço mais caro da história do emblema portuense a par de Óliver Torres. Passados cinco anos da saída de Imbula do Dragão podemos realmente de apelidá-lo de flop ou não? Se nos ficássemos só pelo lucro gerado neste negócio seria difícil rotular totalmente a passagem do internacional congolês como fracasso, pois a SAD garantiu 4M€ positivos entre compra e venda, um dado minimamente satisfatório em termos económicos, sem que esse facto na realidade o salva do carimbo de flop.

INÍCIO VERTIGINOSO E UMA QUEDA AINDA MAIS VERTIGINIOSA

Vamos primeiramente a dados, para explicarmos depois de onde veio Giannelli Imbula, passando pela venda e carreira actual do médio. Pelo FC Porto somou 21 jogos, 16 como titular, não marcou qualquer golo e assistiu por duas ocasiões, tendo começado a época no 11 inicial para depois perder rapidamente o lugar, tendo tido duas exibições de gala frente ao Chelsea (vitória por 2-0) e SL Benfica (1-0, golo nos últimos minutos de André André). Na Liga dos Campeões foi titular quatro dos seis jogos, numa campanha que acabaria mal em virtude das derrotas frente ao Dínamo de Kiev e Chelsea, e em que o próprio acabou por ser um dos culpados dessa queda precipitada na maior prova de clubes da Europa, já que somou vários passes errados, perdeu diversos duelos e acabou engolido pela maior fisicalidade e inteligência dos blocos de meio-campo adversário, parecendo um jogador largamente inferior ao valor pelo qual o FC Porto contratou.

Perante a implosão do projecto de Julen Lopetegui no comando do FC Porto (se é que houve alguma vez algum), Imbula foi uma das vítimas da gestão errónea e bipolar da SAD azul-e-branca, acabando por ser denominado como um erro de mercado e viria a sua saída confirmada no último dia do mercado de Inverno de 2016, ingressando ao serviço do Stoke City que pagou a módica quantia de 24M€. Um negócio minimamente estranho perante a desvalorização do jogador, mas que rapidamente se explica pela entrada em cena da Doyen Sports, empresa que tratou de intermediar a ida do médio para Portugal em Agosto de 2015 e que voltou a aplicar os mesmos conhecimentos em Janeiro de 2016.

Várias interrogações ficaram deste episódio com Imbula, algumas das quais são: quem era este jogador ao ponto de ter levado o FC Porto a gastar 20M€ na sua contratação? Tinha realizado alguma excelente temporada no seu clube anterior? E tinha qualidade para os valores transacionados naquela temporada?

A REVELAÇÃO DE GUINGAMP QUE ACABOU NOS CONFINS DA RÚSSIA

Comecemos pelo principio, isto é, pela fase pré-FC Porto. Enquanto juvenil passou por diversas academias, entre das quais a do Paris-Saint Germain, acabando por chegar a sénior como atleta do Guingamp em 2009, jogando aí até 2013 altura em que o Olympique de Marselha bate os 7M€ da cláusula de rescisão. Com 21 anos nas pernas, Imbula começou a sua vida no Marselha a jogar pela equipa B, para dar rapidamente o salto e alinhar em 37 jogos (92% como titular) na época 2013-2014, mantendo o estatuto de indispensável na época seguinte, momento em que brilhou na Ligue 1.

Sob o comando de Marcelo Bielsa, o médio foi uma das principais unidades do emblema do sul de França que terminariam em 2014-2015 em 4º lugar da primeira liga francesa, impondo não só uma fisicalidade desconcertante como conseguia ter a capacidade de ler bem as linhas e combinações de jogo do adversário, subindo agilmente e lucidamente no terreno. Os 40 jogos realizados, a boa época do Marselha e a franca boa qualidade exibicional acabariam por convencer a SAD do FC Porto em esbanjar 20M€ pelos direitos do passe do médio que, infelizmente para todas as partes, resultou em poucos sorrisos no final de contas.

A saída prematura em Janeiro de 2016 apanhou uma boa parte dos adeptos desprevenida, pois na semana anterior tinha sido titular em dois jogos pelo FC Porto, isto para a Taça da Liga,- à época foi Rui Barros a segurar a equipa principal depois do despedimento de Julen Lopetegui – e parecia estar no caminho de total reabilitação, isto após ter ficado de fora dos convocados durante uma série de jogos. Chega o último dia de mercado e dá-se a venda por 24M€. Rápido, sem perguntas ou dúvidas e sem grandes comentários, a não ser um de Jorge Nuno Pinto da Costa que disse,

“Teve o Danilo, o Imbula – que veio por vontade dele, que me disse que era um Ferrari. E eu perguntava-lhe porque razão o Ferrari estava na garagem? Teve o que pediu”.

Este “limpar” de mãos e culpabilização do erro de contratação do belga/congolês por parte do responsável máximo do clube e SAD foi uma clara demonstração que algo não ia bem dentro do Dragão e o Ferrari dos 20M€ era só a ponta do icebergue. Em relação à qualidade real do médio, há espaço para debate apesar dos méritos terem sido quase nenhuns: nunca conquistou um lugar no Stoke City e acabou por ser emprestado; titular no Toulouse e Rayo Vallecano, retornou a um bom momento de forma mas sem nunca convencer qualquer um desses emblemas a dispensar 20M€ na sua contratação; empréstimo ao Lecce e rescisão de contrato com o Stoke City (que habita neste momento na 2ª divisão inglesa), tendo ainda assinado momentaneamente pelo Sochi da Rússia, sem capacidade para fazer mais que um jogo, estando neste momento sem contrato e a custo-zero.

De revelação do Guigamp, a uma época compacta pelo Marselha, a Ferrari na garagem para depois terminar num Mundo de empréstimos atrás de empréstimos sem realmente ter ganho a notoriedade que os 51M€ antecipavam. Um flop que só não acaba no topo da lista de maiores fracassos desportivos do FC Porto graças ao lucro conseguido na venda do seu passe, deixando o Stoke City com o ónus de má gestão na hora de contratar reforços, mas fica o recordar de Giannelli “Ferrari” Imbula.

 


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