20 Fev, 2018

Onde é que anda o Flop: Pizzi e o Tango “desastroso” nas Antas

Francisco IsaacNovembro 11, 201710min0

Onde é que anda o Flop: Pizzi e o Tango “desastroso” nas Antas

Francisco IsaacNovembro 11, 201710min0
Nova rubrica do Fair Play que vai em busca do que aconteceu a alguns flops do Campeonato Nacional. O 1º é o argentino Pizzi que passou pelo FC Porto

Na “Feira dos Horrores” da Primeira Divisão portuguesa, foram vários os jogadores que passaram por Portugal e que receberam um “carimbo” de Flop que nunca mais descolou e que até hoje, deu para fazer rubricas infindáveis e memoráveis como a “Casa dos Flops” ou “Um Azar do Kralj”, isto só para nomear algumas.

Nesse sentido, o Fair Play estreia a sua rubrica dedicada a aqueles que “mereceram” essa “honra“. Não vamos ficar só pelo relembrar dos registos pobres que tiveram ao serviço dos seus clubes, o objectivo é descobrir o que aconteceu com jogadores como Wason Renteria, Kikin Fonseca, Jovan Kirovski, Edwin Congo, entre outras figuras ímpares do nosso futebol.

O nosso primeiro “convidado” acaba por sofrer este destino devido ao último acontecimento na sua vida profissional, que lançou a ira de uma Nação não só para com ele, mas também para com as várias estrelas que compõe essa selecção, ao falharem o Mundial 2018. De quem falamos? Juan Antonio Pizzi.

O avançado nascido em Santa Fé, na Argentina, acabaria por optar pela nacionalidade espanhola conseguindo jogar num Campeonato da Europa (1996) e Mundial (1998), somando no final da carreira como internacional 22 jogos e oito golos marcados.

Um avançado com uma classe enorme e com um especial faro para golo, Pizzi foi um dos nomes mais badalados na Europa durante os anos 90, uma vez que era daqueles artilheiros fáceis de contratar e que rapidamente se adaptava ao estilo de jogo de uma equipa.

Porém, Pizzi a partir dos 25/26 iniciou um processo complicado de lesões que o foram tirando da mais alta esfera do Desporto-Rei. Esteve em Valência entre 93-94, onde somou apenas 19 jogos e 4 golos (duas lesões ao nível do joelho), acabando por sair para o Tenerife. Aí, Pizzi voltou a encontrar-se com os golos e grandes exibições, o que possibilitou levantar o prémio de Pichichi da liga espanhola em 1996 com 31 golos!

O FC Barcelona, longe do que é actualmente, arriscou no dinâmico “Tango” de Pizzi e assinou por duas épocas com o avançado. Em casa dos Culés, o espanhol-argentino somou mais de 70 jogos (18 golos), conquistando uma La Liga, Taça das Taças, Taça do Rei, Supertaça Europeia, naquilo que foi um dos melhores momentos da carreira de Juan Antonio Pizzi.

Chegou a merecer a alcunha de “Macanudo” Pizzi, ou seja, o “Fantástico” Pizzi, que adveio dos gritos de euforia do jornalista de rádio, Joaquim Puyal, que assim alcunhou  Pizzi após o avançado ter feito o golo da vitória ante o Atlético de Madrid (5-4) num jogo dos Quartos-final da Taça do Rei.

Pizzi voltou à Argentina durante os anos de 1998, 1999 e 2000, em que actuou pelo River Plate e Rosário Central. E chegamos ao momento em que o avançado opta por aceitar um convite do FC Porto e viajar até à Invicta para fazer parte do plantel de Fernando Santos no ano de 2000.

Macanudo Pizzi só jogou de Dragão ao peito durante… 6 meses. Apelidado de arma secreta por uns, flop por outros, a verdade é que Pizzi só alinhou em 16 jogos (11 na Liga Portuguesa e os restantes na Taça de Portugal e Taça UEFA) e atirou quatro remates certeiros para o fundo das redes. Lesões no joelho, opção de Fernando Santos em escolher jogar sempre com Pena no centro do ataque, falta de forma para aguentar mais de 30 minutos e sem a mesma categoria em frente à baliza, Pizzi acabou por regressar ao seu Rosário Central no mercado de Inverno.

Os adeptos do FC Porto esperavam muito do avançado que deliciou bancadas em Tenerife e Barcelona, que fez estremecer as redes de vários e conhecidos guarda-redes a nível mundial e que pautava o jogo com uma classe tão especial que o possibilitou atingir o patamar de “Lendas” dos anos 90 do Barcelona.

Vinha da Argentina, verdade, um mercado que trouxe diversos jogadores de bom quilate até então (Alberto Acosta e Aldo Duscher no Sporting, que jogaram, coincidentemente, na mesma altura que Pizzi na Liga Portuguesa) mas também foi veículo para alguns surpresas desagradáveis. Contudo, Pizzi era… Pizzi! Um avançado que tinha faro de golo, com uns pés “de pluma” capazes de fazer golos quando ninguém estava à espera.

No entanto, o avançado também pode culpar o momento da equipa das Antas, que entrou num período de três anos sem títulos, algo que precipitou a direcção dos azuis-e-brancos a realizar más apostas, com várias contratações falhadas e sem qualidade quer para os cofres  quer para o jogo jogado.

Juan Antonio Pizzi ficou esses meses, recebeu a medalha de vencedor da Taça de Portugal e só retornaria à Europa para jogar pelo Villarreal em 2002, outra experiência tenebrosa para o avançado espanhol.

E então por onde andou Pizzi? Bem, após o encerramento da carreira em 2002, com as cores do seu Rosário Central, o avançado decidiu saltar dos relvados para o banco de suplentes, apostando numa carreira de técnico.

A despedida do Rosário Central (Foto: FIFA)

Só em 2005 receberia a sua primeira experiência como treinador, no Colón, mas foi algo que durou umas semanas (três derrotas em outros tantos jogos). Saindo da Argentina, Pizzi embarcou para o Perú onde esteve um ano à frente do Union de Sant Martín, mas a experiência foi igualmente “má”, com apenas 13 vitórias em 33 jogos. Uma paragem durante três anos, permitiu ao agora treinador fazer uma “alteração” de rumo e começar a singrar com eficácia nas equipas que treinava.

Campeão no Chile ao serviço do Universidad Católica (depois de ter guiado, no ano anterior, o Santiago Morning à sua primeira meia-final do Campeonato Chileno na História do clube), foi convidado em 2011 para voltar a “casa” e tirar o Rosário Central da 2ª divisão argentina.

Pizzi não conseguiu o “sonho” de tirar o Rosário Central da divisão secundária, mas a experiência na Argentina acabou por ser “gloriosa”, ao levantar o título de Campeão Inicial (equivalente à primeira metade do Campeonato argentino, numa altura em que ainda existia a divisão em dois momentos) ao serviço do San Lorenzo. Leandro Romagnoli era o “maestro” e no ataque militava um futuro Leão, Alan Ruiz!

Todavia, a ambição do treinador foi maior do que se supunha e a 26 de Dezembro de 2013 aceita o convite para ingressar no Valência, agora como técnico principal. Um plantel “perdido” até podemos dizer que algo “destruído”, forçava a Pizzi ter “fome” e força para dar a volta à situação, já que “morava” num 11º lugar, que tinha mais “vista” para o fim da tabela do que para o topo.

Com o técnico espanhol, os Che conquistaram 12 vitórias e 10 empates, indo até às meias-finais da Liga Europa, o que mereceu vários elogios tanto da aficion como dos seus colegas de profissão. No Campeonato, o Valência terminaria no 8º lugar, o que os deixou fora das competições europeias para 2014-2015, mas este facto não preocupou a direcção do Valência que queria a todo o custo a renovação com Pizzi. Contudo, Peter Lim teve outros planos e ajudado por “forças divinas” afastou Pizzi e colocou no seu lugar (Nuno) Espírito Santo.

O fim abrupto da sua primeira experiência europeia, Pizzi forçou o regresso às Américas, mais em concreto para o México, onde apostou no Club León para voltar à ribalta e aos bons resultados. Após um ano e pouco ao serviço dos leoneses, Pizzi recebeu em Janeiro de 2016 uma chamada da Federação do Chile, pedindo ao treinador que ficasse com o lugar de Sampaoli no comando técnico. O espanhol não rejeitou e guiaria o Chile na conquista do Centenário da Copa América, reeditando a vitória de 2015, com um bicampeonato que ficou na memória de todos pela vitória nas grandes penalidades contra a Argentina de Lionel Messi.

Só que a “vida” tem destas coisas e uma vez um flop, sempre um flop… ou quase sempre. Pizzi viu a glória, conquistou-a, mas o Estado de Graça durou pouco mais de um ano e meio. A ida até à final da Taça das Confederações “enganou” os chilenos por completo, que sentiam que já estavam com um “pé e meio” no Mundial da Rússia… não contaram é com o desastre dos últimos jogos, que precipitou o Chile de cair de um 4º sólido lugar para um 6º.

O campeão da América do Sul estava, desta forma, fora do próximo Mundial e Pizzi voltou a ficar numa página negra de mais um clube, de forma imerecida diga-se. Como jogador ficou numa página “negra” do FC Porto (entrou naquela que foi a pior fase, até então, do tempo de Jorge Nuno Pinto da Costa no Dragão) e Valência, repetindo a “façanha” nos Ches (desde 1997 que o clube não falhava as provas da UEFA, algo que foi entendido como um fracasso gritante por Lim), Rosário Central e no Chile.

Pizzi na conferência de imprensa para as meias-finais da Taça das Confederações confidenciou que o tempo passado no FC Porto foi “Para mim foi uma grande experiência ter jogado no FC Porto e poder integrar uma das melhores equipas do mundo, que conseguiu a Champions. E poder viver numa cidade fantástica, com gente maravilhosa que me tratou, a mim e à minha família, muito bem.”.

Não guardou mágoa do seu tempo como suplente nos Dragões de Fernando Santos, demonstrando uma classe total no recordar do seu tempo com Fernando Santos, “Tive a oportunidade de trabalhar com o Fernando, toda a gente sabe do seu currículo, tenho o máximo respeito por ele e ficarei sempre agradecido por ter sido seu jogador”.

Será que Juan Antonio Pizzi merece ser chamado de Flop do FC Porto? Os dados e números apontam para esse facto, para além de toda a “algazarra” feita em torno da vinda do jogador para a Invicta que acabaria por se revelar uma decepção total. Como nas Antas, onde ganhou a Taça sem conseguir somar a “faixa” de Campeão Nacional, Pizzi conseguiu conquistar um Taça importante para o Chile, mas acabou por falhar o objectivo máximo: o apuramento para o Mundial 2018.

O futebol vibrante, carregado de emoção e de um estilo de posse e ataque “arrogante”, nunca conseguiu esconder os problemas na defesa (equipas sempre muito expostas aos contra-ataques, principalmente os que começavam nas laterais, ficando na retina uma desconexão total entre o último médio e o eixo da defesa) ou a liderança no balneário, aspectos fundamentais para o sucesso a longo prazo.

Fica a recordação dos quatro golos pelo FC Porto e da conquista da Copa América pelo Chile… e para onde vai agora o “Tango” castelhano de Pizzi?


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