23 Nov, 2017

Arquivo de Natação - Fair Play

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João BastosNovembro 10, 20178min0

Durante a presente época, o Fair Play irá ao encontro das Associações Regionais, procurando falar com os respectivos representantes. Com o IV Meeting do Algarve a decorrer no próximo fim-de-semana, em Vila Real de Santo António, começamos a ronda com o Presidente da Associação de Natação do Algarve, o ex-nadador Alexandre Agostinho


Alexandre, a tua última prova de absolutos foi em Maio de 2016 e seis meses depois foste eleito Presidente da ANALGARVE. Qual foi a tua principal motivação para abraçar este desafio?

AA: Depois de ter terminado a minha carreira como nadador desliguei-me um pouco da modalidade. Contudo foi o desporto que fez parte da minha vida durante quase 30 anos e tenho uma grande paixão, portanto não fazia sentido estar afastado de algo que me é tão importante. Nunca me tinha imaginado neste tipo de papel, mas quando me fizeram a proposta aceitei quase sem pensar. É uma maneira de continuar ligado à modalidade, colocar em prática todas as experiências e ideias que adquiri ao longo da minha carreira para melhorar a natação em Portugal e no Algarve

Quase a atingir um ano de mandato, que balanço intercalar se pode fazer até ao momento?

AA: Penso que seja um balanço positivo. Quando eu e a nova direcção tomamos posse deparámo-nos com uma enorme desorganização na associação. Os primeiros meses serviram para arrumar a casa e aos poucos estamos a estabilizar. Apesar disso, ainda há muita coisa a fazer e a melhorar, mas penso que ao fim de 4 anos estaremos todos satisfeitos com o resultado final.

Há 8 anos que ninguém consegue superar os teus recordes nacionais dos 50 e 100 livres em piscina curta e longa, mas na época passada o Miguel Nascimento ficou muito próximo. Para ti era especial passar o testemunho a um nadador que, para além de algarvio, foi teu companheiro de equipa?

AA: Sim. Mais que companheiro de equipa, considero o Miguel um amigo e protegido. De qualquer das formas há alguns anos que digo que será ele a bater os meus recordes e, infelizmente, o único com a capacidade para tal. Confesso que quando acontecer irei ficar triste, mas é um processo natural e será mais que merecido para ele.

Foto: Facebook Miguel Nascimento – Atleta

Para além de ti e do Miguel, a recordista nacional júnior dos 50 livres (Beatriz Viegas) também é algarvia. O que tem o Algarve de especial para produzir tão bons sprinters?

AA: Não creio que o Algarve tenha algo especial no que toca à formação de sprinters. É apenas uma questão de termos tido gerações que tenham motivado e dado o exemplo às gerações mais novas. É como uma bola de neve… o Miguel teve-me a mim como exemplo, possivelmente a Beatriz teve o Miguel como exemplo e por aí fora. Posso vos dar o exemplo dos 200 Estilos em Portugal. O Diogo Carvalho, Alexis Santos e agora o Gabriel Lopes. O mesmo se aplica aos treinadores, a interacção entre eles no seio da natação algarvia faz com que evoluam e consequentemente os resultados aparecem.

Nesta década já por três vezes o Algarve esteve representado na 1ª Divisão do Nacional de Clubes. É um indicador da evolução dos clubes algarvios?

AA: Penso que sim. O Algarve, não só na natação, sempre teve atletas de excelente nível. Mas por diversos factores nunca foi possível dar o próximo salto em termos qualitativos  e quantitativos para sermos uma potência como Lisboa ou Porto.

O reverso da medalha é que essas três participações não foram repetidas no ano seguinte. O que falta ao Algarve para que os clubes possam ser mais consistentes?

AA: Como foi mencionado na resposta anterior, há diversos factores. Um dos mais importantes é o número baixo de universidades. 90% dos nadadores algarvios quando acaba a escola secundária sai da região para os grandes centros urbanos, o que nos deixa com um número muito reduzido de nadadores seniores. Outro fator é a falta de piscinas de 50m cobertas. No inverno só temos 5 pistas de 50m, no Algarve todo, para treinar.

Apesar de ser das associações que abrange menor área geográfica, a ANALGARVE é a quarta maior em número de filiados nos escalões competitivos. O recrutamento está a ser bem feito pelos clubes?

AA: Sim, mas podia ser otimizado pelas autarquias no que toca à divulgação e prática da natação nas escolas. É difícil os clubes fazerem um bom recrutamento se não tiverem uma grande amostra nas escolas de natação.

Foto: FPN

E de um modo geral, as autarquias algarvias apoiam o desenvolvimento dos clubes e, por inerência, da Associação?

AA: Depende das autarquias, temos autarquias que são um excelente exemplo a seguir no que toca ao apoio desportivo, como por exemplo Loulé, Lagoa ou Tavira (peço desculpa se me estou a esquecer de alguma) e temos outras que poderiam fazer muito mais. Mas todos estes factores que foram falados anteriormente estão na agenda da ANALGARVE para serem melhorados.

O Meeting Internacional do Algarve vai para a sua quarta edição, este ano com a novidade de integrar o I Circuito Luso-Andaluz. Pode ser esperado um aumento da competitividade do Meeting?

AA: Tenho a certeza que este ano o Meeting será muito mais competitivo. O facto de estar inserido no I Circuito Luso-Andaluz vai fazer com que mais atletas espanhóis venham e consequentemente melhorar a qualidade. Neste momento temos mais de 150 atletas espanhóis inscritos. No futuro o objectivo será alargar a participação a outros países do mundo.

Fonte: Analgarve

Nas três anteriores edições do Meeting foram batidos 13 recordes nacionais, 5 dos quais absolutos. O que tem esta competição de especial para produzir tempos tão rápidos numa fase tão prematura da época?

AA: As condições da piscina de Vila Real de Santo António são ótimas. Depois o facto de ser uma das primeiras competições da época aliado a uma competição de nível internacional eleva sempre a motivação e rendimento dos nadadores.

E para este ano também há perspectivas de mais recordes nacionais?

AA: Espero que sim. É sempre difícil prever recordes nacionais em competições em que não estão programados picos de forma, mas espero que os nadadores continuem a transcenderem-se como nos anos anteriores.

Outra competição de referência no panorama nacional é o circuito de Mar do Algarve. A estratégia para o circuito passa por incluir mais provas também no regressado Circuito Nacional de Águas Abertas?

AA: A longo prazo sim. Mas visto que no ano passado tivemos a nossa primeira prova inserida no circuito nacional (Praia Grande em Ferragudo), não queremos expandir demasiadamente rápido sem consolidar primeiro as que já temos. Recentemente fizemos um protocolo com a Federação Andaluza de Natação no âmbito do qual realizamos algumas competições de natação pura em conjunto. Ficou acordado que num futuro próximo também iremos incluir algumas provas de águas abertas em Espanha no Circuito de Mar do Algarve.

Apesar da (óbvia) tradição que existe no Algarve nas águas abertas, de momento não encontramos nenhum algarvio na elite nacional das AA. O que pode mais fazer a ANALGARVE para incentivar a que mais nadadores pratiquem esta variante da natação?

AA: Infelizmente tem razão. Apesar de recentemente termos tido três atletas medalhados no circuito nacional, continuamos um pouco longe do nível que temos na natação pura, por exemplo. Ainda para mais sendo o Algarve uma região ligada ao mar. Possivelmente o trabalho dos clubes também não se foca tanto nessa vertente, mas temos que conseguir motivar e apoiar os clubes que se sentem motivados para a prática de Águas Abertas (AA). Por exemplo criar uma selecção regional de AA e participar em algumas provas fora da região ou país.

Para terminar, a nossa pergunta da praxe: Achas que há Fair Play na natação e, sobretudo, na natação algarvia?

AA: Pergunta sensível… A nível do Algarve e Portugal sim, há fair play. Apesar de ser um desporto individual a natação promove amizade e respeito entre os atletas. A nível mundial, com os escândalos de doping que têm surgido, cada vez mais há menos fair play.

Muito obrigado em nome do Fair Play e que enquanto dirigente tenhas tanto sucesso como enquanto atleta!

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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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