17 Ago, 2017

Arquivo de Ciclismo - Fair Play

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Davide NevesAgosto 8, 20176min0

Amaro Antunes é o último convidado na nossa mini-série de entrevistas a personalidades do ciclismo, depois dos irmãos Sabido, de Helena Dias e de Rui Vinhas. O ciclista português tem sido destaque nos últimos anos. No dia em que faz segundo no alto da Senhora da Graça, o Fair Play falou com Amaro Antunes.

 

fpAmaro, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play, por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples: como foi vencer no Alto do Malhão, no fecho da Volta ao Algarve 2017?

AA: Vencer na Volta ao Algarve já é algo inesquecível, ser junto de todos aqueles que mais carinho têm por mim é ouro sobre azul.

fp: A W52-FC Porto é uma equipa que domina no ciclismo nacional, havendo rumores de uma possível subida de escalão. O trabalho desenvolvido é diferente de outras equipas, ou a qualidade do grupo faz a diferença?

AA: Sem dúvida que a qualidade deste grupo é notória e creio que é a grande arma desta equipa.

fpQual foi a principal razão para a mudança para a W52-FC Porto?

AAFoi uma equipa que me reuniu todas as condições e oportunidades que ambicionava.

fpNeste ano, para além da vitória na Volta ao Algarve, e respetivo 5º lugar da geral, fechou também top-20 na Volta à Comunidade Valenciana e venceu o renomeado Troféu Joaquim Agostinho. Está a ser o melhor ano da carreira?

AA: Sim. Está a ser um ano fantástico tanto para mim como para a equipa.

fp: E qual foi a melhor vitória da carreira?

AA: Todas as vitórias têm o seu sabor especial, mas a vitória no Alto do Malhão é algo inesquecível para mim.

Amaro Antunes no Alto do Malhão. Um sonho tornado realidade.
(Foto: Região-Sul.pt)

fp: Qual é o significado de vencer um prémio que tem o nome do melhor ciclista português de todos os tempos?

AA: É algo que me enche de orgulho e motivação.

fp: Qual foi o país onde mais gostou/gosta de correr? 

AA: Itália.

fp: No ano passado, a W52 venceu a Volta a Portugal, colocando três ciclistas no top-5, com o Rui Vinhas a vencer. Como está a ser planeada a Volta a Portugal pela equipa e pelo Rui?

AA: É o principal objetivo da equipa. Logicamente, todos os atletas da equipa trabalham arduamente para aqui chegar na melhor forma e pudermos cumprir ao que nos propusemos.

fp: A Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua opinião, o grande problema?

AA: Creio que o facto de a data ficar bastante perto da Volta a Espanha poderá ser uma das causas.

fp: Proponho um desafio, então. Gostaria de saber, para si, quem foram os cinco melhores ciclistas que viu a atuar em Portugal, na Volta.

AA: Pessoalmente vibrava bastante com o Cândido Barbosa na Volta a Portugal.

fp: Quem parte com favoritismo para esta edição?

AA: Creio que esta edição da Volta está bastante equilibrada, todas as equipas têm as suas armas e todas elas são favoritas.

fpEm 2015 e 2016, ficou em 4ºlugar nos campeonatos nacionais de estrada. Quando poderemos ver o Amaro como campeão nacional?

AA: É algo que não se pode afirmar, mas é algo que posso assumir que ambicionava.

fp: Portugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

AA: Sem dúvida alguma. Portugal tem muita qualidade.

fp: Em jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

AA: Gosto bastante do Alberto Contador, pela sua entrega e garra. Em relação ao português, pelos resultados e por tudo o que tem feito pelo nosso país, Rui Costa.

fp: Qual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

AA: Acho que seria benéfico tanto para o ciclismo português, como para todos nós, ciclistas.

fp: Num nível mais pessoal, como é a vida de ciclista? Muitas viagens, muito treino, pouco tempo em casa. Acredito que seja duro…

AA: É uma vida de bastantes sacrifícios e privacidades, mas é algo que já estamos habituados.

fpPor fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

AA: Por vezes sim, outras vezes não.

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Davide NevesAgosto 4, 20173min0

A Volta a Portugal está de volta. Apesar de não trazer grandes nomes, nem equipas de topo, promete espetáculo, principalmente na etapa que culmina na Senhora da Graça. Sem chegada à Torre, promete ser bastante… antecipado o nome do vencedor desta edição: é só escolher dentro da equipa W52-FC Porto, uma equipa que está a frente de todas as outras. A Volta a Portugal começa esta sexta e decorre até ao dia 15 de Agosto.

A Volta que pára o país já não é o que era. Outrora uma prova que trazia equipas que preparavam a Vuelta, foi ultrapassada e agora não pode receber sequer equipas World Tour, ao contrário da Volta ao Algarve ou da Volta ao Alentejo. Apesar disto, o país continua com expetativa de ver os ciclistas a passarem, numa prova que inicia em Lisboa e termina num contra-relógio em Viseu.

As equipas

Rebellin e a equipa Kuwait-Cartucho.es.
(Fonte: Cyclingpro.net)

São 6 as equipas portuguesas em prova: W52-FC Porto, Efapel, Rádio Popular-Boavista, LA Alumínios, Sporting-Tavira, Louletano-Hospital de Loulé. Juntam-se a estas 12 equipas estrangeiras, com a equipa israelita (Israel Cycling Academy) a ser a equipa mais reputada, por ser equipa Pro Continental (segundo escalão do ciclismo), enquanto que todas as outras são Continental (terceiro escalão do ciclismo). Entre as equipas estrangeiras, destaque para a Euskadi, a JLT-Condor, a Armee de Terre ou a Unieuro-Trevigiani. A Kuwait-Cartuchos.es traz os bem conhecidos Davide Rebellin e Stefan Schumacher. Rebellin, com 45 anos, conta com um grande palmarés, com vitória no trio das Ardenas (Amstel Gold Race, Fleche Wallone e Liège-Bastogne-Liège), no Tirreno-Adriático e no Paris-Nice, bem como uma vitória de etapa no Giro d’Italia, em 1996, onde andou 6 dias com a camisola rosa.

O Favorito

A equipa da W52-FC Porto.
(Fonte: desporto.sapo.pt)

Em condições normais, diríamos que o corredor “x” seria o favorito. E poderíamos fazê-lo agora mesmo, ao apontar Gustavo “Papá” Veloso como o grande favorito a vencer a Volta a Portugal. Mas sentimos que deveríamos colocar toda a equipa W52-FC Porto aqui, nesta categoria. Para além do espanhol, a equipa do norte conta com Amaro Antunes, Rui Vinhas, Ricardo Mestre, António Carvalho ou Samuel Caldeira. Uma equipa de luxo, que poderá estar para subir ao escalão Pro-Continental. A quantidade enorme de vitórias assusta de uma forma positiva, e começamos a perguntar-nos, no início de uma prova nacional, se “será desta que a W52-FC Porto não vence?”. Um caso á parte.

Os candidatos

O principal concorrente à W52 seria Jóni Brandão, mas com a doença que o afetou, a Sporting-Tavira irá ter todas as suas atenções viradas para Rinaldo Nocentini, que fez pódio nos campeonatos nacionais de estrada italianos. A Efapel confia em Sérgio Paulinho e na sua experiência, a Louletano-Hospital de Loulé em Vicente de Mateos, a LA Alumínios em Edgar Pinto e César Fonte, e a Rádio Popular-Boavista conta com o trio composto por Rui Sousa, Filipe Cardoso e o também muito conhecido Igor Silin.

No que diz respeito a nomes de equipas estrangeiras, nomes como Ian Bibby e Brenton Jones (JLT-Condor), Jason Lowndes (Israel Cycling Academy), o sensacional João Almeida (Unieuro-Trevigiani), Garikoitz Bravo (Euskadi), Damien Gaudin e o irmão de Julian Alaphillippe, Bryan Alaphillipe (Armée de Terre).

 

Uma prova que já foi icónica, mas que perdeu o brilho nos últimos (largos) anos. É assim a Volta a Portugal em Bicicleta, com início esta sexta-feira.

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Davide NevesAgosto 3, 20177min0

Rui Vinhas é o próxima convidado na nossa mini-série de entrevistas a personalidades do ciclismo, depois dos irmãos Sabido e de Helena Dias. O ciclista português foi destaque no ano passado, com a vitória na Volta a Portugal. Este ano, por exemplo, foi segundo nos Campeonatos Nacionais de Estrada. A um dia do início da Volta a Portugal, o Fair Play falou com o atual dorsal nº1.

 

fp: Rui, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play,
por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples: qual é a sensação de vencer a nossa volta, a Volta a Portugal?

RV: Uma sensação muito boa. Trata-se da prova rainha do ciclismo nacional

fp: A W52-FC Porto é uma equipa que domina no ciclismo nacional, havendo rumores de uma possível subida de escalão. O trabalho desenvolvido é diferente de outras equipas, ou a qualidade do grupo faz a diferença?

RV: O trabalho é desenvolvido de forma normal com muita dedicação e muito profissionalismo. Quanto ao
grupo somos muito unidos e isso faz toda a diferença.

fpQual é a principal razão para o sucesso da W52-FC Porto?

RV: Muita dedicação de toda a equipa e uma boa tática por parte do diretor desportivo.

fp: 2016 foi o seu melhor ano?

RV: Sim, sem dúvida.

fp: E qual foi a melhor vitória da carreira?

RV: A Volta a Portugal e ser o atleta do ano do FC Porto

Rui Vinhas está optimista na vitória da W52-FC Porto.
(Foto: desporto.sapo.pt)

fp: O Rui disse, após a sua vitória na Volta, que é um ciclista que “faz o que lhe pedem”. A vitória na Volta a Portugal foi algo surpreendente, tendo em conta que não era o líder da equipa. Houve uma mudança de liderança na equipa depois daquela fuga fantástica?

RV: Não. O líder continuou a ser o Gustavo mas fui igualmente protegido, pela equipa, após a fuga.

fp: Qual foi o país onde mais gostou/gosta de correr? 

RV: Portugal.

fp: No ano passado, a W52 venceu a Volta a Portugal, colocando três ciclistas no top-5, com o Rui a vencer. Como está a ser planeada a Volta a Portugal pela equipa e pelo Rui?

RV: Da mesma forma que o ano transato. Temos o Gustavo como líder e eu estarei às ordens do diretor

fp: A Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas
que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua
opinião, o grande problema?

RV: O calendário não é propicio devido ao “poder” das outras grandes voltas.

fp: Proponho um desafio, então. Gostaria de saber, para si, quem foram os cinco melhores ciclistas que viu a atuar em Portugal, na Volta.

RV: Nuno Ribeiro, Gustavo Veloso, Cândido Barbosa, David Blanco, e Joaquim Gomes

fp: Quem parte com favoritismo para esta edição?

RV: Gustavo Veloso, Raul Alarcón, Edgar Pinto, Sérgio Paulinho, Alejandro Marque, Rinaldo Nioncentini,
Vicente de Mateos e João Benta

fp: Em 2017, ficou em 2ºlugar nos campeonatos nacionais de estrada. Quando poderemos ver o Rui Vinhas a vestir como campeão nacional?

RV: É um dos grandes objetivos envergar as cores nacionais. Este ano estive perto, não foi possível mas
continuarei na luta.

fp: Portugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

RV: Sim. O Rui Costa encontra-se num bom caminho e os restantes têm estado em bom plano e a qualquer
momento podem surgir essas vitórias

fp: A nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que têm ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa?

RV: Sim. Os mais jovens têm mostrado garra e dedicação e espero ver grandes vitórias.

fp: Como viveu a vitória do Rui Costa em Florença, em 2013? Esse dia foi histórico para o desporto português, com a vitória também do tenista João Sousa num torneio ATP…

RV: Foi um orgulho para nós portugueses ver o Rui Costa a sagrar-se campeão mundial de ciclismo

fp: Em jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

RV: Eddy Merckx e o Joaquim Agostinho, apesar do Rui Costa estar no caminho indicado para ser o melhor
ciclista português de todos os tempos.

fp: Qual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

RV: Era bom isso acontecer.

fp: Num nível mais pessoal, como é a vida de ciclista? Muitas viagens, muito treino, pouco tempo em casa. Acredito que seja duro…

RV: Não é fácil. São muitos dias fora de casa, muito empenho, dedicação e sofrimento.

fpPor fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

RV: Dentro da corrida cada equipa tem os seus objetivos, fora de competição existe uma boa relação entre
todos.

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Davide NevesAgosto 1, 201712min0

Helena Dias é a próxima convidada na nossa mini-série de entrevistas a personalidades do ciclismo, depois dos irmãos Sabido. Com um conhecimento vasto sobre o ciclismo nacional e com uma paixão imensa pela modalidade, Helena Dias realiza um trabalho verdadeiramente notável no acompanhamento das provas nacionais e na participação dos ciclistas portugueses em provas no estrangeiro. No dia de aniversário do Fair Play, Helena Dias antevê a Volta a Portugal.

 

fpHelena, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play, por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples e atual: como nasceu a paixão pelo ciclismo?

HD: A paixão pelo ciclismo surgiu com a Volta a Portugal. Em pequena ficava pregada ao televisor todos os verões a ver a Volta. Tudo me fascinava, desde o colorido do pelotão até à fuga, pela qual torcia diariamente. Para além disso, sempre nutri uma profunda admiração por Marco Chagas, primeiro como ciclista e posteriormente enquanto comentador, com quem aprendi a ouvir os seus comentários televisivos. Bem mais tarde, em 2010 comecei a olhar ao ciclismo internacional e a colaborar profissionalmente com a modalidade.

fpO FC Porto e o Sporting regressaram no ano passado ao ciclismo, depois de terem estado de fora durante vários anos. Existem rumores que o SL Benfica poderá regressar também. Acha que os seus regressos contribuíram para elevar a modalidade?

HD: Não sei se elevar será o melhor termo para descrever os seus regressos. Trouxeram um maior mediatismo, não tanto quanto pessoalmente esperava relativamente ao interesse dos meios de comunicação social. Trouxeram um melhoramento monetário às respectivas equipas, com as quais reentraram no ciclismo, e também um melhoramento nas condições dadas aos ciclistas. Contudo, neste tema tenho uma opinião muito similar à já referida por Marco Chagas. Gostaria que os clubes de futebol tivessem regressado com estruturas próprias e não as já existentes, principalmente no que toca ao caso da equipa Sporting-Tavira, que viu um clube histórico como o Clube de Ciclismo de Tavira ficar à sombra do clube leonino.

fpQual é a principal razão para o sucesso da W52-FC Porto?

HDA resposta a esta pergunta é complicada. Na minha modesta opinião, penso haver um conjunto de factores que conduzem ao sucesso da W52-FC Porto. Primeiramente, o factor Gustavo Veloso, pois foi um dos pilares que fez a estrutura permanecer de pé nos difíceis primeiros anos em que a equipa subiu ao escalão continental. Além de ser um ciclista de qualidade comprovada, não só pelas vitórias na Volta a Portugal como na Volta a Catalunha, Gustavo é visto carinhosamente como o “papá Veloso” por todos os que pedalam a seu lado e penso que isso diz muito do seu carácter, que une e fortifica o grupo. O factor monetário conjugado com a qualidade do plantel é também fundamental, pois esta equipa consegue contratar um conjunto de ciclistas de grande qualidade. Podemos vê-lo no ranking nacional da APCP “Ciclista do Ano”, onde tem actualmente cinco ciclistas no Top 20, liderando com Amaro Antunes e estando no comando do ranking “Equipa do Ano”. O factor Nuno Ribeiro, ex-ciclista profissional e vencedor da Volta, que exerce a função de director desportivo, sublinhando-se a forma como integra cada elemento da equipa e dá oportunidade a todos de competirem por igual nas diversas provas ao longo da temporada. Por último o factor união, pois ao interagir com o grupo percebemos que são muito mais do que uma equipa, mostrando respeito e lealdade entre todos.

fpA Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua opinião, o grande problema?

HD: O escalão em que a Volta a Portugal está actualmente inserida não pode receber equipas WorldTour no seu pelotão. Têm-se feito esforços para que suba de escalão, como aconteceu esta temporada com a Volta ao Algarve, que já anteriormente podia receber equipas WorldTour, e a Volta ao Alentejo, que passou a poder integrar estas equipas. A meu ver, um dos principais problemas da Volta a Portugal passa pelo descurar do calendário por parte da UCI, que ao longo dos anos deixou proliferar inúmeras corridas para os mesmos dias da nossa Volta, que já tem de lidar com a proximidade da Vuelta a España. Fala-se sobre mudar a Volta para outro mês do ano, pessoalmente não vejo que essa seja a melhor solução.

fpComo é comentar ocasionalmente, em televisão, provas como o Giro d’ Italia ou o Tour de France, na Eurosport Portugal?

HD: É o coroar de um sonho e de anos de estudo. Licenciei-me em Comunicação Social e Cultural e sempre sonhei trabalhar em televisão, mas tomei outro rumo profissional. O primeiro convite para comentar uma etapa do Giro surgiu em 2014, sem estar à espera, e este ano o Eurosport renovou o convite no Giro e no Tour. Acaba por ser a junção de duas paixões, a televisão e o ciclismo, com o acréscimo de se tratar de duas das maiores provas do ciclismo mundial.

Helena Dias faz o acompanhamento das provas nacionais ao detalhe. (Foto: Facebook Helena Dias)

fpQuem parte com favoritismo para esta edição da Volta a Portugal?

HD: Sem dúvida alguma, a W52-FC Porto e Gustavo Veloso. Esta temporada, tem mostrado ser a equipa mais forte nas provas disputas até ao momento e é a defensora do título da Volta a Portugal, que vem conquistando consecutivamente desde 2013. O Gustavo é o líder assumido e tem duas Voltas no seu palmarés, mas a equipa tem outros nomes capazes de vencer a Volta, como demonstrou na edição transacta o vice-campeão nacional Rui Vinhas.

fpPortugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

HD: Tenho quase 100% de certeza. Não só com os nomes referidos, não esquecendo o talento em maturação Nuno Bico, como também um ou outro rosto que poderá subir ao WorldTour num futuro próximo.

fp: A nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que têm ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa?

HDO Campeonato do Mundo é uma corrida muito particular, talvez das provas de um dia mais difíceis de vencer pelo seu significado e consequente entorno psicológico que envolve o ciclista. Ser campeão do mundo, seja qual for o desporto em causa, é de uma grandeza sem igual para qualquer atleta. O feito alcançado por Rui Costa, da forma lutadora e sábia como foi conseguido, tem um valor incomensurável para o ciclismo português. A vitória nesta prova depende muito do percurso em causa se adequar ou não às características de cada um dos ciclistas portugueses. O potencial de Rui Costa continua lá para envergar novamente a camisola arco-íris, mas não seria surpresa para mim ver no futuro essa camisola no corpo de Rúben Guerreiro.

fpA Helena faz a cobertura detalhada da participação nacional em provas lá fora, bem como a cobertura de todas as provas de ciclismo nacionais, algo que é notável… O seu trabalho já começa a ser reconhecido, nomeadamente através do seu blog?

HD: O meu trabalho começou por ter reconhecimento internacional, visto eu ter começado a colaborar no ciclismo com uma empresa espanhola, a Pedaleo, que me ligou aos meios de comunicação estrangeiros, ciclistas e equipas internacionais. Posteriormente, quando iniciei a colaboração com a Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, chegou o maior dos reconhecimentos que poderia ter… o pelotão nacional e os ciclistas portugueses, a quem sempre agradeço a disponibilidade imediata na colaboração com o meu blog Cycling & Thoughts. Embora tenha em conta que este é um nicho de mercado em Portugal, estou satisfeita com o crescimento do blog e a receptividade dos fãs de ciclismo, com quem tento ter uma proximidade e troca de ideias através das redes sociais, pois é para eles que escrevo.

fpEm jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

HD: Eu não tenho opinião quanto ao melhor ciclista de sempre. Penso que é sempre redutor dizer apenas um nome, quando não podemos comparar ciclistas de características diferentes. Há ciclistas que marcam as minhas memórias em diferentes momentos. No que toca aos portugueses, Marco Chagas por ser o português com maior número ganho de Voltas a Portugal, passando pela força da natureza que foi Joaquim Agostinho, o campeão do mundo Rui Costa e o nosso ciclista mais internacional dos recentes anos Sérgio Paulinho, que construiu uma carreira singular ao serviço das melhores equipas do pelotão internacional. Relativamente aos estrangeiros, Alberto Contador surge no topo da lista por ser um exemplo de superação pelo grave problema de saúde que passou em 2004, regressando à competição quando pouca probabilidade tinha de conseguir fazê-lo, por tudo o que conquistou até hoje e por ser dono de uma garra, classe, impetuosidade e querer quase inabalável, como referi há dias. Numa escala diferente, o vencedor de cinco Voltas a Portugal David Blanco, o galego mais luso de todos os tempos no coração dos portugueses.

fpQual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

HD: A Volta a Espanha já esteve em Portugal, se não me engano em 1997 quando partiu de Lisboa. Nos mais recentes anos tem-se falado sobre a possibilidade de voltar a começar em território luso, nomeadamente no norte. Pelo que tenho tido conhecimento, o factor monetário tem sido o principal entrave para que tal suceda, pois como é do conhecimento de todos Portugal e consequentemente os municípios têm passado por restrições orçamentais. Mas é claramente benéfico para o ciclismo nacional voltar a ter Portugal no mapa da Vuelta.

fpA Volta a Portugal pretende inovar, mas a não inclusão de uma chegada na Torre causa alguma indignação. Acha que a Torre deveria ser quase obrigatória com final da etapa-rainha?

HD: Para a maioria do público, retirar o final de etapa na Torre é como retirar o ex-líbris da Volta a Portugal. Trata-se de um símbolo da Volta, que prende os aficionados ao ecrã da televisão para descobrir quem será o rei da Torre e retirar esse símbolo é um facto que causa a referida indignação. Para equipas e ciclistas, retirar a subida final ao ponto mais alto de Portugal Continental é negar a possibilidade de produzir maiores diferenças de tempo entre os candidatos à vitória final da camisola amarela.

 

fpPor fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

HD: Penso que é dos desportos onde há maior fair play entre os atletas e isso pode comprovar-se no final das etapas, quando ciclistas de diferentes equipas cumprimentam o rival pela vitória acabada de alcançar.

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Davide NevesJulho 30, 20179min0

Hugo Sabido é um nome bem conhecido dos adeptos do ciclismo nacional. O português, de 37 anos, correu grande parte da sua carreira em Portugal, tendo finalizado a sua carreira no fim do ano passado. Esta entrevista continua a mini-série de antevisão á Volta a Portugal 2017, depois da entrevista ao seu irmão, Nuno.

fpHugo, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play, por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples: ainda guarda mágoa por ter encerrado a carreira de forma tão abrupta?

HS: Eu é que agradeço a entrevista pois é, para mim, um prazer responder às questões que me colocam. Relativamente à questão, sim, ainda sinto uma mistura de sentimentos relativos ao fim da minha carreira desportiva. Mágoa, revolta e saudosismo são sentimentos em constante movimento na minha cabeça.

fpO FC Porto e o Sporting regressaram no ano passado ao ciclismo, depois de terem estado de fora durante vários anos. Existem rumores que o SL Benfica poderá regressar também. Acha que os seus regressos contribuíram para elevar a modalidade?

HS: Foi importante pelo impacto mediático que tem na comunicação social e consequentemente no público em geral. Desta forma e com a vinda para o ciclismo de clubes ligados ao futebol, adeptos que não seguiam o ciclismo, despertam para esse interesse. 

fpQual é a principal razão para o sucesso da W52-FC Porto?

HS: A principal razão é o facto de ter uma estrutura montada deste o tempo da equipa OFM-Quinta da Lixa. Portanto, é já uma estrutura com muita experiência e ao longo destes últimos anos, sem grandes mexidas no plantel. 

fp: Consegue escolher qual foi o seu melhor ano?

HS: No aspecto desportivo, destaco o ano de 2004, onde terminei em 2º lugar da geral individual na Volta à Polónia, com a conquista da etapa rainha; 2005, no qual venci a Volta ao Algarve e a etapa rainha com chegada ao Alto do Malhão; 2011, onde venci o prólogo da Volta a Portugal em Fafe e 2012, quando concluí a Volta a Portugal na 2ª posição da geral individual, atrás do recordista de vitórias na Volta. 

No aspecto de realização profissional, a minha passagem pela Team Barloworld, entre os anos de 2006 e 2008, foram muito enriquecedores, dos quais adquiri muita experiência internacional. 

Hugo Sabido de amarela, na Volta a Portugal 2012.
(Fonte: Temporada Caldas Novas)

 

fp: E qual foi a melhor vitória da carreira?

HS: A 1ª vitória como profissional, é sempre especial e a chegada a Águeda, no GP Abimota de 2002, foi especial, no entanto coloco-a em pé de igualdade com a vitória final da Volta ao Algarve de 2005 e do Prólogo da Volta a Portugal de 2011

fpAinda se sente em forma para um possível regresso ao ciclismo?

HS: Não, nada disso. O capitulo competitivo está encerrado. Gostava sim, um dia mais tarde, gerir uma equipa de ciclismo profissional e assim, voltar a sentir o “bichinho” da competição. 

fp: Qual foi o país onde mais gostou/gosta de correr?

HS: Destaco Austrália e África do Sul, pelas paisagens e cultura, mas Portugal não fica nada atrás e mesmo correndo numa equipa estrangeira, estava sempre desejoso de competir no meu país. 

fp: A Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua opinião, o grande problema?

HS: A Volta a Portugal, surge no calendário internacional, numa altura do ano, onde já existe muita carga competitiva para as melhores equipas do mundo e existindo competições mais próximas da base de operações, sem a necessidade de deslocar muita da estrutura que acompanha uma equipa de ciclismo do WorldTour, estas preferem estar mais próximo do centro europeu, sem se deslocarem para o país mais a Oeste da União Europeia. 

fp: Proponho um desafio, então. Gostaria de saber, para si, quem foram os cinco melhores ciclistas que viu a atuar em Portugal, na Volta. 

HS: Damiano Cunego, Alessandro Petachi, Cândido Barbosa, David Blanco e Luis Leon Sanchéz. 

fpQuem parte com favoritismo para esta edição?

HS: Prefiro destacar a equipa W52-FC Porto, como um todo e não individualizar. Valem-se pelo colectivo forte. 

fpPortugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

HS: Claro que sim. Temos atletas de muita qualidade. Aliás, sempre tivemos, mas agora, felizmente e finalmente, já começamos a ter mais atletas no maior escalão do ciclismo internacional. 

fpA nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que têm ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa?

HS: Podemos sempre sonhar e acreditar que será possível alcançar o feito do Rui Costa, no mundial de Florença, mas terão ainda de trabalhar e aprender muito. No entanto, não descarto tal feito, pois existe muita qualidade. 

fpComo viveu a vitória do Rui Costa em Florença, em 2013?

HS: Esse dia foi histórico para o desporto português, com a vitória também do tenista João Sousa num torneio ATP…

Estava a ver em directo na TV e estava a delirar com a aproximação à meta do Rui. Foi um momento fantástico e resultou de uma corrida muito táctica e inteligente por parte do Rui. 

fpEm jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

HS: Embora não tenha sido do meu tempo, destaco o Eddy Merckx como o melhor de sempre, no entanto, para mim, Miguel Indurain e Lance Armstrong foram ídolos dos meus últimos anos de Sub-23 e primeiros como Profissional. 

Quanto ao melhor ciclista de sempre, Português, para mim, Rui Costa. 

fpQual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

HS: Pode acontecer, tal como já aconteceu anteriormente. É uma questão financeira, pela qual a organização da Volta a Espanha possa optar por incluir uma ou mais etapas a passar por território nacional. 

fpNum nível mais pessoal, como é a vida de ciclista? Muitas viagens, muito treino, pouco tempo em casa. Acredito que seja duro…

HS: É um dos desportos mais difíceis, a nível físico e consequentemente, mais rigoroso em termos alimentares e de descanso. 

Para obter a melhor performance, o atleta tem de se focar no treino, no descanso e na nutrição.

fpPor fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

HS: De um modo geral, sim, existe. É algo que está intrínseco ao atleta profissional, mas claro, existem exceções, pois em detrimento de alcançar resultados, alguns atletas esquecem esse Fair Play. 

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Davide NevesJulho 29, 20178min0

Nuno Sabido é um nome conhecido dos adeptos do ciclismo. O português, de 46 anos, destacou-se sobretudo na vertente técnica da modalidade, sendo também comentador desportivo. Esta entrevista abre uma mini-série onde mais personalidades ligadas à modalidade serão entrevistados, com antevisão á Volta a Portugal 2017.

fpNuno, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play, por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples: o que achou da Volta a França?

NS: A 104.ª Edição da Volta a França em Bicicleta, não deixou de ser e de ter o espetáculo pelo qual ansiava. Porém, creio que por influência dos percursos escolhidos, as duas primeiras semanas não satisfizeram as minhas expectativas.

O melhor contudo, esteve de facto guardado para o final, com a 3.ª semana de Corrida, a compensar as anteriores.

O Ciclismo moderno é muito valioso, tendo-se tornado muito estratégico. A ousadia faz cada vez mais parte do passado e raramente vence Corridas.

fp: Em Portugal, o FC Porto e o Sporting regressaram no ano passado ao ciclismo, depois de terem estado de fora durante vários anos. Existem rumores que o SL Benfica poderá regressar também. Acha que os seus regressos contribuíram para elevar a modalidade?

NS: Naturalmente que o aparecimento de novas Equipas em Portugal é absolutamente positivo e necessário.

A velocipedia nacional carece no entanto, de novos Projetos profissionais, com novas mentalidades e com outros valores.

O regresso destas equipas ao Ciclismo profissional, não contribui porém, para alterar o marasmo em que o mesmo está mergulhado á décadas.

fpQual é a principal razão para o sucesso da W52-FC Porto?

NS: Considero não apenas uma razão, mas várias, entre as quais destaco: a noção de responsabilidade e organização existente nos dirigentes, em nunca desiludirem os Atletas, provoca nos mesmos, “um estado” de invencibilidade, fazendo despoletar uma solidariedade interna, que resulta numa união exemplar e extremamente sólida.

“Um Atleta feliz é um Atleta vencedor”.

fp: A Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua opinião, o grande problema?

NS: Não existe nenhum problema, existem sim condicionantes. A data em que a mesma se realiza colide diretamente com os interesses desportivos das equipas WorldTour. É no entanto, a data ideal, para A Volta a Portugal e para tudo o que a mesma faz movimentar e representa.

As características da Volta a Portugal tornam-na numa das Corridas mais exigentes do ponto de vista físico e mental, sendo também por isso, muito difícil derrotar os Atletas das equipas portuguesas. 

fpComo é comentar, em televisão, provas como o Tour de Suisse (na CMTV) ou a Vuelta a España (na TVI24)?

NS: Todas as minhas atividades profissionais estão diretamente ligadas ao desporto e em particular ao Ciclismo, passo literalmente 24h sobre 24h a trabalhar com Aletas e a pensar em Ciclismo.

Comentar Ciclismo é no entanto, o que mais gosto de fazer. Deixa-me em total êxtase.

Nuno Sabido é comentador regular de ciclismo na TVI 24.
(Foto: Jornal Record)

fp: Quem parte com favoritismo para esta edição?

NS: Definitivamente um Atleta do W52 – FC Porto.

fpPortugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

NS: É perfeitamente legítimo e racional que pensemos assim e que acreditemos no valor da maioria dos Atletas referidos. Entre os demais, o Rui Costa é um dos melhores Atletas do mundo e já provou por várias vezes, que tudo é possível.

fpA nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que têm ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa?

NSAbsolutamente.

No Ciclismo moderno, os Atletas portugueses são cada vez mais favoritos.

fpComo viveu a vitória do Rui Costa em Florença, em 2013? Esse dia foi histórico para o desporto português, com a vitória também do tenista João Sousa num torneio ATP…

NS: Vi (como não podia deixar de ser) atentamente toda a Corrida na companhia do meu irmão Hugo Sabido. Na passagem pelos ~3 kms finais, já transpirávamos das palmas das mãos, antevendo efusivamente a sua vitória. Escusado será dizer que entre nós (eu e o meu irmão) foi o êxtase total e a emoção foi de facto ao extremo.  Como em outras ocasiões especiais e memoráveis, uma vez mais (literalmente) choramos de alegria.

Naturalmente que a vitória do Rui Costa, preencheu plenamente o meu estado de espírito, ofuscando o elevado feito do tenista João Sousa.

fpEm jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

NS: Como vivo o presente e no presente, não tenho qualquer dúvida em nomear o Rui Costa como o melhor ciclista português.

No entanto reconheço que num passado mais longínquo existiram Atletas formidáveis como o Joaquim Agostinho e claro, o meu amigo Alves Barbosa, que continua a ser o Atleta mais vencedor em território nacional.

No âmbito mundial, pelas suas façanhas desportivas, o inquestionável Eddy Merckx é impar, mas como a sua última aparição em corrida remonta a 18 de Maio de 1978, não tive o privilégio de conhecer em tempo real as suas proezas. Por este motivo, elejo o Peter Sagan como o melhor Ciclista mundial e de quem o Ciclismo mundial muito necessita.

fpQual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

NS: Seria uma visibilidade muito relativa, que acabaria por ser totalmente absorvida ou ofuscada pelo país vizinho.

A “anexação” da Volta a Portugal pela Volta a Espanha não seria favorável para a primeira.

fpA Volta a Portugal pretende inovar, mas a não inclusão de uma chegada na Torre causa alguma indignação. Acha que a Torre deveria ser quase obrigatória com final da etapa-rainha?

NS: O território nacional é de facto muito acidentado, ainda assim, carece de locais com montanhas exemplares.

Naturalmente no nosso território continental, a Serra da Estrela é única, no que diz respeito às suas características naturais. Obviamente que a inclusão de uma chegada à Torre oferece um espetáculo único e inequívoco, mas se os responsáveis locais não estão sensibilizados, nem motivados para receber a Volta a Portugal, obviamente que a sua estrutura organizadora não pode a troco de nada, proporcionar o espetáculo no local. 

fp: Por fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

NS: Em Portugal não!

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Davide NevesJunho 29, 20177min0

É verdade. Chegámos àquela altura do ano em que toda a gente vê ciclismo. O Tour de França está de regresso para mais uma edição e conta, como sempre, com grande maioria dos ciclistas de renome da atualidade. O Tour não é, atualmente, a competição mais excitante, mais entusiasmante, com mais reviravoltas. Mas, para quem é “novato” neste desporto, o Fair Play aconselha vividamente a ver uma das mais emblemáticas provas do desporto mundial.

A prova começa este ano com um contrarrelógio individual, de 14 quilómetros, em Dusseldorf (Alemanha), com Tony Martin (Katusha-Alpecin) a procurar vencer em casa. Com uma inovação, a organização surpreendeu muitos com o traçado deste ano, principalmente nas etapas de montanha, com novas subidas, que fazem lembrar os famosos “muros” do Giro (pode ler o balanço aqui) – curtos, mas com uma intensidade brutal. A montanha está sempre presente, com passagens nos Pirinéus, no Maciço Central e nos Alpes. Existirá outro contrarrelógio individual, na etapa 20, de 22.5 quilómetros, em Marsellha, que deverá decidir muitas posições na geral.

Apesar de haver apenas 3 etapas com fecho em alto, o livro de prova conta 23 subidas categorizadas. Existem bonificações, com o prémio de 10, 6 e 4 segundos aos três primeiros de cada etapa (com exceção dos dois contrarrelógios). A primeira semana está reservada aos sprinters, e aos barouders, que irão procurar vingar numa fuga. São 3540 quilómetros de pura adrenalina e de pura emoção!

 

O Favorito (vocês sabem quem é)

A ameaça é clara: Chris Froome sabe como vencer o Tour. Mas este ano pode não acontecer o mesmo…
(Foto: The Independent)

Já adivinhou? Dou uma última pista: o nome começa em Chris e acaba em vrooom! Como sempre, o favorito para esta prova é Chris Froome (Sky). O inglês ainda não mostrou nada este ano, com uma prestação muito má no Tour de Romandie e outra menos má no Critérium du Dauphiné. O Tour é “a praia” de Froome, que já nos habituou a vê-lo passear em terras francesas. Depois das vitórias em 2013, 2015 e 2016, o britânico de 32 anos procura ultrapassar Greg Lemond, Louison Bobet, e Phillippe Thys (todos com três vitórias), e ficar cada vez mais perto dos quatro magníficos do Tour: Bernard Hinault, Jacques Anquetil, Miguel Indurain e o inenarrável Eddy Merckx (todos com 5). Este ano a concorrência é forte, com os seus adversários diretos a mostrarem estar em grande forma.

E o que se há-de dizer da grande equipa para o apoiar? Sergio Henao, Mikel Nieve, Luke Rowe, Michal Kwiatkowski, Vasil Kiryienka, Christian Knees, Mikel Landa e Geraint Thomas. Uma palavra apenas: Luxo.

Os pretendentes ao trono

Richie Porte está numa grande forma. Será desta que destrona Froome?
(Foto: abc.net.au)

A edição 104 do Tour tem um recheio bem grande de pretendentes à icónica camisola amarela. Começando desde já com Nairo Quintana (Movistar). O colombiano finalizou em segundo no Giro, e está completamente concentrado em destronar Froome do trono amarelo. Para isso, conta com a ajuda do inevitável Alejandro Valverde, bem como dos trepadores de serviço: Andrey Amador, Carlos Betancur e Jesús Herrada.

Richie Porte (BMC) é, muito provavelmente, o principal alvo a abater para Chris Froome. O australiano, antigo colega de equipa (e peça nuclear na conquista do britânico em 2013), aparenta estar numa forma incrível, e o traçado da prova ajuda-o bastante. Leva, para ajuda direta na montanha, Nicolas Roche e o surpreendente Damiano Caruso, bem como os caça-etapas – Alessandro de Marchi e o “nosso” Deus do Olimpo, Greg van Avermaet, com Stefan Kung a apostar tudo nos dois contrarrelógios.

Quem olha para estes com sede de vencer é Alberto Contador (Trek-Segafredo). O veterano leva um grupo de sonho, forte em todas as vertentes (Mollema, Degenkolb, Felline, Pantano, Irizar ou Zubeldia). Será que é desta que o espanhol volta às vitórias?

A armada francesa também procura uma vitória no seu “Tour”. Thibaut Pinot (FDJ), procura aqui honrar os franceses, depois do top-5 no Giro. Conta com a ajuda de Arthur Vichot e do recém-coroado campeão francês, Arnaud Démare. Já Romain Bardet (AG2R) vai na máxima força para o Tour, com a grande ajuda de Jan Bakelants, Mathias Frank, Alexis Vuillermoz ou o recém-campeão nacional de contrarrelógio, Pierre Latour.

Por fim, Fabio Aru (Astana). O italiano, que falhou o Giro por lesão, está de volta, e de camisola diferente, já que se sagrou campeão nacional no passado domingo. A Astana leva, no apoio a Aru, Fulgsang, Valgren, Lutsenko, Gruzdev ou Dario Cataldo.

Luxo

Existem inúmeros outros que poderão surpreender, e figurar no top-10 da prova ou vencer etapas. Assim, nomes como Warren Barguil (Sunweb), Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), Tim Wellens, Thomas de Gendt e Tony Gallopin (Lotto Soudal), Daniel Martin, Gianluca Brambilla e Phillippe Gilbert (Quick-Step), Pierre Rolland, Andrew Talansky e Rigoberto Uran (Cannondale-Drapac), Johan Chaves, Roman Kreuziger e Simon Yates (Orica), Stephen Cummings (Dimension Data), Louis Meintjes e Diego Ulissi (UAE Team Emirates), Tony Martin e Robert Kiserlovski (Katusha), Primoz Roglic e Robert Gesink (Team LottoNL-Jumbo), Ion Izagirre (Bahrain Merida), Dani Navarro (Cofidis), Thomas Voeckler (última prova da carreira) e Sylvain Chavanel (Direct Energie), Eduardo Sepúlveda (Fortuneo). Uma lista bem extensa, com nomes bem conhecidos, e outros que despontaram nos últimos meses.

Irá o grande Peter Sagan maravilhar-nos com as suas habilidades? Ou poderemos nós contar os segundos lugares?
(Foto: Sirotti)

No que diz respeito aos sprinters, Peter Sagan (Bora) encabeça a lista, com nomes com Marcel Kittel (Quick-Step), John Degenkolb (Trek), Davide Cimolai e Arnaud Démare (FDJ), Michael Matthews (Sunweb), Daryl Impey (Orica), Mark Cavendish e Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), Bem Swift (UAE Team Emirates), Alexander Kristoff (Katusha), Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), Sonny Colbrelli (Bahrain), Nacer Bouhanni (Cofidis). Todos estes procurarão vencer uma etapa, e a luta pela camisola verde dos pontos vai estar ao rubro.

Os portugueses

Tiago Machado é o único português em prova. Terá oportunidade de vencer alguma etapa?
(Foto: Facebook Tiago Machado)

No que diz respeito a participação lusa, estavam confirmados André Cardoso (Trek-Segafredo), que iria participar pela primeira vez, e Tiago Machado (Katusha), que esteve à conversa com o Fair Play no mês passado. No entanto, André Cardoso acusou positivo num teste de doping, pelo que foi retirado da convocatória da Trek. Foi substituído pelo espanhol Zubeldia.

Liga Fair Play

Mais uma vez, o Fair Play irá criar uma liga, no Velogames, para os fãs do ciclismo. Na liga do Critérium du Dauphiné, o vencedor foi… o Fair Play, com 2907 pontos. Já no Tour de Suisse, o vencedor foi a equipa “Sempre a descer” do João Mesquita, com 3089 pontos. Parabéns!

O Fair Play já explicou as regras de adesão, aqui. Têm até ao dia 1 de julho para submeter a equipa.

League Name: Liga Fair Play
League Code: 350395814

Boa-sorte, e VIVE LE TOUR!

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Davide NevesJunho 9, 20173min0

Em ritmo de preparação para mais uma edição do Tour de França, os melhores ciclistas do pelotão mundial dividiram-se entre o Critérium du Dauphiné e esta prova. Rui Costa está aqui para vencer mais uma vez. mas Dumoulin também estará atento.

O calendário World Tour do Ciclismo continua, desta feita para os dias bem duros da Suíça. Num terreno bem complicado, teremos uma enorme luta para ver quem sairá como vencedor. No que diz respeito às etapas, teremos amanhã um prólogo, de apenas 6 quilómetros, onde Tom Dumoulin (Sunweb) ou Rohan Dennis (BMC), bem com Ion Izagirre (Bahrain Merida) poderão vencer. A segunda etapa será em circuito, com uma inclinação no meio, com Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) a ansiar por mais vitórias. A etapa 3 também será de luta para os sprinters, com as etapas seguintes (etapas 4 a 7) a serem passadas em alta-montanha. A etapa 8 será novamente para os sprinters, novamente em circuito, e a etapa 9 é um Contrarrelógio individual de quase 29 quilómetros.

O Favorito

Tom Dumoulin na melhor fase da sua carreira. (Foto: Cycling Week)

Tom Dumoulin (Sunweb) tem de ser apontado como favorito. O percurso deste ano assenta-lhe que nem uma luva, com o prólogo e o contrarrelógio individual final. Depois da grandiosa vitória no Giro d’Italia, o holandês procura mais uma vitória.

Os pretendentes

Rui Costa procura nova vitória. (Foto: Cycling Week)

São bastantes aqueles que  pretendem vencer o Tour da Suíça. Começamos desde já por Rui Costa (Team UAE Emirates). O português não teve um Giro dentro do que pretendia, e vai à Suíça com a ambição de vencer a prova pela quarta vez, de forma igualar Pasquale Fornara, com 4 vitórias.

Miguel Ángel Lopéz (Astana) é o vencedor em prova, e pretende pôr fim a todos os azares que têm acontecido com o ciclista nos últimos meses, numa altura muito tremida para a Astana. A BMC leva um trio de luxo, com Greg van Avermaet, Rohan Dennis e Tejay van Garderen. Domenico Pozzovivo e Mathias Frank serão o rosto da AG2R, e Ion Izagirre (Bahrain Merida) tentará usar os dois contrarrelógios a seu favor. Outros nomes como Reichenbach (FDJ), Simon Spilak (Katusha), Sebástian Henao (Sky), Phillippe Gilbert e Brambilla (Quick-Step) tentarão também figurar no top-10.

Mais uma vez, poderão inscrever-se na Liga Fair Play através da Velogames! Para isso, basta apenas colocar o código: 09205050

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Davide NevesJunho 3, 20174min0

Terminado o Giro d’Italia, os olhos dos adeptos de ciclismo concentram-se em França, nos próximos dias. O Critérium du Dauphiné é uma das provas com mais prestígio, e serve de preparação para o Tour de France, que se inicia dentro de um mês. E Froome participa nas duas.

Expetativa. Esta será, talvez, a melhor palavra para descrever o 69º Critérium du Dauphiné. Todos querem ver como estarão os grandes trepadores, quando estamos tão perto do Tour. E muitos deles pouco fizeram até ao momento.

Os olhos estão todos virados para Chris Froome (Sky). O britânico não está a fazer um grande início de temporada, conforme o Tour de Romandie mostrou (18º na geral). Aqui, corre em zonas onde já foi feliz, de amarela. Mas existe (lá está) a expetativa para ver o que faz o regressado Fabio Aru (Astana), ou se existe espaço para um vencedor francês nesta prova, algo que não acontece desde 2007, com Cristophe Moreau. Assim, Romain Bardet (AG2R La Mondiale) e Warren Barguil (Team Sunweb) terão a ambição de um povo nos pedais.

O percurso é bastante acidentado. Quase todas as etapas têm subidas com alguma dificuldade, e os sprinters apenas devem disputar a 2ª e a 3ª etapa. Existe um contrarrelógio individual na etapa 4, de 23,5 quilómetros, onde Tony Martin (Katusha-Alpecin) deverá brilhar. As últimas duas etapas serão muito emocionantes, com a etapa 7 a ser a etapa rainha, com a ascensão final ao Alpe D’Huez, e a etapa 8 finaliza com 11 quilómetros numa pendente média de 9%.

Os favoritos

Chris Froome é o favorito para o Dauphiné. Defende as duas vitórias anteriores (tem 3) e procura ser o ciclista com mais vitórias nesta prova. Para isso basta-lhe vencer este ano. Numa equipa muito bem recheada, está também o “Plano B”, Michal Kwiatkowski, que deverá estar sempre atento para alcançar uma vitória de etapa.

Alberto Contador (Trek-Segafredo) também chega em grandes condições. Depois de uma quantidade enorme de segundos lugares, procura vencer, e dar prova da sua forma para o Tour. Na mesma situação está Alejandro Valverde (Movistar), que procura aqui a vitória, depois da temporada de clássicas fenomenal.

Richie Porte (BMC) é outro que deve lutar pela vitória. O australiano também está em boa forma, depois da vitória na Romandie, e esta curta paragem durante o Giro permitiu preparar o Tour em condições. Dan Martin (Quick-Step) é uma incógnita. O irlandês é muito forte na montanha, mas os maus contrarrelógios não ajudam para alcançar um possível top-5.

Romain Bardet irá tentar a vitória este ano, depois do pódio do ano passado.
Foto: Tim de Waele / TDWSport.com

Os dois franceses, Bardet e Barguil, chegam a esta prova em condições diferentes. O francês da AG2R chega aqui para vencer, e dar concorrência a Froome. Já Barguil tentará a melhor classificação possível.

Fabio Aru (Astana) é a grande incógnita. O italiano falhou o Giro por lesão, e procura dar uma alegria à época negra da Astana, quer a nível de resultados, quer relativamente à morte de Michele Scarponi. Leva como braço direito Jakub Fulgsang.

Existem outros que entram aqui também, e que poderão surpreender: Esteban Cháves e Simon Yates (Orica-Scott); Andrew Talansky e Davide Formolo (Cannondale-Drapac); Louis Meintjes e Diego Ulissi (UAE Team Emirates).

Relativamente aos sprínters, Nacer Bouhanni (Cofidis), Bryan Coquard (Direct Énergie), Arnaud Démare (FDJ) e Alexandre Kristoff (Katusha) são os nomes mais sonantes.

Os portugueses em prova serão Tiago Machado (Katusha) e André Cardoso (Trek-Segafredo). Podem rever aqui a entrevista de Tiago Machado ao Fairplay, na semana passada.

O Fair Play irá aqui lançar também um desafio: agora, podem inscrever-se na Liga Fair Play, no Velogames (www.velogames.com). Para tal, basta registar-se, escolher a sua equipa e registar-se nas ligas privadas, colocando o código abaixo:

Liga Fair Play

Código: 01233133

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Davide NevesMaio 31, 20179min0

Tiago Machado é um nome bem conhecido dos adeptos do ciclismo. O português, de 31 anos, passou por várias equipas, e pedalou lado a lado com grandes nomes do ciclismo mundial. Em entrevista ao Fair Play, o ciclista de Famalicão conta-nos algumas coisas sobre a sua vida profissional.

fpTiago Machado, numa primeira instância gostaria de lhe agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play, por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples: como é correr no pelotão World Tour há 8 anos (tirando o ano na NetApp)?

TM: É uma boa sensação pois estamos no mais alto patamar do ciclismo mundial e faz nos sentir “especiais”.

fpDurante a sua carreira, correu ao lado de ciclistas de renome, como Fabian Cancellara, os irmãos Schleck ou Lance Armstrong. Quais são os principais frutos que retira deste convívio com grandes nomes do ciclismo?

TM: Andreas Kloden, Levi Leipheimar, Chrsi Horner, Purito Rodriguez, Alex Kristoff, Zakarin, etc… Muita aprendizagem, pois se queres ser bom tens de pedalar ao lado dos melhores.

fpFoi muito dura a mudança da Madeinox-Boavista, em 2009, para a RadioShack?

TM: Claro. Foi uma realidade totalmente diferente daquela a que estava habituado. Chegar ao primeiro estágio com cerca de 80 pessoas (ciclistas e staff) deixa um pouco assustado, mas com as primeiras provas isso ficou para trás.

fpNesse primeiro ano, acabou por fazer grandes resultados, com o pódio no Critérium International, na Volta ao Algarve e, num nível acima, o sexto lugar no Tour de Romandie. Foi esse o seu melhor ano, até ao momento?

TM: Foi um bom ano sem dúvida, mas o de 2014 foi o melhor. Não que os outros tenham sido maus pois fui sempre muito regular.

fpE qual foi a melhor vitória da carreira?

TM: Qualquer bom resultado é sempre especial pois é significado de muito trabalho e sacrifício.

fpComo é feita a preparação para uma época numa equipa World Tour? Acredito que seja mais exigente que uma preparação numa equipa Pro Continental…

TM: Muda um pouco pois estamos sujeitos a mais competições, daí termos um preparador pessoal para que a nossa única preocupação seja dar aos pedais.

fpQual foi o país onde mais gostou/gosta de correr?

TM: Adoro correr na Austrália, Estados Unidos da América e, claro, no nosso Portugal.

fpIlnur Zakarin está a fazer um Giro d’ Italia muito bom até agora, ocupando o quinto lugar na geral, a pouco mais de quatro minutos do líder Tom Dumoulin (ndr. No dia 21 de maio). O que acha da forma da equipa em Itália?

TM: Estão bem, a primeira semana foi dura devido aos azares que o Zak sofreu, mas houve uma resposta colectiva ao nível da situação e ainda há etapas em que ele poderá fazer alguma diferença.

Tiago Machado está na Katusha-Alpecin, com um pelotão de luxo.

fpJá no Tour da Califórnia, terminou na 23ª posição da geral, sendo o melhor colocado da Katusha-Alpecin. Qual era o objetivo da equipa para a prova?

TM: Acho que o objectivo estava bem claro, ou seja, a vitória numa etapa através do Kristoff. Acho que se fosse para um top-10 não iria puxar logo na primeira etapa. É que ao nível que está o ciclismo qualquer esforço extra paga se muito caro.

fpComo é ter José Azevedo, alguém que teve um palmarés muito bom enquanto ciclista profissional, como diretor-geral da equipa?

TM: Tirando o grande Agostinho para mim o melhor de sempre. E é um grande orgulho ver que está a fazer uma carreira de diretor ao mesmo nível que fez a de ciclista. Só uma pessoa muito profissional como ele chega onde já chegou.

fpSente que, por vezes, na sua carreira, não lhe foram dadas oportunidades suficientes para mostrar o valor que tem? Nomeadamente na RadioShack, onde chegou a ser o ciclista que mais vitórias deu à equipa?

TM: Não fui o ciclista com mais vitórias na equipa, apenas um dos mais regulares. Tive boas oportunidades, não me queixo de nenhuma situação. Somos pagos para seguir as ordens e eu apenas as tento cumprir o melhor possível.

fpEm 2009 venceu o campeonato nacional de contrarrelógio e já esteve bem perto de conquistar a camisola de campeão nacional. Será em 2017 que podemos ver o Tiago Machado como campeão nacional de estrada?

TM: Não sei ainda se irei ou não estar presente nos nacionais, depende das ordens e dos objetivos que a equipa tenha para mim.

fpPortugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, consigo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

TM: Claro que pode, são legítimos esses sonhos! Acho que todos trabalhamos para ganhar, sabemos que é difícil mas se não acreditar mais vale a pena não treinar.

fpA nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que tem ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa?

TM: E o André Carvalho também é um jovem que considero que poderá vir a ter um futuro promissor se continuar a evoluir como tem feito até agora. Acho que está aí uma boa “fornada” para “render” a minha geração!

fpComo foi vivida a vitória do Rui Costa em Florença, em 2013? Esse dia foi histórico para o desporto português, com a vitória também do tenista João Sousa num torneio ATP…

TM: Foi um dia de festa, ele tinha feito algo de histórico para o ciclismo nacional.

fpE o regresso a Portugal, e a uma equipa portuguesa? Ainda é demasiado cedo, ou podemos ver o Tiago Machado a vencer na Torre da Serra da Estrela num futuro próximo?

TM: O futuro a Deus pertence, eu apenas irei continuar a trabalhar como sempre o fiz. Um dia, quando regressar, irei fazê-lo com muito gosto!

fpEm jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

TM: Eddy Merckx, ganhou tudo o que havia para ganhar. A nível nacional o nosso Agostinho.

fpNum nível mais pessoal, como é a vida de ciclista? Muitas viagens, pouco tempo em casa, em Portugal. Acredito que seja duro…

TM: A vida de ciclista é feita de sacrifícios. Quando optei por fazer do ciclismo a minha vida já sabia que ia estar sujeito a certas privações. Graças a Deus tenho uma família fantástica que me apoia sempre, em especial nos maus momentos, e cá em casa gostamos mais de pensar nos dias em que estou do que os que não estou.

fpPor fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

TM: Mais fair play do que há no ciclismo é impossível. Há muito respeito entre todos!


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