Giro 2023 – Até onde podemos sonhar?

Gonçalo MeloAbril 25, 20235min0

Giro 2023 – Até onde podemos sonhar?

Gonçalo MeloAbril 25, 20235min0
Gonçalo Melo analisa o Giro 2023 e quem pode terminar nos lugares da frente desta histórica prova do ciclismo internacional

Sai para a estrada mais uma edição do Giro de Itália no próximo dia 6 de Maio, prova que coroará em Roma, no dia 28 do mesmo mês, o novo camisola Rosa do mundo do Ciclismo. omo nos últimos anos, João Almeida, terá legitimas aspirações a um bom resultado. As listas finais ainda estão por fechar, a equipa árabe ainda tem dois elementos para selecionar, mas se pelo menos um desses dois ciclistas não for um trepador, podemos ver João Almeida com dificuldades numéricas para responder aos blocos da JumboVisma, Quick-Sept, e INEOS.

Davide Formolo e Diego Ulissi não são elementos de trabalhar para o seu líder, são elementos para caçar etapas, pelo que apenas Jay Vine e Alessandro Covi serão curtos para ajudar Almeida na montanha. Esperemos que Brandon McNulty, Felix Grosschartner ou Juan Ayuso apareçam na lista final. Mas até onde pode sonhar o jovem ciclista da UAE Emirates?

Com Remco Evenepoel na forma atual, lutar contra o prodígio belga parece ser inglório. Ainda para mais, o percurso da prova apresenta 3 contra-relogios individuais, onde Remco é monstruoso. Neste momento, o único elemento que aparenta ser capaz de discutir a Rosa é Primoz Roglic.

O esloveno parece estar de volta ao seu melhor nível. É, tal como Evenepoel, muito forte no contrarrelógio, e tem motor para competir com o belga pelas bonificações nas várias etapas.

A seu favor, tem os vários anos de experiência comparativamente com o jovem belga. O bloco das duas equipas pode também ser um fator decisivo.

A Jumbo-Visma tem corredores mais habituados a formar o “comboio” para proteger o seu líder e eliminar as ameaças, e quem tem ao seu lado Sepp Kuss, Tobias Foss, Robert Gesing e Ken Bouwman, pode dormir descansado.

A Quick-Step tem tentado moldar a equipa, e está cada vez mais perto de poder competir com os grandes blocos das 3 “grandes” equipas da atualidade. No entanto, apesar de ter na equipa vários ciclistas de renome, como Fausto Masnada, Jan Hirt ou Mattia Cattaneo, os mesmos nunca nos habituaram a ser ciclistas de bloco na alta montanha. Tudo o que não seja uma luta titânica entre Evenepoel e Roglic será uma surpresa, mas há nomes que devem manter João Almeida focado e atento.

A INEOS tem de ser sempre vigiada de perto, e apesar dos 36 anos, Geraint Thomas provou no Tour do ano passado ser um ciclista perigoso quando está em forma. Os 3 contra-relógios assentam-lhe que nem uma luva, e a ajuntar a isso, tem na equipa alternativas que lhe retiram pressão, como Tao Geoghegan Hart (vencedor em 2020), que chega motivado depois de uma imponente vitória no Tour dos Alpes. Provavelmente partirá como co-lider, terá de corresponder no esforço individual para ultrapassar Thomas na Hierarquia.

Muita atenção também a Thymen Aresman, que se tiver liberdade, pode ser um outsider nesta INEOS. Já Filippo Ganna, já esfrega as mãos ao olhar para os 3 esforços contra o relógio, que na cabela do italiano são 3 vitórias obrigatórias.

Atenção a Jack Haig e Gino Mader da Bahrain, com o primeiro em claro crescendo de forma nas ultimas semanas. Alexsander Vlasov abandonou no Tour dos Alpes, a sua condição física pode não ser a ideal, mas se estiver bem, é um forte candidato ao top 5, quiçá ao pódio. Lennard Kamna esteve a grande nível no Tirreno Adriático, onde foi quarto. O alemão anda muito bem no contrarrelógio, pode ser uma agradável surpresa, principalmente se Vlasov não corresponder.

A Education First também apresenta um bloco interessante para esta prova. Hugh Carty foi segundo nos Alpes, partirá como líder, e o top 5 é uma real possibilidade.

O veterano Rigoberto Urán parte como outsider, mas nunca o podemos descurar. Outro elemento a seguir com atenção nesta equipa norte-americana é Jefferson Cepeda, quarto classificado nos Alpes.

A Movistar ainda so tem 4 nomes confirmados, sendo quase certo que os espanhois vão a Itália caçar etapas, e contam com Fernando Gaviria para isso. O sprinter colombiano sabe bem o que é ganhar em terreno transalpino. Nicoló Bonifazio, Mark Cavendish e Pascal Ackermann serão os seus principais rivais nas chegadas rápidas (atenção também a David Ballerini).

Giulio Ciccone apresentou-se bem na Fleche Wallonne, mas o facto de existirem 3 CR individuais poderão tirar o trepador italiano da luta pelo podia ainda numa fase precoce da prova. O percurso assenta melhor no seu colega na Trek Segafrego, o neerlandês Bauke Mollema.

Curiosidade para ver até onde vai Thibaut Pinot, que parece este ano mais próximo do ciclista que lutou por grandes voltas. Um top 10 é perfeitamente possível, naquele que será o seu ultimo ano como profissional.

Na Isral Premier Tech, não podemos esquecer Domenico Pozzovivo. 40 anos de idade, mas o ano passado foi oitavo no Giro, pode perfeitamente voltar a estar no top 10. A ele podem juntar-se ainda Michael Woods e Giacomo Nizzolo, que serão perigos à solta no que toca a ganhar etapas.

Previsão final

1º – Primoz Roglic
2º – Remco Evenepoel
3º – João Almeida
4º – Tao Geoghegan Hart
5º – Jack Haig


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